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Notas do tema

Personagens do Evangelho tal como me foi revelado

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EMF 1.1-3 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

22 de agosto de 1944.

1.1 Jesus me ordena: “Pega um caderno todo novo. Copia, na primeira folha, o ditado do dia 16 de agosto. Neste livro se falará dela”.

Obedeço e copio.

16 de agosto de 1944.

1.2 Jesus diz:

– Hoje escreve apenas isto. A pureza, na sua expressão máxima, tem um tal valor que torna o seio de uma criatura capaz de conter o que não podia ser contido.

A Santíssima Trindade desceu com a sua perfeição em um pequeno espaço, habitando-o com as suas Três Pessoas, encerrando lá o seu Infinito, sem diminuir-se com isso, pois o amor da Virgem e a vontade de Deus dilataram este espaço até transformá-lo num Céu. Eis como essas características se manifestaram:

Assim como no sexto dia[1], o Pai recria a Criatura, tendo uma “filha” digna e verdadeira, feita à sua perfeita semelhança. A imagem de Deus estava estampada em Maria de tal modo que só no Primogênito do Pai lhe era superior. Maria pode ser chamada a “segundogênita” do Pai porque, pela perfeição que lhe foi dada e sabida conservar, por dignidade de esposa e mãe de Deus e também de Rainha do Céu, vem depois do Filho do Pai no seu eterno Pensamento, que “ab aeterno” nela se compraz;

o Filho, sendo também para ela “Filho” ensinando-a, por mistério de graça, a sua verdade e sabedoria quando ainda não era mais que um embrião que lhe crescia no ventre;

o Espírito Santo, aparecendo entre os homens por uma antecipada Pentecostes, por uma prolongada Pentecostes, Amor “naquela que amou”, consolação dos homens, pelo fruto do seu ventre, santificação, pela maternidade do Santo.

1.3 Deus, para manifestar-se aos homens, da forma nova e completa que inicia a era da Redenção, não escolheu para seu trono um astro do céu, nem o palácio real de um poderoso. Não quis nem mesmo as asas dos anjos como base para seus pés. Quis um seio sem mácula.

Eva também tinha sido criada sem mancha. Mas espontaneamente quis corromper-se. Maria, tendo vivido num mundo corrupto (Eva, ao contrário, vivera num mundo puro) não quis prejudicar a sua inocência nem mesmo com um pensamento voltado ao pecado. Sabia que o pecado existe. Viu os vultos diversos e horríveis. Viu todos, até o mais horrendo vício: o deicídio. Mas os conheceu para expiá-los e ser, eternamente, aquela que tem piedade dos pecadores e ora por suas redenções.

1.4 Este pensamento será introdução a outras coisas santas que darei para teu conforto e de muitos outros.

EMF 1.3 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Deus, para manifestar-se aos homens, da forma nova e completa que inicia a era da Redenção, não escolheu para seu trono um astro do céu, nem o palácio real de um poderoso. Não quis nem mesmo as asas dos anjos como base para seus pés. Quis um seio sem mácula.

Eva também tinha sido criada sem mancha. Mas espontaneamente quis corromper-se. Maria, tendo vivido num mundo corrupto (Eva, ao contrário, vivera num mundo puro) não quis prejudicar a sua inocência nem mesmo com um pensamento voltado ao pecado. Sabia que o pecado existe. Viu os vultos diversos e horríveis. Viu todos, até o mais horrendo vício: o deicídio. Mas os conheceu para expiá-los e ser, eternamente, aquela que tem piedade dos pecadores e ora por suas redenções.

EMF 2.1-5 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

2.1 Vejo o interior de uma casa. Nela está sentada, junto a um tear, uma mulher de idade. Diria, ao vê-la com os cabelos antes pretos, agora grisalhos, e no rosto não enrugado mas já cheio daquela seriedade que vem com os anos, que ela possa ter entre cinqüenta e cinqüenta e cinco anos. Não mais.

Ao indicar estas idades femininas me baseio no rosto de minha mãe, cuja imagem tenho mais que nunca presente nestes dias que me lembram os seus últimos dias junto ao meu leito… Depois de amanhã fará um ano que não a vejo mais… Minha mãe tinha um rosto jovial, sob os cabelos precocemente embranquecidos. Aos cinqüenta anos eram brancos e pretos como no fim de sua vida. Mas, exceto a maturidade do olhar, nada denunciava os seus anos. Por isso poderia errar também ao dar às mulheres idosas um certo número de anos.

Esta que vejo tecer, em uma sala toda clara de luz, que penetra da porta escancarada sobre um grande pomar — diria, um sitiozinho, porque se estende num sobe e desce, até uma encosta verde — é bonita em seus traços decididamente hebreus. Olhos negros e profundos que, não sei porquê, me lembram os de João Batista. Mas este olhar sendo altivo como de uma rainha, é doce também. Como se sobre o seu coruscar semelhante ao de uma águia fosse estendido um tênue véu azul. Doce e apenas um pouco triste, como de quem pensa, e lamenta, as coisas perdidas. A tez é morena, mas não excessivamente. A boca, levemente grande, é bem desenhada, e está parada num gesto austero que porém não é duro. O nariz é comprido e delicado, levemente inclinado para baixo. Um nariz aquilino que fica bem com aqueles olho¬s. É robusta, mas não gorda. Bem proporcionada e creio que alta, a julgar de como aparece sentada.

Parece-me que está tecendo uma cortina ou um tapete. As lançadeiras multicolores correm rápidas sobre a trama que é marrom escuro, e o que já está feito mostra um vago entrelaçamento de galões e rosáceas nos quais verde, amarelo, vermelho e azul profundo se cruzam e se fundem como em um mosaico. A mulher está vestida com uma roupa muito simples e escura. Um roxo-avermelhado que parece igual a alguns amores-perfeitos.

2.2 Levanta-se ao ouvir bater à porta. É alta realmente. Abre.

Uma mulher lhe pede:

– Ana, queres dar-me a tua ânfora? Eu a encherei para ti.

A mulher tem consigo um menininho travesso de cinco anos que se pendura imediatamente nos vestidos da nominada Ana, que o acaricia enquanto vai em um outro cômodo e retorna com uma bonita ânfora de cobre, que oferece à mulher dizendo:

– Tu és sempre boa, com a velha Ana. Deus te recompense por isto e pelos filhos que tens e terás, tu bem-aventurada!

Ana suspira.

A mulher a olha e não sabe o que dizer por aquele suspiro; para desviar a compaixão, que se compreende existe, diz:

– Eu te deixo Alfeu, se não te aborreces, assim posso andar mais depressa e te encherei muitas moringas e jarras.

Alfeu está bem alegre de ficar, e explica-se o motivo. Tendo ido embora a mãe, Ana o pega no colo e o leva ao pomar, o levanta até uma parreira de uvas loiras como topázio e diz:

– Come, come, que são gostosas.

E o beija no rostinho sujo de suco de uva, que o menino arranca avidamente do cacho.

Depois ri com gosto, e parece imediatamente mais jovem por causa dos dentes bonitos que aparecem e pela alegria que lhe cobre o rosto, anulando os anos, quando o menino diz:

– E agora o que me dás?

Ele a olha com dois olhos grandes arregalados de um cinzento azul escuro.

Ela ri e brinca inclinando-se sobre os joelhos, dizendo:

– O que me dás se te dou… se te dou… adivinha!

O menino, batendo as mãozinhas, diz todo risonho:

– Beijos, beijos te dou, Ana bonita, Ana boa, Ana mamãe!…

Ana, ouvindo dizer: “Ana mamãe”, dá um verdadeiro grito de afeto jubiloso e se abraça contra o pequenino, dizendo:

– Oh que alegria! Querido! Querido! Querido!

A cada “querido” um beijo desce sobre a pequena face rósea. E depois vão a uma estante, e vai tirando de um prato pãezinhos de mel.

– Fiz os pãezinhos para ti, beleza da pobre Ana, para ti que me queres bem. Mas, diz-me, quanto me queres bem?

E o menino, pensando naquilo que mais o impressionou, diz:

– Tanto quanto amo o Templo do Senhor.

Ana o beija ainda sobre os olhinhos espertos, sobre a boquinha vermelha, e o menino a toca de leve como um gatinho.

A mãe vai e vem com o cântaro cheio e ri sem dizer nada. Ela os deixa ao seu entusiasmo.

2.3 Entra do pomar um homem ancião, um pouco mais baixo que Ana, com uma cabeça de cabelos espessos todos brancos. Um rosto claro, de barba aparada, com dois olhos azuis como turquezas entre cílios de um castanho claro quase loiro. Está vestido de marrom escuro.

Ana não o vê porque virou-se de costas à porta, e ele vem atrás dela dizendo:

– E a mim nada?

Ana vira-se e diz:

– Oh Joaquim! Terminastes o teu trabalho?

Ao mesmo tempo, o pequeno Alfeu lhe abraça os joelhos dizendo:

– A ti também, a ti também!

Quando o ancião se inclina e o beija, o menino cinge-lhe o pescoço despenteando-lhe a barba com as mãozinhas e com beijos.

Joaquim também tem o seu presente. Tira de trás das costas a mão esquerda e lhe oferece uma maçã tão bonita que parece de cerâmica. Rindo diz ao menino, que estende as mãozinhas avidamente:

– Espera que a corto em fatias para ti. Assim não podes. É maior do que tu!

Com um canivete que carrega à cintura, uma faca de podador, a corta em fatias, parecendo dar de comer a um passarinho no ninho, tal é o cuidado com que coloca os bocados na boquinha aberta que mastiga e mastiga.

– Mas olha só que olhos, Joaquim! Não parecem dois pedacinhos do mar da Galiléia, quando o vento da noite lança um véu de nuvem no céu?

Ana fala apoiando uma mão nas costas do marido e apoiando-se também levemente a si mesma, num gesto que revela um profundo amor de esposa, um amor intacto, depois de muitos anos de casamento.

Joaquim a olha com amor e concorda dizendo:

– Maravilhosos! E aqueles caracoizinhos? Não têm a cor da palha que o sol secou? Olha: entre eles há uma mistura de ouro e cobre.

2.4 – Ah! Se tivéssemos tido um menino, teria querido assim, com estes olhos e estes cabelos…

Ana está inclinada, aliás, ajoelhada e com um grande suspiro, beija os dois grandes e belos olhos cinza-azulados.

Joaquim também suspira. Mas quer consolá-la. Coloca-lhe a mão sobre seus cabelos crespos e embranquecidos e lhe diz:

– Convém ainda esperar. Deus tudo pode. Enquanto se é vivo, o milagre pode acontecer, especialmente quando se ama e se é amado.

Joaquim frisa muito as últimas palavras.

Mas Ana calada, desalentada, está com a cabeça inclinada para não mostrar duas lágrimas que descem, e que somente o pequeno Alfeu vê; admirado e angustiado por ver a sua grande amiga chorar, como faz algumas vezes, levanta a mãozinha e enxuga aquele pranto.

– Não chores Ana! Somos felizes assim mesmo. Ao menos eu sou, porque tenho a ti.

– Eu também. Mas não te dei um filho… Penso que desagradei ao Senhor, já que me secou as entranhas…

– Oh minha mulher! Em que tu, santa, queres ter-lhe desagradado? Escuta. Vamos ainda uma vez ao Templo. Por este motivo. Não só pelos Tabernáculos. Façamos uma longa oração… Talvez te aconteça como com Sara… ou com Ana de Elcana[2]. Muito esperaram, e se acreditavam reprovadas por serem estéreis. Ao invés disso, nos céus de Deus, amadurecia um filho santo para elas. Sorri, minha esposa. O teu pranto me dói mais do que não ter prole… Levaremos Alfeu conosco e o faremos orar, ele que é inocente… Deus ouvirá a sua e a nossa oração, nos atendendo então.

– Sim. Façamos um voto ao Senhor. Será seu o recém-nascido. Contanto que nos conceda… Oh! Ouvi-lo chamar-me “mamãe”!

E Alfeu, espectador admirado e inocente:

– Eu te chamo assim!

– Sim, querida alegria… mas tu tens a tua mamãe e eu… eu não tenho nenhuma criança…

A visão termina aqui.

2.5 Entendo que iniciou o ciclo do nascimento de Maria. E estou muito contente, porque o desejava muito. Penso que também o senhor[3] ficará contente.

Antes que eu começasse a escrever, ouvi a Mãe dizer:

– Filha, escreve então sobre mim. Todo o teu desgosto será consolado.

Enquanto dizia isto, me pousava a mão sobre a cabeça em uma suave carícia. Depois veio a visão. Mas a princípio, ou seja, enquanto não ouvi chamar a senhora de cinqüenta anos por nome, não havia compreendido estar diante da mãe da mãe e por isto da graça do seu nascimento.

EMF 2.2 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Levanta-se ao ouvir bater à porta. É alta realmente. Abre.

Uma mulher lhe pede:

– Ana, queres dar-me a tua ânfora? Eu a encherei para ti.

A mulher tem consigo um menininho travesso de cinco anos que se pendura imediatamente nos vestidos da nominada Ana, que o acaricia enquanto vai em um outro cômodo e retorna com uma bonita ânfora de cobre, que oferece à mulher dizendo:

– Tu és sempre boa, com a velha Ana. Deus te recompense por isto e pelos filhos que tens e terás, tu bem-aventurada!

Ana suspira.

A mulher a olha e não sabe o que dizer por aquele suspiro; para desviar a compaixão, que se compreende existe, diz:

– Eu te deixo Alfeu, se não te aborreces, assim posso andar mais depressa e te encherei muitas moringas e jarras.

Alfeu está bem alegre de ficar, e explica-se o motivo. Tendo ido embora a mãe, Ana o pega no colo e o leva ao pomar, o levanta até uma parreira de uvas loiras como topázio e diz:

– Come, come, que são gostosas.

E o beija no rostinho sujo de suco de uva, que o menino arranca avidamente do cacho.

Depois ri com gosto, e parece imediatamente mais jovem por causa dos dentes bonitos que aparecem e pela alegria que lhe cobre o rosto, anulando os anos, quando o menino diz:

– E agora o que me dás?

Ele a olha com dois olhos grandes arregalados de um cinzento azul escuro.

Ela ri e brinca inclinando-se sobre os joelhos, dizendo:

– O que me dás se te dou… se te dou… adivinha!

O menino, batendo as mãozinhas, diz todo risonho:

– Beijos, beijos te dou, Ana bonita, Ana boa, Ana mamãe!…

Ana, ouvindo dizer: “Ana mamãe”, dá um verdadeiro grito de afeto jubiloso e se abraça contra o pequenino, dizendo:

– Oh que alegria! Querido! Querido! Querido!

A cada “querido” um beijo desce sobre a pequena face rósea. E depois vão a uma estante, e vai tirando de um prato pãezinhos de mel.

– Fiz os pãezinhos para ti, beleza da pobre Ana, para ti que me queres bem. Mas, diz-me, quanto me queres bem?

E o menino, pensando naquilo que mais o impressionou, diz:

– Tanto quanto amo o Templo do Senhor.

Ana o beija ainda sobre os olhinhos espertos, sobre a boquinha vermelha, e o menino a toca de leve como um gatinho.

A mãe vai e vem com o cântaro cheio e ri sem dizer nada. Ela os deixa ao seu entusiasmo.

Detalhe

A Anne está em casa e alguém veio à sua procura.

EMF 2.4 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ah! Se tivéssemos tido um menino, teria querido assim, com estes olhos e estes cabelos…

Ana está inclinada, aliás, ajoelhada e com um grande suspiro, beija os dois grandes e belos olhos cinza-azulados.

Joaquim também suspira. Mas quer consolá-la. Coloca-lhe a mão sobre seus cabelos crespos e embranquecidos e lhe diz:

– Convém ainda esperar. Deus tudo pode. Enquanto se é vivo, o milagre pode acontecer, especialmente quando se ama e se é amado.

Joaquim frisa muito as últimas palavras.

Mas Ana calada, desalentada, está com a cabeça inclinada para não mostrar duas lágrimas que descem, e que somente o pequeno Alfeu vê; admirado e angustiado por ver a sua grande amiga chorar, como faz algumas vezes, levanta a mãozinha e enxuga aquele pranto.

– Não chores Ana! Somos felizes assim mesmo. Ao menos eu sou, porque tenho a ti.

– Eu também. Mas não te dei um filho… Penso que desagradei ao Senhor, já que me secou as entranhas…

– Oh minha mulher! Em que tu, santa, queres ter-lhe desagradado? Escuta. Vamos ainda uma vez ao Templo. Por este motivo. Não só pelos Tabernáculos. Façamos uma longa oração… Talvez te aconteça como com Sara… ou com Ana de Elcana[1]. Muito esperaram, e se acreditavam reprovadas por serem estéreis. Ao invés disso, nos céus de Deus, amadurecia um filho santo para elas. Sorri, minha esposa. O teu pranto me dói mais do que não ter prole… Levaremos Alfeu conosco e o faremos orar, ele que é inocente… Deus ouvirá a sua e a nossa oração, nos atendendo então.

– Sim. Façamos um voto ao Senhor. Será seu o recém-nascido. Contanto que nos conceda… Oh! Ouvi-lo chamar-me “mamãe”!

E Alfeu, espectador admirado e inocente:

– Eu te chamo assim!

– Sim, querida alegria… mas tu tens a tua mamãe e eu… eu não tenho nenhuma criança…

A visão termina aqui.

Detalhe

Anne e Joachim observam o pequeno Alphée e Anne revela o seu sofrimento por não ter um filho.

EMF 3.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ana suspira. E a outra:

– Sim. Sou pobre, mas os filhos são a nossa alegria e os maiorzinhos já ajudam no trabalho. E tu, senhora (tudo indica que Ana seja de condição mais elevada, pois a outra o notou) quantas crianças tens?

– Nenhuma.

– Nenhuma?! Esta não é tua?

– Não, de uma vizinha muito boa. É o meu conforto…

– Morreram ou…

– Não, nunca as tive.

– Oh!

A pobre mulher a olha com piedade.

Ana se despede com um grande suspiro e vai à sua cabana.

– Eu te fiz esperar, Joaquim! Uma pobre mulher entreteve-me; mãe de seis filhos, imagine! E terá outro!

Joaquim suspira.

O pai de Alfeu chama o seu filho, mas este lhe responde:

– Eu fico com a Ana. Estou ajudando-a.

Todos riem.

– Deixa-o. Ele não me dá aborrecimento. Ainda não está obrigado a observar a Lei. Estando aqui ou ali, ele não passa de um passarinho comilão –diz Ana que senta-se com o menino no colo, ao qual dá pão com peixe assado.

Vejo que antes de dar o peixe, parece estar lhe tirando os espinhos. Depois serve o marido. Ela come por último.

3.4 A noite está sempre mais cheia de estrelas e as luzes sempre mais numerosas no campo. Depois lentamente muitos candeeiros se apagam. São daqueles que jantaram antes e que agora se põem a dormir. Também o murmúrio diminui devagar. Vozes de meninos não se ouvem mais. Só alguma criança de peito faz ouvir a sua vozinha de cordeirinho buscando o leite da mamãe. A noite sopra o seu hálito sobre as pessoas, apagando desgostos e lembranças, esperanças e rancores. Aliás, talvez Joaquim e Ana sobrevivam tranqüilizados, seja no sono, que no sonho.

Ana o diz ao marido, enquanto embala Alfeu que começa a dormir em seus braços:

– Esta noite sonhei que no próximo ano eu virei à Cidade Santa para duas festas, ao invés de uma. E uma será a dádiva da minha criança ao Templo… Oh! Joaquim!…

– Espera, espera Ana. Não ouvistes outra coisa? O Senhor não te segredou nada em teu coração?

– Nada. Somente um sonho…

– Amanhã é o o último dia de oração. Todas as ofertas já foram feitas. Mas as renovaremos ainda amanhã, solenemente. Convenceremos Deus com o nosso amor fiel. Eu penso sempre que te acontecerá o mesmo que com a Ana de Elcana.

– Queira Deus… e que houvesse logo alguém que me dissesse: “Vá em paz. O Deus de Israel te concedeu a graça que pedistes!”

– Se a graça vier, o teu menino dir-te-á mexendo-se pela primeira vez no teu ventre, e será voz de inocente, por isto, voz de Deus.

Agora o campo cala-se no escuro. Ana também devolve Alfeu à cabana contígua e o põe sozinho sobre a enxerga de feno próximo aos irmãozinhos que já dormem. E depois deita-se ao lado de Joaquim, e também a sua lamparina se apaga. Uma das últimas estrelinhas da terra. Ficam mais bonitas as estrelas do firmamento a velar sobre todos os que dormem.

Anotação

Anne leva Alphée para a cabana vizinha e deita-o na cama de feno ao lado dos seus irmãos, que já estão a dormir. Assim, o Alphée tinha irmãos.

EMF 3.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Joaquim está na soleira da sua pequena cabana de ramos falando com um homem de uns trinta anos. (Alfeu de longe o saúda com um gritinho agudo dizendo: “Papai”)

Quando Joaquim avista Ana que se aproxima, apressa-se em acender a candeiazinha.

Anotação

O marido de Sara de Nazaré - irmã de Maria de Cléofas - estava presente na festa. Nasceu, portanto, por volta de 52 a.C.

EMF 3.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) É um bonito menino. Quantos anos tem?

– Três anos. É o penúltimo e logo terei um outro. Tenho seis meninos. Agora queria uma menina… Para uma mãe é importante uma menina…

– O Altíssimo muito te consolou, ó mulher!

Ana suspira. E a outra:

– Sim. Sou pobre, mas os filhos são a nossa alegria e os maiorzinhos já ajudam no trabalho. E tu, senhora (tudo indica que Ana seja de condição mais elevada, pois a outra o notou) quantas crianças tens?

– Nenhuma.

– Nenhuma?! Esta não é tua?

– Não, de uma vizinha muito boa. É o meu conforto…

– Morreram ou…

– Não, nunca as tive.

– Oh!

A pobre mulher a olha com piedade.

Ana se despede com um grande suspiro e vai à sua cabana.

Detalhe

Ana está a falar com uma mulher que tem um filho e a mulher de Joaquim pergunta-lhe que idade tem a criança. Neste diálogo, ficamos a saber que Sara de Nazaré é a vizinha de Ana.

Anotação

Quando adulto, o pequeno Alphée de Sara seria de facto o vizinho da Virgem Maria em Nazaré. Ver, por exemplo, o capítulo 19, página 81 (EMV 12) ou o volume 2, capítulo 65 (EMV 100). No volume 2, capítulo 74, página 409 (EMV 107), foi a ele que Maria confiou as chaves de sua casa, quando partiu em viagem.

EMF 3.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O pai de Alfeu chama o seu filho, mas este lhe responde:

– Eu fico com a Ana. Estou ajudando-a.

Todos riem.

– Deixa-o. Ele não me dá aborrecimento. Ainda não está obrigado a observar a Lei. Estando aqui ou ali, ele não passa de um passarinho comilão –diz Ana que senta-se com o menino no colo, ao qual dá pão com peixe assado.

Anotação

Ainda não estava obrigado a observar a Lei. Cf. Levítico 23:36; Números 29:35. O fim da festa era um dia de descanso. O oitavo dia (Shemini Atzereth) é a festa da alegria da Torah (Sim'Hath Torah). É um dia de descanso. A oração da chuva é recitada neste dia. Esta festa encerra a série das três festas de peregrinação.

Livro do Levítico 23, 36

Lv 23, 36: Durante sete dias, oferecerás sacrifícios queimados a Javé. No oitavo dia, tereis uma assembleia santa e oferecereis sacrifícios queimados a Javé; é uma festa de encerramento: não fareis nenhum trabalho servil.

Livro dos Números, 29, 35

Números29, 35 : No oitavo dia, tereis uma assembleia solene; não fareis nenhum trabalho servil.

EMF 3.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ana passa com o seu porte majestoso entre as fileiras de cabanas. Real, mesmo se humilde, Ana não é soberba com ninguém. Levanta o menino de uma pobre mulher, que caiu, exatamente a seus pés, ao tropeçar na sua corrida travessa. Visto que havia sujado o rostinho de terra, ela o limpa, consolando-o porque chora, e o devolve à mãe, que chega cor­rendo e se desculpa. Ana respode:

– Oh! Não é nada! Estou contente que não tenha se machucado. É um bonito menino. Quantos anos tem?

– Três anos. É o penúltimo e logo terei um outro. Tenho seis meninos. Agora queria uma menina… Para uma mãe é importante uma menina…

– O Altíssimo muito te consolou, ó mulher!

Ana suspira. E a outra:

– Sim. Sou pobre, mas os filhos são a nossa alegria e os maiorzinhos já ajudam no trabalho. E tu, senhora (tudo indica que Ana seja de condição mais elevada, pois a outra o notou) quantas crianças tens?

– Nenhuma.

– Nenhuma?! Esta não é tua?

– Não, de uma vizinha muito boa. É o meu conforto…

– Morreram ou…

– Não, nunca as tive.

– Oh!

A pobre mulher a olha com piedade.

Ana se despede com um grande suspiro e vai à sua cabana.

– Eu te fiz esperar, Joaquim! Uma pobre mulher entreteve-me; mãe de seis filhos, imagine! E terá outro!

Joaquim suspira.

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