EMF 53.1
O Evangelho como me foi revelado
Citação
53.1 Vejo Jesus que vai entrando no recinto do Templo, com Pedro, André, João, Tiago, Filipe e Bartolomeu.
Detalhe
Os seguintes apóstolos estiveram presentes na primeira purificação do Templo.
Notas do tema
Conforto de leitura
EMF 53.1
53.1 Vejo Jesus que vai entrando no recinto do Templo, com Pedro, André, João, Tiago, Filipe e Bartolomeu.
Os seguintes apóstolos estiveram presentes na primeira purificação do Templo.
EMF 53.4
53.4 Jesus está terrível. Parece o arcanjo posto à porta do Paraíso perdido. Não tem espada flamejante na mão, mas tem raios em seus olhos e com eles fulmina os escarnecedores e os sacrílegos. Na mão não tem nada. Só a sua santa ira. E com esta, caminhando rápido e com imponência por entre as bancas, esparrama as moedas que estavam cuidadosamente empilhadas conforme os seus valores; vira mesas e mesinhas; tudo vai caindo, com estrondo, ao chão, entre um grande barulho de metais ricocheteando, de madeiras que se batem percutindo e gritos de ira, de susto e de aprovação. Depois, arrancando das mãos dos que cuidam dos animais, as cordas com que eles prendiam os bois, as ovelhas e cordeiros em seus lugares, faz com elas um açoite bem duro, cujos nós, que formam os laços corrediços, se transformam em flagelos. Levanta-o, gira e abaixa, sem piedade. Sim, vos asseguro: sem piedade.
Aquela saraivada imprevista golpeia cabeças e costas. Os fiéis se afastam, admirados da cena; os culpados são perseguidos até o muro externo e põem-se a correr, deixando no chão o dinheiro e atrás de si os animais grandes e pequenos, numa grande confusão de pernas, de chifres e de asas; uns correm, outros voam indo embora; mugidos, balidos, arrulhos de pombos e rolas, junto a risadas e gritos dos fiéis, que vão atrás dos usurários em fuga, superam até o lamentoso coro dos cordeiros que certamente estão sendo degolados em algum outro pátio.
Primeira purificação do Templo.
EMF 53.5
53.5 Chegam correndo os sacerdotes, com os rabinos e os fariseus. Jesus está ainda no meio do pátio, de volta da sua perseguição. O açoite está ainda em sua mão.
– Quem és tu? Como tomas a liberdade de fazer isso, perturbando as cerimônias prescritas? De qual escola provéns? Nós não te conhecemos nem sabemos quem és.
– Eu sou Aquele que posso. Tudo Eu posso. Desmanchai este Templo que Eu o erguerei de novo para dar louvores a Deus. Eu não perturbo a santidade da Casa de Deus e das cerimônias, mas vós a perturbais, permitindo que sua morada se torne sede de usurários e vendedores. Minha escola é a escola de Deus. A mesma que teve todo Israel pela boca do Eterno que falava a Moisés. Vós não me conheceis? Me conhecereis. Não sabeis de onde Eu venho? Vós o sabereis.
Jesus acaba de expulsar os mercadores do Templo e chegam os sacerdotes.
EMF 54
Jesus está no olival do Getsémani. O dono da casa - Jonas - diz a Cristo que estão à sua espera três homens, entre os quais um que deve estar doente e um leproso. Jesus dirige-se primeiro a este último: é Simão, o Zelota, que lhe pede a cura. O Salvador concede-lhe o seu desejo e o futuro apóstolo fica completamente curado. De seguida, dirige-se aos dois recém-chegados: Judas de Keroth e Tomé. O primeiro queria ardentemente seguir o Salvador, para partilhar a sua glória "segundo o céu". Mas Jesus pede-lhe que pense bem no assunto e recusa aceitá-lo de imediato. Pensa que ele é impulsivo e não acredita na sua constância. Jesus pede-lhe então para discernir bem e diz-lhe que estará no Templo para o Pentecostes. Tomé, por seu lado, também quer segui-lo, mas fica assustado com as palavras ditas a Judas. Jesus tranquiliza-o, dizendo-lhe que a presunção leva à ruína, mas que o medo, associado à humildade, pode ser uma ajuda. Sugere-lhe que reflicta e, depois, quando o discípulo se vai embora, Jesus explica a João e aos outros por que razão fez a diferença entre os dois discípulos. Nesse sentido, Tomé é mais perfeito, porque quer segui-lo por amor e não por desejo de glória humana. Todos os discípulos presentes afirmam então que amam Jesus e, quando perguntam se são perfeitos, Jesus explica que só Deus é perfeito, mas que eles se tornarão perfeitos se persistirem na sua vontade de amar.
Depois de falar da sua natureza de Verbo de Deus e da sua perfeição de Homem-Deus, Jesus descreve-se a si próprio como o Filho do Homem. De seguida, responde à pergunta de Pedro sobre a ausência de Judas e responde à pergunta de André sobre a razão pela qual fez um milagre em Caná e não na sua terra natal. O Senhor menciona também a sua Mãe.
Por fim, Cristo acolhe Dídimo, que voltou a percorrer os seus passos, e assim acolhe Tomé entre os seus discípulos.
EMF 54.1
54.1 Jesus está junto aos seus seus discípulos. Tanto no outro dia, como hoje, não vejo Judas Tadeu que também havia dito querer ir a Jerusalém com Jesus.
EMF 54.1
Devem ainda estar sendo celebradas as festas pascais, pois vê-se muita gente pela cidade. Está anoitecendo e muitos se apressam em ir para as suas casas.
Jesus também está indo para a casa onde está hospedado. Não é a casa do Cenáculo, que fica mais na cidade, ainda que nas imediações desta. A casa onde está Jesus hospedado é uma verdadeira casa de campo entre bastas oliveiras. Da rústica pracinha, que está à sua frente, vêem-se as árvores que descem pelos declives ao longo da colina, detendo-se num lugar onde há um pequeno córrego de poucas águas, que se vai por entre uma enseada que está entre duas colinas pouco altas. Sobre uma das colinas está o Templo, sobre a outra só oliveiras e mais oliveiras. Jesus está no começo do declive desta branda colina, que sobe suavemente, na mansidão de suas árvores pacíficas.
– João, aí fora estão dois homens esperando o teu amigo –diz um homem já de idade que deve ser o camponês ou o dono do olival. Diria que João o conhece.
– Onde estão? Quem são?
– Não sei. Um deles certamente é judeu. O outro… eu não saberia dizer. Não perguntei a ele.
– Onde estão?
– Na cozinha, esperando e… e… sim… há também um outro que está todo cheio de feridas… Eu o mandei esperar lá porque… não queria que ele fosse um leproso… Diz ele que quer ver o Profeta que falou no Templo.
Jesus, que até aquele momento havia permanecido calado, diz:
– Vamos primeiro a esse. Diz aos outros que venham, se quiserem. Falarei aqui no olival com eles.
E se dirige para o ponto indicado pelo homem.
– E nós? Que fazemos? –pergunta Pedro.
– Vinde, se quiserdes.
EMF 54.2-3
54.2 Um homem todo coberto está encostado ao pequeno muro rústico que sustenta um outeiro, bem perto do limite do sítio. Deve ter subido ali por um pequeno atalho que lá conduz costeando o córrego.
Quando vê Jesus vir em sua direção, grita:
– Para trás, para trás! Mas também piedade!
E descobre o seu tronco, deixando cair a veste. Se o rosto já está coberto de crostas, o tronco é um bordado de chagas. Algumas já reduzidas a buracos fundos, outras simplesmente como queimaduras vermelhas, outras esbranquiçadas e lúcidas como se sobre elas tivesse um vidro branco.
– És leproso! Que queres de Mim?
– Não me amaldiçoes! Não me apedrejes! Disseram-me que na outra tarde Te manifestaste como Voz de Deus e Portador da Graça. Disseram-me que Tu asseguraste que, erguendo o teu sinal, curas com ele todos os males. Ergue-o sobre mim. Eu venho dos sepulcros… lá… Eu rastejei como uma serpente por entre as sarças da beira do córrego para chegar até aqui sem ser visto. Esperei que a tarde chegasse para poder vir, porque na penumbra vê-se menos quem eu sou. Eu ousei… encontrei este, que é da casa e que é muito bom. Ele não me matou. Somente me disse: “Espera junto ao muro.” Tem piedade, Tu também!
Visto que Jesus se aproxima (sozinho, porque os seis discípulos e o dono do lugar, com os dois desconhecidos, estão longe e mostram claramente aversão) diz ainda:
– Não te adiantes mais! Não mais! Eu estou infeccionado!
Mas Jesus prossegue. Olha para ele com tanta piedade, que o homem se põe a chorar, ajoelha-se com o rosto quase ao chão e geme, dizendo:
– O teu sinal! O teu sinal!
– Ele será elevado, quando chegar a sua hora. Mas, a ti Eu digo: levanta-te! Sê curado. Eu quero. E sê tu o meu sinal nesta cidade que precisa conhecer-me. Levanta-te. Eu te digo! E não peques mais, em reconhecimento a Deus!
O homem se levanta devagar. Parece que ele emerge por entre as ervas altas e floridas como de um lençol do túmulo… e está curado. Ele se olha, aos últimos raios da luz do dia. Está mesmo curado. E grita:
– Eu estou limpo! Oh! Que é que devo fazer agora por Ti?
– Obedecer a Lei. Vai ao sacerdote. Sê bom daqui em diante. Vai.
O homem faz um movimento para se jogar aos pés de Jesus, mas ele se lembra de que ainda está impuro, segundo a Lei, e se detém. Mas ele beija suas próprias mãos e manda o beijo a Jesus e chora. De alegria.
54.3 Os outros estão imobilizados, como que petrificados. Jesus volta as costas ao curado e, sorrindo, os faz voltarem a si.
– Amigos, não era mais que uma lepra da carne. Mas vós vereis cair a lepra dos corações.
Cura da lepra de Simão, o Zelote. Estavam presentes seis discípulos: João e Tiago de Zebedeu, Pedro e André, Filipe e Natanael.
EMF 54.3-5
– (...) Sois vós que me procurais? –diz aos dois desconhecidos–: Eis-me aqui. Quem sois?
– Nós Te ouvimos na outra tarde… no Templo. E Te procuramos pela cidade. Um que se diz teu parente, nos disse que estavas aqui.
– Por que me estais procurando?
– Para seguir-te, se nos quiseres, porque Tu tens palavras de verdade.
– Para seguir-me? Mas sabeis para onde me dirijo?
– Não Mestre. Mas com certeza para a glória.
– Sim. Mas para uma glória que não é da terra. Para uma glória que tem sua sede no Céu e que se conquista com a virtude e o sacrifício. Por que quereis me seguir? –torna a perguntar.
– Para termos parte na tua glória.
– Segundo o Céu?
– Sim, segundo o Céu.
– Nem todos podem chegar ali. Porque Mamon arma ciladas aos desejosos do Céu, mais do que aos outros. E só quem sabe querer fortemente é quem resiste. Por que seguir-me se o seguir-me quer dizer uma luta contínua com o inimigo que está em nós, com o mundo inimigo e com o Inimigo, que é Satanás?
– Porque assim quer o nosso espírito, que ficou conquistado por Ti. Tu és santo e poderoso. Nós queremos ser teus amigos.
– Amigos!!!
Jesus se cala e suspira. Depois, olha fixo àquele que sempre vinha falando e que agora deixou cair o manto da cabeça apresentando-a toda descoberta. É Judas de Keriot.
– Quem és tu, que falas melhor do que um homem do povo?
– Sou Judas, de Simão. Sou natural de Keriot. Mas sou do Templo (ou estou no Templo). Espero o Rei dos judeus; vivo sonhando com ele. Rei te reconheci na palavra e Rei te vi no gesto. Toma-me Contigo.
– Tomar-te? Agora? Tão depressa? Não.
– Por que, Mestre?
– Porque é melhor pesar-nos a nós mesmos, antes de pegarmos caminhos muito íngremes.
– Não crês em minha sinceridade?
– Tu o disseste. Eu creio no teu impulso. Não creio na tua constância. Pensa nisso, Judas. Agora Eu vou-me embora, e voltarei para a festa de Pentecostes. Se estiveres no Templo, me verás. Pesa-te a ti mesmo.
54.4
E tu, quem és?
– Um outro que te viu. Queria estar contigo. Mas agora sinto temor.
– Não. A presunção é uma ruína. O temor pode ser um obstáculo, mas, se ele vem da humildade, pode até ajudar. Não temas. Pensa, tu também, e, quando Eu vier…
– Mestre, tu és muito santo. Tenho medo de não ser digno. Não de outra coisa. Porque sobre o meu amor eu não temo.
– Como te chamas?
– Tomé, chamado o Dídimo.
– Eu me lembrarei do teu nome. Vai em paz.
Jesus se despede deles e se retira para a casa onde está hospedado, para o jantar.
54.5
Os seis, que já estão com Ele, querem saber de muitas coisas.
– Por que, Mestre, fizeste diferença entre os dois?… Porque uma diferença houve! Os dois tinham o mesmo impulso… –pergunta João.
– Amigo, também o mesmo impulso pode ter diversa substância e produzir efeito diferente. É verdade que os dois têm o mesmo impulso. Mas um não é igual ao outro, quanto ao fim a que visam. E aquele que parece o menos perfeito é o mais perfeito, porque não está seduzido pela glória humana. Ele me ama, porque me ama.
EMF 54.3
Mamon arma ciladas aos desejosos do Céu, mais do que aos outros. E só quem sabe querer fortemente é quem resiste.
EMF 54.5
Jesus fala docemente, sentado à pobre mesa, com as mãos que gesticulam calmamente sobre a mesma, o rosto um pouco inclinado, iluminado de alto a baixo pela luz de uma pequena candeia colocada sobre a mesa. Ele sorri levemente, já Mestre na imponência e tão amigo no trato. Os discípulos o escutam atentos.
A atitude de Jesus pouco depois de ter reunido à sua volta seis discípulos (João e Tiago de Zebedeu, Pedro e André, Filipe e Bartolomeu).