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Notas da palavra-chave

Alphée de Jacob (pai de Tiago e Jude d'Alphée e tio de Jesus)

Tema: Personagens principais e secundárias · Página 1 de 3

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EMF 14.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.4 Chegaram. O carro pára.

Duas mulheres e dois homens, respectivamente com os seus quarenta e cinqüenta anos, estão à porta, rodeados por muitas crianças e adolescentes.

– A paz de Deus esteja contigo, Maria –diz o homem mais velho, enquanto uma das mulheres se aproxima de Maria, a abraça e beija.

– É o meu irmão Alfeu e Maria, sua mulher, e estes são os filhos dele. Vieram de propósito para te fazerem festa e para te dizerem que a casa deles é tua, se quiseres –diz José.

– Sim, vem, Maria, se te for penoso ficar vivendo sozinha. O campo é belo na primavera, e nossa casa fica no meio dos campos em flor. Entre as outras flores, tu serás a mais bela –diz Maria de Alfeu.

– Eu te agradeço, Maria. Eu iria de muito boa vontade. Irei em alguma oportunidade, irei sem falta para as núpcias. Mas estou com tanto desejo de ver, de reconhecer a minha casa. Eu a deixei, quando ainda era pequena, e tinha perdido a sua lembrança… Agora eu a reencontro… parece-me reencontrar a minha mãe, que se foi, e o meu amado pai, com o eco de suas palavras… e o perfume do seu último suspiro. Parece-me não estar mais órfã, porque tenho de novo, ao redor de mim, o abraço destas paredes… Compreende-me, Maria.

Maria está, um pouco, com pranto na voz e nos olhos.

Maria de Alfeu lhe responde:

– Como quiseres, querida. Quero que me consideres irmã e amiga e também um pouco mãe, porque sou muito mais velha do que tu.

Detalhe

José, Simão, Judas e Tiago estão presentes, mas não são descritos por Maria.

EMF 14.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Mas como? –diz Alfeu–. Não ireis casar-vos neste verão?

– Não. Maria quer fiar os tecidos de lã, as últimas coisas que estão faltando para o enxoval. E eu estou contente que seja assim. Maria é tão jovem, que esperar um ano, ou até mais, não é nada. Enquanto isso, ela se vai acostumando com a casa…

– Ora, ora! Tu sempre foste um pouco diferente dos outros, e ainda continuas o mesmo. Não sei se poderia haver alguém que não tivesse pressa em ter por mulher uma flor, como Maria. E tu ainda queres esperar meses!…

– Alegria longamente esperada, é alegria mais intensamente gozada –responde José com um amável sorriso.

O irmão encolhe os ombros, e pergunta:

– E então? Quando achas que sairá o casamento?

– Quando Maria fizer dezesseis anos. Depois da Festa dos Tabernáculos. Assim, serão doces as tardes de inverno para os novos esposos!…

E sorri outra vez, olhando para Maria. É um sorriso suave, que faz parte de uma combinação secreta.

Detalhe

Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Está noiva de José e Alfeu, seu irmão, fica a saber que não vão casar imediatamente.

EMF 38

O Evangelho como me foi revelado

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Maria vê a casa em Nazaré. Jesus, Tiago e Judas estão a brincar juntos no jardim: ainda são crianças. Maria não está longe. Decidem representar uma passagem da Bíblia. Sugeriram que representassem a cena do bezerro de ouro no Êxodo, mas um dos primos não queria fazer de Miriam, que se tinha curvado perante o ídolo. Então Jesus sugeriu que representassem a parte em que Josué é eleito sucessor de Moisés. Esta ideia agradou a todos. Depois de perguntarem a Maria sobre um ponto do Êxodo, foram brincar e Jesus interpretou Moisés na perfeição. Os seus primos ficaram admirados por ele recitar tão bem os textos.

Maria de Alfeu chega com Alfeu. Regressam de Caná e trazem consigo três cordeiros. Um é para Jesus e é todo branco; os outros são bastante pretos. Foi ideia de José oferecer estes cordeiros ao seu Filho, e Alfeu quis fazer o mesmo com os seus filhos.

Alfeu sugere que, em breve, Jesus terá de ir para a escola, mas Maria recusa categoricamente: é ela que vai ensinar o seu filho. José apoiou a sua decisão e Alfeu achou que o irmão tinha sido demasiado rápido a ceder à decisão da mulher. José responde-lhe com sensatez e Maria de Alfeu pede então que a Virgem ensine também os seus filhos. Ela disse que não se importava e convenceu Alphée a deixá-los ir para sua casa durante algumas horas. As crianças prometeram amá-la e prestar atenção às suas lições.

EMF 38.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

38.6 Batem à porta. José atravessa rapidamente o pomar e o quarto e abre.

– A paz esteja convosco, Alfeu e Maria!

– E a vós, paz e bênçãos.

É o irmão de José e sua mulher. Na rua está parado um carro, que veio puxado por um burrinho forte.

– Fizestes boa viagem?

– Boa. E os meninos?

– Estão lá no pomar, com Maria.

Mas os meninos já saíram correndo para irem saudar à sua mamãe. Vem chegando também Maria, segurando Jesus pela mão. As cunhadas se beijam.

– Eles têm se comportado bem?

– Muito bem, e são muito queridos. Todos os parentes vão bem?

– Todos. Eles vos saúdam, e vos mandam muitos presentes de Caná. Uva, maçãs, queijos, ovos, mel. E… José, eu achei justamente o que estavas querendo para Jesus. Está no carro, naquela cesta redonda.

A mulher de Alfeu sorri. Inclina-se sobre Jesus, que olha para ela com seus olhos grandes muito abertos, os beija, e diz:

– Sabes o que eu trouxe para ti? Adivinha.

Jesus pensa, e não descobre. Eu desconfio que ele faça assim de propósito para dar a José a alegria de fazer uma surpresa. De fato, José vem entrando, e trazendo um grande cesto redondo. Coloca-o no chão, diante de Jesus, desata a corda que está segurando a tampa no lugar, e a levanta… e uma ovelhinha toda branca, um verdadeiro floco de espuma, aparece dormindo, no meio do feno bem limpo.

Jesus solta um “oh!”, admirado e feliz, e quer se precipitar sobre o animalzinho, mas depois volta atrás, e corre até José, que ainda está inclinado para o chão, e o abraça e beija, agradecendo-lhe.

Os priminhos olham com admiração a ovelhinha, que despertou, e está levantando o pequeno focinho rosado e gracioso, procurando a mãe. Puxam-na para fora do cesto, dão-lhe um punhado de trevo, que ela come, olhando ao seu redor com seus olhos mansos.

Jesus continua a dizer:

– Para Mim! Para Mim! Obrigado, pai!

– Gostaste dela tanto assim?

– Oh! Se gostei… ela é branca, limpa… uma cordeirinha… oh!

E lança os bracinhos ao pescoço da ovelhinha, põe a cabeça loira sobre a cabecinha branca, e fica todo feliz.

– Também para vós eu trouxe duas –diz Alfeu aos filhos–. Mas são escuras. Vós não sois ordenados como Jesus, e teríeis tido ovelhas desordenadas, se fossem brancas. Serão o vosso rebanho. Vós as criareis juntas, e assim não ficareis mais batendo pernas pelas estradas, vós dois, jogando pedras como uns moleques.

Os meninos correm para o carro, e ficam olhando as duas outras ovelhas, mais pretas do que brancas.

Jesus ficou com a sua. Ele a leva ao pomar, dá-lhe de beber, e o animalzinho o acompanha, como se sempre o tivesse conhecido. Jesus a chama. Põe-lhe o nome de “Neve”, ao qual ela responde, balindo de modo todo festivo.

Os hóspedes sentaram-se à mesa, e Maria lhes serve pão, azeitonas e queijo. Coloca-se à mesa um jarro com cidra, ou água com mel, não sei, mas vejo que é de um amarelo muito claro.

Falam entre si, enquanto os meninos estão brincando com os três animais, que Jesus quis que ficassem juntos, para dar também às outras ovelhas água e um nome:

– A tua, Judas, se chamará “Estrela”, porque tem esse sinal na testa. E a tua, “Chama”, porque tem a cor de certas chamas de éricas murchas.

– Está aceito.

Os adultos estão conversando, (e é Alfeu quem diz):

– Espero ter resolvido assim a história das brigas dos rapazinhos. Foi a tua idéia, José­, que veio me iluminar. Eu disse: “Meu irmão quer uma ovelhi­nha para Jesus, para que ele brinque um pouco. Eu pegarei mais duas para aqueles garotos, a fim de fazer com que eles fiquem um pouco mais quietos, e eu não precisar ter sempre questões com os outros pais, por causa de cabeças e joelhos quebrados. Um pouco a escola, e um pouco as ovelhas, e eu conseguirei tê-los mais quietos.”

EMF 38.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Mas neste ano tu também deverás mandar Jesus para a escola. Já é hora.

– Eu nunca mandarei Jesus para a escola –diz Maria, decididamente.

É difícil ouvi-la falar assim, e falar antes de José.

– E por que? o Menino precisa aprender para, a seu tempo, ser capaz de passar no exame de maioridade…

– O Menino saberá. Mas ele não vai à escola. Está decidido.

– Serias a única em Israel a fazer assim.

– Serei. Mas vou fazer assim. Não é verdade, José?

– É verdade. Para Jesus não há necessidade de ir para nenhuma escola. Maria foi educada no Templo, e é uma verdadeira doutora no conhecimento da Lei. Ela será a sua mestra. Eu também quero assim.

– Assim, vós acostumais mal o Rapaz.

– Não podes dizer isso. É o melhor de Nazaré. Já o ouviste chorar, fazer birra, negar obediência, faltar com o respeito?

– Isto não. Mas assim ele se tornará, se continuar a ser viciado.

– Não é viciar os filhos tê-los perto de si. Mas isso é amá-los com bom senso e bom coração. Assim amamos o nosso Jesus e, visto que Maria é mais instruída que o mestre, Ela será a mestra de Jesus.

– Quando ficar homem, o teu Jesus será uma mocinha, que terá medo até de uma mosca.

– Não será assim. Maria é uma mulher forte, e sabe educá-lo virilmente. Eu não sou nenhum covarde, e sei dar-lhe exemplos viris. Jesus é uma criança sem defeitos físicos nem morais. Crescerá, por isto, reto e forte no corpo e no espírito. Fica certo disso, Alfeu. Ele não fará má figura na família. Além disso, eu já decidi, e assim se fará.

– Maria é que terá decidido, e tu…

– E se tivesse sido assim? Não é bonito que dois que se amam estejam prontos a ter o mesmo pensamento e a mesma vontade, porque reciprocamente um abraça o desejo do outro, e o faz seu? Se Maria quisesse coisas tolas, eu lhe diria: “não.” Mas ela pede coisas cheias de sabedoria, e eu as aprovo e as faço minhas. Nós nos amamos, como no primeiro dia… e assim faremos, enquanto estivermos vivos. Não é verdade, Maria?

– Sim, José. E não aconteça nunca, mas, se um tivesse que morrer sem o outro, ainda assim nos amaríamos.

José acaricia a cabeça de Maria, como se fosse uma filha ainda menina, e Ela olha para ele com seu olhar sereno e amoroso.

38.8 A cunhada intervém:

– Vós tendes razão. Se eu fosse boa para ensinar! Na escola os nossos filhos aprendem o bem e o mal. Em casa aprendem só o bem. Mas eu não sei… se Maria…

– Que queres dizer, cunhada? Fala com toda a liberdade. Tu sabes que eu te amo, e fico alegre quando te posso dar um prazer.

– Eu ia dizendo… Tiago e Judas são um pouco mais velhos do que Jesus. Eles já vão à escola… mas, pelo que eles sabem!… Jesus, ao contrário, já sabe tão bem a Lei… Eu queria… te dizer que tivesses também os dois, quando fores ensinar a Jesus? Eu acho que eles se tornariam melhores e mais instruídos. Afinal, eles são primos, e que se amem como irmãos, é justo. E eu ficaria tão feliz!

– Se José assim quer, e o teu marido também, eu estou pronta. Falar para um e falar para três é a mesma coisa. Repassar toda a Escritura é uma alegria. Que eles venham.

Os três meninos, que haviam entrado em silêncio, se assentam, e estão à espera do veredicto.

– Eles vão te pôr desesperada, Maria –diz Alfeu.

– Não. Comigo são sempre bons. Não é verdade que sereis bons, se eu vos ensinar?

Os dois correm para perto dela, um à direita, o outro à esquerda, põem-lhe os braços ao redor dos ombros, as cabecinhas sobre os ombros, e prometem fazer tudo para serem bons.

– Deixa-os experimentar, Alfeu, e deixa-me também experimentar. Eu penso que não ficarás descontente com a experiência. Eles virão todos os dias, da hora sexta até à tarde. Bastará, podes crer. Eu sei a arte de ensinar sem cansar. Os meninos ficam quietos e se recreiam, ao mesmo tempo. É preciso entendê-los, amá-los e ser por eles amados, para conseguir alguma coisa deles. Vós me amais, não é verdade?

Dois grandes beijos são a resposta.

– Estás vendo?

– Eu estou vendo. Só tenho que te dizer: “Obrigado.” E, Jesus, o que dirás vendo a mamãe ocupada com os outros? Que dizes, Jesus?

– Eu digo: “Felizes os que a estão escutando e que erguem sua morada junto da morada dela.” Como da Sabedoria, feliz quem é amigo de minha mãe, e Eu sou feliz se aqueles que eu amo forem amigos dela.

– Mas quem é que põe estas palavras nos lábios do Menino? –pergunta Alfeu, admirado.

– Ninguém, meu irmão. Ninguém deste mundo.

A visão cessa aqui.

EMF 51.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Já estás ensinando, Jesus? –pergunta Judas Tadeu.

– Sim, primo.

– E que palavras! Ah! Não se ouvem sair dos lábios de outros!

Judas suspira. Com a cabeça apoiada na mão e com o cotovelo firmado sobre o joelho, ele olha para Jesus e suspira. Parece querer falar, mas não tem coragem.

Jesus o estimula:

– Que tens, Judas? Por que me olhas e suspiras?

– Não é nada.

– Não. Nada não pode ser. Não sou mais o Jesus que tu amavas? Aquele para quem não tinhas segredos?

– Sim, que o és! Que falta me fazes, Tu, Mestre do teu primo mais velho!…

– E, então? Fala.

– Eu queria dizer-te… Jesus… sê prudente… tens uma mãe… que só tem a Ti… Tu queres ser um “rabi” diferente dos outros, e Tu sabes, melhor do que eu, que… que as castas poderosas não permitem que as coisas sejam diferentes daquelas de costume, por eles estabelecidas. Conheço o teu modo de pensar… é santo… mas o mundo não é santo… e persegue os santos… Jesus… Tu sabes qual a sorte do teu primo, o Batista… Está na prisão, e, se ainda não morreu, é porque aquele sórdido Tetrarca tem medo da multidão e do raio de Deus. Tão sórdido e supersticioso, como cruel e libidinoso. Tu… que farás? A que sorte queres ir de encontro?

– Judas, isto me estás perguntando, tu que conheces tão bem o meu pensamento? Estás falando por ti mesmo? Não. Não mintas. Alguém te mandou, e, certamente, minha mãe não foi, para vires me dizer estas coisas…

Judas abaixa a cabeça, e se cala.

– Fala, primo.

– Meu pai… e com ele José e Simão… sabes… para o teu bem… pelo afeto por Ti e por Maria… não vêem com bons olhos aquilo que estás querendo fazer… e… e gostariam que Tu pensasses em tua mãe…

51.4

– E tu, que pensas disso?

– Eu… Eu…

– Tu estás sendo combatido pelas vozes do alto e da terra. Não digo pelas vozes daqui de baixo. Digo vozes da terra. Também Tiago está assim ainda mais do que tu. Mas Eu vos digo que acima da terra está o céu, acima dos interesses do mundo está a causa de Deus. Precisais mudar vosso modo de pensar. Quando souberdes fazer isso, sereis perfeitos.

– Mas… e tua mãe?

– Judas, ninguém melhor do que ela teria o direito de me chamar de volta aos meus deveres de Filho, segundo a luz da terra, ou seja, ao meu dever de trabalhar para ela, a fim de atender às suas necessidades materiais, ao meu dever de assistência e conforto, ficando sempre perto da mãe. Mas ela não me pede nada disso. Desde que me teve, ela sabia que teria que me perder, para depois encontrar-me de novo, e de um modo muito mais amplo do que o do pequeno círculo da família. Desde então, ela vem-se preparando para isso. Esta vontade absoluta de se doar a Deus não é novidade no seu sangue. Sua mãe a ofereceu ao Templo, antes que ela sorrisse à luz. Ela se doou a Deus, e me contou isso inúmeras vezes quando, tinha-me junto ao seu coração, nas longas tardes de inverno, ou nas claras noites de verão cheias de estrelas, falando-me da sua infância santa, desde as primeiras luzes da sua aurora no mundo. Doou-se a Deus ainda mais, quando me teve, para que eu estivesse aqui a caminho da missão que me vem de Deus. Em uma certa hora, todos me deixarão; talvez por poucos minutos, mas a covardia se apoderará de todos, e pensareis que teria sido me­lhor­ para vossa segurança, se nunca me tivésseis conhecido. Mas ela, que compreendeu e que sabe, Ela estará sempre comigo. Vós tornareis a ser meus por meio dela. Com a força de sua segura e amorosa fé, ela vos atrairá a si, e depois vos tornará a atrair para Mim, porque Eu estou na mãe, e ela está em Mim, e Nós em Deus. Isto Eu queria que compreendêsseis, todos vós, parentes segundo o mundo, amigos e filhos segundo o sobrenatural. Tu e os outros, não sabeis quem é minha mãe. Mas, se o soubésseis, não a criticaríeis em vosso coração por não saber ter-me subjugado a ela, mas a veneraríeis como a amiga mais íntima de Deus, a poderosa que tudo pode no coração do Eterno Pai, e sobre o Filho do seu coração. Certamente Eu irei a Caná. Quero fazê-la feliz. Compreendereis melhor depois desta hora.

Jesus está imponente e persuasivo.

Judas o olha atentamente. Fica pensando. E diz:

– Eu também certamente irei Contigo, junto com estes, se me quiseres… porque sinto que Tu dizes coisas justas. Perdoa a minha cegueira e a dos meus irmãos. És muito mais santo do que nós!…

– Não tenho rancor de quem não me conhece. Não tenho rancor nem de quem me odeia. Mas sinto dor pelo mal que alguém se faz a si mesmo.

Detalhe

Tiago de Alfeu é mencionado muito brevemente em 51.4. Neste excerto, Judas exprime as apreensões da sua família acerca do comportamento de Jesus, em nome de todos os familiares de Jesus.

EMF 56.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

56.3 – Tu sempre estiveste com Ele?

– Sempre. Desde quando Ele voltou a Nazaré foi para mim um bom companheiro. Sempre estivemos juntos. Somos da mesma idade, sendo eu um pouco mais velho. Além disso, dos meus irmãos eu era o preferido do pai Dele, irmão de meu pai. Também a mãe me queria muito bem. Eu cresci mais com ela do que com minha mãe.

– Ela te queria… Então agora não te quer mais o mesmo bem?

– Oh! Sim. Mas nós temos estado um pouco divididos desde que Ele se fez profeta. Meus parentes não gostam disso.

– Quais parentes?

– Meu pai e os dois filhos mais velhos. O outro está titubeante… Meu pai está muito velho e não tive coragem de irritá-lo. Mas agora… agora, não mais. Agora eu vou onde o coração e a mente me levam. Vou a Jesus. Creio que não ofendo a Lei fazendo assim. Mas já… se não fosse justo o que eu quero fazer Jesus me diria. Eu farei o que Ele disser. É lícito a um pai criar obstáculos a um filho no caminho do bem? Se eu sinto que ali está a salvação, por que impedir-me de tê-la? Por que os pais, às vezes, são nossos inimigos?

Simão suspira, como quem se lembra de coisas tristes e inclina a cabeça, mas não fala.

É Tomé quem responde:

– Eu já superei esse obstáculo. Meu pai me ouviu e me compreendeu. Ele me abençoou dizendo: “Vai. Que esta Páscoa seja para ti a libertação da escravidão de uma expectativa. Feliz de ti que podes crer. Eu espero. Mas, se for Ele mesmo, e ao segui-lo perceberes que é, vem dizer ao teu velho pai: ‘Vem. Israel já tem o Esperado’.”

– És mais feliz do que eu. E dizer que nós temos vivido ao seu lado!… E não cremos, logo nós da família!… E dizemos, ou melhor, eles dizem: “Ele perdeu o juízo!"

Detalhe

Simão, o Zelota, perguntou a Judas se ele sempre tinha acompanhado Cristo.

EMF 56.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

56.5 – Tu também estás aqui, meu primo Judas?

Eles se abraçam. Judas chora.

– Por que este pranto?

– Oh! Jesus! Eu quero estar Contigo!

– Eu te esperei sempre. Por que não vieste?

Judas inclina a cabeça e fica calado.

– Eles não quiseram! E agora?

– Jesus, eu… eu não posso obedecer a eles. Eu quero obedecer somente a Ti.

– Mas Eu não te dei uma ordem.

– Não. Tu, não. Mas é a tua missão que nos dá ordem! É Aquele que Te mandou que fala aqui, no meio do meu coração, e me diz: “Vai a Ele!” É aquela que te gerou e que para mim tem sido uma mestra suave que, com seu olhar de pomba, me diz, sem fazer uso de pala­vras: “Sê de Jesus!” Poderei eu não fazer conta daquela voz excelsa que me perfura o coração? Desta oração de santa que certamente me suplica para o meu bem? Só porque eu sou teu primo por parte de José, não deverei Te conhecer por aquilo que és, enquanto o Batista Te conheceu, aqui, nas margens deste rio, ele que nunca Te havia visto, e Te saudou como o “Cordeiro de Deus”? E eu, eu que cresci junto Contigo, eu que procurei tornar-me bom Te imitando, eu que me tornei filho da Lei pelo merecimento de tua mãe, e que dela aprendi, não os seiscentos e treze preceitos dos rabinos, além da Escritura e das orações, porém a alma disso tudo, eu não deveria ser capaz de nada?

– E o teu pai?

– Meu pai? Não lhe falta pão nem assistência, e depois… Tu me dás o exemplo. Tu tiveste o pensamento no bem do povo, mais do que no pequeno bem de Maria. E ela está sozinha. Diz-me, Tu, meu Mestre, não é lícito talvez, sem faltar com o respeito, dizer a um pai: “Pai, eu te amo. Mas acima de ti está Deus, e a Ele eu sigo”?

– Judas, meu parente e amigo, Eu te digo: tu estás bem adiantado no caminho da Luz. Vem. É lícito falar ao pai assim quando é Deus que chama. Não há nada acima de Deus. Até as leis do sangue cessam, ou seja, sublimam-se, porque com as nossas lágrimas damos aos pais, às mães, uma ajuda muito maior e por coisas mais eternas do que a jornada do mundo. Conosco os conduzimos para o Céu e pelo mesmo caminho do sacrifício dos afetos, os levamos para Deus. Portanto, fica, Judas. Eu te esperei e estou feliz por reaver-te, amigo da minha vida nazarena.

Judas está comovido.

EMF 57.3.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois, diz:

– E então, não estás vendo? Eu estou aqui e não estou sozinho­.­ Tenho Comigo os meus primeiros discípulos, e ainda outros que ficaram na Judéia. Também o primo Judas está Comigo e agora me segue…

– Judas?

– Sim, Judas. Eu sei porque é que estás admirada. Certamente, entre os que falaram do que aconteceu, estavam Alfeu com seus filhos… e não erro se disser que eles me criticaram. Mas, não tenhas medo. Hoje é assim, amanhã não será mais assim. O homem tem que ser cultivado como a terra e onde hoje há espinhos, amanhã haverá rosas. Judas, que tu amas, já está Comigo.

– Onde ele está agora?

– Ali fora, com os outros. Tens pão para todos?

– Sim, Filho. Maria de Alfeu está junto ao forno desenfornando os pães. Muito boa é Maria para comigo; especialmente numa hora destas.

– Deus lhe dará glória!

Vai até à porta e chama:

– Judas! Tua mãe está aqui! Amigos, vinde!

(...) Chega Maria de Alfeu toda corada e enfarinhada e saúda Jesus, que a abençoa; depois leva os seis até à horta, ao tanque, e volta feliz.

– Oh! Maria! –diz à Virgem–. Judas me falou. Como estou contente! Por Judas e por ti, minha cunhada. Eu sei que os outros vão ralhar comigo. Mas não me importa. Serei feliz no dia em que souber que todos eles são de Jesus. Nós, mães, sabemos… percebemos o que é bom para os filhos. E eu percebo que o bem de meus filhos és Tu, Jesus.

Jesus lhe faz uma carícia sobre a cabeça, sorrindo.

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Jesus reencontra a sua Mãe. Ele ouve, e depois é a sua vez de falar.

EMF 93

O Evangelho como me foi revelado

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Jesus vive em Nazaré e, na véspera, caiu uma tempestade. Vai ter com a sua Mãe e, depois de a beijar com ternura, pergunta-lhe se as plantas sofreram. Mas Pedro estava a ver e era um verdadeiro jardineiro. Faz lembrar um pouco Porfírio, mas é corajoso e tenta não caluniar a sogra. Em todo o caso, Jesus confirma que virá a Cafarnaum, e ele fica muito contente. Chegam os outros discípulos. Estão presentes Simão de Jonas, João, Judas, Simão, o Zelota, Tomé, André, Tiago, Filipe e o pastor José. Está presente Judas Tadeu, o que não acontecia no capítulo anterior. Em todo o caso, Cristo fala da formação apostólica e, para isso, faz comparações com a natureza (a tempestade, o chão gelado do inverno). Depois, detém-se no sofrimento de Judas, que sofre ao ver o comportamento de Alfeu à beira da morte. Fala do martírio da família, do facto de que é preciso saber sempre responder ao chamamento de Deus e pôr o Senhor à frente do sangue. É certo que o Mestre dá grande importância ao amor filial, mas a família não deve ser um travão na nossa subida para Deus.