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EMF 208.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Todos os apóstolos estão sentados à sombra de uma árvore carregada de grandes flores brancas cujo nome eu não sei, com enormes campânulas de esmalte branco, penduradas, balançando ao menor sopro de vento e, a cada sopro, é uma onda de fragrância que se espalha. Não sei qual é o nome desta árvore. Pela flor, ela me faz lembrar daquele arbusto que há na Calábria e ao qual lá dão o nome de “bottaro”, mas certamente no tronco não, porque esta aqui é uma árvore alta, de tronco robusto, mas não um arbusto.

Jesus os chama, e eles acorrem.

– Encontramos quase de repente José, que estava voltando de uma feira. Esta tarde estarão todos em Betsur. Nós aqui nos reunimos, chamando-nos em altas vozes, e aqui ficamos nesta sombra fresca –explica Pedro.

EMF 208.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Uma mulher alta, mas que vem vindo inclinada e com vestes escuras, vem adiante, na penumbra.

– Elisa! Querida! Eu sou Maria! –diz Maria, correndo ao seu encontro e abraçando-a.

– Maria? Tu… Pensava que tu também tinhas morrido. Tinham-me contado… quando foi? Não me lembro mais… Eu estou com um vazio aqui na cabeça… Tinham-me dito que tu estavas morta, com muitas outras mães, depois da vinda dos Magos. Mas quem foi que me disse que eras a mãe do Salvador?

– Talvez os pastores…

– Oh! Os pastores!

A mulher tem uma explosão de pranto cheio de aflição:

– Não me fales naquele nome. Ele me faz lembrar a última esperança para a vida de Levi… E, no entanto… sim… um pastor me falou do Salvador e eu matei meu filho, levando-o ao lugar onde se dizia que estava o Messias, perto do Jordão. Mas lá não havia ninguém… e o meu filho voltou a tempo para morrer… O cansaço, o frio…eu o matei… Mas eu não quis ser uma assassina. Diziam-me que Ele, o Messias, curava as doenças… e eu lá fui para conseguir a cura. Agora meu filho me acusa de tê-lo matado…

– Não, Elisa. És tu que pensas assim. Escuta. Eu creio que teu filho, ao contrário, foi quem me tomou pela mão e me disse: “Vai à casa de minha mãe. Leva-lhe o Salvador. Eu estou melhor aqui do que na terra. Mas ela só dá ouvidos ao seu pranto e não pode ouvir as palavras que eu lhe sussurro por entre beijos, a pobre da minha mãe, que está possuída por um demônio, que a tenta para levá-la ao desespero, porque quer nos ver separados. Enquanto que, se ela se resignar e crer que Deus tudo faz para um bom fim, estaremos unidos para sempre com o pai e com o irmão. Jesus pode fazer isso.” E eu vim… com Ele… Não o queres ver?…

Maria assim falou, conservando sempre entre os seus braços a desventurada, beijando-a sobre os cabelos cinzentos e com uma doçura que só ela pode ter.

– Oh! Se fosse verdade! Mas, por que, por que, então, Daniel não foi a ti, para dizer-te que viesses antes?…Mas, quem foi que me disse, há tempo, que tu estavas morta? Não me lembro…não me lembro… também por isso eu fiquei esperando, para ir ao Messias. Mas me haviam dito que Ele tinha morrido, Ele, tu e todos em Belém…

– Não fiques pensando em quem disse isto.

EMF 208.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

« A tarde vem caindo, mulher. Eu vou reunir-me aos meus apóstolos. Eu te deixo a minha mãe…

– Oh! Fica Tu também!… Tenho medo que, indo-te embora, me assalte de novo aquele tormento…. Começando apenas a acalmar-se a tempestade, ao som das tuas palavras…

– Não tenhas medo! Tens Maria contigo. Amanhã, Eu virei de novo. Eu tenho que ir dizer algumas coisas aos pastores. Posso dizer a eles que venham para a tua casa?

– Oh! Sim. Eles vinham até aqui no ano passado, por causa do meu filho… Atrás da casa há um jardim e, depois dele, há um pátio rústico. Eles podem ir para lá, como faziam, para recolher os seus rebanhos…

– Está bem. Eu virei. Sê boa. Lembra-te de que Maria no Templo estava confiada a ti. Eu também a confio, por esta noite. »

EMF 209.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A notícia de que Elisa se decidiu sair de sua tristeza trágica deve ter se espalhado pelo povoado a tal ponto que, quando Jesus, acompanhado pelos apóstolos e discípulos, vai indo para a casa de Elisa, atravessando o povoado, muitas pessoas o estão observando atentamente e até perguntam a um e a outro dos pastores a respeito dele, e por que é que nunca veio a este lugar, e sobre quem são aqueles que estão na companhia dele, e quem é aquele menino, e aquelas mulheres, e que remédio foi que Ele deu à Elisa, para livrá-la das trevas da loucura assim de repente, mal Ele apareceu e que fará lá, e que dirá… E quem quer fazer mais perguntas, que as faça.

A última pergunta feita é esta:

– Não poderíamos ir lá nós também?

À qual respondem os pastores:

– Isto nós não sabemos. É preciso perguntar ao Mestre. Ide a Ele.

– E se Ele nos tratar mal?

– Ele não trata mal nem aos pecadores. Ide, ide. Ele ficará contente, se fordes.

209.2

É um grupo de pessoas, mulheres e homens, adultos na maior parte, da idade de Elisa, que trocam ideia s uns com os outros, depois andam para a frente e vão aproximando de Jesus, que está falando com Pedro e Bartolomeu, e o chamam, meio receosos:

– Mestre…

– Que quereis? –pergunta Bartolomeu.

– Falar com o Mestre para perguntar-lhe…

– Venha a vós a paz. Que perguntas quereis fazer-me?

Eles criam coragem, diante do sorriso dele e dizem:

– Nós todos somos amigos da Elisa e dos da casa dela. Ouvimos dizer que ela está curada. Quereríamos vê-la. E ouvir-te falar. Podemos ir lá?

– Ouvir-me falar, sim, com certeza. Mas irdes vê-la, não, meus amigos. Fazei este sacrifício pela amizade que tendes a ela, fazei o sacrifício da vossa curiosidade. Pois é também isso que estais sentindo. Tende respeito por uma grande dor que não pode ser perturbada.

– Mas ela não está curada?

– Ela está voltando para a claridade…Mas, quando acaba uma noite, será que chega de repente o meio-dia? E, quando se acende um fogão que estava apagado, achais vós que as labaredas se levantarão fortes, num instante? Pois assim acontece com Elisa. Porque, se um vento inesperado se lança sobre a pequena chama, que começou a surgir, ele não a apaga? Portanto, tende prudência. A mulher está uma ferida só. Até a amizade pode exasperá-la, e ela tem necessidade de repouso, de silêncio, de uma solidão que não seja mais trágica, como a em que estava ontem, e sim uma solidão resignada, a fim de que ela encontre a si mesma.

– E, então, quando será que a poderemos ver?

– Mais depressa do que pensais. Porque ela já está a caminho da saúde. Mas, se soubésseis como é difícil sair daquelas trevas! Elas são piores do que a morte. E, quem sai delas, dentro de si sente a vergonha de ter estado nelas e de que os outros o fiquem sabendo.

– És médico?

– Sou o Mestre.

Chegaram diante da casa.

Jesus se dirige aos pastores:

– Ide para o pátio. Quem quiser pode ir convosco. Mas ninguém faça barulho lá, e não vá além do pátio. Tomai cuidado, vós também, diz Ele aos apóstolos, a fim de que tudo assim se faça. E vós (fala à Salomé e à Maria do Alfeu), cuidai do menino para que não faça barulho. Adeus.

Jesus bate à porta, enquanto os outros dobram a esquina, e entram por uma ruazinha, indo para onde deviam ir.

EMF 209.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

As mulheres ficam no jardim, mas, pouco depois, quando ouvem a voz de Jesus, que se espalha pelo ar tranquilo, saudando os presentes, Elisa, como se estivesse atraída por uma força irresistível, se aproxima lentamente de uma sebe muito alta, do outro lado da qual está o pátio. Jesus fala primeiro aos três pastores. Ele está bem perto da sebe, tendo à sua frente os apóstolos e aqueles cidadãos de Betsur, que o acompanharam. As Marias com o menino estão sentadas a um canto.

EMF 209.5 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A paz esteja convosco. Ontem Eu ouvi falar de dois infelizes. Um, ainda na aurora da vida e o outro, no fim: duas almas que choravam na desolação.

Eu chorei com elas em meu coração, vendo quanta dor existe nesta terra e como só Deus pode aliviá-la. Deus! Só o conhecimento exato de Deus, de sua grande e infinita bondade, da sua constante presença, das suas promessas. Eu vi como o homem pode ser torturado pelo homem e como pode ser atropelado pela morte com desolações, nas quais trabalha satanás, para aumentar a dor e para produzir ruínas. Eu disse, então, a Mim mesmo: “Não devem os filhos de Deus sofrer com esta tortura das torturas. Demos o conhecimento de Deus a quem não o tem, demo-lo de novo a quem o esqueceu, envolvido nas tempestades da dor.” Mas Eu vi também que, por Mim só, Eu não basto mais para satisfazer às infinitas necessidades dos irmãos. E decidi chamar a muitos, em número cada vez maior, a fim de que todos os que têm necessidade do conforto do conhecimento de Deus o possam ter.

Estes doze são os primeiros. Como meus seguidores, são capazes de conduzir até Mim e, por isso, ao conforto, todos aqueles que estão encurvados sob os pesos de dores grandes demais. Em verdade, Eu vo-lo digo: Vinde a Mim todos os que estais angustiados, desgostosos, com o coração ferido, cansados, e Eu compartilharei da vossa dor e vos darei paz. Vinde, por meio dos meus apóstolos, por meio dos meus discípulos e discípulas, que cada dia aumentam com novos voluntários. Encontrareis o consolo em vossas dores, companhia em vossas solidões, o amor dos irmãos para fazer-vos esquecer o ódio do mundo, encontrareis, como mais alto do que todos, como mais consolador do que todos, como o companheiro perfeito, o amor de Deus. Não dúvidareis de mais nada. E nunca mais direis: “Para mim, tudo acabou!” Mas direis: “Tudo para mim está começando, num mundo sobrenatural, que abole as distâncias e acaba com as separações” e pelo qual os filhos órfãos serão reunidos aos seus pais, levados ao seio de Abraão, e os pais e as mães, as esposas e os viúvos, reencontrarão os filhos perdidos, e o consorte perdido.

Anotação

Ontem ouvi falar dois grandes infelizes, um na aurora da vida, o outro no seu crepúsculo: são duas almas que choram com o peso da sua desgraça. São elas Marziam(EMV 208.1-4) e Elise(EMV 208.7-11). Este discurso é feito para ambas.

Em verdade vos digo: vinde a mim, todos vós que estais aflitos e desgostosos, todos vós que estais fracos e cansados; eu partilharei a vossa dor e vos trarei a paz. Cf. Mateus 11, 28-29.

Evangelho de Mateus 11, 28-29

Mt 11,28-29: Vinde a mim, todos vós que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.

EMF 211.1-2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Todos estão sentados em círculo num pequeno bosque perto de Hebron e, enquanto estão comendo, conversam uns com os outros. Judas, agora que tem certeza de que Maria irá à casa de sua mãe, voltou às suas melhores disposições de espírito, e está procurando cancelar a lembrança dos seus maus humores no trato com os seus companheiros e as mulheres, com mil cortesias. Ele deve ter andado pelo povoado para fazer compras e conta que encontrou o lugar muito diferente do que era, do ano passado para cá:

– A notícia da pregação e dos milagres de Jesus chegou até aqui. E o povo começou a refletir sobre muitas coisas. Tu sabes, Mestre, que por estes lados há uma propriedade de Doras? Também a mulher de Cusa tem aqui nestes montes algumas terras e um castelo que é propriedade dela, um dote que recebeu. Vê-se que, um pouco ela e um pouco os camponeses de Doras, pois aqui devem estar alguns deles vindos de Esdrelon, prepararam o terreno. Ele, Doras, mandou que eles se calassem. Mas eles!… Eu acho que, nem diante dos tormentos, ficariam calados. Causou grande espanto a morte do velho fariseu, sabes? E também a ótima saúde de Joana, que veio até aqui antes da Páscoa. Ah! E depois, para servir a Ti, esteve também aqui o amante da Aglaé. Sabes que ela fugiu, pouco depois de termos passado por aqui? E que ele virou um demônio contra muitos inocentes, para vingar-se? E de tal modo, que os pobres começaram a pensar em Ti como em um libertador dos oprimidos e te desejam. Quero dizer os melhores…

– Libertador dos oprimidos! De fato Eu sou. Mas num sentido sobrenatural. Ninguém tem uma visão justa de Mim entre aqueles que me vêem com o cetro e o machado na mão, como um rei ou um justiceiro, segundo o espírito da terra. Mas é certo que vim para libertar das opressões. Do pecado, a mais grave, das doenças, das desolações; das ignorâncias e do egoísmo. Muitos terão que aprender que não é justo oprimir porque a sorte os colocou no alto. Mas que, pelo contrário, se deve usar essa alta posição para elevar quem está embaixo.

– Lázaro faz isso e também Joana. Mas são dois contra centenas… –diz desoladamente Filipe.

– Os rios não são largos na nascente, como o são em sua desembocadura. Poucas gotas, um fio de água, mas depois… Há rios que parecem mares em sua foz.

– Como o Nilo, não é? Tua mãe me falava coisas de quando estiveste no Egito. Ela sempre me dizia: “É um mar, podes crer, um mar verde-azul. Vê-lo, no tempo das cheias, até parece um sonho!”, e ela me falava das plantas, que pareciam levantar-se da água, e também de todo aquele verdor, que parecia ter nascido da água, quando ela baixava… –diz Maria de Alfeu.

– Pois bem, Eu vo-lo digo: Como acontece com a torrente do Nilo, que antes era um fio d’água, e depois se torna o gigante que é, assim também o que agora é um fiozinho na grossura, que se inclina com amor e por amor para os pequeninos, se tornará em seguida uma grande multidão. Joana, Lázaro, Marta, e depois, quantos, quantos!

Jesus vê esses que serão misericordiosos para com os irmãos, e sorri, absorto em sua visão.

211.2

Judas confidencia que o sinagogo queria vir com ele, mas que ele não se atreveu a tomar uma decisão por si mesmo:

– Tu te lembras, João, como ele nos expulsou[1] no ano passado?

– Sim, eu me lembro… Mas digamos isto ao Mestre.

E Jesus, tendo sido interrogado, diz que eles entrarão em Hebron. Se os quiserem, se os chamarem, pararão lá. Senão, passarão adiante, sem parar:

– Assim, nós veremos também a casa do Batista. De quem ela é agora?

– De quem a quiser, penso eu. Shamai foi-se embora e não voltou mais. Ele levou seus empregados e móveis. Os moradores, para se vingarem de suas injustiças, derrubaram o muro e a casa agora é de todos. Pelo menos, o jardim. Lá se reúnem para venerarem o Batista. Dizem que Shamai tenha sido assassinado. Não sei porque… parece que por causa de mulheres…

– Alguma trama podre da corte, certamente!… –murmura Natanael por entre a barba.

Anotação

Judas, agora que tem a certeza de que Maria irá ter com a sua mãe, voltou a ter um melhor estado de espírito. Judas estava de péssimo humor naEMV 210.

Até a mulher de Kuzah tem terras e um castelo aqui nestas montanhas que lhe pertencem pessoalmente, como parte do seu dote. Provavelmente o castelo de Béther.

A morte do velho fariseu deixou o povo estupefacto, sabiam? Cf. a morte dramática de Doras em EMV 126.10.

Tal como a excelente saúde de Joana. Cf. a cura de Joana de Kouza em EMV 102,7.

Judas confidenciou que o chefe da sinagoga queria vir com ele, mas que não se atrevia a tomar essa decisão sozinho: "Lembras-te, João, de como ele nos afugentou no ano passado?" Cf. EMV 77.8.

EMF 211.1

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Todos os apóstolos - exceto Simão, o Zelota, que está com Maria em Elise de Bet-çur - estão presentes no capítulo, mesmo que não falem necessariamente. Em EMV 211, Judas, João, Filipe, Natanael e Tomé intervêm muito brevemente.

EMF 211.4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Trazei-me os vossos doentes, e depois reuni-vos neste jardim abandonado e profanado pelo pecado, depois de ter sido feito um templo pela Graça que nele habitou.

Os hebronitas partem dali em todas as direções, como andorinhas, e fica só o sinagogo, que entra com Jesus e os discípulos até para lá do muro do jardim, indo à sombra de uma trepadeira misturada com roseiras e videiras, que ali cresceram, como bem lhes pareceu. Os hebronitas apressam-se em voltar. E com eles já vem sendo trazido um paralítico em uma padiola, uma jovem cega, um mudinho e dois doentes que eu não sei o que têm, e que vêm acompanhados pelos que os ajudam.

– A paz esteja contigo –diz Jesus, saudando a cada um dos doentes, que vão se aproximando dele.

E, depois, a doce pergunta:

– Que quereis que Eu vos faça?

E aí vem o coro das lamentações desses infelizes e no qual cada um quer contar a sua própria história.

Jesus, que estava sentado, levanta-se, e vai até o mudinho, cujos lábios Ele molha com sua saliva, e lhe diz a grande palavra:

– Abre-te.

E, enquanto a diz, molha também as pálpebras não separadas da cega com o dedo ainda molhado de saliva. Depois dá a mão ao paralítico, e lhe diz:

– Levanta-te!

E, por fim, impõe a mão aos dois doentes, dizendo:

– Ficai sãos, em nome do Senhor!

E o mudinho, que antes só gemia, diz agora claramente:

– Mamãe! –enquanto que a jovem já bate as pálpebras, agora abertas para a luz, e faz com os dedos um abrigo contra o sol, que ela ainda não conhecia, e chora e ri, esfregando os olhos, porque não está acostumada com a luz, e olha de novo para as copas das árvores, para a terra, para as pessoas e para Jesus.

O paralítico desce com facilidade da padiola, e os seus bondosos portadores a levantam agora vazia, para mostrar aos que estão longe que a graça fora concedida, enquanto os dois doentes estão chorando de alegria, e se ajoelham para venerar ao seu Salvador.

A multidão está fazendo uma alvoroço frenético de hosanas. Tomé, que está perto de Judas, olha para ele de um modo tão intenso, e com uma expressão tão clara, que ele lhe responde:

– Eu era um estulto, perdoa-me.

Anotação

Tomé, que está ao lado de Judas, olha-o tão intensamente e com uma expressão tão clara que Judas responde: "Fui um louco, perdoa-me". Isto segue-se a uma discussão entre Tomé e Judas, na qual o Iscariotes acusa Jesus de já não fazer milagres. Cf. EMV 210.

EMF 211.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Nós também temos ídolos, e não mais santos, nas fileiras do Senhor. E por isto é que o Mal pode levantar-se contra o Bem. O mal que suja de esterco a inteligência e o coração dos que não são mais santos e se aninha em suas falsas vestes de bondade.

Não sabem mais falar as palavras de Deus. É natural! Eles têm uma língua feita pelo homem, e falam palavras de homem, quando não falam palavras de satanás, e não sabem nada mais do que censurar os inocentes e os pobres, mas calam-se onde vêem corrupção nos poderosos. Porque todos são corruptos, e não podem acusar-se um ao outro das mesmas culpas. Ávidos são, não do Senhor, mas de Mamon, trabalham aceitando o ouro da luxúria e do delito, trocando-o, roubando-o, tomados por um frenesi, que passa por cima de todos os limites e de tudo. Toda a poeira se aninha sobre eles, fermenta sobre eles e, se eles mostram uma cara limpa, os olhos de Deus estão vendo como está sujo o seu coração. A ferrugem do ódio e o verme do pecado os rói, e eles não sabem fazer nada para se salvarem. Desfecham suas maldições, como cetros e machados, mas não sabem que eles é que estão amaldiçoados. Fechados em seus pensamentos e em sua ira, como cadáveres em seus sepulcros, ou prisioneiros em seu cárcere, lá estão, agarrando-se às barras, por medo de que alguma mão os tire de lá, porque lá dentro esses mortos são ainda alguma coisa: são múmias, não mais do que múmias com aparência humana, mas com corpo reduzido a madeira seca, enquanto que lá fora seriam objetos ultrapassados para um mundo que procura a vida, que sente necessidade da vida, como o menino sente da mãe e quer quem lhe dê vida, e não os fedores da morte.

Eles estão no Templo, sim, e a fumaça das lâmpadas, isto é, das honras, os enfumaça, mas a luz não desce até eles. E todas as paixões se aninham neles como passarinhos e gatos, enquanto que o fogo de sua missão não lhes dá o místico tormento de estarem sendo abrasados pelo fogo de Deus. Eles são refratários ao Amor. O fogo da caridade não os incendeia, assim como a caridade não os veste com seus áureos esplendores. A caridade para com o próximo é a forma; e a caridade que vem de Deus e do homem é a fonte. Porque Deus se afasta do homem que não ama e, por isso, essa primeira fonte para de jorrar e ao afastar o homem do homem malvado, para de jorrar também a segunda fonte. Tudo é tirado, pela Caridade, do homem sem amor. Deixam-se comprar por um preço maldito e deixam se levar para onde as vantagens e o poder querem.

Não, Não é permitido! Não existe moeda para comprar a consciência, e especialmente a dos sacerdotes e dos mestres. Não é permitido ter condescendência com as coisas fortes da terra, quando elas querem levar-nos a praticar atos contrários ao que é ordenado por Deus. Isto seria uma impotência espiritual, mas está escrito[4]: “O eunuco não entrará na assembleia do Senhor.” Se, pois, não pode fazer parte do povo de Deus quem é impotente por natureza, poderá ser ministro o que é impotente em seu espírito? Porque, em verdade Eu vos digo que muitos sacerdotes e mestres já estão atormentados por um culpável eunuquismo espiritual, já mutilados em sua virilidade espiritual. São muitos. E são demais!

Detalhe

Sobre os padres que perdem de vista a sua missão, esquecem a caridade e se tornam corruptos.

Anotação

Diz-se: "O eunuco não entrará na congregação do Senhor. "Em Deuteronómio 23,2.

Livro do Deuteronómio 23, 2

Dt 23,2: Aquele cujos testículos foram esmagados ou cuja uretra foi cortada não entrará na assembleia de Javé.