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Notas do tema

Obras de Maria Valtorta

Página 13 de 40

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EMF 42.8-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– A todas as mulheres que estão sendo torturadas por alguma dor, Eu ensino a imitar Maria na sua viuvez: unindo-se a Jesus.

Aqueles que pensam que Maria não sofreu as penas do coração, estão errados. Minha mãe sofreu. Ficai sabendo disso. Santamente, porque tudo nela era santo, mas profundamente.

Aqueles que pensam que Maria amava o seu esposo com um amor tépido, visto que ele era um esposo para as coisas espirituais, e não para as carnais, estão igualmente errados. Maria amava intensamente o seu José, ao qual dedicou seis lustros (30 anos) de uma vida de fidelidade. Para Ela José foi pai, esposo, irmão, amigo e protetor.

Agora, ela se sentia sozinha, como uma vara de videira ao qual foi cortada a árvore em que se apoiava. Sua casa ficou como que ferida por um raio. Ficou dividida. Antes era uma unidade na qual os membros se sustinham um ao outro. Agora, vinha a faltar a parede mestra, sendo este o primeiro dos golpes desferido naquela Família, sinal de que dentro em breve o seu amado Jesus também a deixaria.

A vontade do Eterno, que tinha querido que ela fosse esposa e mãe, agora lhe impunha a viuvez e a entrega de seu Filho. Maria diz entre lágrimas, um dos seus sublimes “sim.” “Sim, Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.” E, para ter força naquela hora, ela Me abraça.

Sempre Maria abraçou Deus nas horas mais graves da sua vida. No Templo, quando chamada para as núpcias; em Nazaré, quando chamada para a Maternidade; ainda em Nazaré, derramando as lágrimas da viuvez; em Nazaré no suplício da separação do Filho; no Calvário, em que sofreu a tortura de Me ver morrer.

42.9

Aprendei, vós que chorais. Aprendei, vós que morreis. Aprendei, vós que viveis para morrer. Procurai merecer as palavras que Eu disse a José. Serão a vossa paz em vossa agonia. Aprendei, vós que morreis, a merecer a presença de Jesus perto de vós, para vosso conforto. Mesmo se não tiverdes merecido, ousai chamar-me para perto de vós. Eu virei. Com as mãos cheias de graça e de conforto, o coração cheio de perdão e amor, com os lábios cheios de palavras de absolvição e encorajamento.

A morte perde toda a sua aspereza, se ela acontecer nos meus braços. Crede nisso. Eu não posso abolir a morte, mas posso torná-la suave para quem morre confiando em Mim.

O Cristo disse[2] para todos vós, em sua Cruz: “Senhor, a Ti entrego o meu espírito.” Ele o disse, pensando na sua e nas vossas agonias, nos vossos terrores, nos vossos erros, nos vossos temores, nos vossos desejos de perdão. Ele o disse com o coração dilacerado, antes mesmo do golpe da lança, numa dilaceração mais espiritual do que física, para que as agonias daqueles que morrem pensando Nele, sejam amenizadas pelo Senhor e o espírito deles passe da morte à Vida, da dor ao júbilo eterno.

42.10

Esta, pequeno João, é a lição de hoje. Sê boa, e não temas. A minha paz refluirá em ti sempre, através da palavra e através da contemplação. Vem. Faz de conta que és José, que tem por travesseiro o peito de Jesus, e Maria como enfermeira. E repousa entre nós, como um menino em seu berço.

EMF 43

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria dá uma lição a Maria e regressa ao Evangelho da Infância. Detém-se nos milagres discretos que pontuaram a sua vida oculta. A Virgem volta também ao desenvolvimento espiritual do seu esposo, depois declara que as visões foram dadas em função das necessidades de Maria, porque ela não suportava ver certas coisas, e o Céu não é cruel: actua para nos consolar, não para nos assustar.

Maria detém-se sobre os presentes dos Magos, que desapareceram como a neve no Egito, e que mal lhes permitiram restabelecer a casa e a oficina em Nazaré. A Sagrada Família não ganhou bens materiais graças a Jesus, mas tudo o que importava a José e Maria era conservar o seu tesouro, Cristo.

A Virgem continua a encorajar Maria, porque ela está a passar por um grande sofrimento, e declara que o martírio "não está na forma da tortura, mas na constância com que o mártir a suporta". Devemos vivê-lo em Deus e pedir a sua ajuda, porque o que nós não podemos fazer, ele fará em nós...

EMF 43.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Antes de entregar estes cadernos, Eu quero unir a eles a minha bênção.

Agora, basta que queiras fazer com um pouco de paciência; podereis ter uma coleção completa da vida íntima do meu Jesus. Desde a Anunciação, até o momento em que Ele sai de Nazaré para a pregação, tendes, não só os ditados, mas também a ilustração dos fatos que acompanharam a vida familiar de Jesus.

A infância, a meninice, a adolescência e a juventude do meu Filho têm apenas uns breves traços no grande quadro de sua vida descrito pelos Evangelhos. Neles Ele é o Mestre. Aqui é o Homem. É o Deus que se humilha por amor do homem.

43.2 E que também opera milagres, mesmo em seu aniquilamento de uma vida comum. Ele opera em mim, que sinto a minha alma levada à perfeição, em contato com o Filho que me cresce no ventre. Opera na casa de Zacarias, santificando o Batista, ajudando Isabel em seu trabalho, dando palavra e fé a Zacarias. Ele opera em José, abrindo-lhe o espírito à luz de uma verdade, de tal modo excelsa, que por si mesmo não podia compreender, embora fosse um justo.

43.3 E, depois de mim, quem mais foi beneficiado por esta chuva de divinos benefícios foi José.

Observa o caminho que ele percorre, um caminho espiritual, desde quando vem para a minha casa, até o momento da fuga para o Egito. No início, não era mais do que um homem justo do seu tempo. Depois, por fases sucessivas, tornou-se o homem justo do tempo cristão. Adquire a fé no Cristo, e se entrega a essa fé firme, que passa à esperança, desde aquela frase dita no começo da viagem de Nazaré para Belém: “Como faremos?”, frase em que ali estava todo o homem que se revela com os seus temores humanos e as suas preocupações humanas. Na gruta, diante do nascimento, diz: “Amanhã será melhor.” Jesus, que está para chegar, já o fortalece, com esta esperança que, entre os dons de Deus, é um dos mais belos. E, dessa esperança, quando o contato com Jesus o santifica, ele passa à ousadia. Deixou-se sempre dirigir por mim, pelo respeito reverente que nutria por mim. Agora é ele que dirige tanto as coisas materiais, como as superiores, e decide como chefe da Família, quando é preciso decidir. Não só isso, mas na hora penosa da fuga, depois que meses de união com o Filho de Deus o saturaram de santidade, é ele quem conforta o meu penar, e me diz: “Ainda que não tivéssemos mais nada, teríamos sempre tudo, porque teremos a Ele.”

43.4 Seus milagres de graça, meu Jesus os opera nos pastores. O Anjo vai até onde está o pastor, que um fugaz encontro comigo predispõe para a Graça, e o leva até à Graça para que Esta o salve para sempre.

Ele os opera por onde passa, tanto no exílio, como quando volta à sua pequena Nazaré. Porque, onde Ele estava, a santidade se expandia como o óleo sobre um pano, como a fragrância das flores no ar, e quem por ela era tocado, se não fosse um demônio, sentia grande desejo de santidade. Onde há esse desejo, há raiz de vida eterna, porque quem quer ser bom, consegue a bondade, e a bondade leva ao Reino de Deus.

43.5 Vós agora tendes, apresentada em pontos, que refletem momentos diversos, a santa Humanidade de meu Filho. Desde o seu nascimento, até à sua morte. E, se o Pe. M. achar bom, pode fazer deles uma ordenada coleção dos pontos, de modo a poder formar um conjunto sem lacunas. Isso se julgar útil fazê-lo.

Teríamos podido dar tudo junto. Mas a Providência julgou ser bom fazer assim para ti, ó minha alma! Em todos os ditados te demos os remédios para as tuas feridas, que haveriam de ser-te infligidas. Demos com antecedência para te preparar. Na hora do granizo, parece que nada serve de abrigo. Mas não é assim. A tempestade faz aflorar a humanidade, que está adormecida e sepultada debaixo das águas espirituais, mas traz à tona também as gemas de uma doutrina sobrenatural, que caíram no vosso coração, e que estão esperando justamente a hora da tempestade, para reaparecerem e dizer-vos: “Aqui estamos nós também. Lembra-te de nós”.

Há, além disso, minha alma, uma razão de bondade, além de ser de Providência. Como terias podido, no atual estado de enfraquecimento, ver e ouvir certas visões e ditados? Estas coisas te teriam prostrado, até te tornarem incapaz da tua missão de “porta-voz”. Por isso, porque em nós há bondade nós os demos antes, evitando despedaçar teu coração com visões e palavras por demais consoantes com o teu sofrimento, e por isso intensas até ao espasmo. Não somos cruéis, Maria. Agimos sempre de modo que vós de nós tenhais conforto, não angústia, nem aumento de dor. Basta-nos que vos confieis a nós. Basta-nos que digas como José: “Se ainda tenho Jesus, tenho tudo!”, para que venhamos com os dons celestes a consolar o vosso espírito.

43.6 Não te prometo dons, nem consolações humanas. Eu te prometo as mesmas consolações que teve José, as sobrenaturais. Porque é bom que todos fiquem sabendo que os presentes dados pelos Magos, na usura que aperta pela garganta um fugitivo, sumiram rapidamente, como um relâmpago, com a compra de uma casinha e daquele mínimo de utensílios necessários para a vida, daqueles alimentos que eram também necessários, que só podiam vir daquela fonte, enquanto não encontrávamos trabalho.

Na comunidade hebraica sempre todos se ajudaram mutuamente. Mas a comunidade reunida no Egito era quase toda composta de fugitivos perseguidos e, por isso, pobres como nós, que tínhamos ido nos juntar a eles. Um pouco daquela riqueza que queríamos manter para Jesus, para o nosso Jesus adulto, preservada dos gastos da instalação no Egito, foi providencial para a nossa volta e apenas suficiente para reorganizar nossa casa e a oficina em Nazaré, ao nosso retorno. Porque os tempos mudam, mas a cobiça humana é sempre a mesma, servindo-se da necessidade alheia para sugar a sua parte de maneira odiosa.

Não. Termos Jesus conosco não serviu para trazer-nos bens materiais. Muitos de vós pretendem isto, quando apenas se sentem um pouco unidos a Jesus. Esquecem-se de que Ele disse: “Procurai as coisas do espírito.” Tudo o mais é supérfluo. Deus provê também o alimento. Tanto aos homens como os pássaros. Porque sabe que eles têm necessidade do alimento, enquanto a carne for armadura em torno de vossa alma. Mas, pedi primeiro a sua Graça. Pedi primeiro pelo vosso espírito. O resto vos será dado como acréscimo.

Da união com Jesus, José teve, humanamente falando, angústias, fadigas, perseguições, fome. Outra coisa não teve. Mas, visto que servia a Jesus somente, tudo isso se transformou em paz espiritual, em sobrenatural alegria. Eu queria trazer-vos ao ponto em que estava o meu esposo ao dizer: “Ainda que chegássemos a não ter mais nada, teríamos sempre tudo, porque temos Jesus.”

43.7 Eu sei. O coração se despedaça. Eu sei, a mente se ofusca. Eu sei, a vida se consome. Mas Maria!… És de Jesus? Queres ser de Jesus? Onde, como morreu Jesus? Menina querida, estás chorando, mas persevera na fortaleza. O martírio não consiste na forma de tormento, mas, sim na constância com que o mártir o suporta. Por isso, é martírio tanto uma arma, como um sofrimento moral, quando é suportado por um mesmo objetivo. Tu estás suportando por amor ao meu Filho. O que fazes pelos irmãos é sempre por amor de Jesus, que os quer salvos. Por isso, o teu sofrimento é verdadeiro martírio. Persevera nele. Não queiras fazer isso por ti mesma. Basta — porque a aflição é forte demais para que tu possas ter ainda tanta força para guiar-te por ti mesma e dominar também a tua humanidade impedindo-la de chorar — basta que deixes que a dor te torture, sem rebelar-te. Basta que digas a Jesus: “Ajuda-me!”. Aquilo que não podes fazer, Ele o fará por ti. Permanece Nele. Sempre Nele. Não queiras sair Dele. Se não quiseres, não sais. Se a dor for tão forte, que te impeça de ver onde estás, tu estarás sempre em Jesus.

Eu te abençôo. Diz comigo: “Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.” Seja este sempre o teu grito. Até que, um dia, o digas no Céu. A graça do Senhor esteja sempre contigo!

EMF 43.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vós agora tendes, apresentada em pontos, que refletem momentos diversos, a santa Humanidade de meu Filho. Desde o seu nascimento, até à sua morte. E, se o Pe. M. achar bom, pode fazer deles uma ordenada coleção dos pontos, de modo a poder formar um conjunto sem lacunas. Isso se julgar útil fazê-lo.

Teríamos podido dar tudo junto. Mas a Providência julgou ser bom fazer assim para ti, ó minha alma! Em todos os ditados te demos os remédios para as tuas feridas, que haveriam de ser-te infligidas. Demos com antecedência para te preparar. Na hora do granizo, parece que nada serve de abrigo. Mas não é assim. A tempestade faz aflorar a humanidade, que está adormecida e sepultada debaixo das águas espirituais, mas traz à tona também as gemas de uma doutrina sobrenatural, que caíram no vosso coração, e que estão esperando justamente a hora da tempestade, para reaparecerem e dizer-vos: “Aqui estamos nós também. Lembra-te de nós”.

Há, além disso, minha alma, uma razão de bondade, além de ser de Providência. Como terias podido, no atual estado de enfraquecimento, ver e ouvir certas visões e ditados? Estas coisas te teriam prostrado, até te tornarem incapaz da tua missão de “porta-voz”. Por isso, porque em nós há bondade nós os demos antes, evitando despedaçar teu coração com visões e palavras por demais consoantes com o teu sofrimento, e por isso intensas até ao espasmo. Não somos cruéis, Maria. Agimos sempre de modo que vós de nós tenhais conforto, não angústia, nem aumento de dor. Basta-nos que vos confieis a nós. Basta-nos que digas como José: “Se ainda tenho Jesus, tenho tudo!”, para que venhamos com os dons celestes a consolar o vosso espírito.

43.6 Não te prometo dons, nem consolações humanas. Eu te prometo as mesmas consolações que teve José, as sobrenaturais.

EMF 44

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus prepara-se para deixar Nazaré. Maria está claramente angustiada. O Filho come e, depois de ter a mala pronta, Maria isola-se por um momento. Jesus vai ter com ela e verifica-se que ela está a chorar na oficina de José. Jesus fala com ela e vão os dois para o jardim, onde Jesus lhe dá as suas recomendações. Depois, rezam juntos o Pai-Nosso, para se apoiarem em Deus nesta hora de provação. Jesus parte, deixando a sua Mãe em Nazaré.

Cristo faz então um ditado e fala do sofrimento de Maria após a separação de Cristo. Por um momento, diz porque está a dar a Obra e como dá as lições. Depois declara que esta visão se aplica a todos aqueles que têm de passar por uma renúncia dolorosa e deixar a sua família. Esta lição é para pais e filhos.

Maria sofreu a dor de se separar do seu Filho, mas não se revoltou contra a Vontade de Deus. Chorou - mas quem não teria chorado ao adivinhar o sofrimento do seu Filho? Ela sabia que os seus parentes estavam cheios de senso comum humano e que não compreenderiam a partida nem a pregação de Cristo. Ela sabia que o seu Filho iria encontrar hostilidade durante o seu ministério. Também ela chorou, sofreu e reparou por todas as mães que têm de separar-se dos seus filhos. As lágrimas da Mãe e o Sangue de Jesus Cristo fortalecem aqueles que têm de dar provas de heroísmo, e fortalecem sobretudo as almas consagradas e as almas vítimas.

Na hora da provação, Maria reza com Jesus. O sofrimento não a impediu de rezar, pelo contrário. E Jesus diz-nos que devemos rezar sempre com ele, porque é Jesus que nos justifica.

EMF 44.7-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Esta é a quarta dor de Maria mãe de Deus. A primeira foi a apresentação ao Templo; a segunda, a fuga para o Egito; a terceira, a morte de José; a quarta, a minha separação dela.

Conhecendo o desejo do Pai, Eu te disse ontem à tarde que apressarei a descrição das “nossas” dores para que elas se tornem conhecidas. Mas, como estás vendo, já algumas, de minha mãe, tinham sido relatadas. Eu expliquei a fuga[2] antes da apresentação, porque havia necessidade de fazê-lo naquele dia. Eu sei. Tu compreendes e dirás o porquê ao Pai, de viva voz.

44.8

É meu desejo alternar as tuas contemplações, e as minhas conseqüentes explicações, com os ditados propriamente ditos, para aliviar o teu espírito, dando-te a bem-aventurança de ver, e também porque assim fica clara a diferença estilística entre o teu modo de compor e o meu.

Além disso, diante de tantos livros que falam de Mim, com tanto toca e retoca, muda e embeleza, estes livros se tornaram irreais, agora Eu desejo dar a quem crê em Mim, uma visão que leve à verdade do tempo da minha vida mortal. Com isso, Eu não fico diminuído, mas ao contrário, me torno maior na minha humildade, que se faz pão por vós, a fim de ensinar-vos a ser humildes e semelhantes a Mim, que fui homem como vós, trazendo Comigo, na minha veste de homem, a perfeição de um Deus. Eu devia ser vosso Modelo, e os modelos devem ser sempre perfeitos.

Não terei nas contemplações uma linha cronológica correspondente à dos Evangelhos. Tomarei os pontos que Eu achar mais úteis naquele dia para ti ou para os outros, seguindo uma linha minha de ensinamento e de bondade.

44.9

O ensinamento que vem da contemplação da minha separação é dirigido especialmente aos pais e aos filhos que a vontade de Deus chama para uma vida de renúncia recíproca por um amor mais alto. Em segundo lugar, é dirigido a todos aqueles que se encontram diante de uma renúncia difícil.

Quantas dessas não encontrais em vossas vidas! Elas são como espinhos sobre a terra, e penetrantes ao coração. Eu sei. Mas a quem as acolhe com resignação — prestai atenção, eu não digo: “a quem as deseja e as acolhe com alegria” (pois isto já é perfeição); mas eu digo: “com resignação” — elas se transformam em rosas eternas. Mas poucos são os que as acolhem com resignação. Como uns burrinhos rebeldes, vós vos levantais contra a vontade do Pai e teimais, se é que não procurais até ferir com coices espirituais e mordidas, ou seja, com rebelião e blasfêmias contra o bom Deus.

44.10

Não digais assim: “Mas eu não tinha outro bem senão este, e Deus o tirou de mim. Eu não tinha outro amor senão este, e Deus arrebatou-o de mim.” Também Maria, mulher gentil e amorosa até à perfeição, porque em sua Graça Total até as formas afetivas e sensitivas eram perfeitas, não tinha senão um bem e um amor sobre a ter­ra: o seu Filho. Nada lhe restava, senão Ele. Seus pais estavam mortos fazia tempo, José estava morto, havia alguns anos. Não havia senão Eu para amá-la e fazê-la sentir que não estava sozinha. Os parentes, por causa de Mim, de quem eles não conheciam a origem divina, lhe eram um pouco hostis, como se fosse uma mãe que não sabe se impor ao filho, que sai do bom-senso, que recusa os casamentos que lhe são propostos os quais poderiam trazer prestígio para a família, e até ajuda.

Os parentes, voz do bom senso, do senso humano ainda, que vós chamais de bom-senso, não passam de um senso humano, isto é, egoísmo, teriam querido estas práticas desenvolvidas na minha vida. No fundo, havia sempre o medo de, um dia, passarem abor­recimentos por minha causa, pois Eu já ousava exteriorizar minhas idéias, por demais sonhadoras, no pensar deles, as quais podiam até irritar a Sinagoga. A história hebraica estava cheia de ensinamentos sobre a sorte que tiveram os profetas. Não era fácil a missão do profeta, pois muitas vezes acarretava a morte dele e aborrecimentos para a sua parentela. No fundo, estavam sempre com o pensamento de que teriam um dia de cuidar de minha mãe.

Por isso é que, ao verem que Ela não se opunha a Mim em nada, e até parecia viver numa contínua adoração perante o Filho, isso os irritava. Esta antipatia haveria de ir crescendo, ao longo dos três anos do ministério, até culminar em censuras abertas, quando me encontravam no meio das multidões, e se envergonhavam, como diziam, da minha mania de ficar provocando as castas poderosas. Censuras a Mim e a Ela, a minha pobre mãe!

44.11

Contudo, Maria não opôs resistência, como vós fazeis, ela que sabia as disposições dos parentes (nem todos foram como Tiago, Judas e Simão, nem como a mãe deles, Maria de Cléofas), prevendo as disposições futuras, e sabendo a sua sorte durante aqueles três anos e o que a aguardava no final deles, assim como o que Me aconteceria. Ela chorou. Quem não teria chorado, diante da separação do filho que a amava, como Eu a amava, diante da perspectiva dos longos dias vazios, sem a minha presença, naquela casa solitária, diante do futuro do Filho, destinado a se bater contra a má vontade de quem era culpado, procurando vingar-se da culpa, ofendendo o Inocente, até matá-lo?

Chorou porque era a Co-Redentora e a mãe do gênero humano renascido para Deus, e devia chorar por todas as mães que não sabem fazer de suas dores de mães uma coroa de glória eterna.

Quantas mães neste mundo vêem a morte arrancar um filho dos seus braços! Quantas mães vêem a vontade sobrenatural arrebatar-lhes um filho de perto delas! Maria chorou por todas as suas filhas, como mãe dos cristãos, por todas as suas irmãs, em sua dor de mãe despojada. Chorou também por todos os filhos que, nascidos de mulher, estão destinados a tornarem-se apóstolos de Deus, ou mártires por amor de Deus, por fidelidade a Ele ou pela ferocidade humana.

44.12

O meu Sangue e o pranto de minha mãe são a mistura que fortalece os marcados da sorte heróica, anulando-lhes as imperfeições, ou as faltas cometidas por fraqueza, dando depois do martírio sofrido, a paz de Deus e, se sofrido por Deus, a glória do Céu.

Os missionários experimentam as lágrimas como uma chama que os aquece nas regiões onde a neve impera, como um orvalho lá onde o sol arde. São brotadas da caridade de Maria e jorram dum coração de lírio. Suas lágrimas têm o fogo da caridade virginal unida ao Amor e o perfumado frescor da virginal pureza, semelhante ao da água que se recolhe no cálice de um lírio, depois de uma noite orvalhosa.

Os consagrados as encontram[3] naquele deserto que é a vida monástica bem entendida. É deserto porque não vive senão da união com Deus, e qualquer outro afeto desaparece tornando-se unicamente caridade sobrenatural, para com os parentes, os amigos, os superiores e os inferiores.

São encontradas pelos consagrados a Deus no mundo, no mundo que não os entende e não os ama. É deserto também para eles, pois vivem como se estivessem sozinhos, por serem tão incompreendidos e escarnecidos, por amor de Mim.

As minhas queridas “vítimas” experimentam as lágrimas, porque Maria é a primeira das vítimas que por amor de Jesus dá as suas lágrimas que restauram e inebriam um maior sacrifício, às suas imitadoras, com a mão de mãe e de Médica.

Santo pranto o de minha mãe!

44.13

Maria reza. Não se recusa a rezar, só porque Deus lhe manda uma dor. Lembrai-vos disso. Ela reza junto com Jesus. Reza o Pai-nosso. Nosso e vosso.

O primeiro “Pai-nosso” foi pronunciado no pomar de Nazaré para consolar o sofrimento de Maria, para oferecer as “nossas” vontades ao Eterno, no momento em que se estava iniciando para essas vontades o período de uma renúncia sempre crescente, que iria culminar por Mim, na renúncia da vida e por Maria, na morte do Filho.

Ainda que não tivéssemos nada de que pedir perdão ao Pai, contudo, por humildade, nós, os Sem Culpa, pedimos perdão ao Pai, para sermos perdoados e absolvidos até de algum suspiro, para podermos ir dignamente ao encontro da nossa missão. Para ensinar-vos que quanto mais estiverdes na graça de Deus, mais a missão é abençoada, e mais frutos ela produz. Para ensinar-vos o respeito a Deus e a humildade. Diante de Deus Pai, até as nossas duas perfeições de Homem e de Mulher sentiram-se um nada, pedindo perdão. Como também pediram o “pão de cada dia”.

Qual era o nosso pão? Oh! não aquele amassado pelas mãos puras de Maria e assado no pequeno forno, para o qual tantas vezes Eu tinha­ ajeitado feixes e braçadas de lenha. Também aquele é necessário, enquanto estivermos sobre a terra. Mas o “nosso” pão de cada dia era aquele de fazer, dia após dia, a nossa parte da missão. Que Deus no-la desse cada dia, porque cumprir a missão que Deus dá é a alegria do “nosso” dia, não é verdade, pequeno João? Não dizes, tu também, que o dia te parece vazio, parecendo não existir, se a bondade do Senhor te deixa um dia sem a tua missão de dor?

44.14

Maria reza junto a Jesus. É Jesus quem vos justifica, meus filhos­! Sou Eu que torno aceitáveis e frutuosas as vossas orações junto ao Pai. Eu já vos disse[4]: “Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vos concederá”, e a Igreja valoriza as suas orações, dizendo: “Por Jesus Cristo nosso Senhor.”

Quando rezardes, uni-vos sempre, sempre, sempre a Mim. Eu rezarei em alta voz por vós, cobrindo a vossa voz de homens com a minha de Homem-Deus. Eu colocarei sobre as minhas mãos traspassadas a vossa oração, e a elevarei até o Pai. Ela se tornará uma hóstia de preço infinito. A minha voz, misturada com a vossa, subirá como um beijo filial ao Pai, e a púrpura das minhas feridas tornará precioso o vosso rezar. Permanecei em Mim, se quereis que o Pai permaneça em vós, convosco, por vós.

44.15

Terminaste a narração dizendo: “por nós…”, e querias dizer: “Por nós que somos tão ingratos para com estes Dois que subiram ao Calvário por nós.” Fizeste bem em colocar estas palavras. Coloca-as cada vez que Eu te fizer ver uma das nossas dores. Sejam como um sino que toca e que chama, convidando a meditar e a arrepender-se.

Agora basta. Repousa. A paz esteja contigo.

EMF 44.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

44.8 É meu desejo alternar as tuas contemplações, e as minhas conseqüentes explicações, com os ditados propriamente ditos, para aliviar o teu espírito, dando-te a bem-aventurança de ver, e também porque assim fica clara a diferença estilística entre o teu modo de compor e o meu.

Além disso, diante de tantos livros que falam de Mim, com tanto toca e retoca, muda e embeleza, estes livros se tornaram irreais, agora Eu desejo dar a quem crê em Mim, uma visão que leve à verdade do tempo da minha vida mortal. Com isso, Eu não fico diminuído, mas ao contrário, me torno maior na minha humildade, que se faz pão por vós, a fim de ensinar-vos a ser humildes e semelhantes a Mim, que fui homem como vós, trazendo Comigo, na minha veste de homem, a perfeição de um Deus. Eu devia ser vosso Modelo, e os modelos devem ser sempre perfeitos.

Não terei nas contemplações uma linha cronológica correspondente à dos Evangelhos. Tomarei os pontos que Eu achar mais úteis naquele dia para ti ou para os outros, seguindo uma linha minha de ensinamento e de bondade.

EMF 44.15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

44.15 Terminaste a narração dizendo: “por nós…”, e querias dizer: “Por nós que somos tão ingratos para com estes Dois que subiram ao Calvário por nós.” Fizeste bem em colocar estas palavras. Coloca-as cada vez que Eu te fizer ver uma das nossas dores. Sejam como um sino que toca e que chama, convidando a meditar e a arrepender-se.

Detalhe

Maria escreve sobre a partida de Jesus de Nazaré, no início da sua vida pública, e o escritor termina a visão com estas palavras: "Ele acaba de iniciar o seu caminho de evangelização, que terminará no Gólgota. Maria, em lágrimas, regressa e fecha a porta. Também ela acabava de iniciar o caminho que a conduzirá ao Gólgota. E por nós...". Jesus comenta depois estas palavras.

Palavras-chave

EMF 45

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

João baptiza no Jordão. Maria ouve-o pregar à multidão. Entretanto, Jesus chegou de uma forma muito simples, sem se mostrar ao seu precursor. Mas o Precursor parece pressentir algo e vira-se para o primo. Vai imediatamente ter com o seu Senhor e proclama que ele é o Cordeiro de Deus. Tudo se passa então como nos diz o Evangelho. Jesus dá então um ditado, dizendo que João não precisa de sinais. No entanto, houve uma série de manifestações de Cristo, para que a sua natureza de Homem-Deus não pudesse ser negada pelos seus contemporâneos.