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Notas do tema

Elisabeth e Zacharie

Página 2 de 9

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EMF 11.2-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria está sempre no Templo. Agora, ela está saindo com outras virgens do Templo verdadeiro e propriamente dito.

Lá dentro deve ter havido alguma cerimônia, pois o cheiro do incenso se espalha pelo ar, que está todo avermelhado por causa de um belo pôr-do-sol, que eu diria de um outono adiantado, com um céu docemente cansado, como um outubro sereno, inclinando-se sobre os jardins de Jerusalém, nos quais o amarelo-ocre das folhas, estando para cair, vão derramando manchas loiro-avermelhadas no verde-prateado das oliveiras.

A fileira, ou melhor, o cândido enxame das virgens, atravessa o pátio dos fundos, sobe por uma escadaria, passa por uma série de pórticos, entra em um outro pátio mais simples, quadrado, tendo uma única entrada. Deve ser este o lugar que serve para acomodar os pequenos quartos das virgens destinadas ao Templo, pois cada menina se dirige para a sua cela, como uma pombinha para o seu ninho, e até parece um bando de pombas que se separam, depois de estarem unidas respondendo a um apelo. Muitas, eu diria todas, falam entre si em voz baixa e alegre, antes de se separarem. Maria está calada. Somente antes de se separar das outras, ela as saúda afetuosamente, depois se dirige para o seu pequeno quarto, que fica num canto à direita.

11.3 Lá, ela se encontra com uma mestra também anciã, embora não tanto quanto Ana de Fanuel.

– Maria, o Sumo Sacerdote te espera.

Maria olha para ela, ligeiramente surpresa, mas não lhe pergunta nada. Responde só isto:

– Irei imediatamente.

Não sei se a ampla sala em que ela entra faz parte da casa do Sacerdote, ou se faz parte dos aposentos das mulheres que trabalham no Templo. Só sei que é uma sala vasta e muito clara, bem arrumada, onde, além do Sumo Sacerdote, majestoso em suas vestes, estão também Zacarias e Ana de Fanuel.

Maria faz uma grande reverência na entrada, não continuando a entrar até que o Sumo Sacerdote lhe diga:

– Adiante, Maria. Não temas.

Maria ergue, então, de novo o corpo, e vai para a frente devagar, não porque queira, mas por um movimento involuntário que lhe dá um ar solene, fazendo-a parecer, de fato, uma mulher.

Ana sorri para ela, para dar-lhe coragem, e Zacarias a saúda, dizendo:

– A paz esteja contigo, prima.

O Pontífice a observa atentamente, e depois diz a Zacarias:

– Nela se vê logo a estirpe de Davi e de Arão.

– Minha filha, eu conheço a tua graça e bondade. Sei que cada dia vieste crescendo na ciência e na graça, aos olhos de Deus e dos homens. Sei que a voz de Deus murmura ao teu coração as mais doces palavras. Sei que tu és a Flor do Templo de Deus e que um terceiro querubim está diante do Testemunho, desde quando tu lá estás. Eu gostaria que o teu perfume continuasse a subir com o incenso em cada novo dia. Mas as palavras que a Lei diz são outras. Tu não és mais uma menina, mas uma mulher. E toda mulher deve ser esposa em Israel, para levar ao Senhor o seu filho varão. Tu cumprirás a ordem da Lei. Não tenhas medo, não fiques envergonhada. Estou bem lembrado da tua realeza. A própria Lei já tutela essa condição, quando ordena que a cada homem seja dada a mulher da sua estirpe. Ainda que assim não fosse, assim eu o faria, para não corromper o teu nobilíssimo sangue. Não conheces, Maria, alguém da tua estirpe, que possa ser o teu esposo?

Maria ergue o rosto, todo ruborizado de pudor, e sobre o qual, dos cílios das pálpebras vem brotando um primeiro sinal de pranto, e com voz trêmula, responde:

– Ninguém.

– Mas ela não pode conhecer alguém, porque entrou aqui em sua infância, e a estirpe de Davi tem sido perseguida e dispersa de tal modo, que não foi possível que os diversos ramos se reunissem como em uma fronde, formando a copa da palmeira real –diz Zacarias.

– Então, vamos deixar para Deus a escolha.

11.4 As lágrimas, até aí contidas jorram agora, e descem até à boca trêmula, e Maria lança um olhar suplicante à sua mestra.

– Maria fez um voto ao Senhor pela sua glória e pela salvação de Israel. Naquele tempo ela não passava de uma menina, estava aprendendo a soletrar, e já se tinha obrigado por um voto… –diz Ana em sua ajuda.

– O teu pranto, então, é por isso? Não é por resistência à Lei?

– É por isso… e não por outra causa. Eu obedeço a ti, Sacerdote de Deus.

– Isto vem confirmar tudo o que sempre me foi dito de ti. Há quantos anos que fizeste essa promessa de virgindade?

– Desde sempre, penso. Ainda não estava neste Templo, e já me havia entregue ao Senhor.

– Não és tu aquela pequenina que, faz agora doze invernos, vieste pedir-me para entrar?

– Sou eu.

– E como podes dizer que naquele tempo já eras de Deus?

– Se olho para trás, vejo-me consagrada já ao Senhor. Não posso lembrar-me da hora em que nasci, nem de como foi que comecei a amar a minha mãe e a dizer a meu pai: “Meu pai, eu sou tua filha”… Mas eu me lembro, ainda que não saiba quando começou, de ter dado a Deus meu coração. Talvez tenha sido com o primeiro beijo que eu soube dar, com a primeira palavra que eu consegui pronunciar, com o primeiro passo que eu fui capaz de dar… Sim, isso mesmo. Creio que a primeira recordação de amor, vou encontrá-la no primeiro passo firme que eu consegui dar… Minha casa… tinha um jardim cheio de flores… tinha um pomar e muitos campos… e lá havia uma nascente, bem lá no fundo, ao sopé de um monte, e a nascente jorrava de uma rocha escavada, que formava uma gruta… era cheia de ervas de talos longos e finos, que ficavam penduradas como pequenas cascatas verdes, que vinham de diversas direções e parecia que estivesse chovendo, porque as folhinhas leves das pequenas copas semelhantes a um bordado, tinham uma gotinha de água em cada uma que, ao pingar, fazia o som de uma campainha, bem pequenina. E a nascente também cantava. Lá havia passarinhos nos ramos das oliveiras e das macieiras, que estavam na encosta acima da nascente, pombas brancas, que vinham lavar-se no espelho límpido da água da fonte… Eu não me lembrava mais de tudo aquilo, porque eu tinha colocado todo o meu coração em Deus e, com exceção do pai e da mãe, amados por mim na vida e na morte, quaisquer outras coisas da terra tinham desaparecido do meu coração… Mas tu me estás fazendo pensar, Sacerdote… Devo descobrir quando foi que me dei a Deus… e por isso as coisas dos primeiros anos estão voltando à minha mente… Eu amava aquela gruta, porque, mais doce do que o canto da água e dos passarinhos, lá eu ouvia uma Voz que me dizia: “Vem, minha querida!” Eu amava aquelas ervas ornadas com gotas sonoras e parecidas com lindos diamantes, porque nelas eu via o sinal do meu Senhor, e me tornava alheia a tudo mais, ao dizer a mim mesma: “Vê como é grande o teu Deus, ó minha alma! Aquele que fez os cedros do Líbano, lá no Norte, fez também aqui estas folhinhas que se inclinam sob o peso de um mosquitinho, para alegria dos teus olhos e como anteparo para os teus pequenos pés.” Eu amava aquele silêncio das coisas puras: o vento leve, a água prateada, o asseio das pombas… eu amava aquela paz que velava sobre a pequena gruta, descendo das macieiras e das oliveiras, agora todas em flor, e depois todas carregadas de frutos… E não sei… parecia que a Voz me dissesse: “Vem, tu, minha oliva linda; vem, tu, doce maçã; vem, tu, fonte selada; vem, tu, ó minha pomba”… Doce, o amor do pai e da mãe… doce era a voz deles que me chamava… mas esta voz, esta voz! Oh! No Paraíso terrestre, penso que foi assim que a ouviu aquela que foi a culpada, e eu nem sei como foi que ela pôde preferir um sibilo a esta Voz de amor, como pôde apetecer um outro conhecimento, que não fosse o de Deus… Com os lábios, que ainda estavam com o cheiro do leite materno, mas com o coração tornado ébrio pelo mel celeste, eu disse, então: “Eis-me aqui, eu vou. Sou tua. E nenhum outro senhor terá a minha carne, senão Tu, Senhor, como outro amor não tem o meu espírito”… Parecia-me estar repetindo coisas já ditas e estar cumprindo um rito há tempo realizado, nem era estranho para mim o Esposo escolhido, porque Dele conhecia já o ardor e minha vista estava já afeita à sua luz, e minha capacidade de amar se havia completado entre os seus braços. Quando foi? Não sei. Do lado de lá da vida, eu diria, porque sinto que sempre o tive, e que Ele sempre me teve, e que eu existo porque Ele me quis para alegria do seu Espírito e do meu…

11.5 Agora, eu obedeço, Sacerdote. Mas diz-me tu, como é que deverei agir. Não tenho pai nem mãe. Sê tu o meu guia.

– Deus te dará o esposo, e santo ele há de ser, pois te entregas a Deus. Tu contarás ao teu esposo qual é o teu voto.

– E ele aceitará?

– Assim espero. Reza, ó filha, para que ele possa compreender teu coração. Vai agora. Deus te acompanhe sempre.

Maria se retira com Ana. Zacarias fica com o Pontífice.

Cessa assim a visão.

EMF 12

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: José escolhido como esposo da Virgem.

Data da visão: Segunda-feira, 4 de setembro de 1944

Calendário:Sexta-feira 23 de dezembro do ano 7 d.C.

Lugares (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: O sumo sacerdote reuniu os homens da tribo de David no Templo. Neste capítulo, ficamos a saber que ele pediu a todos que trouxessem um ramo de amendoeira. É deste grupo que será escolhido o marido da Virgem. Todos estão curiosos e Zacarias está presente. O sumo sacerdote chega finalmente e revela que um dos ramos tinha florescido em pleno inverno e que era esse que iria casar com Maria. José é escolhido como o felizardo e o sumo sacerdote manda chamar a futura Mãe de Cristo. Entretanto, Simon ben Boethos revela que Maria fez um voto. José tem de ajudar o Todo-Puro a contar-lhe. Quando ela chegou, todos se retiraram e os dois noivos conheceram-se. José fala da casa de Nazaré, de Ana, de Joaquim, e isso dá confiança à Virgem. O marido diz-lhe que é nazareno, o que a encoraja a contar-lhe o seu voto, que ele aceita: pede-lhe mesmo que junte o seu voto ao dela. Por fim, São José diz que vai cuidar da casa de Nazaré até que Maria deixe definitivamente o Templo.

Conteúdo do capítulo: 12.1: Reunião de homens em trajes de festa. 12.2: José fala com um ancião. 12.3: Um levita traz um feixe de ramos secos com um ramo florido. 12.4: José é designado esposo de Maria graças ao ramo milagrosamente florido. 12.5: O Pontífice apresenta José a Maria. 12.6: José é nazireu. 12.7: Maria confia a sua consagração a Deus a José, que a aceita. Eles viverão em castidade. 12.8: Em Nazaré, o casal vive separado e José cuida de tudo.

EMF 12.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

12.1 Vejo um rico salão lindamente pavimentado, com cortinas, tapetes e móveis entalhados. Deve ainda ser também essa, uma parte do Templo, porque vejo sacerdotes, entre os quais Zacarias, e muitos homens de várias idades, ou seja: de vinte a cinqüenta anos, mais ou menos.

Eles estão falando animadamente uns com os outros em voz baixa. Parecem estar ansiosos por alguma coisa, que eu ainda não sei o que seja. Todos estão com roupas novas, ou pelo menos lavadas há pouco, como se estivessem preparados para uma festa. Muitos tiraram o véu que lhes estava cobrindo a cabeça, mas outros ficaram cobertos, especialmente os anciãos. Os jovens preferem ficar com as cabeças descobertas, uns ostentando suas cabeleiras loiro-escuras; outros, as cor de amora; alguns, as bem escuras; e vejo uma de cor vermelho cobre. A maior parte dos jovens tem os cabelos cortados curtos; mas há também os de longas cabeleiras que descem até os ombros. Parece que eles não se conhecem uns aos outros, pois vejo como estão se observando mútua e curiosamente. Mas devem ser parentes entre si, porque pode-se notar que há um pensamento que está preocupando a todos.

12.2 A um canto estou vendo José. Ele está falando com um velhinho ainda robusto. José deve ter seus trinta anos. É um belo homem, de cabelos curtos e um tanto crespos, de cor castanho escuro, como sua barba e seus bigodes, que formam um sombreado, pondo em relevo o queixo, subindo pelas faces, que são moreno-avermelhadas, não oliváceas, como costumam ser os homens morenos. Ele tem os olhos escuros, bons e profundos, muito sérios e parecendo até um pouco tristes. Mas, quando ele sorri, como está fazendo agora, seus olhos se tornam alegres e joviais. José está todo vestido de um marrom claro, muito simples, mas muito bem arrumado.

12.3 Agora entra um grupo de jovens levitas, colocando-se entre a porta e uma longa e estreita mesa, que fica perto da parede. A porta, ao meio da mesa, fica aberta. Somente uma das cortinas desce até vinte centímetros do solo, cobrindo o vão da porta.

A curiosidade aumenta. E, ainda mais, quando uma mão afasta a cortina para dar passagem a um levita, que traz nos braços um feixe de ramo secos, sobre o qual foi colocado um ramo florido, com todo o cuidado. Em uma fina camada, as pétalas brancas das flores mal se recordam de sua primeira cor rosada, que ainda se pode ver no centro, tornando-se, porém, mais clara, à medida que se aproxima das extremidades das delicadas pétalas. O levita coloca o feixe de ramos sobre a mesa, com muito cuidado, para não estragar o milagre daquele ramo florido, que está em meio a tantos ramos secos.

Um murmúrio passa pelo salão. Os pescoços se espicham, os olhares se tornam mais atentos. Até Zacarias, com os sacerdotes que estão perto da porta, está querendo ver. Mas não consegue.

José, no seu canto, dá apenas uma olhadela no feixe de ramos, e quando um interlocutor lhe diz algo, faz um gesto de negação, como se estivesse dizendo: “Impossível!”, e sorri.

12.4 Ouve-se um toque de trombeta, do outro lado da cortina. Todos se calam, e se colocam em ordem, com o rosto virado para a saída, que agora está completamente aberta, com a cortina deslizada pelas argolas. Entra o Sumo Pontífice, rodeado por outros anciãos,. Todos se inclinam profundamente. O Pontífice vai até à sua mesa, falando assim:

– Homens da estirpe de Davi, que aqui vos reunistes, em obediência a uma ordem minha, escutai. O Senhor falou, louvores sejam dados a Ele! De sua Glória desceu um raio e, como um sol de primavera, deu vida a um ramo seco, que floresceu milagrosamente, enquanto nenhum outro ramo da terra hoje está florido, no último dia das Encênias, quando ainda não se derreteu a neve que caiu sobre as montanhas de Judá, sendo a única candura que existe entre Sião e Betânia. Deus falou, fazendo-se Pai e tutor da virgem de Davi, que não tem nenhum outro senão Ele para a sua tutela. Santa menina, glória do Templo e da estirpe, mereceu a palavra de Deus para ficar conhecendo o nome do esposo que agradou ao Eterno. Ele deve ser muito justo, para ser o eleito do Senhor como guarda da virgem a Ele tão querida! Por isso, a nossa dor de perdê-la se atenua, e cessa toda a nossa preocupação quanto ao seu destino de esposa. E ao que foi indicado por Deus confiamos com toda a segurança a virgem sobre a qual está a bênção de Deus e nossa. O nome do esposo é José de Jacó, de Belém, da tribo de Davi, carpinteiro em Nazaré da Galiléia. José, vem para a frente! O Sumo Pontífice te ordena.

Grande murmúrio. Cabeças que se viram, olhos e mãos que acenam, explosões de desilusão e expressões de alívio. Alguém, especialmente entre os velhos, deve ter ficado alegre por não ter tido esta sorte.

José, muito vermelho e embaraçado, vai para a frente. Está agora diante da mesa, em frente ao Pontífice, que saúda com reverência.

– Vinde todos e olhai o nome escrito sobre o ramo. Apanhe cada um o seu próprio ramo, para que se prove que não houve fraude.

Os homens obedecem. Olham para o ramo que está delicadamente seguro pelo Sumo Sacerdote, apanha cada um o seu próprio ramo, e uns o despedaçam, outros o conservam. Todos observam José, há quem olhe e se cale e outros que se felicitam. O velhinho, com quem José conversava antes, diz:

– Eu não te havia dito, José? Quem menos se sente seguro, é o que vence a partida!

Agora todos já passaram.

12.5 O Sumo Sacerdote entrega a José o ramo florido, e depois põe-lhe a mão sobre o ombro, dizendo:

– A esposa que Deus te dá não é rica, tu bem o sabes. Mas possue todas as virtudes. Procura ser sempre mais digno dela. Não há em Israel outra flor de tão rara beleza e pureza. Agora, saí, todos vós ficando apenas José. Tu, Zacarias, como seu parente, conduz a esposa até aqui.

Todos saem, menos o Sumo Sacerdote e José. A cortina torna a ser baixada sobre a saída.

José, todo humilde, está junto ao majestoso Sacerdote. Há um momento de silêncio, e depois o Sacerdote lhe diz:

– Maria precisa dizer-te um voto seu. Procuras ajudar a timidez dela. Sejas bom para com ela.

– Porei a minha virilidade a seu serviço e nenhum sacrifício, por ela, me será pesado. Fica certo disso.

Maria entra com Zacarias e Ana de Fanuel.

– Vem, Maria –diz o Pontífice–. Eis o esposo que Deus te destinou. É José de Nazaré. Voltarás, pois, para a tua cidade. Agora eu vos deixo. Deus vos dê a Sua bênção. O Senhor vos guarde e abençoe, mostrando-vos a sua face e tendo sempre piedade de vós. Que Ele volte para vós o seu rosto e vos dê a paz.

Zacarias sai, acompanhando o Pontífice. Ana se congratula com o esposo e depois também sai.

EMF 13

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Casamento da Virgem com José, instruído pela Sabedoria de que ele seria o guardião do Mistério.

Data da visão e do ditado: Terça-feira, 5 de setembro de 1944

Calendário: 6 de março d.C.

Localização (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: José e Maria estão noivos no Templo de Jerusalém. Maria está linda com o seu enxoval de noiva. As virgens que a rodeiam ficam extasiadas com a sua beleza e as suas amantes vêm em socorro da sua protegida. As donzelas vão-se embora e Isabel chega. A Virgem fala-lhe do enxoval de casamento concebido por Ana, e a Virgem fala-lhe de José, que é descrito como um jovem santo. O noivo chega e os dois noivos voltam a encontrar-se. José é soberbo e diz-lhe que pensou no voto da Virgem. Ele compreende-o e une-se a ela num naziréat perpétuo. O sumo-sacerdote faz-lhes então o noivado. Depois disso, Maria e José deixam Jerusalém e vão para Nazaré... Jesus faz então um ditado sobre o seu suposto pai.

Conteúdo do capítulo: 13.1: A beleza de Maria com as suas vestes nupciais. 13.2: Os seus companheiros admiram-na. 13.3: As tuas roupas são a carícia da tua mãe. 13.4: José chega com as suas roupas mais bonitas. O seu discurso de boas-vindas. 13.5: José fala do voto de castidade absoluta. 13.6: O Pontífice preside ao casamento. 13.7: Os noivos partem numa carruagem com Zacarias e Isabel. 13.8: Louvor à Sabedoria. 13.9: José, guardião da Esposa e do Filho de Deus. 13.10: José, um novo Aarão que acreditou sem ver. 13.11: José, exemplo corredentor de pureza, de fidelidade e de amor perfeito.

EMF 13.1.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.1 Como está bela Maria, entre suas amigas e mestras festivas, com as suas vestes de esposa! (...)

13.3 Isabel também se aproximou. E, estando Maria comovida e chorando, porque Ana de Fanuel, beijando-a com um afeto verdadeiramente materno, a chamou de “Filha”, Isabel lhe diz:

– Maria, tua mãe está e não está aqui. O espírito dela está exultante junto ao teu. E olha bem, as coisas que tu estás usando te fazem sentir as carícias dela de novo. Nelas podes sentir ainda o sabor dos beijos dela. Faz muitos anos, no dia em que vieste ao Templo, ela me disse: “Preparei para ela as vestes e enxoval de esposa, porque quero ser sempre eu quem há de fiar os linhos e fazer-lhe as vestes de esposa, para não estar ausente no dia da alegria dela.” E, sabes de mais uma coisa? Nos últimos tempos, quando eu a acompanhava, todas as tardes ela queria acariciar as tuas primeiras vestes e estas que agora estás vestindo, e dizia: “Aqui estou sentindo o cheiro de jasmim da minha pequenina, e aqui eu quero que ela sinta o beijo da sua mamãe.” Quantos beijos ela deu neste véu, que te está sombreando a fronte! Há nele mais beijos do que fios!… E, quando vestires as roupas por ela tecidas, pensa um pouco que, mais do que os fios, o que as formou foi o amor de tua mãe. E aqueles colares… mesmo em horas penosas, eles foram guardados por teu pai para ti, a fim de tornar-te bela como há de ser uma princesa do sangue de Davi nesta hora. Alegra-te, pois, Maria. Porque não estás órfã, os teus estão contigo, e tens um esposo que para ti é pai e mãe, de tão perfeito que é…

EMF 13.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.7 Os esposos saem para o pátio e o atravessam, indo para a saída, que fica perto do quarteirão das mulheres que trabalham no Templo. Um carro de boi bem cômodo e pesado está à espera deles. Sobre o carro está estendido um toldo de proteção onde se encontram também os pesados baús de Maria.

Despedidas, beijos, lágrimas, bênçãos, conselhos, recomendações e depois Maria sobe com Isabel colocando-se no centro do carro. Na frente, estão José e Zacarias. Já tiraram os mantos de festa, e todos se envolveram num grande manto escuro.

O carro parte, ao trote pesado de um cavalo grande e escuro. Os muros do Templo vão ficando longe, depois também os da cidade, e vão chegando os campos novos e verdejantes, cheios das flores dos primeiros dias da primavera, com as plantações já crescidas a um bom palmo do chão, mostrando suas folhinhas leves, que à brisa ligeira formam ondas, parecendo esmeraldas, soltando um cheiro mesclado das flores dos pessegueiros e das macieiras, junto com cheiro de trevos e do poejo selvagem.

Detalhe

No final do noivado de Maria, Isabel e Zacarias acompanham José e Maria à saída do Templo.

EMF 14

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O casal chega a Nazaré

Data da visão: 6 de setembro de 1944

Calendário:6 de março d.C.

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Casamento com José

Resumo: Maria descreve Nazaré. Maria regressa à sua cidade depois de ter vivido durante anos no Templo. Está noiva de José e ele acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel. Nazaré festeja com eles. Chegam a casa e José, Zacarias e Isabel mostram-lhe a casa e o jardim de Joaquim. A Virgem conhece também Alfeu, Maria de Cléofas e os seus filhos. Depois, conheceu Sara e o seu filho, Alfeu, o namorado de Ana. José percorre a casa com a sua mulher e o irmão dela fica a saber que não vão casar logo. Este ficou surpreendido e José respondeu-lhe que só fariam a cerimónia quando Maria tivesse dezasseis anos. O futuro santo fez-lhe então prometer que o chamaria sempre que precisasse dele. A família parte, e Zacarias decide deixar Isabel para que ela ensine a prima a ser uma dona de casa perfeita. Assim, Maria poderá também decorar a sua casa a seu gosto.

Conteúdo do capítulo: 14.1: O caminho através das colinas da Galileia. 14.2: Entrada triunfal em Nazaré. 14.3: José aponta de longe a casa de Maria. É ele quem vai trabalhar lá. 14.4: Maria acolhe Alfeu e Sara. 14.5: José oferece-se a Maria como confidente. 14.6: O casamento realizar-se-á quando ela tiver dezasseis anos. 14.7: Isabel fica com a sua prima durante algum tempo.

EMF 14.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.2 Um carro de boi está indo pela estrada. É o carro que leva José e Maria com seus primos. A viagem está chegando ao fim.

Maria olha, com aqueles olhos cheios de ansiedade de quem quer conhecer, ou melhor, reconhecer, aquilo que ela já viu, mas de que não se lembra mais, e sorri, quando alguma sombra de lembrança volta à sua memória e se detém, como uma luz que mostra esta ou aquela coisa, este ou aquele ponto. Isabel, Zacarias e José, ajudam Maria a se lembrar, mostrando uma elevação do terreno, ou uma ou outra casa. (...)

[Chegam a casa de Maria.]

– Aqui está a tua casa Maria –diz José, mostrando, com o chicote que está em sua mão, uma casinha que fica precisamente ao pé de uma das ondulações da colina, tendo aos fundos um belo e vasto jardim todo florido, e que termina em um pequenino olival. Do outro lado, está a costumeira sebe com o espinheiro-alvar e as cactáceas, marcando o limite da propriedade. Os campos, que antes pertenciam a Joaquim, estão atrás da sebe.

– Como estás vendo, te restou pouca coisa –diz Zacarias–. A doença de teu pai foi longa e se gastou muito com ela. Também se gastou bastante com as despesas para reparar os prejuízos dados por Roma. Estás vendo? A estrada feita pelos romanos levou os três principais cômodos da casa, deixando-a muito diminuída. Para torná-la mais ampla, sem que fossem necessárias despesas excessivas, foi aproveitada uma parte do monte onde há uma gruta. Era lá que Joaquim guardava as suas provisões, e Ana os seus teares. Tu farás aí o que achares bom.

– Oh! Que seja pouca coisa, não tem importância! Sempre para mim bastará.

Detalhe

Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Está noiva de José e este acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel.

EMF 14.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.7 Tornam a entrar em casa e acendem as lâmpadas.

– Maria está cansada –diz José–. Deixemo-la descansar com os primos.

Todos se despedem. José fica ali ainda alguns minutos e fala com Zacarias em voz baixa.

– Teu primo deixa contigo Isabel, por algum tempo. Estás contente? Eu sim. Porque ela vai te ajudar… para que te tornes uma perfeita dona de casa. Com ela poderás pôr em ordem, como gostas, as tuas coisas e tuas alfaias, e eu virei todas as tardes também para te ajudar. Com ela poderás ir comprar lã e o mais que for preciso. Eu responderei pela despesa. Lembra-te que prometeste me procurar para tudo. Adeus, Maria. Dorme o primeiro sono nesta tua casa, e o anjo de Deus torne o teu sono tranqüilo. O Senhor esteja sempre contigo.

– Adeus, José. Que tu também estejas sob as asas do anjo de Deus. Obrigada, José. Por tudo. Na medida que eu puder, vou te dar, com o meu amor, uma compensação ao teu amor por mim.

José saúda os primos e sai.

E com isto cessa a visão.

Detalhe

Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Está noiva de José e este acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel. Deram uma volta à casa, mas José interveio.

EMF 16.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

16.4 – Ave, Maria, cheia de Graça, ave!

Sua voz é como um doce arpejo, como pérolas jogadas sobre um metal precioso.

Maria estremece, abaixando o olhar. Estremece mais ainda, quando vê aquela fulgurante criatura ajoelhada a cerca de um metro de distância dela, olhando para ela com uma veneração sem limites, com as mãos cruzadas sobre o peito.

Maria se põe de pé, encostando-se à parede. Ela se torna, ora pálida, ora vermelha. Seu rosto exprime estupor e susto. Instintivamente une as mãos sobre o seio, escondendo-as nas longas mangas, e se inclina quase que para esconder, do melhor modo possível, o seu corpo. É um ato de delicado pudor.

– Não tenhas medo… O Senhor está contigo. Bendita és tu entre todas as mulheres.

Maria, porém, continua com medo. De onde terá vindo esse ser extraordinário? Será ele um enviado de Deus, ou do enganador?

– Não tenhas medo, Maria! –lhe repete o Arcanjo–. Eu sou Gabriel, o Anjo de Deus. Meu Senhor me mandou a ti. Não tenhas medo, porque achaste graça junto de Deus. Eis que agora conceberás em teu ventre, e darás à luz um Filho, e lhe porás o nome de “Jesus.” Ele será grande, será chamado Filho do Altíssimo (como de fato é). O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi seu pai. Ele reinará para sempre na casa de Jacó e o seu Reino nunca terá fim. Procura compreender, ó santa virgem amada do Senhor, filha bendita do Senhor, que foste chamada para ser mãe de seu Filho, o Qual tu gerarás.

– Como poderá acontecer isso, se eu não conheço varão? Talvez o Senhor Deus não quer mais receber a oferta de sua serva, de ficar virgem por amor Dele?

– Não serás mãe por obra de homem, ó Maria. Tu és a virgem eterna, a santa de Deus. O Espírito Santo descerá sobre ti, e o poder do Altíssimo te cobrirá com Sua sombra. Por isso, Aquele que nascer de ti, se chamará Santo, Filho de Deus. Tudo pode o Senhor nosso Deus. Isabel, a estéril, concebeu em sua velhice aquele que será o profeta do teu Filho, ele preparará o caminho para teu Filho. O Senho­r tirou de Isabel o seu opróbrio, e os povos lembrarão dela, unida ao teu nome, como também o nome do filho dela ficará unido ao do teu, até o fim dos séculos. As nações vos chamarão bem-aventuradas, pela Graça do Senhor que veio a vós, e especialmente a ti, pois esta Graça chegou a todos os povos por meio de ti. Isabel já está em seu sexto mês, e o peso que ela carrega, a soergue até à alegria. Nada é impossível para Deus, Maria, cheia de Graça. O que devo ir dizer ao meu Senhor? Nenhuma dificuldade deverá perturbar-te. O Senhor defenderá os teus interesses, se confiares Nele. O mundo, o Céu, o Eterno estão esperando pela tua palavra!

Maria, por sua vez, cruzando as mãos sobre o peito, e fazendo uma profunda inclinação, diz:

– Eis aqui a serva de Deus. Faça-se de mim conforme a sua palavra.

O Anjo cintila de alegria. Ele adora, porque certamente está vendo o Espírito de Deus descer sobre a virgem, que está inclinada ao dar sua resposta de assentimento, e depois desaparece, sem precisar mover a cortina, que fica bem estendida sobre o mistério santo.