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Notas do tema

Obras de Maria Valtorta

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EMF 39

O Evangelho como me foi revelado

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A Virgem prepara as vestes de Jesus com Maria de Alfeu. Ela tinge-lhe as roupas. Parece que obteve a cor graças ao seu bordado e que este presente veio de Roma. Em todo o caso, a Mãe de Cristo agradece à sua parente pela sua ajuda e declara que Jesus é como o seu filho.

A visão pára e recomeça mais tarde. Maria descreve Jesus aos doze anos de idade. Está com os seus pais e familiares, rodeado e amado. Maria pede a José que o abençoe, para que o seu filho se fortaleça com ele e para que ela aprenda a separar-se um pouco mais dele. José garante-lhe que a relação entre eles não vai mudar e que não vai competir com ela por esse Filho que lhes é tão querido. Maria beija a mão de José, num gesto cheio de afeto, e o patriarca da Sagrada Família abençoa-os a ambos. Depois, puseram-se a caminho...

EMF 39.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

39.1 Tive Dele uma promessa. Eu lhe dizia:

– Jesus, como eu eu gostaria de ver a cerimônia da tua maioridade!

Ele me disse:

– Será a primeira coisa que Eu te darei, logo que pudermos estar “nós”, sem que se perturbe o mistério. Colocarás aquela cena depois da cena de minha mãe, minha mestra e mestra de Judas e Tiago, que te fiz ver recentemente (29-10). E a colocarás entre esta e a Disputa no Templo.

Palavras-chave

EMF 40

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

A Sagrada Família dirige-se ao Templo de Jerusalém. Depois de rezar, José e Jesus dirigem-se a uma sala onde Jesus é examinado por doutores da Lei. José apresenta-lhes o seu Filho e, em seguida, os homens dirigem-se ao Menino. Ele dá o seu nome e diz que sabe ler os símbolos e o verdadeiro sentido das Escrituras. Ouvindo-o, os doutores recomendaram a José que o confiasse a Hilled ou Gamaliel.

Cristo foi obrigado a ler uma parte do Decálogo. Teve de continuar de cor e, de cada vez que pronunciava o nome do Senhor, fazia uma vénia. Disse que, se nos curvamos perante os reis da terra, que não passam de pó, devemos curvar-nos ainda mais perante o Rei dos Reis, de quem depende toda a criatura.

Foi-lhe então feita uma pergunta sobre a lei do sábado e a santificação das festas. A galinha que põe um ovo ou a ovelha que dá à luz nesse dia comete um pecado? Não, porque o animal obedece às leis do Criador e não comete pecado. Se o homem o faz trabalhar no sábado, é o seu dono que carrega o seu pecado.

Os médicos ficaram impressionados. Fizeram-lhe uma última pergunta, pedindo-lhe que lesse uma passagem do segundo livro das Crónicas. Esta passagem, que se passa alguns séculos antes, fala do escriba Safã. Ele lê um livro do sacerdote Elquias diante do rei e rasga as suas vestes porque o povo já não segue as instruções do Senhor e a sua cólera é grande. Há algum símbolo neste texto? Jesus responde que é raro que não haja, e diz que o que é eterno não deve ser circunscrito no tempo. A Palavra declara que Israel já não tem a sabedoria que vem de Deus, apesar dos seiscentos e treze preceitos, pois conhece-os mas já não os põe em prática.

Os médicos declaram que a criança é perfeita e maior de idade. A festa termina e José e Jesus voltam para junto de Maria.

EMF 41

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está sozinho em Jerusalém. Maria viu-o a olhar numa determinada direção, mas a visão foi muito breve. A visão recomeça mais tarde e a mística descobre o interior do Templo. Estavam lá doutores da Lei, incluindo Gamaliel, Hillel e Shammai, que discutiam a profecia de David e do Messias. Os dois primeiros defendiam que o Salvador já estava na Terra, enquanto o outro afirmava que a escravatura de Israel só tinha aumentado e que "a paz que deveria ser trazida por aquele a quem os profetas chamam 'o Príncipe da Paz' está longe de reinar sobre o mundo". Jesus intervém e declara que Gamaliel tem razão. Perguntam-lhe em que é que se baseiam e, durante algum tempo, as personagens falam da Natividade e do massacre dos Inocentes. Depois, Hillel pergunta de onde vem a sabedoria do rapaz e querem examiná-lo devidamente. É-lhe dado um pergaminho e surge o tema do Precursor. Jesus diz que ele já está na terra e que em breve precederá Cristo. Além disso, o Filho de José profetiza sobre o Reino de Deus e a realeza de Cristo, que é inteiramente espiritual. Disse mesmo que o santuário de Deus não seria mais cortado e destruído, e Hillel compreendeu as suas palavras citando outra passagem do livro de Ageu.

Gamaliel fala-lhe então da Paz de que fala o profeta e Jesus responde-lhe com as palavras do Glória: "Paz aos homens de boa vontade". Mas Israel não tem essa boa vontade, pelo que não terá a Paz e rejeitará o seu Messias. Por fim, Jesus regressa de novo ao Precursor, na sequência de uma observação de Shammai, dizendo que ele precederá em breve o Cristo. Termina dizendo que, se todos fossem como Hillel, a salvação chegaria a Israel. Hillel oferece-se para ficar com ele, mas o Menino diz que deve permanecer na solidão. E assim termina a visão.

Maria explica então como soube quem eram Hillel e Gamaliel (graças à voz do seu conselheiro interior). Por fim, Jesus dá um ditado sobre a recuperação de Jesus e Maria no Templo e a dor de Maria e José. Volta à famosa pergunta: "Meu filho, porque nos fizeste isto?"

EMF 41.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

41.10 Aqui eu teria que dizer duas coisas, que lhe interessam com certeza, e que eu havia decidido escrever, logo que saísse da visão. Mas, como há outra coisa mais urgente, escreverei aquilo depois.

[…].

O que queria lhe dizer no começo é isto.

Ela hoje me perguntou como foi que eu pude saber os nomes de Hilel, de Gamaliel e de Shamai.

Foi a voz, que eu chamo de “segunda voz”, que me disse estas coisas. Uma voz ainda menos audível do que a do meu Jesus e dos outros que ditam para mim. Estas são vozes, como já lhe disse e repito, que o meu ouvido espiritual percebe iguais a vozes humanas. Eu as ouço doces ou iradas, fortes ou suaves, risonhas ou tristes. Como se alguém falasse bem perto de mim. Esta “segunda voz” é como uma luz, uma intuição que fala no meu espírito. “No”, e não “ao” meu espírito. É uma indicação.

Assim é que, enquanto eu ia me aproximando do grupo dos disputantes, e não sabia quem era aquele ilustre personagem que, ao lado de um velho, disputava com tanto calor, este “alguém” me disse: “Gamaliel – Hilel”. Sim. Primeiro Gamaliel, depois Hilel. Não tenho dúvidas. Enquanto eu pensava quem seriam esses homens, o indicador interno me indicou o terceiro antipático indivíduo, exatamente enquanto Gamaliel o chamava pelo nome. assim é que eu pude ficar sabendo quem era este de aspecto farisaico.

Palavras-chave

EMF 41.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O que queria lhe dizer no começo é isto.

Ela hoje me perguntou como foi que eu pude saber os nomes de Hilel, de Gamaliel e de Shamai.

Foi a voz, que eu chamo de “segunda voz”, que me disse estas coisas. Uma voz ainda menos audível do que a do meu Jesus e dos outros que ditam para mim. Estas são vozes, como já lhe disse e repito, que o meu ouvido espiritual percebe iguais a vozes humanas. Eu as ouço doces ou iradas, fortes ou suaves, risonhas ou tristes. Como se alguém falasse bem perto de mim. Esta “segunda voz” é como uma luz, uma intuição que fala no meu espírito. “No”, e não “ao” meu espírito. É uma indicação.

Assim é que, enquanto eu ia me aproximando do grupo dos disputantes, e não sabia quem era aquele ilustre personagem que, ao lado de um velho, disputava com tanto calor, este “alguém” me disse: “Gamaliel – Hilel”. Sim. Primeiro Gamaliel, depois Hilel. Não tenho dúvidas. Enquanto eu pensava quem seriam esses homens, o indicador interno me indicou o terceiro antipático indivíduo, exatamente enquanto Gamaliel o chamava pelo nome. E assim é que eu pude ficar sabendo quem era este de aspecto farisaico.

Detalhe

Maria vê a cena da ressurreição final (ressurreição da carne), que menciona no final do parágrafo. Ela explica a intervenção do seu conselheiro interior nesta visão, assim como na visão do diálogo de Jesus com os doutores, quando ele tinha doze anos. Uma vez que uma parte deste texto foi suprimida na nova edição, foi reescrita aqui.

EMF 41.11-13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

[…].

– Voltemos muito, muito atrás. Voltemos ao Templo, onde Eu, aos doze anos, estou disputando. Ou melhor, voltemos às ruas que levam a Jerusalém, e de Jerusalém ao Templo.

Vê a angústia de Maria, quando, tendo-se reunido às filas dos homens e das mulheres, viu que Eu não estava com José.

Ela não levanta a voz, em ásperas repreensões contra o esposo. Todas as mulheres o teriam feito. Vós o fazeis por muito menos, esquecendo-vos de que o homem é sempre o chefe da casa. Mas a dor que transparece no rosto de Maria, magoa José, mais do que qualquer repreensão. Maria não se abandona a cenas dramáticas. Vós, por muito menos, o fazeis, pois gostais de ser notadas, e feitas alvos de compaixão. Mas a dor contida de Maria é tão evidente, pelo tremor que a toma, pelo rosto que empalidece, pelos olhos que se dilatam, que comove mais do que qualquer cena de pranto e de clamor.

Não sente mais cansaço, nem fome. O caminho foi longo e, depois de tantas horas, não tomou nenhum alimento! Mas ela deixa tudo. Tanto a enxerga, que está sendo arrumada, como a comida que ia ser distribuída. Volta atrás. É tarde, a noite desce. Não importa. Cada passo que dá leva-a de volta a Jerusalém. Faz parar as caravanas e os peregrinos. Pergunta a todos. José a segue e a ajuda. Um dia de caminho, voltando, e depois uma penosa busca pela cidade.

Onde, onde poderá estar o seu Jesus? E Deus permite que ela não saiba, durante tantas horas onde é que devia ir me procurar. Procurar um menino no Templo, seria uma coisa sem sentido. Que teria um menino ido fazer no Templo? No máximo, teria se perdido na cidade, e se tivesse voltado para dentro do Templo, levado pelos seus pequenos passos, sua voz chorosa teria chamado pela mãe atraindo a atenção dos adultos, dos sacerdotes, os quais teriam providenciado para que se procurassem os pais dele, por meio de avisos colocados nas portas. Mas não havia nenhum aviso. Ninguém na cidade sabia desse Menino. Bonito? Loiro? Robusto? Mas há tantos assim! Era muito pouco para se poder dizer: “Eu o vi. Estava em tal ou tal lugar!”

41.12

Três dias depois, símbolo de outros três dias de futura angústia, eis que Maria, exausta, penetra no Templo, percorre os pátios e os vestíbulos. Nada. Corre, corre a pobre mãe, no rumo de onde lhe pareceu vir uma voz de menino. E, até os cordeiros, que estão balindo, lhe parecem o pranto do Filho, que está procurando. Mas Jesus não está chorando. Ele está ensinando. Neste momento, Maria ouve, do outro lado de uma barreira de pessoas, a querida voz, que diz: “Estas pedras tremerão…” Ela tenta atravessar a multidão, e só o consegue, depois de muito esforço. Aqui está o Filho, de braços abertos, em pé entre os doutores.

Maria é a Virgem prudente. Mas desta vez a angústia venceu a sua reserva. É como um dique, que enfrenta o que vier. Ela corre até o Filho, e o abraça levantando-o do banco, pondo-o no chão, e exclama: “Oh! Por que nos fizeste isto? Há três dias que estamos à tua procura. Tua mãe está para morrer de dor, Filho. Teu pai está exausto de cansaço. Por que Jesus?”

Não se pergunta os “porquês” a Quem sabe os “porquês” de seu modo de agir. Aos chamados não se pergunta “porque”, deixam tudo para seguir a voz de Deus. Eu era a Sabedoria e sabia. Eu fui “chamado” para uma missão, e a estava cumprindo. Acima do pai e da mãe desta terra, está Deus, o Pai divino. Os seus interesses superam os nossos, e seus afetos são superiores a qualquer outro. Eu digo isso a minha mãe.

Termino o ensinamento aos doutores, com o ensinamento a Maria, Rainha dos doutores. E ela nunca mais esqueceu isso. O sol voltou ao seu coração, quando me tomou pela mão, humilde e obediente, mas as minhas palavras também ficaram em seu coração. Muito sol e muitas nuvens passarão pelo céu, durante aqueles vinte e um anos, em que Eu estarei ainda sobre a terra. E muita alegria e muito pranto se alternará em seu coração, por outros vinte e um anos. Mas ela nunca mais me perguntará: “Por que, meu Filho, nos fizeste isto?”

Aprendei, ó homens insolentes!

41.13

Eu expliquei e esclareci a visão, porque tu não estás em condições de fazer mais.

EMF 42

O Evangelho como me foi revelado

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Maria vê o banco do carpinteiro em Nazaré. Jesus está a trabalhar lá. Maria chega e chama o seu Filho: entram num quarto onde José está a morrer. Jesus aproxima-se do seu pai, tenta reanimá-lo e faz com que a sua Mãe se sente. Depois reza ao lado do moribundo e conforta-o. José morre tranquilamente nos seus braços, rodeado pelo seu Filho e pela sua Santíssima Esposa.

Jesus faz então um ditado e insiste no sofrimento de Maria naquele momento, porque ela amava verdadeiramente o seu José. Para encontrar força nesta prova e para dar o seu fiat, ela agarra-se a Jesus. Também ela se agarra a Deus na hora da provação.

Jesus convida-nos a fazer o mesmo e a invocá-lo na hora da nossa morte, porque, entre as suas meias, ela perde toda a sua dureza. Jesus disse por todos nós: "Senhor, nas tuas mãos entrego o meu espírito", por todos aqueles que morrem a pensar nele, para que as nossas agonias sejam aliviadas.

EMF 42.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Poderosamente, esta visão penetra em mim, enquanto eu estou procurando corrigir o fascículo, como também o que me foi ditado sobre as falsas religiões de agora. Vou descrevê-la, à medida que a vou vendo.

Detalhe

De vez em quando, Maria tinha uma visão de uma forma "convincente".

Palavras-chave

EMF 42.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus trabalha com umas grandes tábuas. Está aplainando-as e depois as encosta na parede, atrás de Si. A seguir, pega uma espécie de banco, que está preso dos dois lados no torno, o solta, olha se o trabalho está certo, esquadreja-o em todos os sentidos e, em seguida, vai até a chaminé, pega a panelinha, procurando algo dentro dela, com um pauzinho ou pincel, não sei: só vejo a parte que ficou fora, parecida com um cabinho.

Jesus está com uma veste cor de avelã escura, e sua túnica é um tanto curta, com as mangas arregaçadas acima dos cotovelos e com uma espécie de avental na frente, no qual ele limpa os dedos, depois de ter tocado a panelinha.

Ele está sozinho. Trabalha continuamente, mas com calma. Nenhum­ movimento desordenado, impaciente. É exato e incessante em seu trabalho. Não se aborrece com nada, nem com um nó na madeira que não se deixa aplainar, nem com uma chave de parafusos (assim me parece), que lhe cai duas vezes do banco, nem com a fumaça espalhada, que lhe deve incomodar os olhos.

De vez em quando, Ele levanta a cabeça, e olha para a parede do lado sul, onde há uma porta fechada, como se estivesse escutando alguma coisa. A um dado momento, Ele abre uma porta que está na parede do lado leste, e que dá para a rua. Vejo um pedaço de uma viela poeirenta. Parece que Ele está esperando alguém. Depois, volta ao trabalho. Não está triste, mas está sério. Torna a fechar a porta, e retoma o trabalho.

Detalhe

Desafio: A chave de fendas não existe.

Nota: Relativamente à chave de fendas, a Maria escreve a sua incerteza. Como diz uma nota, "o parafuso e a chave de fendas não existiam na altura".