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Notas do tema

São José

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EMF 5.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

5.3 Apressam-se [Ana e Joaquim] e porque as nuvens, impelidas por um vento forte galopam e crescem pelo céu, e a planície torna-se escura e estremece por um aviso de temporal. Quando alcançam à soleira da casa, um primeiro relâmpago lívido sulca o céu e o barulho do primeiro trovão parece o rufar de um enorme tambor que se mistura ao harpejo dos primeiros pingos sobre as folhas secas.

Entram todos e Ana se retira, enquanto Joaquim, alcançado pelos criados, fala, da porta, desta longa espera pela água, que é uma bênção para a terra sedenta. Mas a alegria se transforma em temor, porque vem um temporal violentíssimo com raios e nuvens carregadas de granizo.

– Se a nuvem rompe, a uva e as oliveiras serão esmagadas como pela moenda. Pobres de nós!

(...) Vem a noite, antecipada pela fúria tempestuosa que é violentíssima. Agua torrencial, vento, raios, ali tem de tudo, menos o granizo, que foi cair em outra parte.

Um dos criados percebe a violência e diz:

– Parece que satanás saiu do inferno com seus demônios. Olha que nuvens negras! Sente que cheiro de enxôfre no ar, assobios, sibilos, vozes de lamento e maldição. Se é ele, está furioso esta noite!

O outro criado ri e diz:

– Fugiu-lhe uma grande presa, ou Miguel o espancou com uma nova faísca de Deus, e ele ficou com o chifre e o rabo cortado e queimado.

Passa correndo uma mulher e grita:

– Joaquim! Está para nascer! E foi tudo rápido e feliz!

E desaparece com uma pequena ânfora entre as mãos.

5.4 O temporal pára de improvisio depois de um último raio tão violento que arremessa contra as paredes os três homens; e na frente da casa, no chão do horto-jardim, fica como lembrança um buraco preto e fumegante. Ao mesmo tempo um gemido vem de lá da porta de Ana, gemido que parece o lamento de uma rolinha que pela primeira vez não pia, mas arrulha. Um enorme arco-íris estende a sua listra em semicírculo sobre toda a amplidão do céu. Surge, ou pelo menos parece surgir, do cume do Hermon que beijado por uma lama de sol, parece de alabastro de um branco-rosado delicadíssimo. Este arco-íris levanta-se até o mais claro céu de setembro, e, atravessando por espaços limpos de toda impureza, sobrevoa as colinas da Galiléia e a planície que aparece, entre duas árvores de figo, ao sul e depois ainda um outro monte, indo pousar a sua ponta final no extremo horizonte, lá onde uma áspera cadeia de montanhas fecha qualquer outro panorama.

– Nunca vi isso!

– Olhai, olhai!

– Parece que toda a terra de Israel esteja ligada em um círculo, mas olhai, ali já há uma estrela, enquanto que o sol ainda não desapareceu. Que estrela! Brilha como um enorme diamante!…

– A lua é toda plena, enquanto que ainda faltam três dias para a lua cheia. Mas olhai como resplandece!

– Parece que toda a terra de Israel esteja ligada em um círculo, mas olhai, ali já há uma estrela, enquanto que o sol ainda não desapareceu. Que estrela! Brilha como um enorme diamante!…

– A lua é toda plena, enquanto que ainda faltam três dias para a lua cheia. Mas olhai como resplandece!

Detalhe

A seca atingiu duramente a região. Agora, uma tempestade está a aproximar-se de Nazaré.

Anotação

Um dos criados apercebeu-se desta violência. É José, o futuro marido de Maria. Cf. EMV 577.7.

Satanás parece ter saído da Geena com os seus demónios. Geena, do hebraico Gehinnon ou Vale de Hinom, situado ao sul de Jerusalém, perto da Porta dos Oleiros. Um lugar de mau cheiro e decadência. Para os judeus, o vale de Gehinnon era o emblema do inferno.

"Uma grande presa terá escapado dele, ou Miguel tê-lo-á atingido com um novo raio de Deus, e os seus chifres e a sua cauda terão sido cortados e queimados". Esta alusão ao Arcanjo Miguel que derruba Lúcifer é retomada de uma tradição rabínica imemorial. Exemplo: "Quanto a Miguel, Gabriel, Rafael e Fanuel, eles serão confirmados naquele dia; e eles serão responsáveis por lançar todos os anjos rebeldes na fornalha" (Livro de Enoque, capítulo 53, nº 6). Esta tradição é mencionada em Judas 1,9 a propósito da Ascensão de Moisés (um apócrifo) e sobretudo em Apocalipse 12,7-13.

EMF 8.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

8.4 Ana se sente reanimada. Isabel, para aliviá-la ainda mais, lhe pergunta:

– Esse não é o teu véu de esposa? Ou será que o fiaste de um novo linho?

– É aquele mesmo. Eu o consagro com ela ao Senhor. Já não tenho mais aquela vista boa… Depois, as riquezas estão muito diminuídas pelos impostos e pelas desventuras… Nem eu podia estar fazendo pesadas despesas. Tomei as providências necessárias só para um bom enxoval durante o tempo que vai passar na Casa de Deus, e para depois… pois penso que não serei eu quem a vai vestir para as núpcias… Mas quero que tenha sido a mão de sua mamãe, ainda que fria e imóvel, a preparar-lhe para as núpcias, fiando os linhos e as vestes de esposa.

– Oh! Por que ficar pensando estas coisas?!

– Eu estou velha, prima. Nunca me senti assim, como agora que estou passando por esta dor. As últimas forças de minha vida foram dadas a esta flor, quando a trouxe comigo, quando a alimentei, e agora… agora que estou nas últimas, estou sentindo a dor de perdê-la, o que vai acabar com minhas forças.

– Não digas uma coisa dessas. Pensa no Joaquim.

– Tens razão. Procurarei viver para o meu homem.

Joaquim fez como se não tivesse ouvido, atento como estava em ouvir Zacarias; mas bem que ele ouviu, e dá um forte suspiro, com os olhos marejados de lágrimas.

Anotação

Era-me impossível gastar muito dinheiro. Apenas preparei um rico enxoval para a sua estadia na Casa de Deus e para depois... No casamento de Maria, Isabel fala deste enxoval preparado por Ana, entretanto desaparecida (EMV 13.3).

Os nossos recursos diminuíram devido aos impostos e às reviravoltas da sorte... Este revés da sorte é mencionado várias vezes na obra, nomeadamente em EMV 9.

Já sou velha, minha prima. Isabel é geralmente apresentada como sobrinha de Ana e prima de Maria. Aqui é prima em primeiro grau de Ana. A não ser que se trate de uma designação habitual, como "irmão" era para os primos.

EMF 9.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu me fiz rodear de sábios, que foram meus parentes mortais. Ana, Joaquim, José, Zacarias e ainda mais, Isabel, e depois o Batista. Acaso não são eles verdadeiros sábios? Não falo de minha mãe, na qual a Sabedoria fez sua morada.

Detalhe

Jesus disse:

EMF 10.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

10.4 Eu conheço a minha sorte. A Lei secular de Israel quer que cada menina se torne esposa, e cada esposa mãe. Mas eu, ainda que obedecendo à Lei, obedeço uma Voz que diz: “Eu te quero”, mas como poderei fazer isso se sou e serei virgem? Esta tão doce e invisível Presença, que está comigo me ajudará, porque Ela é que quer assim. Eu não temo. Não tenho mais pai nem mãe… só o Eterno sabe como nesta dor se purificou tudo o que eu tinha de humano. Foi uma purificação por meio de uma dor atroz. Agora não tenho ninguém, além de Deus. A Ele obedeço, portanto, cegamente. Já teria obedecido até contra meu pai e minha mãe, porque a Voz me instrui que quem quer acompanhá-la deve ir além dos pais, que são amorosos guardiães, rondam os muros do coração filial, querendo conduzi-lo à alegria, mas, segundo o modo de ver deles… Não sabem que há outros modos que conduzem a uma alegria infinita… Eu lhes teria deixado as vestes e o manto, para acompanhar a Voz, que me diz: “Vem, ó minha querida, ó minha esposa!” Eu lhes teria deixado tudo. As pérolas das lágrimas, que choraria por dever desobedecer, e os rubis do meu sangue, dado que até a morte eu teria desafiado para acompanhar a Voz que me chama, lhes diriam que há algo maior e mais doce do que o amor paterno e materno. É a Voz de Deus. A Sua vontade agora me deixou livre até do laço da piedade filial. Talvez não teria sido propriamente um laço. Eles eram dois justos, e Deus certamente lhes falava, como faz comigo. Eles seguiriam a justiça e a verdade. Quando penso neles, os vejo na tranqüila espera dos Patriarcas. Apresso, com o meu sacrifício, a chegada do Messias para abrir-lhes as portas do Céu. Sobre a terra, sou eu que me dirijo, ou melhor, é Deus que dirige a sua pobre serva, dando-lhe as Suas ordens. Eu as cumpro, pois cumpri-las é a minha alegria. Quando chegar a hora, direi ao esposo o meu segredo… e ele o aceitará.

– Mas, Maria, que palavras encontrarás para persuadi-lo? Terás contra ti o amor de um homem, a Lei e a vida.

– Eu terei Deus comigo… Deus abrirá à luz o coração do meu esposo… A vida perderá os espinhos da sensualidade, tornando-se uma pura flor com perfume de caridade.

Detalhe

Nesta passagem, Maria fala do seu futuro marido, que ainda não conhece.

EMF 11.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

« Não conheces, Maria, alguém da tua estirpe, que possa ser o teu esposo?

Maria ergue o rosto, todo ruborizado de pudor, e sobre o qual, dos cílios das pálpebras vem brotando um primeiro sinal de pranto, e com voz trêmula, responde:

– Ninguém.

– Mas ela não pode conhecer alguém, porque entrou aqui em sua infância, e a estirpe de Davi tem sido perseguida e dispersa de tal modo, que não foi possível que os diversos ramos se reunissem como em uma fronde, formando a copa da palmeira real –diz Zacarias.

– Então, vamos deixar para Deus a escolha. »

Detalhe

O sumo sacerdote pergunta a Maria, que na altura era virgem no Templo de Jerusalém e já não tinha família:

EMF 11.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

« Eu obedeço, Sacerdote. Mas diz-me tu, como é que deverei agir. Não tenho pai nem mãe. Sê tu o meu guia.

– Deus te dará o esposo, e santo ele há de ser, pois te entregas a Deus. Tu contarás ao teu esposo qual é o teu voto.

– E ele aceitará?

– Assim espero. Reza, ó filha, para que ele possa compreender teu coração. Vai agora. Deus te acompanhe sempre. »

EMF 12

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: José escolhido como esposo da Virgem.

Data da visão: Segunda-feira, 4 de setembro de 1944

Calendário:Sexta-feira 23 de dezembro do ano 7 d.C.

Lugares (mapa) : Jerusalém

Ciclo: O casamento com José

Resumo: O sumo sacerdote reuniu os homens da tribo de David no Templo. Neste capítulo, ficamos a saber que ele pediu a todos que trouxessem um ramo de amendoeira. É deste grupo que será escolhido o marido da Virgem. Todos estão curiosos e Zacarias está presente. O sumo sacerdote chega finalmente e revela que um dos ramos tinha florescido em pleno inverno e que era esse que iria casar com Maria. José é escolhido como o felizardo e o sumo sacerdote manda chamar a futura Mãe de Cristo. Entretanto, Simon ben Boethos revela que Maria fez um voto. José tem de ajudar o Todo-Puro a contar-lhe. Quando ela chegou, todos se retiraram e os dois noivos conheceram-se. José fala da casa de Nazaré, de Ana, de Joaquim, e isso dá confiança à Virgem. O marido diz-lhe que é nazareno, o que a encoraja a contar-lhe o seu voto, que ele aceita: pede-lhe mesmo que junte o seu voto ao dela. Por fim, São José diz que vai cuidar da casa de Nazaré até que Maria deixe definitivamente o Templo.

Conteúdo do capítulo: 12.1: Reunião de homens em trajes de festa. 12.2: José fala com um ancião. 12.3: Um levita traz um feixe de ramos secos com um ramo florido. 12.4: José é designado esposo de Maria graças ao ramo milagrosamente florido. 12.5: O Pontífice apresenta José a Maria. 12.6: José é nazireu. 12.7: Maria confia a sua consagração a Deus a José, que a aceita. Eles viverão em castidade. 12.8: Em Nazaré, o casal vive separado e José cuida de tudo.

EMF 12.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

12.1 Vejo um rico salão lindamente pavimentado, com cortinas, tapetes e móveis entalhados. Deve ainda ser também essa, uma parte do Templo, porque vejo sacerdotes, entre os quais Zacarias, e muitos homens de várias idades, ou seja: de vinte a cinqüenta anos, mais ou menos.

Eles estão falando animadamente uns com os outros em voz baixa. Parecem estar ansiosos por alguma coisa, que eu ainda não sei o que seja. Todos estão com roupas novas, ou pelo menos lavadas há pouco, como se estivessem preparados para uma festa. Muitos tiraram o véu que lhes estava cobrindo a cabeça, mas outros ficaram cobertos, especialmente os anciãos. Os jovens preferem ficar com as cabeças descobertas, uns ostentando suas cabeleiras loiro-escuras; outros, as cor de amora; alguns, as bem escuras; e vejo uma de cor vermelho cobre. A maior parte dos jovens tem os cabelos cortados curtos; mas há também os de longas cabeleiras que descem até os ombros. Parece que eles não se conhecem uns aos outros, pois vejo como estão se observando mútua e curiosamente. Mas devem ser parentes entre si, porque pode-se notar que há um pensamento que está preocupando a todos.

12.2 A um canto estou vendo José. Ele está falando com um velhinho ainda robusto. José deve ter seus trinta anos. É um belo homem, de cabelos curtos e um tanto crespos, de cor castanho escuro, como sua barba e seus bigodes, que formam um sombreado, pondo em relevo o queixo, subindo pelas faces, que são moreno-avermelhadas, não oliváceas, como costumam ser os homens morenos. Ele tem os olhos escuros, bons e profundos, muito sérios e parecendo até um pouco tristes. Mas, quando ele sorri, como está fazendo agora, seus olhos se tornam alegres e joviais. José está todo vestido de um marrom claro, muito simples, mas muito bem arrumado.

12.3 Agora entra um grupo de jovens levitas, colocando-se entre a porta e uma longa e estreita mesa, que fica perto da parede. A porta, ao meio da mesa, fica aberta. Somente uma das cortinas desce até vinte centímetros do solo, cobrindo o vão da porta.

A curiosidade aumenta. E, ainda mais, quando uma mão afasta a cortina para dar passagem a um levita, que traz nos braços um feixe de ramo secos, sobre o qual foi colocado um ramo florido, com todo o cuidado. Em uma fina camada, as pétalas brancas das flores mal se recordam de sua primeira cor rosada, que ainda se pode ver no centro, tornando-se, porém, mais clara, à medida que se aproxima das extremidades das delicadas pétalas. O levita coloca o feixe de ramos sobre a mesa, com muito cuidado, para não estragar o milagre daquele ramo florido, que está em meio a tantos ramos secos.

Um murmúrio passa pelo salão. Os pescoços se espicham, os olhares se tornam mais atentos. Até Zacarias, com os sacerdotes que estão perto da porta, está querendo ver. Mas não consegue.

José, no seu canto, dá apenas uma olhadela no feixe de ramos, e quando um interlocutor lhe diz algo, faz um gesto de negação, como se estivesse dizendo: “Impossível!”, e sorri.

12.4 Ouve-se um toque de trombeta, do outro lado da cortina. Todos se calam, e se colocam em ordem, com o rosto virado para a saída, que agora está completamente aberta, com a cortina deslizada pelas argolas. Entra o Sumo Pontífice, rodeado por outros anciãos,. Todos se inclinam profundamente. O Pontífice vai até à sua mesa, falando assim:

– Homens da estirpe de Davi, que aqui vos reunistes, em obediência a uma ordem minha, escutai. O Senhor falou, louvores sejam dados a Ele! De sua Glória desceu um raio e, como um sol de primavera, deu vida a um ramo seco, que floresceu milagrosamente, enquanto nenhum outro ramo da terra hoje está florido, no último dia das Encênias, quando ainda não se derreteu a neve que caiu sobre as montanhas de Judá, sendo a única candura que existe entre Sião e Betânia. Deus falou, fazendo-se Pai e tutor da virgem de Davi, que não tem nenhum outro senão Ele para a sua tutela. Santa menina, glória do Templo e da estirpe, mereceu a palavra de Deus para ficar conhecendo o nome do esposo que agradou ao Eterno. Ele deve ser muito justo, para ser o eleito do Senhor como guarda da virgem a Ele tão querida! Por isso, a nossa dor de perdê-la se atenua, e cessa toda a nossa preocupação quanto ao seu destino de esposa. E ao que foi indicado por Deus confiamos com toda a segurança a virgem sobre a qual está a bênção de Deus e nossa. O nome do esposo é José de Jacó, de Belém, da tribo de Davi, carpinteiro em Nazaré da Galiléia. José, vem para a frente! O Sumo Pontífice te ordena.

Grande murmúrio. Cabeças que se viram, olhos e mãos que acenam, explosões de desilusão e expressões de alívio. Alguém, especialmente entre os velhos, deve ter ficado alegre por não ter tido esta sorte.

José, muito vermelho e embaraçado, vai para a frente. Está agora diante da mesa, em frente ao Pontífice, que saúda com reverência.

– Vinde todos e olhai o nome escrito sobre o ramo. Apanhe cada um o seu próprio ramo, para que se prove que não houve fraude.

Os homens obedecem. Olham para o ramo que está delicadamente seguro pelo Sumo Sacerdote, apanha cada um o seu próprio ramo, e uns o despedaçam, outros o conservam. Todos observam José, há quem olhe e se cale e outros que se felicitam. O velhinho, com quem José conversava antes, diz:

– Eu não te havia dito, José? Quem menos se sente seguro, é o que vence a partida!

Agora todos já passaram.

12.5 O Sumo Sacerdote entrega a José o ramo florido, e depois põe-lhe a mão sobre o ombro, dizendo:

– A esposa que Deus te dá não é rica, tu bem o sabes. Mas possue todas as virtudes. Procura ser sempre mais digno dela. Não há em Israel outra flor de tão rara beleza e pureza. Agora, saí, todos vós ficando apenas José. Tu, Zacarias, como seu parente, conduz a esposa até aqui.

Todos saem, menos o Sumo Sacerdote e José. A cortina torna a ser baixada sobre a saída.

José, todo humilde, está junto ao majestoso Sacerdote. Há um momento de silêncio, e depois o Sacerdote lhe diz:

– Maria precisa dizer-te um voto seu. Procuras ajudar a timidez dela. Sejas bom para com ela.

– Porei a minha virilidade a seu serviço e nenhum sacrifício, por ela, me será pesado. Fica certo disso.

Maria entra com Zacarias e Ana de Fanuel.

– Vem, Maria –diz o Pontífice–. Eis o esposo que Deus te destinou. É José de Nazaré. Voltarás, pois, para a tua cidade. Agora eu vos deixo. Deus vos dê a Sua bênção. O Senhor vos guarde e abençoe, mostrando-vos a sua face e tendo sempre piedade de vós. Que Ele volte para vós o seu rosto e vos dê a paz.

Zacarias sai, acompanhando o Pontífice. Ana se congratula com o esposo e depois também sai.

EMF 12.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A um canto estou vendo José. Ele está falando com um velhinho ainda robusto. José deve ter seus trinta anos. É um belo homem, de cabelos curtos e um tanto crespos, de cor castanho escuro, como sua barba e seus bigodes, que formam um sombreado, pondo em relevo o queixo, subindo pelas faces, que são moreno-avermelhadas, não oliváceas, como costumam ser os homens morenos. Ele tem os olhos escuros, bons e profundos, muito sérios e parecendo até um pouco tristes. Mas, quando ele sorri, como está fazendo agora, seus olhos se tornam alegres e joviais. José está todo vestido de um marrom claro, muito simples, mas muito bem arrumado.

Detalhe

Descrição física de José

EMF 12.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ele deve ser muito justo, para ser o eleito do Senhor como guarda da virgem a Ele tão querida!