EMF 166.7
O Evangelho como me foi revelado
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Jesus está ainda nos Cornos de Hattin, continuando o Sermão da Montanha. Em primeiro lugar, o Senhor recorda-nos que não muda um pingo da Lei, porque foi ele próprio que a deu com a Santíssima Trindade. No entanto, Cristo completa-a, sem a sobrecarregar como fazem os homens.
Depois de definir o homem santo, Cristo prossegue dizendo que aquele que seguir um dos menores mandamentos será grande no Reino dos Céus e que aquele que violar um dos Mandamentos será um dos menores no Reino celeste. O Mestre adverte contra a justiça dos fariseus e dos escribas, e também avisa as pessoas para terem cuidado com os falsos profetas.
Na segunda parte, Jesus volta ao tema do amor ao próximo e dá algumas das caraterísticas que encontramos no Evangelho: amar e perdoar, dar a outra face, pensar que é melhor ser atingido do que agredir alguém que não pode suportar, etc. Convida-nos a ser generosos, a dar a nossa túnica para que o nosso irmão não cometa um duplo roubo, se alguém tentar roubar-nos alguma coisa. Por fim, Cristo retoma o ditado: "Olho por olho, dente por dente", substituindo-o pelo amor, e encoraja-nos a sermos perfeitos como o nosso Pai celeste, a não nos zangarmos nem guardarmos rancor contra o nosso próximo, mas a reconciliarmo-nos com ele.
Quando o Mestre termina o seu discurso, Jesus fala de alguém que o odeia e não se atreve a pedir um milagre. Mas quando os seus apóstolos o interrogam, ele diz-lhes que as escamas lhe caíram dos olhos, não do coração.
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Jesus fala de juramentos, de jejum e de oração. No seu sermão, insiste na dificuldade do homem em ser honesto e nos seus falsos juramentos: demasiadas vezes, o homem é um perjuro, e aquele que exige um juramento não tem, ele próprio, muita confiança no seu próximo. Quando fazemos um juramento e juramos algo, invocando aquilo que nos é mais caro, estamos a enganar o nosso próximo: somos ladrões, sacrílegos, traidores e assassinos. Mas não enganamos Deus, que é a própria Verdade. Por isso, Jesus encoraja as pessoas a não fazerem juramentos falsos, como no Evangelho, e ordena aos outros que não jurem sobre os mortos, nem sobre o chefe da nossa família, nem sobre o nosso corpo, que pertence a Deus. Que o nosso sim seja um sim e o nosso não seja um não.
Em seguida, Cristo insiste na oração do coração, onde procuramos não ser notados e onde não somos dominados por escrúpulos. Temos de deixar de contar o número de horas que passamos em oração: não são tanto as orações sem alma que contam, mas sim os actos e as palavras ditas com amor. Jesus disse que podemos fazer tudo rezando: seja fazer um pão, seja fazer o nosso trabalho, desde que procuremos amar em tudo. Também não devemos ter medo de pedir, porque Deus é um Pai que cuida de nós e das nossas necessidades.
De seguida, o Mestre explica porque é que Deus pode não responder à nossa oração. Ele pode recusar-nos um favor porque isso nos vai prejudicar no futuro. Por isso, às vezes, Deus diz: "Não posso", porque, na sua Sabedoria, vê que essa graça, que nos parece boa agora, nos seria prejudicial mais tarde.
Por fim, Jesus aplica ao jejum o que diz sobre a oração: não devemos exibir-nos em público nem ficar tristes, mas sim estar alegres e agir como se tivéssemos comido bem. Esconder este jejum dos outros será um ato de heroísmo e Deus recompensar-nos-á por não procurarmos o elogio dos homens. Além disso, quem jejua por amor alimenta-se de amor.
O Salvador manda então embora as pessoas que estão a ouvir e acolhe dois pobres. Um deles é Ismael, um homem rejeitado pela filha que quer fazer a sua última Páscoa; o outro é uma mulher chamada Sarath que está doente. Ele cura Sarat e Jesus pede-lhe que cuide do velho. Cristo pergunta então a Simão, o Zelota, se pode confiá-los a Lázaro, uma vez que são dois homens pobres que nada têm, e Lázaro garante-lhe que sim. O episódio termina com o velho feliz por ter adotado uma nova filha e por ter encontrado um novo protetor.
EMF 173.1.5 · Volume 3
Pedro diz alguma coisa a Jesus, que lhe faz um sinal, como se estivesse dizendo: “Não tem importância.” Mas eu não compreendo o que é que o apóstolo está dizendo. Ele está perto de Jesus, ao qual vêm unir-se depois também Judas Tadeu e Mateus. Os outros estão espalhados pelo meio da multidão.
[Jesus ensina a multidão a agir em segredo, para não receber elogios dos homens. Ele quer que façamos os nossos actos de caridade e as nossas esmolas e depois esqueçamos que os fizemos, para não nos enchermos de orgulho].
Esquecei-vos disso. Até do ato em si mesmo, esquecei-vos. Estará sempre presente uma luz, uma voz, um mel, e vos tornará o dia luminoso, doce e feliz. Porque aquela luz será o sorriso de Deus, aquele mel será paz espiritual, que também é Deus, e aquela voz é a voz de Deus-Pai que vos dirá “Obrigado.” Ele vê o mal oculto e vê o bem escondido, e vos dará a recompensa, Eu vo-lo…
– Mestre, Tu estás mentindo, com estas palavras!
O insulto, odiento e repentino, vem lá do centro da multidão. Todos se viram para o lado de onde veio aquela voz. Cria-se uma grande confusão.
Pedro diz:
– Bem que eu te havia dito! Quando há um deles no meio… nada mais corre bem!
EMF 173.6 · Volume 3
Ontem recebi mais do que tudo que me foi dado por todos aqueles que têm, de alguém que não tem nada.. É um amigo tão pobre como Eu. Ele me deu uma coisa que não se compra com nenhuma moeda, e me fez feliz, fazendo-me lembrar das horas serenas de minha infância e juventude, quando, cada tarde, sobre minha cabeça se impunham as mãos do Justo, e Eu ia descansar com sua bênção, que ficava guardando o meu sono. Ontem este meu amigo pobre me fez rei, com a sua bênção. Vede que o que ele me deu nenhum dos meus amigos ricos nunca me deu. Por isso, não tenhais medo. Mesmo se não tiverdes o poder do dinheiro, contanto que tenhais amor e santidade, podereis fazer o bem a quem é pobre e está cansado ou aflito.