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Notas do tema

Factos sobre o Protévangile

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EMF 1.1-3 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

22 de agosto de 1944.

1.1 Jesus me ordena: “Pega um caderno todo novo. Copia, na primeira folha, o ditado do dia 16 de agosto. Neste livro se falará dela”.

Obedeço e copio.

16 de agosto de 1944.

1.2 Jesus diz:

– Hoje escreve apenas isto. A pureza, na sua expressão máxima, tem um tal valor que torna o seio de uma criatura capaz de conter o que não podia ser contido.

A Santíssima Trindade desceu com a sua perfeição em um pequeno espaço, habitando-o com as suas Três Pessoas, encerrando lá o seu Infinito, sem diminuir-se com isso, pois o amor da Virgem e a vontade de Deus dilataram este espaço até transformá-lo num Céu. Eis como essas características se manifestaram:

Assim como no sexto dia[1], o Pai recria a Criatura, tendo uma “filha” digna e verdadeira, feita à sua perfeita semelhança. A imagem de Deus estava estampada em Maria de tal modo que só no Primogênito do Pai lhe era superior. Maria pode ser chamada a “segundogênita” do Pai porque, pela perfeição que lhe foi dada e sabida conservar, por dignidade de esposa e mãe de Deus e também de Rainha do Céu, vem depois do Filho do Pai no seu eterno Pensamento, que “ab aeterno” nela se compraz;

o Filho, sendo também para ela “Filho” ensinando-a, por mistério de graça, a sua verdade e sabedoria quando ainda não era mais que um embrião que lhe crescia no ventre;

o Espírito Santo, aparecendo entre os homens por uma antecipada Pentecostes, por uma prolongada Pentecostes, Amor “naquela que amou”, consolação dos homens, pelo fruto do seu ventre, santificação, pela maternidade do Santo.

1.3 Deus, para manifestar-se aos homens, da forma nova e completa que inicia a era da Redenção, não escolheu para seu trono um astro do céu, nem o palácio real de um poderoso. Não quis nem mesmo as asas dos anjos como base para seus pés. Quis um seio sem mácula.

Eva também tinha sido criada sem mancha. Mas espontaneamente quis corromper-se. Maria, tendo vivido num mundo corrupto (Eva, ao contrário, vivera num mundo puro) não quis prejudicar a sua inocência nem mesmo com um pensamento voltado ao pecado. Sabia que o pecado existe. Viu os vultos diversos e horríveis. Viu todos, até o mais horrendo vício: o deicídio. Mas os conheceu para expiá-los e ser, eternamente, aquela que tem piedade dos pecadores e ora por suas redenções.

1.4 Este pensamento será introdução a outras coisas santas que darei para teu conforto e de muitos outros.

EMF 2.4 · Volume 1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ah! Se tivéssemos tido um menino, teria querido assim, com estes olhos e estes cabelos…

Ana está inclinada, aliás, ajoelhada e com um grande suspiro, beija os dois grandes e belos olhos cinza-azulados.

Joaquim também suspira. Mas quer consolá-la. Coloca-lhe a mão sobre seus cabelos crespos e embranquecidos e lhe diz:

– Convém ainda esperar. Deus tudo pode. Enquanto se é vivo, o milagre pode acontecer, especialmente quando se ama e se é amado.

Joaquim frisa muito as últimas palavras.

Mas Ana calada, desalentada, está com a cabeça inclinada para não mostrar duas lágrimas que descem, e que somente o pequeno Alfeu vê; admirado e angustiado por ver a sua grande amiga chorar, como faz algumas vezes, levanta a mãozinha e enxuga aquele pranto.

– Não chores Ana! Somos felizes assim mesmo. Ao menos eu sou, porque tenho a ti.

– Eu também. Mas não te dei um filho… Penso que desagradei ao Senhor, já que me secou as entranhas…

– Oh minha mulher! Em que tu, santa, queres ter-lhe desagradado? Escuta. Vamos ainda uma vez ao Templo. Por este motivo. Não só pelos Tabernáculos. Façamos uma longa oração… Talvez te aconteça como com Sara… ou com Ana de Elcana[1]. Muito esperaram, e se acreditavam reprovadas por serem estéreis. Ao invés disso, nos céus de Deus, amadurecia um filho santo para elas. Sorri, minha esposa. O teu pranto me dói mais do que não ter prole… Levaremos Alfeu conosco e o faremos orar, ele que é inocente… Deus ouvirá a sua e a nossa oração, nos atendendo então.

– Sim. Façamos um voto ao Senhor. Será seu o recém-nascido. Contanto que nos conceda… Oh! Ouvi-lo chamar-me “mamãe”!

E Alfeu, espectador admirado e inocente:

– Eu te chamo assim!

– Sim, querida alegria… mas tu tens a tua mamãe e eu… eu não tenho nenhuma criança…

A visão termina aqui.

Detalhe

Anne e Joachim observam o pequeno Alphée e Anne revela o seu sofrimento por não ter um filho.

EMF 3.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ana suspira. E a outra:

– Sim. Sou pobre, mas os filhos são a nossa alegria e os maiorzinhos já ajudam no trabalho. E tu, senhora (tudo indica que Ana seja de condição mais elevada, pois a outra o notou) quantas crianças tens?

– Nenhuma.

– Nenhuma?! Esta não é tua?

– Não, de uma vizinha muito boa. É o meu conforto…

– Morreram ou…

– Não, nunca as tive.

– Oh!

A pobre mulher a olha com piedade.

Ana se despede com um grande suspiro e vai à sua cabana.

– Eu te fiz esperar, Joaquim! Uma pobre mulher entreteve-me; mãe de seis filhos, imagine! E terá outro!

Joaquim suspira.

O pai de Alfeu chama o seu filho, mas este lhe responde:

– Eu fico com a Ana. Estou ajudando-a.

Todos riem.

– Deixa-o. Ele não me dá aborrecimento. Ainda não está obrigado a observar a Lei. Estando aqui ou ali, ele não passa de um passarinho comilão –diz Ana que senta-se com o menino no colo, ao qual dá pão com peixe assado.

Vejo que antes de dar o peixe, parece estar lhe tirando os espinhos. Depois serve o marido. Ela come por último.

3.4 A noite está sempre mais cheia de estrelas e as luzes sempre mais numerosas no campo. Depois lentamente muitos candeeiros se apagam. São daqueles que jantaram antes e que agora se põem a dormir. Também o murmúrio diminui devagar. Vozes de meninos não se ouvem mais. Só alguma criança de peito faz ouvir a sua vozinha de cordeirinho buscando o leite da mamãe. A noite sopra o seu hálito sobre as pessoas, apagando desgostos e lembranças, esperanças e rancores. Aliás, talvez Joaquim e Ana sobrevivam tranqüilizados, seja no sono, que no sonho.

Ana o diz ao marido, enquanto embala Alfeu que começa a dormir em seus braços:

– Esta noite sonhei que no próximo ano eu virei à Cidade Santa para duas festas, ao invés de uma. E uma será a dádiva da minha criança ao Templo… Oh! Joaquim!…

– Espera, espera Ana. Não ouvistes outra coisa? O Senhor não te segredou nada em teu coração?

– Nada. Somente um sonho…

– Amanhã é o o último dia de oração. Todas as ofertas já foram feitas. Mas as renovaremos ainda amanhã, solenemente. Convenceremos Deus com o nosso amor fiel. Eu penso sempre que te acontecerá o mesmo que com a Ana de Elcana.

– Queira Deus… e que houvesse logo alguém que me dissesse: “Vá em paz. O Deus de Israel te concedeu a graça que pedistes!”

– Se a graça vier, o teu menino dir-te-á mexendo-se pela primeira vez no teu ventre, e será voz de inocente, por isto, voz de Deus.

Agora o campo cala-se no escuro. Ana também devolve Alfeu à cabana contígua e o põe sozinho sobre a enxerga de feno próximo aos irmãozinhos que já dormem. E depois deita-se ao lado de Joaquim, e também a sua lamparina se apaga. Uma das últimas estrelinhas da terra. Ficam mais bonitas as estrelas do firmamento a velar sobre todos os que dormem.

Anotação

Anne leva Alphée para a cabana vizinha e deita-o na cama de feno ao lado dos seus irmãos, que já estão a dormir. Assim, o Alphée tinha irmãos.

EMF 4.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A velha planta colocou novo ramo e eu sou bem-aventurada.

Pela festa das Luzes a semente lançou a esperança;

ora a fragrância de Nisam o vê brotar.

Como a amendoeira na minha carne floresce a primavera.

Detalhe

Ana canta este cântico, que revela que está grávida. Ver a anotação sobre a Festa das Luzes e a conceção de Maria.

Anotação

A esperança lançou as sementes da Festa das Luzes. Segundo J. Aulagnier, a Festa das Luzes, ou Encénies, realizava-se, no tempo de Jesus, durante a lua cheia que se seguia à Festa da Dedicação (Hanukkah), que tinha lugar a 25 de Kislev (ou seja, 10 de dezembro de 22 a.C. para este período). A conceção de Maria teve lugar na lua cheia seguinte, a 20 de dezembro de 22 a.C. Isto corresponde ao acontecimento que a Igreja celebra a 8 de dezembro.

Marie d'Agreda assinala que esta conceção teve lugar num domingo (A Cidade Mística de Deus - Livro 1, Capítulo 15, § 218)

O ar perfumado do mês de Nissan. Nissan: 21 de março, ou seja, 3 meses para anunciar com certeza a Joaquim que esperava um bebé.

EMF 4.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Esperava porque no último dia, enquanto orava no Templo, o maior tempo que pudesse uma mulher ficar na Casa de Deus, até a noite… Tu te recordas que eu dizia: “Ainda, ainda um pouco.” Não podia afastar-me dali sem receber a graça! Pois bem! Na sombra que já descia do interior do lugar sagrado, que eu olhava com atração de alma para arrancar uma anuência do Deus presente, vi partir uma luz, uma centelha de luz maravilhosa. Era alva como a lua, contudo tinha em si as luzes de todas as pérolas e pedras preciosas que existem sobre a terra. Parecia que uma das estrelas preciosas do Véu, daquelas estrelas postas sob os pés dos querubins, se desprendesse uma e se tornasse esplêndida, de uma luz sobrenatural… Parecia partir um fogo para além do Véu sagrado, proveniente da própria Glória, vindo a mim veloz, e ao cortar o ar cantasse com voz celeste dizendo: “O que pedistes venha a ti.” É por isso que eu canto: “Uma estrela virá a ti.” Que filho será esse nosso, que se manifesta como luz de estrela no Templo e que diz: Eu sou” na festa das Luzes? Que filho fez com que tu tenhas visto em mim uma nova Ana de Elcana?

Detalhe

Conceção de Maria. Ana, a mãe de Maria, conta quando o seu desejo foi realizado:

Anotação

Tinhas razão em ver em mim uma nova Ana de Elcana? De facto, Joaquim tinha falado da mãe do profeta Samuel em EMV 3.

Sob os pés dos querubins: os querubins (Kerubim) abundavam na decoração do Templo de Salomão (por exemplo: 1 Reis 6,23-35). As estrelas são provavelmente as estrelas de David ou o selo de Salomão.

Tive a impressão de que um fogo partia de trás do Véu sagrado, da própria Glória, que vinha rapidamente na minha direção e que, ao passar pelo ar, cantava com voz celestial: "Que te aconteça o que pediste! "Esta é a voz do Redentor, como lemos em EMV 4.5: "A própria Sabedoria desceu (...) e tornou-se uma palavra para a mulher estéril" (p. 31).

Que criança será a nossa, então, para aparecer como a luz de uma estrela no Templo e dizer: "Eu sou" durante a Festa das Luzes? A estrela faz parte da profecia de Balaão. Nm 24, 17-19. Eu vejo-o, mas não como presente; contemplo-o, mas não de perto. Uma estrela sai de Jacob, um cetro ergue-se de Israel. Ele quebrará os dois lados de Moab, exterminará todos os filhos do tumulto. Edom é a sua possessão; Seir, o seu inimigo, é a sua possessão, e Israel exibe a sua valentia. De Jacob sai um soberano; ele destrói nas cidades o que resta de Edom".

"Eu sou" : o próprio nome de Deus, tal como foi definido a Moisés, segundo oÊxodo 3,14-15. É isto que dirás aos filhos de Israel: "Aquele que me enviou a vós é EU SOU". Ver a ficha sobre o nome divino.

EMF 4.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Como chamaremos a nossa criança, que doce como um canto de águas ouço falar-me no ventre com o seu pequeno coração que bate como o de uma rolinha apanhada na cavidade das mãos?

– Se for menino o chamaremos Samuel. Se for menina Estrela. A palavra que fortaleceu o teu canto para dar-me a alegria de saber-me pai. A forma que escolheu para manifestar-se entre a sacra sombra do Templo.

– Estrela. A nossa estrela, porque, não sei, penso que seja mesmo uma menina. Parece-me que carícias tão doces não possam vir senão de uma dulcíssima filha. Eu não a carrego, não tenho nenhum sofrimento. É ela que me carrega sobre uma vereda azul e florida, como se eu estivesse amparada pelos santos anjos e a terra já estivesse longe… Sempre ouvi as mulheres dizerem que conceber e gerar é sinônimo de dor. Mas eu não tenho dor. Sinto-me forte, jovem, fresca, mais do que quando te dei a minha virgindade na juventude distante. Filha de Deus, visto que é mais de Deus do que nossa aquela que nasce de um tronco árido, não dá dores à sua mãe. Ela traz somente paz e bênção: os frutos de Deus, seu verdadeiro Pai.

– Então a chamaremos Maria. Estrela do nosso mar, pérola, felicidade. O nome da primeira grande mulher de Israel. Mas esta não pecará nunca contra o Senhor, e só a Ele dará o seu canto porque a Ele é oferecida, como hóstia, antes de nascer.

– A Ele é oferecida, sim. Homem ou mulher que seja, depois de nos alegrarmos por três anos com a nossa criança, nós a daremos ao Senhor. Hóstia também nós com ela, pela glória de Deus.

Não vejo nem ouço mais nada.

Detalhe

Ana não sofre com a sua maternidade (mais ou menos três meses de gravidez). Comparar com EMV 5, onde Ana sofre com a maternidade.

EMF 4.5-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

4.5 Jesus diz:

– A Sabedoria, depois de tê-los iluminado com os sonhos da noite, desceu àquela que é “vapor da virtude de Deus, certa emanação da glória do Onipotente”, e tornou-se Palavra para a estéril. Aquele que agora via próximo o Seu tempo de redimir, Eu, o Cristo, neto de Ana, quase cinqüenta anos depois, mediante a Palavra, farei milagres sobre as estéreis e as doentes, sobre as endemoninhadas, sobre as desoladas, sobre todas as misérias da terra.

No entanto, pela alegria de ter uma mãe, eis que murmuro misteriosamente a Palavra na sombra do Templo que continha as esperanças de Israel. Templo agora no limiar da sua vida, porque o novo e verdadeiro Templo não contém mais as esperanças de um povo, mas a certeza de um Paraíso para o povo de toda a terra, por todos os séculos até o fim do mundo; Paraíso que está para vir sobre a terra. E esta Palavra opera o milagre de tornar fecundo o que era infecundo. Dar-me uma mãe, que não teve apenas ótima proveniência, como era seu destino, nascida de dois santos; não teve somente um aumento contínuo da bondade pelo seu bem querer, não teve somente um corpo imaculado, teve também o espírito imaculado, sendo única entre as criaturas.

4.6 Tu vistes a geração contínua das almas de Deus. Agora imagines qual deva ser a beleza desta alma que o Pai almejou antes que o tempo existisse, desta alma que constituía as delícias da Trindade, que ardia por enfeitá-la com as suas dádivas para lhe fazer um dom a Si mesma. Ó toda santa, que Deus criou para Si e depois para refúgio dos homens! Portadora do Salvador, tu fostes a primeira salvação. Paraíso Vivente, com teu sorriso, começastes a santificar a terra.

A alma criada para ser a alma da mãe de Deus! Quando, de uma mais viva palpitação do Trino Amor, brotou esta centelha vital, jubilaram os anjos, porque o Paraíso nunca viu luz mais viva. Como pétala de uma empírea rosa, uma pétala imaterial e preciosa que era jóia e chama, que era o hálito de Deus que descia para animar uma carne diferentemente das outras, que descia com fogo tão potente que a Culpa não pode contaminá-la, atravessando os espaços e encerrando-se num seio santo.

Ainda sem saber, a terra já tinha a sua flor. A verdadeira, única flor que floresce eternamente: lírio e rosa, violeta e jasmim, girassol e ciclame fundidos juntos, e com essas todas as flores da terra numa única flor, Maria, na qual se reúne toda virtude e graça.

Em abril, a terra da Palestina parecia um enorme jardim: as fragrâncias e as cores davam delícia ao coração dos homens. Mas a rosa mais bonita ainda era desconhecida. Ela já era florescente a Deus no segredo do ventre materno, já que minha mãe amou desde que foi concebida, mas só quando a videira dá o seu sangue para fazer vinho, e o perfume dos mostos, açucarado e forte, enche as eiras e as narinas, ela iria sorrir primeiro a Deus e depois ao mundo, dizendo com o seu sorriso super inocente: “Eis que a Videira, que vos dará o Cacho espremido na prensa, como Remédio eterno contra o vosso mal, está entre vós.”

Eu disse: “Maria amou desde que foi concebida.” O que dá ao espírito luz e conhecimento? A Graça. O que leva a Graça? O pecado de origem e o pecado mortal. Maria, aquela sem mácula, nunca foi despojada da lembrança de Deus, da sua proximidade, do seu amor, da sua luz, da sua sabedoria. Ela pôde por isto, compreender e amar até quando era apenas carne em torno de uma alma imaculada que sempre amou.

4.7 Depois, faço-te contemplar mentalmente a profundidade da virgindade de Maria. Terás uma vertigem celeste, como quando te fiz entender a nossa eternidade. Por enquanto, considera apenas como o trazer no ventre uma criatura isenta da mácula da ausência de Deus, dá à mãe uma inteligência superior e a transforma em um profeta, mesmo tendo esta mãe concebido natural e humanamente. O profeta da sua filha, que a chama: “Filha de Deus.” Imagina o que seria se pais inocentes concebessem filhos inocentes, assim como Deus gostaria.

Ó homens, que vos dizeis semelhantes ao “super-homem”, mas com os vossos vícios vos assemelhais unicamente ao “super-demônio”, neste exemplo teríeis encontrado o meio de chegardes ao “super-homem.” Saber permanecer sem a contaminação de satanás para deixar a Deus a administração da vida, do conhecimento, do bem, não desejando mais do que isto, que é pouco menos que o infinito. Deus vos teria dado poder de gerar em uma contínua evolução até a perfeição, filhos que fossem homens no corpo e filhos da Inteligência no espírito, ou seja triunfadores, fortes, gigantes contra satanás, que seria derrubado muitos milhares de séculos antes da hora em que o será, junto a todo o seu mal.

Anotação

"Depois de as ter iluminado através dos sonhos da noite, a própria Sabedoria desceu como "eflúvio do poder de Deus, emanação pura da glória do Todo-Poderoso" e tornou-se a Palavra para a mulher estéril. Excerto do livro da Sabedoria.

Livro da Sabedoria 7, 25

Sabedoria 7, 25: Ela é o sopro do poder de Deus, uma emanação pura da glória do Todo-Poderoso; por isso, nada de impuro pode cair sobre ela.

Única entre todas as criaturas, ela tinha uma alma imaculada. Cf. O dogma da Imaculada Conceição, proclamado a 8 de dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX na Constituição Apostólica Ineffabilis Deus. A proclamação dogmática encontra-se no final do documento

Vistes a contínua geração de almas por parte de Deus. Na visão de 25 de maio de 1944. Ver os Cadernos de 1944.

Como uma pétala de rosa celeste, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que desceu para animar a carne de uma maneira muito diferente das outras carnes. Na edição antiga, está escrito: Como uma pétala de rosa celestial, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que era o sopro de Deus, que desceu para animar a carne de uma maneira diferente da dos outros. Sobre a parte "Sopro de Deus" (alito di Dio). A expressão foi corrigida por Maria Valtorta numa cópia dactilografada. Inicialmente, ela havia escrito "Parte de Deus" (parte di Dio).

Maria, em quem todas as virtudes e graças estão unidas. "Maria, planície das graças". A comparar com o que diz Santo Afonso de Ligório: "Segundo São Bernardino, todos os dons, todas as virtudes e todas as graças são dispensadas pelas mãos de Maria, a quem ela quer, quando quer e como quer"(Santo Afonso Maria de Ligório, As glórias de Maria, capítulo 5).

Em abril, a terra da Palestina assemelhava-se a um imenso jardim onde os perfumes e as cores encantavam o coração dos homens. Mas a rosa mais bela era ainda desconhecida. Estava já a desabrochar para Deus no segredo do ventre. Em abril, Maria tinha sido concebida durante 4 meses

Só no momento em que a videira dá o seu sangue para ser transformado em vinho, quando o cheiro doce e forte do mosto enche as quintas e as narinas, é que ela sorrirá, primeiro para Deus e depois para o mundo. Confirmação do nascimento de Maria em setembro (ver EMV 5).

EMF 4.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

4.6 Tu vistes a geração contínua das almas de Deus. Agora imagines qual deva ser a beleza desta alma que o Pai almejou antes que o tempo existisse, desta alma que constituía as delícias da Trindade, que ardia por enfeitá-la com as suas dádivas para lhe fazer um dom a Si mesma. Ó toda santa, que Deus criou para Si e depois para refúgio dos homens! Portadora do Salvador, tu fostes a primeira salvação. Paraíso Vivente, com teu sorriso, começastes a santificar a terra.

A alma criada para ser a alma da mãe de Deus! Quando, de uma mais viva palpitação do Trino Amor, brotou esta centelha vital, jubilaram os anjos, porque o Paraíso nunca viu luz mais viva. Como pétala de uma empírea rosa, uma pétala imaterial e preciosa que era jóia e chama, que era o hálito de Deus que descia para animar uma carne diferentemente das outras, que descia com fogo tão potente que a Culpa não pode contaminá-la, atravessando os espaços e encerrando-se num seio santo.

Detalhe

Esta passagem mostra que Maria foi efetivamente criada num determinado momento, há 2000 anos (não foi criada desde toda a eternidade, embora esteja eternamente na mente de Deus).

Anotação

Viste a geração contínua de almas por Deus. Na visão de 25 de maio de 1944. Ver os Cadernos de 1944.

Como uma pétala de uma rosa celeste, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que desceu para animar a carne de uma forma muito diferente das outras carnes. Na edição antiga, está escrito: Como uma pétala de rosa celestial, uma pétala imaterial e preciosa que era uma joia e uma chama, que era o sopro de Deus, que desceu para animar a carne de uma maneira diferente da dos outros. Sobre a parte "Sopro de Deus" (alito di Dio). A expressão foi corrigida por Maria Valtorta numa cópia dactilografada. Inicialmente, ela tinha escrito "Parte de Deus" (parte di Dio).

EMF 4.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Só quando a videira dá o seu sangue para fazer vinho, e o perfume dos mostos, açucarado e forte, enche as eiras e as narinas, ela iria sorrir primeiro a Deus e depois ao mundo.

Detalhe

Jesus fala da sua Mãe e do seu nascimento.

Anotação

Confirmação de que o nascimento de Maria teve lugar em setembro (ver EMV 5).

EMF 5.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

5.1 Vejo Ana sair no pomar. Apóia-se ao braço provavelmente de uma parente, porque se assemelha a ela. Está muito volumosa e parece afadigada talvez pelo afã, parecido com o que eu sinto agora.

(...) Ana lentamente vai na direção de Joaquim que quando a vê se apressa a encontrá-la andando pela parreira sombreada, sob a qual abelhas de ouro zumbem ávidas do açúcar dos grãos de uva branca.

– Chegastes até aqui?

– A casa está quente como um forno.

– E tu sofres.

– O único sofrimento é desta minha última hora de grávida. O sofrimento de todos, homens e animais.

(...) – Voltemos para casa. Aqui também não se respira, e depois penso que seja bom voltarmos… –diz Ana, que parece ainda mais olivácea por causa de uma palidez que lhe veio sobre o rosto.

5.2 – Sofres?

– Não. Mas sinto aquela grande paz que senti no Templo quando me foi dada a graça e que senti ainda quando soube que seria mãe. É como um êxtase. Um doce sono do corpo, enquanto o espírito jubila e se aplaca em uma paz sem comparação humana. Eu te amei, Joaquim, e quando entrei na tua casa e disse a mim mesma: “Sou esposa de um justo”, tive paz, e assim todas as vezes que o teu amor providencial cuidou da tua Ana. Mas esta paz é diferente. Veja, eu creio que é uma paz como aquela que devia invadir, como óleo que se expande e suaviza o espírito de Jacó, nosso pai, depois do seu sonh­o[1] de anjos; e, melhor ainda, semelhante à paz jubilosa dos Tobias depois que Rafael se manifestou a eles. Se me abandono a apreciá-la, ela sempre cresce mais. É como se eu subisse pelos espaços azuis do céu… e, não sei por que, desde que eu tenho em mim esta alegria pacífica, eu tenho um cântico no coração, aquele do velho Tobias. Parece-me que tenha sido escrito para esta hora… para esta alegria… para a terra de Israel que a recebe… para a Jerusalém pecadora e agora perdoada… mas, não rides dos delírios de uma mãe, quando digo: “Agradece o Senhor pelos teus bens e glorifica o Deus dos séculos, a fim de que reedifiques em ti o seu Tabernáculo”, eu penso que aquele que reedificará em Jerusalém o Tabernáculo do Deus verdadeiro será este que está para nascer; penso ainda que não mais do que a Cidade santa, mas pela minha criança seja profetizado o destino quando o cântico diz: “Tu brilharás com uma luz esplêndida, todos os povos da terra se prostrarão a ti, as nações virão a ti trazendo presentes, em ti adorarão o Senhor e julgarão santa a tua terra, porque dentro de ti invocarão o Grande Nome.” “Tu serás feliz nos teus filhos, porque todos serão abençoados e se reunirão ao lado do Senho­r. Bem-aventurados aqueles que te amam e regozijam tua paz!…”; e a primeira a regozijar sou eu, a sua mãe bem-aventurada…

Ana empalidece e se inflama como algo trazido pela luz lunar a um grande fogo e vice-versa, ao dizer estas palavras. Doces lágrimas descem sobre suas faces e ela nem as percebe, sorrindo de alegria. E assim vai em direção à casa, entre o esposo e a parente, que a escutam e calam-se comovidos.

Detalhe

Desafio: "A Ana deu à luz sem dores".