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Notas do tema

Discípulos

Página 39 de 47

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EMF 198.9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

E, enquanto eles estão ausentes, as conversações entre os vários grupos continuam. São narrações, comentários, suspiros por causa da dureza humana.

Isaac conta tudo o que ele pôde ficar sabendo do Batista. Há quem diga que ele está em Maqueronte, e quem diga que está em Tiberíades. Os discípulos ainda não voltaram…

– Mas, eles não o haviam acompanhado?

– Sim. Mas, perto de Doco, os captores atravessaram o rio com o prisioneiro e não se sabe se depois subiram para o lago ou se desceram para Maqueronte. João, Matias e Simeão puseram-se em seu encalço, para saberem, e certamente não o abandonarão.

– E tu, Isaac, com certeza não abandonarás este novo discípulo. Por enquanto, ele está comigo. Quero que faça a Páscoa comigo.

– Eu a farei em Jerusalém, na casa da Joana. Ela me viu, e me ofereceu um quarto para mim e os meus companheiros. Todos irão este ano. E estaremos com Jônatas.

– Virão também os do Líbano?

– Também. Mas talvez não poderão vir os discípulos de João.

– Sabes que virão os de Jocanã?

– É verdade? Estarei junto à porta, junto aos sacerdotes que fazem as imolações. Eu os verei e levarei comigo.

– Podes esperá-los, lá pela última hora. Pois eles têm, um tempo contado. Mas têm o cordeiro.

– Eu também. Magnífico! Foi Lázaro quem o deu. Imolaremos este; e o outro, o deles, servir-lhes-á para a volta.

Anotação

Os pastores do Líbano, ou seja, Daniel e Benjamim.

EMF 198.11 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Já é noite, quando Jesus pode falar em paz com sua mãe. Eles subiram para o terraço e, sentados em cadeiras um ao lado da outra, com a mão na mão, falam e escutam um ao outro. Primeiro é Jesus, que narra as coisas que aconteceram. Depois, é Maria que diz:

– Meu Filho, depois da tua partida, logo depois, veio à minha casa uma mulher… Ela estava Te procurando. Uma grande miséria. E uma grande redenção. Mas essa criatura tem necessidade do teu perdão, para ser firme em sua resolução. Eu a confiei à Susana, dizendo que era uma das curadas por Ti. É verdade. Eu a poderia ter comigo, se nossa casa não fosse o que é, um verdadeiro mar, onde todos navegam, e muitos com más intenções. E a mulher já está com repugnância pelo mundo. Queres saber quem é?

– É uma alma. Mas, dize-me o seu nome, para que Eu possa acolhê-la sem erro.

– É Aglaé. É a romana, dançarina e pecadora, que Tu começaste a salvar no Hebron, que Te procurou e Te encontrou em Águas Belas e que, por sua renascida honestidade, já tem sofrido. E quanto!… Ela me disse tudo… Que horror!…

– O seu pecado?

– Este é…., diria, mais ainda; que horror é o mundo! Oh! Meu Filho! Desconfia dos fariseus de Cafarnaum! Daquela infeliz eles queriam servir-se para Te fazerem mal. Até dela…

– Eu sei, mãe… Onde está Aglaé?

– Chegará com Susana, antes da Páscoa.

– Está bem. Eu falarei com ela. Estarei aqui todas as tardes, menos na tarde do dia da Páscoa, que Eu devo consagrar à família, Eu a atenderei. Basta detê-la aqui, se ela vier. É uma grande redenção, como disseste. E tão espontânea! Em verdade, Eu te digo que em poucos corações a minha semente se enraíza com a força com que se enraizou nesse terreno infeliz. E depois André ajudou o crescimento, até a sua completa formação.

– Ele me disse.

– Mãe, que foi que sentiste, ao te aproximares daquela ruína?

– Senti asco e alegria. Parecia-me estar à beira de um abismo do inferno, mas, ao mesmo tempo, me sentia sendo transportada ao azul. Como Tu és Deus, meu Jesus, quando realizas esses milagres!

Ficam calados por baixo das estrelas luminosíssimas e na brancura de um quarto de lua que já está quase cheia. Calados, e repousando um no amor da outro.

EMF 199.1-3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A esplendida manhã convida realmente a dar um passeio, a deixar as camas e as casas e os moradores da casa do Zelotes, como abelhas ao primeiro sol, surgem muito cedo e partem para respirar o ar puro do pomar de Lázaro, que fica ao redor da pequena casa hospitaleira. Logo se ajuntam também os que estão hospedados com Lázaro, isto é, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, André e Tiago de Zebedeu. O sol entra festivo por todas as janelas e portas escancaradas, e os quartos, simples e limpos, vão-se vestindo com uma tinta de ouro, que aviva as cores das vestes, e faz brilhar também as cores dos cabelos e das pupilas.

Maria de Alfeu e Salomé estão atentas em servir a estes homens, que estão com um apetite notável. Maria, por sua vez, está observando um dos criados de Lázaro, enquanto ele vai compondo os cabelinhos de Margziam, cortando-os com mais habilidade do que tinha feito o primeiro cabeleireiro dele:

– Por enquanto, fica assim –diz ele–. Depois, quando tiveres oferecido a Deus a tua cabeleira de menino, eu a encurtarei como se deve. Quando chegar o calor, te sentirás melhor, sem cabelos no pescoço. E eles ficarão mais fortes. Agora, estão secos e frágeis, descuidados. Estás vendo, Maria? Eles precisam de cuidados. Agora vou untá-los, para conservá-los em seu lugar. Estás sentindo, menino, que cheirinho bom? É o óleo que Marta usa. Amêndoa, palma, miolo do que há de mais fino e com essência rara. Isto faz muito bem. Minha patroa disse que eu guardasse este potinho para o menino. E, então, ele está aqui. Agora, ficas parecendo o filho do rei.

E o servo, que deve ser o barbeiro da casa de Lázaro, dá uma palmadinha na face de Margziam, saúda Maria, e vai-se embora satisfeito.

– Vem cá, que eu vou te vestir –diz Maria ao menino que, por enquanto, está só com uma tunicazinha de mangas curtas, que eu creio que seja a camisa ou o que naqueles tempos fazia as vezes dela.

E, pela boa qualidade do linho, compreendo que ela fazia parte do enxoval de Lázaro, quando criança. Maria tira a toalha com que Margziam estava quase enfaixado, e o reveste com a saia feita de linho, franzida na raíz do pescoço e nos pulsos, e com a sobreveste vermelha, de lã, com um amplo decote e mangas largas. O linho, muito alvo, aparece no decote e nas mangas de tecido vermelho e opaco. A mão de Maria deve ter trabalhado a noite inteira para prover a tudo, regulando o comprimento das vestes e das mangas, e agora está tudo bem, especialmente depois que Maria o cingiu na cintura com a faixa macia, que termina em um floco de lã branca e vermelha. O menino nem parece mais aquele ser pobrezinho de poucos dias atrás.

– Agora, vai brincar, sem sujar-te, enquanto eu vou me preparar

–diz Maria, acariciando-o.

E o menino sai, pulando de contente, para ir procurar os seus grandes amigos.

199.2

O primeiro a vê-lo é Tomé:

– Mas, como estás bonito! Vestido de noivo! Tu me fazes desaparecer –diz o alegre Tomé, gorducho e tranquilo.

E o toma pela mão, dizendo:

– Vem cá, vamos ao lugar onde estão as mulheres. Elas estavam te procurando, para ensinarem o que deves dizer ou fazer.

Entram na cozinha, e Tomé passa um susto nas duas Marias, gritando com o seu vozeirão para elas que estavam inclinadas e viradas para os seus pequenos fornos:

– Aqui está um jovenzinho que quer vos ver –e rindo-se, apresenta o menino, que estava escondido atrás do seu volumoso corpo.

– Oh! querido! Vem cá, que eu te dou um beijo! Olha, Salomé, como ele está bonito –exclama Maria de Alfeu.

– É verdade. Agora, só falta ele ficar mais robusto. Mas disso cuidarei eu. Vem cá, que eu também te beijo –responde Salomé.

– Mas Jesus vai confiá-lo aos pastores –objeta Tomé.

– Isso, nem por sombra! Neste ponto o meu Jesus erra. Que é que quereis fazer, que é que, vós homens, sabeis fazer? Brigar — porque, seja dito de passagem, sois, antes de tudo, uns briguentos… como uns cabritos, que se amam, mas dão chifradas uns nos outros, — sabeis comer, falar, ter mil necessidades e querer que o Mestre preste toda atenção em vós… caso contrário ficais amuados… E os meninos precisam é das mamães. Não é verdade… como te chamas?

– Margziam.

– Ah! Mais esta! Bendita a minha Maria! Ela podia ter-te dado um nome mais fácil!

– É quase como o dela! –exclama Salomé.

– Sim. Mas o dela é mais simples. Ele não tem aquelas três letras no meio… Três são demais…

Iscariotes acabou de entrar, e diz:

– Ela pôs o nome certo, em seu significado, segundo a linguagem antiga, não adulterada.

– Está bem. Mas é difícil, e eu tiro uma delas, e digo Marziam. Assim é mais fácil e o mundo não virá abaixo por isso. Não é verdade, Simão?

E Pedro, que ia passando diante da janela, conversando com João de Endor, se aproxima, e diz:

– Que desejas?

– Estava dizendo que eu chamo o menino de Marziam. É mais fácil.

– Tens razão, mulher. Se a mãe me permite, eu também o chamarei assim. Mas, como estás bem! Mas, eu também, hein? Olhem só!

De fato, ele está todo escovado, barbeado nas faces, com cabelos e barba alinhados e untados, a veste não amarrotada, as sandálias parecendo novas, de tão limpas e tornadas brilhantes, não sei com quê. As mulheres o admiram, e ele se ri contente.

O menino acabou de comer, e sai para ir andar com o seu grande amigo, a quem ele dá sempre o nome de “Pai.”

199.3

Eis Jesus que vem da casa de Lázaro, junto com o mesmo e, ao menino que vai correndo ao seu encontro, Ele diz:

– A paz esteja entre nós, Margziam. Demo-nos o beijo da paz.

Lázaro, saudado pelo menino, dá-lhe um docinho.

Todos se reúnem ao redor de Jesus. Também, Maria, revestida com uma veste de lã cor de turquesa, sobre a qual cai um amplo manto mais escuro, vem vindo sorridente em direção de seu Filho.

– Podemos ir então –diz Jesus–. Tu, Simão, com minha mãe e o menino, se é que estás mesmo disposto a gastar, ainda mais agora que Lázaro já proveu a tudo.

– Mas, sem dúvida! E depois… poderei dizer que pude, pelo menos uma vez, caminhar ao lado de tua mãe. Uma grande honra.

– Então, vai. E tu, Simão, me acompanharás. Vamos aos teus amigos leprosos…

– De verdade, Mestre? Nesse caso, se me permites, irei na frente correndo, para reuni-los. Depois me encontrarás. Já sabes onde eles estão…

– Está bem. Vai. Os outros façam o que quiserem. Estais todos livres até quarta-feira pela manhã. Nesse dia, à hora terça, estajam todos junto à Porta Dourada.

– Eu irei contigo, Mestre –diz João.

– Eu também –diz Tiago, irmão dele.

– E nós também –dizem os dois primos.

– Eu irei também –diz Mateus e, com ele, André.

– E eu? Eu gostaria de ir também… mas tenho que ir às compras, e não posso ir convosco… –diz o Pedro, na dúvida entre duas vontades.

– Pode-se fazer tudo. Primeiro, vamos aos leprosos e, nesse ínterim, minha mãe vai com o menino a uma casa amiga em Ofel. Depois nós a encontraremos, e tu vais com ela, enquanto Eu e os outros vamos à casa de Joana. Nos reuniremos no Getsêmani para a refeição, e depois, perto do pôr do sol, estaremos aqui.

– Eu, se me permites, vou à casa de alguns amigos… –diz Judas Iscariotes.

– Mas Eu já disse. Fazei o que quiserdes.

– Então, vou ver meus pais. Talvez meu pai já tenha vindo. Se tiver, eu o trarei a Ti –diz Tomé.

– E nós dois, que achas, Filipe? Poderíamos ir à casa do Samuel.

– Disseste bem –responde ele a Bartolomeu.

– E tu, João? –pergunta Jesus ao homem de Endor–. Preferes ficar aqui, para pôr em ordem os teus livros, ou ir comigo?

– Na verdade, eu gostaria de ir contigo… Meus livros… já me agradam menos. Prefiro ler em Ti, o livro vivo.

– Então, vem. Adeus, Lázaro, a…

– Mas, eu vou também. Minhas pernas estão um pouco melhor, e eu te deixarei depois da visita aos leprosos e irei esperar-te em Getsêmani.

– Vamos. A paz esteja convosco, mulheres.

Até às vizinhanças de Jerusalém, vão indo todos juntos. Depois, eles se separam, indo Iscariotes, por sua própria conta, entrando na cidade provavelmente por aquela porta que fica perto da fortaleza Antônia, enquanto que Tomé, com Filipe e Natanael, andam ainda algumas dezenas de metros com Jesus e os companheiros e depois entram na cidade pelo subúrbio de Ofel junto com Maria e o menino.

Anotação

"Como é que te chamas?

- Marziam.

- Estou a ver! Mas a minha bem-aventurada Maria podia ter-te dado um nome mais fácil!

- É quase o dela! exclama Salomé.

- Sim, mas o dela é mais simples. Não tem aquelas três consoantes no meio... Três é demasiado...". MaRGZiam, simplificado para Marziam na nova tradução, de acordo com o que Marie d'Alphée e Pierre dizem no resto do texto.

"Ela tomou o nome exato pelo seu significado, de acordo com a língua antiga". O hebraico, sem dúvida, uma vez que o aramaico (uma língua muito próxima) se tinha tornado a língua comum no tempo de Jesus. Esta proximidade é perfeitamente captada na reflexão de Salomé. Conhecemos também esta proximidade pela oração de Jesus na cruz: Elôi, elôi, lama sabachthani, uma citação aramaica ligeiramente diferente em Mateus 27,46 e Marcos 15,34. No entanto, esta proximidade não exclui diferenças, pois o capítulo 8 do livro de Neemias relata que os exilados que regressavam a Jerusalém ouviram a leitura da Torá "na língua antiga", mas não a compreenderam: foi necessário traduzi-la.

Tu, Simão, vais acompanhar-me até aos teus amigos leprosos ... Simão, o Zelota, é um antigo leproso, curado por Jesus.

Estão todos livres até quarta-feira de manhã. À hora da Tarde, todos vão para a Porta Dourada. Esta porta dá diretamente para o Templo, vindo de Betânia e do Getsémani.

Entretanto, a minha mãe e a criança vão para uma casa amiga em Ofel. Este bairro fica a sul do Templo e, portanto, a leste da cidade.

O que achas, Filipe, de irmos os dois para casa de Samuel? Provavelmente Samuel, o noivo de Annalia.

Ele deve entrar na cidade pelo portão perto da Torre Antónia. O portão de Peixes.

EMF 199.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A esplendida manhã convida realmente a dar um passeio, a deixar as camas e as casas e os moradores da casa do Zelotes, como abelhas ao primeiro sol, surgem muito cedo e partem para respirar o ar puro do pomar de Lázaro, que fica ao redor da pequena casa hospitaleira. Logo se ajuntam também os que estão hospedados com Lázaro, isto é, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, André e Tiago de Zebedeu. O sol entra festivo por todas as janelas e portas escancaradas, e os quartos, simples e limpos, vão-se vestindo com uma tinta de ouro, que aviva as cores das vestes, e faz brilhar também as cores dos cabelos e das pupilas.

Maria de Alfeu e Salomé estão atentas em servir a estes homens, que estão com um apetite notável. Maria, por sua vez, está observando um dos criados de Lázaro, enquanto ele vai compondo os cabelinhos de Margziam, cortando-os com mais habilidade do que tinha feito o primeiro cabeleireiro dele:

– Por enquanto, fica assim –diz ele–. Depois, quando tiveres oferecido a Deus a tua cabeleira de menino, eu a encurtarei como se deve. Quando chegar o calor, te sentirás melhor, sem cabelos no pescoço. E eles ficarão mais fortes. Agora, estão secos e frágeis, descuidados. Estás vendo, Maria? Eles precisam de cuidados. Agora vou untá-los, para conservá-los em seu lugar. Estás sentindo, menino, que cheirinho bom? É o óleo que Marta usa. Amêndoa, palma, miolo do que há de mais fino e com essência rara. Isto faz muito bem. Minha patroa disse que eu guardasse este potinho para o menino. E, então, ele está aqui. Agora, ficas parecendo o filho do rei.

E o servo, que deve ser o barbeiro da casa de Lázaro, dá uma palmadinha na face de Margziam, saúda Maria, e vai-se embora satisfeito.

Anotação

Mais tarde, quando tiverdes dado a Deus o cabelo dos vossos filhos, encurtá-lo-ei ainda mais. Isto está relacionado com o Bar Mitzvah. Alguns rituais de bar mitzvah, para os quais o jovem Marziam se está a preparar, implicam a purificação do futuro filho da Lei através de um banho ritual e do corte do cabelo. Esta oferenda dava continuidade ao rito da circuncisão. Depois disso, "a criança estava religiosamente pronta para se juntar aos oficiantes da sinagoga, onde recitava a oração da manhã de quinta-feira, seguida da oração do Sábado" (Joëlle Balhoul, La maison de mémoire : ethnologie d'une demeure judéo-arabe en Algérie, 1937-1961, página 179). Segundo Maria Valtorta, trata-se de um rito antigo.

Além disso, segundo Maria Valtorta, os galileus (por exemplo, Jesus, João, etc.) usam o cabelo bastante comprido e os judeus bastante curto (por exemplo, Judas). O calor a que o servo se refere imediatamente a seguir pode explicar este facto.

EMF 199.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eis Jesus que vem da casa de Lázaro, junto com o mesmo e, ao menino que vai correndo ao seu encontro, Ele diz:

– A paz esteja entre nós, Margziam. Demo-nos o beijo da paz.

Lázaro, saudado pelo menino, dá-lhe um docinho.

Todos se reúnem ao redor de Jesus. Também, Maria, revestida com uma veste de lã cor de turquesa, sobre a qual cai um amplo manto mais escuro, vem vindo sorridente em direção de seu Filho.

– Podemos ir então –diz Jesus–. Tu, Simão, com minha mãe e o menino, se é que estás mesmo disposto a gastar, ainda mais agora que Lázaro já proveu a tudo.

– Mas, sem dúvida! E depois… poderei dizer que pude, pelo menos uma vez, caminhar ao lado de tua mãe. Uma grande honra.

– Então, vai. E tu, Simão, me acompanharás. Vamos aos teus amigos leprosos…

– De verdade, Mestre? Nesse caso, se me permites, irei na frente correndo, para reuni-los. Depois me encontrarás. Já sabes onde eles estão…

– Está bem. Vai. Os outros façam o que quiserem. Estais todos livres até quarta-feira pela manhã. Nesse dia, à hora terça, estajam todos junto à Porta Dourada.

– Eu irei contigo, Mestre –diz João.

– Eu também –diz Tiago, irmão dele.

– E nós também –dizem os dois primos.

– Eu irei também –diz Mateus e, com ele, André.

– E eu? Eu gostaria de ir também… mas tenho que ir às compras, e não posso ir convosco… –diz o Pedro, na dúvida entre duas vontades.

– Pode-se fazer tudo. Primeiro, vamos aos leprosos e, nesse ínterim, minha mãe vai com o menino a uma casa amiga em Ofel. Depois nós a encontraremos, e tu vais com ela, enquanto Eu e os outros vamos à casa de Joana. Nos reuniremos no Getsêmani para a refeição, e depois, perto do pôr do sol, estaremos aqui.

– Eu, se me permites, vou à casa de alguns amigos… –diz Judas Iscariotes.

– Mas Eu já disse. Fazei o que quiserdes.

– Então, vou ver meus pais. Talvez meu pai já tenha vindo. Se tiver, eu o trarei a Ti –diz Tomé.

– E nós dois, que achas, Filipe? Poderíamos ir à casa do Samuel.

– Disseste bem –responde ele a Bartolomeu.

– E tu, João? –pergunta Jesus ao homem de Endor–. Preferes ficar aqui, para pôr em ordem os teus livros, ou ir comigo?

– Na verdade, eu gostaria de ir contigo… Meus livros… já me agradam menos. Prefiro ler em Ti, o livro vivo.

– Então, vem. Adeus, Lázaro, a…

– Mas, eu vou também. Minhas pernas estão um pouco melhor, e eu te deixarei depois da visita aos leprosos e irei esperar-te em Getsêmani.

– Vamos. A paz esteja convosco, mulheres.

Até às vizinhanças de Jerusalém, vão indo todos juntos. Depois, eles se separam, indo Iscariotes, por sua própria conta, entrando na cidade provavelmente por aquela porta que fica perto da fortaleza Antônia, enquanto que Tomé, com Filipe e Natanael, andam ainda algumas dezenas de metros com Jesus e os companheiros e depois entram na cidade pelo subúrbio de Ofel junto com Maria e o menino.

Anotação

Tu, Simão, vais acompanhar-me até aos teus amigos leprosos ... Simão, o Zelota, é um antigo leproso, curado por Jesus.

Estão todos livres até quarta-feira de manhã. À hora da Tarde, todos vão para a Porta Dourada. Esta porta dá diretamente para o Templo, vindo de Betânia e do Getsémani.

Entretanto, a minha mãe e a criança vão para uma casa amiga em Ofel. Este bairro fica a sul do Templo e, portanto, a leste da cidade.

O que achas, Filipe, de irmos os dois para casa de Samuel? Provavelmente Samuel, o noivo de Anália.

Ele deve entrar na cidade pelo portão perto da Torre Antónia. O portão de Peixes.

EMF 199.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E agora vamos à mãe –diz depois aos apóstolos.

– Mas, onde está ela? –perguntam muitos.

– Em uma casa que João sabe. Na casa da menina que foi curada[2] no ano passado.

Entram na cidade, percorrem boa parte do populoso bairro de Ofel e vão até uma casinha branca. Jesus entra, com sua doce saudação, na casa, cuja porta está semi-aberta e de lá sai a voz suave de Maria, a voz argêntea de Anália e a voz grossa da mãe dela. A menina prostra-se adorando, a mãe ajoelha-se. Maria se levanta.

Gostariam de deter lá o Mestre com sua mãe. Mas Jesus, prometendo voltar em outro dia, abençoa e se despede.

Anotação

Na jovem curada no ano passado. Cf.EMV 85 eEMV 86.4/5, a cura de Annalia.

EMF 199.6 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Pedro vai indo com Maria, todo feliz. Os dois estão segurando o menino pela mão, e parecem uma pequena família feliz. Muitos se viram e olham para eles. Jesus observa como eles vão andando, e sorri.

– Simão está feliz –exclama Zelotes.

– Por que estás sorrindo, Mestre? –pergunta Tiago de Zebedeu.

– Porque naquele grupo estou vendo uma grande promessa.

– Que promessa, Irmão? Que estás vendo? –pergunta Tadeu.

– Vejo o seguinte: Que poderei ir-me embora tranquilo, quando chegar a hora. Que não preciso temer pela minha Igreja. Ela, então, ainda estará pequena, como Margziam. Mas nela estará minha mãe, segurando-a assim pela mão e a fazer para com ela as vezes da mãe, e nela estará Pedro, fazendo as vezes do Pai. Em sua mão honesta e cheia de calos, posso colocar sem preocupações, a mão da minha Igreja nascente. Ele lhe dará a força da sua proteção. E minha mãe, a força do seu amor. E a Igreja crescerá… como Margziam… Ele é verdadeiramente o menino-símbolo! Deus abençoe minha mãe, meu Pedro e o menino deles e nosso! Agora, vamos à casa de Joana…

EMF 199.6-7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

« Agora, vamos à casa de Joana…» 199.7 … E novamente, pela tarde, já estamos na casinha de Betânia.

Detalhe

Episódio não pormenorizado.

Palavras-chave

EMF 199.7-9 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

… E novamente, pela tarde, já estamos na casinha de Betânia. Muitos, cansados, já se retiraram. Mas Pedro anda para lá e para cá pelo caminho, levantando frequentemente os olhos para o terraço, onde estão sentados, conversando, Jesus e Maria. João de Endor, por sua vez, está conversando com Zelotes, estando os dois sentados debaixo de uma romãzeira toda florida.

Maria já falou muito, porque ouço Jesus dizer:

– Tudo o que me disseste é bem justo e de tudo considerarei a justiça. Também acho que é justo o teu conselho dado à Anália. Que o homem o tenha acolhido com tanta presteza é bom sinal. Na verdade, a alta Jerusalém está cheia de obtusosidade, de ódio e, Eu poderia até, dizer, de sujeira. Mas, no meio do seu povo humilde, há pérolas de um valor desconhecido. Fico alegre porque Anália está feliz. É uma criatura mais do Céu, do que da terra e talvez o homem, que agora entrou no conceito do espírito, tenha intuição disso e preste a isso um respeito quase de veneração. Seu pensamento de ir para outro lugar, a fim de não perturbar, com algum sobressalto humano, o cândido voto da menina, o está demonstrando.

– Sim, meu Filho. O homem percebe o perfume das virgens… Eu me lembro de José. Eu não sabia de que palavras devia fazer uso. Ele não conhecia o meu segredo… E, no entanto, ele me ajudou a dizê-lo, com a sua percepção de santo. Ele tinha sentido o odor da minha alma… Não vês também João?… Que paz!… E todos o procuram… O próprio Judas de Keriot, por mais que… Não, meu Filho. Judas não mudou. Eu sei e Tu sabes. Nós não falamos, porque não queremos ser nós que começamos a guerra. Mas, ainda que não falemos, nós o sabemos… e, mesmo que não falemos, os outros estão enxergando… Oh! Meu Jesus! Contaram-me os jovens hoje, em Getsêmani, o episódio de Magdala e o da manhã de sábado… A inocência fala… porque ela vê pelos olhos do seu anjo. Mas os velhos também entrevêem… Não deixam de ter razão. É um ser esquivo… Tudo nele é esquivança… e eu tenho medo dele, e tenho sobre os lábios as mesmas palavras do Benjamim de Magdala e do Margziam no Getsêmani, porque tenho pelo Judas a mesma repugnância que por ele sentem as crianças.

– Nem todos podem ser como João!

– Nem eu pretendo isso. Isso seria um paraíso na terra. Mas, estás vendo, Tu me falaste do outro João… Um homem que matou… mas que só me causa dó. Judas me dá medo.

– Ama-o, minha mãe! Ama-o por amor de Mim!

– Sim, meu Filho. Mas nem meu amor servirá. Será apenas mais um sofrimento para mim e uma culpa para ele.. Oh! Para que foi ele entrar! Perturba a todos e ofende a Pedro, que é digno de todo respeito.

199.8

– Sim. Pedro é muito bom. Por ele Eu faria qualquer coisa, pois ele o merece.

– Se ele te ouvisse, diria com aquele seu sorriso bom e sincero: “Ah! Senhor, isso não é verdade!” E teria razão.

– Por quê, mãe?

Mas Jesus está sorrindo porque já compreendeu.

– Porque Tu o não contentas, dando-lhe um filho. Ele me contou todas as suas esperanças, os seus desejos… e as tuas recusas.

– E não te disse as razões com que as justifiquei?

– Sim, ele as disse, e acrescentou: “É verdade… mas eu sou um homem, um pobre homem. Jesus teima em querer ver em mim um grande homem. Mas eu sei que não sou mais do que um ser mesquinho e, por isso… me poderia dar um menino. Eu me casei para ter um… e vou morrer sem ter.” E, mostrando o menino que, feliz pela veste para ele comprada por Pedro, o havia beijado, dizendo-lhe: “Meu pai amado”, disse-me: “Vê, quando este pequenino que, há somente dez dias, eu nem conhecia ainda, fala-me assim, eu me sinto mais maleável do que manteiga, e mais doce do que o mel, e até choro porque… cada dia que passa, ele quer me levar embora este menino…”

Maria se cala, observando Jesus, estudando-lhe o semblante, esperando uma palavra… Mas Jesus colocou o cotovelo sobre o joelho, a cabeça encostada na palma da mão e está também calado, olhando para a grande extensão verde do pomar.

Maria pega a mão dele e a acaricia, dizendo:

– Simão tem esse seu grande desejo… Enquanto eu ia andando com ele, não parou de falar-me nisso, e com razões tão justas, que… eu não pude dizer nada para fazê-lo calar-se. Eram as mesmas razões, nas quais pensamos todas nós, mulheres e mães. O menino não é robusto. Se ele tivesse sido como eras Tu… Oh! então teria podido ir ao encontro da vida, como um discípulo sem medo. Mas é tão fraquinho!… Muito inteligente, muito bom… e nada mais. Quando um pombinho é delicado, não se pode lançá-lo ao vôo logo, como se faz com os fortes. Os pastores são bons… mas são sempre homens. Os meninos precisam das mulheres. Por que não o deixas com Simão? Enquanto lhe negas um filho nascido dele, eu compreendo o motivo. Um pequenino nosso é para nós como uma âncora. E Simão, destinado a tão grande sorte, não pode ter âncoras que o detenham. Contudo, deves convir que ele deva ser o ‘pai’ de todos os filhos que Tu lhe deixarás. E, como haveria ele de ser pai, se não tiver treinado com um menino? Um pai deve ser manso. E Simão é bom, mas manso, não. Ele é impulsivo e intransigente. Não há nada como uma criaturinha, que lhe possa ensinar a arte sutil da compaixão para com quem é fraco… Pensa nesta sorte de Simão… Afinal, é o teu sucessor! Oh! tenho afinal que dizer esta palavra cruel! Mas, pela grande dor que me custa dizê-la escuta-me. Eu nunca te aconselharia uma coisa que não fosse boa. Margziam… Tu queres fazer dele um perfeito discípulo… Mas ele ainda é um menino. Tu… Terás que ir embora, antes que ele se torne um homem. A quem, então, o entregarás para completar sua formação, senão a Simão? Afinal, pobre Simão, Tu sabes quanto tem sofrido, também por causa de Ti, da parte de sua sogra Contudo ele não recuperou nem um grãozinho do seu passado, da liberdade que tinha, há um ano, para ser deixado em paz pela sogra, que nem Tu pudeste mudar. E aquela pobre criatura, que é a mulher dele? Oh! Ela tem um grande desejo de amar e de ser amada. A mãe… Oh! O marido? Um amável prepotente. Nunca um afeto que lhe seja dado sem tantas exigências… Pobre mulher!… Deixa-lhe o menino. Escuta, Filho. Por enquanto, o levamos conosco. Eu também virei para a Judeia. Tu me levarás contigo à casa de minha companheira no Templo e quase nossa parenta, porque é descendente de Davi. Ela mora em Betsur. Eu a irei ver de boa vontade, se é que ainda vive. Depois, ao voltarmos para a Galileia, o daremos à Púrpura. Quando estivermos nas vizinhanças de Betsaida, Pedro o tomará. E, quando viermos para longe, o menino ficará com ela. Ah! Mas Tu agora estás sorrindo! Então contentarás à tua mamãe. Obrigada, meu Jesus.

– Sim. Seja feito como Tu queres.

199.9

Jesus se levanta, e grita com força:

– Simão de Jonas, vem aqui.

Pedro dá um salto, e vai correndo pelos degraus.

– Que queres, Mestre?

– Vem aqui, homem usurpador e corruptor!

– Eu? Por quê? Que foi que eu fiz, Senhor?

– Tu corrompeste minha mãe. Para isso é que querias estar sozinho. Que devo te fazer?

Mas Jesus está sorrindo e Pedro fica mais tranquilo.

– Oh! –diz ele–, me fizeste ficar com medo! Mas agora estás rindo… Que queres de mim, Mestre? A vida? É só o que tenho, pois me tomaste tudo… Mas, se a queres, eu a dou.

– Eu não quero tirar-te nada. Mas quero te dar. Mas não fiques te gloriando pela vitória e não contes o segredo aos outros, ó homem matreiríssimo, que vences o Mestre com a arma da palavra materna. Tu ficarás com o menino, mas…

Jesus não fala mais, porque Pedro, que se havia ajoelhado, põe-se rapidamente de pé e beija Jesus com tanto ímpeto, que lhe embargou a palavra.

– Agradece a ela, não a Mim. Mas, lembra-te que isso te deve servir de ajuda e não de estorvo…

– Senhor, não terás que arrepender-te por este presente… Oh! Maria! Que Tu sejas sempre bendita, santa e boa…

E Pedro, que de novo caiu de joelhos, está chorando de verdade e beijando a mão de Maria.

Anotação

No que diz respeito a Annalia, penso que o seu conselho também é correto. É um bom sinal que o homem a tenha aceite tão prontamente. Samuel é o seu noivo. Annalia fez voto de virgindade, a primeira das virgens consagradas. Cf. EMV 156.3/5.

Oh, meu Jesus! Os jovens contaram-me hoje, no Getsémani, o episódio de Magdala e da manhã de sábado. Duas crianças disseram que Judas as "assustou": Benjamim de Magdala em EMV 184.7 e Marziam em EMV 196.6.

Também eu irei à Judeia. Levar-me-ás contigo a uma das minhas companheiras de Templo - quase uma parente, pois é descendente de David. Ela vive em Bet-zur. Gostaria de a voltar a ver, se ainda for viva. Ela é Elisede Betzur.

199.9 Jesus levantou-se e chamou em alta voz

"Simão, filho de Jonas, vem cá!"

Pedro fica assustado e sobe as escadas a correr:

"O que é que queres, Mestre?

- Vem cá, usurpador e corruptor!

- Eu? Porquê? O que é que eu fiz, Senhor?

- Tu corrompeste a minha Mãe. Foi por isso que quiseste ficar sozinho. Que te hei-de fazer?

Mas Jesus sorriu e Pedro ficou tranquilo.

Oh", diz ele, "pregaste-me um susto! Mas agora estás a rir... O que queres de mim, Mestre?

JESUS AGRADÁVEL: Esta passagem causou polémica entre algumas pessoas:

- Alguns não conseguiam imaginar Jesus a brincar como se faz com os melhores amigos (parecendo acusá-los da antítese do que obviamente são).

- Os outros têm uma leitura parcial que interpreta a corrupção isolada como uma prática indigna e chocante.

MARIA MEDIANEIRA DE TODAS AS GRAÇAS :

Relativamente ao primeiro ponto, a anedota, é de notar que Jesus não usa a vulgaridade habitualmente associada a este tipo de anedota, mas tira dela uma lição sagrada: Maria, Medianeira de todas as graças. Ele está a "evangelizar" a nossa humanidade.

Quanto à outra, uma leitura do contexto elimina qualquer dúvida sobre a intenção de Pedro quando, vendo negado o seu desejo mais profundo, pede a ajuda e a mediação de Maria.

EMF 199.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria já falou muito, porque ouço Jesus dizer:

– Tudo o que me disseste é bem justo e de tudo considerarei a justiça. Também acho que é justo o teu conselho dado à Anália. Que o homem o tenha acolhido com tanta presteza é bom sinal. Na verdade, a alta Jerusalém está cheia de obtusosidade, de ódio e, Eu poderia até, dizer, de sujeira. Mas, no meio do seu povo humilde, há pérolas de um valor desconhecido. Fico alegre porque Anália está feliz. É uma criatura mais do Céu, do que da terra e talvez o homem, que agora entrou no conceito do espírito, tenha intuição disso e preste a isso um respeito quase de veneração. Seu pensamento de ir para outro lugar, a fim de não perturbar, com algum sobressalto humano, o cândido voto da menina, o está demonstrando.

– Sim, meu Filho. O homem percebe o perfume das virgens… Eu me lembro de José. Eu não sabia de que palavras devia fazer uso. Ele não conhecia o meu segredo… E, no entanto, ele me ajudou a dizê-lo, com a sua percepção de santo. Ele tinha sentido o odor da minha alma…

Detalhe

Maria e Jesus falam juntos.

Anotação

No que diz respeito a Annalia, penso que o seu conselho também é correto. É um bom sinal que o homem a tenha aceite tão prontamente. Samuel é o seu noivo. Annalia fez voto de virgindade, a primeira das virgens consagradas. Cf. EMV 156.3/5.