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Obras de Maria Valtorta

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EMF 27

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O édito do recenseamento. Ensinamentos sobre o amor ao marido e a confiança em Deus.

Data da visão e do ditado: Domingo 4 de junho de 1944

Calendário: Domingo, 17 de novembro de 5 d.C.

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria está em casa. A sua gravidez está muito avançada. Maria descreve-a e explica que é assim que ela será no seu corpo glorificado. Depois retoma a história, e José chega. Sorri para a mulher, mas está preocupado. Maria apercebe-se disso e ele explica-lhe que acaba de ser publicado um edital. Ele estava preocupado com Maria, que teria de fazer a viagem, mas a Virgem estava a pensar nas Sagradas Escrituras e sentia que o nascimento teria lugar ali. Confia os seus pensamentos a José, que fica ainda mais alarmado e preocupado, e ela tranquiliza-o, dizendo-lhe que confie em Deus. Ao ouvi-la, José acalmou-se, sorriu e decidiu pôr mãos à obra na viagem que tinha pela frente.

Conteúdo do capítulo: 27.1: A gravidez avançada de Maria e a sua eterna juventude. 27.2: O édito é publicado; temos de ir para Belém. 27.3: É lá que o Messias vai nascer. 27.4: José volta a sorrir. 27.5: O que pesa sobre os ombros dos noivos, respetivamente. 27.6: A confiança em Deus resume as virtudes teologais. 27.7: Nada pode acontecer sem a permissão de Deus.

EMF 27.5-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

27.5 Maria diz:

– Não acrescento mais coisas, porque as minhas palavras­ já são ensinamento.

Mas quero chamar a atenção das mulheres para um ponto. Muitas uniões se transformam em desuniões por culpa das mulheres, que não têm aquele amor que é tudo: gentileza, piedade, atenção para com o marido. Sobre o homem não pesam os sofrimentos físicos que pesam sobre a mulher. Mas sobre ele pesam todas as preocupações morais: necessidade de trabalho, as decisões a serem tomadas, a responsabilidade diante dos poderes constituídos e da própria família… Oh! quantas coisas pesam sobre o homem! E quanto precisa também ele de conforto! Pois bem, o egoísmo chega a tal ponto que ao marido cansado, desanimado, humilhado e preocupado, a mulher ainda lhe acrescenta o peso de suas lamentações inúteis e, às vezes, até injustas! Tudo isso, porque ela é egoísta, não ama.

Amar não é satisfazer-nos a nós mesmos, buscando a sensualidade e outras vantagens. Amar é contentar a quem amamos, acima daquelas coisas dos sentidos, que gostaríamos de ter e usar, dando ao espírito da pessoa que amamos aquela ajuda de que ela tem necessidade, a fim de que sempre possa ter as suas asas abertas, para voar pelos céus da esperança e da paz.

27.6 Outro ponto sobre o qual chamo de novo a atenção. Já falei dele. Mas eu insisto: é a confiança em Deus.

A confiança resume as virtudes teologais. Quem tem confiança dá sinal de que tem fé. Quem tem confiança, dá sinal de que espera. Quem tem confiança, mostra que ama. Quando alguém ama, espera e crê em uma pessoa, tem confiança. Do contrário, não. Deus merece esta nossa confiança. Se a damos aos pobres homens capazes de falhar­, por que a negamos a Deus que não falha nunca?

A confiança é também humildade. O soberbo diz: “Eu mesmo faço. Não confio nele, porque ele é um incapaz, um mentiroso, um violento…” Mas o humilde diz: “Eu confio. Por que não haveria de confiar? Por que haverei de pensar que sou melhor do que ele?” E, com maior razão, é assim que ele fala de Deus: “Por que haverei de não confiar Naquele que é bom? Por que deverei pensar que sou capaz de fazer tudo, eu mesmo?” Deus ao humilde se doa. Mas se afasta de quem é soberbo.

A confiança é também obediência. Deus ama o obediente. A obediência é sinal de que nós nos reconhecemos filhos Dele e que O reconhecemos como nosso Pai. Ora, um pai não pode deixar de amar, quando é verdadeiro pai. Deus para nós é Pai verdadeiro e Pai perfeito.

27.7 Sobre um terceiro ponto eu quero que medites. Está também fundamentado na confiança.

Nenhum acontecimento pode suceder, se Deus não o permitir. És tu poderoso? Assim és, porque Deus o permitiu. És tu súdito? Assim és porque Deus o permitiu. Procura, pois, ó poderoso, não fazer deste teu poder o teu mal. Seria sempre “teu mal” mesmo quando, a princípio, parece ser um mal para os outros. Porque, se Deus permite, não o permite além de certos limites, e, se passas desses limites, Deus te fere e te esmaga. Procura, então, ó súdito, fazer desta tua condição um ímã para atrair sobre ti a proteção celeste. Não maldigas nunca. Deixa os cuidados a Deus. Ele, que é o Senhor de todos, pode abençoar e amaldiçoar as suas criaturas.

Vai em paz.

EMF 28

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : A chegada a Belém.

Data da visão: Segunda-feira 5 de junho de 1944

Calendário: Terça-feira 10 de dezembro -5 D.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria e José partem para Belém. Maria vai montada num burro e José vai a pé, pois não conseguiu arranjar dois burros. O marido da Virgem pergunta-lhe se ela está cansada, mas ela tranquiliza-o. Quando José lhe pergunta se tem frio, ela também o tranquiliza, mas desta vez o seu tutor não fica satisfeito com a sua resposta e julga que os seus pés estão frios. Por isso, dá-lhe mais um cobertor.

No caminho, o casal encontra Elias, um dos futuros pastores que virão adorar Cristo. Acompanhado do seu rebanho de ovelhas, dá-lhes leite fresco. Dado o estado de Maria, dá-lhes informações sobre Belém e diz-lhes que está cheia de gente por causa do édito. O homem dá-lhes alguns conselhos preciosos, caso não consigam encontrar abrigo, e diz-lhes para irem para as cabanas da montanha, se não conseguirem mesmo encontrar nada.

Quando voltam a partir, Maria diz ao marido que acha que chegou o momento. A Virgem estava verdadeiramente feliz com o nascimento do seu Filho, mas José não estava tão contente e apressou-se a arranjar-lhes alojamento. Ninguém os recebe e já é noite. Assim, são obrigados a dirigir-se aos abrigos mencionados por Elias, mas os melhores lugares estão ocupados. Por fim, foram encaminhados para uma cova muito pobre, onde só havia um boi. Instalaram-se ali por falta de algo melhor, mas, como disse José, "é melhor do que nada". O animal era muito dócil e aceitou os novos visitantes. José prepara um lugar para Maria, aquecendo feno e depois, quando tudo está pronto, encoraja-a a dormir. E assim termina a visão.

Conteúdo do capítulo: 28.1: Na estrada, em pleno inverno. 28.2: Não sei se encontrarás um lugar para ficar. 28.3: Não há lugar na estalagem. 28.4: Uma espécie de gruta onde há um boi. 28.5: José está a preparar tudo. 28.6: A visão fala por si.

EMF 28.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria está sobre um burrinho cinzento. Está toda enrolada no pesado manto. Na dianteira da sela está aquele instrumento, já visto na viagem para Hebron, e por cima, está o baú com as coisas mais essenciais.

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Maria e José vão a Belém para o edital de recenseamento.

EMF 28.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Não há ditado –diz Maria–. A visão fala por si mesma. A vós compete compreender a lição de caridade, humildade e pureza que emana dela. Descansa. Descansa velando, como eu velava, esperando Jesus. Ele virá trazer-te a Sua paz.

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Maria e José vão a Belém para o edital de recenseamento. Era inverno e tinham encontrado a manjedoura em Belém. Após a visão, Maria diz a Maria:

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O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : O nascimento de Jesus. O poder salvador da maternidade divina de Maria.

Data da visão e do ditado: Terça-feira 6 de junho de 1944

Calendário: Quarta-feira 11 de dezembro - 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria e José estão na manjedoura em Belém. José adormeceu, mas Maria não. Ela vê que o marido está a dormir e sorri largamente, depois coloca-se discretamente em posição de oração. A Virgem reza intensamente. José acorda finalmente e dirige algumas palavras a Maria, para ver se ela precisa de alguma coisa. Depois, também ele decide rezar à lareira.

A luz da lua chega a Maria e, a certa altura, ela levanta a cabeça, como se respondesse a um chamamento. Sorriu e a luz tornou-se cada vez mais forte, envolvendo-a completamente. Quando a luz se tornou suportável para Maria, a Imaculada Conceição segurou o seu Filho nos braços. O bebé chorou e ela chamou o marido. Ele foi como que atingido por um raio quando viu o Salvador, mas Maria convidou-o a aproximar-se e ofereceu-o ao Pai com José. Ela confia então Jesus ao seu suposto pai, enquanto ele vai buscar as faixas. A princípio, ele foi muito reservado, com medo de ser desrespeitoso, mas assim que o teve nos braços, abandonou a sua intenção inicial e cuidou dele como se fosse a menina dos seus olhos. Juntamente com Maria, colocam-no em faixas e envolvem-no num cobertor que aqueceram à lareira, e então a Mãe pergunta, com razão, onde vão colocar o Menino. José sugere então que o coloquem numa manjedoura ao lado do boi, porque a madeira o protegeria das correntes de ar, o feno serviria de almofada e o hálito do animal, que era calmo e tranquilo, o aqueceria um pouco. E assim fizeram. E depois ambos adoraram o Redentor que tinha descido do Céu para nos salvar.

Maria dá então um ditado a Maria. Anuncia a Maria um tempo de sofrimento, mas diz-lhe que é através do sofrimento que se ganha a paz, "bem como a graça para nós e para os outros". Fala de Jesus Homem que, depois da Paixão, voltou a ser Jesus Deus, mas que não teve paz no momento da sua provação, porque de outra forma não teria sofrido.

Depois a Mãe dá uma lição para todos, explicando como participou na redenção das mulheres através da sua maternidade divina.

Ela venceu o orgulho, humilhando-se até ao mais profundo do seu ser. Ela venceu a ganância dos nossos primeiros pais, entregando antecipadamente o seu Filho. Ultrapassou a ganância do conhecimento e do prazer, aceitando saber apenas o que Deus queria que ela soubesse. A plenitude da Graça venceu a luxúria, que é a gula levada ao ponto da gula. Por fim, deu a paz à mulher aos pés da Cruz, quando viu o seu Filho morrer. A Virgem morreu nesse momento, para se tornar a Mãe da Graça.

Sublinha que foi pelas mulheres que ela fez tudo isto, para que nós nos tornássemos santos de Deus.

Índice do capítulo: 29.1: Maria e José em oração. 29.2: Uma luz transfigura Maria. 29.3: O menino nasce numa luz deslumbrante. 29.4: A criança é oferecida a Deus e entregue a José. 29.5: Apressa-se a protegê-lo do frio. 29.6: É no sofrimento que se ganha a paz. 29.7: Eu redimi o quádruplo pecado de Eva. 29.8: A humildade contra o orgulho. 29.9 : A renúncia contra a avareza. 29.10: A fome de Deus contra a gula. 29.11: A castidade contra a luxúria. 29.12: A paz obtida aos pés da cruz. 29.13: A participação na redenção.

EMF 29.6-13

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria diz:

– Eu te havia prometido que Ele te traria a paz. Estás lembrada da paz que havia em ti nos dias do Natal? De quando me vias com o meu Menino? Aquele era o teu tempo de paz. Agora é o teu tempo de sofrimento. Mas tu o sabes. É no sofrimento que se conquista a paz e toda graça para nós e o próximo. Jesus-Homem revelou-se Jesus-Deus, depois do tremendo sofrimento da Paixão. Revelou-se como a Paz. Paz no Céu, do qual Ele tinha vindo, derramada sobre aqueles que no mundo o amam. Mas, nas horas da paixão, Ele, a Paz do mundo, foi privado dela. Não teria sofrido, se tivesse tido a paz. Mas devia sofrer. Sofrer de modo completo.

29.7 Eu, Maria, redimi a mulher com a minha maternidade divina. Mas isso não foi mais que o início da redenção da mulher. Negando-me a quaisquer esponsais pelo voto de virgindade, eu tinha rejeitado todo prazer de concupiscência, e merecido a graça de Deus. Isso, porém ainda não bastava. Porque o pecado de Eva era uma árvore de quatro ramos: soberba, avareza, gula e luxúria. Todos os quatro deviam ser cortados, a fim de esterilizar a árvore desde as raízes.

29.8 Humilhando-me profundamente, eu venci a soberba.

Humilhei-me diante de todos. Não estou falando da minha humildade para com Deus. Esta é devida ao Altíssimo por toda criatura. O Verbo de Deus a teve. Eu, uma mulher, a devia ter. Mas terás já refletido por quantas humilhações da parte dos homens eu tive que passar, sem me defender de modo nenhum? Até José, que era justo, me havia acusado em seu coração. Os outros, que não eram justos, tinham­ pecado por murmuração a respeito do meu estado, e o baru­lho dessas palavras veio, como uma onda amarga, quebrar-se contra a minha natureza humana.

Foram estas as primeiras das infinitas humilhações que a minha vida, como mãe de Jesus e do genero humano, me fizeram sofrer. Humilhações de pobreza, humilhações de uma fugitiva, humilhações pelas censuras dos parentes e amigos que, não sabendo a verdade, julgavam fraco o meu modo de ser mãe para com o meu Jesus, quando Ele se tornou jovem. Humilhações durante os três anos do seu ministério, humilhações cruéis na hora do Calvário, humilhações até em ter que reconhecer que eu não tinha com que comprar o lugar e os aromas, para a sepultura do meu Filho.

29.9 Eu venci a avareza dos Progenitores, renunciando antecipadamente ao meu Filho.

Uma mãe não renuncia nunca ao seu filho, a não ser que seja forçada. Se essa renúncia for solicitada ao seu coração pela Pátria, pelo amor de uma esposa, ou até pelo próprio Deus, ela sente o desejo de insurgir-se contra a separação. É natural. O filho cresce em nosso ventre, e nunca é completamente cortada a ligação que sua pessoa tem com a nossa. Mesmo depois de cortado o canal vital que é o cordão umbilical, sempre fica um elo espiritual, que nasce no coração da mãe, mais vivo e sensível do que um elo físico, o qual se introduz no coração do filho, esticando até à dor, se o amor de Deus, de uma criatura, da Pátria afasta o filho da própria mãe. Este elo se despedaça, dilacerando o coração, se a morte arrebata o filho de sua mãe.

Eu renunciei ao meu Filho, desde o momento em que O tive. Dei-O a Deus. Dei-O a vós. Eu me despojei do Fruto do meu ventre, para reparar o furto cometido por Eva, do fruto de Deus.

29.10 Eu venci a gula, tanto do saber como do gozar, aceitando saber unicamente o que Deus queria que eu soubesse, sem perguntar a mim mesma nem a Ele nada mais, além do que foi dito. Acreditei sem investigar. Venci a gula do gozar, porque neguei a mim mesma todo sabor de sensualidade. Pus minha carne debaixo dos meus pés. Confinei a carne, instrumento de satanás, colocando satanás debaixo de meu calcanhar, a fim de fazer da carne um degrau para aproximar-me do Céu. O Céu! Ele era a minha meta. Era lá que estava Deus. Deus, a minha única fome. Fome esta que não é gula, mas sim, necessidade abençoada por Ele, o qual quer que a tenhamos.

29.11 Eu venci a luxúria, que é a gula, convertida em voracidade, porque todo vício não contido conduz a um vício maior. A gula de Eva, além de reprovável em si mesma, a conduziu à luxúria. Não lhe bastou procurar a satisfação sozinha. Quis levar o seu delito até uma refinada intensidade, conhecendo e se fazendo mestra de luxúria para o companheiro. Eu inverti os termos e, em lugar de descer, sempre subi. Em lugar de fazer descer, eu sempre atraí para o alto, e do meu companheiro, um homem honesto fiz um anjo.

Agora que eu possuía Deus, e com Ele as Suas riquezas infinitas, apressei-me a despojar-me delas, dizendo: “Que seja feita a tua vontade para Ele e por Ele”. Casto é aquele que se auto contém, não só na carne, mas também nos afetos e nos pensamentos. Eu devia ser a casta, para anular a impudica da carne, do coração e da mente. Não saí da minha reserva, para dizer a respeito do meu único Filho na terra e único Filho de Deus no Céu: “Ele é meu, e eu O quero.”

29.12 Contudo, isso não bastava para obter para a mulher, a paz perdida por Eva. Aquela paz eu vo-la obtive aos pés da Cruz. Ao ver morrer Aquele que tu viste nascer. Ao sentir minhas entranhas sendo arrancadas, ao grito do meu Filho que estava morrendo, fiquei vazia de todo feminismo: não mais carne, mas anjo. Maria, a virgem desposada com o Espírito, morreu naquele momento. Ficou a mãe da graça, aquela que do seu tormento gerou e vos deu a graça a Graça. O gênero da mulher que eu tinha voltado a consagrar na noite de Natal, aos pés da Cruz conseguiu se tornar criatura dos Céus.

Fiz isso por vós, negando-me qualquer satisfação, ainda que santa. Eu fiz de vós, se o desejais, santas de Deus, vós que fostes reduzidas por Eva a fêmeas não superiores às companheiras dos animais. Por vós eu subi. Como fiz com José, eu vos levei para o alto. A rocha do calvário é o meu Monte das Oliveiras. Foi dali que eu tomei o impulso para levar a alma da mulher aos céus, de novo santificada, junto com minha carne glorificada, por ter trazido o Verbo de Deus, e anulado em mim todo vestígio de Eva. Ela foi a última raiz daquela árvore dos quatro ramos venenosos, com a raiz fincada na sensualidade, que arrastou a humanidade à queda e que haverá de morder as vossas entranhas, até ao fim dos séculos, até à última mulher. De lá, de onde agora eu brilho no raio do Amor, eu vos chamo, e vos indico o remédio para vós vencerdes a vós mesmas: a graça do meu Senhor e o sangue do meu Filho.

29.13 E tu, minha porta-voz, repousa a tua alma na luz desta aurora de

Jesus, a fim de que tenhas força para as futuras crucificações, que não te serão poupadas, porque te queremos aqui, para onde se vem através da dor; e para tão mais alto se vem, quanto mais se suporta o sofrimento, a fim de obter graça para o mundo.

Vai em paz. Eu estou contigo”.

EMF 30

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : O anúncio aos pastores, primeiros adoradores do Verbo feito homem.

Data da visão e do ditado: Quarta-feira, 7 de junho de 1944 (Vigília do Corpo de Cristo)

Calendário: Quarta-feira, 11 de dezembro - 5 d.C.

Local (mapa) : Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: A visão de Maria começa no campo de Belém. Há uma luz muito brilhante no céu, que atrai a atenção dos animais e das pessoas. Um dos pastores sai e chama os seus companheiros, que ficam intrigados com o fenómeno. Um dos pastores mais novos começa mesmo a chorar, até que recupera a calma e parece cativado por algo: deixa de prestar atenção aos outros e avança. Isso fez os seus companheiros reflectirem e resmungaram um pouco, mas o jovem Levi falou-lhes de uma luz que descia. Depois foi o primeiro a ver um anjo e todos se ajoelharam para receber o servo do Senhor. O mensageiro angélico deu-lhes a feliz notícia do nascimento do Salvador e, em seguida, uma multidão de anjos cantou o Glória. Depois voltaram para o céu, deixando os pastores sozinhos. Mas os pastores não adiaram: puseram-se a caminho em direção ao berço, levando uma bela manta para o Menino e uma ovelha para lhe dar leite quente.

Chegaram... Mas não sabiam como o fazer. Convidaram então o mais novo, Levi, para ver o que se passava. O pastor observa e diz-lhes que a Virgem cuida do seu bebé, que chora de fome e de frio. Os pastores querem que Levi se aproxime, mas o jovem quer que Elias se aproxime, pois já conheceu Maria e José em MTS 28. Os pastores dão-se assim a conhecer e podem adorar a criança. Oferecem-lhe os seus presentes e deixam entrar Elias, que tinha ficado à entrada, sem se atrever a aproximar-se. Jesus pode assim receber leite quente.

Os pastores dizem que a Sagrada Família não pode ficar aqui e prometem ajudá-los e espalhar a notícia do nascimento do Senhor. Quando José lhes chama a atenção para o facto de serem pobres e não os poderem compensar, eles dizem que não querem nada. Pelo contrário, queriam servir o Menino e os seus pais. Quando Maria respondeu às suas perguntas e lhes disse que os seus pais eram Zacarias e Isabel, Elias ofereceu-se para ir ter com ele e dizer-lhe que Maria de Nazaré lhe tinha pedido para vir a Belém.

Por fim, cada pastor apresenta-se pelo seu nome e retira-se... deixando o seu coração, como explica Maria Valtorta.

Jesus faz então um ditado e declara que os pastores são os primeiros adoradores da Palavra. Eles têm todas as qualidades necessárias para serem almas eucarísticas, pois têm uma fé definida, generosidade, humildade, desejo, obediência pronta e, por fim, amor. Finalmente, Cristo sublinha que aqueles que têm alma de criança, como Levi, sabem ver Deus mais claramente e têm mais coragem de recorrer a Maria. Convida-nos a rezar a Maria, pois quem vai a Maria encontra-O e quem O pede a Maria recebe-O através da sua Mãe.

Conteúdo do capítulo: 30.1: Uma lua deslumbrante no campo. 30.2: Um pastor atraído por uma luz mais brilhante. 30.3: Um anjo aparece e fala aos pastores. 30.4: Uma multidão de anjos canta o Glória. 30.5: O pastor do dia anterior aponta para a manjedoura. 30.6: O que o jovem pastor vê por detrás do manto à entrada. 30.7: A pele de uma ovelha e o leite quente são apresentados. 30.8: Elias vai encontrar uma casa e avisa Zacarias. 30.9: Os doze pastores dão os seus nomes e beijam a criança. 30.10: Louvor para os pastores. 30.11: Aquele que vai ter com Maria encontra-me.

EMF 30.10-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– Hoje sou Eu que falo. Estás muito cansada, mas tem ainda um pouco de paciência.

Estamos na vigília de Corpus Christi. Eu poderia falar-te da Eucaristia e dos santos que se fizeram apóstolos do seu culto, assim como já te falei[1] dos santos que foram apóstolos do Sagrado Coração. Mas eu quero falar-te de uma outra coisa e de uma categoria de adoradores do meu Corpo, precursores do culto a Ele prestado. Os pastores são os primeiros adoradores do meu Corpo de Verbo feito Homem.

Uma vez Eu te disse isto, que é dito também pela minha Igreja. Os Santos Inocentes são os protomártires de Cristo. Agora te digo que os pastores são os primeiros adoradores do Corpo de Deus. Neles se encontram todos os requisitos exigidos para vos tornardes adoradores do meu Corpo, ó almas eucarísticas.

Fé firme: eles crêem pronta e cegamente no anjo.

Generosidade: eles dão toda a sua riqueza ao Senhor.

Humildade: eles se aproximam dos que humanamente são mais pobres do que eles, com uma modéstia tal em seus atos, que não rebaixam os pobres, mas se confessam seus servos.

Desejo: tudo o que não podem dar por si mesmos, esforçam-se para encontrá-lo com apostolado e fadiga.

Prontidão na obediência: Maria deseja que Zacarias seja avisado e Elias vai sem demora, sem pedir nenhum prazo.

Amor: enfim, eles não sabem como afastar-se, e tu dizes: “deixam alí o coração.” E dizes bem.

Não seria necessário fazer assim também com o meu Sacramento?

30.11 Uma outra coisa, e essa é toda para ti: observa bem, a quem o anjo primeiro se revela, e quem merece ouvir as efusões de Maria? O menino Levi.

A quem tem alma de criança, Deus Se mostra e a Seus mistérios, permitindo-lhe ouvir as palavras divinas e as palavras de Maria. Quem tem alma de criança, tem também a santa coragem de Levi, para dizer: “Deixa-me beijar o vestidinho de Jesus.” Isto ele diz a Maria. Porque é sempre Maria que vos dá Jesus. Ela é a portadora da Eucaristia. Ela é a píxide viva.

Quem vai a Maria, Me encontra. Quem me pede a ela, recebe. O sorriso de minha mãe, quando uma criatura lhe diz: “Dá-me o teu Jesus, para que eu o ame”, faz que os céus mudem de cor, em um mais vivo esplendor de alegria, pois tal é a altura do grau da sua felicidade.

Diz-lhe, pois: “Deixa-me beijar a veste de Jesus. Deixa-me beijar as suas chagas.” Procura ter coragem para dizer ainda mais que isso. Diz assim: “Deixa-me repousar a cabeça sobre o Coração do teu Jesus, para que isso me faça feliz.”

Vem. E repousa. Como Jesus no berço, entre Jesus e Maria.