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Notas do tema

Família e parentesco de Jesus Cristo

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EMF 52.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

52.5 Jesus sobe ao lado da mãe, seguido pelos discípulos e pelos donos da casa, e entra na sala do banquete onde as mulheres estão atarefadas em colocar os assentos e os pratos para os três hóspedes, inesperados, ao que me parece. Eu diria que a vinda de Jesus era incerta e que a de seus companheiros era absolutamente imprevista.

Ouço distintamente a voz cheia, viril e dulcíssima do Mestre, dizer, ao entrar na sala:

– A paz esteja nesta casa, e a bênção de Deus sobre todos vós.

É uma saudação coletiva a todos os presentes e cheia de majestade.

Jesus, com seu aspecto e sua estatura, domina todos os outros. É um hóspede, fortuito, mas parece o rei do banquete, mais do que o esposo, mais do que o dono da casa. Ainda que humilde e condescendente, é aquele que se impõe.

Jesus toma um lugar à mesa do centro, com o noivo, a noiva, os parentes dos noivos e os amigos mais influentes. Os dois discípulos, por respeito ao Mestre, são convidados a sentar-se à mesma mesa.

Detalhe

Jesus está no casamento em Caná.

EMF 52.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O banquete começa. Eu vos asseguro que apetite não falta, nem sede. Aqueles que pouco se sobressaem são Jesus e sua mãe, a qual, além disso, fala muito pouco. Jesus fala um pouco mais. Mas, ainda que seja comedido em suas palavras, não é, no seu escasso falar, nem car­rancudo nem desdenhoso. É um homem cortês, mas não um conversador. Quando é interrogado, responde; se alguém fala com Ele, Ele se interessa, dá o seu parecer, mas depois se recolhe, como alguém habituado a meditar. Sorri, não ri nunca. E, se ouve alguma brincadeira muito leviana, faz como se não a tivesse ouvido. Maria se alimenta na contemplação do seu Jesus, e assim também João, que está na ponta da mesa, atento aos lábios do seu Mestre.

Detalhe

Comportamento e carácter de Jesus e Maria nas bodas de Caná.

EMF 52.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse[3] isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

Detalhe

Objeção levantada: O "daqui em diante" não se encontra no Evangelho.

Notas da segunda edição sobre a passagem *Este doravante que muitos tradutores deixam passar em silêncio: ao traduzir as palavras que se lêem em Jo 2,4.

EMF 52.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me instrui assim:

– Quando Eu disse aos discípulos: “Vamos fazer feliz minha mãe”, Eu tinha dado àquela frase um sentido mais alto do que o que parecia. Não a felicidade de me ver, mas de ser ela a iniciadora de minha atividade de fazer milagres e a primeira benfeitora da humanidade. Lembrai-vos disso sempre. O meu primeiro milagre aconteceu por causa de Maria. O primeiro. Sinal de que Maria é a chave dos milagres. Eu não recuso nada à minha mãe, e pela sua oração antecipo também o tempo da graça. Eu conheço minha mãe, a segunda em bondade depois de Deus. Eu sei que conceder-vos uma graça é fazê-la feliz, porque ela é a Toda Amor. Eis porque Eu disse, Eu que tudo sabia: “Vamos fazê-la feliz.”

Além disso, Eu quis manifestar o seu poder ao mundo, junto com o meu. Destinada a ser unida a Mim na carne — pois nós fomos uma só carne: Eu nela, e ela ao redor de Mim, como as pétalas de um lírio ao redor do pistilo perfumado e cheio de vida —; unida a Mim na dor, porque estivemos sobre a cruz: Eu com a carne e ela com seu espírito, assim como o lírio exala perfume com sua corola e com a essência extraída dela, era justo que estivesse unida a Mim no poder que se mostra ao mundo.

Digo a vós o que Eu disse àqueles convidados: “Agradecei a Maria. Foi por ela que tivestes o dom dos milagres e as minhas graças, e especialmente as do perdão.”

Repousa em paz. Nós estamos contigo.

EMF 54.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

54.6 – Mestre, por que é que o teu primo, mesmo sabendo onde moras, não veio?

– Ah! Meu Pedro!… Tu serás uma das minhas pedras, a primeira. Mas nem todas as pedras são fáceis de se usar. Já viste os mármores do palácio pretório? Arrancados, com muito trabalho, do seio das montanhas, agora fazem parte do Pretório. Por outro lado, olha aquelas pedras, que estão brilhando lá longe à luz do luar, por entre as águas do Cedron. Elas vieram por si mesmas para o leito do rio e se alguém as quiser, elas logo se deixam levar. O meu primo é como as primeiras pedras da qual falo… O seio do monte, a família, o disputa Comigo.

– Mas eu quero ser em tudo como as pedras do Cedron. Por Ti, estou pronto a deixar tudo: casa, esposa, pesca, irmãos. Tudo, Rabi, por Ti.

– Eu sei, Pedro. Por isto Eu te amo.

EMF 54.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Em Caná, era a alegria que à minha mãe devia ser dada. Caná é a antecipação que se deve à minha mãe. Ela é a antecipadora da Graça. Aqui Eu presto honra à Cidade santa, fazendo dela publicamente o lugar do início do meu poder de Messias. Mas lá, em Caná, Eu prestava honra à santa de Deus, à toda santa. O mundo me tem por meio dela. É justo que para ela seja feito o meu primeiro prodígio no mundo.

EMF 55.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

55.6 Incidentalmente faço notar que o meu monitor interior me disse, desde ontem à tarde, quando eu estava vendo o leproso: “É Simão, o apóstolo. Verás a vinda dele e a de Tadeu ao Mestre.” Esta manhã, depois da Comunhão (é sexta-feira), eu abro o missal e vejo que justamente hoje é a vigília da festa dos Santos Simão e Judas, e o Evangelho de amanhã fala sobre a caridade quase repetindo as palavras ouvidas por mim, antes, na visão. Mas Judas Tadeu, por enquanto, não o vi.

EMF 56

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Perto do vau do Jordão, Maria vê Tomé, Judas de Alfeia e Simão, o Zelota. Há três dias que esperam por Jesus neste local e Judas garante-lhes que, se o primo prometeu encontrá-los aqui, assim o fará. Judas fala da sua relação com Jesus, explicando que ele é seu primo, que era o preferido de José e que cresceu muito perto da Virgem Maria. O homem de Nazaré também fala das divisões na sua família, mas agora quer seguir Cristo. O seu único arrependimento é o facto de os pais poderem ser inimigos dos filhos. Simão, o Zelota, suspira com esta observação, mas Tomé revela que o seu pai o encorajou a seguir o Messias.

Jesus chega finalmente. Judas revela então a sua intenção de seguir o seu Mestre, e Cristo acolhe-o: confirma-lhe também que é de facto permitido seguir o Senhor, pois "nada há acima de Deus".

Depois de felicitar Tomé pela sua obediência e fidelidade, Jesus dirige a sua atenção a Simão, o Zelota. Pede-lhe que o siga e os dois conversam sobre a sua família, o seu pai e a doença de que tinha sido vítima. O Mestre une então Simão, o Zelota, e Judas, um sem filhos devido à sua doença, o outro tendo perdido o pai ao seguir o Senhor. Para já, porém, deu a cada um deles uma missão. Tomé devia evangelizar na Judeia. Judas devia evangelizar Nazaré. Pedro, Tiago, João, André, Filipe e Bartolomeu voltaram para os seus barcos, para Cafarnaum e Betsaida.

EMF 56.2-4

O Evangelho como me foi revelado

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56.2 Três viajantes estão parados nesta volta da estrada bem no meio da curva. Estão olhando para baixo e para cima, para o sul, onde está Jerusalém e para o norte, onde fica a Samaria. Perscrutam entre a colunata das árvores, para ver se chega alguém que estão esperando. São eles Tomé, Judas Tadeu e o leproso curado. Estão conversando.

– Não estás vendo nada?

– Eu não.

– Nem eu.

– No entanto este aqui é o lugar.

– Tens certeza disso?

– Toda certeza, Simão. Um dos seis me disse enquanto o Mestre se afastava entre as aclamações da multidão, depois do milagre de um aleijado que pedia esmola, que foi curado junto à porta dos Peixes: “Nós agora vamos para fora de Jerusalém. Espera-nos a cinco milhas entre Jericó e Doco, na curva do rio, ao longo da rua arborizada.” É esta. Disse também: “Lá nós estaremos dentro de três dias, ao romper do dia.” Já é o terceiro dia, e a quarta vigília nos apanhou aqui.

– Ele virá? Talvez teria sido melhor segui-lo, a partir de Jerusalém.

– Não podias ainda andar por entre a multidão, Simão.

– Se meu primo disse que vem até aqui, até aqui virá. Ele cumpre sempre o que promete. É só esperar.

56.3 – Tu sempre estiveste com Ele?

– Sempre. Desde quando Ele voltou a Nazaré foi para mim um bom companheiro. Sempre estivemos juntos. Somos da mesma idade, sendo eu um pouco mais velho. Além disso, dos meus irmãos eu era o preferido do pai Dele, irmão de meu pai. Também a mãe me queria muito bem. Eu cresci mais com ela do que com minha mãe.

– Ela te queria… Então agora não te quer mais o mesmo bem?

– Oh! Sim. Mas nós temos estado um pouco divididos desde que Ele se fez profeta. Meus parentes não gostam disso.

– Quais parentes?

– Meu pai e os dois filhos mais velhos. O outro está titubeante… Meu pai está muito velho e não tive coragem de irritá-lo. Mas agora… agora, não mais. Agora eu vou onde o coração e a mente me levam. Vou a Jesus. Creio que não ofendo a Lei fazendo assim. Mas já… se não fosse justo o que eu quero fazer Jesus me diria. Eu farei o que Ele disser. É lícito a um pai criar obstáculos a um filho no caminho do bem? Se eu sinto que ali está a salvação, por que impedir-me de tê-la? Por que os pais, às vezes, são nossos inimigos?

Simão suspira, como quem se lembra de coisas tristes e inclina a cabeça, mas não fala.

É Tomé quem responde:

– Eu já superei esse obstáculo. Meu pai me ouviu e me compreendeu. Ele me abençoou dizendo: “Vai. Que esta Páscoa seja para ti a libertação da escravidão de uma expectativa. Feliz de ti que podes crer. Eu espero. Mas, se for Ele mesmo, e ao segui-lo perceberes que é, vem dizer ao teu velho pai: ‘Vem. Israel já tem o Esperado’.”

– És mais feliz do que eu. E dizer que nós temos vivido ao seu lado!… E não cremos, logo nós da família!… E dizemos, ou melhor, eles dizem: “Ele perdeu o juízo!”

56.4 – Olhai, lá vem um grupo de pessoas –grita Simão–. É Ele, é Ele! Reconheço a sua cabeça loira! Oh! Vinde. Vamos correr!

E põem-se a caminhar em passos rápidos para o sul. Agora que o alto do arco foi alcançado, as árvores escondem o resto da rua, de modo que os dois grupos se encontram quase de frente quando menos esperam. Jesus parece estar subindo do rio, porque está entre as árvores da margem.

– Mestre!

– Jesus!

– Senhor!

Os três gritos do discípulo, do primo e do curado ressoam cheios de adoração e de festiva acolhida.

– Paz a vós!

Eis a bonita, inconfundível voz, cheia, sonora, tranqüila, expressiva, clara, viril, doce e incisiva.