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Notas do tema

A Sagrada Família

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EMF 25.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.3 Acabadas todas as felicitações, quase todos vão voltando ao seu caminho, ao passo que Maria quer voltar à estalagem, para ver se José chegou. Ele não chegou ainda. Maria se sente desiludida, e fica pensativa.

Isabel está preocupada por ela:

– Até a hora sexta, poderemos ficar, mas depois precisamos partir, para chegarmos em casa antes da primeira vigília. O menino está ainda muito pequeno para estar fora de casa pela noite a dentro.

E Maria, calma e triste:

– Eu vou ficar num dos pátios do Templo. Vou procurar minhas mestras… Não sei. Mas alguma coisa preciso fazer.

Zacarias intervém com uma idéia, que foi logo aceita:

– Vamos aos parentes de Zebedeu. José certamente vai te procurar lá, e, ainda que ele não esteja, será fácil para ti encontrar alguém que te acompanhe a caminho da Galiléia, porque aquela casa é um contínuo entra e sai dos pescadores de Genezaré.

Pegam, pois o burrinho, e vão à casa dos parentes de Zebedeu, os quais, são aqueles mesmos com quem José e Maria ficaram, há quatro meses.

As horas passam velozes, e José não aparece. Maria procura dominar sua aflição ninando o pequeno, mas pode-se ver que continua pensativa. Como que para esconder o seu estado, ela não tirou o manto, ainda que o calor esteja intenso e fazendo suar a todos.

25.4 Finalmente, uma grande batida na porta anuncia a chegada de José. O rosto de Maria se torna sereno de novo.

José a saúda, pois ela é a primeira a apresentar-se e a saudá-lo com reverência:

– A bênção de Deus sobre ti, Maria!

– E sobre ti, José. Graças a Deus, que vieste! Eis Zacarias e Isabel que estavam para partir, pois queriam chegar em casa antes da noite.

– O teu mensageiro chegou a Nazaré, enquanto eu estava em Caná, fazendo uns trabalhos. Anteontem à tarde, é que recebi a notícia. E, então, eu parti logo. Mas, mesmo caminhando sem parar, cheguei tarde, porque no caminho o burrinho perdeu uma ferradura. Perdoa-me.

– Perdoa-me, tu, por ter ficado tanto tempo afastada de Nazaré. Mas, estavam tão felizes de ter-me com eles, que eu quis contentá-los até agora.

– Fizeste bem, mulher. Onde está o menino?

Entram no quarto onde Isabel está dando de mamar a João, antes de partirem. José cumprimenta os pais pela robustez do menino que, tendo sido tirado do peito para ser mostrado a José, grita e esperneia, como se lhe estivessem tirando a pele. Todos riem, diante dos seus protestos. Também os parentes de Zebedeu, riem e se unem na conversação com os outros,pois eles tinham chegado trazendo frutas frescas, leite e pão para todos e um grande tabuleiro com peixes.

25.5 Maria fala muito pouco. Está quieta, silenciosa, sentada em seu cantinho com as mãos no colo e por debaixo do manto. E, mesmo quando ela toma uma taça de leite, ou ao comer um cacho de uvas com um pouco de pão, fala pouco e pouco se move. Olha para José, com um misto de pena e de curiosidade.

Ele também olha para ela. E, depois de algum tempo, inclinando-se sobre o ombro dela, lhe pergunta:

– Estás cansada ou sentindo alguma coisa? Estás pálida e triste.

– Estou triste por ter que separar-me do pequeno João. Gosto dele. Eu o tive sobre o meu coração, poucos momentos depois que nasceu…

José não pergunta mais nada.

Chegou a hora da partida de Zacarias. O carro pára à porta, e todos se dirigem para ele. As duas primas se abraçam com amor. Maria beija duas vezes o pequeno, antes de colocá-lo no colo da mãe, que já está sentada no carro. Depois, saúda Zacarias, e lhe pede a bênção. Ao ajoelhar-se diante do sacerdote, o manto se lhe desliza pelo ombro, e suas formas se tornam visíveis, à luz intensa daquela tarde de verão. Não sei se José notou alguma coisa naquele momento, atento como ele está em saudar Isabel. O carro parte.

EMF 25.4-5.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.4 (...) Uma grande batida na porta anuncia a chegada de José. O rosto de Maria se torna sereno de novo.

José a saúda, pois ela é a primeira a apresentar-se e a saudá-lo com reverência:

– A bênção de Deus sobre ti, Maria!

– E sobre ti, José. Graças a Deus, que vieste! Eis Zacarias e Isabel que estavam para partir, pois queriam chegar em casa antes da noite.

– O teu mensageiro chegou a Nazaré, enquanto eu estava em Caná, fazendo uns trabalhos. Anteontem à tarde, é que recebi a notícia. E, então, eu parti logo. Mas, mesmo caminhando sem parar, cheguei tarde, porque no caminho o burrinho perdeu uma ferradura. Perdoa-me.

– Perdoa-me, tu, por ter ficado tanto tempo afastada de Nazaré. Mas, estavam tão felizes de ter-me com eles, que eu quis contentá-los até agora.

– Fizeste bem, mulher. Onde está o menino?

Entram no quarto onde Isabel está dando de mamar a João, antes de partirem. José cumprimenta os pais pela robustez do menino que, tendo sido tirado do peito para ser mostrado a José, grita e esperneia, como se lhe estivessem tirando a pele. Todos riem, diante dos seus protestos. Também os parentes de Zebedeu, riem e se unem na conversação com os outros,pois eles tinham chegado trazendo frutas frescas, leite e pão para todos e um grande tabuleiro com peixes.

25.5 Maria fala muito pouco. Está quieta, silenciosa, sentada em seu cantinho com as mãos no colo e por debaixo do manto. E, mesmo quando ela toma uma taça de leite, ou ao comer um cacho de uvas com um pouco de pão, fala pouco e pouco se move. Olha para José, com um misto de pena e de curiosidade.

Ele também olha para ela. E, depois de algum tempo, inclinando-se sobre o ombro dela, lhe pergunta:

– Estás cansada ou sentindo alguma coisa? Estás pálida e triste.

– Estou triste por ter que separar-me do pequeno João. Gosto dele. Eu o tive sobre o meu coração, poucos momentos depois que nasceu…

José não pergunta mais nada.

Chegou a hora da partida de Zacarias. O carro pára à porta, e todos se dirigem para ele. As duas primas se abraçam com amor. Maria beija duas vezes o pequeno, antes de colocá-lo no colo da mãe, que já está sentada no carro. Depois, saúda Zacarias, e lhe pede a bênção. Ao ajoelhar-se diante do sacerdote, o manto se lhe desliza pelo ombro, e suas formas se tornam visíveis, à luz intensa daquela tarde de verão. Não sei se José notou alguma coisa naquele momento, atento como ele está em saudar Isabel. O carro parte.

(...) José está cochilando. Maria está rezando.

25.7 Chega a tarde. Os hospedeiros insistem com os dois para que comam, antes de se porem a caminho. José, então, come pão e peixe. Maria, só frutas e leite.

Depois, eles partem. Montam em seu burrinhos. José amarrou sobre o seu, como na vinda, o baú de Maria, e, antes que ela monte no burrinho, verifica se a sela está bem segura. Vejo que José fica observando Maria, quando ela monta. Mas ele não diz nada.

E a viagem se inicia, quando as primeiras estrelas começam a tremeluzir no céu. Eles se apressam para chegarem às portas, antes que sejam fechadas. Ao saírem de Jerusalém, tomam a estrada mestra, que vai para a Galiléia, quando as estrelas já enchem todo o céu sereno. Há um grande silêncio pelo campo. Ouve-se apenas o canto de algum rouxinol e o barulho dos cascos dos dois burrinhos, que vão batendo no solo duro da estrada, ressecada pelo calor do verão.

Detalhe

Maria está à espera de José em Jerusalém, depois da circuncisão de João Batista.

EMF 25.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José torna a entrar em casa com Maria, que vai de novo sentar-se no canto mais escuro.

– Se não te desagrada viajar de noite, eu proporia que partíssemos ao pôr-do-sol. De dia o calor está forte. Mas a noite está fresca e sossegada. Eu digo isto por ti, para não fazer-te tomar muito sol. Para mim estar exposto ao sol é o mesmo que nada. Mas para ti…

– Como quiseres, José. Eu também acho que é bom irmos de noite.

– A casa está em pefeita ordem. E também o pequeno pomar. Verás que belas estão as flores. Vais chegar a tempo de vê-las todas se abrindo. A macieira, a figueira e a videira estão carregadas de frutos como nunca, e a romãzeira, precisei até escorá-la, de tanto que os ramos estavam carregados de frutos, já tão maduros, coisa que nunca se viu a esta altura do ano. Depois, a oliveira… Terás azeite com fartura. Houve uma florada milagrosa, e não se perdeu uma só flor. Todas já se tornaram pequenas azeitonas. Quando estiverem maduras, a oliveira vai ficar parecendo cheia de pérolas escuras. Não há pomar mais bonito do que o teu em toda Nazaré. Até nossos parentes estão admirados. Alfeu diz que isso é um prodígio.

– Teus cuidados é que fizeram isso.

– Oh! Não. Pobre de mim. Que é que devo ter feito? Um pouco de cuidado com as plantas, e um pouco de água nas flores… Sabes de uma coisa? Fiz para ti uma fonte lá no fundo, perto da gruta, e construí um tanque. Assim, não precisarás sair para ir buscar água. Conduzi a água lá daquela nascente que está acima do olival do Matias. É uma nascente de água pura e abundante. Eu trouxe até perto de ti um pequeno rio. Fiz também um reguinho bem coberto, e agora a água chega no fim dele, cantando como uma harpa. Eu ficava com dó de ti, ao ver-te ir à fonte da cidade e voltar carregando baldes cheios d’água.

– Obrigada, José. Tu és bom.

Os dois esposos se calam agora, como se estivessem cansados. José está cochilando. Maria está rezando.

25.7 Chega a tarde. Os hospedeiros insistem com os dois para que comam, antes de se porem a caminho. José, então, come pão e peixe. Maria, só frutas e leite.

Depois, eles partem. Montam em seu burrinhos. José amarrou sobre o seu, como na vinda, o baú de Maria, e, antes que ela monte no burrinho, verifica se a sela está bem segura. Vejo que José fica observando Maria, quando ela monta. Mas ele não diz nada.

E a viagem se inicia, quando as primeiras estrelas começam a tremeluzir no céu. Eles se apressam para chegarem às portas, antes que sejam fechadas. Ao saírem de Jerusalém, tomam a estrada mestra, que vai para a Galiléia, quando as estrelas já enchem todo o céu sereno. Há um grande silêncio pelo campo. Ouve-se apenas o canto de algum rouxinol e o barulho dos cascos dos dois burrinhos, que vão batendo no solo duro da estrada, ressecada pelo calor do verão.

EMF 25.9-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.9 Também o meu José teve a sua Paixão. Ela começou em Jerusalém, quando ele percebeu o meu estado. Durou muitos dias, como aconteceu com Jesus e comigo. E não foi espiritualmente pouco dolorosa. Mas unicamente pela santidade de um justo, como era o meu esposo, é que ela ficou limitada a uma forma tão cheia de dignidade e de segredo, que ficou pouco conhecida, através dos séculos.

Oh! a nossa primeira paixão! Quem poderá falar da íntima e silenciosa intensidade dela? Quem saberá dizer qual a minha dor, ao ver que o céu ainda não me havia atendido em revelar o mistério a José?

Que ele ainda nada sabia, eu já tinha compreendido, ao vê-lo respeitoso comigo, como de costume. Se ele tivesse sabido que eu trazia em mim o Verbo de Deus, ele teria adorado o Verbo encerrado em meu ventre, com os atos de veneração que são devidos a Deus, e que ele não teria deixado de praticar, como eu também não me teria recusado a receber, não por causa de mim, mas por Aquele que estava em mim, que eu em mim trazia, assim como a Arca da aliança conti­nha­ o código escrito na pedra e os vasos de maná.

Quem pode dizer qual foi a minha luta contra o desânimo, que queria me vencer, para me persuadir de que eu havia esperado em vão no Senhor? Oh! Eu creio, que isso vinha da raiva de satanás! Eu senti a dúvida que crescia em meus ombros, e que espichava suas gar­ras geladas para aprisionar minha alma e fazê-la deixar de orar. A dúvida, que é tão perigosa e letal para o espírito. Letal, porque ela é o primeiro agente da doença mortal chamada “desespero”, e contra a qual é preciso reagir com toda a força para não perecer na alma e perder Deus.

Quem pode dizer com toda a verdade qual a dor de José, quais os seus pensamentos, qual a perturbação que ele sentiu em seus afetos? Como um pequeno barco apanhado por uma grande tempestade, ele se achava num encontro entre idéias opostas, como em uma dança ao redor de reflexões, cada uma mais pungente e mais capaz de fazer sofrer do que a outra. Ele era um homem que, pelas aparências, só podia ter sido traído por sua mulher. Por isso, ele via desmoronar, ao mesmo tempo, o seu bom nome e a estima em que ele era tido naquele lugar. Por causa disso, ele se sentia apontado a dedo e alvo de compaixão pelos habitantes da cidade, via morrerem o afeto e a estima de que até então eu vinha gozando, diante da evidência de um fato.

25.10 É aqui que a santidade dele resplende ainda mais brilhante do que a minha. Eu dou testemunho disso com todo o meu afeto de esposa, porque quero que ameis o meu José, este homem sábio e prudente, este homem paciente e bom, que não está separado do mistério da Redenção, mas muito unido a ele, pois, por essa dor que o consumou, ele salvou para vós o Salvador, às custas de seu sacrifício e de sua santidade.

Tivesse ele sido menos santo, teria agido como os homens: me teria denunciado como adúltera, para que eu fosse apedrejada, e o filho do meu pecado morresse comigo. Tivesse ele sido menos santo, Deus não lhe teria concedido a sua luz em tão grande provação. Mas José era santo. Seu espírito puro vivia em Deus. A caridade nele era acesa e forte. Foi pela caridade que ele salvou para vós o Salvador, tanto quanto ele não quis me acusar diante dos anciãos, como também quando, deixando tudo, com uma pronta obediência, salvou Jesus, levando-o consigo para o Egito.

25.11 Breves em número, mas grandes em intensidade, foram aqueles três dias do sofrimento de José. E deste meu primeiro sofrimento. Porque eu compreendia o sofrimento dele, mas não podia aliviá-lo de modo algum, por causa da obediência ao decreto de Deus, que me havia dito: “Cala-te!”

Quando, tendo chegado a Nazaré, eu o vi sair, depois de uma curta saudação, todo curvo e como se tivesse envelhecido em pouco tempo, e não voltar mais a mim, como era de costume, vos digo, filhos, que o meu coração chorou com uma dor grande e aguda. Fechada em mi­nha casa, só, naquela casa em que tudo me fazia recordar a Anunciação e a Encarnação, e onde tudo me falava de José, desposado por mim em uma virgindade imaculada, eu tive que resistir ao desconforto, às insinuações de satanás, e ficar esperando. Orando, perdoar a suspeita de José, e ao seu gesto de justo desdém para comigo.

Filhos, é preciso esperar, rezar, perdoar, para se obter que Deus intervenha em nosso favor. Vivei, vós também, o vosso sofrimento. Ele é devido às vossas culpas. Eu vos ensino como superá-lo e transformá-lo em alegria. Esperar, além de toda medida. Rezar sem desconfiança, perdoar, para serdes perdoados. O perdão de Deus será a paz que desejais, meus filhos.

EMF 25.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quero que ameis o meu José, este homem sábio e prudente, este homem paciente e bom, que não está separado do mistério da Redenção, mas muito unido a ele, pois, por essa dor que o consumou, ele salvou para vós o Salvador, às custas de seu sacrifício e de sua santidade.

Detalhe

diz Marie:

EMF 25.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José era santo. Seu espírito puro vivia em Deus. A caridade nele era acesa e forte. Foi pela caridade que ele salvou para vós o Salvador, tanto quanto ele não quis me acusar diante dos anciãos, como também quando, deixando tudo, com uma pronta obediência, salvou Jesus, levando-o consigo para o Egito.

EMF 26

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: José pede perdão a Maria. Fé, caridade e humildade para receber Deus.

Data da visão e do ditado: Quarta-feira, 31 de maio de 1944

Calendário: Sábado, 17 de agosto do ano -5

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria está sozinha em sua casa em Nazaré. Está só, a rezar, até que batem à porta: é José. Ele vem pedir-lhe perdão e a Virgem diz que não tem nada a perdoar-lhe. Mas o marido responde-lhe que sabia que ela estava grávida de Emanuel e que tinha agido mal ao não a deixar explicar. Ele ia agir sem a consultar primeiro e considerava isso um insulto à sua mulher. Pede-lhe então perdão e o carpinteiro revela-lhe todo o sofrimento dos seus últimos dias. Ele pergunta-lhe porque é que ela não lhe contou o seu segredo, e Maria responde-lhe que, se a sua humildade não fosse tão perfeita, não lhe teria sido dada a graça de ser a Mãe do Salvador. Seja como for, José propôs que o casamento fosse realizado o mais depressa possível e que se começasse a planear a vinda de Jesus. Ele estava perturbado com a ideia de receber o seu Deus em sua casa, mas Maria tranquilizou-o e falou da alegria de serem os pais do Redentor.

Nossa Senhora faz então um ditado e comenta este episódio. Ela fala então das condições essenciais para agradar a Deus e tê-lo no coração: a fé, a caridade e a humildade absoluta. Além disso, a Mãe encoraja-nos a permanecer escondidos e a deixar ao Senhor a tarefa de nos proclamar seus servos, como fez Maria quando ficou grávida do Espírito Santo.

Conteúdo do capítulo: 26.1: Ver Maria. 26.2: Maria esconde-se à sombra de uma macieira. 26.3: José chega e pede desculpa por ter suspeitado dela. 26.4: Maria não fez outra coisa senão obedecer a Deus. 26.5: O casamento realizar-se-á na semana seguinte. 26.6: Eu estava pálida porque estava a sofrer com as dores do José. 26.7: A humildade no seu extremo, como Aquele que eu levava. 26.8: As condições para agradar e receber Deus. 26.9: Deixai ao Senhor o cuidado de vos proclamar seus servos.

EMF 26.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois de cinqüenta e três dias, a mãe vem mostrar-se com esta visão, e manda que eu faça constar neste livro. A alegria se renova em mim. Porque ver Maria é possuir a alegria.

26.2 Vejo, então, o pequeno pomar de Nazaré. Maria está fiando à sombra de uma macieira, toda carregada de frutos, que já começam a avermelhar-se e se parecem com bochechinhas de menino por seu formato arredondado e por um belo cor-de-rosa.

Maria, porém, não é sem motivo que não está com seu rosto rosado, como antes. Aquela bela cor, que lhe avivava as faces lá em Hebron, desapareceu. Seu rosto está de uma palidez de marfim, e nele somente os lábios ainda assinalam uma curva com um leve tom de coral. Sob as pálpebras abaixadas, vejo duas sombras escuras, e os cantos dos olhos estão inchados, como os de quem acabou de chorar. Não posso ver os olhos, porque ela está com a cabeça um tanto inclinada, atenta ao trabalho, e mais ainda, a um pensamento que a deve estar afligindo, pois ouço os seus suspiros, como os de alguém que sofre no coração.

Está toda vestida de branco, de linho branco, porque está fazendo muito calor, não obstante o frescor ainda intacto das flores nos estar dizendo que ainda é de manhã. Maria está com a cabeça descoberta, e o sol, que brinca com as folhas da macieira movidas por um vento muito suave, se filtra em agulhas de luz, que vão pousar sobre a terra escura dos canteiros, formando pequenos círculos de luz sobre sua cabeça loira, fazendo os seus cabelos ficarem parecendo fios de ouro antigo.

Da casa não vem nenhum barulho, nem dos lugares vizinhos. Ouve-se apenas o murmúrio de um fio d’água que cai dentro de um tanque, lá no fundo do pomar.

26.3 Maria leva um susto, ao ouvir uma batida forte na porta de saída da casa. Ela deixa ali mesmo a roca e o fuso, e se levanta para ir abrir. Ainda que sua roupa seja solta e ampla, não consegue esconder completamente a redondez de seu ventre.

Ei-la, agora, diante de José. Maria empalidece, até nos lábios. Agora seu rosto está parecendo o de uma vítima exangue. Maria olha com uns olhos como os de quem interroga tristemente. José olha para ela com uns olhos que parecem suplicantes. Eles se calam, olhando um para o outro. Depois, Maria abre a boca:

– A esta hora, José? Estás precisando de alguma coisa? Que me queres dizer? Vem.

José entra, e fecha a porta. Mas não fala nada.

– Fala, José. Que queres de mim?

– Quero o teu perdão.

José se inclina, como se quisesse ajoelhar-se. Mas Maria, sempre tão reservada em tocar nele, agora o agarra pelos ombros decididamente, e o impede de ajoelhar-se.

A cor vai e volta ao rosto de Maria, que ora está corada, ora branca como antes:

– O meu perdão? Não tenho nada que te perdoar, José. Só tenho que te agradecer, mais uma vez, por tudo o que fizeste aqui dentro na minha ausência, e pelo amor que me tens.

José olha para ela, e vejo duas grandes gotas que se formam nas cavidades de seus olhos profundos, e ali estão como sobre a borda de um vaso prontas para, logo em seguida, rolarem por sobre as faces e a barba de José.

– Perdão, Maria. Eu desconfiei de ti. Agora eu sei. Sou indigno de possuir tão grande tesouro. Faltei-te com a caridade, e te acusei em meu coração. Acusei-te injustamente, porque não te perguntei antes a verdade. Faltei contra a lei de Deus, não te amando como me amaria…

– Oh! não! Não faltaste!

– Sim, faltei, Maria! Se eu tivesse sido acusado de um tal delito, eu teria me defendido. Tu… Eu não te estava concedendo o direito de te defenderes, porque eu já estava até tomando decisões, sem te perguntar nada. Faltei para contigo, ofendendo-te com minha suspeita. Ora, até mesmo a suspeita já é uma ofensa, Maria. Porque quem suspeita, não conhece. E eu não te conhecia, como devia. Mas, pela dor que eu sofri… três dias de suplício, perdoa-me, Maria!

– Não tenho nada que te perdoar. Pelo contrário, eu é que te peço perdão pela dor que te causei.

– Oh! Sim. Foi uma grande dor. Que dor! Olha, hoje de manhã me disseram que sobre as têmporas meus cabelos já estão brancos e que no rosto já estou com rugas. Estes três dias pareceram-me mais de dez anos!

26.4 Mas, por que, Maria, foste tão humilde, a ponto de calares tua glória até diante de mim, teu esposo, e deixares assim que eu suspeitasse de ti?

José não está de joelhos, mas está tão inclinado, como se estivesse de joelhos, e Maria, então lhe pousa a mão sobre a cabeça, e sorri. Parece o estar absolvendo. Ela diz:

– Se eu não tivesse sido humilde de uma maneira perfeita, não teria merecido conceber o Esperado, que vem para anular a culpa de soberba, que arruinou o homem. Além disso, eu obedeci… Deus me pediu essa obediência. Ela me custou tanto… por causa de ti, pela dor que dela te adviria. Mas eu só tinha que obedecer. Eu sou a serva de Deus, e os servos não discutem as ordens que recebem. Eles vão executá-las, José, ainda quando os fazem chorar sangue.

Maria chora silenciosamente, enquanto vai dizendo estas pala­vras. E, tão silenciosamente, que José, inclinado como está, nem percebe isso, até que uma lágrima sua caiu no chão. Então, ele levanta a cabeça e (é a primeira vez que o vejo fazer isso) aperta as mãozinhas de Maria com suas mãos morenas e fortes, beija as pontas daqueles dedos rosados e tão delicados, que despontam como botões de pessegueiro, do anel formado pelo aperto das mãos de José.

26.5 – Agora é preciso tomar providências para que…

José não diz mais nada, mas olha para o corpo de Maria, e ela fica ruborizada, e de repente se assenta, para não ficar assim exposta àquele olhar que a está observando.

– Será preciso agirmos logo. Eu virei aqui. Realizaremos o casamento… Na semana que vem. Está bem assim?

– Tudo o que fazes está bem, José. Tu és o chefe da casa, e eu sou tua serva.

– Não. Eu sou o teu servo. Eu sou o feliz servo do meu Senhor, que está crescendo em teu ventre. Tu és bendita entre todas as mulheres de Israel. Esta tarde já avisarei os parentes. E depois… quando eu estiver aqui, iremos preparando tudo para receber… Oh! como poderei eu receber a Deus em minha casa? A Deus em meus braços? Isso me fará morrer de alegria. Eu nunca poderei ousar nem tocar nele!…

– Tu bem que o poderás, José, como eu o poderei pela graça de Deus.

– Mas tu és tu. Eu sou um pobre homem, o mais pobre dos filhos de Deus!…

– Jesus vem ao mundo por nós, que somos os pobres, para fazer-nos ricos em Deus, Ele vem a nós dois, porque somos os mais pobres e reconhecemos que o somos. Alegra-te, José. A estirpe de Davi já tem o Rei que esperava, e a nossa casa se tornou mais faustosa do que o palácio de Salomão, porque aqui será o céu e nós dividiremos com Deus o segredo de paz que mais tarde os homens saberão. Crescerá entre nós, e os nossos braços serão o berço do Redentor, que irá crescendo, e as nossas fadigas dar-lhe-ão um pão… Oh! José! Ouviremos a voz de Deus, a chamar-nos de “pai” e de “mãe”! Oh!…

E Maria chora de alegria. Um choro de felicidade! Enquanto isso, José, ajoelhado agora aos pés dela, chora, com a cabeça quase escondida na ampla veste de Maria, que desce, em muitas dobras, por sobre os simples ladrilhos do pavimento do pequeno quarto.

A visão termina aqui.

EMF 26.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

26.3 Maria leva um susto, ao ouvir uma batida forte na porta de saída da casa. Ela deixa ali mesmo a roca e o fuso, e se levanta para ir abrir. Ainda que sua roupa seja solta e ampla, não consegue esconder completamente a redondez de seu ventre.

Ei-la, agora, diante de José. Maria empalidece, até nos lábios. Agora seu rosto está parecendo o de uma vítima exangue. Maria olha com uns olhos como os de quem interroga tristemente. José olha para ela com uns olhos que parecem suplicantes. Eles se calam, olhando um para o outro. Depois, Maria abre a boca:

– A esta hora, José? Estás precisando de alguma coisa? Que me queres dizer? Vem.

José entra, e fecha a porta. Mas não fala nada.

– Fala, José. Que queres de mim?

– Quero o teu perdão.

José se inclina, como se quisesse ajoelhar-se. Mas Maria, sempre tão reservada em tocar nele, agora o agarra pelos ombros decididamente, e o impede de ajoelhar-se.

A cor vai e volta ao rosto de Maria, que ora está corada, ora branca como antes:

– O meu perdão? Não tenho nada que te perdoar, José. Só tenho que te agradecer, mais uma vez, por tudo o que fizeste aqui dentro na minha ausência, e pelo amor que me tens.

José olha para ela, e vejo duas grandes gotas que se formam nas cavidades de seus olhos profundos, e ali estão como sobre a borda de um vaso prontas para, logo em seguida, rolarem por sobre as faces e a barba de José.

– Perdão, Maria. Eu desconfiei de ti. Agora eu sei. Sou indigno de possuir tão grande tesouro. Faltei-te com a caridade, e te acusei em meu coração. Acusei-te injustamente, porque não te perguntei antes a verdade. Faltei contra a lei de Deus, não te amando como me amaria…

– Oh! não! Não faltaste!

– Sim, faltei, Maria! Se eu tivesse sido acusado de um tal delito, eu teria me defendido. Tu… Eu não te estava concedendo o direito de te defenderes, porque eu já estava até tomando decisões, sem te perguntar nada. Faltei para contigo, ofendendo-te com minha suspeita. Ora, até mesmo a suspeita já é uma ofensa, Maria. Porque quem suspeita, não conhece. E eu não te conhecia, como devia. Mas, pela dor que eu sofri… três dias de suplício, perdoa-me, Maria!

– Não tenho nada que te perdoar. Pelo contrário, eu é que te peço perdão pela dor que te causei.

– Oh! Sim. Foi uma grande dor. Que dor! Olha, hoje de manhã me disseram que sobre as têmporas meus cabelos já estão brancos e que no rosto já estou com rugas. Estes três dias pareceram-me mais de dez anos!

26.4 Mas, por que, Maria, foste tão humilde, a ponto de calares tua glória até diante de mim, teu esposo, e deixares assim que eu suspeitasse de ti?

José não está de joelhos, mas está tão inclinado, como se estivesse de joelhos, e Maria, então lhe pousa a mão sobre a cabeça, e sorri. Parece o estar absolvendo. Ela diz:

– Se eu não tivesse sido humilde de uma maneira perfeita, não teria merecido conceber o Esperado, que vem para anular a culpa de soberba, que arruinou o homem. Além disso, eu obedeci… Deus me pediu essa obediência. Ela me custou tanto… por causa de ti, pela dor que dela te adviria. Mas eu só tinha que obedecer. Eu sou a serva de Deus, e os servos não discutem as ordens que recebem. Eles vão executá-las, José, ainda quando os fazem chorar sangue.

Maria chora silenciosamente, enquanto vai dizendo estas pala­vras. E, tão silenciosamente, que José, inclinado como está, nem percebe isso, até que uma lágrima sua caiu no chão. Então, ele levanta a cabeça e (é a primeira vez que o vejo fazer isso) aperta as mãozinhas de Maria com suas mãos morenas e fortes, beija as pontas daqueles dedos rosados e tão delicados, que despontam como botões de pessegueiro, do anel formado pelo aperto das mãos de José.

26.5 – Agora é preciso tomar providências para que…

José não diz mais nada, mas olha para o corpo de Maria, e ela fica ruborizada, e de repente se assenta, para não ficar assim exposta àquele olhar que a está observando.

– Será preciso agirmos logo. Eu virei aqui. Realizaremos o casamento… Na semana que vem. Está bem assim?

– Tudo o que fazes está bem, José. Tu és o chefe da casa, e eu sou tua serva.

– Não. Eu sou o teu servo. Eu sou o feliz servo do meu Senhor, que está crescendo em teu ventre. Tu és bendita entre todas as mulheres de Israel. Esta tarde já avisarei os parentes. E depois… quando eu estiver aqui, iremos preparando tudo para receber… Oh! como poderei eu receber a Deus em minha casa? A Deus em meus braços? Isso me fará morrer de alegria. Eu nunca poderei ousar nem tocar nele!…

– Tu bem que o poderás, José, como eu o poderei pela graça de Deus.

– Mas tu és tu. Eu sou um pobre homem, o mais pobre dos filhos de Deus!…

– Jesus vem ao mundo por nós, que somos os pobres, para fazer-nos ricos em Deus, Ele vem a nós dois, porque somos os mais pobres e reconhecemos que o somos. Alegra-te, José. A estirpe de Davi já tem o Rei que esperava, e a nossa casa se tornou mais faustosa do que o palácio de Salomão, porque aqui será o céu e nós dividiremos com Deus o segredo de paz que mais tarde os homens saberão. Crescerá entre nós, e os nossos braços serão o berço do Redentor, que irá crescendo, e as nossas fadigas dar-lhe-ão um pão… Oh! José! Ouviremos a voz de Deus, a chamar-nos de “pai” e de “mãe”! Oh!…

E Maria chora de alegria. Um choro de felicidade! Enquanto isso, José, ajoelhado agora aos pés dela, chora, com a cabeça quase escondida na ampla veste de Maria, que desce, em muitas dobras, por sobre os simples ladrilhos do pavimento do pequeno quarto.

A visão termina aqui.

EMF 26.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Tudo o que fazes está bem, José. Tu és o chefe da casa, e eu sou tua serva.

– Não. Eu sou o teu servo. Eu sou o feliz servo do meu Senhor, que está crescendo em teu ventre. Tu és bendita entre todas as mulheres de Israel.

Detalhe

disse Maria ao seu marido:

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