EMF 12.6
O Evangelho como me foi revelado
Citação
– Eu te saúdo, Maria. Eu te vi menina de poucos dias… Era amigo de teu pai, e tenho um sobrinho, filho do meu irmão Alfeu, que era muito amigo de tua mãe. Seu pequeno amigo, que hoje não tem mais do que dezoito anos, quando ainda não tinhas ainda nascido era como um homenzinho e alegrava as horas tristes de tua mãe, que o amava muito. Tu não o conheces, porque vieste para aqui ainda pequena. Mas em Nazaré todos te querem bem, pensam na pequena Maria e falam nela, na pequena Maria do Joaquim, cujo nascimento foi um milagre do Senhor, que fez com que uma estéril florescesse… Eu me lembro daquela tarde em que nasceste… Todos nos lembramos dela pelo prodígio acontecido de uma grande chuva que veio salvar os campos, e de um violento temporal no qual os raios não destroçaram nem mesmo um caule de érica selvagem, e que terminou com um arco-íris tão surpreendente, que ninguém jamais viu outro maior, nem mais bonito. E depois… quem não se lembra da alegria do Joaquim? Ele te levava por toda parte, mostrando-te aos vizinhos… Como se fosses uma flor vinda do Céu, ele te admirava, e queria que todos te admirassem. O velho pai era feliz e morreu falando de sua Maria, tão bela, tão boa, e de suas palavras tão cheias de graça e sabedoria… Ele tinha razão de te admirar e de dizer que não existe outra mais bela do que tu! E tua mãe? Ela enchia com o seu canto o lugar onde era a tua casa, e parecia uma cotovia na primavera, quando te levava em suas entranhas e, mais tarde, quando te amamentava. Fui eu que fiz o teu berço. Um bercinho todo entalhado com rosas, porque assim o quis tua mãe. Talvez ele ainda esteja na casa que está fechada… Eu estou velho, Maria. Quando nasceste, eu estava fazendo os meus primeiros trabalhos. Já fazia alguma coisa… Quem me teria dito que eu haveria de ter-te como esposa? Talvez os teus tivessem morrido mais alegres, pois eles eram meus amigos. Eu sepultei o teu pai, chorando, com um coração sincero, porque ele foi para mim um bom mestre na vida.
Maria vai erguendo devagarinho seu rosto, reanimando-se sempre mais, ouvindo que José lhe fala assim e, quando ele se refere ao berço, ela sorri levemente, e quando José lhe fala do pai, ela lhe estende uma mão e diz:
– Obrigada, José.
Um agradecimento tímido e suave.