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Festa da maioridade de Jesus Cristo

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EMF 39.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

39.2 Vejo Maria inclinada sobre um alguidar, ou melhor, sobre uma bacia de cerâmica, misturando alguma coisa que solta fumaça no ar frio e sereno que enche o pomar de Nazaré.

Deve ser pleno inverno, porque, a não ser as oliveiras, todas as outras plantas estão nuas, desprovidas de folhas. No alto, um céu muito limpo, e também um belo sol. Mas não consegue amenizar o vento do Norte, que puxa e faz bater uns nos outros os ramos despojados de folhas e ondular os pequenos ramos verde-cinzentos das oliveiras.

Maria está vestida com uma pesada veste de um marrom quase preto e amarrou na frente uma tela rústica, em lugar de um avental, para proteger sua veste. Tira da tina o bastão com que estava mexendo um líquido, e vejo caírem dele gotas de uma bonita cor averme­lha­da. Maria observa, molha um dedo nas gotas que caem, experimenta se a cor está boa, passando-a na tela que está sobre sua veste. Parece satisfeita.

Entra em casa, e sai com muitas meadas de uma lã muito branca. Mergulha-as uma por uma na tina, com paciência e com habilidade.

39.3 Enquanto ela faz isso, entra, vindo da oficina de José, sua cunhada Maria, mulher de Alfeu. Elas se saúdam e começam a falar.

– Vai indo bem? –pergunta Maria de Alfeu.

– É o que espero.

– Aquela gentia me garantiu que se trata da tinta e do modo de prepará-la como fazem em Roma. Deu a mim só porque és tu que fizeste esses trabalhos. Ela diz que nem em Roma há quem faça bordados como tu. Deves ter sacrificado a vista, para fazê-los…

Maria sorri, e faz um movimento com a cabeça, como para dizer: “Coisas sem importância!”

A cunhada olha, antes de entregar a Maria as últimas meadas de lã.

– Como foi que as fiaste? Parecem cabelos, de tão finos e iguais que são! Fazes tudo tão bem… e, como és esperta! Estas últimas meadas ficarão mais claras?

– Sim. São para a veste. O manto é mais escuro.

As duas mulheres trabalham juntas, na tina. Depois, tiram as mea­das com uma bela cor de púrpura, e correm rápidas para irem mer­gulhá-las na água gelada que enche o tanque sob uma pequena fonte, que cai dando notinhas de música, que parecem umas risadinhas baixas. Elas enxaguam, e tornam a enxaguar, depois estendem sobre bambus as meadas e as prendem de um ramo a outro das árvores.

– Com este vento, logo estarão secas –diz a cunhada.

– Vamos ver o José. Lá temos fogo. Deves estar gelada –diz a mãe de Jesus–. Foste muito boa em ajudar-me. Acabei depressa e com menos cansaço. Eu te agradeço.

– Oh! Maria! Que não faria eu por ti? Estar perto de ti, já é uma festa! Além disso… é para Jesus todo este trabalho. E é tão querido o teu Filho!… A mim me parece que fico sendo também a mãe dele, se eu te ajudar a preparar a festa de sua maioridade.

As duas mulheres entram na oficina, cheia daquele cheiro de madeira aplainada, cheiro próprio das oficinas de carpinteiro.

EMF 39.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo Jesus entrar com sua mamãe, na espécie de sala de jantar de Nazaré.

Jesus é um belo jovenzinho de doze anos, alto, bem feito de corpo e robusto, sem ser gordo. Parece mais adulto do que é, pela sua compleição. Já está alto, tanto que atinge os ombros da mãe. Tem ainda o rosto redondo e rosado do Jesus menino, rosto que, depois, com a idade juvenil e viril, se emagrecerá, e se tornará de uma cor indefinida, a cor de certos delicados alabastros, que lembram, de longe, o amarelo rosado.

Os olhos, também os olhos, são ainda de menino. Grandes, bem abertos e com uma centelha de alegria, perdida no meio da seriedade com que olham. Depois, eles não serão mais tão abertos… As pálpebras descerão até a metade dos olhos, para encobrir o mal demasiado que está no mundo aos olhos do Santo e Puro. Só nos momentos de milagres é que eles estarão bem abertos e cintilantes, mais ainda do que agora… para expulsar os demônios e a morte, para curar as doenças e os pecados. E não estarão mais, nem mesmo com aquela centelha de alegria misturada com a seriedade… A morte e o pecado lhe estarão cada vez mais presentes e próximos, e com eles o conhecimento, também humano, da inutilidade do seu sacrifício, por causa da má vontade do homem. Só os raríssimos momentos de alegria, por estar com os remidos, e especialmente com os puros, meninos em sua maior parte, farão brilhar de alegria estes olhos­ santos e bons.

Mas agora Ele está com sua mamãe, em sua casa, e diante Dele está José, que lhe sorri com amor, e estão também os seus priminhos, que o admiram, e a tia Maria de Alfeu, que o acaricia… Ele está feliz. O meu Jesus tem necessidade de amor para ser feliz. Neste momento Ele tem amor.

EMF 39.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo Jesus entrar com sua mamãe, na espécie de sala de jantar de Nazaré.

Jesus é um belo jovenzinho de doze anos, alto, bem feito de corpo e robusto, sem ser gordo. Parece mais adulto do que é, pela sua compleição. Já está alto, tanto que atinge os ombros da mãe. Tem ainda o rosto redondo e rosado do Jesus menino, rosto que, depois, com a idade juvenil e viril, se emagrecerá, e se tornará de uma cor indefinida, a cor de certos delicados alabastros, que lembram, de longe, o amarelo rosado.

Os olhos, também os olhos, são ainda de menino. Grandes, bem abertos e com uma centelha de alegria, perdida no meio da seriedade com que olham. Depois, eles não serão mais tão abertos… As pálpebras descerão até a metade dos olhos, para encobrir o mal demasiado que está no mundo aos olhos do Santo e Puro. Só nos momentos de milagres é que eles estarão bem abertos e cintilantes, mais ainda do que agora… para expulsar os demônios e a morte, para curar as doenças e os pecados. E não estarão mais, nem mesmo com aquela centelha de alegria misturada com a seriedade… A morte e o pecado lhe estarão cada vez mais presentes e próximos, e com eles o conhecimento, também humano, da inutilidade do seu sacrifício, por causa da má vontade do homem. Só os raríssimos momentos de alegria, por estar com os remidos, e especialmente com os puros, meninos em sua maior parte, farão brilhar de alegria estes olhos­ santos e bons.

Mas agora Ele está com sua mamãe, em sua casa, e diante Dele está José, que lhe sorri com amor, e estão também os seus priminhos, que o admiram, e a tia Maria de Alfeu, que o acaricia… Ele está feliz. O meu Jesus tem necessidade de amor para ser feliz. Neste momento Ele tem amor.

Jesus está vestido com uma veste solta de lã vermelha, de tonalidade rubi claro. Ela é macia, de textura perfeita, na sua compacta tenuidade. Junto ao pescoço, na frente, por baixo das mangas longas e largas, e da veste, que desce até o chão, deixando descobertos apenas os pés, que estão calçados com sandálias novas e muito bem feitas — não as costumeiras solas, fixadas ao pé por meio de tiras de couro — está um galão, não bordado, mas tecido em cor mais escura sobre o vermelho rubi da veste. Deve ser obra da mamãe, porque a cunhada a admira e elogia.

Os belos cabelos loiros já estão carregados de uma tonalidade bem diferente de quando Ele era pequenino, agora com cintilações de cobre nas volutas dos caracóis, que terminam abaixo das orelhas. Não são mais os caracoizinhos curtos e leves da infância. Não são ainda os cabelos ondulados e compridos até aos ombros, onde terminam em macias madeixas aneladas na idade adulta. Mas já tendem mais para esta última na cor e na forma.

39.5 – Eis aqui o nosso Filho –diz Maria, levantando a sua mão direita, na qual está a mão esquerda de Jesus.

Parece que o está apresentando a todos e reconfirmando a paternidade do Justo, que está sorrindo. E ela acrescenta:

– Abençoa-o, José, antes de Ele partir para Jerusalém. Não foi necessária a bênção ritual, em sua idade de ir para a escola, primeiro passo na vida. Mas agora que Ele vai ao Templo, para ser declarado maior de idade, dá-lhe a bênção. E abençoa a mim também, junto com Ele. A tua bênção… (Maria dá um soluço) O fortificará e me dará força, para me desapegar um pouco mais Dele…

– Maria, Jesus será sempre teu. A fórmula não incidirá em nossos mútuos relacionamentos. Nem eu vou disputá-lo contra ti, este Filho que nos é tão caro. Ninguém como tu merece guiá-lo na vida, ó minha­ Santa.

Maria se inclina, pega a mão de José, e a beija. Ela é a esposa, oh! e quão amorosa e respeitosa para com o seu consorte!

José acolhe aquele sinal de respeito e de amor com dignidade, mas depois levanta aquela mão que foi beijada, e a coloca sobre a cabeça da esposa, dizendo:

– Sim, eu te abençôo, ó Bendita, e a Jesus junto contigo. Vinde, minhas únicas alegrias, minha honra e meu ideal.

José está solene. Com os braços estendidos, e as palmas das mãos voltadas para o chão sobre as duas cabeças inclinadas, igualmente loiras e santas, ele pronuncia a bênção:

– O Senhor vos guarde e vos abençoe. Tenha misericórdia de vós, e vos dê a paz. O Senhor vos dê a sua bênção.

E depois diz:

– Agora vamos. A hora é propícia para a viagem.

39.6 Maria apanha um manto grande, cor de romã, coloca sobre o corpo do Filho, e, ao fazer isso, o acaricia!

Saem e fecham a porta. Põem-se a caminho. Outros peregrinos vão indo na mesma direção. Ao saírem da cidade, as mulheres se separam dos homens. Os meninos vão com quem preferirem. Jesus fica com a mãe.

Os peregrinos vão salmodiando pelos belos campos, nestes alegres dias de primavera. Prados e searas frescas e frescas as ramagens das árvores, que floriram, há pouco. Ouvem-se os cantos dos homens pelos campos e pelas ruas e os dos pássaros nas árvores. Córregos límpidos servem de espelho para as flores que estão às margens e cordeirinhos saltam ao lado de suas mães. Há paz e alegria, sob o mais belo céu de abril.

A visão cessa assim.

Detalhe

Descrição física do Menino Jesus e da bênção de José antes de partir para Jerusalém.

EMF 40.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

40.1 O Templo está como em dias de festa. A multidão, entra e sai, atravessa os pátios, os átrios, e pórticos, desaparece nesta ou naquela construção situada nos diversos patamares, sobre os quais está espa­lhado o aglomerado do Templo.

As pessoas da comitiva da família de Jesus entram também, cantando salmos em voz baixa. Primeiro, todos os homens, depois, as mulheres. A eles se uniram também outros, que talvez sejam de Nazaré, ou amigos que moram em Jerusalém. Não sei.

José se afasta, depois de ter, junto com os outros, adorado o Altíssimo, daquele ponto de onde os homens podiam ficar (as mulheres pararam no patamar logo abaixo) e com o Filho, José atravessa novamente os pátios, dobra para um lado, entrando numa grande sala, que parece ser uma sinagoga. Não sei como pode ser isso. Haveria sinagogas também no Templo? José fala com um levita e este desaparece atrás de uma cortina listrada, para voltar depois com uns sacerdotes anciãos, penso que são sacerdotes, certamente mestres no conhecimento da Lei, designados para examinar os fiéis.

40.2 José apresenta-lhes Jesus. Primeiramente, os dois se inclinaram

profundamente diante dos dez doutores, que estão sentados com toda a dignidade sobre baixos bancos de madeira.

– Este aqui –diz ele–. É meu filho. Há três luas e doze dias que ele completou o tempo que a Lei exige para ser maior de idade. Mas eu quero que Ele o seja segundo os preceitos de Israel. Peço-vos que observeis que, pela sua compleição, Ele mostra que já saiu da infância e da menoridade. E peço-vos que o examineis com benevolência e assim possais julgar como é verdade tudo o que eu, pai dele, afirmo. Eu o preparei para esta hora e para esta sua dignidade de filho da Lei. Ele sabe os preceitos, as tradições, as decisões, os costumes das fímbrias e dos filactérios, sabe recitar as orações e as bênçãos diárias. Pode, pois, conhecendo a Lei, nos seus três ramos da Halacá, do Midraxe e da Hagadá, conduzir-se como um homem. Por isso, eu desejo ficar livre da responsabilidade por suas ações e por seus pecados. De agora em diante, seja Ele sujeito aos preceitos, e pague por suas faltas contra eles. Examinai-o.

– Nós o faremos.

40.3 Vem para frente, menino. Qual o teu nome?

– Jesus de José, de Nazaré.

– É nazareno. Tu sabes ler?

– Sim, rabi. Sei ler as palavras escritas e as que estão encerradas nas próprias palavras.

– Que estarias querendo dizer?

– Quero dizer que compreendo também o significado da alegoria ou do símbolo, que se oculta debaixo de uma aparência, como a pérola, que não aparece, mas está encerrada numa concha feia e fechada.

– Esta resposta não é comum, e é muito sábia. Raramente se ouve uma coisa destas, saindo dos lábios de pessoas adultas; imaginem saindo da boca de um menino, e, além disso, nazareno!

A atenção dos dez despertou. Seus olhos não perdem de vista, nem por um instante, o belo menino loiro que olha para eles com firmeza, sem arrogância, mas também sem medo.

– Tu estás honrando o teu mestre, que certamente devia ser muito douto.

– A Sabedoria de Deus fez do coração dele sua morada.

– Mas, escutai bem! Feliz de ti, ó pai de um filho como este!

José, que está lá no fundo da sala, sorri, e se inclina.

40.4 Dão a Jesus três rolos diferentes, dizendo:

– Lê aquele que está envolvido com uma fita de ouro.

Jesus abre o rolo e lê. É o Decálogo. Mas, depois das primeiras palavras, um dos juízes tira o rolo de suas mãos, e lhe diz:

– Continua, agora, de memória.

E Jesus continua, com tal segurança, que parece estar lendo. Cada vez que fala no Senhor, inclina-se profundamente.

– Quem te ensinou isso? Por que fazes assim?

– Porque santo é esse Nome, e deve ser pronunciado com sinal interno e externo de respeito. Ao rei, que é rei por breve tempo, seus súditos se inclinam, mesmo não sendo este mais do que pó. Ao Rei dos reis, ao Altíssimo Senhor de Israel, presente, ainda que não visível senão ao nosso espírito, não se deverá inclinar toda criatura, que Dele depende com sujeição eterna?

– Muito bem! Homem, nós te aconselhamos a fazer que teu filho seja instruído por Hilel ou Gamaliel. É nazareno… mas as suas respostas nos fazem esperar que Ele será um novo grande doutor.

– O filho já é maior de idade. Ele fará como quiser. Eu, se ele quiser uma coisa honesta, não me oporei.

40.5 – Rapaz, escuta. Disseste: “Lembra-te de santificar as festas. Mas não só por ti, mas pelo teu filho, tua filha, teu servo, tua serva, e até pelo jumento, pois está dito que ele não fará trabalho no sábado.” Então, diz-me uma coisa: se uma galinha põe um ovo em dia de sábado, ou se uma ovelha dá cria, será lícito usar do fruto do ventre delas, ou será isso considerado uma coisa má?

– Sei que muitos rabinos, o último deles Shamai, que ainda está vivo, dizem que o ovo posto no sábado está contra o preceito. Mas Eu penso que uma coisa é o homem, e outra é o animal, e também o que o animal faz, como parir. Se eu obrigo o jumento a trabalhar, eu é que cometo o pecado pelo que ele faz, porque eu o chicoteio e obrigo a trabalhar. Mas, se uma galinha põe um ovo que amadureceu em seu ovário, ou uma ovelha gera um filhote no sábado, porque ele já está maduro para nascer, isso não é pecado, nem o ovo é pecado aos olhos de Deus, nem o cordeiro, que vieram à luz no sábado.

– E por que não? Se todo e qualquer trabalho no sábado é pecado?

– Porque o conceber e o gerar correspondem à vontade do Criador, e estão regulados pelas leis dadas por Ele a toda criatura. Ora, a galinha não faz mais que obedecer a esta lei que diz que, depois de tantas horas para a sua formação, o ovo está completo, e é posto. E a ovelha também não faz mais do que obedecer às leis dadas por Aquele que tudo fez, o qual estabeleceu que, duas vezes por ano, quando a primavera sorri para os prados em flor, e quando os bosques estão despojados de suas folhas e o gelo atormenta o peito do homem, que as ovelhas se acasalem, para dar-nos depois, no tempo determinado, o leite, a carne e os queijos tão nutritivos, justamente nos meses, em que os homens se cansam no trabalho da colheita, ou sofrem mais pelo rigor das geadas. Portanto, se uma ovelha, quando chega o seu tempo, dá cria, oh! isso bem pode ser uma coisa sagrada, até diante do altar, pois é fruto da obediência ao Criador.

40.6 – Eu não continuo a examinar mais. A sabedoria dele supera a dos adultos. E nos assombra.

– Não. Ele diz que é capaz de compreender até os símbolos. Ouçamo-lo.

– Primeiro, diz um salmo, as bênçãos e as orações.

– E também os preceitos.

– Sim. Diz os midrashot.

Jesus diz, então, com segurança, uma ladainha de “Não fazer isso, não fazer aquilo…” Se nós tivéssemos de ter ainda todas aquelas limitações, rebeldes como somos, Eu vos garanto que ninguém se salvaria…

– Basta. Abre o rolo da fita verde.

Jesus abre e começa a ler.

– Mais adiante, um pouco mais.

Jesus obedece.

– Basta. Lê agora, e nos explica que é que te parece que é um símbolo.

– Na Palavra santa raramente faltam os símbolos. Nós é que não os sabemos ver e aplicar. Eu leio: 4° livro dos Reis, cap. 22,vers. 10: “Safã, escriba, continuando a referir-se ao rei, disse: ‘O sumo sacerdote Helcias me deu um livro.’ E, tendo Safã lido o mesmo na presença do rei, este, depois de ouvir as palavras da Lei do Senhor, rasgou as vestes e, em seguida, deu…”

– Continua depois dos nomes.

– “… esta ordem: ‘Ide consultar o Senhor por mim, pelo povo, por toda Judá, a respeito das palavras deste livro, que foi achado, porque a grande ira de Deus se acendeu contra nós, pois os nossos pais não ouviram as palavras deste livro, para cumprirem as suas prescrições’…”

– Basta. O fato aconteceu muitos séculos antes de nós. E, então, que símbolo encontras em um fato de uma crônica tão antiga?

– Encontro o fato de que vós não tendes tempo para o que é eterno. Eterno é Deus, e a nossa alma, e as relações entre Deus e a alma. Por isso, o que havia provocado o castigo naquele tempo é o mesmo que provoca os castigos agora, e também os efeitos da culpa são iguais.

– Que queres dizer?

– Israel não sabe mais a Sabedoria, que vem de Deus. É a Ele, e não aos pobres homens, que precisamos pedir a luz. E não se tem luz, se não se tem a justiça e a fidelidade a Deus. Por isso é que se peca, e Deus, em sua ira, pune.

– Então, nós não sabemos mais? Que é que estás dizendo, rapaz? E os seiscentos e treze preceitos?

– Os preceitos existem, mas são palavras. Nós os sabemos, mas não os colocamos em prática. Por isso não sabemos. O símbolo é este: todo homem, em qualquer tempo, tem necessidade de consultar o Senhor­ para conhecer a sua vontade e de nela confiar para não atrair sua ira.

40.7 – O rapaz é perfeito. Nem mesmo a cilada de uma pergunta insidiosa foi capaz de perturbar sua resposta. Que ele seja levado à verdadeira sinagoga.

Passam para uma sala mais ampla e pomposa. Aqui a primeira coisa que lhe fazem é encurtar-lhe os cabelos. Os grandes caracóis são recolhidos por José. Depois, apertam-lhe a veste vermelha com uma cinta comprida, passada em diversas voltas em torno da cintura, amarram-lhe umas fitazinhas na fronte, no braço e no manto. Elas ficam seguras por uma espécie de broche. Depois, cantam salmos, e José, com uma longa oração, louva ao Senhor e invoca sobre o Filho todos os bens.

A cerimônia chega ao fim. Jesus sai com José. Voltam para o lugar onde estavam e se reúnem aos seus parentes homens, compram e oferecem um cordeiro; depois, com a vítima já degolada, vão ao encontro das mulheres.

Maria beija o seu Jesus. Parece que havia muitos anos que ela não o via. Ela olha para Ele, feito agora mais homem, com aquela veste e aqueles cabelos, e o acaricia.

Saem e tudo termina.