Ir para o conteúdo

Notas do tema

Santos, Veneráveis e Beatos da Igreja Católica

Página 38 de 111

Conforto de leitura

Aa

EMF 80.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

80.5 Eu vim aqui. Trabalhei minha alma de Filho do homem até os últimos retoques, terminando um trabalho de trinta anos de aniquilamento e de preparação a fim de, com perfeição, começar o meu ministério. Agora Eu vos peço que fiqueis Comigo por alguns dias nesta toca. Será sempre menos desolada esta nossa parada, porque seremos quatro amigos lutando contra as tristezas, os medos, as tentações, as necessidades da carne. Eu estive aqui sozinho. Será sempre menos penosa, porque agora é verão, e aqui no alto, passa o vento das cumeadas, que abranda o calor. Eu vim aqui no fim da lua de Tebet, e rígido era o vento que descia das neves dos cumes. Será sempre menos tormentosa, porque será mais breve, e porque agora nós temos um mínimo de alimentos que pode matar a nossa fome, e nos pequenos odres de pele que Eu pedi aos pastores que nos dessem, há tanta água que bastará para os dias desta parada. Eu… Eu preciso arrancar duas almas das garras de satanás. Nada mais o pode fazer, a não ser a penitência. Eu vos peço ajuda. Será também para a vossa formação. Aprendereis como se arrancam as presas das garras de mamona. Não tanto com as palavras, quanto com sacrifício… As palavras!… O barulho satânico impede que sejam ouvidas… Toda alma que é presa do Inimigo fica envolvida em turbilhões de vozes infernais… Quereis ficar Comigo? Mas, se não quiserem, podem ir embora. Eu fico. Encontrar-nos-emos de novo em Técua, junto ao mercado.

– Não, Mestre, eu não te deixo –diz João, enquanto Simão, ao mesmo tempo, exclama:

– Tu nos elevas, querendo-nos Contigo nesta redenção.

Judas… não me parece muito entusiasmado. Mas faz cara boa ao… destino, e diz:

– Eu fico.

– Então peguem os odres e os sacos, e tragam para dentro e, antes que o sol esquente, partam a lenha e a amontoem junto à fenda da rocha. Aqui a noite é muito fria, mesmo no verão, e nem todos os animais são bons. Acendam um ramo agora mesmo, lá daquela acácia viscosa. Queima bem. Olhemos por entre as fendas, para expulsar com o fogo as cobras venenosas e os escorpiões. Vamos…

Detalhe

Jesus encontra-se no Monte da Tentação, onde jejuou durante quarenta dias. Ele diz:

EMF 80.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Agora vós, meus amigos, podereis saber o que só levemente aquele homem ficou sabendo. Depois do batismo — Eu estava limpo, mas nunca se é limpo bastante diante do Altíssimo, e a humildade de dizer: “Sou homem e pecador” já é um batismo que purifica o coração — Eu vim até aqui. Fui chamado “o Cordeiro de Deus”, por aquele que, santo e profeta, via a Verdade e via descer o Espírito sobre o Verbo e torná-lo Ungido pelo seu carisma de amor, enquanto a voz do Pai enchia os céus com o seu som, dizendo: “Eis o meu Filho dileto no qual Eu me comprazo.” Tu, João, estavas presente, quando o Batista repetiu as palavras… Depois do batismo, se bem que limpo por natureza e limpo pelo aspecto, Eu quis “preparar-me.” Sim, Judas. Olha para Mim. Que meus olhos te digam o que a boca ainda se cala. Olha para Mim, Judas. Olha para o teu Mestre que não se sentiu superior ao homem por ser o Messias, e que, ao contrário, sabendo-se o Homem, quis sê-lo em tudo, exceto em condescender com o mal. Isso mesmo.

Anotação

Mateus 3, 13-17 e 4, 1-11: Então apareceu Jesus. Tinha vindo da Galileia até ao Jordão, até João, para ser batizado por ele. João tentou impedi-lo, dizendo: «Sou eu que preciso de ser batizado por ti, e és tu que vens ter comigo!» Mas Jesus respondeu-lhe: «Deixa por agora, pois convém que assim cumpramos toda a justiça.» Então João deixou-o fazer. Assim que Jesus foi batizado, saiu da água, e eis que os céus se abriram: viu o Espírito de Deus a descer como uma pomba e a pousar sobre ele. E dos céus, uma voz dizia: «Este é o meu Filho amado, em quem me agrado.»

Então Jesus foi levado pelo Espírito para o deserto, para ser tentado pelo diabo. Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, sentiu fome.

O tentador aproximou-se e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, ordena que estas pedras se transformem em pães.» Mas Jesus respondeu: «Está escrito: O homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus.»

Então o diabo levou-o à Cidade Santa, colocou-o no cume do Templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te para baixo; pois está escrito: Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito, e: “Eles sustentar-te-ão com as suas mãos, para que o teu pé não tropece numa pedra.” Jesus declarou-lhe: «Está ainda escrito: Não porás à prova o Senhor, teu Deus.»

O diabo levou-o ainda a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e a sua glória. E disse-lhe: «Tudo isto te darei, se te ajoelhares aos meus pés e te prostrares perante mim. » Então, Jesus disse-lhe: «Afasta-te, Satanás! Pois está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele rendarás culto.»

Então o diabo afastou-se dele. E eis que se aproximaram anjos, que o serviam.

Marcos 1, 9-13

Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré, cidade da Galileia, e foi batizado por João no rio Jordão. E, logo que saiu da água, viu os céus a abrirem-se e o Espírito a descer sobre ele como uma pomba. Ouviu-se uma voz vinda dos céus: «Tu és o meu Filho amado; em ti tenho o meu prazer.» » Imediatamente, o Espírito levou Jesus para o deserto, onde permaneceu quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Ele vivia entre os animais selvagens, e os anjos serviam-no.

Lucas 3, 21-22 e 4, 1-13: Enquanto todo o povo se fazia batizar e, depois de também ter sido batizado, Jesus orava, o céu abriu-se. O Espírito Santo, sob uma aparência corporal, como uma pomba, desceu sobre Jesus, e ouviu-se uma voz vinda do céu: «Tu és o meu Filho amado; em ti encontro a minha alegria.»

Jesus, cheio do Espírito Santo, partiu das margens do Jordão; pelo Espírito, foi conduzido pelo deserto, onde, durante quarenta dias, foi tentado pelo diabo. Não comeu nada durante esses dias e, quando esse tempo terminou, sentiu fome.

O diabo disse-lhe então: «Se és Filho de Deus, ordena que esta pedra se transforme em pão.» Jesus respondeu: «Está escrito: O homem não vive só de pão.»

Então o diabo levou-o a um lugar mais elevado e mostrou-lhe, num instante, todos os reinos da terra. Disse-lhe: «Dar-te-ei todo este poder e a glória destes reinos, pois isto me foi entregue e eu dou-o a quem quero. Tu, portanto, se te prostrares perante mim, terás tudo isto.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: É perante o Senhor, teu Deus, que te prostrarás; a ele só rendarás culto.»

Depois, o diabo levou-o a Jerusalém, colocou-o no cume do Templo e disse-lhe: «Se és Filho de Deus, atira-te daqui para baixo; pois está escrito: Ele ordenará aos seus anjos que te guardem; e ainda: Eles levar-te-ão nas suas mãos, para que o teu pé não tropece numa pedra.» Jesus respondeu-lhe: «Está escrito: Não porás à prova o Senhor, teu Deus.»

Tendo assim esgotado todas as formas de tentação, o diabo afastou-se de Jesus até ao momento determinado.

João 1, 29-34: No dia seguinte, vendo Jesus a vir na sua direção, João declarou: «Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo; foi dele que eu disse: “O homem que vem depois de mim já me ultrapassou, pois antes de mim ele já existia”. E eu não o conhecia; mas, se vim batizar com água, foi para que ele fosse manifestado a Israel.» Então João prestou este testemunho: «Vi o Espírito descer do céu como uma pomba e repousar sobre ele. E eu não o conhecia; mas aquele que me enviou para batizar com água disse-me: “Aquele sobre quem vires o Espírito descer e repousar, esse é quem batiza no Espírito Santo.” Eu vi e dou testemunho: este é o Filho de Deus.»

EMF 80.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Aqui senti saudade de minha mãe, que estava longe, aqui senti necessidade dos seus cuidados em minha fragilidade humana. Aqui senti renovar-se a dor de haver-me apartado da única que me amava perfeitamente, aqui pressenti a dor que me estava reservada e a dor pela sua dor, pobre mãe, que não terá mais lágrimas, de tantas que terá que derramar pelo seu Filho e por obra dos homens.

Detalhe

Jesus fala da sua tentação no deserto.

EMF 80.11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Agora ouvi, especialmente tu, João. Voltemos para a Mãe e para os amigos. Eu vos peço isto: não conteis à Mãe, a dureza que o amor de seu Filho encontrou. Ela sofreria muito. Por essa crueldade do homem Ela sofrerá tanto… mas não lhe apresentemos o cálice desde já. Quando ele lhe for dado, será tão amargo! Tão amargo que, como um tóxico, lhe descerá, serpenteando, pelas suas entranhas santas e por suas veias, mordendo-as e gelando-lhe o coração. Oh! Não conteis à minha Mãe que Belém e Hebron me repeliram como a um cão! Tende pena Dela! Tu, Simão, és velho e bom, és um espírito de reflexão, e não falarás, Eu sei. Tu, Judas, és judeu, e não falarás por um orgulho regional. Mas tu, João, tu, Galileu e jovem, não caias em pecado de orgulho, de crítica, de crueldade. Cala-te. Mais tarde… mais tarde dirás aos outros o que agora te peço que te cales. Também os outros. Já há tanta coisa para se dizer sobre tudo o que é de Cristo. Por que unir o que é de satanás contra o Cristo? Meus amigos, vós me prometeis tudo isso?

– Oh! Mestre! Prometemos sim! Estejas certo!

– Obrigado. Vamos até aquele pequeno oásis. Lá existe uma nascente, uma cisterna cheia de águas frescas, sombra e verdura. A estrada para o rio passa perto. Poderemos encontrar alimento e repouso até a tarde. À luz das estrelas, alcançaremos o rio e o vau. E esperaremos José, ou nos uniremos a ele, se já tiver voltado. Vamos.

E se encaminham, enquanto os primeiros tons cor-de-rosa no céu, no limite do oriente, estão dizendo que um novo dia surge.

Detalhe

Depois de ter ido a Belém, a Keriot e ao Monte da Tentação, Jesus perguntou aos apóstolos:

EMF 81

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus encontra-se pela primeira vez com os pastores Simeão, Matias e João. Acompanham-no também o pastor José, Simão, o Zelota, e João. A princípio intimidados, os pastores logo se sentem à vontade e dizem-lhe que João está na prisão. Poderiam libertá-lo se tivessem dinheiro suficiente. Mas o grupo tem as jóias de Aglaia. Judas é enviado para as vender com João. Simão, o Zelota, confessa o seu mal-estar com os Iscariotes.

EMF 81.1-3.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Revejo o vau do Jordão: a estrada verde que margeia o rio, tanto de um lado, como do outro, muito percorrido por viajantes, por causa da sua sombra. Filas de burrinhos que vão e que vêm, e homens com eles. À margem do rio, três homens apascentam algumas ovelhas. Na estrada José, à espera, olha para cima e para baixo.

Lá longe, no ponto onde uma estrada se liga à beira do rio, aponta Jesus, com os três discípulos. José chama os pastores, e estes levam as ovelhas para a estrada, fazendo-as caminhar pela beira relvosa. Vão depressa ao encontro de Jesus.

– Eu estou quase sem coragem… Que direi a Ele como saudação?

– Oh! Ele é tão bom! Tu lhe dirás: “A paz esteja Contigo.” Ele também saúda sempre assim.

– Ele, sim… mas nós….

– E eu, quem sou? Não sou nem mesmo um dos seus primeiros adoradores, e Ele me quer tão bem… muito bem!

– Quem é Ele?

– Aquele mais alto e loiro.

– E nós lhe falaremos do Batista, Matias?

– Oh! Sim!

– Não achará que nós preferimos o Batista a Ele?

– De modo nenhum, Simeão. Se Ele é o Messias, vê os corações, e verá no nosso que, procurando o Batista, era a Ele que queríamos procurar.

– Tens razão.

Os dois grupos já estão a poucos metros um do outro. Jesus já sorri, com aquele seu sorriso que não se pode descrever. José apressa o passo. As ovelhas também se põem a trotar, impelidas pelos pastores.

– A paz esteja convosco –diz Jesus, levantando os braços, como para dar um abraço. Depois se dirige a cada um:

– A Paz a ti, Simeão, João e Matias, meus fiéis, e fiéis de João, o Profeta! Paz a ti, José –e o beija na face.

Os outros três estão agora de joelhos.

– Vinde, amigos. Vinde debaixo destas árvores, à margem do rio, e vamos conversar.

Eles descem, e Jesus assenta-se sobre uma grande raiz saliente, os outros se assentam no chão. Jesus sorri, e os olha fixamente um a um:

– Deixai que Eu conheça os vossos rostos. Vossas almas, Eu já conheço, como justos que procuram o Bem, que é por eles amado, contra todas as vantagens do mundo. Eu vos trago a saudação de Isaque, de Elias e de Levi. E uma outra saudação: a de minha Mãe.

81.2

Tendes notícia do Batista?

Os homens, que até então estavam amordaçados pelo acanhamento, reanimam-se e encontram as palavras:

– Ele ainda está preso. E o nosso coração teme por ele, porque está nas mãos de um homem cruel, dominado por uma criatura infernal e cercado por uma corte corrupta. Nós o amamos… Tu sabes que o amamos e que ele merece o nosso amor. Depois que Tu deixaste Belém, nós fomos perseguidos pelos homens… Mas nós ficamos desolados e abatidos como árvores quebradas pelo vento, mais do que pelo ódio deles, por termos perdido a Ti. E, então, depois de anos de sofrimento, se tivéssemos as pálpebras costuradas, procurando o sol sem podermos ver, por estarmos fechados numa cadeia impedidos de enxergar na tepidez de nossas carnes, eis que ouvimos dizer ser o Batista o homem de Deus, predito[1] pelos Profetas para preparar os caminhos do seu Cristo. Fomos até ele então. Dissemos a nós mesmos: “Se o Batista O precede, O encontraremos no Batista.” Porque eras Tu, Senhor, aquele que nós procurávamos.

– Eu sei. E me encontrastes. Eu estou convosco.

– José nos disse que Tu vieste até o Batista. Nós não estávamos lá naquele dia. Talvez tivéssemos ido, a mando dele, a algum outro lugar. Servíamos a ele, nos serviços da alma, que ele nos pedia com tanto amor e também o escutávamos com amor, embora fôsse tão severo, por não ser Tu, o Verbo, mas nos dizia sempre palavras de Deus.

– Eu sei.

81.3

E a este, não conheceis? –indicando João.

– Nós o vimos com outros galileus, no meio das multidões mais fiéis ao Batista. E, se não estamos enganados, tu és aquele João, do qual ele revelava aos seus íntimos: “Eu sou o primeiro, ele será o último. Mas depois será: ele o primeiro e eu, o último.” Nunca pudemos entender o que é que ele queria dizer.

Jesus volta-se para a sua esquerda, onde está João, e o atrai contra o seu coração, com um sorriso ainda mais luminoso, e explica:

– Ele queria dizer ser o primeiro a revelar: “Eis o Cordeiro”, e que este será o último dos amigos do Filho do homem que falará do Cordeiro às multidões. Mas, no coração do Cordeiro, este é o primeiro, porque lhe é mais caro do que qualquer outro homem. Isto é o que ele queria dizer. Mas, quando virdes o Batista e o vereis ainda, e ainda o servireis até a hora marcada, dizei-lhe que ele não é o último no coração do Cristo. Ele é tão amado quanto este outro João, não tanto pelo sangue, mas pela santidade. Recordai-vos disto. Se por humildade o santo se proclama “último”, a Palavra de Deus o proclama companheiro do discípulo que me é querido. Dizei-lhe que amo a este, porque tem o seu mesmo nome, e porque encontro nele os sinais do Batista, o preparador de almas para o Cristo.

– Nós lhe diremos… Mas nós o veremos ainda?

– Vós o vereis.

[Jesus discute com os Pastores sobre o facto de João estar preso e de ser necessária uma determinada quantia para o libertar. Decide-se que Judas venderá as joias de Aglaé. Quando o Iscariotes se retira, o Mestre volta a dirigir-se aos Pastores:]

81.7 – Eu gostaria de contentar-vos –diz Jesus.

– Tu o farás sempre, Mestre. O Altíssimo te bendiga por nós. Aquele homem é teu amigo?

– Sim, é. Não te parece que ele o possa ser?

O pastor João inclina a cabeça, e se cala. O discípulo Simão fala:

– Só quem é bom, sabe enxergar. Eu não sou bom e não enxergo aquilo que a Bondade enxerga. Vejo o exterior. O bom desce também ao interior. Tu também, João, enxergas como eu. Mas o Mestre é bom… e enxerga…

EMF 81.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A paz esteja convosco –diz Jesus, levantando os braços, como para dar um abraço. Depois se dirige a cada um:

– A Paz a ti, Simeão, João e Matias, meus fiéis, e fiéis de João, o Profeta! Paz a ti, José –e o beija na face.

Os outros três estão agora de joelhos.

– Vinde, amigos. Vinde debaixo destas árvores, à margem do rio, e vamos conversar.

Eles descem, e Jesus assenta-se sobre uma grande raiz saliente, os outros se assentam no chão. Jesus sorri, e os olha fixamente um a um:

– Deixai que Eu conheça os vossos rostos. Vossas almas, Eu já conheço, como justos que procuram o Bem, que é por eles amado, contra todas as vantagens do mundo. Eu vos trago a saudação de Isaque, de Elias e de Levi. E uma outra saudação: a de minha Mãe.

EMF 81.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

81.3 E a este, não conheceis? –indicando João.

– Nós o vimos com outros galileus, no meio das multidões mais fiéis ao Batista. E, se não estamos enganados, tu és aquele João, do qual ele revelava aos seus íntimos: “Eu sou o primeiro, ele será o último. Mas depois será: ele o primeiro e eu, o último.” Nunca pudemos entender o que é que ele queria dizer.

Jesus volta-se para a sua esquerda, onde está João, e o atrai contra o seu coração, com um sorriso ainda mais luminoso, e explica:

– Ele queria dizer ser o primeiro a revelar: “Eis o Cordeiro”, e que este será o último dos amigos do Filho do homem que falará do Cordeiro às multidões. Mas, no coração do Cordeiro, este é o primeiro, porque lhe é mais caro do que qualquer outro homem. Isto é o que ele queria dizer. Mas, quando virdes o Batista e o vereis ainda, e ainda o servireis até a hora marcada, dizei-lhe que ele não é o último no coração do Cristo. Ele é tão amado quanto este outro João, não tanto pelo sangue, mas pela santidade. Recordai-vos disto. Se por humildade o santo se proclama “último”, a Palavra de Deus o proclama companheiro do discípulo que me é querido. Dizei-lhe que amo a este, porque tem o seu mesmo nome, e porque encontro nele os sinais do Batista, o preparador de almas para o Cristo.

– Nós lhe diremos… Mas nós o veremos ainda?

– Vós o vereis.

EMF 81.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

81.4 – Sim. Herodes não ousa matá-lo, por medo do povo e, naquela corte de avidez e corrupção, seria fácil livrá-lo, se tivéssemos muito dinheiro. Mas…ainda que seja muito o que temos — os amigos nos deram — ainda falta muito. E nós temos muito medo de não chegarmos a tempo… e que ele seja morto.

– Quanto acha que vos falta para o resgate?

– Não é para um resgate, Senhor. Ele é muito mal visto por Herodíades, que domina tanto Herodes, que é difícil em conseguirmos um resgate. Mas… em Maqueronte estão reunidos, penso eu, todos os ávidos do reino. Todos buscam o prazer, todos querem sobressair, desde os ministros até os servos. E, para se viver assim, é preciso ter dinheiro… Nós encontraríamos alguém que por uma grande importância de dinheiro deixaria o Batista sair. Até Herodes talvez deseje isto… porque tem medo. Medo do povo e medo de sua mulher, não de outras coisas. Assim, ele faria o povo contente, e não seria acusado pela mulher de tê-la descontentado.

– E essa pessoa, quanto pede?

– Vinte talentos de prata. Nós só temos doze e meio.

81.5 – Judas, tu disseste que aquelas joias são muito bonitas.

– Bonitas e preciosas.

– Quanto poderão valer? Parece-me que entendes disso.

– Sim, eu entendo. Por que queres saber o valor delas, Mestre? Queres vendê-las? Por quê?

– Talvez… Diz: quanto poderão valer?

– Se forem bem vendidas, pelo menos seis talentos.

– Tens certeza disso?

– Sim, Mestre. Só o colar, grosso e pesado, feito de ouro maciço, vale pelo menos três talentos. Eu o examinei bem. E também os braceletes… Não sei nem como os pulsos delicados de Aglaé podiam sustentá-los.

– Eles eram as suas algemas, Judas.

– É verdade, Mestre… Mas muitos queriam ter umas algemas destas!

– Pensas assim? Quem?

– Ora… muitos!

– Sim. Muitos que, de homem, só têm o nome… E tu conhecerias um possível comprador?

– Em suma, Tu queres vendê-las? Por causa do Batista? Mas, olha, é ouro amaldiçoado!

– Oh! Incoerência humana! Acabaste de dizer, com evidente desejo, que muitos gostariam de possuir aquele ouro, e depois o chamas de amaldiçoado?! Judas, Judas!… É amaldiçoado, sim. É amaldiçoado! Mas ela lhe disse: “Este ouro santificar-se-á se for posto a serviço do pobre e do santo.” Ela o deu para isso, a fim de que o beneficiado reze por sua pobre alma que, como o embrião de uma futura borboleta intumesce na semente do coração. Quem mais santo e pobre do que o Batista? Por sua missão, ele é igual a Elias, mas na santidade é ainda maior do que ele. O Batista é mais pobre do que Eu. Eu tenho uma Mãe e uma casa… Quando se tem uma Mãe, tão pura e santa como Eu tenho, nunca estamos abandonados. Ele não tem mais casa, e de sua mãe não tem mais nem o sepulcro. Apoderaram-se de tudo, tudo foi profanado pela maldade humana.

81.6 Portanto, quem é o comprador?

– Existe um em Jericó, e muitos outros em Jerusalém. Mas aquele de Jericó!! Ah! É um oriental astuto, um ourives usurário, trapaceiro, mercador de amor, certamente um ladrão, talvez homicida… com certeza perseguido por Roma. Ele quer ser chamado de Isaque, a fim de parecer hebreu. Mas seu verdadeiro nome é Diomedes. Eu o conheço bem…

– Estamos vendo! –interrompe Simão Zelote, que fala pouco, mas observa tudo. E pergunta:

– Como foi que chegaste a conhecê-lo tão bem?

– Bom… Tu sabes… Para agradar a amigos poderosos… Eu fui até ele… e fiz negócios… Nós, lá do Templo… Tu sabes…

– Sim!… Vós fazeis quaisquer negócios –termina Simão, com fria ironia.

Judas fica com raiva, mas se cala.

– Ele pode comprá-las? –pergunta Jesus.

– Acho que sim. Dinheiro nunca lhe falta. Certamente precisa saber vender, porque o grego é astuto, e, se perceber que está tratando com um homem honesto, um… filhote de pomba, ele o depena em regra. Mas, quando tem que lidar com um abutre de sua igualha…

– Vai tu, Judas. És o tipo adequado. Tens a astúcia da raposa e a rapacidade do abutre. Oh! Perdoa-me, Mestre. Eu falei antes de Ti –diz ainda Simão Zelote.

– Eu penso como tu, e por isso digo a Judas para ir. João, vai com ele. Nós nos encontraremos ao cair do sol. O lugar do reencontro será junto à praça do mercado. Vai. E faze tudo do melhor modo possível.

Judas se levanta prontamente. João tem os olhos implorantes como os de um cachorro enxotado. Mas Jesus fala de novo com os pastores, e não vê este olhar implorante. João põe-se a caminho atrás de Judas.

Palavras-chave

EMF 81.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Portanto, quem é o comprador?

– Existe um em Jericó, e muitos outros em Jerusalém. Mas aquele de Jericó!! Ah! É um oriental astuto, um ourives usurário, trapaceiro, mercador de amor, certamente um ladrão, talvez homicida… com certeza perseguido por Roma. Ele quer ser chamado de Isaque, a fim de parecer hebreu. Mas seu verdadeiro nome é Diomedes. Eu o conheço bem…

– Estamos vendo! –interrompe Simão Zelote, que fala pouco, mas observa tudo. E pergunta:

– Como foi que chegaste a conhecê-lo tão bem?

– Bom… Tu sabes… Para agradar a amigos poderosos… Eu fui até ele… e fiz negócios… Nós, lá do Templo… Tu sabes…

– Sim!… Vós fazeis quaisquer negócios –termina Simão, com fria ironia.

Judas fica com raiva, mas se cala.

– Ele pode comprá-las? –pergunta Jesus.

– Acho que sim. Dinheiro nunca lhe falta. Certamente precisa saber vender, porque o grego é astuto, e, se perceber que está tratando com um homem honesto, um… filhote de pomba, ele o depena em regra. Mas, quando tem que lidar com um abutre de sua igualha…

– Vai tu, Judas. És o tipo adequado. Tens a astúcia da raposa e a rapacidade do abutre. Oh! Perdoa-me, Mestre. Eu falei antes de Ti –diz ainda Simão Zelote.

– Eu penso como tu, e por isso digo a Judas para ir. João, vai com ele. Nós nos encontraremos ao cair do sol. O lugar do reencontro será junto à praça do mercado. Vai. E faze tudo do melhor modo possível.

Judas se levanta prontamente. João tem os olhos implorantes como os de um cachorro enxotado. Mas Jesus fala de novo com os pastores, e não vê este olhar implorante. João põe-se a caminho atrás de Judas.

81.7 – Eu gostaria de contentar-vos –diz Jesus.

– Tu o farás sempre, Mestre. O Altíssimo te bendiga por nós. Aquele homem é teu amigo?

– Sim, é. Não te parece que ele o possa ser?

O pastor João inclina a cabeça, e se cala. O discípulo Simão fala:

– Só quem é bom, sabe enxergar. Eu não sou bom e não enxergo aquilo que a Bondade enxerga. Vejo o exterior. O bom desce também ao interior. Tu também, João, enxergas como eu. Mas o Mestre é bom… e enxerga…

– Que enxergas em Judas, Simão? Eu te ordeno que fales!

– É isto: ao vê-lo, eu penso, em certos lugares misteriosos, que parecem antros de feras e águas estagnadas pela febre, nos quais, o que se vê é somente um grande emaranhado, e a gente logo se afasta com temor. Mas, ao contrário… ao contrário, dentro, há também rolas e rouxinóis, e o solo é rico em águas potáveis e ervas medicinais. Eu quero crer que Judas seja assim. Talvez porque Tu o tens Contigo. E Tu sabes…

– Sim. Eu sei… Há muitas dobras no coração daquele homem… Mas não falta seu lado bom. Tu o viste em Belém e também em Keriot. Este lado bom, que é de uma bondade humana, há de ser elevado até à altura de uma bondade que seja espiritual… Então, Judas será como gostaríeis que fosse. É jovem…

– João também é jovem…

– E tu conclues em teu coração que ele seja melhor! Mas João é João! Ama a este pobre Judas, Simão… Eu te peço. Se o amares… ele te parecerá melhor.

– Eu me esforço por fazer isso… por Ti. Mas ele é que destrói os meus esforços, tal como caniços de beira-rio… Contudo, Mestre, para mim só há uma lei: fazer o que Tu queres. Por isso, amo Judas, apesar de alguma coisa dentro de mim gritar contra ele.

– O que é esta coisa, Simão?

– Não sei dizer precisamente… É uma coisa assim como o grito do guarda na noite… e que me diz: “Não durmas! Fica atento!” Não sei… Esta coisa não tem nome. Mas existe… existe dentro de mim contra ele.

– Não penses mais nisso, Simão. Não te esforces para explicá-la. Faz mal conhecer certas verdades… e o conhecimento poderia enganar-te. Deixa isto para o teu Mestre. Tu, dá-me o teu amor, e pensa que isso me deixa feliz