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Notas da palavra-chave

João de Zebedeu (apóstolo)

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EMF 45

O Evangelho como me foi revelado

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João baptiza no Jordão. Maria ouve-o pregar à multidão. Entretanto, Jesus chegou de uma forma muito simples, sem se mostrar ao seu precursor. Mas o Precursor parece pressentir algo e vira-se para o primo. Vai imediatamente ter com o seu Senhor e proclama que ele é o Cordeiro de Deus. Tudo se passa então como nos diz o Evangelho. Jesus dá então um ditado, dizendo que João não precisa de sinais. No entanto, houve uma série de manifestações de Cristo, para que a sua natureza de Homem-Deus não pudesse ser negada pelos seus contemporâneos.

EMF 47

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está a caminhar perto do vau do Jordão. Passa por ele um grupo de pessoas, entre as quais João e Tiago de Zebedeu. Foi João que reparou no Mestre e foi naturalmente ao seu encontro, enquanto o seu irmão o seguia. Este saúda-o chamando-lhe o Cordeiro de Deus. Jesus pergunta-lhe quem é que ele procura e o Amado responde que procura o Mestre. Sabe-o porque João Batista lho disse, e chama-lhe Cordeiro porque ouviu o Precursor chamar-lhe assim. João Batista está agora preso e eles já não têm o seu guia. No entanto, João apresenta-se a si próprio e a Tiago. Pergunta onde vive Jesus e Jesus diz-lhes que quem o seguir terá de deixar tudo: "a casa, os pais, a maneira de pensar e até a vida". Ele não é um homem rico e é preciso renascer espiritualmente em Deus para o seguir. No entanto, os dois homens querem segui-lo e Jesus aceita o seu pedido.

De seguida, Cristo dá dois ditados. O primeiro diz respeito à pureza e à virgindade, incluindo a virgindade consagrada. Explica que "há várias maneiras de ser virgem" e volta ao tema dos que fazem votos ao Senhor. Se as almas fazem um voto, mas cedem à sensualidade (mesmo a do pensamento), são apenas meio virgens.

O Mestre volta então à sua própria tentação no deserto e à sensualidade que o Demónio lhe propôs. Depois, detém-se sobre os puros, que vêem Deus. Por fim, centra-se em João, que é o Puro entre os discípulos, e que foi o seu primeiro discípulo.

EMF 47.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.1 Vejo Jesus que caminha ao longo da faixa verde que costeia o Jordão. Ele voltou mais ou menos ao mesmo lugar que viu o seu batismo. É perto do vau do Jordão, que parece ser muito conhecido e freqüentado como meio de passar-se à outra margem, na direção de Peréia. Mas o lugar, antes tão povoado, agora parece quase deserto. Só algum viajante, a pé ou montado em jumentos ou cavalos, é que o percorre. Jesus parece nem perceber isso. Ele prossegue por sua estrada, subindo novamente para o norte, como que absorto em seus pensamentos.

Ao chegar à altura do vau, encontra-se com um grupo de homens de diversas idades, que discutem animadamente entre si, separando-se depois, uma parte para o sul e a outra para o norte. Entre aqueles que se dirigem ao norte, vejo João e Tiago.

47.2 João é o primeiro a avistar Jesus, monstrando-o ao irmão, e aos companheiros. Falam eles ainda um pouco entre si e, depois, João se põe a caminhar rapidamente para alcançar Jesus. Tiago o segue mais devagar. Os outros não se interessam, continuando a caminhar lentamente e discutindo.

Quando João chega perto de Jesus, às suas costas, à distância de uns dois ou três metros, grita:

– Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo!

Jesus se vira, e olha para ele. Os dois estão a poucos passos um do outro. Eles se observam. Jesus, com seu aspecto sério e indagador. João, com seus olhos puros e risonhos, no belo rosto tão juvenil, que parece feminino. Podem-se lhe dar uns vinte anos e, sobre a face rosada, não tem ainda mais do que alguns poucos pelos loiros, como uma veladura dourada.

– A quem estás procurando? –pergunta Jesus.

– A Ti, Mestre.

– Como sabes que eu sou mestre?

– Foi o Batista que me disse.

– E, por que me chamas Cordeiro?

– Porque o ouvi chamar-te assim, um dia em que ias passando, há pouco mais de um mês.

– Que queres de Mim?

– Que nos digas palavras de vida eterna, e nos consoles.

– Quem és tu?

– João de Zebedeu, sou eu, e este é Tiago, meu irmão. Somos da Galiléia. Somos pescadores. Mas somos também discípulos de João. Ele nos dizia palavras de vida, nós o escutávamos, porque queríamos seguir a Deus e, com a penitência, merecer o seu perdão, preparando os caminhos do coração para a vinda do Messias. Tu és o Messias. João o disse, porque viu o sinal da Pomba pousar sobre Ti. Disse –nos também: “Eis o Cordeiro de Deus.” Eu, então, digo a Ti: Cordeiro de Deus, que tiras os pecados do mundo, dá-nos a paz, porque não temos mais quem nos guie, e nossa alma está turbada.

– Onde está João?

– Herodes o pôs na prisão, em Maqueronte. Os mais fiéis entre os seus discípulos tentaram libertá-lo. Mas não é possível. Nós estamos voltando de lá.

47.3 Deixa-nos ir Contigo, Mestre. Mostra-nos onde é que moras.

– Vinde. Mas sabeis o que estais pedindo? Quem me segue deverá deixar tudo: sua casa, seus parentes, seu modo de pensar, e até a vida. Eu vos farei meus discípulos e meus amigos, se quiserdes. Mas Eu não tenho riquezas, nem privilégios. Sou pobre, e o serei ainda mais, até o ponto de não ter nem onde encostar a cabeça, serei perseguido pelos lobos mais do que uma ovelha perdida. Minha doutrina é ainda mais severa do que a de João, porque proíbe também o ressentimento. Ela dirige-se não tanto ao exterior, quanto ao espírito. Tereis que renascer, se quereis ser meus. Quereis fazer assim?

– Sim, Mestre, só Tu tens palavras que nos dão luz. Elas descem e, onde havia trevas e desolação, pois estávamos sem guia, derramam a claridade do sol.

– Vinde, então, e vamos. Eu vos irei ensinando pelo caminho.

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Em 47.2, uma descrição física de João.

Anotação

João 1:35-39:

No dia seguinte, João estava lá com dois dos seus discípulos. Olhando para Jesus que ia e vinha, disse: "Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos ouviram o que ele disse e seguiram Jesus. Jesus voltou-se, viu-os a segui-lo e perguntou-lhes: "De que é que andam à procura? Eles perguntaram-lhe: "Rabi - que quer dizer Mestre - onde estás? Ele respondeu-lhes: "Vinde ver. Foram ver onde ele estava hospedado e ficaram com ele nesse dia. Era a décima hora (cerca das quatro da tarde).

EMF 47.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.4 Jesus diz:

– O grupo dos que me haviam encontrado era numeroso. Mas só um me reconheceu. Aquele que tinha a alma, o pensamento e a carne limpos de toda luxúria.

Detalhe

Depois de Maria ter visto o primeiro encontro com João, Jesus disse-lhe

EMF 47.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.8 João, filho de Zebedeu, é um puro. É o mais Puro dos meus discípulos. Que alma de flor, em um corpo de anjo! Ele me chama com as palavras do seu primeiro mestre, e me pede que lhe dê paz. Mas a paz, ele a tem em si mesmo, pela sua vida pura. Eu o amei por essa sua pureza, à qual eu confiei os ensinamentos, os segredos e a Criatura mais querida que Eu tinha.

Ele foi o meu primeiro discípulo, que me teve amor desde o primeiro instante em que me viu. Sua alma estava intimamente unida com a minha, desde o dia em que ele me tinha visto passar ao longo do Jordão e me tinha visto apontado pelo Batista. Mesmo que ele não me tivesse encontrado depois, na minha volta do deserto, me teria procurado tanto, até conseguir encontrar-me, porque quem é puro, é humilde e desejoso de instruir-se na ciência de Deus, e vai, como a água que vai ao mar, àqueles que ele reconhece serem mestres na doutrina celeste.

EMF 47.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vem atrás de Jesus, como João. Cami­nharás entre os espinhos, mas encontrarás, como rosas, as gotas de sangue de Quem as derramou por ti, para vencer a carne, também em ti.

Detalhe

Jesus disse a Maria:

EMF 47.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.10 Antecipo uma observação. Diz João em seu Evangelho, falando do encontro Comigo: “E, no dia seguinte”. Parece com isso que o Batista me tivesse mostrado no dia seguinte ao batismo, e que, logo, João e Tiago me seguiram, mas isso contrasta tudo o que disseram os outros evangelistas a respeito dos quarenta dias passados no deserto. Mas deveis ler assim: “(Tendo já acontecido a prisão de João), um dia depois os dois discípulos de João Batista aos quais ele me havia mostrado, dizendo: ‘Eis o Cordeiro de Deus’, ao me verem de novo, chamaram e me seguiram.” Depois da minha volta do deserto.

Juntos voltamos às margens do lago da Galiléia, onde Eu tinha ido refugiar-me, para, de lá, iniciar a minha evangelização. Os dois falaram de Mim aos outros pescadores, depois de terem estado Comigo por todo o caminho, e por um dia inteiro na casa hospitaleira de um amigo da parentela de minha casa. Mas a iniciativa foi de João, cuja alma a vontade de penitência e a sua pureza tinha tornado tão limpa, que era uma verdadeira obra-prima de limpidez, sobre a qual a Verdade se refletia nitidamente, dando-lhe também a santa audácia dos puros e dos generosos, que não temem andarem avante, onde está Deus, onde está a verdade, a doutrina, o caminho de Deus.

Quanto Eu o amei por essa sua simples e heróica característica!

Anotação

João 1:35-39:

No dia seguinte, João estava lá com dois dos seus discípulos. Olhando para Jesus que ia e vinha, disse: "Eis o Cordeiro de Deus! Os dois discípulos ouviram o que ele disse e seguiram Jesus. Jesus voltou-se, viu-os a segui-lo e perguntou-lhes: "De que é que andam à procura? Eles perguntaram-lhe: "Rabi - que quer dizer Mestre - onde estás? Ele respondeu-lhes: "Vinde ver. Foram ver onde ele estava hospedado e ficaram com ele nesse dia. Era a décima hora (cerca das quatro da tarde).

EMF 48

O Evangelho como me foi revelado

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João está junto ao lago, em Betsaida. Tiago está com ele. Chamou Pedro e André, que regressavam à margem, pois estavam num barco. Quando se aproximam, André pergunta-lhes porque não vieram e João pergunta-lhes porque não foram com eles ver o Mestre. Pedro resmungou; não estava nada convencido de que era o Cristo, mas João insistiu; disse mesmo que era o Messias e que sabia tudo. Tiago interveio e repetiu-lhe as palavras de Jesus; João interveio e Pedro mudou de ideias como nós gostamos: quis ir ver o Senhor. Até repreendeu André por não ter ido com eles, apesar de ter visto Cristo no batismo de João. Puseram tudo no lugar e partiram, mas de repente Pedro ficou preocupado: se Jesus soubesse tudo, saberia que Simão quase lhe tinha chamado mentiroso. Mas João tranquilizou-o e disse que o Salvador era muito bom. Até lhe disse que Jesus já sabia como ele tinha reagido ontem à noite e que o estava a encorajar a vir, porque era um homem de boa vontade.

Pedro ficou contente e perguntou por Jesus. Ficou a saber que ele era um artesão de Nazaré e que, quando João e Tiago lhe queriam dar moedas, como era costume, ele as dava diretamente aos pobres. Isto tranquilizou ainda mais o bom Simão, que quis ir ver o Messias.

EMF 48.2-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

48.2 João aparece no fim de uma pequena estrada, indo apressado em direção ao lago. Tiago o segue, mas muito mais calmo. João olha os barcos que já chegaram à margem, mas não vê aquele que está procurando. Agora ele acaba de enxergá-lo, mas está a algumas centenas de metros da beira, atento às manobras para atracar, e grita bem alto, levando as mãos à boca com um longo: “Oh-é!”, que deve ser um sinal combinado entre eles. E depois, quando percebe que o ouviram, agita os braços em gestos largos, que indicam: “Vinde, vinde!”

Os homens do barco, pensando quem sabe o que, agarram os remos, e o barco vai mais veloz do que só com a vela, que eles amainaram, talvez para conseguirem ir mais depressa. Quando estão a uns dez metros da margem, João não espera mais. Tira o manto e a veste longa, e os lança sobre a praia, tira as sandálias, levanta a túnica, tendo-a segura com uma mão quase à virilha, e entrando na água, vai ao encontro dos que estão chegando.

– Por que vós dois não viestes? –pergunta André. Pedro, amuado, não diz nada.

– E tu, por que não vieste comigo e o Tiago? –responde João a André.

– Eu fui pescar. Não tenho tempo para perder. Tu desapareceste com aquele homem…

– Eu te havia feito sinal para que fosses.

48.3 É Ele mesmo. Se ouvisses que palavras!… Ficamos com Ele o dia todo e até tarde da noite. E agora, viemos dizer-vos: “Vinde.”

– É Ele mesmo? Estais certos disso? Nós só o vimos naquele dia em que o Batista no-lo mostrou.

– É Ele, pois, não o negou.

– Qualquer um pode dizer o que lhe interessa para impor-se aos crédulos. Já não é a primeira vez… –resmunga Pedro, descontente.

– Oh! Simão. Não digas assim. Ele é o Messias! Ele sabe tudo! Ele te está ouvindo!

João ficou magoado e consternado com as palavras de Simão Pedro.

– Ora essa! O Messias! E se mostra justamente a ti, a Tiago e André! Três pobres ignorantes! Vai querer coisas bem diferentes o Messias! Ele me está ouvindo! Mas, meu pobre rapaz, os primeiros dias do sol da primavera te fizeram mal. Vamos, vem trabalhar. Será me­lhor. Deixa de histórias.

– Ele é o Messias, eu te asseguro. João Batista dizia coisas santas, mas este fala como Deus. Quem não for o Cristo, não pode dizer semelhantes palavras.

48.4 – Simão, eu não sou um jovenzinho. Eu já tenho muitos anos, sou calmo e sensato. Tu sabes disso. Eu falei pouco, mas ouvi muito nestas horas em que estivemos com o Cordeiro de Deus, e eu te digo que verdadeiramente ele não pode ser senão o Messias. Por que não acreditar? Por que não querer crer? Tu o podes fazer, porque não o ouviste. Mas eu creio. Somos pobres e ignorantes? Ele bem disse que veio para anunciar a Boa Nova do Reino de Deus, do Reino de Paz, aos pobres, aos humildes, aos pequenos, mais do que aos grandes. Ele disse: “Os grandes já têm as suas delícias. Não são delícias invejáveis, se comparadas àquelas que Eu venho trazer. Os grandes já têm seu modo de chegar a compreender, somente pela força do estudo. Mas Eu venho aos ‘pequenos’ de Israel e do mundo, àqueles que choram e esperam, àqueles que procuram a Luz e têm fome do verdadeiro Maná; não é pelos doutos que a luz e os alimentos são doados, pois o que eles dão é somente opressão, escuridão, prisão e desprezo. Eu chamo os ‘pequenos.’ Eu vim para virar o mundo de cabeça para baixo. Porque Eu abaixarei o que agora está no alto, e elevarei o que agora está sendo desprezado. Quem quer verdade e paz, quem quer vida eterna, venha a Mim. Quem ama a Luz, venha. Eu sou a Luz do mundo.” Não foi assim que Ele disse, João?

Tiago falou de modo calmo, mas comovido.

– Sim. E Ele disse ainda: “O mundo não me amará. O grande mundo, porque se corrompeu com vícios e comércios idolátricos. O mundo aliás, não me quererá. Porque, como filho das Trevas, não ama a Luz. Mas a terra não é feita só do grande mundo. Nela existem aqueles que, mesmo estando misturados com todos, do mundo não são. Há alguns que são do mundo, porque nele foram aprisionados como os peixes pela rede”: ele falou justamente assim, porque nós estávamos conversando à margem do lago e Ele apontava as redes que vinham arrastadas com os peixes para a praia. Disse mais: “Vede. Nenhum daqueles peixes queria cair na rede. Também os homens, intencionalmente, não iriam querer cair como presas de Mamon. Nem mesmo os mais malvados porque estes, pela soberba que os cega, não crêem que não tenham o direito de fazer o que fazem. O verdadeiro pecado deles é a soberba. Deste pecado nascem todos os outros. Mas aqueles que não são completamente maus, ainda mais não iriam querer ser de Mamon. Eles caem por leviandade, por um peso que os arrasta para o fundo, que é a culpa de Adão. Eu vim para tirar aquela culpa e para dar, na esperança da hora da Redenção, uma tal força aos que em Mim crerem, que será capaz de livrá-los do laço que os prende, tornando-os livres para Me seguirem: a Luz do mundo!”

48.5

– Mas, então, se Ele falou mesmo assim, é preciso irmos para Ele, e logo.

Pedro, com os seus impulsos tão sinceros, que me agradam tanto, de repente decidiu, e já vai começando a fazer o que decidiu, apressando-se para acabar os trabalhos da descarga, pois o barco já chegou à margem, e os empregados já o puxaram para fora d’água, descarregando também as redes, as cordas e o velame.

– E tu, André, por que foste tão tolo, para não teres ido com eles?

– Mas, Simão! Tu me censuraste, porque eu não consegui fazer que eles viessem comigo. A noite inteira ficaste resmungando isso, e agora me censuras porque eu não fui com eles?!…

– Tens razão… Mas eu não o tinha visto… E tu, sim… Deves ter visto que Ele não é como nós… Ele deve ter alguma coisa de mais belo do que os outros!…

– Oh! Sim –diz João–. Ele tem um rosto! Uns olhos! Não é verdade, Tiago? Uns olhos! E uma voz!… Oh! Que voz! Quando Ele fala, dá a impressão de que estás no Paraíso.

– Depressa, depressa! Vamos procurá-lo. Vós (fala aos empregados), levai tudo para Zebedeu, e dizei-lhe que faça o que for preciso. Nós voltaremos esta noite para a pesca.

Vestem-se todos de novo, e põem-se a caminho.

48.6

Mas Pedro, depois de andar uns metros pára, agarra João por um braço, e lhe pergunta:

– Disseste que Ele sabe tudo e que ouve tudo…

– Sim. Imagina que quando nós, vendo a lua alta, dissemos: “Que é que estará fazendo o Simão?”, Ele disse: “Ele está lançando a rede e não se conforma em ter que fazer isso sozinho, porque vós não saístes com o barco gêmeo, justamente numa noite de tão boa pesca… Ele não sabe que, daqui a pouco, não pescará senão com outras redes e que os peixes que apanhará serão outros.”

– Misericórdia divina! É verdade! Então, Ele ouviu também… também o que eu disse, julgando-O menos do que um mentiroso… Eu já não posso ir até Ele.

– Oh! Ele é muito bom. Certamente sabe que tu pensaste assim. Ele já o sabia. Porque, quando nós O deixamos, dizendo que viríamos a ti, Ele disse: “Ide. Mas não vos deixeis vencer pelas primeiras palavras de escárnio. Quem quer vir Comigo, deve saber ter a cabeça erguida, diante das zombarias do mundo e das proibições dos parentes. Porque Eu estou acima do sangue e da sociedade, e triunfo sobre eles. E quem está Comigo, também triunfará eternamente.” E disse também: “Sabeis falar sem medo. Quem vos ouvir, virá, porque é homem de boa vontade.”

– Ele falou assim? Então, eu vou.

48.7

Fala, vai falando Dele, enquanto vamos indo. Onde Ele está?

– Em uma pobre casa. Deve ser de pessoas amigas.

– Mas, Ele é pobre?

– É um operário de Nazaré. Assim Ele disse.

– E de que vive agora, se não está mais trabalhando?

– Não lhe perguntamos. Talvez os parentes O estejam ajudando.

– Melhor seria levarmos peixes, pão, frutas… alguma coisa. Vamos perguntar a algum rabi, pois Ele é mais do que um rabi, mas de mãos vazias!… Os nossos rabinos não querem ser assim…

– Mas Ele quer. Não tínhamos mais do que vinte moedas, eu e o Tiago juntos, e oferecemos a Ele, como é costume fazer com os rabinos. Mas Ele não as queria. Nós, então, insistimos e Ele disse: “Deus vo-los restitua, nas bênçãos dos pobres. Vinde Comigo”, e prontamente as distribuiu aos pobrezinhos, que Ele sabia onde moravam, e a nós, que estávamos perguntando: “E para Ti, Mestre, não guardas nada?”, Ele respondeu: “A alegria de fazer a vontade de Deus e de servir à sua glória.” Nós lhe dissemos também: “Tu nos estás chamando, Mestre. Mas nós somos todos pobres. Que é que te devemos trazer?” Ele nos respondeu com um sorriso, que nos fez sentir o gosto do Paraíso: “Um grande tesouro quero de vós.” Nós Lhe dissemos: “Mas … nada temos?” E Ele respondeu: “É um tesouro de sete nomes, que até o mais pobre pode ter, mas o rei mais rico não pode possuir; vós o tendes, e Eu o quero. Ouvi os nomes deste tesouro: caridade, fé, boa vontade, reta intenção, continência, sinceridade e espírito de sacrifício. Isto Eu quero de quem me segue, só isto, e vós o tendes. Está dormindo como uma semente, sob um solo invernal, mas o sol da minha primavera o fará nascer em setêmplice espiga.” Assim Ele falou.

– Ah! Isto me assegura que é o verdadeiro Rabi, o Messias prometido. Não é duro com os pobres, não pede dinheiro… Basta isto para chamá-lo o Santo de Deus. Vamos tranqüilos.

E tudo termina.

Detalhe

Contexto: Estamos em Betsaida.

Anotação

João 1, 40-41:

André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois discípulos que ouviram a palavra de João e seguiram Jesus. Primeiro encontrou Simão, seu irmão, e disse-lhe: "Encontrámos o Messias" - que significa Cristo.

EMF 49

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria vê João de Zebedeu. Ele vê o Mestre e chama-o. Os dois homens conversam. Jesus estava a rezar e a pensar no que ia dizer na sinagoga, mas vendo espiritualmente que João o procurava, foi ao seu encontro. O filho de Zebedeu perguntou-lhe se Jesus o amava e Cristo voltou a perguntar-lhe. João disse-lhe que o amava muito e que a sua alma andava sempre à procura dele. Quando o Salvador lhe pergunta o que faria se tivesse de deixar o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos e irmãs, bem como a sua vida, a sua mulher e o seu amor, João responde-lhe que o amor de Cristo substitui o seu pai, a sua mãe, os seus irmãos, a sua irmã e a sua mulher. Quando Jesus fala da sua morte, João não quer que isso aconteça de todo e pede-lhe autorização para amar o seu Senhor. Jesus dá-lhe essa autorização. O irmão de Tiago fica feliz.

Depois falam de André e de Pedro, e Jesus vai à sinagoga. No caminho, conforta o menino Tiago, que está prestes a chorar por ter corrido demasiado depressa. Falam brevemente sobre as crianças no Êxodo e sobre o Limbo, e o rapaz recebe a promessa de que irá diretamente para o Céu quando morrer, se for bom. Isto dá a João a oportunidade de perguntar ao Mestre sobre a sua ascendência. Ele confirma que não tem sobrinhos, irmãos ou irmãs, apenas primos e a sua mãe. Finalmente, Jesus vai pregar na sinagoga.

Lê um excerto do livro de Jeremias e dirige-se ao povo de Israel, que chora por causa da ocupação estrangeira. Alguns dizem que ainda têm o Templo, mas o Senhor recorda-lhes que a oração só é santa se tivermos amor ao próximo. Os ricos que fazem grandes ofertas mas têm um coração duro não são aceites por Deus. Por isso, Cristo pede-lhes que tenham boa vontade, que sejam sinceros e bons. Lembra-nos que a Lei é simples, se dermos aos Mandamentos a luz do amor. Depois de aludir à Eucaristia, encoraja as almas a amar.

Quando termina, volta para junto de Pedro e André. Jesus descreve o carácter de Pedro: é um homem que deve abster-se de julgar sem se informar previamente, mas reconhece sinceramente as suas faltas. O Mestre pergunta também a André porque é que não veio mais cedo, e Pedro confessa que foi ele que o atrasou. O pescador admite também as suas fraquezas e Jesus dá-lhe um primeiro conselho. De momento, Deus não lhe pede que rasgue o seu coração e se separe dos seus afectos mais sagrados, mas pede-lhe que pratique a justiça, ame a misericórdia e se dedique totalmente a seguir o seu Deus. Isso agrada a Pedro. André não diz nada, mas o Senhor promete que ele se tornará um leão. Os Galileus abandonam-no, mas João quer segui-lo até Jerusalém. Simão de Jonas encoraja-o a ir ver Cristo, e Jesus aceita que João o acompanhe.

Por fim, Jesus faz um ditado sobre a humildade de João. Foi João que levou Pedro ao Salvador, mas como o filho do trovão conhecia a timidez de André, e como João era justo, André passou para segundo plano no seu Evangelho e deu a impressão de que André era o primeiro apóstolo do Senhor.

Comparativamente, quantas pessoas se proclamam grandes apóstolos, quando o seu sucesso resulta de uma combinação de coisas, não só da santidade, mas também da ousadia humana, da sorte, do facto de algumas pessoas serem menos ousadas do que nós, mas talvez mais santas do que nós.

Cristo encoraja-nos a não nos vangloriarmos quando agimos bem: devemos ter sempre um olhar claro e "dar a quem quer que seja o louvor que lhe é devido". Temos de reconhecer os apóstolos através dos quais podemos fazer o nosso trabalho com eficácia. Devemos ser capazes de dizer: "Eu sou o instrumento ativo, mas este tem mais amor do que eu, reza melhor do que eu e é graças a ele que tenho força para agir.

João é o preferido, é o puro, o amoroso, o obediente, e é muito humilde. Jesus espelha-se nele, e a sua Mãe tem a impressão de ter um segundo filho.