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Notas do tema

Interação com os apóstolos

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EMF 70.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Mestre, falaste de Simão Pedro. E voltou-me à lembrança o que eu devia dizer-te primeiro, mas que a alegria de ouvir-te tinha afastado do meu pensamento. Quando voltamos a Cafarnaum, depois do Pentecostes, encontramos logo a importância de costume daquele desconhecido. O menino a tinha entregue à minha mãe. Eu a dei a Pedro e ele me devolveu dizendo que a usasse um pouco para a volta e a parada em Doco e que o restante o levasse a Ti, pois podias estar precisando… porque Pedro também pensava que aqui não tens comodidade… mas Tu dizes que tens… Eu não tirei senão duas moedas para dois pobrezinhos que encontrei perto de Efraim. Quanto ao mais, vim passando com o que minha mãe me havia dado e com o que me deram algumas pessoas boas, às quais eu preguei o teu Nome. Aqui está a bolsa.

– Amanhã a distribuiremos aos pobres. Assim, também Judas irá aprendendo os nossos costumes.

– O teu primo veio? Como fez para chegar aqui tão rápido? Ele estava em Nazaré e não me disse que partiria…

– Não. Judas é o novo discípulo. Ele é de Keriot. Mas tu o viste pela Páscoa, aqui, naquela tarde da cura de Simão. Ele estava com Tomé.

– Ah! É aquele?

João fica um pouco admirado…

– É ele.

EMF 70.8-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois Jesus diz:

– Ainda um paralelo entre o meu João e um outro discípulo. Paralelo no qual sai sempre mais nítida a figura do meu predileto.

Ele é aquele que se despoja do seu modo de pensar e de julgar, para ser “o discípulo.” É aquele que se doa, sem querer de si nem mesmo uma molécula — do si mesmo antecedente à eleição. Judas é aquele que não quer se despojar de si mesmo. A sua doação é, por isso, uma doação irreal. Ele traz consigo o seu eu doente de soberba, de sensualidade, de cobiça. Conserva o seu modo de pensar. Com isso ele neutraliza os efeitos da doação e da Graça.

Judas é o chefe da família de todos os apóstolos fracassados. E são tantos! João é o chefe da família dos que se fazem hóstias por meu amor. Ele é o teu modelo.

Eu e minha mãe somos as Hóstias excelsas. Alcançar-nos é difícil, aliás, impossível, porque o nosso sacrifício foi de uma aspereza total. Mas o meu João! É a hóstia imitável por todas as classes dos meus amadores: virgem, mártir, confessor, evangelizador, servo de Deus e da mãe de Deus, ativo e contemplativo, é um exemplo para todos. É aquele que ama.

Observa os diferentes modos de raciocinar. Judas investiga, argumenta, teima, e, mesmo quando parece estar cedendo, na realidade está conservando ainda o seu modo de pensar. João se julga um nada, aceita tudo, não pergunta as razões, e se sente bem pago se puder me fazer feliz. Eis o exemplo.

70.9

Não é verdade que te sentiste toda cheia de paz, diante daquela sua simples e querida amorosidade? Oh! O meu João! E o meu pequeno João que Eu quero seja sempre mais parecido com o meu dileto. Aceita tudo, dizendo sempre como o Apóstolo: “Tudo aquilo que fazes é bem feito, Mestre”, para merecer ouvir sempre que se lhe diga: “És a minha amorosa paz.” Preciso de consolo Eu também, Maria. Dá-me. O meu Coração seja o teu repouso.

Detalhe

Ditado ligado à EMV 70.1-6

EMF 71.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo Jesus com Judas Iscariotes, dando uns passos, para cima e para baixo, junto a uma das portas do recinto do Templo.

– Estás certo de que ele virá? –pergunta Judas.

– Estou certo. Ele ia partir ao amanhecer de Betânia e no Get-Sammi ia encontrar-se com o meu primeiro discípulo…

Uma pausa, depois Jesus se detém e olha fixamente para Judas. Coloca-se em sua frente. Perscruta-o. Em seguida põe-lhe uma mão sobre o ombro e lhe pergunta:

– Por que é Judas, que não me dizes o teu pensamento?

– Que pensamento? Não tenho um pensamento especial neste momento, Mestre. Perguntas eu te faço até demais. E certamente não te podes queixar do meu mutismo.

– Faz-me muitas perguntas e me dás muitas informações sobre a cidade e seus habitantes. Mas não me abres a tua alma. Que importância queres que tenham para Mim informações sobre o seu patrimônio e a estrutura desta ou daquela família? Eu não sou um mandrião que tenha vindo aqui por passatempo. Tu sabes porque é que Eu vim. E bem podes compreender que me importa antes de tudo, ser o Mestre dos meus discípulos. Por isso quero da parte deles sinceridade e confiança.

71.2 Teu pai te amava, Judas?

– Sim, me amava muito. Eu era o seu orgulho. Quando eu voltava da escola, e também mais tarde, quando eu voltava de Jerusalém para Keriot, ele queria que eu lhe contasse tudo. Interessava-se por tudo o que eu fazia e se eram coisas boas, se alegrava, se eram coisas menos boas, me animava. Se — alguma vez, como sabes, todos erram — eu tinha cometido algum erro e recebido alguma repreensão, ele me fazia ver toda a justiça da repreensão recebida e quanto eu havia errado. Mas o fazia tão docemente… parecia um irmão maior. E terminava sempre assim: “Isto eu te digo, porque quero que o meu Judas seja um justo. Quero ser abençoado através do meu filho…” Meu pai…

Jesus que ficou o tempo todo fitando atentamente o discípulo, sinceramente emocionado com a evocação da memória de seu pai, lhe diz:

– Aí está, Judas, fica certo de tudo o que te digo. Nenhuma obra fará mais feliz o teu pai do que a de seres meu fiel discípulo. O espírito de teu pai exultará, lá onde está esperando a Luz — porque, se assim ele te educou, justo deve ter sido — vendo-te meu discípulo. Mas, para o seres, deves dizer-te a ti mesmo: “Reencontrei o meu pai que eu tinha perdido, um pai que parecia um irmão mais velho, eu o encontrei no meu Jesus e a Ele, como ao meu pai amado que eu ainda choro, direi tudo, para ter dele guia, bênção ou mansa repreensão.” Queira o Eterno e tu, sobretudo tu, queiras agir de tal modo, que Jesus só possa te dizer: “És bom, Eu te abençôo.”

– Oh! Sim Jesus, sim. Se Tu me amares muito, eu saberei tornar-me bom, como Tu queres, e como meu pai queria. E minha mãe não terá mais aquele espinho no coração. Ela dizia sempre: “Estás agora sem guia, meu filho, e ainda tens tanta necessidade!” Quando ela souber que tenho a Ti!

– Eu te amarei, como nenhum outro homem poderia, Eu te amarei muito, te amo muito. Não me decepciones.

– Não, Mestre, não. Eu era cheio de contrastes: invejas, ciúmes, manias de querer ser o primeiro, a sensualidade, tudo se chocava em mim contra os sentimentos bons. Queres ver? Agora há pouco, Tu me causaste uma dor. Ou seja, Tu, não. O que a causou foi a minha natureza má… Eu pensava que era o teu primeiro discípulo… e Tu me disseste que já tens um outro.

– Tu mesmo o viste. Não te lembras de que no Templo, pela Páscoa, Eu estava com muitos galileus?

– Pensava que fossem amigos… Eu pensava que eu fosse o primeiro escolhido para tal condição e por isso, o predileto.

– Não há distinções em meu coração entre os últimos e os primeiros. Se o primeiro cometesse falta, e o último fosse um santo, aí então, aos olhos de Deus é que se faria uma distinção. Mas Eu, Eu amarei da mesma forma, com um amor feliz ao santo e com um amor sofredor ao pecador.

EMF 71.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Mas eis João que chega com Simão. João, o meu primeiro. Simão, aquele do qual te falei dois dias atrás. Simão e João, tu já os viste. Um era doente…

– Ah! O leproso! Eu me lembro. Já é o teu discípulo?

– Desde o dia seguinte.

– E comigo, por que tanta espera?

– Judas?!

– É verdade. Perdão.

João viu o Mestre e o mostra a Simão. Apressam o passo. A saudação de João é um beijo trocado com o Mestre. Simão, ao invés, prostra-se ao pés de Jesus e os beija, exclamando:

– Glória ao meu Salvador! Abençoa o teu servo para que as suas ações sejam santas aos olhos de Deus, e eu lhe possa dar glória para bendizê-lo por ter-me dado a Ti!

Jesus lhe põe a mão sobre a cabeça:

– Claro que Eu te abençôo para agradecer-te por teu trabalho. Levanta-te, Simão. Eis, João; eis, Simão: este é o último discípulo. Ele também quer seguir a Verdade. Por isso, é irmão de todos vós.

Saúdam-se, os dois judeus com uma indagação recíproca e João com sua expansão.

– Estás cansado, Simão? –pergunta Jesus.

– Não, Mestre. Junto com a saúde, veio-me um vigor que eu ainda não conhecia.

– E sei que o estás empregando bem. Tenho falado com muitos e todos me falaram de ti como daquele que já os instruiu sobre o Messias.

Simão sorri contente:

– Ontem mesmo, à tarde, falei de Ti com uma pessoa que é um israelita honesto. Espero que um dia o conhe­ças. Gostaria que fosse eu quem Te conduzisse a ele.

– Isto não é impossível.

Judas intervém:

– Mestre, Tu me prometeste ir comigo à Judéia.

– E irei. Simão continuará a instruir as pessoas sobre a minha vinda. O tempo é breve, amigos, e o povo é numeroso.

71.4

Agora Eu vou com Simão. A tarde, vós dois ireis ao meu encontro pela estrada do Monte das Oliveiras e distribuiremos dinheiro aos pobres. Ide.

Jesus, sozinho com Simão, lhe pergunta:

– Aquela pessoa de Betânia é um verdadeiro israelita?

– Um verdadeiro israelita. Há nele todas as idéias predominantes, mas ele tem também uma verdadeira ânsia pelo Messias. E quando eu lhe disse: “Ele já está entre nós”, ele respondeu imediatamente: “Feliz de mim, que vivo nesta hora!”

– Iremos a ele um dia para levar a bênção à sua casa. Viste o novo discípulo?

– Eu vi. É jovem e parece inteligente.

– Sim. Ele é. Tu, que és judeu, mais do que os outros será compatível de suas idéias.

– É um desejo, ou uma ordem?

– É uma ordem serena. Tu, que sofreste, és capaz de ter mais indulgência. A dor ensina tantas coisas!

– Se me mandas, eu serei todo indulgência para com ele.

– Sim, isto mesmo. Talvez o meu Pedro, e não só ele, fique um pouco escandalizado, ao ver como trato e me preocupo com este discípulo. Mas um dia eles entenderão… quanto mais alguém é mal formado, mais precisa de cuidados. Os outros… oh! os outros vão-se formando também por si, somente por contato. Eu não quero fazer tudo por Mim. Peço a vontade do homem e a ajuda dos outros para formar um homem. Eu vos chamo para que me ajudeis… e vos fico agradecido pela ajuda.

– Mestre, estás supondo que dele te venham decepções?

– Não. Mas ele é jovem e cresceu em Jerusalém…

– Oh! Perto de Ti ele se corrigirá de todos os vícios desta cidade… Estou certo disso. Eu, já velho e tornado insensível pelo fastio da vida, tornei-me completamente novo, desde o dia em que Te vi…

Jesus murmura:

– E assim seja.

E depois, em voz alta:

– Vem Comigo ao Templo. Vou evangelizar o povo.

E a visão termina.

Detalhe

Jesus está com Judas e Simão, o Zelota, e João juntam-se a ele.

EMF 71.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

João viu o Mestre e o mostra a Simão. Apressam o passo. A saudação de João é um beijo trocado com o Mestre. Simão, ao invés, prostra-se ao pés de Jesus e os beija, exclamando:

– Glória ao meu Salvador! Abençoa o teu servo para que as suas ações sejam santas aos olhos de Deus, e eu lhe possa dar glória para bendizê-lo por ter-me dado a Ti!

Jesus lhe põe a mão sobre a cabeça:

– Claro que Eu te abençôo para agradecer-te por teu trabalho. Levanta-te, Simão. Eis, João; eis, Simão: este é o último discípulo. Ele também quer seguir a Verdade. Por isso, é irmão de todos vós.

Saúdam-se, os dois judeus com uma indagação recíproca e João com sua expansão.

– Estás cansado, Simão? –pergunta Jesus.

– Não, Mestre. Junto com a saúde, veio-me um vigor que eu ainda não conhecia.

– E sei que o estás empregando bem. Tenho falado com muitos e todos me falaram de ti como daquele que já os instruiu sobre o Messias.

Simão sorri contente:

– Ontem mesmo, à tarde, falei de Ti com uma pessoa que é um israelita honesto. Espero que um dia o conhe­ças. Gostaria que fosse eu quem Te conduzisse a ele.

– Isto não é impossível.

Judas intervém:

– Mestre, Tu me prometeste ir comigo à Judéia.

– E irei. Simão continuará a instruir as pessoas sobre a minha vinda. O tempo é breve, amigos, e o povo é numeroso.

71.4 Agora Eu vou com Simão. A tarde, vós dois ireis ao meu encontro pela estrada do Monte das Oliveiras e distribuiremos dinheiro aos pobres. Ide.

Detalhe

Jesus está com Judas e Simão, o Zelota, e João juntam-se a ele.

EMF 71.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Viste o novo discípulo?

– Eu vi. É jovem e parece inteligente.

– Sim. Ele é. Tu, que és judeu, mais do que os outros será compatível de suas idéias.

– É um desejo, ou uma ordem?

– É uma ordem serena. Tu, que sofreste, és capaz de ter mais indulgência. A dor ensina tantas coisas!

– Se me mandas, eu serei todo indulgência para com ele.

– Sim, isto mesmo. Talvez o meu Pedro, e não só ele, fique um pouco escandalizado, ao ver como trato e me preocupo com este discípulo. Mas um dia eles entenderão… quanto mais alguém é mal formado, mais precisa de cuidados. Os outros… oh! os outros vão-se formando também por si, somente por contato. Eu não quero fazer tudo por Mim. Peço a vontade do homem e a ajuda dos outros para formar um homem. Eu vos chamo para que me ajudeis… e vos fico agradecido pela ajuda.

– Mestre, estás supondo que dele te venham decepções?

– Não. Mas ele é jovem e cresceu em Jerusalém…

– Oh! Perto de Ti ele se corrigirá de todos os vícios desta cidade… Estou certo disso. Eu, já velho e tornado insensível pelo fastio da vida, tornei-me completamente novo, desde o dia em que Te vi…

Jesus murmura:

– E assim seja.

E depois, em voz alta:

– Vem Comigo ao Templo. Vou evangelizar o povo.

E a visão termina.

Detalhe

Jesus fala com Simão, o Zelota, sobre Judas e Simão Pedro.

EMF 72.1-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

72.1 Vejo Jesus que, desde o amanhecer, sempre junto à mesma porta, se une aos discípulos Simão e Judas. Jesus já estava com João. Eu o ouço dizer:

– Meus amigos, Eu vos peço que venhais Comigo pela Judéia. Se não vos custar demais, especialmente para ti, Simão.

– Por que, Mestre?

– Porque é áspero o caminho pelos montes judaicos… e talvez ainda mais áspero será para ti, o encontrar com alguns dos que te tenham­ feito mal.

– Quanto ao caminho, eu Te garanto uma vez mais que depois que me curaste fiquei mais forte do que um jovem e nenhum trabalho me cansa, ainda mais quando ele é feito por Ti; agora, melhor ainda, Contigo. Quanto ao encontro com quem me tiver prejudicado, não existe mais aspereza de ressentimentos e nem de sentimentos no coração de Simão, desde quando ele se tornou teu. O ódio caiu junto com as escamas do meu mal. E não sei, podes crê-lo, se devo dizer-te que fizeste um milagre maior ao curar-me a carne corroída, ou a alma queimada pelo rancor. Penso que não estou errado ao dizer que o milagre maior foi este último. É sempre menos fácil que fique curada uma chaga do espírito… e Tu curaste a minha num instante. Isto é milagre. Porque, num instante não fica curado, por mais que o queira com todas as suas forças, o homem que está doente de um hábito moral, se Tu não anulares aquele hábito com a tua vontade santificante.

– Não estás errado em teu julgamento.

72.2 – Por que não o fazes assim com todos? –pergunta Judas, um pouco ressentido.

– Mas Ele o faz, Judas. Por que falas assim ao Mestre? Não percebes que estás diferente, desde que te aproximaste Dele? Eu era discípulo de João, o Batista. Mas me achei todo mudado, desde quando Ele me disse: “Vem!”

João, que geralmente não intervém, e especialmente se tem que fazer diante do Mestre não o faz nunca, desta vez não é capaz de ficar calado. Doce e afetuoso, ele pousou uma mão sobre o braço de Judas, como para acalmá-lo, e lhe fala muito preocupado e persuasivo. Depois, se dá conta de que falou antes de Jesus, se enrubesce e diz:

– Perdão, Mestre. Falei no teu lugar… mas queria… queria que Judas não Te desse um desgosto.

– Sim, João. Mas ele não me deu desgosto como discípulo. Quando o for, então, se ele persistir em seu modo de pensar, me dará um desgosto.

72.3 O que me entristece é constatar quanto o homem está corrompido por Satanás, que lhe desvia o pensamento. Todos, sabeis? Todos tendes o pensamento perturbado por ele! Mas virá, oh! virá o dia em que tereis em vós a Força de Deus, a Graça, tereis a Sabedoria, com o seu Espírito… Então, tereis tudo para julgar com justiça.

– E todos nós julgaremos com justiça?

– Não, Judas.

– Mas, estás falando para nós, discípulos, ou para todos os homens?

– Falo referindo primeiro a vós, depois a todos os outros. Quando for a hora, o Mestre elegerá seus operários e os enviará pelo mundo…

– Já não estás fazendo isso?

– Por enquanto, o que Eu quero é que digais: “O Messias já está entre nós. Vinde a Ele.” Então, Eu vos farei capazes de pregar em meu nome, de realizar milagres em meu nome…

– Oh! Também milagres?

– Sim, sobre os corpos e sobre as almas.

– Oh! Como seremos então admirados!

Judas fica exultante, com esta idéia.

72.4 – Não estaremos mais com o Mestre então, mas… eu terei sempre

medo de fazer aquilo que é de Deus, com capacidade de homem –diz João, e olha para Jesus pensativamente e também um pouco triste.

– João, se o Mestre der licença, eu queria te dizer o que penso –diz Simão.

– Dize-o ao João. Eu desejo que vos aconselheis mutuamente.

– Como é que sabes que é um conselho?

Jesus sorri e fica calado.

– Pois bem. Então eu te digo, João, que não deves, não devemos temer. Apoiamo-nos em sua sabedoria de Mestre santo, e em sua promessa. Se Ele diz: “Eu vos enviarei”, é sinal de que Ele sabe que pode enviar-nos, sem que isso prejudique a Ele e a nós, ou seja, à causa de Deus, que todos nós consideramos querida, como uma esposa recém-casada. Se Ele nos promete que vestirá a nossa miséria intelectual e espiritual com os fulgores do poder que o Pai lhe dá em favor de nós, devemos estar certos de que Ele o fará e de que nós o poderemos, não por nós mesmos, mas pela sua misericórdia. No entanto, certamente tudo isso acontecerá, se nós não formos orgulhosos, nem colocarmos desejo humano em nosso trabalho. Eu penso que, se corrompermos a nossa missão, que é toda espiritual, com elementos que são terrestres, então não se cumprirá também a palavra de Cristo. Não por sua incapacidade, mas porque nós estrangularemos essa capacidade com o laço da soberba.

72.5 Não sei se me explico bem.

– Tu te explicas muito bem. Eu é que estava errado. Mas, sabes… eu penso que, no fundo, o fato de desejarmos ser admirados como discípulos do Messias, e tão dele, a ponto de termos merecido fazer o que Ele faz, seja mais um desejo de realçar a poderosa figura do Cristo, junto aos povos. Louvor ao Mestre, que tem tais discípulos, isto é o que quero dizer –responde-lhe Judas.

– Nem tudo está errado no que dizes. Mas… olha, Judas. Venho de uma casta que é perseguida por… por ter compreendido mal o que é, e como deve ser o Messias. Sim. Se nós o tivéssemos esperado, com uma justa visão do seu ser, não teríamos caído em erros, que são blasfêmias à Verdade e rebelião à lei de Roma; por isso, por Deus e por Roma fomos punidos. Nós quisemos ver no Cristo um conquistador e um libertador de Israel, um novo Macabeu, e maior do que Judas… Só isto. E, por que? Porque mais do que dos interesses de Deus, nós temos cuidado dos nossos interesses: da pátria e dos cidadãos. Oh! santo também é o interesse da pátria. Mas, que é ela, diante do Céu eterno? Quanto pensei e vi: vi a verdadeira figura do Messias… a tua, Mestre humilde e bom, a tua, Mestre e Rei do espírito, a tua, o Cristo, Filho do Pai e que ao Pai conduzes e não aos palácios feitos de pó, não às deidades de barro. Primeiro nas longas horas de perseguição e depois nas de segregação quando, fugitivo, me escondia nas tocas dos animais selvagens partilhando com eles cama e comida para escapar das forças romanas e sobretudo da delação dos falsos amigos; ou quando, esperando a morte, já sentia o cheiro do sepulcro na minha caverna de leproso. Tu… oh! Como me é fácil seguir-te… Porque, perdoa a minha ousadia que se proclama justa, porque te vejo como antes pensei que eras, eu te reconheço, eu logo Te reconheci. Sim, não foi um conhecimento de Ti, mas um reconhecer Alguém que minha alma já havia conhecido…

– Por isto é que te chamei… e por isto te levo Comigo, agora, nesta minha primeira viagem pela Judéia.

72.6 Quero que tu completes o reconhecimento… e quero que também estes, que a idade torna menos capazes de chegar à verdade, por meio de uma meditação severa, saibam como foi que o Mestre deles chegou até esta hora… Depois entendereis. Eis-nos à vista da torre de Davi. A porta Oriental fica lá perto.

– Sairemos por ela?

– Sim, Judas. Em primeiro lugar, vamos a Belém. Ao lugar onde Eu nasci… É bom que o saibais… para dizê-lo aos outros. Isto também faz parte do conhecimento do Messias e da Escritura. Encontrareis as profecias escritas nas coisas, com voz não mais de profecia mas de história. Vamos dar uma volta ao longo das casas de Herodes…

– A velha raposa malvada e luxuriosa.

– Não julgues. Deus é quem julga. Vamos por aquele caminho, por entre estas hortaliças. Pararemos à sombra de uma árvore, perto de alguma casa hospitaleira enquanto o sol estiver quente. Depois, prosseguiremos o nosso caminho.

A visão termina.

Detalhe

Simão, o Zelota, Judas e João conversam sobre os milagres que Jesus faz nos corações e a forma como Cristo os transforma interiormente (72,1-2). Depois, a conversa gira em torno do envio dos discípulos em missão, com João triste por ter de deixar o Mestre e Judas a sonhar com a possibilidade de fazer milagres. Simão, o Zelota, apresenta humildemente o seu ponto de vista e fala da sua própria experiência como leproso (72.3-4).

EMF 73.8-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Judas, vem cá. Eu preciso falar contigo.

Judas se aproxima dele.

– Pega a bolsa. Tu farás as despesas de amanhã.

– E agora, onde iremos hospedar-nos?

Detalhe

Jesus acaba de ser expulso de uma casa em Belém.

EMF 74.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

«Não me desmintas se eu disser algumas coisas… algumas coisas… que não são verdade, é isso.

– Que é que estás querendo dizer? Por que mentir? Eu sou a Verdade, e não quero mentira, nem em Mim, nem em torno a Mim.

– Oh! Eu não direi senão meias mentiras. Direi que estamos todos voltando de lugares distantes, do Egito talvez, e que desejamos ter notícias de amigos queridos. Direi que somos judeus que estamos de volta de um exílio… No fundo, em tudo há um pouco de verdade… e depois, quem está falando sou eu… mentira mais, mentira menos…

– Mas, Judas! Para que enganar?

– Deixa para lá, Mestre! O mundo se rege sobre mentiras. E algumas vezes elas são necessárias. Bem, para fazer-te contente, eu direi só que viemos de longe e que somos judeus. Isto é verdade, são três quartos da verdade. E tu, João, não fales nunca, porque te trairias.

– Eu ficarei calado.»

Detalhe

Judas quer saber mais sobre o massacre dos Inocentes e de Ana, já que Jesus quer ir para lá. Por isso, pede a Cristo que o deixe contar meias mentiras e pede a João que fique calado.

EMF 77.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….

– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.

– Não… mas….

– Mas é assim. Lamento ver-te tão fechado para a Luz e tão preocupado com o que é humano. Não, deixa estar, João, e também tu, Simão. Prefiro que ele fale. Eu não censuro nunca. Só quero abertura de almas, para poder introduzir nelas a luz. Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sor­riso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens ter­renos? E não seria até imprudente?

77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

– Porém tu, bem que te apressaste em tomar posse dos teus bens, depois de teres visto o Mestre e teres sido curado –responde ironicamente Judas.

– É verdade. Eu disse e fiz isso. Mas sabes por que? Como é que podes julgar, se não sabes tudo? O meu agente recebeu ordens claras. Agora que Simão, o Zelote, está curado — e os seus inimigos não podem mais prejudicá-lo segregando-o, nem persegui-lo, porque ele agora é somente de Cristo, e não de nenhuma seita: ele tem Jesus, e basta — pode dispor de seus haveres, que um homem fiel e honesto lhe conservou. E eu, dono deles ainda por uma hora, dei ordens que fossem reformados para receber mais dinheiro na venda, e poder dizer… não, isto eu não digo.

– Os anjos o dizem por ti, Simão, e o escrevem no livro eterno –diz Jesus.

Simão olha para Jesus. E os dois olhares se encontram, um admirado, o outro abençoante.

Detalhe

Contexto: Judas faz uma pergunta a Cristo sobre os pastores. Jesus responde-lhe e dá uma lição aos apóstolos: Simão junta-se à conversa.

Nota: O homem de negócios mencionado por Simão, o Zelota, é certamente Lázaro (ver EMV 84,4-5), que vive muito perto de Simão. Se o apóstolo também recuperou os seus bens, foi para os dar ao seu criado idoso, José de Betânia (ver também EMV 84,4-5).