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Notas do tema

Interação com os apóstolos

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EMF 83.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

83.3 Aproxima-se deles um homem com um burrinho carregado de verduras.

– Olá! Se o teu amigo quiser ir… O meu filho vai a Jerusalém, para a grande feira de Parasceve.

– Vai, João. Tu sabes o que tens a fazer. Dentro de quatro dias nos tornaremos a ver. A minha paz esteja contigo.

Jesus abraça João e o beija. Simão também faz o mesmo.

– Mestre –diz Judas–, se me permites, eu vou com João. Preciso ver um amigo. Todos os sábados ele está em Jerusalém. Eu iria com João até Betfagé, e, a partir de lá, iria por minha conta… É um amigo da família… sabes… minha mãe me disse…

– Eu não te perguntei nada, amigo.

– Dói-me o coração por deixar-te. Mas, dentro de quatro dias estarei de novo Contigo. E serei tão fiel em acompanhar-te, que te cansarás de mim.

– Então, vai. Na aurora que virá daqui a quatro dias, estejas junto à porta dos Peixes. Adeus, e Deus te guarde.

Judas beija o Mestre e vai para perto do burrinho, que segue troteando pela estrada poeirenta.

Detalhe

O João tem de partir para Jerusalém. Mas o Judas também quer partir...

EMF 83.3-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A tarde cai sobre o campo, que se torna silencioso. Simão observa o trabalho dos hortelãos, que estão irrigando seus sulcos.

83.4 Jesus permanece em seu lugar por algum tempo. Depois se levanta, contorna a casa, e afasta-se em direção ao pomar. Isola-se. Vai até um ponto mais fechado, onde grandes romãzeiras estão separadas umas das outras por moitas baixas, que eu diria serem de groselheiras. Mas não sei exatamente. Porque estão despojadas de frutos, e eu não conheço bem a folha dessa planta. Jesus se esconde atrás destas plantas. Ajoelha-se. Reza… e depois se inclina com o rosto contra o chão, sobre a erva, e chora. Noto isso pelos seus suspiros profundos e entrecortados. Um choro desconsolado, sem soluços, mas muito triste.

Passa algum tempo assim. A luz já é crepuscular. Mas ainda não está tão escuro, que não se possa enxergar nada. E na pouca luz, eis que desponta de cima de uma moita o rosto feio e honesto de Simão. Ele olha, procura e distingue a forma agachada do Mestre, todo coberto com o manto azul escuro que quase o faz desaparecer nas sombras do chão. Somente a cabeça loira e as mãos unidas em oração, para a qual seus pulsos estão servindo de apoio, é que se sobressaem. Simão olha com aqueles seus olhos meio bovinos. Compreende que Jesus está triste, por causa dos Seus suspiros. A sua boca, de lábios inchados e até arroxeados se abre:

– Mestre! –chama.

Jesus levanta o rosto.

– Estás chorando, Mestre? Por quê? Permites-me que eu vá até aí?

O rosto de Simão está espantado e aflito. Decididamente, é um homem feio. Às suas feições não bonitas, ao colorido oliváceo escuro, se une um bordado azulado e cheio de buracos, pelas cicatrizes que a doença lhe deixou. Mas, tem um olhar tão bondoso que a feiura desaparece.

– Vem cá, Simão, meu amigo.

Jesus sentou-se sobre a relva. Simão senta-se perto dele.

– Por que estás tão triste, meu Mestre? Eu não sou João, e não saberia dar-te tudo o que ele te dá. Mas em mim há o desejo de dar-te todo o conforto. E só tenho uma dor, a de ser incapaz de fazê-lo. Diz-me: será que eu te desagradei nestes últimos dias, a ponto de abater-te só por teres que ficar comigo?

– Não, bom amigo. Nunca me desagradaste, desde o momento em que te vi. E creio que para mim nunca serás motivo de choro.

– E, então, Mestre? Eu não sou digno das tuas confidências. Mas, pela idade, eu quase poderia ser teu pai, e Tu sabes que sede de filhos eu sempre tive… Deixa que eu te acaricie, como se fosses um filho e que te faça, nesta hora de sofrimento, o papel de pai e de mãe. É de tua Mãe que estás precisando, para te esqueceres de tantas coisas…

– Oh! Sim. É de minha Mãe!

– Pois bem. Enquanto esperas poder consolar-te com Ela, dá ao teu servo a alegria de poder consolar-te.

83.5 Tu choras, Mestre, porque houve alguém que te desagradou. Há muitos dias que o teu rosto está como o sol coberto pelas nuvens. Eu te venho observando. A tua bondade encobre a tua ferida, para que nós não fiquemos com ódio de quem te está ferindo. Mas esta ferida dói, e te causa náusea. Então, diz-me, meu Senhor, por que não afastas a causa do sofrimento?

– Porque humanamente é inútil, e seria uma falta de caridade.

– Ah! Tu entendeste que eu estou falando de Judas! É por ele que estás sofrendo. Como podes Tu, a Verdade, suportar aquele mentiroso? Ele mente sem mudar de cor. É mais falso do que uma raposa. Mais fechado do que uma rocha. Agora mesmo, ele se foi. Que terá ido fazer? Quantos amigos terá por aí? Sofro em deixar-te. Mas eu gostaria de segui-lo e ver… Oh! Meu Jesus!… Aquele homem… afasta-o, meu Senhor.

– É inútil. Aquilo que deve ser, será.

– Que queres dizer?

– Nada de especial.

– Tu de boa vontade o deixaste ir, Por que… porque te repugnou aquele seu modo em Jericó.

– É verdade, Simão, Eu te digo ainda: aquilo que deve ser, será. E Judas é parte desse futuro. Ali também ele deve estar.

– Mas João me disse que Simão Pedro é todo sinceridade e fogo… Ele suportará esse homem?

– Deve suportá-lo. Pedro também está destinado a uma parte, e Judas é o estame no qual ele vai tecer a sua parte, ou, se te agrada mais, é a escola na qual Pedro se exercitará mais do que em qualquer outra. Ser bons em companhia de João, compreender espíritos como o de João, é uma virtude até de imbecis. Mas ser bons com quem é um Judas, saber entender espíritos como os de Judas, ser médico e sacerdote para pessoas assim, é difícil. Judas é para vós um ensinamento vivo.

– Para nós?

– Sim, para vós. O Mestre não estará para sempre nesta terra. Daqui Ele partirá, depois de ter comido do mais duro pão e bebido do mais amargo vinho. Mas vós ficareis como meus continuadores… e precisais saber. Porque o mundo não termina com o Mestre, mas continua, até à Sua volta e o juízo final do homem. Em verdade te digo que por um João, um Pedro, um Simão, um Tiago, um André, um Filipe, um Bartolomeu, um Tomé, há pelo menos outras tantas vezes sete Judas. E mais, mais ainda!…

Simão reflete e se cala. Depois diz:

– Os pastores são bons. Judas os despreza. Mas eu os amo.

– Eu os amo e elogio.

– São almas simples, das que agradam a Ti.

– Judas viveu na cidade.

– Sua única desculpa. Mas tantos viveram na cidade e, no entanto…

83.6 Quando irás ao meu amigo?

– Amanhã, Simão. Com prazer, porque Eu e tu estaremos sós. Acho que ele é um homem culto e experiente como tu.

– Um grande sofredor… no corpo, e ainda mais no coração. Mestre… queria pedir-te uma coisa: se ele não te falar de suas tristezas, não lhe faças perguntas sobre sua casa.

– Não as farei. Eu procuro quem está sofrendo, mas não forço as confidências. O choro tem o seu pudor….

– Eu não Te respeitei… Fiquei com tanta pena de Ti…

– Tu és meu amigo, e já tinhas dado um nome à minha dor. Para o teu amigo Eu sou o Rabi desconhecido. Quando ele me conhecer… aí então… Agora vamos! A noite já chegou. Não façamos que os hóspedes fiquem esperando, pois estão cansados. Amanhã, ao romper do dia, iremos para Betânia.

Detalhe

Simon está sozinho com Jesus no campo. E Jesus retira-se para rezar, após a partida de Judas, que mentiu em Jericó para vender descaradamente as joias de Aglaé,