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Notas do tema

Personagens do Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 82

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está em Jericó. Ensina as crianças a serem gentis com os animais e a não serem indelicadas com eles. Depois, Judas regressa com João do seu encontro com Diomedes, o comprador das jóias de Aglaia. Conta a sua artimanha, o facto de ter feito João parecer um jovem noivo, o facto de o ter feito crer que queria comprar jóias semelhantes às de Aglaia para que o mercador desse o seu preço. Depois disse-lhe que não queria comprar, mas vender, e conseguiu doze talentos, o que é uma soma considerável. Mas o apóstolo mentiu... Jesus aconselhou-o a não voltar a fazê-lo e deu todo o dinheiro aos discípulos de João Batista.

EMF 82.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus chega por uma estrada, e olha ao seu redor. Ainda não vê ninguém. Pacientemente, Ele se encosta a um tronco, e espera, encontrando modo de falar aos moleques sobre a caridade, que começa para com Deus, e desce do Criador a todas as criaturas.

– Não sejais cruéis. Por que quereis perturbar os pássaros dos ares? Eles têm seus ninhos no alto das árvores. Têm os seus filhotes. Não fazem mal a ninguém. Dão a nós os seus cantos e limpeza, comendo os restos deixados pelo homem e os insetos que danificam os cereais e as frutas. Por que feri-los e matá-los, privando os filhotes dos pais e das mães, ou privando-os de seus filhotes? Gostaríeis, que um malvado entrasse em vossa casa, e a destruísse, ou que matasse vossos pais, ou vos levasse para longe deles? Não, vós não gostaríeis. E, então, por que fazer a estes inocentes o que não quereríeis que vos fôsse feito? Como podereis um dia não fazer mal ao homem, se desde pequenos endureceis o vosso coração contra pequenas criaturas inermes e tão graciosas, como são os passarinhos? Não sabeis que a Lei diz: “Ama a teu próximo como a ti mesmo”? Quem não ama ao próximo, não pode tampouco amar a Deus. E, quem não ama a Deus, como pode ir à sua Casa para rezar? Deus poderia dizer-lhe, e o diz no Céu: “Vai-te embora. Eu não te conheço. Tu és meu filho? Não. Não amas os irmãos, não respeitas o Pai, que os fez, por isso, não és irmão, nem filho, mas um bastardo: enteado de Deus, meio-irmão para os irmãos.” Vedes como o Senhor eterno ama? Nos meses mais frios faz que os seus passarinhos encontrem os depósitos cheios de feno para neles se aninharem. Nos meses quentes, dá a sombra das folhas para protegê-los do sol. No inverno, nos campos, os grãos estão mal cobertos de terra, e é fácil encontrar a semente com que se nutrem. No verão, alivia-se a sede com as frutas suculentas, e os ninhos podem ser feitos bem firmes e quentes com os fios do feno e a lã que as ovelhas deixam presas nos espinheiros. Assim é o Senhor. Vós, pequenos homens, criados por Ele como os pássaros, e por isso, irmãos deles, por que quereis ser diferentes, achando que podeis tratar mal a estes pequenos animais? Sede misericordiosos para com todos, não privando ninguém do que seria justiça de Deus, seja para os vossos irmãos homens, seja para os animais, vossos servos e amigos…

– Mestre –chama Simão–. Judas está chegando!

– … e Deus será misericordioso para convosco, dando-vos tudo o de que precisais, como dá a estes inocentes. Ide, e levai convosco a paz de Deus.

EMF 82.2-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Chegam a uma pequena praça secundária. Judas diz:

– Estás vendo aquela casa sem janelas, com aquela portinha tão estreita, que mais parece uma fenda? É a casa do ourives Diomedes. Parece uma casa pobre, não é? Mas lá dentro há tanto ouro, que dá para comprar toda Jericó e… ah! ah!… (Judas ri maldosamente…) No meio daquele ouro podem encontrar-se também muitas joias e louças e… também outras coisas usadas pelas pessoas mais influentes de Israel. Diomedes… oh! todos fingem não conhecê-lo, mas todos o conhecem: desde os herodianos, até… afinal, todos. Sobre aquela parede lisa e pobre, poder-se-ia escrever: “Mistério e Segredo.” Se aquelas paredes falassem! Em vez de escandalizar-te do modo como eu fiz o negócio, João, tu morrerias sufocado pelo assombro e pelo escrúpulo. A propósito, escuta, Mestre! Não me mandes mais com João a certos negócios. Por pouco, ele quase faz malograr tudo. Não sabe pegar as coisas no ar, não sabe dizer não, e, com um astuto como o Diomedes, precisamos ser ágeis e corajosos.

João murmura:

– Tu dizias cada coisa! Tão inesperada, e então… Oh, sim, Mestre não me mandes mais. Eu sou só capaz de amar….

– Dificilmente teremos mais necessidade desse tipo de vendas –responde Jesus, que está sério.

– Lá está a estalagem. Vem, Mestre. Falo eu Por que… fui eu que fiz tudo.

82.3 Após entrarem, Judas fala com o dono, que está mandando levarem as ovelhas para o curral e, em seguida, conduz pessoalmente os hóspedes para um pequeno quarto, onde há duas esteiras para servir de cama, algumas cadeiras e uma mesa pronta. Depois, se retira.

– Vamos conversar agora, Mestre, enquanto os pastores estão ocupados em acomodar suas ovelhas.

– Eu te estou ouvindo.

– João pode dizer se estou sendo sincero.

– Não duvido disso. Entre homens honestos não deve ser necessário jurar, nem apresentar testemunhas. Fala.

– Chegamos a Jericó, ao meio-dia. Estávamos suados como animais de carga. Não quis dar ao Diomedes a impressão de que tivesse necessidade urgente. E antes eu vim aqui, refresquei-me bem, pus uma veste limpa, e quis que ele fizesse o mesmo. Oh! Ele não queria nem pôr óleo nos cabelos, ou pentear-se… Mas eu havia feito o meu plano, enquanto vinha pelo caminho!… Quando a tarde estava próxima, eu disse: “Vamos.” Já estávamos repousados e refrescados, como dois ricaços em viagem de veraneio. Quando estávamos para chegar à casa do Diomedes, eu disse a João: “Tu me ajudarás. Não me contradigas, e sê pronto para entender.” Mas teria sido melhor, se eu o tivesse deixado fora! Em nada ele me ajudou. Ao contrário… Eu, por sorte, sou esperto por dois, e consertei o que ele atrapalhou.

Da casa saía o cobrador ide impostos. “Bem”, disse eu, “se aquela pessoa está saindo, encontraremos na casa dinheiro e tudo o que quero para fazer uma comparação.” Porque o cobrador, usurário e ladrão, como todos os de sua laia, a fim de gozar com crápulas e mulheres, tem sempre muitas joias arrancadas, com ameaças e usura daqueles infelizes que são taxados, acima do permitido. Ele é muito amigo do Diomedes, que compra e vende ouro e carne… Entramos, depois de eu ter me apresentado. Eu disse: entramos, porque, uma coisa é ir ao corredor onde ele finge trabalhar honestamente com o ouro, e outra, é descer no subterrâneo, onde ele realiza seus verdadeiros negócios. Para ter acesso a este lugar, a gente precisa ser muito conhecida dele. Quando ele me viu, perguntou: “Ainda queres vender ouro? Os tempos estão feios, tenho pouco dinheiro.” É a sua canção de sempre. Eu lhe respondi: “Não venho para vender, mas para comprar. Tens joias para mulheres? Mas bonitas, ricas, preciosas e pesadas, de ouro puro?” Diomedes ficou espantado. E me perguntou: “Queres comprar uma mulher?” “Não se preocupe com isto”, respondi-lhe. “Não é para mim. É para este meu amigo, que é noivo, e quer comprar ouro para a sua amada.”

Neste ponto João começou a bancar a criança. Diomedes, que o olhava, viu-o fortemente ruborizado, dizendo, como velho sujo que é: “Olha! O rapaz, só de ouvir falar da noiva, já está com febre de amor. É muito bonita a tua mulher?”, perguntou ele. Eu dei uma cutucada em João para despertá-lo e fazê-lo entender que não ficasse ali como um bobo. Mas João respondeu um “sim” tão forçado, que Diomedes ficou desconfiado. Então falei: “Se é bonita, ou não, meu velho, não é da tua conta. Não será nunca do tipo daquelas mulheres, pelas quais irás para o inferno. Ela é virgem e honesta, e será uma esposa honesta. Mostra o teu ouro. Eu sou o paraninfo, e estou encarregado de ajudar o jovem… eu, um judeu, e cidadão”. “Ele é Galileu, não é mesmo?” Pelos vossos cabelos, sempre vos traís. “Ele é rico?” “Muito”.

Então fomos lá para baixo, e o Diomedes abriu os cofres. Mas, diz a verdade, João! Não parecia estar no céu, diante de todas aquelas gemas e ouro? Colares, grinaldas, braceletes, brincos, redinhas de ouro e pedras preciosas para os cabelos, grampos, fivelas, anéis… ah! que esplendores! Com muita calma, escolhi um colar, mais ou menos como o de Aglaé, e anéis, fivelas, braceletes… tudo como aqueles que eu tinha na bolsa, e em número igual. Diomedes se espantou, e perguntava: “Mais ainda? Mas, quem é este? E a noiva quem é? Uma princesa?” Quando tive tudo o que eu queria, perguntei: “Qual o preço?”

Oh! Que ladainha, então, se ouviu de lamentações preparatórias, tanto a respeito dos tempos, como das taxas, dos riscos e dos ladrões! Oh! E que outra ladainha de garantias de honestidade. Só depois é que veio a resposta: “Como se trata de ti, vou dizer-te a verdade. Sem nenhum exagero. E, menos disso, nem uma dracma. Peço doze talentos de prata.” “Ladrão!”, eu disse. Depois falei: “Vamos embora, João. Em Jerusalém encontraremos alguém menos ladrão do que este.” E simulei uma saída. Ele correu atrás de mim. “Meu grande amigo, meu caro amigo, vem aqui, escuta o teu pobre servo. Por menos eu não posso. Não posso mesmo. Olha. Vou fazer um esforço e vou arruinar-me. Faço, porque sempre me deste a tua amizade, e contigo sempre fiz bons negócios. Onze talentos, então. É o que eu daria, se tivesse que comprar este ouro de alguém que estivesse com fome. Nem um centésimo a menos. Seria como tirar o sangue de minhas velhas veias.” Não é verdade que ele falava assim? Fazia rir, e causava náuseas.

Quando vi que ele estava bem firme no preço, dei o golpe. “Velho sujo, fica sabendo que eu quero é vender, e não comprar. Quero vender isto. Olha: É bonito como o que tu tens. É ouro de Roma e de feitio novo. Muitos irão querer comprá-lo de ti. É teu por onze talentos. É o que pediste pelo teu. Tu mesmo o avaliaste e, por isso, paga-o”. Ui! Então… “É uma traição. Traíste a minha estima por ti! Tu és a minha ruína! Não posso dar tanto!” “Tu mesmo deste o preço. Paga!” “Não posso.” “Olha que eu vou vender a outro.” “Não, amigo”, e esticava as mãos aduncas para o pequeno monte de Aglaé. “Então, paga: eu devia exigir doze talentos. Mas contento-me com o teu último pedido.” “Não posso.” “Usurário! Olha que eu tenho uma testemunha, e posso denunciar-te como ladrão…” e lhe disse ainda outras virtudes, que não vou repetir por causa deste rapaz…

Enfim, visto que precisava vender e vender logo, eu lhe disse uma coisinha, entre eu e ele, e que não vou cumprir… Mas, que valor tem uma promessa feita a um ladrão? E fechei o negócio por dez talentos e meio. Saímos de lá entre prantos e ofertas de amizade e… de mulheres. E João por pouco não chora… Mas, que importância tem se te acharem viciado? Basta que tu não o sejas. Não sabes que o mundo é assim, e que tu és um aborto do mundo? Um jovem que ignora o sabor de uma mulher? Quem queres que creia nisso? Ou se te acreditam… oh! Eu não queria que pensassem de mim o que podem pensar de ti ao considerar-te não desejoso de mulher.

É isto, Mestre. Conta o dinheiro Tu mesmo. Tinha um montão de dinheiro. Mas passei pelo cobrador de impostos, e lhe disse: “Toma de novo para ti este estorvo, e entrega-me os talentos que o Isaque te deu.” Pois, pelas últimas notícias, fiquei sabendo também disso, depois de feito o negócio.

82.4 E finalmente, eu disse ao Isaque-Diomedes: “Lembra-te de que Judas do Templo não existe mais. Agora sou discípulo de um Santo. Por isso, finjas que nunca me conheceste, se tens amor ao teu pescoço.” E por pouco não o torci naquela mesma hora, porque ele me respondeu mal.

– Que foi que ele te disse? –pergunta Simão, com indiferença.

– Ele me disse: “Tu, discípulo de um Santo? Nunca acreditarei nisso, ou logo verei também aqui o santo, pedindo-me uma mulher.” Ele me disse: “Diomedes é uma velha calamidade do mundo, mas tu és a nova. Eu poderia mudar, porque tornei-me aquilo que sou depois de velho. Mas tu não mudarás. Tu já nascestes assim.” Velho imundo! Ele nega o teu poder, entendes?

– E, como bom grego que é, diz muitas verdades.

– Que estás querendo dizer, Simão? Estás referindo-te a mim?

– Não. Eu me refiro a todos. Ele é alguém que conhece o ouro e os corações, da mesma forma. É um ladrão, um sujo que lida com os negócios mais sujos. Mas percebe-se nele a filosofia dos grandes gregos. Conhece o homem, animal que tem os sete ramos do pecado, polvo que esgana o bem, a honestidade, o amor e muitas outras coisas, tanto em si mesmo, como nos outros.

– Mas não conhece a Deus.

– E tu quererias lhe ensinar?

– Eu? Sim. Por quê? São os pecadores que têm necessidade de conhecer a Deus.

– É verdade. Mas… um mestre deve conhecer para ensinar.

– E eu não conheço?

– Paz, amigos. Estão chegando os pastores. Não perturbemos o espírito deles com discussões entre nós. Tu contaste o dinheiro? Basta. Leva a bom termo cada ação tua como levaste esta, e te repito, se puderes, no futuro, não mentir, nem mesmo para praticar uma boa ação….

82.5 Entram os pastores.

– Amigos. Aqui estão dez talentos e meio. Faltam somente cem denários que Judas tirou para as despesas de alojamento. Tomai.

– Tu dás tudo? –pergunta Judas.

– Tudo. Não quero nem um centésimo daquele dinheiro. Nós temos o óbolo de Deus e daqueles que honestamente O procuram … e não nos faltará nunca o indispensável. Crê nisto. Tomai, e sede felizes, como Eu sou, por causa do Batista. Amanhã ireis dirigir-vos à sua prisão. Irão dois: João e Matias. Simeão com José irá a Elias contar o acontecido e dar-lhe instruções para o futuro. Elias sabe. Depois José voltará com Levi. O lugar do nosso reencontro será daqui a dez dias, junto à porta dos Peixes, em Jerusalém, à hora primeira. Agora vamos comer e descansar. Amanhã, pela manhã, Eu partirei com os meus. Não tenho, por enquanto, mais nada a dizer-vos. Mais tarde, tereis notícia de Mim.

E tudo mais desaparece, quando Jesus corta o pão.

EMF 82.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus abre o círculo dos meninos, ao qual se haviam unido alguns adultos, e vai em direção de Judas e João, que chegam apressados, por um outro caminho. Judas está exultante. João sorri para Jesus… mas não parece exatamente feliz.

– Vem, vem, Mestre. Creio que fiz um bom negócio. Mas, vem comigo. Na estrada não se pode ficar conversando.

– Ir aonde, Judas?

– À estalagem. Já reservei quatro quartos… oh! é coisa modesta, não temas. É só para podermos repousar em uma cama, depois de tantos incômodos com este calor, e comer como homens, e não como pássaros sobre algum ramo, e também para podermos falar em paz. Fiz uma venda muito boa. Não é verdade, João?

João anui sem muito entusiasmo. Mas Judas está de tal modo contente com o seu trabalho, que não nota nem o descontentamento de Jesus com aquela preocupação por um alojamento cômodo, nem a ainda menos entusiasmada atitude de João. E prossegue:

– Tendo eu vendido por mais do que havia avaliado, disse: “É justo que eu fique com uma pequena soma (cem denários) para pagar os nossos quartos e as nossas refeições. Se nós, que temos comido sempre estamos exaustos, imagino Jesus.” E tenho o dever de ficar atento, a fim de que o meu Mestre não fique doente! É um dever de amor, porque Tu me amas, eu te amo… Tem lugar também para vós e para as ovelhas, diz ele aos pastores. Eu pensei em tudo.

Jesus não diz uma palavra. Vai com ele e com os outros…

Chegam a uma pequena praça secundária. Judas diz:

– Estás vendo aquela casa sem janelas, com aquela portinha tão estreita, que mais parece uma fenda? É a casa do ourives Diomedes. Parece uma casa pobre, não é? Mas lá dentro há tanto ouro, que dá para comprar toda Jericó e… ah! ah!… (Judas ri maldosamente…) No meio daquele ouro podem encontrar-se também muitas joias e louças e… também outras coisas usadas pelas pessoas mais influentes de Israel. Diomedes… oh! todos fingem não conhecê-lo, mas todos o conhecem: desde os herodianos, até… afinal, todos. Sobre aquela parede lisa e pobre, poder-se-ia escrever: “Mistério e Segredo.” Se aquelas paredes falassem! Em vez de escandalizar-te do modo como eu fiz o negócio, João, tu morrerias sufocado pelo assombro e pelo escrúpulo. A propósito, escuta, Mestre! Não me mandes mais com João a certos negócios. Por pouco, ele quase faz malograr tudo. Não sabe pegar as coisas no ar, não sabe dizer não, e, com um astuto como o Diomedes, precisamos ser ágeis e corajosos.

João murmura:

– Tu dizias cada coisa! Tão inesperada, e então… Oh, sim, Mestre não me mandes mais. Eu sou só capaz de amar….

– Dificilmente teremos mais necessidade desse tipo de vendas –responde Jesus, que está sério.

– Lá está a estalagem. Vem, Mestre. Falo eu Por que… fui eu que fiz tudo.

82.3

Após entrarem, Judas fala com o dono, que está mandando levarem as ovelhas para o curral e, em seguida, conduz pessoalmente os hóspedes para um pequeno quarto, onde há duas esteiras para servir de cama, algumas cadeiras e uma mesa pronta. Depois, se retira.

– Vamos conversar agora, Mestre, enquanto os pastores estão ocupados em acomodar suas ovelhas.

– Eu te estou ouvindo.

– João pode dizer se estou sendo sincero.

– Não duvido disso. Entre homens honestos não deve ser necessário jurar, nem apresentar testemunhas. Fala.

– Chegamos a Jericó, ao meio-dia. Estávamos suados como animais de carga. Não quis dar ao Diomedes a impressão de que tivesse necessidade urgente. E antes eu vim aqui, refresquei-me bem, pus uma veste limpa, e quis que ele fizesse o mesmo. Oh! Ele não queria nem pôr óleo nos cabelos, ou pentear-se… Mas eu havia feito o meu plano, enquanto vinha pelo caminho!… Quando a tarde estava próxima, eu disse: “Vamos.” Já estávamos repousados e refrescados, como dois ricaços em viagem de veraneio. Quando estávamos para chegar à casa do Diomedes, eu disse a João: “Tu me ajudarás. Não me contradigas, e sê pronto para entender.” Mas teria sido melhor, se eu o tivesse deixado fora! Em nada ele me ajudou. Ao contrário… Eu, por sorte, sou esperto por dois, e consertei o que ele atrapalhou.

Da casa saía o cobrador ide impostos. “Bem”, disse eu, “se aquela pessoa está saindo, encontraremos na casa dinheiro e tudo o que quero para fazer uma comparação.” Porque o cobrador, usurário e ladrão, como todos os de sua laia, a fim de gozar com crápulas e mulheres, tem sempre muitas joias arrancadas, com ameaças e usura daqueles infelizes que são taxados, acima do permitido. Ele é muito amigo do Diomedes, que compra e vende ouro e carne… Entramos, depois de eu ter me apresentado. Eu disse: entramos, porque, uma coisa é ir ao corredor onde ele finge trabalhar honestamente com o ouro, e outra, é descer no subterrâneo, onde ele realiza seus verdadeiros negócios. Para ter acesso a este lugar, a gente precisa ser muito conhecida dele. Quando ele me viu, perguntou: “Ainda queres vender ouro? Os tempos estão feios, tenho pouco dinheiro.” É a sua canção de sempre. Eu lhe respondi: “Não venho para vender, mas para comprar. Tens joias para mulheres? Mas bonitas, ricas, preciosas e pesadas, de ouro puro?” Diomedes ficou espantado. E me perguntou: “Queres comprar uma mulher?” “Não se preocupe com isto”, respondi-lhe. “Não é para mim. É para este meu amigo, que é noivo, e quer comprar ouro para a sua amada.”

Neste ponto João começou a bancar a criança. Diomedes, que o olhava, viu-o fortemente ruborizado, dizendo, como velho sujo que é: “Olha! O rapaz, só de ouvir falar da noiva, já está com febre de amor. É muito bonita a tua mulher?”, perguntou ele. Eu dei uma cutucada em João para despertá-lo e fazê-lo entender que não ficasse ali como um bobo. Mas João respondeu um “sim” tão forçado, que Diomedes ficou desconfiado. Então falei: “Se é bonita, ou não, meu velho, não é da tua conta. Não será nunca do tipo daquelas mulheres, pelas quais irás para o inferno. Ela é virgem e honesta, e será uma esposa honesta. Mostra o teu ouro. Eu sou o paraninfo, e estou encarregado de ajudar o jovem… eu, um judeu, e cidadão”. “Ele é Galileu, não é mesmo?” Pelos vossos cabelos, sempre vos traís. “Ele é rico?” “Muito”.

Então fomos lá para baixo, e o Diomedes abriu os cofres. Mas, diz a verdade, João! Não parecia estar no céu, diante de todas aquelas gemas e ouro? Colares, grinaldas, braceletes, brincos, redinhas de ouro e pedras preciosas para os cabelos, grampos, fivelas, anéis… ah! que esplendores! Com muita calma, escolhi um colar, mais ou menos como o de Aglaé, e anéis, fivelas, braceletes… tudo como aqueles que eu tinha na bolsa, e em número igual. Diomedes se espantou, e perguntava: “Mais ainda? Mas, quem é este? E a noiva quem é? Uma princesa?” Quando tive tudo o que eu queria, perguntei: “Qual o preço?”

Oh! Que ladainha, então, se ouviu de lamentações preparatórias, tanto a respeito dos tempos, como das taxas, dos riscos e dos ladrões! Oh! E que outra ladainha de garantias de honestidade. Só depois é que veio a resposta: “Como se trata de ti, vou dizer-te a verdade. Sem nenhum exagero. E, menos disso, nem uma dracma. Peço doze talentos de prata.” “Ladrão!”, eu disse. Depois falei: “Vamos embora, João. Em Jerusalém encontraremos alguém menos ladrão do que este.” E simulei uma saída. Ele correu atrás de mim. “Meu grande amigo, meu caro amigo, vem aqui, escuta o teu pobre servo. Por menos eu não posso. Não posso mesmo. Olha. Vou fazer um esforço e vou arruinar-me. Faço, porque sempre me deste a tua amizade, e contigo sempre fiz bons negócios. Onze talentos, então. É o que eu daria, se tivesse que comprar este ouro de alguém que estivesse com fome. Nem um centésimo a menos. Seria como tirar o sangue de minhas velhas veias.” Não é verdade que ele falava assim? Fazia rir, e causava náuseas.

Quando vi que ele estava bem firme no preço, dei o golpe. “Velho sujo, fica sabendo que eu quero é vender, e não comprar. Quero vender isto. Olha: É bonito como o que tu tens. É ouro de Roma e de feitio novo. Muitos irão querer comprá-lo de ti. É teu por onze talentos. É o que pediste pelo teu. Tu mesmo o avaliaste e, por isso, paga-o”. Ui! Então… “É uma traição. Traíste a minha estima por ti! Tu és a minha ruína! Não posso dar tanto!” “Tu mesmo deste o preço. Paga!” “Não posso.” “Olha que eu vou vender a outro.” “Não, amigo”, e esticava as mãos aduncas para o pequeno monte de Aglaé. “Então, paga: eu devia exigir doze talentos. Mas contento-me com o teu último pedido.” “Não posso.” “Usurário! Olha que eu tenho uma testemunha, e posso denunciar-te como ladrão…” e lhe disse ainda outras virtudes, que não vou repetir por causa deste rapaz…

Enfim, visto que precisava vender e vender logo, eu lhe disse uma coisinha, entre eu e ele, e que não vou cumprir… Mas, que valor tem uma promessa feita a um ladrão? E fechei o negócio por dez talentos e meio. Saímos de lá entre prantos e ofertas de amizade e… de mulheres. E João por pouco não chora… Mas, que importância tem se te acharem viciado? Basta que tu não o sejas. Não sabes que o mundo é assim, e que tu és um aborto do mundo? Um jovem que ignora o sabor de uma mulher? Quem queres que creia nisso? Ou se te acreditam… oh! Eu não queria que pensassem de mim o que podem pensar de ti ao considerar-te não desejoso de mulher.

É isto, Mestre. Conta o dinheiro Tu mesmo. Tinha um montão de dinheiro. Mas passei pelo cobrador de impostos, e lhe disse: “Toma de novo para ti este estorvo, e entrega-me os talentos que o Isaque te deu.” Pois, pelas últimas notícias, fiquei sabendo também disso, depois de feito o negócio.

82.4

E finalmente, eu disse ao Isaque-Diomedes: “Lembra-te de que Judas do Templo não existe mais. Agora sou discípulo de um Santo. Por isso, finjas que nunca me conheceste, se tens amor ao teu pescoço.” E por pouco não o torci naquela mesma hora, porque ele me respondeu mal.

– Que foi que ele te disse? –pergunta Simão, com indiferença.

– Ele me disse: “Tu, discípulo de um Santo? Nunca acreditarei nisso, ou logo verei também aqui o santo, pedindo-me uma mulher.” Ele me disse: “Diomedes é uma velha calamidade do mundo, mas tu és a nova. Eu poderia mudar, porque tornei-me aquilo que sou depois de velho. Mas tu não mudarás. Tu já nascestes assim.” Velho imundo! Ele nega o teu poder, entendes?

– E, como bom grego que é, diz muitas verdades.

– Que estás querendo dizer, Simão? Estás referindo-te a mim?

– Não. Eu me refiro a todos. Ele é alguém que conhece o ouro e os corações, da mesma forma. É um ladrão, um sujo que lida com os negócios mais sujos. Mas percebe-se nele a filosofia dos grandes gregos. Conhece o homem, animal que tem os sete ramos do pecado, polvo que esgana o bem, a honestidade, o amor e muitas outras coisas, tanto em si mesmo, como nos outros.

– Mas não conhece a Deus.

– E tu quererias lhe ensinar?

– Eu? Sim. Por quê? São os pecadores que têm necessidade de conhecer a Deus.

– É verdade. Mas… um mestre deve conhecer para ensinar.

– E eu não conheço?

– Paz, amigos. Estão chegando os pastores. Não perturbemos o espírito deles com discussões entre nós. Tu contaste o dinheiro? Basta. Leva a bom termo cada ação tua como levaste esta, e te repito, se puderes, no futuro, não mentir, nem mesmo para praticar uma boa ação….

EMF 82.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

82.3 Após entrarem, Judas fala com o dono, que está mandando levarem as ovelhas para o curral e, em seguida, conduz pessoalmente os hóspedes para um pequeno quarto, onde há duas esteiras para servir de cama, algumas cadeiras e uma mesa pronta. Depois, se retira.

– Vamos conversar agora, Mestre, enquanto os pastores estão ocupados em acomodar suas ovelhas.

– Eu te estou ouvindo.

EMF 82.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) E finalmente, eu disse ao Isaque-Diomedes: “Lembra-te de que Judas do Templo não existe mais. Agora sou discípulo de um Santo. Por isso, finjas que nunca me conheceste, se tens amor ao teu pescoço.” E por pouco não o torci naquela mesma hora, porque ele me respondeu mal.

– Que foi que ele te disse? –pergunta Simão, com indiferença.

– Ele me disse: “Tu, discípulo de um Santo? Nunca acreditarei nisso, ou logo verei também aqui o santo, pedindo-me uma mulher.” Ele me disse: “Diomedes é uma velha calamidade do mundo, mas tu és a nova. Eu poderia mudar, porque tornei-me aquilo que sou depois de velho. Mas tu não mudarás. Tu já nascestes assim.” Velho imundo! Ele nega o teu poder, entendes?

– E, como bom grego que é, diz muitas verdades.

– Que estás querendo dizer, Simão? Estás referindo-te a mim?

– Não. Eu me refiro a todos. Ele é alguém que conhece o ouro e os corações, da mesma forma. É um ladrão, um sujo que lida com os negócios mais sujos. Mas percebe-se nele a filosofia dos grandes gregos. Conhece o homem, animal que tem os sete ramos do pecado, polvo que esgana o bem, a honestidade, o amor e muitas outras coisas, tanto em si mesmo, como nos outros.

– Mas não conhece a Deus.

– E tu quererias lhe ensinar?

– Eu? Sim. Por quê? São os pecadores que têm necessidade de conhecer a Deus.

– É verdade. Mas… um mestre deve conhecer para ensinar.

– E eu não conheço?

– Paz, amigos. Estão chegando os pastores. Não perturbemos o espírito deles com discussões entre nós. Tu contaste o dinheiro? Basta. Leva a bom termo cada ação tua como levaste esta, e te repito, se puderes, no futuro, não mentir, nem mesmo para praticar uma boa ação….

EMF 82.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Estão chegando os pastores. Não perturbemos o espírito deles com discussões entre nós. Tu contaste o dinheiro? Basta. Leva a bom termo cada ação tua como levaste esta, e te repito, se puderes, no futuro, não mentir, nem mesmo para praticar uma boa ação….

82.5 Entram os pastores.

– Amigos. Aqui estão dez talentos e meio. Faltam somente cem denários que Judas tirou para as despesas de alojamento. Tomai.

– Tu dás tudo? –pergunta Judas.

– Tudo. Não quero nem um centésimo daquele dinheiro. Nós temos o óbolo de Deus e daqueles que honestamente O procuram … e não nos faltará nunca o indispensável. Crê nisto. Tomai, e sede felizes, como Eu sou, por causa do Batista. Amanhã ireis dirigir-vos à sua prisão. Irão dois: João e Matias. Simeão com José irá a Elias contar o acontecido e dar-lhe instruções para o futuro. Elias sabe. Depois José voltará com Levi. O lugar do nosso reencontro será daqui a dez dias, junto à porta dos Peixes, em Jerusalém, à hora primeira. Agora vamos comer e descansar. Amanhã, pela manhã, Eu partirei com os meus. Não tenho, por enquanto, mais nada a dizer-vos. Mais tarde, tereis notícia de Mim.

E tudo mais desaparece, quando Jesus corta o pão.

EMF 83

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está no campo. Fala com um camponês que lhe confidencia o bem que lhe faz ouvir Jesus (é exatamente o mesmo para nós que lemos a Obra). Jesus fala da bênção de Deus e do sofrimento, do facto de ser expiação e de ser graça. Depois João vai-se embora e Judas pede para ir a Jerusalém ter com um amigo. Jesus fica deprimido com Judas e chora em silêncio numa moita. Reza. Por fim, junta-se-lhe Simão, o Zelota, que sente a sua dor. Falam de Judas... E Simão manifesta também o seu desejo de que ele se encontre com Lázaro.

EMF 83.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

83.1 O campo onde Jesus se encontra é muito fértil. Magníficos pomares, esplêndidos vinhedos com os cachos já formados e prontos para tomarem as cores do ouro e do rubi. Jesus está sentado em um pomar e come as frutas oferecidas a Ele por um camponês.

Talvez Jesus tenha falado antes, porque o homem diz:

– Matar a tua sede é para mim uma alegria, Mestre. O teu discípulo nos havia falado da tua sabedoria, mas nós ficamos admirados ao ouvir-te. Estando tão perto da Cidade Santa, costumamos ir frequentemente lá vender frutas e verduras. Depois, subimos até o Templo, para ouvirmos os rabis. Mas eles não falam como Tu, não. Voltamos de lá dizendo: “Se é assim como dizem, quem poderá salvar-se?” Tu, ao invés! Oh! Parece que ficamos com o coração aliviado! Um coração que se torna criança, mesmo permanecendo homem. Eu sou rústico… não sei explicar-me. Mas certamente Tu me entendes.

– Sim. Eu te entendo. Tu queres dizer que, com a seriedade e o conhecimento das coisas, próprios de quem é adulto, depois de teres ouvido a Palavra de Deus, sentes renascer em teu coração a simplicidade, a fé e a pureza. Parece que te tornaste uma criança sem culpa e malícia, com uma fé tão grande, como quando, guiado pela mão da tua mãe, subiste pela primeira vez ao Templo, ou como quando rezavas sobre os seus joelhos. Isto é o que queres dizer.

– Certo, sim, é isto mesmo. Felizes sois vós, que estais sempre com Ele! –diz depois a João, Simão e Judas, que, sentados sobre um muro baixo, comem figos suculentos. E termina:

– E feliz de mim, por ter-te como hóspede por uma noite.

83.2 Não temo mais desventura nesta minha casa, porque nela entrou a tua bênção.

Jesus responde:

– A bênção produz efeito, se as almas permanecerem fiéis à Lei de Deus e à minha doutrina. Caso contrário, a graça cessa. E é justo. Porque, se é verdade que Deus dá sol e ar tanto aos bons como aos maus, para que vivam, e se há bons se tornam melhores, e maus que se convertem, também é justo a proteção do Pai se volte para determinados lugares, como castigo do mau, a fim que o sofrimento o chame de volta à lembrança de Deus.

– Mas a dor não é sempre um mal?

– Não, amigo. É um mal do ponto de vista humano; mas do ponto de vista sobrenatural a dor é um bem. Aumenta os merecimentos dos justos, que a suportam sem desespero ou revolta, e a oferecem, com sua resignação, como um sacrifício de expiação pelas próprias faltas e as culpas do mundo, sendo redenção para aqueles que não são justos.

– É tão difícil sofrer! –diz o camponês, ao qual se uniram os seus familiares: dez pessoas, entre adultos e crianças.

– Eu sei que o homem acha isso difícil. E, sabendo disso, o Pai não haveria dado dor aos seus filhos. A dor veio pela culpa. Mas, quanto dura a dor sobre a terra? Ou na vida de um homem? Pouco tempo. Sempre pouco, mesmo que dure toda a vida. Agora Eu vos digo: não é melhor sofrer por pouco tempo, do que para sempre? Não é melhor sofrer aqui, do que no Purgatório? Pensai que lá o tempo é multiplicado de um para mil. Oh! Em verdade Eu vos digo que se deveria não maldizer, mas bendizer o sofrimento e chamá-lo de “graça”, chamá-lo de “piedade.”

– Oh! As tuas palavras, Mestre! Nós as bebemos, como sedentos no verão bebem água e mel numa fresca ânfora. Vais mesmo embora amanhã, Mestre?

– Sim, amanhã. Mas ainda voltarei. Para agradecer-te tudo o que fizeste por Mim e pelos meus, e para pedir-te, outra vez, pão e descanso.

– Sempre, Mestre, aqui os encontrarás.

83.3 Aproxima-se deles um homem com um burrinho carregado de verduras.

– Olá! Se o teu amigo quiser ir… O meu filho vai a Jerusalém, para a grande feira de Parasceve.

– Vai, João. Tu sabes o que tens a fazer. Dentro de quatro dias nos tornaremos a ver. A minha paz esteja contigo.

Jesus abraça João e o beija. Simão também faz o mesmo.

– Mestre –diz Judas–, se me permites, eu vou com João. Simão também faz o mesmo.

Palavras-chave

EMF 83.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

83.3 Aproxima-se deles um homem com um burrinho carregado de verduras.

– Olá! Se o teu amigo quiser ir… O meu filho vai a Jerusalém, para a grande feira de Parasceve.

– Vai, João. Tu sabes o que tens a fazer. Dentro de quatro dias nos tornaremos a ver. A minha paz esteja contigo.

Jesus abraça João e o beija. Simão também faz o mesmo.

– Mestre –diz Judas–, se me permites, eu vou com João. Preciso ver um amigo. Todos os sábados ele está em Jerusalém. Eu iria com João até Betfagé, e, a partir de lá, iria por minha conta… É um amigo da família… sabes… minha mãe me disse…

– Eu não te perguntei nada, amigo.

– Dói-me o coração por deixar-te. Mas, dentro de quatro dias estarei de novo Contigo. E serei tão fiel em acompanhar-te, que te cansarás de mim.

– Então, vai. Na aurora que virá daqui a quatro dias, estejas junto à porta dos Peixes. Adeus, e Deus te guarde.

Judas beija o Mestre e vai para perto do burrinho, que segue troteando pela estrada poeirenta.