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Notas da palavra-chave

Paixão da Virgem Maria e de José

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EMF 13.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quando, na hora da prova, a suspeita assobiou para ele, para atormentá-lo, como homem e como servo de Deus, sofreu como nenhum outro, pela suspeita de ter havido um sacrilégio. Contudo, essa foi a prova que estava por vir. Por enquanto, nesse tempo de graça, ele vê e se coloca ao serviço sincero de Deus. Depois, virá a tempestade da provação, como para todos os santos, a fim de serem provados e transformados em cooperadores de Deus.

Detalhe

Depois de dar a visão do noivado de José e Maria, Jesus fala do seu suposto pai e diz

EMF 13.10-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José não estava no Gólgota? Pensais, então que ele não estava entre os corredentores? Em verdade, vos digo que ele foi o primeiro dos corredentores e, por isso, ele é grande aos olhos de Deus. Grande pelo sacrifício, pela paciência, pela constância e pela fé. Qual fé foi maior do que a de quem acreditou , sem ter visto os milagres do Messias?

13.11 Louvor seja dado ao meu pai adotivo, exemplo para vós naquilo que mais vos falta: pureza, fidelidade e amor perfeito. Ao magnífico leitor do Livro selado, instruído pela Sabedoria para saber compreender os mistérios da graça e eleito para guardar a salvação do mundo contra as insídias de todos os inimigos.

EMF 17.13-15

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A alegria brotou-me do coração, como um pedúnculo de roseira florida. Mas esta viu-se bem depressa ornada com agudos espinhos, apertada no emaranhado da dor, como aqueles ramos que ficam enrolados por alguma trepadeira. A dor pela dor do esposo: eis a angústia na minha alegria. A dor pela dor do meu Filho: eis o espinho na minha alegria.

Eva quis o gozo, o triunfo, a liberdade. Eu aceitei a dor, o aniquilamento, a escravidão. Renunciei à minha vida tranqüila, ao amor do meu esposo, à minha própria liberdade. Não conservei nada para mim. Fiz-me a serva de Deus na carne, na moral, no espírito, confiando-me a Ele, não só para a concepção virginal, mas para a defesa de minha honra, para a consolação do esposo, para o meio com o qual ele pudesse entender a purificação do matrimônio, de tal modo a fazer de nós dois os que haveriam de restituir a dignidade perdida ao homem e à mulher.

17.14

Abracei a vontade do Senhor, por mim mesma, pelo esposo e por meu Filho. Eu disse “sim” pelos três, certa de que Deus não teria faltado com sua palavra, quando prometeu me socorrer na minha­ dor de esposa, que está sendo julgada culpada, de mãe que gera um Filho para entregá-Lo à dor.

Eu disse sim, e basta. Aquele “sim” anulou o “não” de Eva ao mandamento de Deus. “Sim, Senhor, como quiseres. Conhecerei o que Tu queres. Viverei como Tu queres. Alegrar-me-ei, se Tu quiseres. Sofrerei o que Tu quiseres. Sim, sempre sim, meu Senhor, desde o momento em que o Teu raio me fez mãe, até o momento em que me chamaste para Ti. Sempre sim. Todas as vozes da carne, todas as paixões da moral, sob o peso deste meu perpétuo sim. Acima, como num pedestal de diamante, o meu espírito, ao qual faltam asas para voar a Ti, mas que é senhor de todo o eu domado, servo teu. Serva na alegria, serva na dor. Sorri, ó meu Deus! Sê feliz! A culpa foi vencida, excluída, destruída. Ela, agora sob o meu calcanhar, está lavada em meu pranto, destruída pela minha obediência. De meu ventre nascerá a árvore nova, que há de ter em si o Fruto, que conhecerá todo o Mal, por tê-lo padecido em Si, e que doará todo o Bem. Os homens poderão ir a Ele. Eu me darei por feliz, se eles colherem desse fruto, ainda que não se lembrem que este fruto está nascendo de mim. Contanto que o homem se salve, e que Deus seja amado, que se faça desta tua serva o que se faz do solo sobre o qual surge uma árvore: um degrau para subir.”

17.15

Maria, é preciso saber sempre ser degrau, para que os outros subam para Deus. Se nos pisam, não faz mal. Contanto que consigam chegar à Cruz. É a nova árvore que tem o fruto do conhecimento do Bem e do Mal, pois diz ao homem o que é um e outro, a fim de que ele saiba escolher e viver. Esta árvore também tornar-se-a licor que cura os intoxicados do mal que quiseram saborear. O nosso coração esteja sob os pés dos homens, contanto que o número dos redimidos cresça, e que o Sangue do meu Jesus não seja derramado sem fruto. Eis a sorte das servas do Senhor. Depois mereceremos receber no ventre a Hóstia santa e, aos pés da Cruz, impregnada pelo Seu Sangue e pelo nosso pranto, dizer: “Eis aqui, ó Pai, a Hóstia imaculada, que te oferecemos pela salvação do mundo. Olha para nós, ó Pai, unidas com ela e pelos seus merecimentos infinitos, dá-nos a tua bênção.”

EMF 18.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

18.5 Maria, como alguém que toma uma decisão, põe sobre os joelhos o bordado, e diz:

– José, eu também tenho uma coisa para te dizer: Nunca tenho nada, pois sabes como vivo retirada. Mas hoje tenho para ti uma notícia. Tive notícia de que nossa parenta Isabel, mulher de Zacarias, está para ter um filho…

José arregala os olhos, e diz:

– Naquela idade?

– Naquela idade –responde Maria, sorrindo–. O Senhor tudo pode. E agora quis dar esta alegria à nossa parenta.

– Como ficaste sabendo disso? É notícia certa?

– Veio até aqui um mensageiro. É um que não pode mentir. Eu gostaria de ir à casa de Isabel para ajudá-la e dizer-lhe que me congratulo com ela. Se me deres licença…

– Maria, tu és a minha esposa, e eu sou o teu servo. Tudo o que fazes é bem feito. Quando gostarias de ir?

– Quanto antes. Mas ficarei fora alguns meses.

– E eu ficarei contando os dias, à tua espera. Vai tranqüila. Cuidarei da casa e do pomar. Encontrarás na volta as tuas flores tão bonitas, como se tivesses cuidado delas. Só uma coisa… espera. Eu preciso ir, antes da Páscoa, a Jerusalém, comprar alguns objetos para o meu trabalho. Se esperares um ou dois dias, te acompanharei na viagem. Não mais, porque eu preciso voltar logo. Mas, daqui até lá, podemos ir juntos. Eu fico mais tranqüilo, quando sei que não estás sozinha pelas estradas. Para a tua volta, me mandarás notícia, e irei te buscar.

– És tão bom, José. O Senhor te recompense com as suas bênçãos, e mantenha a dor longe de ti. Peço isso sempre a Ele.

18.6 Os dois castos esposos sorriem angelicalmente um para o outro. Faz-se silêncio por algum tempo.

Depois, José se levanta. Torna a colocar o manto, puxa o capuz sobre a cabeça. Saúda Maria, que também se levanta, e sai.

Maria o fica olhando, enquanto ele caminha, e dá com um suspiro, como de pena. Depois, eleva os olhos para o céu. Certamente, está rezando. Fecha a porta com cuidado. Dobra o bordado. Vai à cozinha. Apaga, ou cobre o fogo. Olha se tudo está em seu lugar. Toma o candeeiro, e sai, fechando a porta. Com a mão faz um anteparo de proteção para a chama do candeeiro, que está tremendo pelo vento frio da noite. Entra no aposento, e vai rezar ainda.

A visão termina assim.

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Maria anuncia a José a maternidade de Isabel.

EMF 18.8-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

18.8 Mas, e como dizer-lhe que eu era mãe? Eu procurava palavras para dizer-lhe isso, mas era uma tarefa árdua. Eu não queria louvar-me pelo dom de Deus, e não podia, de maneira alguma, justificar a minha maternidade, sem dizer: “O Senhor me amou mais do que todas as mulheres, e de mim, sua serva, me fez sua esposa.”

Enganá-lo, escondendo-lhe o meu estado, eu não queria também.

Mas, enquanto estava rezando, o Espírito, do qual eu estava plena, me disse: “Cala-te. Confia a Mim a tarefa de justificar-te perante o esposo.” Quando? Como? Estas coisas não lhe perguntei. Eu sempre me havia confiado a Deus, como uma flor na onda que a transporta. Nunca o Eterno me tinha feito ficar sem sua ajuda. Sua mão sempre me havia sustentado, protegido e guiado, até aqui. E iria fazer tudo isso também agora.

18.9 Minha filha, como é bela e confortável a fé em nosso eterno e bom Deus! Ele nos acolhe em seus braços como em um berço, nos leva ao luminoso porto do Bem, como num barco, nos aquece o coração, nos consola, nos nutre, nos dá repouso e alegria, nos dá luz e guia. A confiança em Deus é tudo, pois Deus tudo dá a quem tem confiança Nele. Ele se dá até a Si mesmo.

Naquela tarde levei a minha confiança de criatura à perfeição. Agora, eu o podia fazer, porque Deus estava em mim. Antes, tinha tido a confiança de uma pobre criatura. Sempre um nada, mesmo sendo tão amada, a ponto de ser sem mácula. Mas agora eu tinha uma confiança divina, porque Deus era meu: meu Esposo, meu Filho! Oh! Que alegria! Ser uma com Deus! Não para a minha glória, mas para amá-lo com uma união total e poder dizer-lhe: “Tu, só Tu, que estás em mim, aperfeiçoa com tua divina perfeição tudo o que eu faço.”

Se Ele não me tivesse dito: “Cala-te”, talvez eu até tivesse ousado, com o rosto em terra, dizer a José: “O Espírito penetrou em mim, e em mim está a Semente de Deus.” Ele teria acreditado em mim, porque me estimava e porque, como todos aqueles que não mentem nunca, ele acreditava que os outros também não lhe mentissem. Sim, contanto que eu não lhe causasse nenhuma dor no futuro, eu teria vencido a recusa de dar-me aquele louvor. Mas obedeci à ordem divina.

Durante muitos meses, a partir daquele momento, senti a primeira ferida em meu coração. Foi a primeira dor, na minha condição de co-redentora. Eu a ofereci e sofri para reparar e para dar-vos uma norma de vida nos momentos de sofrimento, quando há necessidade de silêncio em relação a algum acontecimento que vos dê aparência de culpados, aos olhos de quem vos ama.

18.10 Deixai a Deus a guarda do vosso bom nome e dos vossos interesses afetivos. Merecei com uma vida santa a tutela de Deus, e depois, caminhai tranqüilos. Ainda que todo o mundo estiver contra vós, Ele vos defenderá junto a quem vos ama, e fará com que a verdade apareça.

Repousa agora, minha filha. E sê sempre mais minha filha.

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Maria viveu a Anunciação e fala de São José.

EMF 19.2

O Evangelho como me foi revelado

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Ao chegarem no campo, Maria está perto de José. Pouco falam. José pensa em seus trabalhos, e Maria continua com seus pensamentos; recolhida como está, sorri aos pensamentos e às coisas quando, saindo um pouco daquela sua concentração, gira o olhar sobre tudo o que a rodeia. De vez em quando, olha para José, e um véu de seriedade e tristeza lhe ensombra o rosto. Depois, volta-lhe o sorriso, até mesmo ao olhar para este seu esposo, tão previdente, e de poucas palavras, mas que, quando fala, é para perguntar-lhe se tudo vai indo bem e se não está precisando de alguma coisa.

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José e Maria partem para Jerusalém. José não sabia que Maria era mãe.

EMF 22.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Como haverei de amá-lo, o meu Menino! Meu Filho! E José também o amará!

– Tu deverás dizer tudo isso a José!

O rosto de Maria fica anuviado, e ela suspira:

– Deverei dizer-lhe, sem dúvida tudo isso… Eu gostaria que o céu lhe dissesse tudo por mim, porque é uma coisa difícil de dizer.

– Queres que lhe diga eu? Nós vamos convidá-lo para a circuncisão do João, e…

– Não. Eu entreguei a Deus o encargo de instruir o José sobre sua sorte feliz de ter sido escolhido para nutrir o Filho de Deus, e o Senhor­ fará isso. O Espírito me disse, naquela tarde: “Cala-te. Deixa a Mim a tarefa de justificar-te.” E Ele o fará. Deus não mente nunca. Para mim é uma grande provação. Mas, com a ajuda do Eterno, será superada. De minha boca, com exceção de ti, a quem o Espírito Santo o revelou ninguém, vai ficar sabendo a benignidade que o Senhor fez para com sua serva.

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Maria fala do seu filho e diz:

EMF 22.13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

22.13 Quanta paz na casa de Isabel! Se eu não tivesse tido sempre o pensamento de José e do meu Menino, que era o Redentor do mundo, teria sido feliz. Mas é que a cruz já vinha projetando sua sombra sobre a minha vida e eu ouvia as vozes dos Profetas, como um som fúnebre…

Eu me chamava Maria. E a amargura desse nome estava sempre misturada com as doçuras que Deus derramava em meu coração. Essa amargura foi aumentando, até à morte de meu Filho. Mas, quando Deus nos chama, Maria, como as escolhidas vítimas para a sua honra, então, é doce sermos trituradas, como o grão no moinho, para que da nossa dor seja feito o pão que fortalece os fracos, e os torna capazes de chegar ao céu!

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Marie fala do seu tempo em Hebron.

EMF 25.4-5.6-7

O Evangelho como me foi revelado

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25.4 (...) Uma grande batida na porta anuncia a chegada de José. O rosto de Maria se torna sereno de novo.

José a saúda, pois ela é a primeira a apresentar-se e a saudá-lo com reverência:

– A bênção de Deus sobre ti, Maria!

– E sobre ti, José. Graças a Deus, que vieste! Eis Zacarias e Isabel que estavam para partir, pois queriam chegar em casa antes da noite.

– O teu mensageiro chegou a Nazaré, enquanto eu estava em Caná, fazendo uns trabalhos. Anteontem à tarde, é que recebi a notícia. E, então, eu parti logo. Mas, mesmo caminhando sem parar, cheguei tarde, porque no caminho o burrinho perdeu uma ferradura. Perdoa-me.

– Perdoa-me, tu, por ter ficado tanto tempo afastada de Nazaré. Mas, estavam tão felizes de ter-me com eles, que eu quis contentá-los até agora.

– Fizeste bem, mulher. Onde está o menino?

Entram no quarto onde Isabel está dando de mamar a João, antes de partirem. José cumprimenta os pais pela robustez do menino que, tendo sido tirado do peito para ser mostrado a José, grita e esperneia, como se lhe estivessem tirando a pele. Todos riem, diante dos seus protestos. Também os parentes de Zebedeu, riem e se unem na conversação com os outros,pois eles tinham chegado trazendo frutas frescas, leite e pão para todos e um grande tabuleiro com peixes.

25.5 Maria fala muito pouco. Está quieta, silenciosa, sentada em seu cantinho com as mãos no colo e por debaixo do manto. E, mesmo quando ela toma uma taça de leite, ou ao comer um cacho de uvas com um pouco de pão, fala pouco e pouco se move. Olha para José, com um misto de pena e de curiosidade.

Ele também olha para ela. E, depois de algum tempo, inclinando-se sobre o ombro dela, lhe pergunta:

– Estás cansada ou sentindo alguma coisa? Estás pálida e triste.

– Estou triste por ter que separar-me do pequeno João. Gosto dele. Eu o tive sobre o meu coração, poucos momentos depois que nasceu…

José não pergunta mais nada.

Chegou a hora da partida de Zacarias. O carro pára à porta, e todos se dirigem para ele. As duas primas se abraçam com amor. Maria beija duas vezes o pequeno, antes de colocá-lo no colo da mãe, que já está sentada no carro. Depois, saúda Zacarias, e lhe pede a bênção. Ao ajoelhar-se diante do sacerdote, o manto se lhe desliza pelo ombro, e suas formas se tornam visíveis, à luz intensa daquela tarde de verão. Não sei se José notou alguma coisa naquele momento, atento como ele está em saudar Isabel. O carro parte.

(...) José está cochilando. Maria está rezando.

25.7 Chega a tarde. Os hospedeiros insistem com os dois para que comam, antes de se porem a caminho. José, então, come pão e peixe. Maria, só frutas e leite.

Depois, eles partem. Montam em seu burrinhos. José amarrou sobre o seu, como na vinda, o baú de Maria, e, antes que ela monte no burrinho, verifica se a sela está bem segura. Vejo que José fica observando Maria, quando ela monta. Mas ele não diz nada.

E a viagem se inicia, quando as primeiras estrelas começam a tremeluzir no céu. Eles se apressam para chegarem às portas, antes que sejam fechadas. Ao saírem de Jerusalém, tomam a estrada mestra, que vai para a Galiléia, quando as estrelas já enchem todo o céu sereno. Há um grande silêncio pelo campo. Ouve-se apenas o canto de algum rouxinol e o barulho dos cascos dos dois burrinhos, que vão batendo no solo duro da estrada, ressecada pelo calor do verão.

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Maria está à espera de José em Jerusalém, depois da circuncisão de João Batista.

EMF 25.9-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.9 Também o meu José teve a sua Paixão. Ela começou em Jerusalém, quando ele percebeu o meu estado. Durou muitos dias, como aconteceu com Jesus e comigo. E não foi espiritualmente pouco dolorosa. Mas unicamente pela santidade de um justo, como era o meu esposo, é que ela ficou limitada a uma forma tão cheia de dignidade e de segredo, que ficou pouco conhecida, através dos séculos.

Oh! a nossa primeira paixão! Quem poderá falar da íntima e silenciosa intensidade dela? Quem saberá dizer qual a minha dor, ao ver que o céu ainda não me havia atendido em revelar o mistério a José?

Que ele ainda nada sabia, eu já tinha compreendido, ao vê-lo respeitoso comigo, como de costume. Se ele tivesse sabido que eu trazia em mim o Verbo de Deus, ele teria adorado o Verbo encerrado em meu ventre, com os atos de veneração que são devidos a Deus, e que ele não teria deixado de praticar, como eu também não me teria recusado a receber, não por causa de mim, mas por Aquele que estava em mim, que eu em mim trazia, assim como a Arca da aliança conti­nha­ o código escrito na pedra e os vasos de maná.

Quem pode dizer qual foi a minha luta contra o desânimo, que queria me vencer, para me persuadir de que eu havia esperado em vão no Senhor? Oh! Eu creio, que isso vinha da raiva de satanás! Eu senti a dúvida que crescia em meus ombros, e que espichava suas gar­ras geladas para aprisionar minha alma e fazê-la deixar de orar. A dúvida, que é tão perigosa e letal para o espírito. Letal, porque ela é o primeiro agente da doença mortal chamada “desespero”, e contra a qual é preciso reagir com toda a força para não perecer na alma e perder Deus.

Quem pode dizer com toda a verdade qual a dor de José, quais os seus pensamentos, qual a perturbação que ele sentiu em seus afetos? Como um pequeno barco apanhado por uma grande tempestade, ele se achava num encontro entre idéias opostas, como em uma dança ao redor de reflexões, cada uma mais pungente e mais capaz de fazer sofrer do que a outra. Ele era um homem que, pelas aparências, só podia ter sido traído por sua mulher. Por isso, ele via desmoronar, ao mesmo tempo, o seu bom nome e a estima em que ele era tido naquele lugar. Por causa disso, ele se sentia apontado a dedo e alvo de compaixão pelos habitantes da cidade, via morrerem o afeto e a estima de que até então eu vinha gozando, diante da evidência de um fato.

25.10 É aqui que a santidade dele resplende ainda mais brilhante do que a minha. Eu dou testemunho disso com todo o meu afeto de esposa, porque quero que ameis o meu José, este homem sábio e prudente, este homem paciente e bom, que não está separado do mistério da Redenção, mas muito unido a ele, pois, por essa dor que o consumou, ele salvou para vós o Salvador, às custas de seu sacrifício e de sua santidade.

Tivesse ele sido menos santo, teria agido como os homens: me teria denunciado como adúltera, para que eu fosse apedrejada, e o filho do meu pecado morresse comigo. Tivesse ele sido menos santo, Deus não lhe teria concedido a sua luz em tão grande provação. Mas José era santo. Seu espírito puro vivia em Deus. A caridade nele era acesa e forte. Foi pela caridade que ele salvou para vós o Salvador, tanto quanto ele não quis me acusar diante dos anciãos, como também quando, deixando tudo, com uma pronta obediência, salvou Jesus, levando-o consigo para o Egito.

25.11 Breves em número, mas grandes em intensidade, foram aqueles três dias do sofrimento de José. E deste meu primeiro sofrimento. Porque eu compreendia o sofrimento dele, mas não podia aliviá-lo de modo algum, por causa da obediência ao decreto de Deus, que me havia dito: “Cala-te!”

Quando, tendo chegado a Nazaré, eu o vi sair, depois de uma curta saudação, todo curvo e como se tivesse envelhecido em pouco tempo, e não voltar mais a mim, como era de costume, vos digo, filhos, que o meu coração chorou com uma dor grande e aguda. Fechada em mi­nha casa, só, naquela casa em que tudo me fazia recordar a Anunciação e a Encarnação, e onde tudo me falava de José, desposado por mim em uma virgindade imaculada, eu tive que resistir ao desconforto, às insinuações de satanás, e ficar esperando. Orando, perdoar a suspeita de José, e ao seu gesto de justo desdém para comigo.

Filhos, é preciso esperar, rezar, perdoar, para se obter que Deus intervenha em nosso favor. Vivei, vós também, o vosso sofrimento. Ele é devido às vossas culpas. Eu vos ensino como superá-lo e transformá-lo em alegria. Esperar, além de toda medida. Rezar sem desconfiança, perdoar, para serdes perdoados. O perdão de Deus será a paz que desejais, meus filhos.