Ir para o conteúdo

Notas do tema

As palavras do Mestre para o nosso tempo

Página 6 de 10

Conforto de leitura

Aa

EMF 47.9-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.9 Jesus ainda diz:

– Eu não quis que tu falasses sobre a tentação de sensualidade do teu Jesus. Mesmo que a tua voz interior te fez entender o motivo de satanás para atrair-me à sensualidade, Eu preferi falar disso. E não pensais além. Era necessário falar. Agora vai avante. Deixa a flor de satanás sobre suas areias. Vem atrás de Jesus, como João. Cami­nharás entre os espinhos, mas encontrarás, como rosas, as gotas de sangue de Quem as derramou por ti, para vencer a carne, também em ti.

47.10 Antecipo uma observação. Diz João em seu Evangelho, falando do encontro Comigo: “E, no dia seguinte”. Parece com isso que o Batista me tivesse mostrado no dia seguinte ao batismo, e que, logo, João e Tiago me seguiram, mas isso contrasta tudo o que disseram os outros evangelistas a respeito dos quarenta dias passados no deserto. Mas deveis ler assim: “(Tendo já acontecido a prisão de João), um dia depois os dois discípulos de João Batista aos quais ele me havia mostrado, dizendo: ‘Eis o Cordeiro de Deus’, ao me verem de novo, chamaram e me seguiram.” Depois da minha volta do deserto.

Juntos voltamos às margens do lago da Galiléia, onde Eu tinha ido refugiar-me, para, de lá, iniciar a minha evangelização. Os dois falaram de Mim aos outros pescadores, depois de terem estado Comigo por todo o caminho, e por um dia inteiro na casa hospitaleira de um amigo da parentela de minha casa. Mas a iniciativa foi de João, cuja alma a vontade de penitência e a sua pureza tinha tornado tão limpa, que era uma verdadeira obra-prima de limpidez, sobre a qual a Verdade se refletia nitidamente, dando-lhe também a santa audácia dos puros e dos generosos, que não temem andarem avante, onde está Deus, onde está a verdade, a doutrina, o caminho de Deus.

Quanto Eu o amei por essa sua simples e heróica característica!”.

EMF 49.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ele estava com um pouco de medo…

– Não! Medo de Mim, não! Eu vim para os bons e mais ainda para quem está no erro. Eu quero salvar. Não condenar. Com os honestos serei todo misericórdia.

– E com os pecadores?

– Também. Por desonestos Eu entendo aqueles que têm a desonestidade espiritual e, hipocritamente, se fingem bons, enquanto fazem obras más. Fazem tais coisas, de tal modo, para o seu próprio proveito e para se aproveitarem do próximo. Com esses Eu serei severo.

EMF 49.9-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

49.9 Como motivo para esta visão, disse-me Jesus esta manhã (14 de outubro):

– Quero que tu e todos observeis o comportamento de João. É um lado seu que sempre passa desapercebido. Vós o admirais porque ele é puro, amoroso, fiel. Mas não notais que foi grande também sua humildade. Ele, artífice da vinda de Pedro a Mim, modestamente se cala neste particular.

O apóstolo de Pedro e, por isto, o primeiro dos meus apóstolos, foi João. O primeiro a reconhecer-me, o primeiro a dirigir-me a palavra, o primeiro a seguir-me, o primeiro a pregar sobre Mim. No entanto, estais vendo o que ele diz? Diz assim: “André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois, que tinham ouvido as palavras de João, e tinham seguido a Jesus. O primeiro, com quem se encontrou foi com o seu irmão, Simão, ao qual disse: ‘Encontramos o Messias’, e o levou a Jesus.”

Justo, além de bom, ele sabe que André se angustia por ter um caráter fechado e tímido, que gostaria de fazer muitas coisas mas não consegue, e João quer que o reconhecimento da sua boa vontade chegue a ele, na memória dos pósteros. João quer que André apareça como o primeiro apóstolo de Cristo junto a Simão, perto do irmão, não obstante a sua timidez e acanhamento lhe terem dado alguma derrota em seu apostolado.

49.10 Quem, entre aqueles que fazem alguma coisa por Mim, sabem imitar João, sem se autoproclamarem apóstolos insuperáveis, sem pensar que o seu êxito provém de um complexo de coisas, não somente santidade, mas também audácia humana, sorte e, ocasionalmente, encontram-se com outros menos audazes e felizardos, embora talvez mais santos?

Quando vós vos saís bem no que fazeis de bom, não vos glorieis, como se o mérito fosse todo vosso. Dai louvor a Deus, Senhor dos operários apostólicos, tende os olhos limpos e o coração sincero para ver e para dar a cada um o aplauso que lhe cabe. Olhos limpos para discernir os apóstolos que cumprem o holocausto, e que são as primeiras e verdadeiras alavancas no trabalho dos outros. Só Deus vê estes que, tímidos, parecem nada fazer, mas, ao contrário, são os raptores do fogo do céu, que ataca os audazes. Um coração sincero para saber dizer: “Eu trabalho. Mas este ama mais do que eu, prega melhor do que eu, se imola, como eu não sei fazer, e como Jesus disse: ‘… dentro do próprio quarto, com a porta fechada para rezar em segredo’. Eu, que vejo a sua humilde e santa virtude, quero torná-la conhecida, e dizer: ‘Eu sou instrumento ativo; este é força que me põe em movimento, porque, ligado a Deus como ele, que é para mim canal de força celeste’.”

A bênção do Pai, que desce para recompensar o humilde, que em silêncio se imola para dar força aos apóstolos, descerá também sobre o apóstolo que sinceramente reconhece a sobrenatural e silenciosa ajuda que lhe vem do humilde, e o seu mérito, que a superficialidade dos homens não nota.

Aprendei todos.

49.11 É o meu predileto? Sim. Mas não tem também esta semelhança Comigo? Puro, amoroso, obediente, mas também humilde. Eu me espelhava nele, via nele as minhas virtudes. Eu o amava por isso, como um segundo Eu. Via sobre ele o olhar do Pai que o reconhecia como um pequeno Cristo. E minha mãe me dizia: “Nele sinto ter um segundo filho. Parece-me estar vendo a Ti, reproduzido em um homem.”

Oh! a cheia de sabedoria como te conheceu, ó meu dileto! Os céus azuis de vossos corações de pureza se fundiram em um único velário para me dar proteção de amor, e tornarem-se assim um só amor, antes ainda que Eu desse minha mãe a João, e João à minha mãe. Eles se amaram, porque se reconheceram semelhantes: filhos­ e irmãos do Pai e do Filho.

Anotação

João 1:39-42:

André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois discípulos que ouviram a palavra de João e seguiram Jesus. Primeiro encontrou Simão, seu irmão, e disse-lhe: "Encontrámos o Messias" - que significa Cristo. André levou o seu irmão a Jesus. Jesus olhou para ele e disse: "Tu és Simão, filho de João; o teu nome será Kefas" - que significa Pedro.

EMF 52.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me explica o significado da frase.

– Aquele “ainda”, que muitos tradutores omitem, é a chave da frase e a explica em seu verdadeiro significado.

Eu era o Filho sujeito à mãe até o momento em que a vontade do meu Pai me mostrou que havia chegado a hora de ser o Mestre. Desde o momento em que teve início a minha missão eu não era mais o Filho sujeito à mãe, mas o Servo de Deus. Estavam rompidos os laços morais para com a minha genitora. Estes tinham sido mudados em outros mais altos e todos se haviam refugiado no espírito. Aquele chamava sempre o nome de “mamãe” Maria, a minha santa. O amor não teve parada, nem esfriamento; ao contrário, nunca ele foi tão perfeito como quando, separado dela como por uma segunda filiação, ela me deu ao mundo para o mundo, como Messias, como Evangelizador. Essa sua terceira, sublime e mística maternidade se deu quando, na angústia do Gólgota, ela gerou-Me à Cruz fazendo de Mim o Redentor do mundo.

“Que é que ainda há entre Mim e ti?” Antes, Eu era teu, unicamente teu. Tu me davas ordens, Eu obedecia. Eu te estava “sujeito”. Agora Eu sou da minha missão.

Será que Eu não disse[3] isto? “Quem, tendo posto a mão no arado, vira-se para trás para saudar a quem fica, não é apto para o Reino de Deus.” Eu tinha posto a mão no arado para abrir com a relha não as glebas, mas os corações para semear neles a Palavra de Deus. Eu teria levantado aquela mão, somente quando me tivessem arrancado de lá para pregá-la na cruz e abrir com o meu torturante prego, o coração do meu Pai, fazendo sair o perdão para a humanidade.

Aquele “ainda”, geralmente esquecido, queria dizer o seguinte: “Tudo tens sido para Mim, ó mãe, enquanto Eu fui unicamente o Jesus de Maria de Nazaré, e tudo és em meu espírito; mas, desde que Eu sou o Messias esperado, sou de meu Pai. Espera um pouco ainda que, terminada a missão, serei de novo todo teu; ter-me-ás de novo nos braços, como quando Eu era menino e ninguém te disputará mais este teu Filho, considerado um opróbrio da humanidade, a qual te jogará os despojos dele, para cobrir-te a ti também do opróbrio de ser a mãe de um condenado à morte. E depois, Me terás de novo, triunfante, depois me terás para sempre, triunfante Tu também, no Céu. Mas agora Eu sou de todos os homens. E sou do Pai que a eles me enviou.”

Eis o que quer dizer aquele “ainda”, pequeno e tão denso de significado.

Detalhe

Objeção levantada: O "daqui em diante" não se encontra no Evangelho.

Notas da segunda edição sobre a passagem *Este doravante que muitos tradutores deixam passar em silêncio: ao traduzir as palavras que se lêem em Jo 2,4.

EMF 52.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus me instrui assim:

– Quando Eu disse aos discípulos: “Vamos fazer feliz minha mãe”, Eu tinha dado àquela frase um sentido mais alto do que o que parecia. Não a felicidade de me ver, mas de ser ela a iniciadora de minha atividade de fazer milagres e a primeira benfeitora da humanidade. Lembrai-vos disso sempre. O meu primeiro milagre aconteceu por causa de Maria. O primeiro. Sinal de que Maria é a chave dos milagres. Eu não recuso nada à minha mãe, e pela sua oração antecipo também o tempo da graça. Eu conheço minha mãe, a segunda em bondade depois de Deus. Eu sei que conceder-vos uma graça é fazê-la feliz, porque ela é a Toda Amor. Eis porque Eu disse, Eu que tudo sabia: “Vamos fazê-la feliz.”

Além disso, Eu quis manifestar o seu poder ao mundo, junto com o meu. Destinada a ser unida a Mim na carne — pois nós fomos uma só carne: Eu nela, e ela ao redor de Mim, como as pétalas de um lírio ao redor do pistilo perfumado e cheio de vida —; unida a Mim na dor, porque estivemos sobre a cruz: Eu com a carne e ela com seu espírito, assim como o lírio exala perfume com sua corola e com a essência extraída dela, era justo que estivesse unida a Mim no poder que se mostra ao mundo.

Digo a vós o que Eu disse àqueles convidados: “Agradecei a Maria. Foi por ela que tivestes o dom dos milagres e as minhas graças, e especialmente as do perdão.”

Repousa em paz. Nós estamos contigo.

EMF 70.8-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Depois Jesus diz:

– Ainda um paralelo entre o meu João e um outro discípulo. Paralelo no qual sai sempre mais nítida a figura do meu predileto.

Ele é aquele que se despoja do seu modo de pensar e de julgar, para ser “o discípulo.” É aquele que se doa, sem querer de si nem mesmo uma molécula — do si mesmo antecedente à eleição. Judas é aquele que não quer se despojar de si mesmo. A sua doação é, por isso, uma doação irreal. Ele traz consigo o seu eu doente de soberba, de sensualidade, de cobiça. Conserva o seu modo de pensar. Com isso ele neutraliza os efeitos da doação e da Graça.

Judas é o chefe da família de todos os apóstolos fracassados. E são tantos! João é o chefe da família dos que se fazem hóstias por meu amor. Ele é o teu modelo.

Eu e minha mãe somos as Hóstias excelsas. Alcançar-nos é difícil, aliás, impossível, porque o nosso sacrifício foi de uma aspereza total. Mas o meu João! É a hóstia imitável por todas as classes dos meus amadores: virgem, mártir, confessor, evangelizador, servo de Deus e da mãe de Deus, ativo e contemplativo, é um exemplo para todos. É aquele que ama.

Observa os diferentes modos de raciocinar. Judas investiga, argumenta, teima, e, mesmo quando parece estar cedendo, na realidade está conservando ainda o seu modo de pensar. João se julga um nada, aceita tudo, não pergunta as razões, e se sente bem pago se puder me fazer feliz. Eis o exemplo.

70.9

Não é verdade que te sentiste toda cheia de paz, diante daquela sua simples e querida amorosidade? Oh! O meu João! E o meu pequeno João que Eu quero seja sempre mais parecido com o meu dileto. Aceita tudo, dizendo sempre como o Apóstolo: “Tudo aquilo que fazes é bem feito, Mestre”, para merecer ouvir sempre que se lhe diga: “És a minha amorosa paz.” Preciso de consolo Eu também, Maria. Dá-me. O meu Coração seja o teu repouso.

Detalhe

Ditado ligado à EMV 70.1-6