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Notas da palavra-chave

Filipe (apóstolo)

Tema: Personagens do Evangelho tal como me foi revelado · Página 11 de 12

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EMF 206.8-9.14-17 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

… É incansável de fato — enquanto o sol desaparece, deixando como lembrança uma vermelhidão no céu, com o primeiro, incerto e solitário trilar dos grilos, — Jesus se põe a caminho pelo meio de um prado, há pouco ceifado, e no qual as ervas cortadas, que já estão murchando, formam um tapete de uma fragrância aguda e suave. Acompanham-no os apóstolos, as Marias, Marta e Lázaro com os de sua casa, Isaac com os seus discípulos, eu diria até que com toda a Betânia. Entre os seus servos está o velhinho com a mulher, aqueles dois que, no Monte das Bem-aventuranças, acharam também um conforto para os seus dias.

Jesus para, a fim de abençoar o patriarca que, chorando, vai beijar-lhe a mão e acaricia o menino, que vai caminhando ao lado de Jesus, e dizendo-lhe:

– Feliz de ti, que o podes acompanhar sempre! É uma grande felicidade! Sobre tua cabeça está suspensa uma coroa… Oh! Feliz de ti!

Quando todos já estão em seus lugares, Jesus começa a falar (...).

[Jesus conta a parábola do rei que celebra o casamento do seu filho.]

Levantai-vos, e vamos descansar. Eu vos abençôo, ó cidadãos de Betânia, a todos vós. Eu vos abençôo e vos dou a minha paz. Eu abençôo em particular a ti, ó Lázaro, meu amigo, e a ti, Marta. Abençôo aos meus discípulos antigos e novos, que Eu mando pelo mundo para chamar, para convidar para as núpcias do Rei. Ajoelhai-vos, para que Eu vos abençoe a todos. Pedro, dize a oração que Eu vos ensinei e vem dizê-la aqui ao meu lado, de pé, porque assim há de ser feita por quem para isso foi destinado por Deus.

A assembleia toda se ajoelha sobre o feno, ficando em pé somente Jesus em sua veste de linho, com toda a sua altura e beleza, e Pedro, em sua veste marrom escura, inflamado pela emoção, um pouco trêmulo e que reza, com uma voz não bonita, mas viril, recitando devagar, por medo de errar: “Pai nosso…”

Ouvem-se alguns soluços… de homem, de mulher…

Margziam está ajoelhado justamente ao lado de Maria, que está segurando suas mãozinhas juntas. Olha com um sorriso angelical para Jesus, e diz baixinho:

– Olha mãe é belo! E como é belo também o pai. Parece estarmos no Céu. Será que minha mãe está aqui vendo?

E Maria, em um sussurro, que termina com um beijo, responde:

– Sim, querido. Ela está aqui. E está aprendendo a oração.

– E eu? Também eu a aprenderei?

– Ela a sussurrará à tua alma, enquanto estiveres dormindo, e eu a repetirei durante o dia.

O menino deixa cair para trás a cabecinha morena sobre o peito de Maria e fica assim, enquanto Jesus abençoa com a solene bênção mosaica de sempre.

Depois todos se levantam, indo cada um para a sua própria casa. Só Lázaro é que acompanha ainda Jesus, entrando com Ele na casa de Simão, para estar mais algum tempo com Ele. Entram também todos os outros. Iscariotes se coloca em um canto meio escuro, contrariado. Não tem coragem de ficar perto de Jesus, como fazem os outros…

206.15

Lázaro se congratula com Jesus. Ele diz:

– Oh! Sinto muito vê-lo partir. Mas estou mais contente do que se te tivesse visto partir anteontem!

– Por que, Lázaro?

– Porque me parecias estar muito triste e cansado… Não falavas nada e pouco sorrias…Ontem e hoje te tornaste o meu santo e doce Mestre e isto me dá muita alegria…

– Eu o era, mesmo estando calado…

– Tu o eras. Mas Tu és serenidade e palavra. Nós queremos isto de Ti. É nestas fontes que bebemos a nossa força. E agora estas fontes pareciam estar secas. Nossa sede nos estava atormentando. Tu estás vendo como até os pagãos ficaram espantados e vieram procurá-las…

Iscariotes, do qual se havia aproximado João de Zebedeu, se atreve a perguntar:

– É isso. Já também a mim me haviam feito esta pergunta. Porque eu estava junto à fortaleza Antônia, esperando ver-te.

– Tu sabias onde Eu estava, responde Jesus curtamente.

– Eu sabia. Mas eu pensava que não terias decepcionado a quem Te estava esperando. Também os romanos ficaram decepcionados. Não sei por que fizeste assim…

– E és tu que me fazes esta pergunta? Não estarás tu a par das intenções do Sinédrio, dos fariseus e de outros ainda, a meu respeito?

– Por quê? Terias tido medo?

– Medo não. Náusea.

206.16

No ano passado, quando Eu estava sozinho, um só contra todo mundo, que nem mesmo sabia se Eu era um Profeta, Eu mostrei que não tinha medo. E tu foste uma conquista daquela minha coragem. Eu fiz que se ouvisse a minha voz contra todo mundo que urrava contra Mim; fiz ouvir a voz de Deus a um povo que se tinha esquecido dela; purifiquei a Casa de Deus das sujeiras materiais que estavam nela, não esperando que pudesse limpá-la das bem mais graves sujeiras morais que se tinham aninhado nela, porque Eu não ignoro o futuro dos homens, mas para cumprir o meu dever, pelo zelo da Casa do Senhor Eterno, transformada em uma praça barulhenta de revendedores, usurários e ladrões e para sacudir do torpor aqueles que muitos séculos de desleixo sacerdotal tinham feito cair num letargo espiritual. Foi o toque de recolher para o meu povo, a fim de levá-lo para Deus. Este ano Eu voltei.. E pude ver que o Templo é sempre o mesmo… E que está pior ainda. Já não é mais uma espelunca de ladrões, mas um lugar de conspiração. Depois se tornará sede do delito, depois um lupanar e finalmente, será destruído por uma força maior que a de Sansão, esmagando uma casta indigna de ser chamada santa. É inútil falar naquele lugar, no qual, eu peço que te lembres, foi-me proibido falar. Povo desleal! Povo envenenado em seus chefes, povo que ousa interditar que a Palavra de Deus fale em sua Casa! Foi-me proibido. Eu me calei por amor aos pequeninos. Não é ainda a hora de me matarem. Muitos precisam de Mim, e os meus apóstolos ainda não estão fortes para receberem em seus braços a minha prole: o Mundo. Não chores, mãe, perdoa, tu que és boa, a necessidade que teu Filho tem de falar a Verdade, que Eu sou, a quem quer ou pode iludir-se… Eu me calo… Mas, ai daqueles por causa dos quais Deus se cala!… Ó mãe, ó Margziam, não choreis!… Isto Eu vos peço. Ninguém chore.

Mas, na realidade todos mais ou menos estão chorando e com muita dor.

Judas, pálido como um morto, em sua veste amarela e vermelha com listras, ainda se atreve a falar com uma voz choramingante e ridícula:

– Podes crer, Mestre, que eu estou assombrado e entristecido… Não sei o que queres dizer… Eu não estou sabendo de nada… É verdade que eu não vi nenhum do Templo. Eu rompi relacionamento com todos… Mas, se Tu estás dizendo, deve ser verdade…

– Judas, não viste nem Sadoc?

Judas inclina a cabeça, murmurando:

– É um amigo… Como tal eu o vi. E não como um dos do Templo…

206.17

Jesus não lhe dá resposta. Mas vira-se para Isaac e para João de Endor, aos quais faz ainda recomendações sobre o trabalho deles.

Entretanto, as mulheres estão confortando Maria, que está chorando, e ao menino, que também chora, ao ver Maria chorar.

Até Lázaro e os apóstolos estão entristecidos. Mas Jesus vai até eles. Ele retomou o seu doce sorriso e, enquanto abraça a mãe e acaricia o menino, diz:

– E agora Eu vos saúdo, a vós que ficais. Porque amanhã cedo nós partiremos. Adeus, Lázaro. Adeus, Maximino. José, Eu te agradeço por toda cortesia feita à minha mãe e às discípulas enquanto aguardavam por mim. Agradeço por tudo. Adeus, Lázaro, abençoa também à Marta em meu nome. Logo Eu voltarei. Vem, minha mãe, vamos descansar. E tu também, Maria e Salomé, se é que vós também quereis ir.

– Com certeza, nós iremos –dizem as duas Marias.

– Então, para a cama. A paz esteja com todos. Deus esteja convosco!

Jesus faz um gesto de bênção e sai, segurando pela mão o menino e abraçado com sua mãe…

A permanência em Betânia terminou.

EMF 207.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Deixada Betânia, ao primeiro riso da aurora, Jesus vai rumo a Belém com sua mãe, com Maria de Alfeu e com Salomé, acompanhado pelos apóstolos e tendo à sua frente o menino, que encontra motivo de alegria em tudo o que vê: as borboletas que despertam, os passarinhos que cantam ou vão dando bicadas pela estrada, as flores que resplendem com os diamantes das orvalhadas, o aparecimento de um rebanho no qual há muitos cordeirinhos berrando. Passada a torrente que fica ao sul de Betânia, toda uma espuma risonha por entre as pedras, a comitiva se dirige para Belém por entre duas séries de colinas, todas verdes com suas oliveiras e vinhedos, com pequenos campos dourados pelas messes, que já começaram a ser colhidas. O vale está fresco e o caminho bastante cômodo.

Simão de Jonas põe-se à frente, unindo-se ao grupo de Jesus e pergunta:

– Por aqui se vai a Belém? João diz que na outra vez o fizera por outra estrada.

– É verdade –diz Jesus–. Mas é porque estávamos vindo de Jerusalém. Indo-se por aqui o caminho é mais curto. No sepulcro de Raquel, que as mulheres querem ver, nós nos separaremos, como decidistes há tempo. Depois, nos reuniremos em Betsur, onde minha mãe deseja permanecer.

– É verdade, nós o dissemos… Mas seria muito bonito, se fôssemos todos juntos… especialmente com a mãe… porque a Rainha de Belém e da Gruta é ela e ela sabe tudo muito bem… Ouvindo as palavras dela, seria outra coisa, aí está.

Jesus sorri, olhando para Simão, que insinuou delicadamente o seu desejo.

– Que gruta, pai? –pergunta Margziam.

– A gruta onde nasceu Jesus.

– Oh! Que bonito! Eu também vou lá.

– Seria bonito de fato! –dizem Maria de Alfeu e Salomé.

– Muito bonito!… Seria voltar atrás… ao tempo em que o mundo não te conhecia, é verdade, mas também ainda não te odiava… Seria encontrar de novo o amor dos simples, que não souberam senão crer e amar, com humildade e fé… Seria depor este peso de amargura, que me oprime o coração, quando sei como és odiado e colocar esse peso lá no teu berço .. Lá deve ter ficado ainda a doçura do teu olhar, da tua respiração, daquele teu sorriso incerto, lá… e fariam caríicias ao meu coração… Ele está tão amargurado!…

Maria fala baixo, com saudade e tristeza.

– Então, iremos lá, minha mãe. Guia-me, tu. Hoje és tu Mestra e eu a criança que aprende.

– Oh! Filho! Não! Tu és sempre o Mestre!

– Não, minha mãe. Simão de Jonas falou bem. Na terra de Belém, a Rainha és tu. É lá o teu primeiro castelo. Maria, da estirpe de Davi, guia este pequeno povo por entre tuas moradas.

Iscariotes ia falar, mas resolve calar-se. Jesus, que nota aquele ato e o interpreta, diz:

– Se alguém, por cansaço ou por outro motivo, não quiser ir, prossiga por Betsur livremente.

Mas ninguém diz nada.

Detalhe

Alguns apóstolos não falam durante a EMV 207 (Tomé, João, André, Tiago de Alfeu, Filipe...) mas estão presentes.

EMF 208.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Quase com certeza os encontraremos, se nos conservarmos andando por algum tempo na estrada que vai para Hebron. Eu vos peço isto: Andai dois a dois, à procura deles, pelos caminhos das montanhas. Daqui até às piscinas de Salomão, depois de lá até Betsur. Nós vos acompanharemos. Esta é a zona de pastagem deles –diz o Senhor aos doze, e eu compreendo que Ele está falando dos pastores.

Os apóstolos se apressam em andar, cada um com o companheiro de sua preferência e só a dupla quase inseparável de João e André é que não se une, porque os dois vão a Iscariotes e lhe dizem:

– Eu vou contigo.

E Judas responde:

– Sim, vem André. É melhor assim, João. Eu e tu seremos dois que já conhecemos os pastores. É melhor, então que vás com qualquer outro.

– Que venha comigo o rapaz –diz Pedro, deixando Tiago de Zebedeu que, sem protestar, vai com Tomé, enquanto Zelotes vai com Judas Tadeu, Tiago de Alfeu com Mateus e os inseparáveis Filipe e Bartolomeu, vão por conta deles. O menino fica com Jesus e com as Marias.

Anotação

É melhor assim, Jean. Tu e eu seríamos duas pessoas que já conhecem os pastores. Cf. EMV 75.2 e EMV 75.6.

EMF 209.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A notícia de que Elisa se decidiu sair de sua tristeza trágica deve ter se espalhado pelo povoado a tal ponto que, quando Jesus, acompanhado pelos apóstolos e discípulos, vai indo para a casa de Elisa, atravessando o povoado, muitas pessoas o estão observando atentamente e até perguntam a um e a outro dos pastores a respeito dele, e por que é que nunca veio a este lugar, e sobre quem são aqueles que estão na companhia dele, e quem é aquele menino, e aquelas mulheres, e que remédio foi que Ele deu à Elisa, para livrá-la das trevas da loucura assim de repente, mal Ele apareceu e que fará lá, e que dirá… E quem quer fazer mais perguntas, que as faça.

A última pergunta feita é esta:

– Não poderíamos ir lá nós também?

À qual respondem os pastores:

– Isto nós não sabemos. É preciso perguntar ao Mestre. Ide a Ele.

– E se Ele nos tratar mal?

– Ele não trata mal nem aos pecadores. Ide, ide. Ele ficará contente, se fordes.

209.2

É um grupo de pessoas, mulheres e homens, adultos na maior parte, da idade de Elisa, que trocam ideia s uns com os outros, depois andam para a frente e vão aproximando de Jesus, que está falando com Pedro e Bartolomeu, e o chamam, meio receosos:

– Mestre…

– Que quereis? –pergunta Bartolomeu.

– Falar com o Mestre para perguntar-lhe…

– Venha a vós a paz. Que perguntas quereis fazer-me?

Eles criam coragem, diante do sorriso dele e dizem:

– Nós todos somos amigos da Elisa e dos da casa dela. Ouvimos dizer que ela está curada. Quereríamos vê-la. E ouvir-te falar. Podemos ir lá?

– Ouvir-me falar, sim, com certeza. Mas irdes vê-la, não, meus amigos. Fazei este sacrifício pela amizade que tendes a ela, fazei o sacrifício da vossa curiosidade. Pois é também isso que estais sentindo. Tende respeito por uma grande dor que não pode ser perturbada.

– Mas ela não está curada?

– Ela está voltando para a claridade…Mas, quando acaba uma noite, será que chega de repente o meio-dia? E, quando se acende um fogão que estava apagado, achais vós que as labaredas se levantarão fortes, num instante? Pois assim acontece com Elisa. Porque, se um vento inesperado se lança sobre a pequena chama, que começou a surgir, ele não a apaga? Portanto, tende prudência. A mulher está uma ferida só. Até a amizade pode exasperá-la, e ela tem necessidade de repouso, de silêncio, de uma solidão que não seja mais trágica, como a em que estava ontem, e sim uma solidão resignada, a fim de que ela encontre a si mesma.

– E, então, quando será que a poderemos ver?

– Mais depressa do que pensais. Porque ela já está a caminho da saúde. Mas, se soubésseis como é difícil sair daquelas trevas! Elas são piores do que a morte. E, quem sai delas, dentro de si sente a vergonha de ter estado nelas e de que os outros o fiquem sabendo.

– És médico?

– Sou o Mestre.

Chegaram diante da casa.

Jesus se dirige aos pastores:

– Ide para o pátio. Quem quiser pode ir convosco. Mas ninguém faça barulho lá, e não vá além do pátio. Tomai cuidado, vós também, diz Ele aos apóstolos, a fim de que tudo assim se faça. E vós (fala à Salomé e à Maria do Alfeu), cuidai do menino para que não faça barulho. Adeus.

Jesus bate à porta, enquanto os outros dobram a esquina, e entram por uma ruazinha, indo para onde deviam ir.

EMF 209.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

As mulheres ficam no jardim, mas, pouco depois, quando ouvem a voz de Jesus, que se espalha pelo ar tranquilo, saudando os presentes, Elisa, como se estivesse atraída por uma força irresistível, se aproxima lentamente de uma sebe muito alta, do outro lado da qual está o pátio. Jesus fala primeiro aos três pastores. Ele está bem perto da sebe, tendo à sua frente os apóstolos e aqueles cidadãos de Betsur, que o acompanharam. As Marias com o menino estão sentadas a um canto.

EMF 210.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Pai Abraão, conserva-me a paciência! E em que te parece estar o Mestre preferindo os outros a ti?

– Mas, não estás vendo nem agora? Quando chegou o tempo de deixarmos Betsur, depois de uma permanência para instruir três pastores, que podiam muito bem ser instruídos por Isaac, eis aí quem é que Ele deixa com sua mãe! Eu ? Tu? Não. Deixa Simão. Um velho, que quase não fala!…

– Mas o pouco que ele diz, ele o diz sempre bem –retruca Tomé, que agora está sozinho, visto que as mulheres com André se afastaram, passaram para a frente, apressadas, como para evitar que tenham que fazer uma parte do caminho todo sozinhas.

210.5

Os dois apóstolos estão tão excitados, que nem percebem que Jesus se aproxima, porque o barulho dos passos dele fica abafado pela grande quantidade de poeira que há na estrada. Mas, se Ele não fez barulho, os dois, ao contrário, estão urrando por dez e Jesus ouve. Atrás dele estão Pedro, Mateus, os dois primos do Senhor, Filipe e Bartolomeu e os dois filhos de Zebedeu, que vão levando, entre os dois, Margziam.

Jesus diz:

– Disseste bem, Tomé. Simão fala pouco, mas o pouco que fala, ele o diz sempre bem. Ele tem uma mente pacata e um coração honesto. E, sobretudo, tem uma grande boa vontade. Por isso, Eu o deixei com minha mãe. É um verdadeiro gentil-homem e, ao mesmo tempo, é alguém que sabe viver, que sofreu muito, e que está velho. Por isso, — falo porque suponho que haja aqui alguém a quem lhe pareça injusta a minha escolha — por isso ele era o mais apto para ficar. Eu não podia, Judas, permitir que minha mãe ficasse sozinha ao lado de uma mulher ainda doente. E era justo que a deixasse. A mãe completará a obra iniciada por Mim. Mas Eu não podia nem mesmo deixá-la com os meus irmãos, nem com André, Tiago e João e, menos ainda, contigo. Se não compreendes a razão disso, não sei o que dizer…

– Porque é tua mãe, é jovem, é bela, e o povo…

– Não. As pessoas sempre terão a lama no pensamento, nos lábios e nas mãos, mas especialmente no coração. As pessoas desonestas, que vêem em todos, os sentimentos que elas têm em si. Mas Eu não estou tratando da lama delas.. A lama cai por si mesma depois que seca. Mas Eu preferi Simão, porque já é velho e não teria trazido de novo à lembrança da desolada mulher os seus filhos mortos. Vós jovens os teríeis trazido de novo à lembrança dela com a vossa juventude… Simão sabe velar, sem fazer perceber sua presença, não exige nunca nada, sabe compadecer-se, sabe vigiar sobre si mesmo. Eu podia escolher Pedro. Quem melhor do que ele para ficar perto de minha mãe? Mas ele ainda é muito impulsivo. Vede que Eu estou dizendo isso na cara dele e ele não se perturba com isso. Pedro é sincero e ama a sinceridade, mesmo quando fica prejudicado. Eu poderia escolher Natanael. Mas ele nunca esteve na Judeia. Simão, ao contrário, a conhece bem e será muito útil para guiar a mãe até Keriot. Ele sabe também onde está a tua casa de campo e a da cidade, e não fará…

210.6

– Mas… Mestre! Mas tua mãe irá mesmo à casa da minha?

– Mas Eu já o disse. E, quando uma coisa se diz, se faz. Nós iremos indo devagar, fazendo paradas para evangelizar estes povoados. Não queres que Eu evangelize a tua Judeia?

– Oh! sim, Mestre… Mas eu acreditava… eu pensava…

– Mas, mais do que tudo, tu mesmo buscavas teus sofrimentos nas quimeras com que vives sonhando. Na segunda fase da lua do mês de Ziv, estaremos todos na casa de tua mãe. Nós, quer dizer, também minha mãe com Simão. Por enquanto, Ela está evangelizando Betsur, cidade da Judeia, assim como Joana está evangelizando Jerusalém e, com ela, fazem a mesma coisa uma menina e um sacerdote, que já foi leproso, assim como Lázaro com Marta e o velho Ismael estão evangelizando Betânia, assim como em Juta está evangelizando Sara e, em Keriot certamente está falando do Messias tua mãe. Não podes absolutamente dizer que Eu deixo a Judeia sem quem lhe leve as palavras. Mas, ao contrário, eu dou a ela, fechada e petulante mais que as outras regiões, as palavras mais doces, que são as das mulheres, além das de Isaac, que é santo, e as de Lázaro, meu amigo. As mulheres, que às palavras unem aquela arte própria da mulher, que é mestra em levar as almas para o ponto que quer. Não dizes mais nada? Por que é que estás quase chorando, menino caprichoso? Que te adianta viveres te envenenando com as sombras? Tens ainda motivo para inquietações? Vamos! Fala…

– Eu sou mau… e Tu és tão bom. Tua bondade sempre me impressiona, porque é sempre tão serena, tão nova… Eu… eu nada sei dizer, quando a encontro em meu caminho.

– Disseste a verdade. Nem o podes saber. Mas é porque não é nem serena, nem nova. Ela é eterna, Judas. Ela é onipresente, Judas…

Detalhe

Judas e Tomé discutem e o Iscariotes censura Jesus por ter deixado a Virgem Maria em Bet-çur.

Anotação

No segundo quarto da lua de Ziv, estaremos todos em casa da tua mãe: Ziv corresponde a abril/maio.

Joana evangeliza Jerusalém e com ela uma rapariga e um sacerdote: trata-se de João, o sacerdote, e de Anália. Cf. EMV 199.4-5 e EMV 199.6.

EMF 210.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Oh! Estamos chegando às vizinhanças de Hebron, e Maria e Salomé, com André, nos estão fazendo grandes gestos. Vamos. Estão falando com uns homens. Devem ter-lhes perguntado onde é que ficam os lugares históricos. Tua mãe rejuvenesce, meu irmão, com esta reevocação!

Judas Tadeu sorri ao Primo, que por sua vez também sorri.

E Pedro:

– Rejuvenescemos todos! Parece-me estar na escola. Mas é uma bela escola! Melhor do que a daquele resmungão do Eliseu. Lembras-te dele, Filipe? Mas também aprontávamos das nossas! Aquela história das tribos! “Dizei as cidades das tribos!”… “Não as dissestes em coro… Tornai a dizer…” “Simão, pareces uma rã adormecida. Ficas sempre atrás dos outros. Começai de novo.” Ai de mim. Eu me havia transformado todo em nomes de cidades de tempos muito remotos e não sabia mais nada. Mas aqui! Aqui se aprende de verdade! Sabes, Margziam? Qualquer dia destes, o teu pai vai fazer o exame, pois agora ele sabe…

Todos se riem, enquanto vão indo na direção de André e das mulheres.

EMF 211.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Todos estão sentados em círculo num pequeno bosque perto de Hebron e, enquanto estão comendo, conversam uns com os outros. Judas, agora que tem certeza de que Maria irá à casa de sua mãe, voltou às suas melhores disposições de espírito, e está procurando cancelar a lembrança dos seus maus humores no trato com os seus companheiros e as mulheres, com mil cortesias. Ele deve ter andado pelo povoado para fazer compras e conta que encontrou o lugar muito diferente do que era, do ano passado para cá:

– A notícia da pregação e dos milagres de Jesus chegou até aqui. E o povo começou a refletir sobre muitas coisas. Tu sabes, Mestre, que por estes lados há uma propriedade de Doras? Também a mulher de Cusa tem aqui nestes montes algumas terras e um castelo que é propriedade dela, um dote que recebeu. Vê-se que, um pouco ela e um pouco os camponeses de Doras, pois aqui devem estar alguns deles vindos de Esdrelon, prepararam o terreno. Ele, Doras, mandou que eles se calassem. Mas eles!… Eu acho que, nem diante dos tormentos, ficariam calados. Causou grande espanto a morte do velho fariseu, sabes? E também a ótima saúde de Joana, que veio até aqui antes da Páscoa. Ah! E depois, para servir a Ti, esteve também aqui o amante da Aglaé. Sabes que ela fugiu, pouco depois de termos passado por aqui? E que ele virou um demônio contra muitos inocentes, para vingar-se? E de tal modo, que os pobres começaram a pensar em Ti como em um libertador dos oprimidos e te desejam. Quero dizer os melhores…

– Libertador dos oprimidos! De fato Eu sou. Mas num sentido sobrenatural. Ninguém tem uma visão justa de Mim entre aqueles que me vêem com o cetro e o machado na mão, como um rei ou um justiceiro, segundo o espírito da terra. Mas é certo que vim para libertar das opressões. Do pecado, a mais grave, das doenças, das desolações; das ignorâncias e do egoísmo. Muitos terão que aprender que não é justo oprimir porque a sorte os colocou no alto. Mas que, pelo contrário, se deve usar essa alta posição para elevar quem está embaixo.

– Lázaro faz isso e também Joana. Mas são dois contra centenas… –diz desoladamente Filipe.

– Os rios não são largos na nascente, como o são em sua desembocadura. Poucas gotas, um fio de água, mas depois… Há rios que parecem mares em sua foz.

– Como o Nilo, não é? Tua mãe me falava coisas de quando estiveste no Egito. Ela sempre me dizia: “É um mar, podes crer, um mar verde-azul. Vê-lo, no tempo das cheias, até parece um sonho!”, e ela me falava das plantas, que pareciam levantar-se da água, e também de todo aquele verdor, que parecia ter nascido da água, quando ela baixava… –diz Maria de Alfeu.

– Pois bem, Eu vo-lo digo: Como acontece com a torrente do Nilo, que antes era um fio d’água, e depois se torna o gigante que é, assim também o que agora é um fiozinho na grossura, que se inclina com amor e por amor para os pequeninos, se tornará em seguida uma grande multidão. Joana, Lázaro, Marta, e depois, quantos, quantos!

Jesus vê esses que serão misericordiosos para com os irmãos, e sorri, absorto em sua visão.

211.2

Judas confidencia que o sinagogo queria vir com ele, mas que ele não se atreveu a tomar uma decisão por si mesmo:

– Tu te lembras, João, como ele nos expulsou[1] no ano passado?

– Sim, eu me lembro… Mas digamos isto ao Mestre.

E Jesus, tendo sido interrogado, diz que eles entrarão em Hebron. Se os quiserem, se os chamarem, pararão lá. Senão, passarão adiante, sem parar:

– Assim, nós veremos também a casa do Batista. De quem ela é agora?

– De quem a quiser, penso eu. Shamai foi-se embora e não voltou mais. Ele levou seus empregados e móveis. Os moradores, para se vingarem de suas injustiças, derrubaram o muro e a casa agora é de todos. Pelo menos, o jardim. Lá se reúnem para venerarem o Batista. Dizem que Shamai tenha sido assassinado. Não sei porque… parece que por causa de mulheres…

– Alguma trama podre da corte, certamente!… –murmura Natanael por entre a barba.

Anotação

Judas, agora que tem a certeza de que Maria irá ter com a sua mãe, voltou a ter um melhor estado de espírito. Judas estava de péssimo humor naEMV 210.

Até a mulher de Kuzah tem terras e um castelo aqui nestas montanhas que lhe pertencem pessoalmente, como parte do seu dote. Provavelmente o castelo de Béther.

A morte do velho fariseu deixou o povo estupefacto, sabiam? Cf. a morte dramática de Doras em EMV 126.10.

Tal como a excelente saúde de Joana. Cf. a cura de Joana de Kouza em EMV 102,7.

Judas confidenciou que o chefe da sinagoga queria vir com ele, mas que não se atrevia a tomar essa decisão sozinho: "Lembras-te, João, de como ele nos afugentou no ano passado?" Cf. EMV 77.8.