Ir para o conteúdo

Notas do tema

Apóstolos

Página 2 de 89

Conforto de leitura

Aa

EMF 38.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

38.6 Batem à porta. José atravessa rapidamente o pomar e o quarto e abre.

– A paz esteja convosco, Alfeu e Maria!

– E a vós, paz e bênçãos.

É o irmão de José e sua mulher. Na rua está parado um carro, que veio puxado por um burrinho forte.

– Fizestes boa viagem?

– Boa. E os meninos?

– Estão lá no pomar, com Maria.

Mas os meninos já saíram correndo para irem saudar à sua mamãe. Vem chegando também Maria, segurando Jesus pela mão. As cunhadas se beijam.

– Eles têm se comportado bem?

– Muito bem, e são muito queridos. Todos os parentes vão bem?

– Todos. Eles vos saúdam, e vos mandam muitos presentes de Caná. Uva, maçãs, queijos, ovos, mel. E… José, eu achei justamente o que estavas querendo para Jesus. Está no carro, naquela cesta redonda.

A mulher de Alfeu sorri. Inclina-se sobre Jesus, que olha para ela com seus olhos grandes muito abertos, os beija, e diz:

– Sabes o que eu trouxe para ti? Adivinha.

Jesus pensa, e não descobre. Eu desconfio que ele faça assim de propósito para dar a José a alegria de fazer uma surpresa. De fato, José vem entrando, e trazendo um grande cesto redondo. Coloca-o no chão, diante de Jesus, desata a corda que está segurando a tampa no lugar, e a levanta… e uma ovelhinha toda branca, um verdadeiro floco de espuma, aparece dormindo, no meio do feno bem limpo.

Jesus solta um “oh!”, admirado e feliz, e quer se precipitar sobre o animalzinho, mas depois volta atrás, e corre até José, que ainda está inclinado para o chão, e o abraça e beija, agradecendo-lhe.

EMF 38.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Mas neste ano tu também deverás mandar Jesus para a escola. Já é hora.

– Eu nunca mandarei Jesus para a escola –diz Maria, decididamente.

É difícil ouvi-la falar assim, e falar antes de José.

– E por que? o Menino precisa aprender para, a seu tempo, ser capaz de passar no exame de maioridade…

– O Menino saberá. Mas ele não vai à escola. Está decidido.

– Serias a única em Israel a fazer assim.

– Serei. Mas vou fazer assim. Não é verdade, José?

– É verdade. Para Jesus não há necessidade de ir para nenhuma escola. Maria foi educada no Templo, e é uma verdadeira doutora no conhecimento da Lei. Ela será a sua mestra. Eu também quero assim.

– Assim, vós acostumais mal o Rapaz.

– Não podes dizer isso. É o melhor de Nazaré. Já o ouviste chorar, fazer birra, negar obediência, faltar com o respeito?

– Isto não. Mas assim ele se tornará, se continuar a ser viciado.

– Não é viciar os filhos tê-los perto de si. Mas isso é amá-los com bom senso e bom coração. Assim amamos o nosso Jesus e, visto que Maria é mais instruída que o mestre, Ela será a mestra de Jesus.

– Quando ficar homem, o teu Jesus será uma mocinha, que terá medo até de uma mosca.

– Não será assim. Maria é uma mulher forte, e sabe educá-lo virilmente. Eu não sou nenhum covarde, e sei dar-lhe exemplos viris. Jesus é uma criança sem defeitos físicos nem morais. Crescerá, por isto, reto e forte no corpo e no espírito. Fica certo disso, Alfeu. Ele não fará má figura na família. Além disso, eu já decidi, e assim se fará.

– Maria é que terá decidido, e tu…

– E se tivesse sido assim? Não é bonito que dois que se amam estejam prontos a ter o mesmo pensamento e a mesma vontade, porque reciprocamente um abraça o desejo do outro, e o faz seu? Se Maria quisesse coisas tolas, eu lhe diria: “não.” Mas ela pede coisas cheias de sabedoria, e eu as aprovo e as faço minhas. Nós nos amamos, como no primeiro dia… e assim faremos, enquanto estivermos vivos. Não é verdade, Maria?

– Sim, José. E não aconteça nunca, mas, se um tivesse que morrer sem o outro, ainda assim nos amaríamos.

José acaricia a cabeça de Maria, como se fosse uma filha ainda menina, e Ela olha para ele com seu olhar sereno e amoroso.

38.8 A cunhada intervém:

– Vós tendes razão. Se eu fosse boa para ensinar! Na escola os nossos filhos aprendem o bem e o mal. Em casa aprendem só o bem. Mas eu não sei… se Maria…

– Que queres dizer, cunhada? Fala com toda a liberdade. Tu sabes que eu te amo, e fico alegre quando te posso dar um prazer.

– Eu ia dizendo… Tiago e Judas são um pouco mais velhos do que Jesus. Eles já vão à escola… mas, pelo que eles sabem!… Jesus, ao contrário, já sabe tão bem a Lei… Eu queria… te dizer que tivesses também os dois, quando fores ensinar a Jesus? Eu acho que eles se tornariam melhores e mais instruídos. Afinal, eles são primos, e que se amem como irmãos, é justo. E eu ficaria tão feliz!

– Se José assim quer, e o teu marido também, eu estou pronta. Falar para um e falar para três é a mesma coisa. Repassar toda a Escritura é uma alegria. Que eles venham.

Os três meninos, que haviam entrado em silêncio, se assentam, e estão à espera do veredicto.

– Eles vão te pôr desesperada, Maria –diz Alfeu.

– Não. Comigo são sempre bons. Não é verdade que sereis bons, se eu vos ensinar?

Os dois correm para perto dela, um à direita, o outro à esquerda, põem-lhe os braços ao redor dos ombros, as cabecinhas sobre os ombros, e prometem fazer tudo para serem bons.

– Deixa-os experimentar, Alfeu, e deixa-me também experimentar. Eu penso que não ficarás descontente com a experiência. Eles virão todos os dias, da hora sexta até à tarde. Bastará, podes crer. Eu sei a arte de ensinar sem cansar. Os meninos ficam quietos e se recreiam, ao mesmo tempo. É preciso entendê-los, amá-los e ser por eles amados, para conseguir alguma coisa deles. Vós me amais, não é verdade?

Dois grandes beijos são a resposta.

– Estás vendo?

– Eu estou vendo. Só tenho que te dizer: “Obrigado.” E, Jesus, o que dirás vendo a mamãe ocupada com os outros? Que dizes, Jesus?

– Eu digo: “Felizes os que a estão escutando e que erguem sua morada junto da morada dela.” Como da Sabedoria, feliz quem é amigo de minha mãe, e Eu sou feliz se aqueles que eu amo forem amigos dela.

– Mas quem é que põe estas palavras nos lábios do Menino? –pergunta Alfeu, admirado.

– Ninguém, meu irmão. Ninguém deste mundo.

A visão cessa aqui.

EMF 38.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– E Maria foi Minha mestra, de Tiago e de Judas. Eis porque nos amamos como irmãos, não só pelo parentesco, mas pela ciência e por termos crescido juntos, como três sarmentos de videira sustentados na mesma vara. A minha mamãe! Doutora, como nenhum outro em Israel, esta minha doce mãe. Sede da Sabedoria, e da verdadeira Sabedoria, nos instruiu para o mundo e para o Céu. Digo: “nos instruiu”, porque Eu fui seu aluno, não diversamente dos primos. E o “sigilo” foi mantido sobre o segredo de Deus, contra a indagação de Satanás, mantido sob a aparência de uma vida comum.

Ficaste alegre com esta cena suave? Agora, fica em paz. Jesus está contigo.

EMF 39

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

A Virgem prepara as vestes de Jesus com Maria de Alfeu. Ela tinge-lhe as roupas. Parece que obteve a cor graças ao seu bordado e que este presente veio de Roma. Em todo o caso, a Mãe de Cristo agradece à sua parente pela sua ajuda e declara que Jesus é como o seu filho.

A visão pára e recomeça mais tarde. Maria descreve Jesus aos doze anos de idade. Está com os seus pais e familiares, rodeado e amado. Maria pede a José que o abençoe, para que o seu filho se fortaleça com ele e para que ela aprenda a separar-se um pouco mais dele. José garante-lhe que a relação entre eles não vai mudar e que não vai competir com ela por esse Filho que lhes é tão querido. Maria beija a mão de José, num gesto cheio de afeto, e o patriarca da Sagrada Família abençoa-os a ambos. Depois, puseram-se a caminho...

EMF 39.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

39.2 Vejo Maria inclinada sobre um alguidar, ou melhor, sobre uma bacia de cerâmica, misturando alguma coisa que solta fumaça no ar frio e sereno que enche o pomar de Nazaré.

Deve ser pleno inverno, porque, a não ser as oliveiras, todas as outras plantas estão nuas, desprovidas de folhas. No alto, um céu muito limpo, e também um belo sol. Mas não consegue amenizar o vento do Norte, que puxa e faz bater uns nos outros os ramos despojados de folhas e ondular os pequenos ramos verde-cinzentos das oliveiras.

Maria está vestida com uma pesada veste de um marrom quase preto e amarrou na frente uma tela rústica, em lugar de um avental, para proteger sua veste. Tira da tina o bastão com que estava mexendo um líquido, e vejo caírem dele gotas de uma bonita cor averme­lha­da. Maria observa, molha um dedo nas gotas que caem, experimenta se a cor está boa, passando-a na tela que está sobre sua veste. Parece satisfeita.

Entra em casa, e sai com muitas meadas de uma lã muito branca. Mergulha-as uma por uma na tina, com paciência e com habilidade.

39.3 Enquanto ela faz isso, entra, vindo da oficina de José, sua cunhada Maria, mulher de Alfeu. Elas se saúdam e começam a falar.

– Vai indo bem? –pergunta Maria de Alfeu.

– É o que espero.

– Aquela gentia me garantiu que se trata da tinta e do modo de prepará-la como fazem em Roma. Deu a mim só porque és tu que fizeste esses trabalhos. Ela diz que nem em Roma há quem faça bordados como tu. Deves ter sacrificado a vista, para fazê-los…

Maria sorri, e faz um movimento com a cabeça, como para dizer: “Coisas sem importância!”

A cunhada olha, antes de entregar a Maria as últimas meadas de lã.

– Como foi que as fiaste? Parecem cabelos, de tão finos e iguais que são! Fazes tudo tão bem… e, como és esperta! Estas últimas meadas ficarão mais claras?

– Sim. São para a veste. O manto é mais escuro.

As duas mulheres trabalham juntas, na tina. Depois, tiram as mea­das com uma bela cor de púrpura, e correm rápidas para irem mer­gulhá-las na água gelada que enche o tanque sob uma pequena fonte, que cai dando notinhas de música, que parecem umas risadinhas baixas. Elas enxaguam, e tornam a enxaguar, depois estendem sobre bambus as meadas e as prendem de um ramo a outro das árvores.

– Com este vento, logo estarão secas –diz a cunhada.

– Vamos ver o José. Lá temos fogo. Deves estar gelada –diz a mãe de Jesus–. Foste muito boa em ajudar-me. Acabei depressa e com menos cansaço. Eu te agradeço.

– Oh! Maria! Que não faria eu por ti? Estar perto de ti, já é uma festa! Além disso… é para Jesus todo este trabalho. E é tão querido o teu Filho!… A mim me parece que fico sendo também a mãe dele, se eu te ajudar a preparar a festa de sua maioridade.

As duas mulheres entram na oficina, cheia daquele cheiro de madeira aplainada, cheiro próprio das oficinas de carpinteiro.

EMF 39.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

(...) Agora Ele está com sua mamãe, em sua casa, e diante Dele está José, que lhe sorri com amor, e estão também os seus priminhos, que o admiram, e a tia Maria de Alfeu, que o acaricia… Ele está feliz. O meu Jesus tem necessidade de amor para ser feliz. Neste momento Ele tem amor.

Jesus está vestido com uma veste solta de lã vermelha, de tonalidade rubi claro. Ela é macia, de textura perfeita, na sua compacta tenuidade. Junto ao pescoço, na frente, por baixo das mangas longas e largas, e da veste, que desce até o chão, deixando descobertos apenas os pés, que estão calçados com sandálias novas e muito bem feitas — não as costumeiras solas, fixadas ao pé por meio de tiras de couro — está um galão, não bordado, mas tecido em cor mais escura sobre o vermelho rubi da veste. Deve ser obra da mamãe, porque a cunhada a admira e elogia.

Detalhe

A Sagrada Família prepara-se para deixar Jerusalém para a festa da Maioridade de Jesus.

EMF 44

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus prepara-se para deixar Nazaré. Maria está claramente angustiada. O Filho come e, depois de ter a mala pronta, Maria isola-se por um momento. Jesus vai ter com ela e verifica-se que ela está a chorar na oficina de José. Jesus fala com ela e vão os dois para o jardim, onde Jesus lhe dá as suas recomendações. Depois, rezam juntos o Pai-Nosso, para se apoiarem em Deus nesta hora de provação. Jesus parte, deixando a sua Mãe em Nazaré.

Cristo faz então um ditado e fala do sofrimento de Maria após a separação de Cristo. Por um momento, diz porque está a dar a Obra e como dá as lições. Depois declara que esta visão se aplica a todos aqueles que têm de passar por uma renúncia dolorosa e deixar a sua família. Esta lição é para pais e filhos.

Maria sofreu a dor de se separar do seu Filho, mas não se revoltou contra a Vontade de Deus. Chorou - mas quem não teria chorado ao adivinhar o sofrimento do seu Filho? Ela sabia que os seus parentes estavam cheios de senso comum humano e que não compreenderiam a partida nem a pregação de Cristo. Ela sabia que o seu Filho iria encontrar hostilidade durante o seu ministério. Também ela chorou, sofreu e reparou por todas as mães que têm de separar-se dos seus filhos. As lágrimas da Mãe e o Sangue de Jesus Cristo fortalecem aqueles que têm de dar provas de heroísmo, e fortalecem sobretudo as almas consagradas e as almas vítimas.

Na hora da provação, Maria reza com Jesus. O sofrimento não a impediu de rezar, pelo contrário. E Jesus diz-nos que devemos rezar sempre com ele, porque é Jesus que nos justifica.

EMF 45

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

João baptiza no Jordão. Maria ouve-o pregar à multidão. Entretanto, Jesus chegou de uma forma muito simples, sem se mostrar ao seu precursor. Mas o Precursor parece pressentir algo e vira-se para o primo. Vai imediatamente ter com o seu Senhor e proclama que ele é o Cordeiro de Deus. Tudo se passa então como nos diz o Evangelho. Jesus dá então um ditado, dizendo que João não precisa de sinais. No entanto, houve uma série de manifestações de Cristo, para que a sua natureza de Homem-Deus não pudesse ser negada pelos seus contemporâneos.

EMF 47

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está a caminhar perto do vau do Jordão. Passa por ele um grupo de pessoas, entre as quais João e Tiago de Zebedeu. Foi João que reparou no Mestre e foi naturalmente ao seu encontro, enquanto o seu irmão o seguia. Este saúda-o chamando-lhe o Cordeiro de Deus. Jesus pergunta-lhe quem é que ele procura e o Amado responde que procura o Mestre. Sabe-o porque João Batista lho disse, e chama-lhe Cordeiro porque ouviu o Precursor chamar-lhe assim. João Batista está agora preso e eles já não têm o seu guia. No entanto, João apresenta-se a si próprio e a Tiago. Pergunta onde vive Jesus e Jesus diz-lhes que quem o seguir terá de deixar tudo: "a casa, os pais, a maneira de pensar e até a vida". Ele não é um homem rico e é preciso renascer espiritualmente em Deus para o seguir. No entanto, os dois homens querem segui-lo e Jesus aceita o seu pedido.

De seguida, Cristo dá dois ditados. O primeiro diz respeito à pureza e à virgindade, incluindo a virgindade consagrada. Explica que "há várias maneiras de ser virgem" e volta ao tema dos que fazem votos ao Senhor. Se as almas fazem um voto, mas cedem à sensualidade (mesmo a do pensamento), são apenas meio virgens.

O Mestre volta então à sua própria tentação no deserto e à sensualidade que o Demónio lhe propôs. Depois, detém-se sobre os puros, que vêem Deus. Por fim, centra-se em João, que é o Puro entre os discípulos, e que foi o seu primeiro discípulo.

EMF 47.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.1 Vejo Jesus que caminha ao longo da faixa verde que costeia o Jordão. Ele voltou mais ou menos ao mesmo lugar que viu o seu batismo. É perto do vau do Jordão, que parece ser muito conhecido e freqüentado como meio de passar-se à outra margem, na direção de Peréia. Mas o lugar, antes tão povoado, agora parece quase deserto. Só algum viajante, a pé ou montado em jumentos ou cavalos, é que o percorre. Jesus parece nem perceber isso. Ele prossegue por sua estrada, subindo novamente para o norte, como que absorto em seus pensamentos.

Ao chegar à altura do vau, encontra-se com um grupo de homens de diversas idades, que discutem animadamente entre si, separando-se depois, uma parte para o sul e a outra para o norte. Entre aqueles que se dirigem ao norte, vejo João e Tiago.

47.2 João é o primeiro a avistar Jesus, monstrando-o ao irmão, e aos companheiros. Falam eles ainda um pouco entre si e, depois, João se põe a caminhar rapidamente para alcançar Jesus. Tiago o segue mais devagar. Os outros não se interessam, continuando a caminhar lentamente e discutindo.

Quando João chega perto de Jesus, às suas costas, à distância de uns dois ou três metros, grita:

– Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo!

Jesus se vira, e olha para ele. Os dois estão a poucos passos um do outro. Eles se observam. Jesus, com seu aspecto sério e indagador. João, com seus olhos puros e risonhos, no belo rosto tão juvenil, que parece feminino. Podem-se lhe dar uns vinte anos e, sobre a face rosada, não tem ainda mais do que alguns poucos pelos loiros, como uma veladura dourada.

– A quem estás procurando? –pergunta Jesus.

– A Ti, Mestre.

– Como sabes que eu sou mestre?

– Foi o Batista que me disse.

– E, por que me chamas Cordeiro?

– Porque o ouvi chamar-te assim, um dia em que ias passando, há pouco mais de um mês.

– Que queres de Mim?

– Que nos digas palavras de vida eterna, e nos consoles.

– Quem és tu?

– João de Zebedeu, sou eu, e este é Tiago, meu irmão. Somos da Galiléia. Somos pescadores. Mas somos também discípulos de João. Ele nos dizia palavras de vida, nós o escutávamos, porque queríamos seguir a Deus e, com a penitência, merecer o seu perdão, preparando os caminhos do coração para a vinda do Messias. Tu és o Messias. João o disse, porque viu o sinal da Pomba pousar sobre Ti. Disse –nos também: “Eis o Cordeiro de Deus.” Eu, então, digo a Ti: Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dá-nos a paz, porque não temos mais quem nos guie, e nossa alma está turbada.

– Onde está João?

– Herodes o pôs na prisão, em Maqueronte. Os mais fiéis entre os seus discípulos tentaram libertá-lo. Mas não é possível. Nós estamos voltando de lá.

47.3 Deixa-nos ir Contigo, Mestre. Mostra-nos onde é que moras.

– Vinde. Mas sabeis o que estais pedindo? Quem me segue deverá deixar tudo: sua casa, seus parentes, seu modo de pensar, e até a vida. Eu vos farei meus discípulos e meus amigos, se quiserdes. Mas Eu não tenho riquezas, nem privilégios. Sou pobre, e o serei ainda mais, até o ponto de não ter nem onde encostar a cabeça, serei perseguido pelos lobos mais do que uma ovelha perdida. Minha doutrina é ainda mais severa do que a de João, porque proíbe também o ressentimento. Ela dirige-se não tanto ao exterior, quanto ao espírito. Tereis que renascer, se quereis ser meus. Quereis fazer assim?

– Sim, Mestre, só Tu tens palavras que nos dão luz. Elas descem e, onde havia trevas e desolação, pois estávamos sem guia, derramam a claridade do sol.

– Vinde, então, e vamos. Eu vos irei ensinando pelo caminho.

Detalhe

Em 47.2, uma descrição física de João.

Anotação

João 1:35-39:

No dia seguinte, João estava lá com dois dos seus discípulos. Olhando para Jesus que ia e vinha, disse: "Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos ouviram o que ele disse e seguiram Jesus. Jesus voltou-se, viu-os a segui-lo e perguntou-lhes: "De que é que andam à procura? Eles perguntaram-lhe: "Rabi - que quer dizer Mestre - onde estás? Ele respondeu-lhes: "Vinde ver. Foram ver onde ele estava hospedado e ficaram com ele nesse dia. Era a décima hora (cerca das quatro da tarde).