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Notas da palavra-chave

Palavras da Virgem Maria

Tema: A Virgem Maria em todo o EMV · Página 5 de 8

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EMF 38.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Surge, porém, depois, uma dúvida. Se o povo de Israel, depois de tanto andar, ainda teria, ou não, os carros que tinha, quando saiu do Egito. As idéias são contraditórias.

Vão, então, recorrer a Maria.

– Mamãe, Eu digo que os israelitas tinham ainda os carros. Tiago diz que não. E Judas não sabe a quem dar razão. Tu sabes?

– Sim, meu Filho. O povo nômade tinha ainda os seus carros. Nas paradas os consertava. Subiam nos carros os mais fracos, onde também eram transportadas as provisões, e coisas necessárias para o povo. Menos a Arca, que era levada nas mãos. Tudo o mais ia nos car­ros.

A dúvida foi desfeita.

EMF 38.7-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Mas neste ano tu também deverás mandar Jesus para a escola. Já é hora.

– Eu nunca mandarei Jesus para a escola –diz Maria, decididamente.

É difícil ouvi-la falar assim, e falar antes de José.

– E por que? o Menino precisa aprender para, a seu tempo, ser capaz de passar no exame de maioridade…

– O Menino saberá. Mas ele não vai à escola. Está decidido.

– Serias a única em Israel a fazer assim.

– Serei. Mas vou fazer assim. Não é verdade, José?

– É verdade. Para Jesus não há necessidade de ir para nenhuma escola. Maria foi educada no Templo, e é uma verdadeira doutora no conhecimento da Lei. Ela será a sua mestra. Eu também quero assim.

– Assim, vós acostumais mal o Rapaz.

– Não podes dizer isso. É o melhor de Nazaré. Já o ouviste chorar, fazer birra, negar obediência, faltar com o respeito?

– Isto não. Mas assim ele se tornará, se continuar a ser viciado.

– Não é viciar os filhos tê-los perto de si. Mas isso é amá-los com bom senso e bom coração. Assim amamos o nosso Jesus e, visto que Maria é mais instruída que o mestre, Ela será a mestra de Jesus.

– Quando ficar homem, o teu Jesus será uma mocinha, que terá medo até de uma mosca.

– Não será assim. Maria é uma mulher forte, e sabe educá-lo virilmente. Eu não sou nenhum covarde, e sei dar-lhe exemplos viris. Jesus é uma criança sem defeitos físicos nem morais. Crescerá, por isto, reto e forte no corpo e no espírito. Fica certo disso, Alfeu. Ele não fará má figura na família. Além disso, eu já decidi, e assim se fará.

– Maria é que terá decidido, e tu…

– E se tivesse sido assim? Não é bonito que dois que se amam estejam prontos a ter o mesmo pensamento e a mesma vontade, porque reciprocamente um abraça o desejo do outro, e o faz seu? Se Maria quisesse coisas tolas, eu lhe diria: “não.” Mas ela pede coisas cheias de sabedoria, e eu as aprovo e as faço minhas. Nós nos amamos, como no primeiro dia… e assim faremos, enquanto estivermos vivos. Não é verdade, Maria?

– Sim, José. E não aconteça nunca, mas, se um tivesse que morrer sem o outro, ainda assim nos amaríamos.

José acaricia a cabeça de Maria, como se fosse uma filha ainda menina, e Ela olha para ele com seu olhar sereno e amoroso.

38.8 A cunhada intervém:

– Vós tendes razão. Se eu fosse boa para ensinar! Na escola os nossos filhos aprendem o bem e o mal. Em casa aprendem só o bem. Mas eu não sei… se Maria…

– Que queres dizer, cunhada? Fala com toda a liberdade. Tu sabes que eu te amo, e fico alegre quando te posso dar um prazer.

– Eu ia dizendo… Tiago e Judas são um pouco mais velhos do que Jesus. Eles já vão à escola… mas, pelo que eles sabem!… Jesus, ao contrário, já sabe tão bem a Lei… Eu queria… te dizer que tivesses também os dois, quando fores ensinar a Jesus? Eu acho que eles se tornariam melhores e mais instruídos. Afinal, eles são primos, e que se amem como irmãos, é justo. E eu ficaria tão feliz!

– Se José assim quer, e o teu marido também, eu estou pronta. Falar para um e falar para três é a mesma coisa. Repassar toda a Escritura é uma alegria. Que eles venham.

Os três meninos, que haviam entrado em silêncio, se assentam, e estão à espera do veredicto.

– Eles vão te pôr desesperada, Maria –diz Alfeu.

– Não. Comigo são sempre bons. Não é verdade que sereis bons, se eu vos ensinar?

Os dois correm para perto dela, um à direita, o outro à esquerda, põem-lhe os braços ao redor dos ombros, as cabecinhas sobre os ombros, e prometem fazer tudo para serem bons.

– Deixa-os experimentar, Alfeu, e deixa-me também experimentar. Eu penso que não ficarás descontente com a experiência. Eles virão todos os dias, da hora sexta até à tarde. Bastará, podes crer. Eu sei a arte de ensinar sem cansar. Os meninos ficam quietos e se recreiam, ao mesmo tempo. É preciso entendê-los, amá-los e ser por eles amados, para conseguir alguma coisa deles. Vós me amais, não é verdade?

Dois grandes beijos são a resposta.

– Estás vendo?

– Eu estou vendo. Só tenho que te dizer: “Obrigado.” E, Jesus, o que dirás vendo a mamãe ocupada com os outros? Que dizes, Jesus?

– Eu digo: “Felizes os que a estão escutando e que erguem sua morada junto da morada dela.” Como da Sabedoria, feliz quem é amigo de minha mãe, e Eu sou feliz se aqueles que eu amo forem amigos dela.

– Mas quem é que põe estas palavras nos lábios do Menino? –pergunta Alfeu, admirado.

– Ninguém, meu irmão. Ninguém deste mundo.

A visão cessa aqui.

EMF 41.11-13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

[…].

– Voltemos muito, muito atrás. Voltemos ao Templo, onde Eu, aos doze anos, estou disputando. Ou melhor, voltemos às ruas que levam a Jerusalém, e de Jerusalém ao Templo.

Vê a angústia de Maria, quando, tendo-se reunido às filas dos homens e das mulheres, viu que Eu não estava com José.

Ela não levanta a voz, em ásperas repreensões contra o esposo. Todas as mulheres o teriam feito. Vós o fazeis por muito menos, esquecendo-vos de que o homem é sempre o chefe da casa. Mas a dor que transparece no rosto de Maria, magoa José, mais do que qualquer repreensão. Maria não se abandona a cenas dramáticas. Vós, por muito menos, o fazeis, pois gostais de ser notadas, e feitas alvos de compaixão. Mas a dor contida de Maria é tão evidente, pelo tremor que a toma, pelo rosto que empalidece, pelos olhos que se dilatam, que comove mais do que qualquer cena de pranto e de clamor.

Não sente mais cansaço, nem fome. O caminho foi longo e, depois de tantas horas, não tomou nenhum alimento! Mas ela deixa tudo. Tanto a enxerga, que está sendo arrumada, como a comida que ia ser distribuída. Volta atrás. É tarde, a noite desce. Não importa. Cada passo que dá leva-a de volta a Jerusalém. Faz parar as caravanas e os peregrinos. Pergunta a todos. José a segue e a ajuda. Um dia de caminho, voltando, e depois uma penosa busca pela cidade.

Onde, onde poderá estar o seu Jesus? E Deus permite que ela não saiba, durante tantas horas onde é que devia ir me procurar. Procurar um menino no Templo, seria uma coisa sem sentido. Que teria um menino ido fazer no Templo? No máximo, teria se perdido na cidade, e se tivesse voltado para dentro do Templo, levado pelos seus pequenos passos, sua voz chorosa teria chamado pela mãe atraindo a atenção dos adultos, dos sacerdotes, os quais teriam providenciado para que se procurassem os pais dele, por meio de avisos colocados nas portas. Mas não havia nenhum aviso. Ninguém na cidade sabia desse Menino. Bonito? Loiro? Robusto? Mas há tantos assim! Era muito pouco para se poder dizer: “Eu o vi. Estava em tal ou tal lugar!”

41.12

Três dias depois, símbolo de outros três dias de futura angústia, eis que Maria, exausta, penetra no Templo, percorre os pátios e os vestíbulos. Nada. Corre, corre a pobre mãe, no rumo de onde lhe pareceu vir uma voz de menino. E, até os cordeiros, que estão balindo, lhe parecem o pranto do Filho, que está procurando. Mas Jesus não está chorando. Ele está ensinando. Neste momento, Maria ouve, do outro lado de uma barreira de pessoas, a querida voz, que diz: “Estas pedras tremerão…” Ela tenta atravessar a multidão, e só o consegue, depois de muito esforço. Aqui está o Filho, de braços abertos, em pé entre os doutores.

Maria é a Virgem prudente. Mas desta vez a angústia venceu a sua reserva. É como um dique, que enfrenta o que vier. Ela corre até o Filho, e o abraça levantando-o do banco, pondo-o no chão, e exclama: “Oh! Por que nos fizeste isto? Há três dias que estamos à tua procura. Tua mãe está para morrer de dor, Filho. Teu pai está exausto de cansaço. Por que Jesus?”

Não se pergunta os “porquês” a Quem sabe os “porquês” de seu modo de agir. Aos chamados não se pergunta “porque”, deixam tudo para seguir a voz de Deus. Eu era a Sabedoria e sabia. Eu fui “chamado” para uma missão, e a estava cumprindo. Acima do pai e da mãe desta terra, está Deus, o Pai divino. Os seus interesses superam os nossos, e seus afetos são superiores a qualquer outro. Eu digo isso a minha mãe.

Termino o ensinamento aos doutores, com o ensinamento a Maria, Rainha dos doutores. E ela nunca mais esqueceu isso. O sol voltou ao seu coração, quando me tomou pela mão, humilde e obediente, mas as minhas palavras também ficaram em seu coração. Muito sol e muitas nuvens passarão pelo céu, durante aqueles vinte e um anos, em que Eu estarei ainda sobre a terra. E muita alegria e muito pranto se alternará em seu coração, por outros vinte e um anos. Mas ela nunca mais me perguntará: “Por que, meu Filho, nos fizeste isto?”

Aprendei, ó homens insolentes!

41.13

Eu expliquei e esclareci a visão, porque tu não estás em condições de fazer mais.

EMF 52.5-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus toma um lugar à mesa do centro, com o noivo, a noiva, os parentes dos noivos e os amigos mais influentes. Os dois discípulos, por respeito ao Mestre, são convidados a sentar-se à mesma mesa.

Jesus está com as costas viradas para a parede, onde estão as grandes jarras e os aparadores.

Observo uma coisa. Exceto as respectivas mães dos esposos, e também Maria, nenhuma outra mulher está sentada àquela mesa. Todas as mulheres estão na outra mesa, viradas para a parede, fazendo um barulho como se fossem cem, e são servidas depois de terem sido servidos os esposos e os hóspedes importantes. Jesus está perto do dono da casa e tem à sua frente Maria, a qual está sentada ao lado da noiva.

O banquete começa. Eu vos asseguro que apetite não falta, nem sede. Aqueles que pouco se sobressaem são Jesus e sua mãe, a qual, além disso, fala muito pouco. Jesus fala um pouco mais. Mas, ainda que seja comedido em suas palavras, não é, no seu escasso falar, nem car­rancudo nem desdenhoso. É um homem cortês, mas não um conversador. Quando é interrogado, responde; se alguém fala com Ele, Ele se interessa, dá o seu parecer, mas depois se recolhe, como alguém habituado a meditar. Sorri, não ri nunca. E, se ouve alguma brincadeira muito leviana, faz como se não a tivesse ouvido. Maria se alimenta na contemplação do seu Jesus, e assim também João, que está na ponta da mesa, atento aos lábios do seu Mestre.

52.6 Maria nota que os serventes cochicham com o mordomo e que este está embaraçado; então, ela percebe o que é que está acontecendo de desagradável.

– Filho –ela fala baixinho, chamando a atenção de Jesus com aquela palavra–. Filho, eles não têm mais vinho.

– Mulher, o que ainda há entre Mim e ti?

Jesus, ao dizer esta frase, sorri ainda mais docemente e Maria também sorri; fazem como duas pessoas que sabem uma verdade que é para elas um alegre segredo ignorado por todos os outros.

52.7 Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

52.8 Maria pede aos serventes:

– Fazei aquilo que Ele vos disser.

Maria já tinha lido nos olhos sorridentes de seu Filho o assentimento velado pelo grande ensinamento a todos os “vocacionados.”

E Jesus ordena aos serventes:

– Enchei as bilhas de água.

Vejo os serventes enchê-las com a água trazida do poço (ouço o ranger do sarilho, que leva para baixo e para cima o balde gotejante). Vejo o mordomo, com olhos de grande espanto, servir-se daquele líquido, prová-lo com atos de ainda maior espanto, saboreá-lo e falar ao dono da casa e ao noivo (eles estavam perto).

Maria está ainda olhando para o Filho e sorrindo; depois, ao receber um sorriso Dele, inclina a cabeça, enrubescendo levemente. Ela está feliz.

Pela sala passa um murmúrio, as cabeças se voltam todas para Jesus e Maria, alguns se levantam para vê-los melhor, outros vão ver as bilhas. Faz-se um grande silêncio. Depois se ergue um coro de louvores a Jesus.

Mas Jesus se levanta e diz uma palavra:

– Agradecei a Maria.

E, em seguida, sai do banquete. Os discípulos o seguem. Já na porta, Ele repete:

– A paz esteja nesta casa e a bênção de Deus sobre vós, –e acrescenta–: Mãe, Eu te saúdo.

Cessa a visão.

Detalhe

Jesus está no casamento em Caná.

EMF 57.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

57.2 E assim chegaram à casa. E sobre a soleira já está Maria, que foi avisada por um rapazinho atencioso.

– Meu Filho!

– Mãe!

Os dois se abraçam. Maria, muito mais baixa que Jesus, está com a cabeça apoiada no alto do peito do Filho, fechada entre o círculo dos seus braços. Ele a beija sobre os cabelos loiros. Entram em casa.

Os discípulos, incluindo Judas, ficam lá fora, para deixarem livres os dois em suas primeiras expansões.

– Jesus, meu Filho!

A voz de Maria está trêmula, como a de quem está com as lágrimas na garganta.

– Por que estás assim, mãe?

– Ó Filho! Disseram-me… No Templo estavam os galileus, os nazarenos, naquele dia… Eles voltaram… E contaram… Ó Filho!…

– Mas tu o estás vendo, mãe! Eu estou bem. Nenhum mal veio sobre Mim. Só veio a glória a Deus em sua Casa.

– Sim. Eu sei, Filho do meu coração. Sei que foi como o toque da trombeta, despertando os que dormem. E, pela glória de Deus, eu me sinto feliz… feliz que este meu povo desperta para Deus. Eu não te censuro… eu não te ponho obstáculo… eu te compreendo… e… e fico feliz… mas eu te gerei, eu, meu Filho!…

Maria está ainda envolvida pelo abraço de Jesus e falou, com as mãozinhas abertas e apoiadas sobre o peito do Filho, a cabeça levantada para Ele, os olhos mais brilhantes pelo pranto que está prestes a descer; agora se cala, apoiando novamente a cabeça sobre o peito Dele. Parece uma rolinha cinzenta, vestida como está com uma veste acinzentada, sob a proteção de duas fortes asas de candor, pois Jesus ainda está com sua veste e o manto branco.

– Mãe! Pobre mãe! Querida mãe!…

Jesus a beija outra vez.

Detalhe

Jesus e os seus discípulos chegam a Nazaré e vão para a casa da Sagrada Família.

EMF 57.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

57.5 Um pouco embaraçados, a princípio, os discípulos depois se tornam mais corajosos e falam de suas casas, da viagem a Jerusalém e dos milagres acontecidos. Agora eles estão cheios de zelo, de afeto. Pedro procura fazer de Maria uma sua aliada, para conseguir que sejam logo tomados por Jesus sem ter que esperar até que chequem em Betsaida.

– Fazei tudo que Ele diz –exorta ela, com um suave sorriso–. Esta espera vos será mais útil do que uma aliança imediata. O meu Jesus faz bem tudo que faz.

A esperança de Pedro morre. Mas ele se resigna e se sai bem. Só faz esta pergunta:

– Essa espera durará muito?

Jesus olha para ele com um sorriso, mas não diz nada.

Maria interpreta aquele sorriso como um bom sinal, e diz:

– Simão de Jonas, Ele está sorrindo… e por isso, eu te digo: rápido, como o vôo de uma andorinha sobre o lago será o tempo da tua obediente espera.

– Obrigado, mulher.

EMF 57.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

57.6 – Não falas nada, Judas? E tu, João?

– Estou olhando para ti, Maria.

– E eu também.

– Eu também olho para vós e… sabeis de uma coisa? Está vindo à minha lembrança uma hora que já vai longe. Também eu, naquele tempo, tinha sempre três pares de olhos fixados em meu rosto com amor. Lembras-te Maria, dos meus três discípulos?

– Oh! Se me lembro! É verdade! Também agora, há três quase da mesma idade que olham para ti com todo amor que podem ter. E este aqui, o João, eu penso, me parece o Jesus daquele tempo: tão loiro e rosado, o mais novo de todos.

Os outros querem saber, e as recordações e anedotas fluem em meio à conversação, enquanto o tempo passa. Chega a tarde.

Detalhe

A semelhança de João com Jesus.

EMF 78.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um velho diz:

– Ouve, Senhor. Há tempo, há muito tempo, quando saiu o edito, chegou até aqui a notícia de que o Salvador havia nascido em Belém… e eu fui até lá em companhia de outros… Vi um pequeno Menino, em tudo igual aos outros… Mas eu o adorei, por fé. Depois soube que havia um homem santo, que se chamava João. Qual é o Messias verdadeiro?

– Aquele que tu adoraste. O outro é o seu Precursor. Grande santo aos olhos do Altíssimo, mas não é o Messias.

– Eras Tu?

– Era Eu. E que foi que viste em torno à minha pessoa recém-nascida?

– Pobreza e limpeza, honestidade e pureza. Um operário gentil e sério chamado José, operário, mas da estirpe de Davi. Uma jovem mãe, loira e gentil, chamada Maria, diante de cuja graça empalidecem as rosas mais belas de Engadi e parecem disformes os lírios dos canteiros reais. E um Menino de grandes olhos da cor do céu, cujos cabelos pareciam fios de ouro pálido… E não vi mais nada… E ouço ainda a voz da mãe me dizer: “Pelo meu Filho eu te digo: seja o Senhor­ contigo até o encontro eterno, e a sua Graça venha ao teu encontro em tua estrada.” Estou com oitenta e quatro anos… a estrada está chegando ao fim… Não esperava mais encontrar a Graça de Deus. Mas, ao invés, Te encontrei… e agora não desejo mais ver outra luz que não seja a tua.