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Notas da palavra-chave

Conversas entre Jesus e Judas

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EMF 54.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Sois vós que me procurais? –diz aos dois desconhecidos–: Eis-me aqui. Quem sois?

– Nós Te ouvimos na outra tarde… no Templo. E Te procuramos pela cidade. Um que se diz teu parente, nos disse que estavas aqui.

– Por que me estais procurando?

– Para seguir-te, se nos quiseres, porque Tu tens palavras de verdade.

– Para seguir-me? Mas sabeis para onde me dirijo?

– Não Mestre. Mas com certeza para a glória.

– Sim. Mas para uma glória que não é da terra. Para uma glória que tem sua sede no Céu e que se conquista com a virtude e o sacrifício. Por que quereis me seguir? –torna a perguntar.

– Para termos parte na tua glória.

– Segundo o Céu?

– Sim, segundo o Céu.

– Nem todos podem chegar ali. Porque Mamon arma ciladas aos desejosos do Céu, mais do que aos outros. E só quem sabe querer fortemente é quem resiste. Por que seguir-me se o seguir-me quer dizer uma luta contínua com o inimigo que está em nós, com o mundo inimigo e com o Inimigo, que é Satanás?

– Porque assim quer o nosso espírito, que ficou conquistado por Ti. Tu és santo e poderoso. Nós queremos ser teus amigos.

– Amigos!!!

Jesus se cala e suspira. Depois, olha fixo àquele que sempre vinha falando e que agora deixou cair o manto da cabeça apresentando-a toda descoberta. É Judas de Keriot.

– Quem és tu, que falas melhor do que um homem do povo?

– Sou Judas, de Simão. Sou natural de Keriot. Mas sou do Templo (ou estou no Templo). Espero o Rei dos judeus; vivo sonhando com ele. Rei te reconheci na palavra e Rei te vi no gesto. Toma-me Contigo.

– Tomar-te? Agora? Tão depressa? Não.

– Por que, Mestre?

– Porque é melhor pesar-nos a nós mesmos, antes de pegarmos caminhos muito íngremes.

– Não crês em minha sinceridade?

– Tu o disseste. Eu creio no teu impulso. Não creio na tua constância. Pensa nisso, Judas. Agora Eu vou-me embora, e voltarei para a festa de Pentecostes. Se estiveres no Templo, me verás. Pesa-te a ti mesmo.

54.4

E tu, quem és?

– Um outro que te viu. Queria estar contigo. Mas agora sinto temor.

– Não. A presunção é uma ruína. O temor pode ser um obstáculo, mas, se ele vem da humildade, pode até ajudar. Não temas. Pensa, tu também, e, quando Eu vier…

– Mestre, tu és muito santo. Tenho medo de não ser digno. Não de outra coisa. Porque sobre o meu amor eu não temo.

– Como te chamas?

– Tomé, chamado o Dídimo.

– Eu me lembrarei do teu nome. Vai em paz.

Jesus se despede deles e se retira para a casa onde está hospedado, para o jantar.

54.5

Os seis, que já estão com Ele, querem saber de muitas coisas.

– Por que, Mestre, fizeste diferença entre os dois?… Porque uma diferença houve! Os dois tinham o mesmo impulso… –pergunta João.

– Amigo, também o mesmo impulso pode ter diversa substância e produzir efeito diferente. É verdade que os dois têm o mesmo impulso. Mas um não é igual ao outro, quanto ao fim a que visam. E aquele que parece o menos perfeito é o mais perfeito, porque não está seduzido pela glória humana. Ele me ama, porque me ama.

EMF 66.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pela tarde, vejo Jesus… debaixo das oliveiras… Ele está sentado sobre uma saliência do terreno em sua posição habitual, com os cotovelos apoiados nos joelhos, os antebraços para a frente e as mãos juntas. Cai a tarde, a luz diminui sempre mais no basto olival. Jesus está sozinho. Ele tirou o manto como se sentisse calor e sua veste branca põe uma nota clara no verde do lugar que o crepúsculo já vai tornando muito escuro.

Um homem desce por entre as oliveiras. Parece estar procurando alguma coisa ou alguém. É alto, vestido com uma roupa de cor alegre, um amarelo rosado, que torna mais vistoso o grande manto, todo de franjas ondulantes. Não o vejo bem no rosto, porque a pouca luz e a distância não me permitem e também porque ele tem uma ponta do manto caído sobre o rosto. Quando vê Jesus, faz um gesto, como para dizer: “Lá está Ele!” e apressa o passo. A poucos metros de distância, saúda-o:

– Salve, Mestre!

Jesus se vira de repente e levanta o rosto, porque o recém-chegado está na saliência superior. Jesus o olha sério e eu diria triste.

O outro repete:

– Eu te saúdo, Mestre. Sou Judas de Keriot. Não me reconheces? Não te lembras de mim?

– Eu me lembro e reconheço. És aquele que me falaste, junto com Tomé, na Páscoa passada.

– E ao qual Tu disseste: “Pensa e saiba decidir antes da minha volta.” Eu me decidi. Eu venho.

– Por que vens, Judas?

Jesus está mesmo triste.

– Porque… eu já te disse na outra vez o porquê. Porque eu sonho com o reino de Israel e em ti eu vi o rei.

– Para isso vens?

– Para isso. Coloco-me a mim mesmo e tudo o que possuo: capacidade, conhecimento, amizades, trabalho, ao teu serviço e a serviço da tua missão para reconstituir Israel.

Os dois agora estão de frente, próximos, de pé, e se olham fixamente. Jesus com uma seriedade que chega a ser tristeza, o outro, exaltado pelo seu sonho, sorridente, belo e jovem, leviano e ambicioso.

– Eu não te procurei, Judas.

– Eu vi. Mas eu Te estava procurando. São dias e dias que eu venho­ colocando pessoas às portas, para me anunciarem a tua chegada. Eu pensava que virias com os teus seguidores e que, por isso, teria sido fácil notar-te. Ao invés… Compreendi que já havias chegado porque um grupo de peregrinos te estava bendizendo por teres curado um doente. Mas ninguém sabia me dizer onde estavas. Então, eu me lembrei deste lugar. E vim. Se eu não tivesse Te encontrado aqui, eu teria me resignado a não Te encontrar mais…

– Achas que tenha sido um bem para ti o teres-me encontrado?

– Sim, visto que te procurava, te desejava, te quero.

– Por que? Por que Me procuraste?

– Mas eu já disse a Ti, Mestre!

66.2 Não me compreendeste?

– Eu te compreendi sim. Mas quero que tu também me compreendas, antes de Me seguires. Vem. Falaremos enquanto caminhamos.

E se põem a caminhar, um ao lado do outro, para cima e para baixo, pelas estradinhas que entrecortam o olival.

– Tu Me segues por uma idéia que é humana, Judas. Eu te devo dissuadir disto. Eu não vim para isto.

– Mas, não és Tu o que foi designado para ser o Rei dos judeus? Aquele de quem falaram os Profetas? Surgiram já outros. Mas a eles faltavam muitas coisas e caíram como folhas que o vento não levanta mais. Tu tens a Deus Contigo, tanto que operas milagres. Onde está Deus, o bom êxito da missão está garantido.

– Falaste bem. Eu tenho Deus Comigo. Eu sou o seu Verbo. Sou aquele que foi profetizado pelos Profetas, prometido aos Patriarcas, esperado pelas multidões. Mas, por que, ó Israel, te tornaste tão cego e surdo, a ponto de não saberes mais ler nem ver, ouvir e compreender a verdade dos fatos? O meu Reino não é deste mundo, Judas. Dissuade-te disso. À Israel Eu venho trazer a Luz e a Glória. Mas não a luz e a glória da terra. Eu venho para chamar os justos de Israel ao Reino. Porque é de Israel e com Israel que há de se formar e vir a planta da vida eterna, cuja linfa será o Sangue do Senhor, a planta que se estenderá por toda a terra, até o fim dos séculos. Os meus primeiros seguidores são de Israel. Os meus primeiros confessores, de Israel. Mas também os meus perseguidores são de Israel. Também os meus carrascos, de Israel. E também o meu traidor, de Israel…

– Não, Mestre. Isto não acontecerá nunca. Se todos te traírem, eu ficarei Contigo, e te defenderei.

– Tu, Judas? E sobre o que se funda esta tua segurança?

– Sobre a minha honra de homem.

– Isso é uma coisa mais frágil do que uma teia de aranha, Judas. É a Deus que devemos pedir a força para sermos honestos e fiéis. O homem!… O homem faz obras de homem. Para fazer obras do espírito — e seguir o Messias em verdade e justiça significa fazer obra de espírito — é preciso matar o homem e fazê-lo renascer. És tu capaz disso?

– Sim, Mestre. Além disso… Nem todo Israel te amará. Mas car­rascos e traidores ao seu Messias não sairão de Israel. Israel te espera, há séculos!

– Mas dele sairão. Lembra-te dos Profetas. As palavras deles… e o seu fim. Eu estou destinado a decepcionar a muitos. E tu és um deles. Judas, tu tens à tua frente, um manso, um pacífico, um pobre, que pobre quer permanecer. Eu não vim para impor-me e para fazer guer­ra. Eu não disputo aos fortes e poderosos nenhum reino, nenhum poder. Eu só disputo a Satanás as almas e venho para quebrar as cor­rentes de Satanás com o fogo do meu amor. Eu venho para ensinar misericórdia, sacrifício, humildade, continência. Eu te digo, e a todos digo: “Não tenhais sede de riquezas humanas, mas trabalhai pelas moedas eternas.” Desilude-te Judas, se pensas que sou um triunfador sobre Roma e sobre as castas que imperam. Os Herodes, como os Césares podem dormir tranqüilos enquanto Eu falo às multidões. Eu não vim para arrancar cetros de ninguém… e o meu cetro, eterno, já está pronto. Mas ninguém, que não fosse amor, como Eu sou, iria querer empunhá-lo.

66.3 Vai Judas, e medita.

– Estarás me rejeitando, Mestre?

– Eu não rejeito ninguém, pois quem rejeita não ama. Mas, diz-me, Judas: que nome darias ao ato de alguém que, sabendo-se doente de um mal contagioso, dissesse a um inocente que se aproxima para beber do seu cálice: “Pensa no que estás fazendo”? O nome seria ódio, ou amor?

– Eu diria que é amor porque não quer que o inocente arruíne sua saúde.

– Então dá este nome também ao meu ato.

– Posso arruinar minha saúde indo Contigo? Nunca!

– Podes arruinar mais do que a saúde porque pensa bem isso, Judas, pouco será imputado a quem se tornar assassino, pensando que está fazendo justiça, e assim pensando, porque não conhece a Verdade; mas muito será imputado a quem, tendo-a conhecido, não só não a segue, mas se faz até inimigo dela.

– Eu não serei esse tal. Toma-me Contigo, Mestre. Não me podes recusar. Se és o Salvador e vês que eu sou um pecador, uma ovelha desviada, um cego fora do caminho certo, por que é que recusas salvar-me? Toma-me Contigo. Eu te seguirei até à morte…

– Até à morte! É verdade. Isto é verdade. Depois…

– Depois, o quê, Mestre?

– O futuro está no seio de Deus. Vai. Amanhã nos tornaremos a ver, junto à porta dos Peixes.

– Obrigado, Mestre. O Senhor esteja Contigo.

– E que a sua misericórdia te salve.

E tudo termina.

EMF 67.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

67.5 – Mestre!

Judas corre para Jesus.

– Mestre, me precedestes. Mas, que é que está acontecendo?

– O Rabi fez um milagre! Na Galiléia não; aqui, aqui o queremos conosco.

– Estás vendo, Mestre? Todo Israel Te ama. É justo que Tu fiques também aqui. Por que Te esquivas?

– Eu não me esquivo, Judas. Eu vim justamente só para que a rudeza dos discípulos galileus não aborreça a sutileza judéia. Eu quero reunir todas as ovelhas de Israel sob o cetro de Deus.

– Por isso é que eu Te disse: “Toma-me Contigo.” Eu sou judeu, e sei como tratar os meus iguais. Ficarás, então, em Jerusalém?

– Por poucos dias. Para esperar um discípulo que também é judeu. Depois, Eu irei pela Judéia…

– Oh! Eu irei Contigo. Eu Te acompanharei. Irás ao meu povoado. Eu Te levarei à minha casa. Irás, Mestre?

– Irei…

67.6 Do Batista, tu que és judeu, e vives perto dos poderosos, não sabes nada?

– Sei que ele está ainda na prisão, mas que o querem soltar, porque a multidão está ameaçando fazer um motim se não lhe for restituído o seu profeta. Tu o conheces?

– Eu o conheço.

– Tu o amas? Que pensas dele?

– Penso que não houve ninguém mais do que é igual a Elias.

– Achas que ele é verdadeiramente o Precursor?

– Ele o é. É a estrela da manhã que anuncia o sol. Felizes daqueles que são preparados para o Sol, através da sua pregação.

– João é muito severo.

– Não é mais para com os outros do que para consigo mesmo.

– Isto é verdade. Mas é difícil segui-lo em sua penitência. Tu és melhor e é fácil amar-te.

– No entanto…

– No entanto, Mestre?

– No entanto, como ele é odiado por sua austeridade, Eu o serei pela minha bondade, porque tanto uma como a outra anunciam a Deus e Deus é mal visto pelos maus. Mas está escrito que assim seja. Como ele Me precede na pregação, assim me precederá na morte. Ai, porém, daqueles assassinos da Penitência e da Bondade.

– Por que Mestre, sempre esta tristeza de previsões? A multidão te ama, como estás vendo…

– Porque é uma coisa certa. A multidão humilde sim, me ama. Mas a multidão não é toda humilde, feita só de humildes. Mas a minha não é tristeza. É a tranqüila visão do futuro e a adesão à vontade do Pai que me mandou para isto. E para isto Eu vim. Eis-nos diante do Templo. Eu vou ao Bel Nidrash, para ensinar as multidões. Se queres, fica.

– Eu ficarei ao teu lado. Não tenho senão esta meta: Servir-te e fazer-te triunfar.

Entram no Templo, e tudo termina.

Detalhe

Jesus promete a Judas que vai para Queriote.

EMF 68.1-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

68.1 Vejo Jesus que, tendo Judas a seu lado, entra no recinto do Templo, e, depois de terem superado o primeiro terraço, ou escalão, se preferis chamá-lo assim, detém-se num ponto onde há uma série de pórticos, que rodeiam um amplo pátio, pavimentado com mármore de diversas cores. O lugar é muito bonito e cheio de gente.

Jesus olha ao redor de si e vê um lugar que lhe agrada. Mas, antes de dirigir-se para lá, diz a Judas:

– Chama-me o magistrado do lugar. Devo fazer-me reconhecer, para que não se diga que Eu falto com os costumes e o respeito.

– Mestre, Tu estás acima dos costumes e ninguém mais do que Tu tem o direito de falar na Casa de Deus. Tu, o seu Messias.

– Eu sei disso, tu o sabes, mas eles não sabem. Eu vim, não para escandalizar, nem para ensinar a violar não só a Lei, mas também os costumes. Pelo contrário, Eu vim justamente para ensinar o respeito, a humildade, a obediência e para acabar com os escândalos. Por isso Eu quero pedir para poder falar em nome de Deus, fazendo-me reconhecer pelo magistrado do lugar como digno de fazer isso.

– Mas na outra vez não fizeste assim.

– Na outra vez ardeu em Mim o zelo pela Casa de Deus, profanada por muitas coisas. Na outra vez era o Filho do Pai, o Herdeiro que, em nome do Pai e por amor à minha Casa, agia em sua majestade, à qual os magistrados e sacerdotes são inferiores. Agora Eu sou o Mestre de Israel e ensino a Israel também isso. Além disso, Judas, crês tu que o discípulo seja maior do que o Mestre?

– Não, Jesus.

– E tu, quem és? E quem sou Eu?

– Tu, o Mestre, eu, o discípulo.

– E então, se reconheces que assim são as coisas, porque queres ensinar o Mestre? Vai e obedece. Eu obedeço a meu Pai. Tu obedeces ao teu Mestre. Primeira condição do Filho de Deus: obedecer sem discutir, pensando que o Pai não pode dar senão ordens santas. Primeira condição do discípulo: obedecer ao Mestre, pensando que O Mestre sabe e não pode dar senão ordens justas.

– É verdade. Perdoa. Eu obedeço.

– Eu perdôo. Vai. E Judas, escuta ainda uma coisa: recorda-te disto. Recorda-te disto sempre, no futuro.

– De obedecer? Sim.

– Não. Lembra-te de que Eu fui respeitoso e humilde para com o Templo, ou seja, com as castas poderosas. Vai.

Judas olha para Jesus pensativamente, interrogativamente… mas não ousa perguntar mais nada. E vai-se pensativo.

68.2

… Ele volta com um personagem muito bem trajado.

– Eis, Mestre, o magistrado.

– A paz esteja contigo. Eu peço para poder ensinar, entre os rabinos de Israel, a Israel.

– És Tu rabi?

– Eu sou.

– Quem foi o teu mestre?

– O Espírito de Deus, que me fala com a sua sabedoria e me ilumina com sua luz sobre todas as palavras dos textos sagrados.

– És então, maior do que Hilel, Tu que, sem mestre, dizes saber toda a doutrina? Como pode alguém se formar, se não tem quem o forme?

– Como se formou Davi, o pastorzinho desconhecido, e que se tornou o rei poderoso e sábio pela vontade do Senhor.

– Qual o teu Nome?

– Jesus de José de Jacó, da estirpe de Davi, e de Maria de Joaquim, da estirpe de Davi, e de Ana de Arão, Maria, a Virgem desposada no Templo, porque era órfã, pelo Sumo Sacerdote, segundo a lei de Israel.

– Quem prova isso?

– Ainda devem estar aqui os levitas, que se recordam do fato e que foram contemporâneos de Zacarias, da classe de Abias, o meu parente. Interroga-os, se duvidas da minha sinceridade.

– Eu creio em Ti. Mas, quem me prova que sejas capaz de ensinar?

– Escuta-me e tu mesmo julgarás.

– Estás livre para fazeres isso… Mas… não és nazareno?

– Eu nasci em Belém de Judá, no tempo do recenseamento ordenado por César. Proscritos por ordens injustas, os filhos de Davi estão em toda a parte. Mas a estirpe é de Judá.

– Sabes… os fariseus… toda a Judéia… pela Galiléia…

– Eu sei. Mas podes ficar tranqüilo. Em Belém Eu vi a luz, em Belém Efrata, de onde vem a minha estirpe e se agora vivo na Galiléia, não é senão para que se cumpra o que foi determinado…

O magistrado se afasta alguns metros, indo atender a alguém que o chamou.

68.3

Judas pergunta:

– Por que não disseste que és o Messias?

– As minhas palavras o dirão.

– Qual era a profecia que se devia cumprir?

– A reunião de todo Israel sob o ensinamento da palavra de Cristo. Eu sou o Pastor de que falam os Profetas, e venho para reunir as ovelhas de todas as regiões, venho para curar as doentes e levar para uma pastagem boa as errantes. Para Mim não há Judéia ou Galiléia, Decápolis ou Iduméia. Só há uma coisa: o Amor, que olha com um só olhar e une em um único abraço para salvar…

Jesus está inspirado. Parece emitir raios de tão sorridente que está em seu sonho. Judas o olha admirado.

EMF 69.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

69.1 Ainda Jesus e Judas que, depois de terem rezado no lugar mais próximo do Santo, concedidos aos israelitas varões, saem do Templo.

Judas queria ficar com Jesus. Mas esse desejo encontra oposição da parte do Mestre.

– Judas, Eu desejo estar sozinho nas horas noturnas. Na noite o meu espírito obtém do Pai o seu alimento. Oração, meditação e solidão são para mim mais necessárias do que alimento material. Aquele que quiser viver pelo espírito, e levar outros a viver essa mesma vida, deve preterir a carne, Eu diria quase matá-la nas suas prepotências, para dar todos os seus cuidados ao espírito. Todos devem fazer assim, Judas. Também tu, se queres verdadeiramente ser de Deus, ou seja, do sobrenatural.

– Mas nós somos ainda desta terra, Mestre. Como podemos descuidar-nos da carne, dando todos os cuidados ao espírito? Isto que estás dizendo não é uma antítese ao mandamento de Deus: “Não matarás”? Neste não está compreendido também o não matar-se? Se a vida é um dom de Deus, devemos amá-la, ou não?

– Responderei a ti como não responderia a uma pessoa simples, para a qual basta fazer levantar o olhar da alma, ou da mente, a esferas sobrenaturais, para levá-lo conosco, como num vôo, até os reinos do espírito. Mas tu não és uma pessoa simples. Tu te formaste em ambientes que te refinaram… mas que também te corromperam com suas sutilezas e com suas doutrinas. Lembras-te de Salomão, Judas? Ele era um sábio, o mais sábio daqueles tempos. Lembras-te do que ele disse, depois de ter conhecido todo o saber? “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade. Temer a Deus e observar os seus mandamentos, para o homem isso é tudo.” Agora Eu te digo que é preciso saber tirar dos alimentos a nutrição, mas não veneno. E, se compreendemos que um alimento nos está sendo prejudicial, porque há em nós reações pelas quais aquele alimento é nefasto, sendo ele mais forte do que os nossos bons humores que o poderiam neutralizar, é preciso não fazer mais uso desse alimento, mesmo sendo gostoso ao paladar. É melhor um simples pão e água de fonte do que os pratos complicados da mesa do rei, nos quais há drogas que perturbam nosso organismo e envenenam.

– Que é que eu devo deixar, Mestre?

– Tudo aquilo que sabes que te faz mal. Porque Deus é Paz e se quiseres andar no caminho de Deus deves desembaraçar a tua mente, o teu coração e a tua carne de tudo o que não é paz e que traz consigo perturbação. Eu sei que é difícil reformar-se a si mesmo. Mas Eu estou aqui para ajudar-te a fazê-lo. Estou aqui para ajudar o homem a se tornar filho de Deus, a recriar-se, como em uma segunda criação, uma autogênese desejada por ele mesmo.

69.2 Mas deixa que Eu te responda o que perguntaste para que não digas que ficaste no erro por minha culpa. É verdade que o suicidar é o mesmo que matar. A vida, tanto a própria, como a dos outros, é um dom de Deus, e só a Deus, que no-la deu, está reservado o direito de tirá-la. Quem se mata, confessa sua soberba e a soberba é abominada por Deus.

– Confessa sua soberba? Eu diria que o seu desespero.

– E que é desespero, senão soberba? Pensa bem, Judas. Por que é que uma pessoa se desespera? É, ou porque as desventuras recrudescem sobre ela e essa pessoa quer vencê-las sozinha e não consegue, ou então porque ela é culpada e julga que Deus não pode perdoá-la. No primeiro e no segundo caso, não é talvez a soberba que está prevalecendo? A pessoa, que quer agir sozinha, não tem a humildade de estender a mão ao Pai e dizer-lhe: “Eu não posso, mas Tu podes. Ajuda-me, que de Ti eu tudo espero.” Aquela outra pessoa que diz: “Deus não pode me perdoar”, fala assim porque quer medir a Deus por si mesma e sabe que alguém, ofendido como aquele a quem ela ofendeu, não poderia perdoá-la. Ou seja, é soberba também aqui. O humilde se compadece e perdoa, mesmo se sofre pela ofensa recebida. O soberbo não perdoa. É soberbo porque não sabe inclinar a cabeça e dizer: “Pai, eu pequei, perdoa ao teu pobre filho culpado.” Mas não sabes, Judas, que tudo será perdoado pelo Pai se for pedido o perdão com um coração sincero e contrito, humilde e cheio de boa vontade de renovação no bem?

– Mas certos delitos não são perdoados. Não podem ser perdoados.

– És tu quem diz isso. E assim será, se o homem assim quiser. Mas em verdade, oh!, em verdade Eu te digo que, mesmo depois do delito dos delitos, se o culpado corresse aos pés do Pai — Ele se chama Pai para isso, Judas, e é um Pai de perfeição infinita — e chorando lhe suplicasse o perdão, oferecendo-se à expiação, mas sem desespero, o Pai lhe daria o modo de expiar para poder merecer o perdão e salvar sua alma.

69.3 – Então, Tu dizes que os homens que a Escritura cita, e que suicidaram, fizeram mal.

– Não é lícito fazer violência contra ninguém, nem contra si mesmo. Fizeram mal. Em seu relativo conhecimento do bem, em certos casos eles terão tido ainda a misericóridia de Deus. Mas, desde quando o Verbo tiver esclarecido toda a verdade e dado força aos espíritos com o seu Espírito, desde então, não haverá mais perdão para quem morre em desespero. Nem no momento do juízo particular, nem depois de muitos séculos na Geena, no dia do Juízo final, nem nunca. Será isso uma dureza de Deus? Não: é justiça. Deus dirá: “Tu julgaste, tu, criatura dotada de razão e de ciência sobrenatural, criada livre­ por Mim, tu julgaste seguir o caminho que escolheste, e disseste: ‘Deus não me perdoa. Estou separado Dele para sempre. Julgo que devo por mim mesmo aplicar-me justiça pelo meu delito. Saio da vida para fugir dos remorsos’, sem pensar que os remorsos não te teriam mais atingido, se tu tivesses vindo ao meu seio paterno. E, como tu mesmo te julgaste, que te advenha; Eu não violento a liberdade que te dei.”

Isto dirá o Eterno ao suicida. Pensa nisso, Judas. A vida é um dom e deve ser amada. Mas que dom é? Um dom santo. E, então, que ela seja amada santamente. A vida dura, enquanto a carne aguenta. Depois começa a grande Vida, a Vida eterna. De bem-aventurança para os justos e de maldição para os não-justos. A vida é uma meta ou um meio? É um meio. Serve para chegar ao fim, que é a eternidade. E, então, damos à vida o tanto que lhe sirva para durar e para servir o espírito em sua conquista. Continência da carne em todos os seus apetites, em todos. Continência da mente em todos os seus desejos, em todos. Continência do coração em todas as paixões do que é humano. Ilimitado, ao invés, há de ser o ímpeto pelas paixões que são do Céu: o amor a Deus e ao próximo, a vontade de servir a Deus e ao próximo, a obediência à Palavra divina, o heroísmo no bem e na virtude.

69.4 Eu te respondi, Judas. Ficaste persuadido? Basta-te esta explicação? Sê sempre sincero e se não souberes ainda bastante – pergunta: Eu estou aqui para ser Mestre.

– Eu compreendi, e para mim basta. Mas… é muito difícil fazer o que compreendi. Tu o podes, porque és santo. Mas eu… Sou um homem, jovem, cheio de vitalidade…

– Eu vim para os homens, Judas. Não para os anjos. Os anjos não precisam de mestre. Eles vêem a Deus. Vivem no seu Paraíso. Não ignoram as paixões dos homens porque a Inteligência, que é a Vida deles, os faz conhecedores de tudo, mesmo aqueles que não são anjos da guarda de um homem. Mas, espirituais como são, não podem ter senão um pecado, como um deles teve, e arrastou consigo os menos fortes na caridade: a soberba, flecha que desfigurou Lúcifer, o mais bonito dos arcanjos, e fez dele o monstro horripilante do Abismo. Eu não vim para os anjos, os quais, depois da queda de Lúcifer, se horrorizam só diante da sombra de um pensamento de orgulho. Mas Eu vim para os homens. Para fazer dos homens, anjos.

O homem era a perfeição de tudo o que foi criado. Ele tinha do anjo o espírito e do animal a completa beleza em todas as suas partes animais e morais. Não havia criatura que o igualasse. Era o rei da ter­ra, como Deus é o Rei do Céu; um dia, aquele dia em que ele teria adormecido pela última vez sobre a terra, ele se tornaria rei com o Pai no Céu. Satanás arrancou as asas do anjo-homem e colocou nele gar­ras de fera e veementes desejos de imundícies; fez dele alguém que mais tem o nome de homem-demônio, do que o de homem somente. Eu quero cancelar a deturpação feita por Satanás, anular a fome cor­rompida da carne infectada, restituir as asas ao homem, levá-lo a tornar a ser rei, co-herdeiro do Pai e do celeste Reino. Eu sei que o homem, se quiser, pode fazer tudo o que digo, para voltar a ser rei e anjo. Eu não vos mandaria fazer coisas que não pudésseis fazer. Eu não sou um desses retóricos que pregam doutrinas impossíveis.

69.5 Eu assumi uma verdadeira carne para poder saber, sentindo-as na carne, quais são as tentações do homem.

– E os pecados?

– Tentados, todos podem ser. Pecadores, só os que o querem ser.

– Nunca pecaste, Jesus?

– Eu nunca quis pecar. E isto, não só porque Eu sou o Filho do Pai. Mas assim Eu quis e vou querer, para mostrar ao homem que o Filho do homem não pecou porque não quis pecar e que o homem, se não quiser, pode não pecar.

– Nunca foste tentado?

– Tenho trinta anos, Judas. E não vivi em um caverna sobre um monte. Mas entre os homens. E, ainda que tivesse estado no lugar mais solitário da terra, pensas que as tentações não teriam vindo? Tudo temos em nós: o bem e o mal. Tudo levamos em nós. Sobre o bem, passa o sopro de Deus, que o acende como um turíbulo que leva agradáveis e sacros incensos. E sobre o mal, Satanás sopra e o acende com uma fogueira de um ardor feroz. Mas a vontade atenta e a oração constante são como a areia úmida sobre o ardor do inferno: ela o sufoca e domina.

– Mas, se nunca pecaste, como podes julgar os pecadores?

– Eu sou homem, e sou o Filho de Deus. Tudo o que Eu poderia ignorar como homem, e julgar mal, Eu o conheço e julgo como Filho de Deus. E afinal!… Judas, responde a esta minha pergunta: alguém que está com fome, sofre mais ao dizer: “Agora vou sentar-me à mesa”, ou quando diz: “Não há comida para mim”?

– Sofre mais no segundo caso, porque só o saber que está privado dela, já o faz sentir o cheiro da comida e suas entranhas se torcem de desejo.

– Aí está. A tentação é mordente como esse desejo, Judas. Satanás o torna ainda mais agudo, perfeito e sedutor, do que qualquer ato já praticado. Além disso, o ato dá satisfação mas, às vezes, também causa náuseas; enquanto que a tentação não cai, mas, como uma árvore podada, lança uma fronde mais robusta.

– E nunca cedeste?

– Nunca cedi.

– Como te foi possível isso?

– Eu disse: “Pai, não me exponhas à tentação.”

– Como? Tu, o Messias, Tu que operas milagres, pediste a ajuda do Pai?

– E não só a ajuda, Eu lhe pedi que não me exponha à tentação. Pensas tu que porque Eu sou Eu, já posso deixar de contar com o Pai? Oh! Não! Em verdade Eu te digo que o Pai concede tudo ao Filho, mas também que o Filho recebe tudo do Pai. E te digo que tudo o que for pedido em meu nome ao Pai, será concedido.

69.6 Mas, eis-nos ao Get-Sammi, onde moro. Já são visíveis as primeiras oliveiras além dos muros. Tu moras para lá de Tofet. A noite já vem chegando. Não te convém subir até lá. Nós nos veremos novamente amanhã no mesmo lugar. Adeus. A paz esteja contigo.

– A paz esteja Contigo também, Mestre… Mas eu queria dizer-te ainda uma coisa. Eu te acompanharei até o Cedron, depois voltarei para trás. Por que moras num lugar tão humilde como aquele? Sabes, o povo olha tantas coisas. Não conheces ninguém na cidade, que tenha­ uma bela casa? Eu, se quiseres, poderei levar-te à casa de amigos. Eles te hospedarão, porque são meus amigos; e seriam moradas mais dignas de Ti.

– Achas isso? Eu não acho. O digno e o indigno existem em todas as castas. E, sem faltar com a caridade, mas para não ofender a justiça, Eu digo que o indigno, e maliciosamente indigno, está muitas vezes no meio dos grandes. Não é preciso, nem útil serem poderosos para serem bons, ou para esconder o pecado aos olhos de Deus. Tudo deverá mudar sob o meu sinal. E será grande, não quem é poderoso, mas quem é humilde e santo.

– Mas, para ser respeitado, para se impor…

– Herodes é respeitado? E César, é respeitado? Não. Eles são tolerados e amaldiçoados pelos lábios e pelos corações. Sobre os bons, ou também sobre os que somente têm desejo de bondade, podes crer, Judas, que Eu saberei me impor, mais com a modéstia, do que com a imponência.

– Mas, então… desprezarás sempre os poderosos? Assim, farás deles teus inimigos! E eu estava pensando em falar de Ti a muitos que eu conheço e que têm um nome…

– Eu não desprezarei a ninguém. Irei aos pobres como aos ricos, aos escravos como aos reis, aos puros como aos pecadores. Mas, se é verdade que ficarei grato a quem me der pão e abrigo em minhas fadigas, seja qual for o abrigo e o alimento, Eu darei sempre preferência ao que é humilde. Os grandes já têm muitas alegrias. Os pobres não têm mais que uma reta consciência, um amor fiel, os filhos, e verem-se ouvidos pelos que são mais do que eles. Eu serei sempre inclinado para os pobres, os aflitos e os pecadores. Eu te agradeço pela tua boa vontade. Mas deixa-me neste lugar de paz e oração. Vai. E Deus te inspire o que é bom.

Jesus deixa o discípulo e se introduz entre as oliveiras, e tudo termina.

EMF 71.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo Jesus com Judas Iscariotes, dando uns passos, para cima e para baixo, junto a uma das portas do recinto do Templo.

– Estás certo de que ele virá? –pergunta Judas.

– Estou certo. Ele ia partir ao amanhecer de Betânia e no Get-Sammi ia encontrar-se com o meu primeiro discípulo…

Uma pausa, depois Jesus se detém e olha fixamente para Judas. Coloca-se em sua frente. Perscruta-o. Em seguida põe-lhe uma mão sobre o ombro e lhe pergunta:

– Por que é Judas, que não me dizes o teu pensamento?

– Que pensamento? Não tenho um pensamento especial neste momento, Mestre. Perguntas eu te faço até demais. E certamente não te podes queixar do meu mutismo.

– Faz-me muitas perguntas e me dás muitas informações sobre a cidade e seus habitantes. Mas não me abres a tua alma. Que importância queres que tenham para Mim informações sobre o seu patrimônio e a estrutura desta ou daquela família? Eu não sou um mandrião que tenha vindo aqui por passatempo. Tu sabes porque é que Eu vim. E bem podes compreender que me importa antes de tudo, ser o Mestre dos meus discípulos. Por isso quero da parte deles sinceridade e confiança.

71.2 Teu pai te amava, Judas?

– Sim, me amava muito. Eu era o seu orgulho. Quando eu voltava da escola, e também mais tarde, quando eu voltava de Jerusalém para Keriot, ele queria que eu lhe contasse tudo. Interessava-se por tudo o que eu fazia e se eram coisas boas, se alegrava, se eram coisas menos boas, me animava. Se — alguma vez, como sabes, todos erram — eu tinha cometido algum erro e recebido alguma repreensão, ele me fazia ver toda a justiça da repreensão recebida e quanto eu havia errado. Mas o fazia tão docemente… parecia um irmão maior. E terminava sempre assim: “Isto eu te digo, porque quero que o meu Judas seja um justo. Quero ser abençoado através do meu filho…” Meu pai…

Jesus que ficou o tempo todo fitando atentamente o discípulo, sinceramente emocionado com a evocação da memória de seu pai, lhe diz:

– Aí está, Judas, fica certo de tudo o que te digo. Nenhuma obra fará mais feliz o teu pai do que a de seres meu fiel discípulo. O espírito de teu pai exultará, lá onde está esperando a Luz — porque, se assim ele te educou, justo deve ter sido — vendo-te meu discípulo. Mas, para o seres, deves dizer-te a ti mesmo: “Reencontrei o meu pai que eu tinha perdido, um pai que parecia um irmão mais velho, eu o encontrei no meu Jesus e a Ele, como ao meu pai amado que eu ainda choro, direi tudo, para ter dele guia, bênção ou mansa repreensão.” Queira o Eterno e tu, sobretudo tu, queiras agir de tal modo, que Jesus só possa te dizer: “És bom, Eu te abençôo.”

– Oh! Sim Jesus, sim. Se Tu me amares muito, eu saberei tornar-me bom, como Tu queres, e como meu pai queria. E minha mãe não terá mais aquele espinho no coração. Ela dizia sempre: “Estás agora sem guia, meu filho, e ainda tens tanta necessidade!” Quando ela souber que tenho a Ti!

– Eu te amarei, como nenhum outro homem poderia, Eu te amarei muito, te amo muito. Não me decepciones.

– Não, Mestre, não. Eu era cheio de contrastes: invejas, ciúmes, manias de querer ser o primeiro, a sensualidade, tudo se chocava em mim contra os sentimentos bons. Queres ver? Agora há pouco, Tu me causaste uma dor. Ou seja, Tu, não. O que a causou foi a minha natureza má… Eu pensava que era o teu primeiro discípulo… e Tu me disseste que já tens um outro.

– Tu mesmo o viste. Não te lembras de que no Templo, pela Páscoa, Eu estava com muitos galileus?

– Pensava que fossem amigos… Eu pensava que eu fosse o primeiro escolhido para tal condição e por isso, o predileto.

– Não há distinções em meu coração entre os últimos e os primeiros. Se o primeiro cometesse falta, e o último fosse um santo, aí então, aos olhos de Deus é que se faria uma distinção. Mas Eu, Eu amarei da mesma forma, com um amor feliz ao santo e com um amor sofredor ao pecador.

EMF 78.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

78.2 Judas sai com uma mulher que tem cerca de cinqüenta anos. Ela é bem alta, não como o filho, ao qual deu os seus olhos pretos e os cabelos encaracolados. Mas os olhos dela são mansos, um tanto tristes, enquanto que os de Judas são imperiosos e astutos.

– Eu te saúdo, ó Rei de Israel –diz ela, prostrando-se em uma verdadeira saudação de súdita–. Concede à tua serva de hospedar-te.

– Paz a ti, mulher. E Deus esteja contigo e com o teu filho.

– Oh! Sim! Com o meu filho!

É mais um suspiro do que uma resposta.

– Levanta-te, mãe. Eu também tenho uma mãe, e não posso permitir que tu me beijes os pés. Em nome de minha mãe, Eu te beijo, mulher­. Ela é tua irmã… no amor e no destino doloroso de mães de marcados.

– Que queres dizer, Messias? –pergunta Judas, meio inquieto.

Mas Jesus não responde. Está abraçando a mulher, a qual ele levantou do chão benignamente, e a está beijando na face. Depois, segurando-a pela mão, vai em direção à casa.

Entram em uma sala fresca, à qual fazem sombra umas leves cortinas listradas. Ali estão preparadas bebidas e frutas frescas. Antes porém, a mãe de Judas chama uma serva, e esta traz água e toalha. A patroa queria descalçar Jesus e lavar-lhe os pés empoeirados. Mas Jesus­ se opõe:

– Não, mãe. A mãe é uma criatura muito santa, especialmente quando é honesta e boa como tu és, para permitir que tome a atitude de uma escrava.

A mãe olha para Judas… um olhar estra­nho­. Depois, sai dali.

Jesus refrescou-se. Quando está para pôr de novo as sandálias, a mulher volta com um par de sandálias novas:

– Eis, nosso Messias. Creio tê-las feito bem… como Judas queria… Ele me disse: “Um pouco mais compridas do que as minhas, e da mesma largura.”

– Mas por que, Judas?

– Não me queres permitir que Te ofereça um presente? Não és o meu Rei e meu Deus?

– Sim, Judas. Mas não devias dar tanto incômodo à tua mãe. Tu sabes como Eu sou…

– Eu sei. És santo. Mas deves aparecer como Rei santo. Assim é que nos devemos impor. No mundo, que em dez partes tem nove de tolos, é preciso impor-se com a presença. Eu sei.

Jesus amarrou as sandálias novas, feitas de pele vermelha nas cor­reias perfuradas e na parte superior que sobe até o tornozelo. Muito mais bonitas do que as suas sandálias simples de operário, e seme­lha­n­tes às sandálias de Judas, que são como uns sapatinhos, nos quais aparecem somente pedaços dos pés.

– Também a veste, meu Rei. Eu a tinha preparado para o meu Judas… Mas ele te doa. É de linho, fresco e novo. Permite a uma mãe te vestir… como se fosse o seu filho.

Jesus torna a olhar para Judas… mas não rebate. Ele solta a bai­nha da veste no pescoço, fazendo recair das costas a ampla túnica, permanecendo com a tunicela de baixo. A mulher lhe coloca a bela veste nova. Oferece-lhe um cinto, que é um galão muito bordado, do qual parte um cordão, que termina em abundantes franjas. Jesus certamente se sentirá bem nas vestes frescas e sem poeira. Mas não parece muito feliz. Enquanto isso, os outros, por sua vez, se lavaram.

– Vem, Mestre. São do meu pobre pomar. Este é o hidromel que minha mãe prepara. Tu, Simão, talvez prefiras este vinho branco. Toma. É da minha vinha. E tu, João? O mesmo que o Mestre?

Judas exulta em poder servir nos belos cálices de prata, em mostrar que é alguém que pode.

A mãe pouco fala. Olha… olha… olha para o seu Judas… e mais ainda olha para Jesus… e quando Jesus, antes de comer, lhe oferece a mais bela das frutas (parecem-me grandes damascos, são frutos amarelo-avermelhados e não são maçãs) e lhe diz: “Primeiro, sempre a mãe”, seus olhos se enchem de lágrimas.

– Mamãe, tudo mais já foi feito? –pergunta Judas.

– Sim, meu filho. Acho que fiz tudo bem. Mas eu cresci sempre aqui e não sei… não sei quais os usos dos reis.

– Que usos, mulher? Que reis? Mas que fizeste, Judas?

– Mas não és Tu o prometido Rei de Israel? É hora de o mundo Te saudar como tal, e isto deve acontecer pela primeira vez aqui, na minha cidade, na minha casa. Eu Te venero como tal. Por amor a mim e por respeito ao teu nome de Messias, de Cristo, de Rei, que os Profetas, por ordem de Javé Te deram, não me desmintas.

78.3 – Mulher, amigos. Eu vos peço. Preciso falar com Judas. Devo dar-lhe ordens precisas.

A mãe e os discípulos se retiram.

– Judas, que fizeste? Tão pouco me entendestes até aqui? Por que rebaixar-me a ponto de fazer de Mim apenas um poderoso da terra, aliás, um que luta para ser poderoso? E não compreendes que isso é uma ofensa à minha missão, ou melhor, um obstáculo? Sim. Não o negues. Obstáculo. Israel está sujeito a Roma. Tu sabes o que acontece quando quer levantar-se contra Roma alguém que parecia chefiar o povo e que se tornou suspeito de criar uma guerra de libertação. Tu ouviste, e ouviste nestes dias mesmo, como se usou de crueldade para com um Pequenino, só por se supor que ele seria o futuro rei, segundo o mundo. E tu! E tu! Oh! Judas! Mas que esperas de alguma minha soberania carnal? Que esperas? Eu te dei tempo para pensares e decidires. Eu te falei bem claro, desde a primeira vez. Também te rejeitei, porque Eu sabia… porque Eu sei, sim, porque Eu sei, Eu leio, Eu vejo o que há em ti. Por que me queres seguir, se não queres ser como Eu quero? Vai-te embora, Judas. Não faças mal a ti mesmo, nem a Mim… Vai. É melhor para ti. Não és um operário apto para esta obra… Ela é muito alta para ti. Em ti há soberba, há cobiça em todos os três ramos; há prepotência… até tua mãe precisa te temer…; há tendência para a mentira… Não. Não é assim que deve ser o meu seguidor. Judas, Eu não te odeio. Eu não te amaldiçôo. Somente te digo, e com dor de quem vê que não pode mudar alguém que ama, somente te digo: vai pela tua estrada, abre caminho no mundo, posto que é o que tu queres, mas não fiques Comigo. O meu caminho!… O meu palácio real! Oh! Que angústia há neles! Sabes onde é que serei Rei? Quando serei proclamado Rei? Quando Eu for levantado no madeiro infame, e por púrpura terei o meu Sangue, por coroa uma grinalda de espinhos, por insígnia um cartaz de escárnio, por trombetas, címbalos, órgãos e cítaras, para saudar o Rei proclamado, Eu ouvirei as blasfêmias de um povo inteiro: do meu povo. E sabes por obra de quem, tudo isso? De um que não me terá entendido. Que nada terá entendido. Coração de bronze vazio, cuja soberba, sensualidade, e avareza terão destilado os seus humores, e estes terão gerado um nó de serpentes que servirão como correntes para Mim e… como maldição para ele. Os outros não sabem tão claramente a minha sorte. E, te peço, não digas qual é. Que isto fique entre Mim e ti. Afinal… é uma censura… e tu te calarás, para não teres que dizer: “Eu fui censurado…” Entendeste, Judas?

78.4 Judas está roxo, de tão vermelho. Está em pé, diante de Jesus. Está confuso, de cabeça baixa… Depois, se lança de joelhos, e chora, com a cabeça sobre os joelhos de Jesus:

– Eu te amo, Mestre. Não me rejeites. Sim. Eu sou soberbo. Sou um tolo. Mas, não me mandes embora. Não, Mestre. Será esta a última vez que eu falho. Tu tens razão. Eu não refleti. Mas também neste erro, há amor. Eu queria prestar-te tanta honra… e que os outros também te prestassem… porque eu te amo. Há três dias que Tu disseste: “Quando errais sem malícia, por ignorância, não é erro, mas um julgamento imperfeito, como o dos meninos, e Eu estou aqui para fazer de vós adultos.” Eis, Mestre, eu estou aqui sobre os teus joelhos… me disseste que serias um pai para mim… sobre os teus joelhos como aqueles de meu pai, e te peço perdão, e te peço que faças de mim um “adulto” e um adulto santo… Não me mandes embora, Jesus, Jesus, Jesus… Nem tudo em mim é maldade. Tu estás vendo, por Ti, eu deixei tudo e vim. Tu és mais do que as honras e as vitórias que eu obtinha, quando a serviço de outros. Tu, sim, Tu és o amor do pobre, infeliz Judas, que queria dar-te somente alegria e que, ao contrário, Te está dando dor…

– Basta, Judas. Mais uma vez, Eu te perdôo…

Jesus parece estar fadigado…

– Eu te perdôo, esperando… esperando que, daqui para diante, me compreendas.

– Sim, Mestre. Sim. Mas agora… agora… não me humilhes sob o peso de um desmentido, que faria de mim um alvo de zombaria. Toda Keriot sabe que eu viria com o Descendente de Davi, o Rei de Israel… e esta minha cidade se preparou para receber-te… Eu pensei que estivesse agindo bem… para mostrar-te e como fazer para sermos temidos e obedecidos… e fazer que vejam isto também o João, o Simão e, através deles, os outros que Te amam, mas Te tratam como um seu igual… Minha mãe também seria escarnecida como mãe de um filho mentiroso e louco. Por ela, meu Senhor… e Te juro que eu…

– Não jures a Mim. Jura a ti mesmo, se podes, que não pecarás mais neste ponto. Por tua mãe e pelos teus concidadãos, não lhes farei a desfeita de ir-me embora sem parar por aqui. Levanta-te.

– E que é que vais dizer aos outros?

– A verdade…

– Não!

– A verdade: que te dei ordens para hoje. Há sempre um modo de se dizer a verdade, com caridade. Vamos. Chama tua mãe e os outros.

Jesus está um tanto severo. Nem volta a sorrir, senão quando Judas volta com a mãe e os discípulos. A mulher perscruta a Jesus. Mas o vê benigno. Se tranqüiliza. Tenho a impressão de ser ela uma alma que sofre.

– Vamos a Keriot? Eu já descansei e te agradeço, ó mãe, por toda a tua bondade. O Céu te recompense e te dê, pela caridade que tiveste para Comigo, descanso e alegria ao esposo que ainda choras.

A mulher procura beijar-lhe a mão, mas Jesus, põe-lhe a mão sobre a cabeça com uma carícia, e não permite.

Detalhe

Judas preparou a sua cidade e a sua mãe para receber Jesus como Rei de Israel (EMV 78.2). Mas isso não agrada ao Salvador. Recebe sandálias novas, uma roupa muito confortável e a oportunidade de se refrescar, mas não está contente com todos estes favores. Quando ouve a mãe de Judas dizer que não conhece os caminhos dos reis, pede para falar com Judas a sós e a discussão começa de facto (EMV 78.3).

EMF 80.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

80.2 Enquanto olho esta desolação, desperta-me a atenção a voz do meu Jesus:

– Eis-nos aqui juntos, onde Eu queria.

Eu me viro. Vejo-O às minhas costas, entre João, Simão e Judas, junto à encosta rochosa do monte, lá onde chega uma vereda… seria melhor dizer: lá onde um longo trabalho das águas, nos meses de chuva, arranhou o calcário escavando, através dos séculos, um canal mal desenhado, que irá servir para o escoamento das águas do cume, e que agora é mais um caminho para as cabras selvagens, do que para gente.

Jesus olha ao seu redor, e repete:

– Sim, era aqui que Eu vos queria trazer. Aqui o Cristo se preparou para a sua missão.

– Mas aqui não há nada!

– Não há nada, como disseste.

– Com quem estiveste aqui?

– Com o meu Espírito e com o Pai.

– Ah! A tua parada aqui foi só de poucas horas!

– Não, Judas. Não de poucas horas. De muitos dias….

– E quem é que te servia? Onde dormias?

– Eu tinha como servos os onagros que, à noite, vinham dormir em sua toca… nesta, onde Eu também me havia entocado… Eu tinha como servas as águias que, com seu grito agudo, me diziam: “É dia”, e partiam depois para a sua caça. Eu tinha como amigas as pequenas lebres, que vinham roer as ervas selvagens, quase aos meus pés… para Mim, alimento e bebida era aquilo que é alimento e bebida da flor silvestre: o orvalho da noite, a luz do sol. Nada mais.

– Mas, Por quê?

– Para preparar-me bem, como tu dizes, para a minha missão. As coisas bem preparadas produzem bons resultados. Tu também o disseste. E esta não era a pequena, inútil coisa de mostrar a Mim mesmo, Servo do Senhor, mas de fazer compreender aos homens o que é o Senhor e, através dessa compreensão, fazê-lo ser amado em espírito de verdade. Infeliz do servo do Senhor, que pensa em seu triunfo, e não no de Deus! Que procura as suas próprias vantagens, que sonha colocar-se no alto de um trono feito…oh! Feito pelos interesses de Deus, mas aviltados até tocarem o chão, eles que são interesses celestiais. Este não é mais servo, ainda que exteriormente pareça sê-lo. Ele é um mercador, um traficante, um falso que se engana a si mesmo, aos outros, e quer enganar até Deus… É um infeliz que pensa ser um príncipe, e é um escravo… É do demônio, o seu rei de mentira. Aqui nesta toca, o Cristo, por muitos dias, viveu de macerações e orações, a fim de preparar-se para a sua missão.

80.3 E, onde querias que Eu tivesse ido preparar-me, Judas?

Judas está perplexo, desorientado. Enfim, responde:

– Eu não saberia… Eu pensava… que em companhia de algum rabi… junto aos essênios… não sei.

– Podia Eu encontrar um rabi que me dissesse mais do que me dizia o Poder e a Sabedoria de Deus? Podia Eu ir em busca da ciência e da capacidade daqueles que negam a imortalidade da alma, negando a ressurreição no último dia, e negam a liberdade de ação do homem, atribuindo as virtudes e os vícios, ações santas e perversas, a um destino, que dizem ser fatal e inevitável? Eu, Verbo eterno do Pai, presente quando o Pai criou o homem, e sei de que espírito imortal e animado, de que poder de julgamento livre e capaz, o Criador dotou o homem? Ah! Não. Vós tendes um destino. Sim. Vós o tendes. Na mente de Deus que vos cria, há um destino para vós. O Pai vo-lo deseja. E é destino de amor, de paz, de glória: “a santidade de serdes seus filhos.”

Este é o destino que, estando presente na mente divina, desde o momento em que do barro foi feito Adão, estará presente até a criação da alma do último homem. Mas o Pai não usa de violência para convosco em vossa condição de rei. O rei, se está na prisão, não é mais rei, é um rejeitado. Vós sois reis, porque sois livres em vosso pequeno reino individual. Em vosso eu. Nele podeis fazer o que quiserdes, como quiserdes.

80.4 À frente e nos confins do vosso pequeno reino, tendes um Rei amigo, e duas potências inimigas. O Amigo vos mostra as regras por Ele dadas para fazer felizes os que são seus. Ele vo-las mostra. E vos diz: “Ei-las. Com estas é certa a eterna vitória.” Ele, o Sábio e Santo, vo-las mostra, para que possais, se o quiserdes, praticá-las e, ter a glória eterna. As duas potências inimigas são satanás e a carne. Por carne, entendo a vossa e a do mundo, ou seja, as pompas e seduções do mundo, isto é, a riqueza, as festas, as honras, os poderes que do mundo e no mundo se tem, e que nem sempre são obtidos honestamente, e menos ainda sabe usar honestamente, se, por um complexo de causas, o homem chega a possuí-los.

Satanás, mestre da carne e do mundo, fala também pelo mundo e pela carne. Ele também tem as suas regras… Oh! Se as tem! E, como o eu está enfaixado pela carne, e a carne se inclina para a carne, como os fragmentos de ferro se inclinam para o ímã, e, visto que o canto do Sedutor é mais doce do que o gorjeio do rouxinol enamorado, sob os raios da lua e o perfume dos roseirais, é mais fácil andar em direção à estas regras, inclinar-se para estas potências, dizer-lhes: “Considero-vos amigas. Entrai.” Entrai… Já vistes um aliado que se conserve sempre honesto, sem pedir cem por um pela ajuda dada?

Assim fazem essas potências. Entram… E tornam-se donas. Donas? Não, tiranas. Elas vos amarram, ó homens, ao banco de sua galera, lá vos acorrentam, não vos deixam mais erguer o pescoço sob o seu jugo, e o chicote delas vos fere até o sangue, se delas procurardes fugir. Ou deixar-se ferir, até virar um amontoado de carne despedaçada, tão inútil, como carne, a ponto de ser repelida por seus pés cruéis, ou morrer debaixo deles.

Se sabeis entregar-vos a um tal martírio, eis então que passa a Misericórdia, a Única que pode ainda ter piedade daquela repugnante miséria, da qual o mundo, um dos seus donos, agora tem nojo, e sobre a qual o outro dono, satanás, dirige suas flechas de vingança. E a Misericórdia, a Única que passa, se inclina, a recolhe, a medica, a cura e lhe diz: “Vem. Não temas. Não olhes para ti mesmo. As tuas feridas não são mais do que cicatrizes, mas são tantas, que te causariam horror, a ponto de te desfigurarem. Mas Eu não olho para elas, olho para a tua vontade. Por essa boa vontade é que estás assim marcada. Por isso, Eu te digo: te amo. Vem Comigo”, e a leva para o seu Reino. Agora podeis compreender que a Misericórdia e o Rei amigo são uma mesma pessoa. Encontrais de novo as regras que Ele vos tinha mostrado e que vós não quisestes seguir. Agora o quereis… e alcançais a paz da consciência primeiro, e a paz com Deus depois.

Dizei-me, agora. Este destino foi imposto por Um só a todos, ou foi escolhido, cada um por si?

– Foi escolhido por cada um.

– Estás julgando bem, Simão. Podia Eu dirigir-me aos negadores da bem-aventurada ressurreição e do dom de Deus para que fossem meus formadores?

Detalhe

Reações de Judas quando se encontram no Monte da Tentação. Jesus ensina-lhe então que ele devia preparar-se, não com o objetivo de se destacar — ele, que é o Servo do Senhor —, mas com o objetivo de fazer «compreender aos homens quem é o Senhor». Insiste em quão miserável é o servo que pensa no seu triunfo humano em vez de no de Deus. Por fim, quando Judas supõe que o Cristo foi formar-se junto dos essênios, Jesus refuta a sua hipótese e insiste na liberdade do homem e no seu destino como filho de Deus.