EMF 169.2
Notas da palavra-chave
Judas de Queriote (apóstolo)
Conforto de leitura
EMF 170.1
O Evangelho como me foi revelado
EMF 171
O Evangelho como me foi revelado
Detalhe
Jesus está ainda nos Cornos de Hattin, continuando o Sermão da Montanha. Em primeiro lugar, o Senhor recorda-nos que não muda um pingo da Lei, porque foi ele próprio que a deu com a Santíssima Trindade. No entanto, Cristo completa-a, sem a sobrecarregar como fazem os homens.
Depois de definir o homem santo, Cristo prossegue dizendo que aquele que seguir um dos menores mandamentos será grande no Reino dos Céus e que aquele que violar um dos Mandamentos será um dos menores no Reino celeste. O Mestre adverte contra a justiça dos fariseus e dos escribas, e também avisa as pessoas para terem cuidado com os falsos profetas.
Na segunda parte, Jesus volta ao tema do amor ao próximo e dá algumas das caraterísticas que encontramos no Evangelho: amar e perdoar, dar a outra face, pensar que é melhor ser atingido do que agredir alguém que não pode suportar, etc. Convida-nos a ser generosos, a dar a nossa túnica para que o nosso irmão não cometa um duplo roubo, se alguém tentar roubar-nos alguma coisa. Por fim, Cristo retoma o ditado: "Olho por olho, dente por dente", substituindo-o pelo amor, e encoraja-nos a sermos perfeitos como o nosso Pai celeste, a não nos zangarmos nem guardarmos rancor contra o nosso próximo, mas a reconciliarmo-nos com ele.
Quando o Mestre termina o seu discurso, Jesus fala de alguém que o odeia e não se atreve a pedir um milagre. Mas quando os seus apóstolos o interrogam, ele diz-lhes que as escamas lhe caíram dos olhos, não do coração.
EMF 172
O Evangelho como me foi revelado
Detalhe
Jesus fala de juramentos, de jejum e de oração. No seu sermão, insiste na dificuldade do homem em ser honesto e nos seus falsos juramentos: demasiadas vezes, o homem é um perjuro, e aquele que exige um juramento não tem, ele próprio, muita confiança no seu próximo. Quando fazemos um juramento e juramos algo, invocando aquilo que nos é mais caro, estamos a enganar o nosso próximo: somos ladrões, sacrílegos, traidores e assassinos. Mas não enganamos Deus, que é a própria Verdade. Por isso, Jesus encoraja as pessoas a não fazerem juramentos falsos, como no Evangelho, e ordena aos outros que não jurem sobre os mortos, nem sobre o chefe da nossa família, nem sobre o nosso corpo, que pertence a Deus. Que o nosso sim seja um sim e o nosso não seja um não.
Em seguida, Cristo insiste na oração do coração, onde procuramos não ser notados e onde não somos dominados por escrúpulos. Temos de deixar de contar o número de horas que passamos em oração: não são tanto as orações sem alma que contam, mas sim os actos e as palavras ditas com amor. Jesus disse que podemos fazer tudo rezando: seja fazer um pão, seja fazer o nosso trabalho, desde que procuremos amar em tudo. Também não devemos ter medo de pedir, porque Deus é um Pai que cuida de nós e das nossas necessidades.
De seguida, o Mestre explica porque é que Deus pode não responder à nossa oração. Ele pode recusar-nos um favor porque isso nos vai prejudicar no futuro. Por isso, às vezes, Deus diz: "Não posso", porque, na sua Sabedoria, vê que essa graça, que nos parece boa agora, nos seria prejudicial mais tarde.
Por fim, Jesus aplica ao jejum o que diz sobre a oração: não devemos exibir-nos em público nem ficar tristes, mas sim estar alegres e agir como se tivéssemos comido bem. Esconder este jejum dos outros será um ato de heroísmo e Deus recompensar-nos-á por não procurarmos o elogio dos homens. Além disso, quem jejua por amor alimenta-se de amor.
O Salvador manda então embora as pessoas que estão a ouvir e acolhe dois pobres. Um deles é Ismael, um homem rejeitado pela filha que quer fazer a sua última Páscoa; o outro é uma mulher chamada Sarath que está doente. Ele cura Sarat e Jesus pede-lhe que cuide do velho. Cristo pergunta então a Simão, o Zelota, se pode confiá-los a Lázaro, uma vez que são dois homens pobres que nada têm, e Lázaro garante-lhe que sim. O episódio termina com o velho feliz por ter adotado uma nova filha e por ter encontrado um novo protetor.
EMF 174.2 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
O povo aflui sem parar. Sobem de todos os lados: velhos, sadios, doentes, crianças, esposos, que pensam em iniciar as suas vidas com as bênçãos da Palavra de Deus, mendigos, pessoas de bem, que chamam os apóstolos para dar-lhes suas ofertas para aqueles que nada têm e parece que se confessam, pois procuram um lugar escondido para isto. Tomé apanhou um dos sacos de viagem, despejando nele tranquilamente todo esse tesouro de moedas, como se fosse comida para os frangos e vai levar tudo para perto da pedra na qual Jesus está falando. Dá uma de suas alegres risadas, dizendo:
– Alegra-te, Mestre! Hoje há para todos!
Jesus sorri, e diz:
– Vamos começar logo, a fim de que os que estão tristes fiquem logo felizes. Tu e teus companheiros separai os doentes e os pobres e trazei-os aqui para a frente.
Isto acontece em um tempo relativamente curto, pois é preciso verificar os diversos casos, e duraria muito tempo, sem a ajuda de Tomé que, com a sua voz potente, de pé, de cima de uma pedra para poder ser visto, grita:
– Todos aqueles que têm sofrimento no corpo fiquem à minha direita, lá onde há sombra.
O Iscariotes o imita, também ele dotado de uma voz não comum em potência e beleza que, por sua vez, grita:
– E todos os que acham que têm direito à esmola, venham aqui, a minha volta. E cuidai bem de não mentir, porque os olhos do Mestre lêem nos corações.
A multidão põe-se em movimento, para dividir-se assim em três partes: os que estão doentes, os que são pobres e os que somente desejam a doutrina.
EMF 174.2-5.8 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
A multidão põe-se em movimento, para dividir-se assim em três partes: os que estão doentes, os que são pobres e os que somente desejam a doutrina.
Mas, entre estes últimos, primeiro dois e depois três, parecem ter necessidade de alguma coisa, que não é a saúde nem o dinheiro, mas, é mais necessária do que estas coisas. Uma mulher e dois homens. Olham, olham para os apóstolos e não ousam falar. (...)
Jesus está inclinado sobre os doentes, e os hosanas da multidão festejam cada milagre. Uma mulher, que parece estar sofrendo muito, ousa puxar João pela veste, enquanto ele está conversando alegremente com André. Ele se inclina e pergunta:
– Que queres, mulher?
– Desejaria falar com o Mestre…
– Tens alguma doença? Pobre não és…
– Não tenho doença e não sou pobre. Mas estou precisando dele… porque existem doenças sem febre e misérias sem pobreza. E a minha… a minha… –e chora.
– Escuta, André. Esta mulher tem um sofrimento em seu coração e desejaria ir dizê-lo ao Mestre. Como faremos?
André olha para a mulher, e diz:
– Certamente é alguma coisa que faz sofrer ao revelar-se…
A mulher faz com a cabeça o sinal que sim. Então, André continua:
– Não chores… João, procura levá-la atrás da nossa tenda. Eu levarei o Mestre até lá.
João, com seu sorriso, pede que abram caminho para ele poder passar, enquanto André vai na direção oposta, para Jesus. Aqueles movimentos deles são observados por dois homens aflitos, e um deles parou João e o outro André e, pouco depois, tanto um como o outro estão juntos com João e com a mulher detrás do tapume de ramos que serve de parede para a tenda.
André alcança Jesus, no momento em que este está curando um aleijado, que levanta as muletas como dois troféus, ágil como um bailarino, apregoando a sua bênção. André sussurra:
– Mestre, lá atrás do nossa tenda, há três que estão chorando. Mas o mal deles é do coração, e não pode ser conhecido por outros…
– Está bem. Tenho ainda esta menina e esta mulher. Depois irei. Vai dizer-lhes que tenham fé.
André vai (...).
Os doentes já foram todos atendidos, e são eles que gritam com mais força no meio daquela multidão que aplaude ao “Filho de Davi, glória de Deus e nossa.”
Jesus vai agora para a tenda.
Judas de Keriot grita:
– Mestre, e estes?
Jesus se vira, e diz:
– Esperem onde estão. Eles também serão consolados.
Com passos rápidos, se dirige para trás do tapume, ao lugar onde estão, André e João e os sofredores. [Cristo ouve estas três pessoas, que saem satisfeitas.]
Jesus se volta para a multidão, para os pobrezinhos, e distribui as esmolas segundo as suas próprias medidas. Agora todos estão contentes, e Jesus pode falar.
EMF 174.11 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
A multidão está sentada, uns na relva, outros sobre grandes pedras ou estão em pé. O colégio Apostólico não está completo. Vejo Pedro e André, João e Tiago e escuto chamar os outros dois, Natanael e Filipe. Há também um outro, que não é do grupo. Talvez tenha chegado por último. Chamam-no Simão. os outros não estão aqui. A não ser que eu não os esteja enxergando por causa da grande multidão.
Anotação
Ao contrário do que parece, este comentário é perfeitamente coerente: João, Tiago, Pedro e André foram "vistos" em 25 de fevereiro de 1944. A visão do encontro com Natanael e Filipe teve lugar a 13 de outubro de 1944, dois meses após a cena aqui descrita, e a de Simão, o Zelota, a 26 de outubro de 1944.
EMF 174.16 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Iscariotes ficou num canto pensativo. Jesus o chama. Chama três vezes, porque ele não ouvia. Finalmente, se vira:
– Precisas de mim, Mestre? –pergunta.
– Sim. Vai tu também tomar a tua refeição e ajudar os companheiros.
– Eu não estou com fome. Nem Tu estás.
– Nem Eu. Mas por motivos opostos. Estás perturbado, Judas?
– Não, Mestre. Estou cansado…
– Agora vamos para o lago e depois para a Judeia, Judas. E também à casa de tua mãe. Eu te prometi…
Judas se reanima.
– Irás mesmo comigo sozinho?
– É lógico. Procura querer-me bem, Judas. Eu desejaria que o meu amor estivesse em ti, a ponto de te preservar de todo mal.
– Mestre… eu sou um homem. Não sou um anjo. Tenho momentos de cansaço. Será pecado ter necessidade de dormir?
– Não, contanto que durmas sobre o meu peito. Olha o povo como está feliz, e como a paisagem aqui é alegre. A Judeia deve estar muito bonita tambémeia agora na primavera.
– Belíssima, Mestre, somente que lá, nas montanhas, que são mais altas que aqui, a primavera chega mais tarde. Há flores belíssimas. Os pomares são um esplendor. O meu, que é o cuidado especial da minha mãe, é um dos mais belos. Quando ela caminha nele, com os pombos correndo atrás para ganharem grãos, podes crer que, só o ver isto já nos faz ficar com o coração sereno.
– Eu creio. Se minha mãe não estiver cansada demais, Eu gostaria de levá-la à casa da tua. Elas iriam gostar uma da outra, porque as duas são boas.
Judas, seduzido por esta ideia , fica sereno e, esquecendo-se de “não estar com fome e de estar cansado”, corre até os companheiros, rindo de alegria e, como é alto, desata os nós mais altos sem se cansar, e comendo o seu pão com azeitonas, alegre como uma criança. Jesus o olha com compaixão e depois se encaminha onde estão os apóstolos.
Detalhe
Maria Madalena irrompe no Monte das Bem-Aventuranças. Nessa altura, era uma grande pecadora. Depois de Jesus lhe ter falado, ela saiu furiosa. Depois do seu discurso, Jesus foi ter com Judas.
Anotação
Prometi-te: Recordação da promessa feita a Judas em EMV 139.1.
Só que, lá nas montanhas, que são mais altas do que aqui, a primavera chega mais tarde. Exatamente: a diferença é de 3 ou 4 semanas.
Se a minha mãe não estiver muito cansada, terei muito gosto em levá-la à sua. Iriam gostar uma da outra, porque são ambas boas pessoas. Jesus quer associar as duas mães que vão ter de sofrer tanto.
EMF 175.3.5 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
O povo se aproxima do Mestre, apertando-o em um círculo que não se quer abrir de modo nenhum. Nesse ínterim, o sol já se pôs e começa o repouso sabático. Os povoados estão longe. Mas as pessoas não estão sentindo falta dos povoados, nem dos alimentos, de nada. Quem se preocupa com tudo são os apóstolos e vão dizê-lo a Jesus. Até os discípulos mais velhos estão pensativos. Há mulheres, há crianças, e mesmo se a noite não estiver fria e a erva dos prados estiver macia, ainda assim as estrelas não são pães, nem as pedras dos córregos servem de alimento.
Jesus é o único que não se preocupa. Enquanto isso, o povo está comendo o que tinha, como se nada de anormal estivesse acontecendo. Jesus chama a atenção dos seus sobre isso:
– Em verdade, Eu vos digo que esta gente é mais do que vós! Vede com que despreocupação acabam com tudo. Pois Eu disse a eles: “Quem não for capaz de acreditar que amanhã Deus dará alimento aos seus filhos, que se retire”, mas estes permaneceram aqui. E Deus não irá desmentir o seu Messias, nem decepcionará a quem espera n’Ele.
Os apóstolos encolhem os ombros e não cuidam de mais nada. (...)
[O escriba João veio em seu auxílio e Jesus disse:]
– E agora, que é que Eu vos devo dizer pela vossa incredulidade? Não é verdade que o Pai colocou para nós todos um pão nas mãos de alguém que, pela casta a que pertence, vem a ser meu inimigo? Oh! homens de pouca fé!… Ide agora para o meio dos fenos macios, ide dormir. Eu vou rezar ao Pai para que vos abra os corações, e agradecer-lhe por sua bondade. A paz esteja convosco.
Detalhe
Embora nenhum deles seja especificamente nomeado, os Doze estão presentes neste capítulo. Perante a sua falta de fé e de confiança na Providência do Pai para alimentar a multidão, Jesus diz-lhes isto em EMV 175.5, depois de o escriba João ter vindo em seu auxílio.
Palavras-chave
- André (apóstolo)
- Bartolomeu - Natanael (apóstolo)
- Deus Pai
- Filipe (apóstolo)
- João de Zebedeu (apóstolo)
- Judas de Alfeu (apóstolo)
- Judas de Queriote (apóstolo)
- Mateus (apóstolo)
- Os Doze
- Simão, o Zelote (apóstolo)
- Simão-Pierre - Simão de Jonas (apóstolo)
- Tiago de Alfeu (apóstolo)
- Tiago de Zebedeu (apóstolo)
- Tomé (apóstolo)
EMF 176.1-2 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Jesus naquela noite tornou a subir para a montanha e afastou-se um pouco, de sorte que, ao romper da aurora, já podia ser visto de pé no alto de um barranco. Pedro, ao vê-lo, aponta aos seus companheiros que então sobem ao seu encontro.
– Mestre, por que não vieste conosco? –perguntam alguns.
– Eu tinha necessidade de rezar.
– Mas tens também muita necessidade de repousar.
– Meus amigos, de noite uma voz veio do céu pedindo oração pelos bons, pelos maus e também por Mim mesmo.
– Por quê? Tens necessidade disso?
– Como os outros. A minha força se nutre de oração e a minha alegria de fazer o que o meu Pai quer. O pai me falou de dois nomes de pessoas e de uma dor para Mim. Estas três coisas têm muita necessidade de oração.
Jesus está muito triste e olha para os seus com olhos que parecem pedir ou perguntar. Seus olhos pousam sobre várias coisas, mas, enfim, pousam sobre Judas Iscariotes, em quem param.
O apóstolo nota isso, e pergunta:
– Por que olhas assim para mim?
– Eu não te via. Meus olhos estavam vendo outra coisa…
– O que é?
– A natureza do discípulo. Todo o bem e todo o mal que um discípulo pode fazer a seu Mestre. Eu estava pensando nos discípulos dos Profetas e de João. Pensava também nos meus próprios. E rezava por João, pelos discípulos e por Mim…
– Estás triste e cansado esta manhã, Mestre. Conta as tuas aflições a quem Te ama –lhe diz Tiago de Zebedeu.
– Sim, conta-o, se houver alguma coisa que possamos fazer para aliviar-te, nós o faremos –diz-lhe Judas, seu primo.
Pedro está falando com Bartolomeu e Filipe, mas eu não entendo o que eles estão dizendo.
Jesus responde:
– Que sejais bons. Esforçai-vos para serdes bons e fiéis. Este é o meu consolo. Não há nenhum outro, Pedro. Entendeste? Deixa de lado as suspeitas. Procurai querer-me bem e querer-vos bem, não vos deixeis seduzir pelos que me odeiam, procurai principalmente querer bem à vontade de Deus.
– Eh! Mas, se tudo vem dela, também os nossos erros dela virão
–exclama Tomé com ar de filósofo.
– Achas que é assim? Mas não é.
176.2
Muita gente já se levantou, e está olhando para cá. Vamos descer. E vamos santificar o dia santo com a palavra de Deus.
Palavras-chave
- André (apóstolo)
- Bartolomeu - Natanael (apóstolo)
- Filipe (apóstolo)
- Jean-Baptiste
- João de Belém (pastor da Natividade)
- João de Zebedeu (apóstolo)
- Judas de Alfeu (apóstolo)
- Judas de Queriote (apóstolo)
- Mateus (apóstolo)
- Matias (pastor da Natividade - antigo Tobias de Belém)
- O sofrimento e a dor de Jesus Cristo
- Omnisciência de Jesus
- Oração de Jesus Cristo
- Os Doze
- Simeão de Belém (pastor da Natividade)
- Simão, o Zelote (apóstolo)
- Simão-Pierre - Simão de Jonas (apóstolo)
- Tiago de Alfeu (apóstolo)
- Tiago de Zebedeu (apóstolo)
- Tomé (apóstolo)