EMF 39.4-6
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Vejo Jesus entrar com sua mamãe, na espécie de sala de jantar de Nazaré.
Jesus é um belo jovenzinho de doze anos, alto, bem feito de corpo e robusto, sem ser gordo. Parece mais adulto do que é, pela sua compleição. Já está alto, tanto que atinge os ombros da mãe. Tem ainda o rosto redondo e rosado do Jesus menino, rosto que, depois, com a idade juvenil e viril, se emagrecerá, e se tornará de uma cor indefinida, a cor de certos delicados alabastros, que lembram, de longe, o amarelo rosado.
Os olhos, também os olhos, são ainda de menino. Grandes, bem abertos e com uma centelha de alegria, perdida no meio da seriedade com que olham. Depois, eles não serão mais tão abertos… As pálpebras descerão até a metade dos olhos, para encobrir o mal demasiado que está no mundo aos olhos do Santo e Puro. Só nos momentos de milagres é que eles estarão bem abertos e cintilantes, mais ainda do que agora… para expulsar os demônios e a morte, para curar as doenças e os pecados. E não estarão mais, nem mesmo com aquela centelha de alegria misturada com a seriedade… A morte e o pecado lhe estarão cada vez mais presentes e próximos, e com eles o conhecimento, também humano, da inutilidade do seu sacrifício, por causa da má vontade do homem. Só os raríssimos momentos de alegria, por estar com os remidos, e especialmente com os puros, meninos em sua maior parte, farão brilhar de alegria estes olhos santos e bons.
Mas agora Ele está com sua mamãe, em sua casa, e diante Dele está José, que lhe sorri com amor, e estão também os seus priminhos, que o admiram, e a tia Maria de Alfeu, que o acaricia… Ele está feliz. O meu Jesus tem necessidade de amor para ser feliz. Neste momento Ele tem amor.
Jesus está vestido com uma veste solta de lã vermelha, de tonalidade rubi claro. Ela é macia, de textura perfeita, na sua compacta tenuidade. Junto ao pescoço, na frente, por baixo das mangas longas e largas, e da veste, que desce até o chão, deixando descobertos apenas os pés, que estão calçados com sandálias novas e muito bem feitas — não as costumeiras solas, fixadas ao pé por meio de tiras de couro — está um galão, não bordado, mas tecido em cor mais escura sobre o vermelho rubi da veste. Deve ser obra da mamãe, porque a cunhada a admira e elogia.
Os belos cabelos loiros já estão carregados de uma tonalidade bem diferente de quando Ele era pequenino, agora com cintilações de cobre nas volutas dos caracóis, que terminam abaixo das orelhas. Não são mais os caracoizinhos curtos e leves da infância. Não são ainda os cabelos ondulados e compridos até aos ombros, onde terminam em macias madeixas aneladas na idade adulta. Mas já tendem mais para esta última na cor e na forma.
39.5 – Eis aqui o nosso Filho –diz Maria, levantando a sua mão direita, na qual está a mão esquerda de Jesus.
Parece que o está apresentando a todos e reconfirmando a paternidade do Justo, que está sorrindo. E ela acrescenta:
– Abençoa-o, José, antes de Ele partir para Jerusalém. Não foi necessária a bênção ritual, em sua idade de ir para a escola, primeiro passo na vida. Mas agora que Ele vai ao Templo, para ser declarado maior de idade, dá-lhe a bênção. E abençoa a mim também, junto com Ele. A tua bênção… (Maria dá um soluço) O fortificará e me dará força, para me desapegar um pouco mais Dele…
– Maria, Jesus será sempre teu. A fórmula não incidirá em nossos mútuos relacionamentos. Nem eu vou disputá-lo contra ti, este Filho que nos é tão caro. Ninguém como tu merece guiá-lo na vida, ó minha Santa.
Maria se inclina, pega a mão de José, e a beija. Ela é a esposa, oh! e quão amorosa e respeitosa para com o seu consorte!
José acolhe aquele sinal de respeito e de amor com dignidade, mas depois levanta aquela mão que foi beijada, e a coloca sobre a cabeça da esposa, dizendo:
– Sim, eu te abençôo, ó Bendita, e a Jesus junto contigo. Vinde, minhas únicas alegrias, minha honra e meu ideal.
José está solene. Com os braços estendidos, e as palmas das mãos voltadas para o chão sobre as duas cabeças inclinadas, igualmente loiras e santas, ele pronuncia a bênção:
– O Senhor vos guarde e vos abençoe. Tenha misericórdia de vós, e vos dê a paz. O Senhor vos dê a sua bênção.
E depois diz:
– Agora vamos. A hora é propícia para a viagem.
39.6 Maria apanha um manto grande, cor de romã, coloca sobre o corpo do Filho, e, ao fazer isso, o acaricia!
Saem e fecham a porta. Põem-se a caminho. Outros peregrinos vão indo na mesma direção. Ao saírem da cidade, as mulheres se separam dos homens. Os meninos vão com quem preferirem. Jesus fica com a mãe.
Os peregrinos vão salmodiando pelos belos campos, nestes alegres dias de primavera. Prados e searas frescas e frescas as ramagens das árvores, que floriram, há pouco. Ouvem-se os cantos dos homens pelos campos e pelas ruas e os dos pássaros nas árvores. Córregos límpidos servem de espelho para as flores que estão às margens e cordeirinhos saltam ao lado de suas mães. Há paz e alegria, sob o mais belo céu de abril.
A visão cessa assim.
Detalhe
Descrição física do Menino Jesus e da bênção de José antes de partir para Jerusalém.