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Notas do tema

O Rosário

Página 8 de 19

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EMF 73.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

73.5 – Que infelicidade! Poucos encontrarás daqueles que, como me disse Sara, Tu queres conhecer e saudar. Muitos foram mortos, muitos fugiram, muitos… ah! estão dispersos, e nunca se soube se foram mortos no deserto, ou se faleceram no cárcere, em punição por sua rebelião. Mas foi rebelião? E quem ficaria passivo deixando que degolassem tantos inocentes? Não, não é justo que ainda estejam vivos o Levi e o Elias, enquanto tantos inocentes morreram!

– Quem são esses dois, e que foi que fizeram?

– Mas… ao menos da matança ficaste sabendo. A matança feita por Herodes… Mais de mil crianças na cidade, um outro milhar nos campos. E todos, aliás, quase todos varões, porque naquela fúria, no escuro, no conflito que se armou, os ferozes pegaram, arrancaram dos berços, dos leitos maternos, das casas assaltadas, até as menininhas, e as transpassaram como filhotinhos de gazela, transformados em alvos por um arqueiro. Pois bem, e tudo isso por que? Porque um grupo de pastores que, para vencerem o frio da noite, por certo beberam bastante cerveja, foram tomados pelo delírio, e disseram ter visto anjos, ouvido canções, recebido indicações… e disseram a nós de Belém: “Vinde. Adorai. O Messias nasceu.” Pensa: o Messias em uma caverna! Em verdade, devo dizer que embriagados fomos todos, eu também, então adolescente e minha mulher, que naquele tempo tinha poucos anos… porque todos nós acreditamos, e em uma pobre mulher galiléia quisemos ver a Virgem parturiente da qual falaram os Profetas. Mas, se ela estava na companhia de um rude galileu! O marido certamente. Se ela era sua mulher, como podia ser a “Virgem”? Em suma, acreditamos. Presentes, adorações… casas abertas para hospedá-los… Oh! Como souberam representar bem a parte deles! Pobre Ana! Perdeu os bens e a vida, e também os filhos de sua filha, a primeira, a única que se salvou, porque casada com um comerciante de Jerusalém, mas perderam os bens, sua casa foi queimada, e todo o seu sítio foi arrasado por ordem de Herodes. Agora, é um campo inculto, sobre o qual pastam os rebanhos.

– Tudo culpa dos pastores?

– Não, também dos três bruxos, que vieram dos reinos de Satanás. Talvez fossem compadres dos três… E nós, tontos, considerávamos aquilo tudo como uma honra para nós! E aquele pobre arqui-sinagogo! Nós o matamos porque ele jurou que as profecias punham o selo da verdade nas palavras dos pastores e dos magos…

– Tudo culpa, então, dos pastores e dos magos?

– Não, galileu. Nossa também. Da nossa credulidade. Havia tanto tempo que se esperava o Messias! Séculos de espera. Muitas desilusões nos últimos tempos, por causa dos falsos Messias. Um deles era galileu, como Tu, um outro se chamava Teúdas. Mentirosos! Messias eles! Não eram mais do que ávidos aventureiros, à caça de fortuna! A lição devia ter-nos feito mais espertos. Ao invés…

73.6 – E então, por que maldizer todos, os pastores e os magos? Se vos julgais tolos vós também, então deveríeis maldizer-vos também. Mas a maldição não é permitida pelo preceito do amor. Maldição atrai maldição. Tendes certeza de que estais com a verdade? Não poderia ser que os pastores e os magos tivessem dito a verdade, a eles revelada por Deus? Por que querer crer que eles eram mentirosos?

– Porque os anos da profecia não se tinham completado. Depois percebemos… depois que o sangue, que avermelhou a água de nossos tanques e rios, nos abriu os olhos do pensamento.

– E não poderia o Altíssimo, por um excesso de amor para com o seu povo, antecipar a vinda do Salvador? Sobre o que foi que os magos basearam suas afirmações? Disseram-me que eles vinham do Oriente…

– Nos cálculos que fizeram sobre uma nova estrela.

– E não está escrito: “Uma estrela nascerá de Jacó, e uma vara se levantará de Israel”? E Jacó não é o grande patriarca, e não fez ele uma parada nesta terra de Belém, que para ele era tão querida como a pupila de seus olhos, por ter aí morrido a sua querida Raquel? Além disso, não foi dito pela boca do profeta: “Um broto despontará da raiz de Jessé, e uma flor nascerá dessa raiz”? Isai, o pai de Davi nasceu aqui. O broto da estirpe, cortada perto da raiz pela usurpação dos tiranos, não é a “Virgem”, que dará à luz o Filho, não tido de homem, porque então não seria mais virgem, mas da vontade divina, onde Ele será “o Emanuel”, porque, como Filho de Deus, será Deus e levará por isso Deus entre o seu povo, como diz o seu nome? E não será anunciado, como diz a profecia, aos povos das trevas, ou seja, aos pagãos “por uma grande luz”? E a estrela vista pelos magos não poderia ser a estrela de Jacó, a grande luz das duas profecias, a de Balaão e a de Isaías? E a própria matança realizada por Herodes não faz parte das profecias? “Um grito foi ouvido no alto… É Raquel que chora os seus filhos.” Estava marcado que as lágrimas fizessem gemer os ossos de Raquel em seu sepulcro em Efrata, quando, por meio do Salvador, tivesse chegado a recompensa ao povo santo. Lágrimas que depois se transformariam em um riso celeste, como o arco-íris, que é formado pelas últimas gotas do temporal, mas diz: “Eis um tempo sereno que vos é concedido.”

– Tu és muito douto. És rabi?

– Eu sou.

– Eu estou percebendo. Há luz e verdade nas tuas palavras. Mas… oh! muitas feridas ainda sangram nesta terra de Belém por causa do verdadeiro ou do falso Messias… Eu não o aconselharia a vir mais aqui. A terra o rejeitaria, como se rejeita um enteado por causa do qual morreram os filhos verdadeiros. Mas agora… se era Ele… já está morto como os outros que foram degolados.

Detalhe

Notas mais precisas do que as da EMV 73.2-8.

EMF 73.8.9-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Simão pergunta:

– Para onde vamos agora, Mestre?

– Vinde Comigo. Eu conheço um lugar.

– Mas, se nunca estiveste aqui, desde o tempo em que fugiste, como o conheces? –pergunta Judas, ainda irritado.

– Eu conheço. Não é bonito. Mas nele Eu já estive uma vez. Não é em Belém… mas um pouco afastado… Vamos virar para aquele lado.

Jesus vai na frente, depois Simão, depois Judas, por último João…

– (...) Judas, vem cá. Eu preciso falar contigo.

Judas se aproxima dele.

– Pega a bolsa. Tu farás as despesas de amanhã.

– E agora, onde iremos hospedar-nos?

Jesus sorri, e se cala.

73.10 A noite já desceu. A lua cobre tudo de candura. Os rouxinóis cantam entre as oliveiras. Um rio passa como uma fita de prata sonante. Dos prados, que foram roçados, vem o cheiro do feno: quente, eu diria um cheiro sensual. Ouve-se um ou outro mugido. Um ou outro balido. E estrelas e mais estrelas sem conta, uma sementeira de estrelas sobre o velário do céu, um dossel de gemas vivas, estendido sobre as colinas de Belém.

– Mas, por aqui… só há ruínas. Para onde nos estás levando? A cidade fica daquele lado.

– Eu sei. Vem. Segue o rio, atrás de Mim. Ainda uns poucos passos, e depois… depois vou te oferecer a hospedagem do Rei de Israel.

Judas encolhe os ombros, e se cala.

Mais uns poucos passos. Em seguida, aparece um amontoado de casas desmoronadas. Restos de moradia… Um antro entre duas fendas do paredão.

Jesus diz:

– Trouxestes o acendedor? Acendei.

Simão acende um pequeno candeeiro que tirou do seu alforje, e o entrega a Jesus.

– Entrai –diz o Mestre levantando a pequena luz–. Entrai. Este é o quarto onde nasceu o Rei de Israel.

– Estás brincando, Mestre! Isto aqui é uma fétida caverna. Ah! Eu aqui não fico mesmo! Tenho nojo de tudo isso. Este lugar é úmido, frio, fétido, cheio de escorpiões, e talvez até de serpentes…

– Contudo… Amigos, aqui, na noite do dia 25, das Encênias, da Virgem nasceu Jesus Cristo, o Emanuel, o Verbo de Deus feito Carne por amor do homem: Eu, que vos falo. Também naquele tempo, como hoje, o mundo se fez surdo às vozes do Céu, que falavam aos corações… e rejeitou a mãe… e aqui… Não, Judas, não desvies com desgosto o teu olhar daquelas corujas esvoaçantes, daquelas lagartixas, daquelas teias de aranha, e não soergas com repugnância a tua bonita veste bordada para que não se arraste no chão, que está coberto de excrementos dos animais. Aquelas corujas são as filhas das filhas daquelas que foram os primeiros brinquedos sacudidos diante dos olhos do Menino, para o qual os anjos cantavam o “Glória” ouvido pelos pastores, não embriagados, senão por uma alegria extática, uma verdadeira alegria. Aquelas lagartixas, com sua cor de esmeralda, foram as primeiras cores que passaram pelas pupilas de meus olhos, as primeiras, depois do candor do rosto e das vestes de minha mãe. Aquelas teias de aranha foram dossel de meu berço real. Este chão… oh! tu o podes pisar sem desprezo… Ele está coberto de excrementos, mas está santificado pelos pés dela, a santa, a grande santa, a pura, a inviolada, a puérpera deípara, aquela que deu à luz porque devia dar à luz, deu à luz, porque Deus, não o homem, lhe mandou, e a fez ficar grávida de si. Ela, a sem mácula, pisou neste chão. Tu o podes pisar. E, pela planta dos teus pés, queira Deus que te suba ao coração a pureza por ela aqui derramada….

73.11

Simão está ajoelhado. João vai diretamente à manjedoura, e chora com a cabeça nela apoiada. Judas está estarrecido… Depois é vencido pela emoção e, sem mais pensar em sua bonita veste, prostra-se no chão, segura a ponta da veste de Jesus, a beija e bate no peito, dizendo:

– Oh! Misericórdia, bom Mestre, da cegueira do teu servo! Minha soberba cai por terra… eu Te vejo como és. Não o rei que eu pensava. Mas o Príncipe eterno, o Pai do século futuro, o Rei da paz. Piedade, meu Senhor e meu Deus! Piedade!

– Sim. Toda a minha piedade! Agora vamos dormir onde dormiu o Infante e a virgem, onde João tomou agora o lugar da mãe em adoração, onde Simão está parecendo o meu pai adotivo. Ou, se assim preferis, Eu vos falarei daquela noite….

– Oh! Sim, Mestre. Faze-nos conhecer o teu florescer!

– Para que seja uma pérola de luz em nossos corações. E para que o possamos narrar ao mundo.

– E venerar tua mãe, não somente por ser mãe, mas por ser… oh! por ser a virgem!

Primeiro falou Judas, depois Simão e, por fim João, com um rosto que está chorando e rindo, lá junto à manjedoura!…

– Vinde sobre o feno. Ouvi…

E Jesus narra como foi a noite do seu nascimento:

– … estando a mãe já perto do tempo de dar à luz, foi, por ordem de César Augusto, feito um edito pelo delegado imperial Públio Sulpício Quirino, quando era governador da Palestina Sêncio Saturnino. O edito era: que se fizesse o recenseamento de todos os habitantes do Império. Aqueles que não fossem escravos deviam ir para os seus lugares de origem, para se inscreverem nos registros do Império. José, esposo da mãe, era da estirpe de Davi, e de Davi era a mãe. Obedecendo, por isso, ao edito, deixaram Nazaré para virem até Belém, berço da estirpe real. O tempo estava frio…

Jesus continua a narração e tudo cessa neste ponto.

EMF 75.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Quem és?

– Alguém que te ama.

– Serias o primeiro, depois de tantos anos. De onde vens?

– Da Galiléia.

– Da Galiléia? Oh!

O homem o olha atentamente. Os outros também já se aproximam.

– Da Galiléia –repete o pastor, e acrescenta em voz baixa, falando para si mesmo–: Ele também tinha vindo da Galiléia… De que lugar, Senhor?”

– De Nazaré.

– Oh! Diz-me, então. Terá voltado para lá um menino, com uma mulher chamada Maria e um homem chamado José, um menino ainda mais bonito do que a sua mãe, que flor mais bonita nunca se viu nas encostas de Judá? Um menino nascido em Belém de Judá, no tempo do edito? Um menino que fugiu depois, para a grande sorte do mundo. Um menino, que eu daria a vida para saber se ainda está vivo, se já é um homem feito!

– Por que dizes que foi a grande sorte do mundo o ter Ele fugido?

– Porque Ele era o Salvador, o Messias, e Herodes queria matá-lo. Eu não estava aqui, quando Ele fugiu com o pai e a mãe… Quando fiquei sabendo da matança, e voltei… — porque eu também tinha filhos (um soluço), Senhor, e uma mulher… (soluço) e ouvi dizer que estavam mortos (outro soluço), mas eu te juro pelo Deus de Abraão, por causa Dele eu tremia mais do que pela minha própria carne — fiquei sabendo que Ele tinha fugido, e nem pude fazer perguntas; nem pude ir recolher os corpos dos meus filhos degolados… Perseguido a pedradas, como se fosse um leproso, um imundo, um assassino… e precisei fugir para os bosques, levar uma vida de lobo… até que encontrei um patrão. Oh! Ana não existe mais… É duro e cruel… Se uma ovelha se aleija, se o lobo me pega um cordeiro, ou eu vou ser espancado até o sangue, ou vão tirar-me o meu pouco ganho, ou vou trabalhar nos bosques para os outros, fazer qualquer coisa, mas pagando sempre três vezes mais do que o justo valor. Mas não importa. Eu sempre tenho dito ao Altíssimo: “Deixa-me ver o teu Messias, deixa-me pelo menos saber que Ele está vivo, e tudo o que tenho sofrido é nada.” Senhor, eu te disse como fui tratado pelos belemitas e como estou sendo tratado pelo patrão. Eu podia ter retribuído ao mal com mal, ou praticar o mal, roubando, para não ter que sofrer com o patrão. Mas, eu só quis perdoar, sofrer, ser honesto, porque os anjos haviam dito: “Glória a Deus nos Céus altíssimos, e paz na terra aos homens de boa vontade.”

– Foi assim mesmo que os anjos disseram?

– Sim, Senhor, podes crê-lo Tu, ao menos Tu, que és tão bom. Fica sabendo Tu, pelo menos, e crede que o Messias já nasceu. Ninguém quer mais crer nisso. Mas os anjos não mentem… e nós não estávamos bêbados, como disseram. Este, que estás vendo, naquele tempo era um menino, e foi o primeiro a ver o anjo. Ele só bebia leite. Será que o leite pode embriagar? Os anjos disseram: “Hoje na cidade de Davi nasceu o Salvador, que é Cristo, o Senhor. E vós o reconhecereis pelo seguinte: Encontrareis um Menino deitado em uma manjedoura, envolvido em faixas.”

– Foi assim mesmo que falaram? Não tereis entendido mal? Não estareis enganados, depois de tanto tempo?

– Oh! Não! Não é verdade, Levi? Para não nos esquecermos daquelas palavras — e nem o poderíamos, porque eram palavras do Céu, e foram escritas com o fogo do Céu em nossos corações — todas as manhãs, todas as tardes, quando o sol surge, quando brilha a primeira estrela, nós as dizemos como oração, como pedido de bênção, para termos força e conforto, em nome Dele e da mãe.

– Ah! Vós dizíeis: “O Cristo”?

– Não, Senhor. Nós dizemos: “Glória a Deus nos Céus altíssimos e paz na terra aos homens de boa vontade, por Jesus Cristo que nasceu de Maria em uma estrebaria em Belém e que, envolvido em faixas, estava em uma manjedoura, Ele que é o Salvador do mundo.”

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Jesus vem ter com os pastores de Belém. O mais velho, Elias, pergunta-lhe:

EMF 77.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Quantos aborrecimentos tivemos por causa do Batista! Mas ele é o nosso grande! Verdadeiramente grande! Desde o seu nascimento houve milagre. Isabel, velha como um cardo seco, tornou-se fértil como as macieiras no mês de Adar, primeiro milagre. Depois, veio uma prima dela, que era uma santa, para servi-la e para soltar a língua do sacerdote. Ela se chamava Maria. Lembro-me dela. Ainda que não a visse, a não ser raramente. Como foi, eu não sei. Conta-se que, para fazer Isabel feliz, ela teria deixado Zacarias pousar a boca muda sobre o seu ventre cheio, ou que ela teria introduzido os seus dedos na boca dele. Não sei bem. O certo é que, depois de nove meses de silêncio, Zacarias falou, louvando o Senhor e dizendo que o Messias já estava na terra. Não deu mais explicações. Mas minha mulher garante — ela estava presente naquele dia — que Zacarias disse, louvando ao Senhor­, que o seu filho iria à sua frente. Agora eu digo: não é como as pessoas crêem. João é o Messias, que vai diante do Senhor, como Abraão, de Deus. Eis. Não tenho razão?

– Tens razão, quanto ao que diz respeito ao espírito do Batista, que sempre procede adiante de Deus. Mas não tens razão quanto ao que diz respeito ao Messias.

– Então aquela, que se dizia mãe do Filho de Deus — e quem disse isto foi Samuel — não é verdade que o era? Não nasceu ainda?

– Sim, ela o era. O Messias nasceu, precedido por aquele que, no deserto, levantou sua voz, como disse o Profeta[1].

– És tu o primeiro que afirma isso. João, na última vez que Joel lhe levou uma pele de ovelha, como fazia cada ano ao chegar o inverno, ao ser interrogado a respeito do Messias, não disse: “Ele já está aí.” Quando o disser…

– Homem, eu fui discípulo de João, e o ouvi dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” indicando… –diz João.

– Não, não. O Cordeiro é ele. Verdadeiro Cordeiro, que cresceu por si mesmo, quase sem necessidade de pai e mãe. Assim que se tornou filho da Lei, isolou-se nas cavernas dos montes que olham para o deserto e ali cresceu, falando com Deus. Isabel e Zacarias morreram e ele não veio. Para ele, pai e mãe era Deus. Não há santo maior do que ele. Perguntai a toda a cidade de Hebron. Samuel o dizia, mas os belemitas devem ter tido razão. O santo de Deus é João.

– Se alguém te dissesse: “O Messias sou Eu”, que dirias tu? –pergunta Jesus.

– Eu o chamaria de “blasfemador”, e o afugentaria a pedradas.

– E se ele fizesse um milagre para provar que o era?

– Eu diria que ele era um “endemoninhado.” O Messias virá quando João se revelar na sua verdadeira identidade. O próprio ódio de Herodes é a prova. Ele, o astuto, sabe que João é o Messias.

– Mas João não nasceu em Belém.

– Quando ele for solto, depois de ter anunciado por si mesmo o seu próximo advento, manifestar-se-á em Belém. Também Belém o espera. Enquanto… oh! vai falar aos belemitas de algum outro Messias, se tens coragem… e verás.

– Tendes uma sinagoga?

– Sim. Basta ir direto daqui a duzentos passos por esta rua. Não há erro. Fica perto da arca dos despojos violados.

– Adeus. E que o Senhor te ilumine.

Eles se vão. Voltam à parte da frente.

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Um lenhador de Hebron fala com Jesus, João, Judas e o pastor Elias. Diz ele:

EMF 77.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Homem, eu fui discípulo de João, e o ouvi dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” indicando…

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Um lenhador de Hebron acreditava que João Batista era o Messias e o Cordeiro de Deus. João interveio então para dar o seu testemunho do batismo.

EMF 78.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Israel está sujeito a Roma. Tu sabes o que acontece quando quer levantar-se contra Roma alguém que parecia chefiar o povo e que se tornou suspeito de criar uma guerra de libertação. Tu ouviste, e ouviste nestes dias mesmo, como se usou de crueldade para com um Pequenino, só por se supor que ele seria o futuro rei, segundo o mundo.

EMF 78.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O meu caminho!… O meu palácio real! Oh! Que angústia há neles! Sabes onde é que serei Rei? Quando serei proclamado Rei? Quando Eu for levantado no madeiro infame, e por púrpura terei o meu Sangue, por coroa uma grinalda de espinhos, por insígnia um cartaz de escárnio, por trombetas, címbalos, órgãos e cítaras, para saudar o Rei proclamado, Eu ouvirei as blasfêmias de um povo inteiro: do meu povo. E sabes por obra de quem, tudo isso? De um que não me terá entendido. Que nada terá entendido. Coração de bronze vazio, cuja soberba, sensualidade, e avareza terão destilado os seus humores, e estes terão gerado um nó de serpentes que servirão como correntes para Mim e… como maldição para ele. Os outros não sabem tão claramente a minha sorte. E, te peço, não digas qual é. Que isto fique entre Mim e ti.

EMF 78.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Isaías disse: “Toda rapina feita com tumulto e as vestes encharcadas de sangue serão queimadas pelo fogo. Eis que nasceu-nos um pequenino, foi-nos dado um Filho. Em seus ombros Ele tem o principado. Eis o seu nome: Admirável, Conselheiro, Deus Forte, Pai do século futuro, Príncipe da Paz.” Este é o meu Nome. Deixemos aos Césares e aos Tetrarcas as suas presas. Eu farei rapina. Mas não rapina que mereça a punição do fogo. Pelo contrário, Eu arrancarei do fogo de Satanás presas e mais presas, para levá-las ao Reino da paz, do qual Eu sou Príncipe, e ao século futuro: o tempo eterno, do qual sou Pai.

EMF 78.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Deus, diz ainda Davi, de cuja estirpe Eu provenho, como estava predito por aqueles que viram, por sua santidade agradável a Deus e escolhida para falar de Deus, “escolheu somente um… meu filho… mas a obra é grandiosa, por que se trata, não de preparar a casa para um homem, mas para Deus.” Assim é. Deus, o Rei dos reis, escolheu somente um: o seu Filho, para construir, nos corações, a sua casa. E já preparou o material. Oh! Quanto ouro de caridade! E cobre, e prata, e ferro, e madeiras raras, e pedras preciosas! Todos estão acumulados em seu Verbo, e Ele os usa para construir em vós a morada de Deus. Mas se o homem não ajuda ao Senhor, inutilmente o Senhor quererá construir a sua casa. Ao ouro se responde com o ouro. À prata com a prata, ao cobre com o cobre, ao ferro com o ferro. Ou seja, dá-se amor por amor, continência para servir a Pureza, constância para ser fiéis, força para não se dobrar. Em seguida levar hoje a pedra, amanhã a madeira: hoje o sacrifício, amanhã a obra, e construir. Sempre construir o templo de Deus em vós.

O Mestre, o Messias, o Rei do eterno Israel, do eterno povo de Deus, vos chama. Mas quer que estejais limpos para a obra. Abaixo as soberbas: a Deus o louvor. Abaixo os pensamentos humanos: de Deus é o Reino. Humildes, dizei Comigo: “Todas as coisas são tuas, ó Pai. Teu é tudo o que é bom. Ensina-nos a conhecer-Te e a servir-Te em verdade.” Dizei: “Quem sou eu?” E reconhecei que sereis alguma coisa, somente quando fordes moradas purificadas, às quais Deus pode descer e nelas descansar.

Sendo todos peregrinos e estrangeiros nesta terra, sabei reunir-vos e ir rumo ao Reino prometido. O caminho são os mandamentos, cumpridos não por temor do castigo, mas por amor a Ti, ó Pai Santo. Arca, um coração perfeito, no qual há o nutritivo maná da sabedoria e onde floresce a vara da vontade pura. E, para que a casa seja luminosa, vinde à Luz do mundo. Eu vo-la trago. Trago-vos a Luz. Nada mais do que isto. Não possuo riquezas e não prometo honras que são da terra. Mas possuo todas as riquezas sobrenaturais do meu Pai, e aos que seguiram a Deus em amor e caridade, Eu prometo a honra eterna do Céu.

A paz esteja convosco.

EMF 78.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um velho diz:

– Ouve, Senhor. Há tempo, há muito tempo, quando saiu o edito, chegou até aqui a notícia de que o Salvador havia nascido em Belém… e eu fui até lá em companhia de outros… Vi um pequeno Menino, em tudo igual aos outros… Mas eu o adorei, por fé. Depois soube que havia um homem santo, que se chamava João. Qual é o Messias verdadeiro?

– Aquele que tu adoraste. O outro é o seu Precursor. Grande santo aos olhos do Altíssimo, mas não é o Messias.

– Eras Tu?

– Era Eu. E que foi que viste em torno à minha pessoa recém-nascida?

– Pobreza e limpeza, honestidade e pureza. Um operário gentil e sério chamado José, operário, mas da estirpe de Davi. Uma jovem mãe, loira e gentil, chamada Maria, diante de cuja graça empalidecem as rosas mais belas de Engadi e parecem disformes os lírios dos canteiros reais. E um Menino de grandes olhos da cor do céu, cujos cabelos pareciam fios de ouro pálido… E não vi mais nada… E ouço ainda a voz da mãe me dizer: “Pelo meu Filho eu te digo: seja o Senhor­ contigo até o encontro eterno, e a sua Graça venha ao teu encontro em tua estrada.” Estou com oitenta e quatro anos… a estrada está chegando ao fim… Não esperava mais encontrar a Graça de Deus. Mas, ao invés, Te encontrei… e agora não desejo mais ver outra luz que não seja a tua.