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Notas do tema

Elisabeth e Zacharie

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EMF 6.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

6.1 Em Jerusalem, vejo Joaquim e Ana com Zacarias e Isabel saírem juntos de uma casa, certamente de parentes ou amigos, e dirigirem-se ao Templo, onde vão para a cerimônia da Purificação.

Ana tem nos braços a menina, toda envolta em cueiros, tendo sido antes enrolada com um amplo tecido de lã mais leve, que deve ser macio e quente. Com que cuidado e amor leva a sua filhinha, levantando de vez em quando a beirada do pano fino e quente, para ver se Maria respira bem, e depois, cobre-a bem de novo, para protegê-la do ar gelado deste dia sereno, embora de pleno inverno.

Isabel tem alguns pacotes nas mãos. Joaquim puxa com uma corda dois cordeiros grandes e muito brancos, que já são mais carneiros que cordeiros. Zacarias não leva nada. Ele está muito bonito em sua veste de linho, que um pesado manto de lã também branco, deixa entrever. Um Zacarias muito mais jovem do que aquele visto no tempo do nascimento do Batista, em plena virilidade, como também Isabel é agora uma mulher madura, mas ainda de aparência jovem. Todas as vezes que Ana olha a menina, ela também se inclina extasiada, sobre o rostinho adormecido. Muito bonita, com um vestido azul que tende ao violeta escuro, com um véu que lhe cobre a cabeça, descendo depois sobre os ombros e sobre o manto mais escuro que o vestido.

Joaquim e Ana, enfim, estão realmente esplêndidos em suas vestes de festa. Ao contrário do seu costume, ele não está com sua túnica mar­rom escuro, mas com uma longa veste de um vermelho bem escuro, diríamos, um vermelho de fundo, e as franjas colocadas em seu manto são muito novas e bonitas. Na cabeça, ele tem também uma espécie de véu retangular, cingido com uma tira de couro. Sua roupa é toda nova e fina.

Ana, oh! ela não se veste de escuro hoje. Está com um vestido amarelo muito claro, quase da cor do marfim velho, ajustado à cintura, ao pescoço e aos pulsos por meio de um cinturão que parece ser de prata e ouro. A sua cabeça está coberta com um véu muito leve, que parece adamascado e está preso à fronte por uma lâmina delgada e preciosa. Ao pescoço, um colar de filigrana e nos pulsos, braceletes. Parece uma rainha, também pela dignidade com que caminha com sua veste, em especial o manto amarelo claro, com galões formando um bordado muito bonito, tom sobre tom.

– Parece-me estar te vendo no dia em que fostes a noiva. Eu era pouco mais que uma menina, mas lembro-me ainda como estavas bonita e feliz –diz Isabel.

– Mas hoje estou ainda mais… Quis pôr a mesma roupa daquele dia para a cerimônia de hoje. Eu a guardei sempre para este dia… Já não esperava mais poder usá-la para esta festa.

6.2 – O Senhor te amou muito… – diz Isabel com um suspiro.

– É por isso que eu Lhe dou a coisa que eu mais amo. Esta minha flor.

– Como farás para arrancá-la do seio, quando chegar a hora?

– Recordando-me que eu não a tinha, e a recebi de Deus. Estarei sempre mais feliz agora, do que antes. Quando pensar que ela estará no Templo, direi a mim mesma: “Reza junto ao Tabernáculo, ora ao Deus de Israel também por sua mãe” e ficarei em paz. E ainda maior paz terei, ao dizer: “Ela é toda Sua. Quando estes dois velhos felizes que a receberam do Céu não estiverem mais em vida, Ele, o Eterno, lhe será eternamente Pai.” Podes crer, eu tenho disso a firme convicção, esta pequenina não é nossa. Nada mais eu podia fazer… Foi Ele que a colocou em meu ventre, este dom divino para enxugar o meu pranto, confortar as nossas esperanças e atender as nossas orações. Por isso ela é Sua. Nós somos somente os felizes guardiães dela… e por isso Deus seja bendito!

6.3 Chegam até os muros do Templo.

– Enquanto vos dirigis para a porta de Nicanor, eu vou avisar o sacerdote. Depois, eu virei também –diz Zacarias, desaparecendo atrás de um arco, que dá para um grande pátio rodeado de pórticos.

A comitiva continua a encaminhar-se pelos sucessivos terraços. Porque (não sei se já o disse) o recinto do Templo não está sobre um terreno plano, mas vai-se elevando por degraus sucessivos sempre mais altos. A cada lance pode-se chegar por escadarias, e em cada lance há pátios, pórticos e portais muitos bem trabalhados, de mármore, bronze e ouro.

Antes de chegarem ao lugar combinado, eles param e vão tirar dos pacotes as coisas que tinham levado, ou seja, pães cozidos, de formato achatado e de pouca espessura, feitos com muita gordura, um pouco de farinha branca, duas pombas em uma pequena gaiola de vime e grandes moedas de prata, certas patacas tão pesadas, que por sorte não havia bolsos naquele tempo, pois não resistiriam.

Eis a bonita porta de Nicanor, um trabalho bem acabado de entalhe­, feito de pesado bronze com lâminas de prata. Lá já se encontra Zacarias, ao lado de um sacerdote esplêndidamente vestido de linho.

Ana recebe a aspersão de uma água, que eu suponho seja a água lustral, e depois recebe a ordem de aproximar-se do altar do sacrifício. A menina não está mais em seus braços. Isabel carrega, estando ainda do outro lado da porta.

Joaquim, por sua vez, entra, atrás de sua mulher, puxando um pobre cordeiro balindo. Faço como na purificação de Maria: fecho os olhos para não ver degolações como esta.

Agora Ana está purificada.

6.4 Zacarias diz em voz baixa algumas palavras a um colega, o qual concorda, sorrindo. Depois aproxima-se do grupo, que já se reuniu de novo, congratulando-se com a mãe e o pai pela sua alegria e pela fidelidade às promessas feitas, recebendo o segundo cordeiro, a farinha e os pães cozidos.

– Então, esta filha está sendo consagrada ao Senhor? Que a Sua bênção esteja com ela e convosco. Eis Ana que chega. Ela será uma de suas mestras. É Ana de Fanuel, da tribo de Aser. Vem, mulher! Esta pequenina é oferecida ao Templo em hóstia de louvor. E tu serás sua mestra. Submissa a ti, ela crescerá na santidade.

Ana de Fanuel, já com os cabelos todos brancos, acaricia a menina, que acabou de acordar e olha com seus olhos inocentes e espantados toda aquela brancura e todo aquele ouro, que a luz do sol faz brilhar.

A cerimônia deve ter acabado. Não vi nenhum rito especial para a oferta de Maria. Talvez fosse suficiente dizê-lo ao sacerdote e sobretudo que o dissessem a Deus, no lugar sagrado.

6.5 – Eu gostaria de fazer a oferta ao Templo, e ir depois àquele lugar, onde vi aquela luz no ano passado.

Vão assim para lá, acompanhados por Ana de Fanuel. Mas não entram no Templo propriamente dito. Compreende-se que, tratando-se de mulheres e de uma menina, não chegaram até o lugar, ao qual Maria chegou, quando veio oferecer o seu Filho. Mas, bem perto da porta toda aberta, olham para o interior meio escuro, de onde estão vindo doces cantos de meninas, e de onde vem o brilho de lâmpadas preciosas, que espalham uma luz de ouro sobre dois canteiros de cabecinha­s cobertas com véus brancos, dois verdadeiros canteiros de lírios.

– Daqui a três anos tu também estarás lá, meu Lírio –promete Ana a Maria, que olha como que fascinada para o interior do Templo, sorrindo ao lento canto.

– Parece até que ela compreende –diz Ana de Fanuel.– É uma linda menina! Será querida por mim, como se fizesse parte de minhas entranhas. Assim eu te prometo ó mãe, se a idade me permitir.

– Sim, que poderás, mulher! –diz Zacarias.– Tu a receberás entre as meninas consagradas. Eu também estarei lá. Quero estar lá naquele dia para dizer a ela que reze por nós desde o primeiro momento…

E olha para a sua mulher, que compreende, suspirando.

A cerimônia terminou, e Ana de Fanuel se retira, enquanto os outros saem do Templo, conversando entre si.

Ouço a voz de Joaquim, que diz:

– Eu teria dado até todos os meus cordeiros, não só os dois melhores, em troca desta alegria, para dar louvor a Deus!

Nada mais vejo.

EMF 8.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vão andando bem devagar. Parecem querer que aquela sua viagem dure o mais possível. Tudo serve de motivo para mais uma parada… Mas, afinal, uma estrada uma hora tem que acabar. E esta já está no fim. No alto deste último trecho da estrada, que vai subindo, estão os muros que rodeiam o Templo. Ana solta um gemido e aperta com mais força a mãozinha de Maria.

– Ana querida, eu estou contigo!

Assim diz uma voz, que vem da sombra de um arco baixo, que se projeta sobre um cruzamento.

Isabel, que, com certeza, a estava esperando, se aproxima dela e a aperta ao coração. Vendo que Ana está chorando, lhe diz:

– Vem, entra um pouco nesta casa amiga. Depois, iremos juntos. Zacarias também está aqui.

Entram todos em uma morada baixa e escura, na qual se vê o clarão de um grande fogo. A dona da casa deve ser amiga de Isabel, mas para Ana é estranha, e então se retira dali delicadamente, deixando os recém-chegados mais a vontade.

– Não pense que eu esteja arrependida, ou esteja dando o meu tesouro de má vontade ao Senhor –explica-lhe Ana, entre lágrimas–, mas o coração… oh! como o meu coração está doendo, o meu velho coração, que vai voltar para aquela solidão dos que não têm filhos!… Se pudesses sentir o que estou sentindo…

– Eu compreendo, minha querida Ana… Mas, tu és boa, Deus te confortará em tua solidão. Maria rezará pela paz de sua mamãe. Não é mesmo?

Maria acaricia as mãos maternas e as beija, e as passa em seu rosto para ser acariciada, enquanto Ana aperta entre as suas aquele rostinho, e o beija, repetidamente. E não se sacia de beijá-lo.

Entra Zacarias, e saúda:

– Aos justos, a paz do Senhor!

– Sim –diz Joaquim– suplica para nós a paz, pois as nossas entranhas estão trêmulas, ao fazermos nossa oferta, como deviam estar as entranhas de nosso Pai Abraão, quando subia o monte, só que nós não encontraremos outra oferta para darmos no lugar desta. Também não quereríamos fazer isso, pois somos fiéis a Deus. Mas estamos sofrendo, Zacarias. Sacerdote de Deus, procura compreender-nos e não fiques escandalizado conosco.

– Nunca. Pelo contrário, a vossa dor, que sabe não passar além do permitido e levar-vos à infidelidade, serve para mim até como um exemplo de amor ao Altíssimo. Mas, tende coragem!

Detalhe

Ana, Joaquim e Maria estão em Jerusalém. A Mãe do Salvador prepara-se para entrar no Templo aos três anos de idade.

Anotação

É como a oferta de Abraão quando subiu ao monte, e não encontraremos outra oferta para redimir esta. Cf. Génesis 22,1-18. É precisamente no monte Moriá, onde se encontra o Templo, que a Bíblia situa o sacrifício de Isaac. Ele foi substituído no último momento por um carneiro.

Livro do Génesis 22, 1-8

Gn22,1-8: Depois destes acontecimentos, Deus pôs Abraão à prova. Disse-lhe: "Abraão! Abraão respondeu: "Eis-me aqui! Deus disse: "Toma o teu filho, o teu único filho, aquele que amas, Isaac, vai à terra de Moriá e oferece-o em holocausto no monte que te mostrarei.

Abraão levantou-se de manhã cedo, selou o seu burro e levou consigo dois dos seus servos e o seu filho Isaac. Partiu a lenha para o holocausto e pôs-se a caminho do lugar que Deus lhe tinha indicado. Ao terceiro dia, Abraão olhou para cima e viu o lugar ao longe. Abraão disse aos seus servos: "Fiquem aqui com o burro. Eu e o rapaz vamos até lá para adorar e depois voltamos para junto de ti.

Abraão pegou na lenha para o holocausto e carregou-a no seu filho Isaac; pegou no fogo e no cutelo, e foram os dois juntos. Isaac disse ao seu pai Abraão: "Meu pai! - Então, meu filho? Isaac respondeu: "Há o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? Abraão respondeu: "Deus há-de encontrar o cordeiro para o holocausto, meu filho. E os dois partiram juntos.

Chegaram ao lugar que Deus tinha indicado. Abraão construiu ali o altar e colocou a lenha; depois amarrou Isaac, seu filho, e colocou-o sobre o altar, em cima da lenha. Abraão estendeu a mão e pegou na faca para matar o seu filho. Mas o anjo do Senhor chamou-o do céu e disse: "Abraão! Abraão!" Ele respondeu: "Estou aqui! O anjo disse-lhe: "Não toques no rapaz! Não lhe faças mal! Agora sei que temes a Deus: não me recusaste o teu filho, o teu único filho.

Abraão olhou para cima e viu um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Abraão foi, pegou no carneiro e ofereceu-o em holocausto em vez do seu filho. Abraão chamou a esse lugar "O Senhor vê". Hoje chama-se "No monte que o Senhor vê". Do céu, o anjo do Senhor chamou Abraão uma segunda vez.

Disse: "Juro por mim mesmo, diz o Senhor, porque fizeste isto, porque não me negaste o teu filho, o teu único filho, eu te abençoarei, farei com que a tua descendência seja tão numerosa como as estrelas do céu e como a areia do mar, e a tua descendência possuirá as fortalezas dos seus inimigos. Por teres dado ouvidos à minha voz, todas as nações da terra se abençoarão mutuamente pelo nome da tua descendência.

EMF 8.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ana, a profetisa, tomará muito cuidado desta flor de Davi e de Arão. Neste momento ela é o único lírio de sua estirpe santa, que Davi ainda tem no Templo, e cuidaremos dela como de uma pérola real. Visto que os tempos vão chegando ao fim, as mães da estirpe deveriam consagrar suas filhas ao Templo, dado que há de ser de uma virgem, da estirpe de Davi, que nascerá o Messias. No entanto, por um relaxamento na fé, os lugares das virgens estão vazios. São muito poucas no Templo, e nenhuma da estirpe real, depois que Sara, a esposa de Eliseu, saiu para se casar, há três anos. É verdade que ainda faltam seis lustros para o fim, mas… ainda bem! Esperemos que Maria seja a primeira de muitas outras virgens da estirpe de Davi diante do Sagrado Véu. E depois… quem sabe…

Zacarias não diz mais nada, mas, pensativo olha para Maria.

Detalhe

Ana, Joaquim e Maria estão em Jerusalém. A Mãe do Salvador prepara-se para entrar no Templo aos três anos de idade. A eles junta-se Isabel, que os deixa entrar numa casa amiga. O marido dela chega entretanto e Joaquim revela-lhes a sua tristeza.

Anotação

A profetisa Ana cuidará muito bem desta flor de David e de Aarão. Maria é descendente de David, através de seu pai Joaquim, e de Aarão (irmão de Moisés), através de sua mãe Ana. Era, portanto, de ascendência real e sacerdotal. A sua ascendência sacerdotal é deduzida da sua relação com Isabel (Lc 1,5), e a sua raça real é deduzida, em particular, do seu casamento com José "da descendência de David". Ora, segundo a lei de Moisés, a herdeira órfã (Números 27,9) devia casar-se no mesmo clã (Números 36,8).

Os tempos estão a chegar ao fim: alusão à profecia de Daniel sobre as setenta semanas (anos) antes da vinda do Messias (cf. Daniel 9,22-27). Esta profecia era muito difundida na época de Cristo.

Os lugares reservados às virgens no Templo estão vazios. O Messias devia ser descendente de David (Isaías 11,1f). Ele nasceria de uma virgem (Isaías 7,13-14), mas a crença de que essa virgem teria sido educada no Templo não é mencionada. Ana Catarina Emmerich menciona-o na sua Vida da Virgem Maria (capítulo 35): atribui-o, como Maria Valtorta o faz aqui, a uma tradição não especificada. Provavelmente, a sua origem está na estima que as virgens do Templo tinham e na qualidade do seu recrutamento.

Faltam ainda seis lustres para a data prevista. Uma lustra é um período de 5 anos. Na época romana, era o período no final do qual eram eleitos os censores (magistrados supremos). Era também o intervalo entre dois recenseamentos.

EMF 8.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, retoma o assunto:

– Eu mesmo velarei por ela. Sou sacerdote, e lá dentro tenho as minhas funções. E, no desempenho delas cuidarei deste anjo. Isabel também virá muitas vezes se encontrar com ela…

– Oh! Decerto! Eu tenho tanta necessidade de Deus, e virei dizer isso a esta menina, para que ela o transmita ao Eterno.

Detalhe

Maria está prestes a entrar no Templo, para grande desgosto dos seus pais. Zacarias fala de Ana e das virgens do Templo.

Anotação

Zacarias e Isabel viviam em Hebron e podiam, portanto, vir mais facilmente do que Joaquim e Ana, que viviam em Nazaré nessa altura.

EMF 8.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

8.4 Ana se sente reanimada. Isabel, para aliviá-la ainda mais, lhe pergunta:

– Esse não é o teu véu de esposa? Ou será que o fiaste de um novo linho?

– É aquele mesmo. Eu o consagro com ela ao Senhor. Já não tenho mais aquela vista boa… Depois, as riquezas estão muito diminuídas pelos impostos e pelas desventuras… Nem eu podia estar fazendo pesadas despesas. Tomei as providências necessárias só para um bom enxoval durante o tempo que vai passar na Casa de Deus, e para depois… pois penso que não serei eu quem a vai vestir para as núpcias… Mas quero que tenha sido a mão de sua mamãe, ainda que fria e imóvel, a preparar-lhe para as núpcias, fiando os linhos e as vestes de esposa.

– Oh! Por que ficar pensando estas coisas?!

– Eu estou velha, prima. Nunca me senti assim, como agora que estou passando por esta dor. As últimas forças de minha vida foram dadas a esta flor, quando a trouxe comigo, quando a alimentei, e agora… agora que estou nas últimas, estou sentindo a dor de perdê-la, o que vai acabar com minhas forças.

– Não digas uma coisa dessas. Pensa no Joaquim.

– Tens razão. Procurarei viver para o meu homem.

Joaquim fez como se não tivesse ouvido, atento como estava em ouvir Zacarias; mas bem que ele ouviu, e dá um forte suspiro, com os olhos marejados de lágrimas.

Anotação

Era-me impossível gastar muito dinheiro. Apenas preparei um rico enxoval para a sua estadia na Casa de Deus e para depois... No casamento de Maria, Isabel fala deste enxoval preparado por Ana, entretanto desaparecida (EMV 13.3).

Os nossos recursos diminuíram devido aos impostos e às reviravoltas da sorte... Este revés da sorte é mencionado várias vezes na obra, nomeadamente em EMV 9.

Já sou velha, minha prima. Isabel é geralmente apresentada como sobrinha de Ana e prima de Maria. Aqui é prima em primeiro grau de Ana. A não ser que se trate de uma designação habitual, como "irmão" era para os primos.

EMF 8.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Estamos entre a terça e a sexta horas. Acho que seria bom irmos andando –diz Zacarias.

Levantam-se todos para colocarem-se os mantos e partirem.

8.5 Mas antes de saírem, Maria se ajoelha sobre a soleira, de braços abertos. É um pequeno querubim, que implora:

– Pai! Mãe! Dai-me a vossa bênção!

A pequenina é forte, não chora. Mas seus labiozinhos tremem, e a voz, entrecortada por um interno soluço, tem, mais do que nunca, o som do gemido trêmulo da rolinha. Seu rostinho está mais pálido, e seus olhos têm aquele olhar cheio de uma resignada angústia que parece sempre mais forte até provocar-nos um profundo sofrimento. Este olhar só o verei de novo no Calvário e junto ao Sepulcro.

Seus pais a abençoam e beijam. Uma, duas, dez vezes. Não sabem saciar-se… Isabel chora silenciosamente, e Zacarias, por mais que não queira demonstrá-lo está comovido.

Saem. Maria entre o pai e a mãe, como antes. Na frente, vão Zacarias e a mulher.

Ei-los dentro dos muros do Templo.

Detalhe

Maria está prestes a entrar no Templo e a deixar os seus pais.

Anotação

Aqui estamos entre a terceira e a sexta hora. 10:30 da manhã. Esta é a hora da oferta da manhã (Êxodo 29:38-39; Êxodo 30:7; Números 28:3-4), também mencionada em EMV 197.5 e EMV 518.1. A oferta da manhã era menos solene do que a da hora nona.

EMF 8.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Isabel está ao lado de Ana, mas a um meio passo atrás.

Detalhe

Quando Joaquim, Ana e Maria esperavam o sumo sacerdote para apresentar a Virgem no Templo, Isabel estava presente.

EMF 9.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu me fiz rodear de sábios, que foram meus parentes mortais. Ana, Joaquim, José, Zacarias e ainda mais, Isabel, e depois o Batista. Acaso não são eles verdadeiros sábios? Não falo de minha mãe, na qual a Sabedoria fez sua morada.

Detalhe

Jesus disse:

EMF 9.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Por sua santidade, Ana não passou pelos sofrimentos da mulher que dá à luz, mas, sim, pelo êxtase de quem trazia consigo aquela que é a sem culpa. Para os dois não houve aflições de agonia, mas uma languidez que foi-se desvanecendo, assim como docemente vai-se apagando uma estrela, à medida que o sol vem surgindo com a aurora. Eles não tiveram o conforto de ter-me consigo, Sabedoria Encarnada, como pôde José; no entanto, Eu era a invisível Presença que, inclinada sobre o travesseiro deles, fazendo-os adormecer em paz, na esperança do triunfo, lhes dizia sublimes palavras.

Há quem diga: “Por que não tiveram que sofrer para gerar, nem para morrer, sendo eles também filhos de Adão?” Eu respondo: “O Batista foi pré-santificado só por ter chegado perto de Mim, quando estava no ventre de sua mãe, tendo sido ele também filho de Adão, concebido com o pecado original; não teria recebido nenhuma graça a santa mãe daquela que não teve mancha, preservada por Deus, por trazer o próprio Deus no seu espírito quase divino e no seu coração embrionário, sem nunca de Deus se separar, desde que foi pensada pelo Pai, concebida num ventre, tornando a possuir Deus plenamente no céu por uma eternidade gloriosa?” E ainda respondo: “A reta consciência dá uma morte serena, e as orações dos santos vos alcançam tal morte".

Anotação

Objeção levantada: "A Ana deu à luz sem dores".

Ana não experimentou as dores do parto. Numa nota dactilografada, Maria escreve: "Isto é aceite mesmo por alguns teólogos no sentido material das dores de parto; na realidade, a alegria extática de dar à luz Maria prevaleceu sobre o sofrimento natural de qualquer mulher, de tal modo que Ana deu à luz sem as angústias e os sofrimentos habituais neste caso".

Desafio lançado: Maria foi criada desde toda a eternidade (a eternidade está reservada a Deus).

Falando de Maria, a Obra diz que ela "nunca esteve separada do Pai desde o momento em que Ele a pensou". Isto confirma que a alma de Maria é pensada por Deus desde toda a eternidade (como cada um de nós). Mas isto distingue-se da sua existência real (há 2000 anos).

EMF 11

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Maria confia o seu voto ao Sumo Sacerdote.

Data da visão: Domingo, 3 de setembro de 1944

Calendário:novembro do ano 7 (Elul 3754).

Localização (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: Maria regressa à sua cela com outras virgens. Quando está prestes a entrar no seu quarto, uma patroa diz-lhe que o sumo sacerdote a quer ver. Então ela vai e encontra o sacerdote, assim como Zacarias e Ana de Fanuel. Simão ben Boethos diz-lhe que conhece a sua santidade e que gostaria que ela ficasse no Templo a rezar ao Senhor todas as manhãs. Mas a Lei diz o contrário e ela deve casar-se. Ele tranquiliza-a, dizendo que não se tinha esquecido de que ela era da linhagem de David e que, como não conhecia ninguém, confiariam em Deus para escolher o seu marido. Maria confia então o seu voto de virgindade ao sumo sacerdote, que lhe pergunta quando o terá cumprido. A Mãe do Senhor mergulhou nas suas memórias para lhe responder. Disse-lhe que não se opunha ao casamento, mas que queria continuar virgem. O sumo sacerdote disse-lhe que Deus lhe daria um marido, que seria santo, porque ela se tinha confiado ao Altíssimo. Ela contará ao seu futuro marido o seu voto.

Conteúdo do capítulo: 11.1: Maria Valtorta fica encantada com o sorriso de Maria no meio de um bombardeamento. 11.2: Maria regressa à sua cela com as virgens. 11.3: O Pontífice lembra-lhe que deve casar-se. 11.4: Mas Maria prometeu-se ao Senhor e conta-lhe como. 11.5: Dirás ao teu marido o teu voto.