No dia seguinte, a comitiva apostólica, que saiu de manhã, à tarde já está para entrar em Siquém, tendo atravessado Samaria, de tão belo aspecto, cercada por muros, coroada por belos e majestosos edifícios, ao redor dos quais se comprimem belas casas, enfileiradas. Tenho a impressão de que a cidade, como Tiberíades, tenha sido reconstruída há pouco, e conforme os usos de Roma. Ao redor, do outro lado dos muros, há uma faixa de terras muito férteis e bem cultivadas.
A estrada que da Samaria conduz a Siquém, vai se desenrolando e descendo, de um outeiro para outro, com uma série de muros de arrimo para o terreno, o que me faz lembrar das colinas de Fiésole, com uma vista magnífica para as verdes montanhas do sul e para uma planície muito bonita, que se estende para o oeste[1].
A estrada se inclina para descer até o vale, mas, de vez em quando, volta a subir, para atravessar outras colinas, do alto das quais tem-se a visão da terra da Samaria, com suas belas culturas de oliveiras, de trigais, de vinhedos, sobre os quais vigiam lá do alto das colinas os bosques de carvalhos e de outras árvores de tronco alto, que devem ser providenciais contra os ventos que, vindos das gargantas, tendem a formar turbilhões, que acabariam com as culturas. Esta região me faz lembrar muito aqueles pontos do nosso Apenino aqui perto da Amiata, quando os nossos olhos contemplam, ao mesmo tempo, as culturas comuns e as de cereais da Marema, e as colinas festivas, e os montes severos, que se elevam bem mais altos, no interior. Agora, não sei como está a Samaria. Naquele tempo era muito bonita .
Agora, eis que, entre dois altos montes, os mais altos da região, vê-se, ao longo de um dos lados, um vale e, no centro dele, muito férteis e com águas abundantes, estão as terras de Siquém. É aqui que Jesus e os seus são alcançados pela faustosa caravana da corte do Cônsul, que está de viagem para as festas de Jerusalém. Uns escravos vão a pé, outros vão em carros para tomarem cuidado com o transporte da mobília… Meu Deus, quanta coisa podiam levar atrás de si naquele tempo! E, com os escravos, carros verdadeiros, carregados com um pouco de tudo, e até de liteiras completas e carros para viagens: são carros amplos, de quatro rodas, com um bom molejo, cobertos, para que neles se abriguem as damas… E depois, outros carros e escravos…
Um toldo está sendo afastado, sustentado por uma mão de uma mulher cheia de jóias, e aparece, então, o perfil severo de Plautina, que saúda sem dizer nada, mas com um sorriso. A mesma coisa faz Valéria, que está com sua pequenina entre os joelhos, toda animada, dando gritos e risadinhas. O outro carro de viagem, mais pomposo ainda, passa sem que nenhum toldo seja afastado. Mas, depois de ter passado, faz-se ver, na parte traseira do carro, o rosto rosado de Lídia, que faz um gesto de inclinação. E a caravana se distância…