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Notas do tema

A Sagrada Família

Página 10 de 42

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EMF 23.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A luz começa a penetrar pela porta semi-aberta. Maria vai abri-la toda. A luz da aurora vai fazendo ficar toda branca a terra, coberta de orvalho. Levanta-se um cheiro de terra úmida e de folhas verdes e, com os primeiros chilreios, os passarinhos se chamam um ao outro, voando de um ramo para outro.

O velho e Maria vão até à porta. Estão pálidos por causa da noite sem dormir, e a luz da aurora os faz ainda mais pálidos. Maria torna a pôr suas sandálias, vai até os pés da escada e fica escutando. Nesse momento, uma mulher aparece, faz sinais, depois volta. Por enquanto, nada.

Maria vai a um quarto, e volta com leite quente, que ela dá ao velho­ para beber, depois vai ver os pombos, e torna a desaparecer naquele cômodo. Talvez seja a cozinha. Maria anda de um lado para outro e está atenta a tudo. Parece ter dormido um bom sono, de tão disposta e calma que está.

Zacarias, passeia nervosamente para baixo e para cima no jardim. Maria olha para ele com piedade. Depois, ela entra de novo no mesmo cômodo e, ajoelhada ao lado do tear, reza intensamente, porque o queixume da pobre sofredora vai-se agravando mais. Maria se inclina até o chão para suplicar ao Eterno. Zacarias volta a entrar, e, ao vê-la assim prostrada, chora. Maria se levanta, e o toma pela mão. Ela é muito mais nova do que ele, mas fica parecendo a mãe daquela pobre velhice desolada, e derrama sobre ele suas palavras de conforto.

23.8 Estão assim, um junto do outro, ao sol, que vem enchendo de tons

rosados o ar matutino e assim o anúncio jubiloso os alcança:

– Nasceu! Nasceu! É homem! Feliz do pai! É homem: um homem viçoso como uma rosa, belo como o sol, forte e bom como a mãe. Alegria para ti, ó pai abençoado pelo Senhor, que te deu um filho, a fim de que o possas oferecer em seu Templo. Glória a Deus, que concedeu posteridade a esta casa! Bênção para ti e para o filho que geraste! Possa a sua descendência perpetuar o teu nome nos séculos dos séculos, por gerações, sempre em aliança com o Senhor Eterno.

Maria, com lágrimas de alegria, está bendizendo o Senhor. Depois, os dois recebem o pequeno, levando ao pai para que o abençoe. Zacarias não vai a Isabel. Recebe o menino, que está gritando desesperadamente, mas não vai até sua mulher.

Quem vai até lá é Maria, levando com amor o pequenino, o qual de repente fica calado, logo que ela o toma em seus braços. A parteira, que a acompanha, observa este fato.

– Mulher –diz ela a Isabel–, teu menino calou-se de repente, quando ela o pegou. E olha só como ele está dormindo sossegado. E o céu é que sabe quanto ele é inquieto e forte. Agora, olha! Parece um pombinho!

Maria coloca a criança junto da mãe e a acaricia, alisando-lhe os cabelos cinzentos.

– A rosa nasceu –diz ela em voz baixa–. E tu estás viva. Zacarias está feliz.

– Ele já está falando?

– Ainda não. Mas espera no Senhor. Descansa agora. Eu estou ao teu lado.

EMF 23.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Nasceu! Nasceu! É homem! Feliz do pai! É homem: um homem viçoso como uma rosa, belo como o sol, forte e bom como a mãe. Alegria para ti, ó pai abençoado pelo Senhor, que te deu um filho, a fim de que o possas oferecer em seu Templo. Glória a Deus, que concedeu posteridade a esta casa! Bênção para ti e para o filho que geraste! Possa a sua descendência perpetuar o teu nome nos séculos dos séculos, por gerações, sempre em aliança com o Senhor Eterno.

Maria, com lágrimas de alegria, está bendizendo o Senhor. Depois, os dois recebem o pequeno, levando ao pai para que o abençoe. Zacarias não vai a Isabel. Recebe o menino, que está gritando desesperadamente, mas não vai até sua mulher.

Quem vai até lá é Maria, levando com amor o pequenino, o qual de repente fica calado, logo que ela o toma em seus braços. A parteira, que a acompanha, observa este fato.

– Mulher –diz ela a Isabel–, teu menino calou-se de repente, quando ela o pegou. E olha só como ele está dormindo sossegado. E o céu é que sabe quanto ele é inquieto e forte. Agora, olha! Parece um pombinho!

Maria coloca a criança junto da mãe e a acaricia, alisando-lhe os cabelos cinzentos.

– A rosa nasceu –diz ela em voz baixa–. E tu estás viva. Zacarias está feliz.

– Ele já está falando?

– Ainda não. Mas espera no Senhor. Descansa agora. Eu estou ao teu lado.

EMF 23.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Contudo, acredita em mim, minha filha, que nunca houve, nem haverá dor de parto semelhante à minha dor de mártir, de uma maternidade espiritual, que se realizou sobre o mais duro leito: o leito da minha cruz, aos pés do patíbulo de meu Filho, que estava morrendo. Qual a mãe que foi constrangida a dar à luz desse modo? Qual a mãe que teve de misturar o tormento sofrido em suas entranhas dilaceradas pelos estertores de seu Filho moribundo, com o das entra­nhas que se retorcem, por terem que superar o horror de ter que dizer: “Eu vos amo. Vinde a mim, que sou vossa mãe”? Qual a mãe que teve que dizer isso aos assassinos de seu Filho, o Filho nascido do mais sublime amor que o céu nunca tinha visto antes, do amor de um Deus por uma virgem, do beijo de Fogo e do abraço de Luz, que se fizeram carne, tornando o ventre de uma mulher, o Tabernáculo de Deus?

“Quanta dor para ser mãe!” diz Isabel. Uma grande dor, sem dúvida, mas quase nada, em comparação com a minha dor.

EMF 23.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

23.10 “Deixa-me pôr as mãos sobre o teu ventre.” Oh! se em vossos sofrimentos me pedísseis sempre isto!

Eu sou a eterna portadora de Jesus. Ele está no meu ventre, conforme tu viste no ano passado, que Ele é como uma Hóstia consagrada no ostensório. Quem vem a mim, O encontra. Quem em mim se apoia, põe-se em contato com Ele. Quem se dirige a mim, fala com Ele. Eu sou a sua veste. Ele é a minha alma. Agora Ele está mais unido a mim, do que nos nove meses em que crescia no meu ventre. O meu Filho está unido à sua mãe. Acalmam-se todas as dores, florescem todas as esperanças, fluem todas as graças de quem vem a mim, e pousa sua cabeça sobre o meu ventre.

Eu rezo por vós. Recordai-vos disso. A felicidade de estar no céu, de viver no raio da luz de Deus, não me deixam esquecer meus filhos sofredores na terra. Rezo. Todo o céu está rezando. Porque o céu ama. O céu é caridade viva. A caridade tem piedade de vós. Ainda que fossem só as minhas orações, já seriam suficientes para as necessidades de quem espera em Deus. Porque eu não cesso de rezar por todos vós: pelos santos e pelos maus, para alcançar a alegria para os santos, e o arrependimento que salva para os malvados.

Vinde, ó filhos de minha dor. Eu vos espero aos pés da cruz para dar-vos a graça.

EMF 24

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: A circuncisão de João Batista. Maria é uma fonte de graça para aqueles que acolhem a Luz.

Data da visão: Terça-feira, 4 de abril de 1944 (Terça-feira Santa)

Data do ditado: Terça-feira, 4 de abril de 1944. Numa cópia dactilografada, Maria Valtorta anota: "A Santíssima Virgem Maria ditou estas palavras na Quarta-feira Santa.

Calendário: Sexta-feira, 12 de julho do ano -5

Localização (mapa): Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: É a circuncisão de João. Há muita gente em casa de Zacarias. Falam do nome da criança e querem dar-lhe o nome do pai, mas Isabel é inflexível: chamar-se-á João. Pediram a opinião de Zacarias e ele escreveu que o nome seria de facto João, "Deus é bondoso". Depois, a sua língua soltou-se e ele disse o seu hino. Isabel ficou radiante. A circuncisão teve lugar e o bebé acalmou-se nos braços da Virgem. Zacarias foi ter com ela e pediu-lhe perdão por não a ter reconhecido quando estava grávida do Salvador. Abençoou-a e a Imaculada respondeu-lhe que todo o louvor devia ir para Deus. A Imaculada pede-lhe também que reze por ela, porque se ser mãe do Salvador é um destino abençoado, ser mãe do Redentor deve ser um destino de sofrimento atroz.

No ditado que se segue, Maria explica que Deus perdoa aqueles que reconhecem os seus pecados e se arrependem. Convida-nos a libertar as nossas almas de tudo o que as pesa e a acolher a Luz de Deus. A Virgem explica-nos ainda que aqueles que possuem Deus, que têm a amizade de Deus, nunca estão sozinhos, porque, mesmo que isso não nos tire o sofrimento, dá-nos luz e uma carícia que alivia a nossa cruz. É preciso também saber agradecer ao Altíssimo as suas graças.

Finalmente, a Imaculada explica-nos que a fazemos sofrer muito porque rejeitamos a graça. Quando ela deu o ditado, aproximava-se a Sexta-Feira Santa, pelo que nos convidou a rezar com as palavras do seu Filho na Cruz. Por fim, recorda a Maria que, apesar de ver as suas alegrias, o seu sofrimento cresceu sempre exponencialmente, até receber nos seus braços o seu Filho morto.

Índice do capítulo: 24.1: A casa em festa. 24.2: O nome. O milagre. O Benedictus. 24.3: Só Maria pode aliviar a dor do pequeno João, que regressa da circuncisão. 24.4: Zacarias, que volta a falar, prostra-se diante de Maria. 24.5: Maria pede as suas orações pela Coredemptrix em que se tornará. 24.6: Deus perdoa os arrependidos. 24.7: Ele torna a dor doce na sua amargura. 24.8: A dor de ver um inimigo de Jesus. 24.9: O mistério da Sexta-feira Santa. 24.10: Uma dor sempre crescente.

EMF 24.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.1 Vejo a casa em festa. É o dia da circuncisão.

Maria cuida que tudo esteja bonito e em ordem. Os quartos estãos resplandescentes de luz, e os tecidos mais belos e as decorações mais lindas esplendem por toda parte. Há muita gente. Maria se move ágil entre os grupos, toda bela na sua mais bonita veste branca.

Isabel, reverenciada como uma matrona, sente-se feliz em sua festa. O menino está em seu colo, farto de leite.

EMF 24.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.4 Zacarias entra, e fecha a porta. Olha para Maria, com lágrimas nos olhos. Ele quer falar. Mas continua calado. Anda para a frente. Ajoe­lha-se diante de Maria.

– Abençoa a este miserável servo do Senhor –diz ele–. Abençoa-o porque tu o podes fazer, tu que o trazes em teu ventre. A palavra de Deus me falou, na hora em que eu reconheci o meu erro e acreditei em tudo o que me havia sido dito. Eu estou vendo a ti e a tua feliz sorte. Em ti eu adoro o Deus de Jacó. Tu, meu primeiro Templo, onde o sacerdote, que regressa, pode orar ao Eterno. Bendita és tu, que obtiveste graça para o mundo, doando-lhe o Salvador. Perdoa o teu servo, se ele não viu a tua majestade. Tu nos trouxeste todas as graças com a tua vinda, porque por onde passas, ó cheia de graça, Deus opera os seus prodígios. Santas são as paredes, que te abrigam, santos se tornam os ouvidos que ouvem a tua voz, e santas as carnes por ti tocadas. Santos os corações aos quais concedes graças, ó mãe do Altíssimo, ó virgem profetizada e esperada para dar ao povo de Deus o Salvador.

24.5 Maria sorri, cheia de humildade. E fala:

– Louvor ao Senhor. Somente a Ele. Dele, e não de mim é que procede toda graça. E Ele te dá essa graça, porque tu o amas. Continua no caminho da perfeição, nos anos que ainda te restam, para mereceres o Seu Reino, que o meu Filho­ abrirá para os patriarcas, para os profetas e para os justos do Senhor. E tu, agora que podes orar diante do Santo, reza por esta serva do Altíssimo. Porque ser mãe do Filho de Deus é uma feliz sorte. Ser mãe do Redentor deve ser partilhar de uma dor atroz. Reza por mim que, a cada hora que passa, sinto crescer o peso da minha dor. Durante toda a minha vida, deverei levar comigo esse peso. Ainda que eu não veja os pormenores deste peso, sinto que será bem maior, do que se fosse posto o mundo sobre estes meus pobres ombros de mulher, e eu tivesse que oferecê-lo ao céu. Eu, sozinha, pobre mulher! O meu Menino! O meu Filho! Ah! Agora o teu não está chorando, porque o estou ninando. Mas, poderei eu ninar o meu para acalmar sua dor?… Reza por mim, sacerdote de Deus. O meu coração está tremendo como uma flor exposta à ventania. Eu olho para os homens, e os amo. Mas vejo, atrás dos seus rostos aparecer o inimigo, fazendo deles inimigos de Deus e de Jesus, o meu Filho…

A visão termina com a palidez de Maria e com suas lágrimas, que fazem ficar brilhante o seu olhar.

Detalhe

Zacarias acaba de descobrir que Maria é a Santíssima, aquela que dá à luz o Salvador.

EMF 25

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A apresentação de João Batista no Templo e a partida de Maria. A paixão de José.

Data da visão e do ditado: Quarta-feira 5 e quinta-feira 6 de abril de 1944 (Semana Santa)

Calendário: Terça-feira 13 de agosto - 5 d.C.

Local (mapa) : Jerusalém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria, Isabel e Zacarias estão em Jerusalém para a apresentação de João Batista no Templo. À sua chegada, Maria pergunta por José num estábulo onde todos os peregrinos têm de ir, mas o santo homem não está lá. O grupo prossegue então o seu caminho para o Templo.

O rito de purificação tem lugar e os sacerdotes ficam felizes por darem esta festa a um dos seus. As pessoas ficam surpreendidas com o facto de Isabel ser a mãe: a princípio, todos pensam que Maria é a mãe de João. Mas apercebem-se de que isso não é possível, pois Maria já estava grávida, enquanto João tinha apenas alguns dias de vida. Quando Isabel apresentou o bebé no Templo, já não havia lugar para dúvidas e todos ficaram espantados.

O rito tinha terminado e não se via José em lado nenhum. Zacarias sugeriu que esperassem em casa dos pais de Zebedeu, para que, se o carpinteiro não chegasse, a sua mulher pudesse regressar à Galileia com alguns pecadores que passavam por ali. No entanto, esperaram o mais que puderam e José chegou finalmente.

Saudou a Virgem com alegria e respeito e desejou ver a criança. Isabel e Zacarias atendem-lhe o desejo e vão-se embora. São José sugere então à Cheia de Graça que parta à noite, para que a viagem lhe seja mais agradável. Ela concordou. Foi enquanto se preparava que José se apercebeu que Maria estava grávida. Mas não disse nada...

De seguida, Maria faz um ditado sobre a Paixão de José. Explica que esta durou três dias, mas que foi intensa: a Virgem teve de lutar contra a tentação de desanimar. Ela via o sofrimento do seu marido, mas não podia aliviá-lo de forma alguma para obedecer à ordem de Deus, que lhe tinha dito para guardar silêncio. Maria calou-se e José sofreu, mas era um santo, e foi por isso que Deus lhe concedeu a sua iluminação.

Por fim, Maria exorta-nos sempre a pedir a graça e a agir com confiança, onde quer que estejamos e em qualquer altura.

Conteúdos programáticos: 25.1: Maria fica surpreendida por não ver José quando chega ao Templo. 25.2: Zacarias é recebido com honras. A multidão fica admirada com a idade da mãe. 25.3: Maria não encontra José na estalagem. Espera-o em casa dos pais de Zebedeu. 25.4: José chega e pede desculpa. 25.5: Está preocupado com Maria. 25.6: Zacarias e Isabel vão-se embora. Maria regressa a um magnífico jardim. 25.7: José sai durante a noite e apercebe-se do estado de Maria. 25.8: A dor de um amante é o maior presente que Deus pode dar àqueles que acreditam no seu Filho. 25.9: José também teve a sua Paixão. O sofrimento de Maria nessa altura. 25.10: A grande santidade de José. 25.11: Também tu deves viver a tua paixão. 25.12: Depois da Páscoa (1944), haverá silêncio diante da dor do Redentor.

EMF 25.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.1 Na noite entre quarta e quinta-feira da Semana Santa, eis o que estou vendo.

De um carro cômodo ao qual está amarrado também o burrinho de Maria, vejo descer Zacarias, Isabel e Maria, que tem nos braços o pequeno João, e Samuel com um cordeiro e uma pomba numa cesta. Eles descem na frente da estalagem, da qual costumam servir-se, e que deve ser a etapa final para todos os peregrinos que vão ao Templo, pois é onde deixam os animais.

Maria chama o homenzinho, que é o dono da estalagem, e lhe pergunta se no dia de ontem, ou nas primeiras horas da manhã de hoje, não terá chegado nenhum nazareno.

– Nenhum, mulher –respondeu o velhinho.

Maria fica admirada, mas não pergunta mais nada.

Ela manda que Samuel vá cuidar do burrinho, depois vai se encontrar com os dois pais da criança, e lhes fala do atraso de José:

– Ele terá precisado ocupar-se com alguma coisa. Mas hoje certamente virá.

Maria retoma o menino, que havia entregue a Isabel, e se dirigem para o Templo.

EMF 25.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.1 Na noite entre quarta e quinta-feira da Semana Santa, eis o que estou vendo.

De um carro cômodo ao qual está amarrado também o burrinho de Maria, vejo descer Zacarias, Isabel e Maria, que tem nos braços o pequeno João, e Samuel com um cordeiro e uma pomba numa cesta. Eles descem na frente da estalagem, da qual costumam servir-se, e que deve ser a etapa final para todos os peregrinos que vão ao Templo, pois é onde deixam os animais.

(...) [Ao Templo]

25.2 Zacarias é recebido com grandes honras pelos guardas, saudado e cumprimentado pelos outros sacerdotes. Zacarias está muito bonito hoje, em suas vestes sacerdotais e em sua alegria de pai feliz. Parece um patriarca. Penso que Abraão devia estar assim, quando se alegrou, ao oferecer Isaque ao Senhor.

Vejo a cerimônia da apresentação do novo israelita e a da purificação da mãe. Esta é ainda mais pomposa do que a de Maria, porque para o filho de um sacerdote, os sacerdotes fazem festa. Acorrem todos, e se entregam a uma grande atividade ao redor do grupo das mulheres e do recém-nascido.

Também o povo se aproximou com curiosidade, e estou podendo ouvir os comentários. Visto que Maria está com o menino nos braços, enquanto vão-se dirigindo para o lugar estabelecido, o povo está pensando ser ela a mãe.

Mas uma mulher diz:

– Não pode ser. Não estais vendo que ela está grávida? O menino tem apenas poucos dias de nascido, e ela já está grávida?!

– Contudo –diz um outro–. Ela não pode deixar de ser a mãe. Pois a outra já está velha. A outra, pode ser uma parenta. Mas, naquela idade, mãe é que ela não pode ser.

– Vamos atrás delas, e veremos quem tem razão.

E o espanto se torna geral, quando todos podem ver que quem está cumprindo o rito da purificação é Isabel, pois ela é que está oferecendo o cordeirinho berrador para o holocausto, e o pombo pelo pecado.

– A mãe é aquela? Viste?

– Não!

– Sim.

O povo está cochichando, ainda incrédulo. Mas está cochichando tão alto, que vem um “Psiu” imperioso do grupo sacerdotal, que está presente à cerimônia. As pessoas se calam por um momento, mas recomeçam a cochichar mais forte, quando Isabel, radiante de santo orgulho, pega o menino, e avança pelo Templo a dentro, para fazer a apresentação dele ao Senhor.

– É ela mesmo.

– É sempre a mãe que oferece.

– Mas, que milagre é este?

– Que menino será esse, concedido por Deus àquela mulher, numa idade tão tardia?

– Afinal, que sinal será este?

– Não sabeis? –diz alguém que chega todo ofegante–. É o filho do sacerdote Zacarias, da estirpe de Arão, aquele que ficou mudo, enquanto estava oferecendo o incenso no Santuário.

– Mistério! Mistério! Pois agora ele está falando de novo. O nascimento do filho soltou a língua dele!

– Que espírito lhe terá falado, tornado morta a sua língua, para fazê-lo acostumar-se ao silêncio sobre os segredos de Deus?

– Mistério! Qual verdade conhecerá Zacarias?

– Seria o Messias o filho dele, esperado por Israel?

– Ele nasceu na Judéia. Mas não em Belém, e não de uma virgem. O Messias ele não pode ser.

– Quem, então?

Mas a resposta a tantas perguntas continua a ficar no silêncio de Deus, enquanto o povo permanece na sua curiosidade.

O cerimonial terminou. Os sacerdotes festejam então a mãe e o menino. A única pouco observada, e até evitada com aversão, desde quando perceberam o seu estado, é Maria.

Detalhe

Lucas 1, 65-66: Abriu-se-lhe imediatamente a boca e soltou-se-lhe a língua, e ele [Zacarias] falou e bendisse a Deus.

O medo apoderou-se de todas as pessoas da vizinhança, e todos estes factos foram contados por toda a região montanhosa da Judeia. Todos os que os ouviam guardavam-nos no coração e diziam: "Que será então deste menino?" De facto, a mão do Senhor estava com ele.