EMF 2.4 · Volume 1
O Evangelho como me foi revelado
Citação
– Ah! Se tivéssemos tido um menino, teria querido assim, com estes olhos e estes cabelos…
Ana está inclinada, aliás, ajoelhada e com um grande suspiro, beija os dois grandes e belos olhos cinza-azulados.
Joaquim também suspira. Mas quer consolá-la. Coloca-lhe a mão sobre seus cabelos crespos e embranquecidos e lhe diz:
– Convém ainda esperar. Deus tudo pode. Enquanto se é vivo, o milagre pode acontecer, especialmente quando se ama e se é amado.
Joaquim frisa muito as últimas palavras.
Mas Ana calada, desalentada, está com a cabeça inclinada para não mostrar duas lágrimas que descem, e que somente o pequeno Alfeu vê; admirado e angustiado por ver a sua grande amiga chorar, como faz algumas vezes, levanta a mãozinha e enxuga aquele pranto.
– Não chores Ana! Somos felizes assim mesmo. Ao menos eu sou, porque tenho a ti.
– Eu também. Mas não te dei um filho… Penso que desagradei ao Senhor, já que me secou as entranhas…
– Oh minha mulher! Em que tu, santa, queres ter-lhe desagradado? Escuta. Vamos ainda uma vez ao Templo. Por este motivo. Não só pelos Tabernáculos. Façamos uma longa oração… Talvez te aconteça como com Sara… ou com Ana de Elcana[1]. Muito esperaram, e se acreditavam reprovadas por serem estéreis. Ao invés disso, nos céus de Deus, amadurecia um filho santo para elas. Sorri, minha esposa. O teu pranto me dói mais do que não ter prole… Levaremos Alfeu conosco e o faremos orar, ele que é inocente… Deus ouvirá a sua e a nossa oração, nos atendendo então.
– Sim. Façamos um voto ao Senhor. Será seu o recém-nascido. Contanto que nos conceda… Oh! Ouvi-lo chamar-me “mamãe”!
E Alfeu, espectador admirado e inocente:
– Eu te chamo assim!
– Sim, querida alegria… mas tu tens a tua mamãe e eu… eu não tenho nenhuma criança…
A visão termina aqui.
Detalhe
Anne e Joachim observam o pequeno Alphée e Anne revela o seu sofrimento por não ter um filho.