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Notas da palavra-chave

Alphée de Sarah

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EMF 2.1-5 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

2.1 Vejo o interior de uma casa. Nela está sentada, junto a um tear, uma mulher de idade. Diria, ao vê-la com os cabelos antes pretos, agora grisalhos, e no rosto não enrugado mas já cheio daquela seriedade que vem com os anos, que ela possa ter entre cinqüenta e cinqüenta e cinco anos. Não mais.

Ao indicar estas idades femininas me baseio no rosto de minha mãe, cuja imagem tenho mais que nunca presente nestes dias que me lembram os seus últimos dias junto ao meu leito… Depois de amanhã fará um ano que não a vejo mais… Minha mãe tinha um rosto jovial, sob os cabelos precocemente embranquecidos. Aos cinqüenta anos eram brancos e pretos como no fim de sua vida. Mas, exceto a maturidade do olhar, nada denunciava os seus anos. Por isso poderia errar também ao dar às mulheres idosas um certo número de anos.

Esta que vejo tecer, em uma sala toda clara de luz, que penetra da porta escancarada sobre um grande pomar — diria, um sitiozinho, porque se estende num sobe e desce, até uma encosta verde — é bonita em seus traços decididamente hebreus. Olhos negros e profundos que, não sei porquê, me lembram os de João Batista. Mas este olhar sendo altivo como de uma rainha, é doce também. Como se sobre o seu coruscar semelhante ao de uma águia fosse estendido um tênue véu azul. Doce e apenas um pouco triste, como de quem pensa, e lamenta, as coisas perdidas. A tez é morena, mas não excessivamente. A boca, levemente grande, é bem desenhada, e está parada num gesto austero que porém não é duro. O nariz é comprido e delicado, levemente inclinado para baixo. Um nariz aquilino que fica bem com aqueles olho¬s. É robusta, mas não gorda. Bem proporcionada e creio que alta, a julgar de como aparece sentada.

Parece-me que está tecendo uma cortina ou um tapete. As lançadeiras multicolores correm rápidas sobre a trama que é marrom escuro, e o que já está feito mostra um vago entrelaçamento de galões e rosáceas nos quais verde, amarelo, vermelho e azul profundo se cruzam e se fundem como em um mosaico. A mulher está vestida com uma roupa muito simples e escura. Um roxo-avermelhado que parece igual a alguns amores-perfeitos.

2.2 Levanta-se ao ouvir bater à porta. É alta realmente. Abre.

Uma mulher lhe pede:

– Ana, queres dar-me a tua ânfora? Eu a encherei para ti.

A mulher tem consigo um menininho travesso de cinco anos que se pendura imediatamente nos vestidos da nominada Ana, que o acaricia enquanto vai em um outro cômodo e retorna com uma bonita ânfora de cobre, que oferece à mulher dizendo:

– Tu és sempre boa, com a velha Ana. Deus te recompense por isto e pelos filhos que tens e terás, tu bem-aventurada!

Ana suspira.

A mulher a olha e não sabe o que dizer por aquele suspiro; para desviar a compaixão, que se compreende existe, diz:

– Eu te deixo Alfeu, se não te aborreces, assim posso andar mais depressa e te encherei muitas moringas e jarras.

Alfeu está bem alegre de ficar, e explica-se o motivo. Tendo ido embora a mãe, Ana o pega no colo e o leva ao pomar, o levanta até uma parreira de uvas loiras como topázio e diz:

– Come, come, que são gostosas.

E o beija no rostinho sujo de suco de uva, que o menino arranca avidamente do cacho.

Depois ri com gosto, e parece imediatamente mais jovem por causa dos dentes bonitos que aparecem e pela alegria que lhe cobre o rosto, anulando os anos, quando o menino diz:

– E agora o que me dás?

Ele a olha com dois olhos grandes arregalados de um cinzento azul escuro.

Ela ri e brinca inclinando-se sobre os joelhos, dizendo:

– O que me dás se te dou… se te dou… adivinha!

O menino, batendo as mãozinhas, diz todo risonho:

– Beijos, beijos te dou, Ana bonita, Ana boa, Ana mamãe!…

Ana, ouvindo dizer: “Ana mamãe”, dá um verdadeiro grito de afeto jubiloso e se abraça contra o pequenino, dizendo:

– Oh que alegria! Querido! Querido! Querido!

A cada “querido” um beijo desce sobre a pequena face rósea. E depois vão a uma estante, e vai tirando de um prato pãezinhos de mel.

– Fiz os pãezinhos para ti, beleza da pobre Ana, para ti que me queres bem. Mas, diz-me, quanto me queres bem?

E o menino, pensando naquilo que mais o impressionou, diz:

– Tanto quanto amo o Templo do Senhor.

Ana o beija ainda sobre os olhinhos espertos, sobre a boquinha vermelha, e o menino a toca de leve como um gatinho.

A mãe vai e vem com o cântaro cheio e ri sem dizer nada. Ela os deixa ao seu entusiasmo.

2.3 Entra do pomar um homem ancião, um pouco mais baixo que Ana, com uma cabeça de cabelos espessos todos brancos. Um rosto claro, de barba aparada, com dois olhos azuis como turquezas entre cílios de um castanho claro quase loiro. Está vestido de marrom escuro.

Ana não o vê porque virou-se de costas à porta, e ele vem atrás dela dizendo:

– E a mim nada?

Ana vira-se e diz:

– Oh Joaquim! Terminastes o teu trabalho?

Ao mesmo tempo, o pequeno Alfeu lhe abraça os joelhos dizendo:

– A ti também, a ti também!

Quando o ancião se inclina e o beija, o menino cinge-lhe o pescoço despenteando-lhe a barba com as mãozinhas e com beijos.

Joaquim também tem o seu presente. Tira de trás das costas a mão esquerda e lhe oferece uma maçã tão bonita que parece de cerâmica. Rindo diz ao menino, que estende as mãozinhas avidamente:

– Espera que a corto em fatias para ti. Assim não podes. É maior do que tu!

Com um canivete que carrega à cintura, uma faca de podador, a corta em fatias, parecendo dar de comer a um passarinho no ninho, tal é o cuidado com que coloca os bocados na boquinha aberta que mastiga e mastiga.

– Mas olha só que olhos, Joaquim! Não parecem dois pedacinhos do mar da Galiléia, quando o vento da noite lança um véu de nuvem no céu?

Ana fala apoiando uma mão nas costas do marido e apoiando-se também levemente a si mesma, num gesto que revela um profundo amor de esposa, um amor intacto, depois de muitos anos de casamento.

Joaquim a olha com amor e concorda dizendo:

– Maravilhosos! E aqueles caracoizinhos? Não têm a cor da palha que o sol secou? Olha: entre eles há uma mistura de ouro e cobre.

2.4 – Ah! Se tivéssemos tido um menino, teria querido assim, com estes olhos e estes cabelos…

Ana está inclinada, aliás, ajoelhada e com um grande suspiro, beija os dois grandes e belos olhos cinza-azulados.

Joaquim também suspira. Mas quer consolá-la. Coloca-lhe a mão sobre seus cabelos crespos e embranquecidos e lhe diz:

– Convém ainda esperar. Deus tudo pode. Enquanto se é vivo, o milagre pode acontecer, especialmente quando se ama e se é amado.

Joaquim frisa muito as últimas palavras.

Mas Ana calada, desalentada, está com a cabeça inclinada para não mostrar duas lágrimas que descem, e que somente o pequeno Alfeu vê; admirado e angustiado por ver a sua grande amiga chorar, como faz algumas vezes, levanta a mãozinha e enxuga aquele pranto.

– Não chores Ana! Somos felizes assim mesmo. Ao menos eu sou, porque tenho a ti.

– Eu também. Mas não te dei um filho… Penso que desagradei ao Senhor, já que me secou as entranhas…

– Oh minha mulher! Em que tu, santa, queres ter-lhe desagradado? Escuta. Vamos ainda uma vez ao Templo. Por este motivo. Não só pelos Tabernáculos. Façamos uma longa oração… Talvez te aconteça como com Sara… ou com Ana de Elcana[2]. Muito esperaram, e se acreditavam reprovadas por serem estéreis. Ao invés disso, nos céus de Deus, amadurecia um filho santo para elas. Sorri, minha esposa. O teu pranto me dói mais do que não ter prole… Levaremos Alfeu conosco e o faremos orar, ele que é inocente… Deus ouvirá a sua e a nossa oração, nos atendendo então.

– Sim. Façamos um voto ao Senhor. Será seu o recém-nascido. Contanto que nos conceda… Oh! Ouvi-lo chamar-me “mamãe”!

E Alfeu, espectador admirado e inocente:

– Eu te chamo assim!

– Sim, querida alegria… mas tu tens a tua mamãe e eu… eu não tenho nenhuma criança…

A visão termina aqui.

2.5 Entendo que iniciou o ciclo do nascimento de Maria. E estou muito contente, porque o desejava muito. Penso que também o senhor[3] ficará contente.

Antes que eu começasse a escrever, ouvi a Mãe dizer:

– Filha, escreve então sobre mim. Todo o teu desgosto será consolado.

Enquanto dizia isto, me pousava a mão sobre a cabeça em uma suave carícia. Depois veio a visão. Mas a princípio, ou seja, enquanto não ouvi chamar a senhora de cinqüenta anos por nome, não havia compreendido estar diante da mãe da mãe e por isto da graça do seu nascimento.

EMF 3.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ana suspira. E a outra:

– Sim. Sou pobre, mas os filhos são a nossa alegria e os maiorzinhos já ajudam no trabalho. E tu, senhora (tudo indica que Ana seja de condição mais elevada, pois a outra o notou) quantas crianças tens?

– Nenhuma.

– Nenhuma?! Esta não é tua?

– Não, de uma vizinha muito boa. É o meu conforto…

– Morreram ou…

– Não, nunca as tive.

– Oh!

A pobre mulher a olha com piedade.

Ana se despede com um grande suspiro e vai à sua cabana.

– Eu te fiz esperar, Joaquim! Uma pobre mulher entreteve-me; mãe de seis filhos, imagine! E terá outro!

Joaquim suspira.

O pai de Alfeu chama o seu filho, mas este lhe responde:

– Eu fico com a Ana. Estou ajudando-a.

Todos riem.

– Deixa-o. Ele não me dá aborrecimento. Ainda não está obrigado a observar a Lei. Estando aqui ou ali, ele não passa de um passarinho comilão –diz Ana que senta-se com o menino no colo, ao qual dá pão com peixe assado.

Vejo que antes de dar o peixe, parece estar lhe tirando os espinhos. Depois serve o marido. Ela come por último.

3.4 A noite está sempre mais cheia de estrelas e as luzes sempre mais numerosas no campo. Depois lentamente muitos candeeiros se apagam. São daqueles que jantaram antes e que agora se põem a dormir. Também o murmúrio diminui devagar. Vozes de meninos não se ouvem mais. Só alguma criança de peito faz ouvir a sua vozinha de cordeirinho buscando o leite da mamãe. A noite sopra o seu hálito sobre as pessoas, apagando desgostos e lembranças, esperanças e rancores. Aliás, talvez Joaquim e Ana sobrevivam tranqüilizados, seja no sono, que no sonho.

Ana o diz ao marido, enquanto embala Alfeu que começa a dormir em seus braços:

– Esta noite sonhei que no próximo ano eu virei à Cidade Santa para duas festas, ao invés de uma. E uma será a dádiva da minha criança ao Templo… Oh! Joaquim!…

– Espera, espera Ana. Não ouvistes outra coisa? O Senhor não te segredou nada em teu coração?

– Nada. Somente um sonho…

– Amanhã é o o último dia de oração. Todas as ofertas já foram feitas. Mas as renovaremos ainda amanhã, solenemente. Convenceremos Deus com o nosso amor fiel. Eu penso sempre que te acontecerá o mesmo que com a Ana de Elcana.

– Queira Deus… e que houvesse logo alguém que me dissesse: “Vá em paz. O Deus de Israel te concedeu a graça que pedistes!”

– Se a graça vier, o teu menino dir-te-á mexendo-se pela primeira vez no teu ventre, e será voz de inocente, por isto, voz de Deus.

Agora o campo cala-se no escuro. Ana também devolve Alfeu à cabana contígua e o põe sozinho sobre a enxerga de feno próximo aos irmãozinhos que já dormem. E depois deita-se ao lado de Joaquim, e também a sua lamparina se apaga. Uma das últimas estrelinhas da terra. Ficam mais bonitas as estrelas do firmamento a velar sobre todos os que dormem.

Anotação

Anne leva Alphée para a cabana vizinha e deita-o na cama de feno ao lado dos seus irmãos, que já estão a dormir. Assim, o Alphée tinha irmãos.

EMF 12.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu te saúdo, Maria. Era amigo de teu pai, e tenho um sobrinho, filho do meu irmão Alfeu, que era muito amigo de tua mãe. Seu pequeno amigo, que hoje não tem mais do que dezoito anos, quando ainda não tinhas ainda nascido era como um homenzinho e alegrava as horas tristes de tua mãe, que o amava muito.

Detalhe

É José que fala, no seu primeiro encontro com Maria,

Palavras-chave

EMF 14.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.4 Chegaram. O carro pára.

Duas mulheres e dois homens, respectivamente com os seus quarenta e cinqüenta anos, estão à porta, rodeados por muitas crianças e adolescentes.

– A paz de Deus esteja contigo, Maria –diz o homem mais velho, enquanto uma das mulheres se aproxima de Maria, a abraça e beija.

– É o meu irmão Alfeu e Maria, sua mulher, e estes são os filhos dele. Vieram de propósito para te fazerem festa e para te dizerem que a casa deles é tua, se quiseres –diz José. (...)

A outra mulher vem para a frente:

– Maria, eu te saúdo. Sou Sara, amiga de tua mãe. Eu te vi nascer. E este é o Alfeu, sobrinho de Alfeu e grande amigo de tua mãe. O que eu fiz por tua mãe, farei por ti, se quiseres. Estás vendo? A minha casa é a que está mais perto da tua, e os teus campos agora são nossos. Mas, se quiseres vir, faze-o a qualquer hora. Nós abriremos uma passagem na sebe, e estaremos juntas, mesmo se estiver cada uma em sua casa. Este é o meu marido.

– Eu vos agradeço a todos, e por tudo. Por todo o bem que desejastes aos meus e desejais a mim. Que o Senhor Onipotente vos abençoe por isso.

EMF 100.3

O Evangelho como me foi revelado

Tradução em curso

Palavras-chave

EMF 102.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Tradução em curso

Palavras-chave

EMF 104

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está numa cidade que Maria não nomeia: segundo uma nota em maria-valtorta.org, poderia ser o golfo de Ptolemais. André pede-lhe que venha tratar de um assunto do coração: um homem quer divorciar-se da mulher porque ela é estéril. Jesus consegue parar a discussão. Pedro, curioso, segue o seu irmão e o seu Mestre e não consegue refrear a sua curiosidade. Depois disto, José, o pastor de Belém, traz uma carta de Maria a Jesus: Alfeu morreu. Lê também uma missiva de Lázaro, que o informa de que Doras lhes dará Jonas, na condição de pagarem o dobro da soma e de Jesus ir a sua casa. Lázaro concorda em nome do seu Mestre. Cristo decide então regressar a Nazaré, mas antes de o fazer