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Notas do tema

Maria Valtorta e a sua obra

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EMF 29.6-13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Eu te havia prometido que Ele te traria a paz. Estás lembrada da paz que havia em ti nos dias do Natal? De quando me vias com o meu Menino? Aquele era o teu tempo de paz. Agora é o teu tempo de sofrimento. Mas tu o sabes. É no sofrimento que se conquista a paz e toda graça para nós e o próximo. Jesus-Homem revelou-se Jesus-Deus, depois do tremendo sofrimento da Paixão. Revelou-se como a Paz. Paz no Céu, do qual Ele tinha vindo, derramada sobre aqueles que no mundo o amam. Mas, nas horas da paixão, Ele, a Paz do mundo, foi privado dela. Não teria sofrido, se tivesse tido a paz. Mas devia sofrer. Sofrer de modo completo.

29.7 Eu, Maria, redimi a mulher com a minha maternidade divina. Mas isso não foi mais que o início da redenção da mulher. Negando-me a quaisquer esponsais pelo voto de virgindade, eu tinha rejeitado todo prazer de concupiscência, e merecido a graça de Deus. Isso, porém ainda não bastava. Porque o pecado de Eva era uma árvore de quatro ramos: soberba, avareza, gula e luxúria. Todos os quatro deviam ser cortados, a fim de esterilizar a árvore desde as raízes.

29.8 Humilhando-me profundamente, eu venci a soberba.

Humilhei-me diante de todos. Não estou falando da minha humildade para com Deus. Esta é devida ao Altíssimo por toda criatura. O Verbo de Deus a teve. Eu, uma mulher, a devia ter. Mas terás já refletido por quantas humilhações da parte dos homens eu tive que passar, sem me defender de modo nenhum? Até José, que era justo, me havia acusado em seu coração. Os outros, que não eram justos, tinham­ pecado por murmuração a respeito do meu estado, e o baru­lho dessas palavras veio, como uma onda amarga, quebrar-se contra a minha natureza humana.

Foram estas as primeiras das infinitas humilhações que a minha vida, como mãe de Jesus e do genero humano, me fizeram sofrer. Humilhações de pobreza, humilhações de uma fugitiva, humilhações pelas censuras dos parentes e amigos que, não sabendo a verdade, julgavam fraco o meu modo de ser mãe para com o meu Jesus, quando Ele se tornou jovem. Humilhações durante os três anos do seu ministério, humilhações cruéis na hora do Calvário, humilhações até em ter que reconhecer que eu não tinha com que comprar o lugar e os aromas, para a sepultura do meu Filho.

29.9 Eu venci a avareza dos Progenitores, renunciando antecipadamente ao meu Filho.

Uma mãe não renuncia nunca ao seu filho, a não ser que seja forçada. Se essa renúncia for solicitada ao seu coração pela Pátria, pelo amor de uma esposa, ou até pelo próprio Deus, ela sente o desejo de insurgir-se contra a separação. É natural. O filho cresce em nosso ventre, e nunca é completamente cortada a ligação que sua pessoa tem com a nossa. Mesmo depois de cortado o canal vital que é o cordão umbilical, sempre fica um elo espiritual, que nasce no coração da mãe, mais vivo e sensível do que um elo físico, o qual se introduz no coração do filho, esticando até à dor, se o amor de Deus, de uma criatura, da Pátria afasta o filho da própria mãe. Este elo se despedaça, dilacerando o coração, se a morte arrebata o filho de sua mãe.

Eu renunciei ao meu Filho, desde o momento em que O tive. Dei-O a Deus. Dei-O a vós. Eu me despojei do Fruto do meu ventre, para reparar o furto cometido por Eva, do fruto de Deus.

29.10 Eu venci a gula, tanto do saber como do gozar, aceitando saber unicamente o que Deus queria que eu soubesse, sem perguntar a mim mesma nem a Ele nada mais, além do que foi dito. Acreditei sem investigar. Venci a gula do gozar, porque neguei a mim mesma todo sabor de sensualidade. Pus minha carne debaixo dos meus pés. Confinei a carne, instrumento de satanás, colocando satanás debaixo de meu calcanhar, a fim de fazer da carne um degrau para aproximar-me do Céu. O Céu! Ele era a minha meta. Era lá que estava Deus. Deus, a minha única fome. Fome esta que não é gula, mas sim, necessidade abençoada por Ele, o qual quer que a tenhamos.

29.11 Eu venci a luxúria, que é a gula, convertida em voracidade, porque todo vício não contido conduz a um vício maior. A gula de Eva, além de reprovável em si mesma, a conduziu à luxúria. Não lhe bastou procurar a satisfação sozinha. Quis levar o seu delito até uma refinada intensidade, conhecendo e se fazendo mestra de luxúria para o companheiro. Eu inverti os termos e, em lugar de descer, sempre subi. Em lugar de fazer descer, eu sempre atraí para o alto, e do meu companheiro, um homem honesto fiz um anjo.

Agora que eu possuía Deus, e com Ele as Suas riquezas infinitas, apressei-me a despojar-me delas, dizendo: “Que seja feita a tua vontade para Ele e por Ele”. Casto é aquele que se auto contém, não só na carne, mas também nos afetos e nos pensamentos. Eu devia ser a casta, para anular a impudica da carne, do coração e da mente. Não saí da minha reserva, para dizer a respeito do meu único Filho na terra e único Filho de Deus no Céu: “Ele é meu, e eu O quero.”

29.12 Contudo, isso não bastava para obter para a mulher, a paz perdida por Eva. Aquela paz eu vo-la obtive aos pés da Cruz. Ao ver morrer Aquele que tu viste nascer. Ao sentir minhas entranhas sendo arrancadas, ao grito do meu Filho que estava morrendo, fiquei vazia de todo feminismo: não mais carne, mas anjo. Maria, a virgem desposada com o Espírito, morreu naquele momento. Ficou a mãe da graça, aquela que do seu tormento gerou e vos deu a graça a Graça. O gênero da mulher que eu tinha voltado a consagrar na noite de Natal, aos pés da Cruz conseguiu se tornar criatura dos Céus.

Fiz isso por vós, negando-me qualquer satisfação, ainda que santa. Eu fiz de vós, se o desejais, santas de Deus, vós que fostes reduzidas por Eva a fêmeas não superiores às companheiras dos animais. Por vós eu subi. Como fiz com José, eu vos levei para o alto. A rocha do calvário é o meu Monte das Oliveiras. Foi dali que eu tomei o impulso para levar a alma da mulher aos céus, de novo santificada, junto com minha carne glorificada, por ter trazido o Verbo de Deus, e anulado em mim todo vestígio de Eva. Ela foi a última raiz daquela árvore dos quatro ramos venenosos, com a raiz fincada na sensualidade, que arrastou a humanidade à queda e que haverá de morder as vossas entranhas, até ao fim dos séculos, até à última mulher. De lá, de onde agora eu brilho no raio do Amor, eu vos chamo, e vos indico o remédio para vós vencerdes a vós mesmas: a graça do meu Senhor e o sangue do meu Filho.

29.13 E tu, minha porta-voz, repousa a tua alma na luz desta aurora de

Jesus, a fim de que tenhas força para as futuras crucificações, que não te serão poupadas, porque te queremos aqui, para onde se vem através da dor; e para tão mais alto se vem, quanto mais se suporta o sofrimento, a fim de obter graça para o mundo.

Vai em paz. Eu estou contigo”.

EMF 29.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Eu te havia prometido que Ele te traria a paz. Estás lembrada da paz que havia em ti nos dias do Natal? De quando me vias com o meu Menino? Aquele era o teu tempo de paz. Agora é o teu tempo de sofrimento. Mas tu o sabes. É no sofrimento que se conquista a paz e toda graça para nós e o próximo. Jesus-Homem revelou-se Jesus-Deus, depois do tremendo sofrimento da Paixão. Revelou-se como a Paz. Paz no Céu, do qual Ele tinha vindo, derramada sobre aqueles que no mundo o amam. Mas, nas horas da paixão, Ele, a Paz do mundo, foi privado dela. Não teria sofrido, se tivesse tido a paz. Mas devia sofrer. Sofrer de modo completo.

EMF 30

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O anúncio aos pastores, primeiros adoradores do Verbo feito homem.

Data da visão e do ditado: Quarta-feira, 7 de junho de 1944 (Vigília do Corpo de Cristo)

Calendário: Quarta-feira, 11 de dezembro - 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: A visão de Maria começa no campo de Belém. Há uma luz muito brilhante no céu, que atrai a atenção dos animais e das pessoas. Um dos pastores sai e chama os seus companheiros, que ficam intrigados com o fenómeno. Um dos pastores mais novos começa mesmo a chorar, até que recupera a calma e parece cativado por algo: deixa de prestar atenção aos outros e avança. Isso fez os seus companheiros reflectirem e resmungaram um pouco, mas o jovem Levi falou-lhes de uma luz que descia. Depois foi o primeiro a ver um anjo e todos se ajoelharam para receber o servo do Senhor. O mensageiro angélico deu-lhes a feliz notícia do nascimento do Salvador e, em seguida, uma multidão de anjos cantou o Glória. Depois voltaram para o céu, deixando os pastores sozinhos. Mas os pastores não adiaram: puseram-se a caminho em direção ao berço, levando uma bela manta para o Menino e uma ovelha para lhe dar leite quente.

Chegaram... Mas não sabiam como o fazer. Convidaram então o mais novo, Levi, para ver o que se passava. O pastor observa e diz-lhes que a Virgem cuida do seu bebé, que chora de fome e de frio. Os pastores querem que Levi se aproxime, mas o jovem quer que Elias se aproxime, pois já conheceu Maria e José em MTS 28. Os pastores dão-se assim a conhecer e podem adorar a criança. Oferecem-lhe os seus presentes e deixam entrar Elias, que tinha ficado à entrada, sem se atrever a aproximar-se. Jesus pode assim receber leite quente.

Os pastores dizem que a Sagrada Família não pode ficar aqui e prometem ajudá-los e espalhar a notícia do nascimento do Senhor. Quando José lhes chama a atenção para o facto de serem pobres e não os poderem compensar, eles dizem que não querem nada. Pelo contrário, queriam servir o Menino e os seus pais. Quando Maria respondeu às suas perguntas e lhes disse que os seus pais eram Zacarias e Isabel, Elias ofereceu-se para ir ter com ele e dizer-lhe que Maria de Nazaré lhe tinha pedido para vir a Belém.

Por fim, cada pastor apresenta-se pelo seu nome e retira-se... deixando o seu coração, como explica Maria Valtorta.

Jesus faz então um ditado e declara que os pastores são os primeiros adoradores da Palavra. Eles têm todas as qualidades necessárias para serem almas eucarísticas, pois têm uma fé definida, generosidade, humildade, desejo, obediência pronta e, por fim, amor. Finalmente, Cristo sublinha que aqueles que têm alma de criança, como Levi, sabem ver Deus mais claramente e têm mais coragem de recorrer a Maria. Convida-nos a rezar a Maria, pois quem vai a Maria encontra-O e quem O pede a Maria recebe-O através da sua Mãe.

Conteúdo do capítulo: 30.1: Uma lua deslumbrante no campo. 30.2: Um pastor atraído por uma luz mais brilhante. 30.3: Um anjo aparece e fala aos pastores. 30.4: Uma multidão de anjos canta o Glória. 30.5: O pastor do dia anterior aponta para a manjedoura. 30.6: O que o jovem pastor vê por detrás do manto à entrada. 30.7: A pele de uma ovelha e o leite quente são apresentados. 30.8: Elias vai encontrar uma casa e avisa Zacarias. 30.9: Os doze pastores dão os seus nomes e beijam a criança. 30.10: Louvor para os pastores. 30.11: Aquele que vai ter com Maria encontra-me.

EMF 30.10-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Hoje sou Eu que falo. Estás muito cansada, mas tem ainda um pouco de paciência.

Estamos na vigília de Corpus Christi. Eu poderia falar-te da Eucaristia e dos santos que se fizeram apóstolos do seu culto, assim como já te falei[1] dos santos que foram apóstolos do Sagrado Coração. Mas eu quero falar-te de uma outra coisa e de uma categoria de adoradores do meu Corpo, precursores do culto a Ele prestado. Os pastores são os primeiros adoradores do meu Corpo de Verbo feito Homem.

Uma vez Eu te disse isto, que é dito também pela minha Igreja. Os Santos Inocentes são os protomártires de Cristo. Agora te digo que os pastores são os primeiros adoradores do Corpo de Deus. Neles se encontram todos os requisitos exigidos para vos tornardes adoradores do meu Corpo, ó almas eucarísticas.

Fé firme: eles crêem pronta e cegamente no anjo.

Generosidade: eles dão toda a sua riqueza ao Senhor.

Humildade: eles se aproximam dos que humanamente são mais pobres do que eles, com uma modéstia tal em seus atos, que não rebaixam os pobres, mas se confessam seus servos.

Desejo: tudo o que não podem dar por si mesmos, esforçam-se para encontrá-lo com apostolado e fadiga.

Prontidão na obediência: Maria deseja que Zacarias seja avisado e Elias vai sem demora, sem pedir nenhum prazo.

Amor: enfim, eles não sabem como afastar-se, e tu dizes: “deixam alí o coração.” E dizes bem.

Não seria necessário fazer assim também com o meu Sacramento?

30.11 Uma outra coisa, e essa é toda para ti: observa bem, a quem o anjo primeiro se revela, e quem merece ouvir as efusões de Maria? O menino Levi.

A quem tem alma de criança, Deus Se mostra e a Seus mistérios, permitindo-lhe ouvir as palavras divinas e as palavras de Maria. Quem tem alma de criança, tem também a santa coragem de Levi, para dizer: “Deixa-me beijar o vestidinho de Jesus.” Isto ele diz a Maria. Porque é sempre Maria que vos dá Jesus. Ela é a portadora da Eucaristia. Ela é a píxide viva.

Quem vai a Maria, Me encontra. Quem me pede a ela, recebe. O sorriso de minha mãe, quando uma criatura lhe diz: “Dá-me o teu Jesus, para que eu o ame”, faz que os céus mudem de cor, em um mais vivo esplendor de alegria, pois tal é a altura do grau da sua felicidade.

Diz-lhe, pois: “Deixa-me beijar a veste de Jesus. Deixa-me beijar as suas chagas.” Procura ter coragem para dizer ainda mais que isso. Diz assim: “Deixa-me repousar a cabeça sobre o Coração do teu Jesus, para que isso me faça feliz.”

Vem. E repousa. Como Jesus no berço, entre Jesus e Maria.

EMF 31

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A visita de Zacarias. A santidade de José e a obediência aos sacerdotes.

Data da visão e do ditado: Quinta-feira 8 de junho de 1944 (Corpus Christi)

Calendário: Segunda-feira 30 de dezembro de 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Zacarias chega a Belém. José vem recebê-lo, porque Maria está a dar leite a Jesus. O carpinteiro pede notícias de João, que está a crescer muito bem, mas tem problemas de dentição: por isso não o levou consigo. Isabel também não veio, não só para cuidar do filho, mas também porque está muito frio. José compreendeu e descreveu ao sacerdote as condições difíceis que tinham vivido após o nascimento de Jesus. Como disse o marido de Maria, em Nazaré estava tudo pronto, mas aqui não tinham nada.

A Virgem chega entretanto e apresenta o Menino, depois de cumprimentar o sacerdote. Zacarias adora Jesus com o maior respeito. O velho dá então presentes seus e de Isabel. A Imaculada Conceição lamenta não ter podido vir com João, e Zacarias assegura-lhe que os verá em breve. De facto, o velho achava que deviam viver em Belém, para que, quando chegasse a altura, ele fosse melhor aceite pelo Sinédrio e para que Zacarias pudesse ser o seu mestre.

José e Maria olham um para o outro e não concordam particularmente com a visão de Zacarias. Um pensa no seu trabalho, o outro na sua casa e em tudo o que deixaram para trás. É o que diz Maria, tanto mais que é difícil ir buscar as suas coisas, pois não têm casa para guardar tudo em Belém. Acima de tudo, Maria pensava em José e José pensava em Maria. No entanto, o seu casto marido estava disposto a trabalhar o dobro se fosse por Jesus.

Maria tenta finalmente objetar uma última vez, lembrando que o Messias se chamaria Nazareno, mas Zacarias não dá ouvidos à razão e os santos pais acatam os seus desejos...

Maria dá, então, um ditado sobre a santidade de José, que não se importava de trabalhar mais, de renunciar a tudo, se fosse pelos seus dois tesouros: Maria e José. Depois, fala de Zacarias, que é sacerdote, mas cujo coração está menos virado para o Céu do que o de José. Zacarias pensa humanamente e julga saber mais do que Maria, ao ponto de poder servir de mestre do Mestre. É claro que Maria se opõe ao que ele diz e poderia ter triunfado na conversa, mas retira-se por causa da dignidade do sacerdote.

Depois de ter salientado que um padre é geralmente iluminado por Deus, Maria sublinha finalmente que obedecer salva sempre, mesmo que o conselho que se recebe não seja absolutamente perfeito. Ficar em Belém e na Judeia foi bom quando se deu a fuga para o Egito: de Nazaré, teria sido muito mais difícil.

Para concluir, Maria ensina-nos que o respeito pelo sacerdote é sempre um sinal de boa formação cristã. Mesmo que percam a chama apostólica, são eles que fazem descer o Pão do Céu, e este contacto torna-os "santos como um cálice sagrado". Devemos, portanto, considerá-los como tal e rezar por eles se as suas almas estiverem paralisadas e doentes. Devemos rezar a Cristo pela sua santificação, porque salvar uma alma sacerdotal "é salvar muitas almas".

Conteúdo do capítulo: 31.1: Chegada de Zacarias sozinho, a quem José conta os acontecimentos da Natividade. 31.2: "A hóstia" nos braços de Zacarias. 31.3: Presentes de Isabel para a criança. 31.4: O Messias deve crescer em Belém. 31.5: Zacarias convence o casal a estabelecer-se em Belém. 31.6: A santidade de José. 31.7: Zacarias contra José. 31.8: Os verdadeiros sacerdotes e os outros. 31.9: A obediência salva sempre. 31.10: O respeito pelo sacerdote é sempre um sinal de integridade cristã.

EMF 31.6-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, Maria diz:

– Tu o compreendes! Eu sei. Mas me verás chorar mais fortemente ainda.

Por ora, eu te alivio o espírito, mostrando-te a santidade de José, que era homem, ou seja, que não tinha outra ajuda para o seu espírito, senão a sua santidade. Eu tinha todos os dons de Deus, na minha condição de imaculada. Embora não o soubesse, na minha alma esses dons eram ativos e me davam forças espirituais. Mas ele não era imaculado. A natureza humana estava nele com todo o seu peso grave, e ele devia erguer-se para a perfeição com todo aquele peso, à custa de contínua fadiga de todas as suas faculdades, para poder alcançar a perfeição e ser agradável a Deus.

Oh! Meu santo esposo! Santo em todas as coisas, até nas mais humildes coisas da vida. Santo, pela sua castidade de anjo. Santo pela sua honestidade de homem. Santo pela sua paciência, pela sua operosidade, pela sua serenidade sempre igual, pela sua modéstia, por tudo.

Sua santidade brilha também neste acontecimento. Um sacerdote lhe diz: “É bom que tu te estabeleças aqui”, e ele, mesmo sabendo quão maior será a fadiga que irá encontrar, diz: “Para mim não é nada. Penso na dor de Maria. Se não fosse por isso, por mim eu não me afligiria. Basta que isso seja útil a Jesus.” Jesus e Maria são os seus angélicos amores. Não amou nada mais sobre a terra, este meu santo esposo. E desse amor, ele mesmo se fez servo.

Já o fizeram protetor das famílias cristãs e dos trabalhadores, e de muitas outras categorias. Mas, não somente dos agonizantes, dos esposos, dos operários; deveria-se fazê-lo protetor, também dos consagrados. Qual entre os consagrados da terra, a serviço de Deus, seja ele qual for, se terá consagrado assim a serviço do seu Deus, aceitando tudo, renunciando a tudo, suportando tudo, cumprindo tudo prontamente, com espírito alegre, com um humor constante, como ele fez? Não, não há.

31.7 Eu te faço observar uma outra coisa, ou melhor, duas.

Zacarias é um sacerdote. José não é. Mas observa bem como aquele que não é sacerdote tem o espírito no Céu, mais que o próprio sacerdote. Zacarias pensa humanamente, interpretando assim as Escrituras, porque não é a primeira vez que faz isso, e se faz guiar pelo bom senso humano. Por isso ele foi castigado. Aqui ele está tendo uma recaída, ainda que menos grave. Ele havia dito sobre o nascimento de João: “Como vai poder acontecer isso, se eu já estou velho, e minha mulher é estéril?”. Agora ele está dizendo: “Para tornar mais fácil a sua missão, o Cristo deve crescer aqui” e, com aquela pequena raiz de orgulho, que persiste até nos melhores, pensa em poder ser ele útil a Jesus. Não útil como quer ser José, servindo-o, mas útil, fazendo-se mestre dele… Deus o perdoou pela boa intenção. Mas tinha, por acaso, o “Mestre” necessidade de ter mestres?

Eu procurei fazê-lo ver a luz nas profecias, mas ele se julgava mais douto do que eu, e usava esse seu julgamento a seu modo. Eu teria podido insistir e vencer. Mas — e aqui está a segunda observação que desejo que faças — eu respeitei o sacerdote pela sua dignidade, e não pelo seu saber.

31.8 O sacerdote é, geralmente, sempre iluminado por Deus. Disse “geralmente” porque ele deve ser um verdadeiro sacerdote. Não é a veste que consagra, é a alma. Para se julgar se alguém é verdadeiro sacerdote, é necessário julgar o que sai de sua alma. Como disse o meu Jesus, é da alma que saem as coisas que santificam ou contaminam, aquelas coisas que informam todo o modo de agir de um indivíduo. Pois bem, quando alguém é um verdadeiro sacerdote, é geralmente inspirado por Deus. Quanto aos outros, é preciso que se tenha uma caridade sobrenatural, e que se reze por eles.

Mas meu Filho te colocou a serviço desta redenção, e não digo mais nada. Sê alegre, ao sofrer, para que aumentem os verdadeiros sacerdotes. E tu, repousa na palavra de quem te guia. Crê e obedece ao seu conselho.

31.9 Obedecer salva sempre. Ainda quando não é bem perfeito o conselho que se recebe.

Tu estás vendo. Nós obedecemos. E tudo correu bem. É verdade que Herodes se limitou a fazer exterminar os meninos de Belém e dos arredores. Mas satanás não teria podido impelir e propagar estas ondas de rancor até bem mais longe, persuadindo todos os poderosos da Palestina a igual delito, para fazer suprimir o futuro Rei dos judeus? Certamente teria podido. Teria acontecido nos primeiros tempos de Cristo, quando a repetição dos prodígios havia despertado a atenção das multidões e os olhos dos poderosos. Como teríamos podido, então, se isso tivesse acontecido, atravessar toda a Palestina, para vir da longínqua Nazaré até o Egito, a terra hospitaleira aos hebreus perseguidos,carregando um bebê recém nascido, e enquanto a perseguição se enfurecia? Foi muito mais fácil a fuga por Belém, ainda que sendo uma fuga igualmente dolorosa.

A obediência salva sempre. Lembra-te disso.

31.10 O respeito ao sacerdote é sempre sinal de formação cristã. Ai! — foi Jesus que o disse — ai dos sacerdotes que perdem sua chama apostólica! Mas ai também de quem acha que lhe é lícito desprezá-los! Porque são eles que consagram e distribuem o Pão verdadeiro que desce do Céu. Aquele contato os torna santos como um cálice consagrado, mesmo se não são santos. Eles terão que responder a Deus por isso. Vós, considerai-os como tais, e não vos preocupeis com outras coisas. Não sejais mais intransigentes do que o vosso Senhor Jesus, o qual, por ordem deles deixa o Céu, e desce para ser elevado por suas mãos. Aprendei com Ele. Se eles são cegos, se são surdos, se têm a alma paralítica e o pensamento doente, se são leprosos por muitas culpas em contraste com a sua missão, se são Lázaros em seu sepulcro, chamai a Jesus para que os cure e ressuscite.

Chamai-o com a vossa oração e com o vosso sofrimento, ó almas vítimas. Salvar uma alma é predestinar a própria alma ao Céu. Mas, salvar uma alma sacerdotal é salvar um grande número de almas, porque todo sacerdote santo é uma rede que arrasta almas para Deus. Salvar um sacerdote, ou seja, santificar, santificar de novo, é criar essa mística rede. Tudo o que cair nessa rede é uma luz que se acrescenta à vossa eterna coroa.

Vai em paz.

Detalhe

Maria acaba de assistir ao encontro entre Zacarias, José e Maria. O sacerdote aconselha-os a ficarem em Belém e eles obedecem. A visão termina com as lágrimas de Maria, que depois lhe dá um ditado.

EMF 31.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Tu, repousa na palavra de quem te guia. Crê e obedece ao seu conselho.

Detalhe

disse Maria a Maria:

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