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Notas do tema

Religiões e crenças

Página 7 de 39

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EMF 53.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

53.1 Vejo Jesus que vai entrando no recinto do Templo, com Pedro, André, João, Tiago, Filipe e Bartolomeu.

Há uma grande multidão, tanto dentro, como fora do Templo. Grupos de peregrinos chegam de todos os pontos da cidade. Do alto da colina, sobre a qual está construído o Templo, vêem-se as ruas da cidade, estreitas e tortas, a fervilhar de gente. Parece que por entre o branco monótono das casas tenha sido estendida uma fita movediça de mil cores. Sim. A cidade tem o aspecto de um bizarro brinquedo, feito de fitas matizadas, entre dois fios brancos, e todas convergentes até o ponto onde brilham as cúpulas da Casa do Senhor.

Mas no interior há… uma verdadeira feira. Todo recolhimento que havia no lugar santo se acabou. Uns correm, outros chamam, outros fazem negócios com seus cordeiros, gritam e imprecam por causa do preço exorbitante, enquanto outros empurram os pobres animais, que balem, para dentro dos recintos (são divisões rudimentares, feitas com cordas ou com estacas, em cuja entrada está o vendedor, ou o dono que seja, à espera dos compradores). Pauladas, balidos, blasfêmias, reclamações, insultos aos empregados não solícitos nas operações de ajuntamento e escolha dos animais e aos compradores que regateiam os preços, ou que vão-se embora. E maiores insultos àqueles que, previdentes, levaram o seu cordeiro.

Ao redor das bancas dos cambistas, outro vozerio. Compreende-se que o Templo funcionava como… Bolsa e Bolsa negra; não sei se é sempre ou só neste tempo da Páscoa. O valor das moedas não era fixo. Havia um valor legal, certamente terá havido, mas os cambistas impunham um outro, apropriando-se de um tanto, marcado arbitrariamente pelo câmbio das moedas. E eu vos asseguro que eles não brincavam nessas operações de usura! Quanto mais alguém era pobre e vinha de longe, mais era depenado. Os velhos, mais que os jovens e os provenientes de fora da Palestina, mais que os velhos.

Os pobres velhinhos olhavam e tornavam a olhar para o seu pecúlio ajuntado, Deus sabe com quanto trabalho, durante um ano inteiro; agora eles o tiravam e o recolocavam junto ao peito cem vezes, indo de um cambista a outro, e acabavam voltando ao primeiro que então se vingava da inicial desistência deles aumentando o ágio do câmbio… e então, por entre suspiros, as grandes moedas caíam das mãos de seus donos e passavam para as garras do usurário sendo trocadas por moedas menores. Depois era outra tragédia nas escolhas, nos cálculos e suspiros diante dos vendedores de cordeiros, os quais, aos velhinhos já meio cegos, impingiam os cordeiros mais míseros.

EMF 53.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

53.5 Chegam correndo os sacerdotes, com os rabinos e os fariseus. Jesus está ainda no meio do pátio, de volta da sua perseguição. O açoite está ainda em sua mão.

– Quem és tu? Como tomas a liberdade de fazer isso, perturbando as cerimônias prescritas? De qual escola provéns? Nós não te conhecemos nem sabemos quem és.

– Eu sou Aquele que posso. Tudo Eu posso. Desmanchai este Templo que Eu o erguerei de novo para dar louvores a Deus. Eu não perturbo a santidade da Casa de Deus e das cerimônias, mas vós a perturbais, permitindo que sua morada se torne sede de usurários e vendedores. Minha escola é a escola de Deus. A mesma que teve todo Israel pela boca do Eterno que falava a Moisés. Vós não me conheceis? Me conhecereis. Não sabeis de onde Eu venho? Vós o sabereis.

Detalhe

Jesus acaba de expulsar os mercadores do Templo e chegam os sacerdotes.

EMF 58.3-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

58.3 Jesus interpela o seu apóstolo:

– Vai ser boa a pesca?

– O tempo está favorável. A água está calma, e a lua vai ser clara. Os peixes emergirão das profundezas e a minha rede os arrastará consigo.

– Iremos sozinhos?

– Oh! Mestre! Como queres que façamos, com este sistema de redes, se ficarmos sozinhos?

– Eu nunca pesquei e espero que tu me ensines.

Jesus vai descendo muito devagar em direção ao lago e pára à margem da areia grossa e pedregosa, junto ao barco.

– Vê, Mestre: é assim que se faz. Eu saio ao lado do barco de Tiago, filho de Zebedeu e vamos assim, um ao lado do outro até o ponto bom para a pesca. Depois se desce a rede. Nós costumamos segurar uma ponta. Tu a queres segurar, me disseste isto.

– Sim, se me disseres o que devo fazer.

– Oh! Basta tomar cuidado com a descida. Que a rede vá descendo devagar e sem fazer nós. Devagar, porque estaremos em áreas de pesca e qualquer movimento muito brusco pode espantar os peixes. E sem nós, para que a rede não fique fechada, pois ela deve ir sendo aberta como uma bolsa, ou como um véu, se te agrada assim, que vai sendo enchida pelo vento. Depois, quando a rede já foi toda descida, iremos remando devagar, ou iremos com a vela, conforme for necessário, fazendo um semicírculo sobre o lago; quando o vibrar da estaca de segurança nos disser que a pesca foi boa, dirigiremos o barco para a terra e lá perto da beira içaremos a rede; não antes, para não nos arriscarmos a ver escapar a presa, nem depois para não estragar os peixes nem as redes sobre as pedras. Neste ponto é preciso ter olhos atentos porque os barcos devem estar muito próximos para que de um se possa recolher a ponta da rede dada pelo outro, mas sem se bater para não esmagar o saco cheio de peixes.

58.4 Eu confio em Ti, Mestre, pois este é o nosso pão. Olhos na rede, para que não se arrebente com as sacudidas. Os peixes defendem a sua liberdade com fortes golpes de cauda e se forem muitos… Tu entendes… São pequenos animais, mas reunidos em dez, em cem, em mil, tornam-se fortes como o Leviatã.

– É como acontece com as culpas, Pedro. Sendo a primeira, aindanão é irreparável. Mas, se alguém não toma cuidado, não limitando-se àquela, vai acumulando, acumulando… acabará acontecendo que aquela pequena culpa, talvez uma simples omissão, uma simples fraqueza, vai se tornando sempre maior, passe a ser um hábito, e se transforme em um vício capital. Às vezes, começa-se por um olhar concupiscente e se termina por um adultério consumado. Às vezes, por uma falta de caridade de palavras contra um parente, acaba-se por uma violência contra o próximo. Ai de quem começa e deixa que as culpas aumentem de peso, por seu número! Tornam-se perigosas e prepotentes como a própria Serpente infernal e arrastam para o abismo da Geena.

– Falas bem, Mestre… Mas, somos tão fracos!

– Advertência e oração para ser fortes e obter ajuda e uma firme vontade de não pecar. Depois, uma grande confiança na amorosa justiça do Pai.

EMF 60.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Não posso suportar que não te amem!

– Ó Pedro, verás um desamor bem maior! Quantas surpresas terás, Pedro! Há pessoas que o mundo chamado “santo” despreza como publicanos, e que, ao invés, serão exemplos para o mundo, e um exemplo não seguido por aqueles que as desprezam. Há gentios que estarão entre os meus maiores fiéis. Há meretrizes que se tornam puras, por vontade e por penitência. Pecadores que se emendam…

– Escuta, que se emende um pecador… ainda pode ser. Mas uma meretriz e um publicano!…

– Tu não acreditas?

– Eu não.

– Estás errado, Simão.

Detalhe

Pedro disse a Jesus:

EMF 64.1.3-4.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

64.1 Vejo as margens do lago de Genezaré. E vejo os barcos dos pescadores, arrastados para a margem. Junto a eles estão Pedro e André, ocupados em consertar as redes, que os empregados levam, gotejantes, depois de as terem enxaguado no lago, para limpá-las dos detritos que nelas ficaram presos. À distância de uns dez metros, João e Tiago, encurvados sobre seu barco, estão ocupados a pô-lo em ordem, ajudados por um empregado e por um homem de seus cinqüenta a ciqüenta e cinco anos, que eu penso ser Zebedeu, porque o empregado o chama de “patrão”, e porque ele é muito parecido com Tiago.

Pedro e André, de costas para o barco, trabalham em silêncio para reatar os fios e as bóias de sinal. De vez em quando, trocam algumas palavras, a respeito do trabalho deles que, pelo que eu pude entender, foi infrutífero.

Pedro se queixa, não pela bolsa vazia, nem pelo trabalho inútil, mas diz:

– Isso me aborrece porque… como faremos para alimentar aqueles pobrezinhos? A nós só são feitas raras ofertas, e aquelas dez moedas e sete dracmas que recolhemos nestes quatro dias, nelas eu não toco. Só o Mestre me deve indicar a quem e como vão ser dadas aquelas moedas. E até o sábado Ele não volta! Se eu tivesse feito uma boa pesca!… O peixe mais miúdo, eu o cozinharia, e o daria àqueles pobres… e, se alguém em casa resmungasse, eu não daria importância a isso. Os sãos podem ir procurá-lo. Mas os doentes!…

– Aquele paralítico, por exemplo!… Andaram tanto para trazê-lo aqui… –diz André.

(...) [Jesus volta para junto dos seus discípulos e o Mestre profere um sermão na casa do seu apóstolo.]

O povo se aglomera na grande sala posterior, destinada às redes, cabos, cestas, remos, velas e provisões. Vê-se que Pedro a colocou à disposição de Jesus, amontoando tudo em um canto, para dar mais espaço. O lago não se vê daqui. Ouve-se dele apenas o marulho lento. O que se vê é só o muro esverdeado do pomar, onde está a velha videira e a figueira frondosa. As pessoas estão até na estrada, transbordando da sala para o pomar, e deste para a estrada.

64.4 Jesus começa a falar. Na primeira fila — tendo aberto caminho com gestos prepotentes e graças ao temor que deles tem o povo — estão cinco pessoas… influentes. Paludamentos, vestes ricas e soberba, os denunciam como fariseus e doutores. (...)

64.5 – Mestre! – grita Pedro do meio da multidão–, aqui estão os doentes. Dois podem esperar que Tu saias, mas este está comprimido por esta multidão e, além disso, não se aguenta mais… E nós não podemos passar. Devo mandá-lo de volta?

– Não. Descei-o pelo telhado.

– Está bem. Vamos fazer isso já.

Ouve-se o barulho dos pés sobre o telhado baixo da sala que não sendo propriamente uma parte da casa não tem por cima nenhum assentamento com argamassa, mas somente um telhadinho de madeira coberto de cascalhos semelhantes a ardósia. Mas não sei que pedra era. Eles fazem uma abertura e, por meio de cordas, fazem descer a pequena padiola sobre a qual está o doente. Desce exatamente diante de Jesus. O povo se aglomera mais ainda para ver.

– Tiveste grande fé, e contigo também quem te trouxe.

– Oh! Senhor! Como não ter fé em Ti?

– Portanto, Eu te digo: filho (o homem é muito jovem) são-te perdoados todos os teus pecados.

O homem o olha chorando… talvez se sinta um pouco decepcionado, porque esperava a cura do corpo.

Os fariseus e os doutores cochicham entre si, torcendo o nariz, a fronte e a boca, com desdém.

– Por que estais murmurando, e mais ainda com o coração do que com os lábios? Segundo vós é mais fácil dizer ao paralítico: “Estão perdoados os teus pecados”, ou dizer-lhe: “Levanta-te, pega a tua cama e anda”? Vós pensais que só Deus pode perdoar os pecados. Mas não sabeis responder o que é mais importante, porque este, tendo perdido a tal ponto a saúde do corpo, gastou seus haveres para recuperá-la, sem nada conseguir. Não o pode, a não ser por Deus. Ora, para que saibais que tudo Eu posso, para que saibais que o Filho do homem tem poder sobre a carne e sobre a alma, na terra e no Céu, Eu digo a este: “Levanta-te, toma a tua cama e anda. Vai para a tua casa e sê santo.”

O homem sente um choque, dá um grito, põe-se de pé, lança-se aos pés de Jesus, beija-os e os acaricia, chora e ri; com ele os parentes e a multidão que, depois, se abre para deixá-lo passar, como se fosse em triunfo, e o segue toda festiva. A multidão, não os cinco invejosos, que vão-se embora, altivos e duros como estacas.

Anotação

Mateus 9:1-8

Jesus entrou num barco, fez a travessia de novo e foi para a sua cidade natal, Cafarnaum.

Trouxeram-lhe um homem paralítico, deitado numa maca. Vendo a fé deles, Jesus disse ao paralítico: "Acredita, meu filho, os teus pecados estão perdoados. E eis que alguns dos escribas diziam entre si: "Este homem blasfema.

Mas Jesus, conhecendo os seus pensamentos, perguntou-lhes: "Porque pensais mal? O que é que é mais fácil? Dizer: "Os teus pecados estão perdoados", ou dizer: "Levanta-te e anda"? Pois bem, para que saibais que o Filho do Homem tem na terra o poder de perdoar os pecados... - Então Jesus disse ao paralítico: "Levanta-te, pega na tua maca e vai para casa". Ele levantou-se e foi para casa.

Quando as multidões viram isto, ficaram aterrorizadas e deram glória a Deus, que tinha dado tal poder aos homens.

Marcos 2, 1-12

Alguns dias depois, Jesus regressou a Cafarnaum e chegou a notícia de que estava em casa. Tinha-se juntado tanta gente que não havia lugar nem mesmo diante da porta, e ele estava a pregar-lhes a Palavra.

Chegaram algumas pessoas e trouxeram-lhe um homem paralítico, transportado por quatro homens. Como não podiam aproximar-se dele por causa da multidão, abriram o teto por cima dele, fizeram uma abertura e baixaram a maca onde estava deitado o paralítico. Vendo a fé deles, Jesus disse ao paralítico: "Filho, os teus pecados estão perdoados.

Mas alguns dos escribas estavam ali sentados e pensavam: "Porque é que este homem fala assim? Ele blasfema. Quem é que pode perdoar os pecados senão Deus? Jesus viu imediatamente o que eles estavam a pensar e disse-lhes: "Porque é que vocês estão a pensar assim? O que é que é mais fácil? Dizer a este paralítico: "Os teus pecados estão perdoados", ou dizer-lhe: "Levanta-te, pega na tua maca e anda"? Pois bem! Para que saibam que o Filho do Homem tem autoridade para perdoar pecados na terra... - Jesus disse ao paralítico: "Digo-te que te levantes, pegues na tua maca e vás para casa". Ele levantou-se, pegou imediatamente na maca e saiu à frente de toda a gente. Todos ficaram admirados e deram glória a Deus, dizendo: "Nunca vimos nada assim.

Lucas 5:17-26

Um dia, quando Jesus estava a ensinar, estavam presentes fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, e também de Jerusalém; e o poder do Senhor actuava para que ele fizesse curas.

Chegaram algumas pessoas que traziam numa maca um homem paralítico e procuravam trazê-lo para o colocar diante de Jesus. Mas, como não viam como o fazer por causa da multidão, subiram ao telhado e, afastando as telhas, baixaram-no com a maca mesmo em frente de Jesus. Quando Jesus viu a fé deles, disse: "Homem, os teus pecados te são perdoados. Os escribas e os fariseus começaram a discutir: "Quem é este homem? Ele diz blasfémias! Quem é que pode perdoar os pecados senão Deus? Mas Jesus, compreendendo os seus pensamentos, respondeu-lhes: "Porque estão estes pensamentos nos vossos corações? O que é mais fácil? Dizer: "Os vossos pecados estão perdoados", ou dizer: "Levanta-te e anda"? Pois bem! Para que saibam que o Filho do Homem tem na terra autoridade para perdoar pecados", Jesus dirigiu-se ao paralítico: "Eu digo-te: levanta-te, pega na tua maca e volta para tua casa.

Jesus disse ao paralítico: "Levanta-te, pega na tua maca e vai para tua casa. Imediatamente ele se levantou à frente deles, pegou na sua cama e foi para casa, dando glória a Deus. Todos ficaram admirados e deram glória a Deus. Cheios de medo, diziam: "Hoje vimos coisas extraordinárias!

EMF 64.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo as margens do lago de Genezaré. E vejo os barcos dos pescadores, arrastados para a margem. Junto a eles estão Pedro e André, ocupados em consertar as redes, que os empregados levam, gotejantes, depois de as terem enxaguado no lago, para limpá-las dos detritos que nelas ficaram presos. À distância de uns dez metros, João e Tiago, encurvados sobre seu barco, estão ocupados a pô-lo em ordem, ajudados por um empregado e por um homem de seus cinqüenta a ciqüenta e cinco anos, que eu penso ser Zebedeu, porque o empregado o chama de “patrão”, e porque ele é muito parecido com Tiago.

Pedro e André, de costas para o barco, trabalham em silêncio para reatar os fios e as bóias de sinal. De vez em quando, trocam algumas palavras, a respeito do trabalho deles que, pelo que eu pude entender, foi infrutífero.

EMF 65.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz a Simão:

– Chama também os outros dois. Vamos para o lago, lançar a rede.

– Mestre, eu estou com os braços cansados por ter lançado e levantado a rede a noite inteira e por nada. O peixe está nas profundezas e quem sabe onde.

– Faz o que te digo, Pedro, e escuta sempre a quem te ama.

– Farei o que me estás dizendo, em respeito à tua palavra –e chama em voz alta os empregados e também Tiago e João–: Vamos sair para a pesca. O Mestre assim quer.

E enquanto eles vão se afastando, diz a Jesus:

– Porém, Mestre, Te asseguro de que esta hora não é propícia. A esta hora, quem sabe onde é que os peixes estão descansando!…

Jesus, sentado à proa, sorri e cala-se.

Fazem um arco de círculo sobre o lago e depois lançam a rede. Poucos minutos de espera; depois o barco começa a receber uns solavancos estranhos, dado que o lago está liso como se fosse de vidro fundido sob um sol já alto.

– Mas isto é peixe, Mestre! –diz Pedro com os olhos arregalados.

Jesus sorri, e cala-se.

– Iça, iça a rede! –ordena Pedro aos empregados. Mas o barco inclina-se para o lado da rede:

– Ohé! Tiago! João! Depressa! Vinde! Com os remos! Depressa!

Eles correm, e os esforços dos dois grupos conseguem içar a rede sem estragar os peixes.

Os barcos se aproximam. Estão até juntos. Um cesto, dois, cinco, dez. Estão todos cheios e ainda há muitos peixes saltitantes na rede: prata e bronze vivos que se movem para fugir da morte. Então, não há senão um remédio: despejar o resto no fundo dos barcos. Eles o fazem e o fundo é toda uma agitação de vidas em agonia. Os pescadores estão no meio desta abundância que lhes ultrapassa os tornozelos e os barcos afundam além da linha de imersão por causa do peso excessivo.

– Para a terra! Vira! Força! Põe a vela! Cuidado com o fundo! Varas prontas para amortecer o choque! O peso é demais!

65.3 Enquanto dura a manobra Pedro não reflete. Mas, quando chegam à terra, ele o faz. E compreende. Por isso fica perturbado:

– Mestre! Senhor! Afasta-te de mim! Eu sou um homem pecador. Não sou digno de estar perto de Ti!

Ele está de joelhos sobre o úmido leito do rio. Jesus olha para ele e sorri.

– Levanta-te! Segue-me! Eu não te deixo mais! De agora em diante serás pescador de homens e contigo estes teus companheiros. Não temais nada mais. Eu vos chamo. Vinde!

– Já, Senhor. Vós ocupai-vos dos barcos. Levai tudo para Zebedeu e para o meu cunhado. Vamos. Todos por Ti, Jesus! Bendito seja o Eterno por esta escolha.

E a visão termina.

EMF 66.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Tu Me segues por uma idéia que é humana, Judas. Eu te devo dissuadir disto. Eu não vim para isto.

– Mas, não és Tu o que foi designado para ser o Rei dos judeus? Aquele de quem falaram os Profetas? Surgiram já outros. Mas a eles faltavam muitas coisas e caíram como folhas que o vento não levanta mais. Tu tens a Deus Contigo, tanto que operas milagres. Onde está Deus, o bom êxito da missão está garantido.

– Falaste bem. Eu tenho Deus Comigo. Eu sou o seu Verbo. Sou aquele que foi profetizado pelos Profetas, prometido aos Patriarcas, esperado pelas multidões. Mas, por que, ó Israel, te tornaste tão cego e surdo, a ponto de não saberes mais ler nem ver, ouvir e compreender a verdade dos fatos? O meu Reino não é deste mundo, Judas. Dissuade-te disso. À Israel Eu venho trazer a Luz e a Glória. Mas não a luz e a glória da terra. Eu venho para chamar os justos de Israel ao Reino. Porque é de Israel e com Israel que há de se formar e vir a planta da vida eterna, cuja linfa será o Sangue do Senhor, a planta que se estenderá por toda a terra, até o fim dos séculos. Os meus primeiros seguidores são de Israel. Os meus primeiros confessores, de Israel. Mas também os meus perseguidores são de Israel. Também os meus carrascos, de Israel. E também o meu traidor, de Israel…

– Não, Mestre. Isto não acontecerá nunca. Se todos te traírem, eu ficarei Contigo, e te defenderei.

– Tu, Judas? E sobre o que se funda esta tua segurança?

– Sobre a minha honra de homem.

– Isso é uma coisa mais frágil do que uma teia de aranha, Judas. É a Deus que devemos pedir a força para sermos honestos e fiéis. O homem!… O homem faz obras de homem. Para fazer obras do espírito — e seguir o Messias em verdade e justiça significa fazer obra de espírito — é preciso matar o homem e fazê-lo renascer. És tu capaz disso?

– Sim, Mestre. Além disso… Nem todo Israel te amará. Mas car­rascos e traidores ao seu Messias não sairão de Israel. Israel te espera, há séculos!

– Mas dele sairão. Lembra-te dos Profetas. As palavras deles… e o seu fim. Eu estou destinado a decepcionar a muitos. E tu és um deles. Judas, tu tens à tua frente, um manso, um pacífico, um pobre, que pobre quer permanecer. Eu não vim para impor-me e para fazer guer­ra. Eu não disputo aos fortes e poderosos nenhum reino, nenhum poder. Eu só disputo a Satanás as almas e venho para quebrar as cor­rentes de Satanás com o fogo do meu amor. Eu venho para ensinar misericórdia, sacrifício, humildade, continência. Eu te digo, e a todos digo: “Não tenhais sede de riquezas humanas, mas trabalhai pelas moedas eternas.” Desilude-te Judas, se pensas que sou um triunfador sobre Roma e sobre as castas que imperam. Os Herodes, como os Césares podem dormir tranqüilos enquanto Eu falo às multidões. Eu não vim para arrancar cetros de ninguém… e o meu cetro, eterno, já está pronto. Mas ninguém, que não fosse amor, como Eu sou, iria querer empunhá-lo.

EMF 67

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus está sozinho. Encontra dois homens que discutem e tentam esfaquear-se um ao outro. Cristo intervém novamente, avisando-os para pararem; depois, como eles não ouvem, faz um milagre e as lâminas partem-se.

Enquanto os soldados de Roma chegam, Jesus faz um breve sermão aos homens de Israel e, depois, também aos pagãos presentes, ordenando-lhes que amem e lembrando-lhes que não é pela violência que se vence, mas pela santidade. A cólera é um pecado que nos pode afastar da bênção de Deus, e os filhos do Senhor devem ser bondosos uns com os outros e amar-se mutuamente.

Quando acabou de falar, perguntaram-lhe se ele era o Messias, e Jesus não o negou. Perguntaram-lhe de novo se fazia milagres, e ele também não o negou, e até fazia milagres quando lhe traziam os doentes. A multidão alegra-se e Jesus abençoa.

Depois chega Judas e pergunta-lhe o que aconteceu. Pergunta se ele vai ficar em Jerusalém, mas Jesus diz-lhe que vai partir para a Judeia e promete ir a Querot. Por fim, os dois falam de João Batista, que Herodes prendeu. Se Jesus é a Bondade, o Precursor é a Penitência. A visão termina aqui.

EMF 67.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

67.1 Vejo Jesus que vai andando sozinho por uma estrada sombreada. Parece um fresco e pequeno vale, rico de águas. Digo um pequeno vale, porque está levemente encaixado entre pequenas elevações do solo e no centro corre um riacho.

O lugar está deserto na hora matutina. Deve ter acabado de surgir o dia, um belo dia sereno de início de verão e não se ouve mais nada exceto o canto dos pássaros entre as árvores e o arrulhar lamentoso das rolas selvagens, que fazem seus ninhos nas fendas do monte sem vegetação. Especialmente entre as oliveiras da colina da esquerda, enquanto que a outra, mais despojada, tem arbustos baixos de lentisco, acácias espinhosas, agaves, etc.. Também o pequeno rio de águas escassas e limitadas ao centro do álveo, parece não fazer rumor algum e se vai, refletindo em suas águas o verde circunstante, pelo qual parece de esmeralda escura.

Jesus atravessa o rio por uma pinguela — é um tronco semi-aplainado, jogado sobre o rio, sem apoio, sem segurança — e prossegue na outra margem.

Agora já se vêem os muros e as portas; também vendedores de hortaliças e mantimentos, que vão se aglomerando às portas, ainda fechadas, para entrar na cidade. Ouve-se um grande zurrar de burros e brigas entre eles; também os seus donos não estão para brincadeiras. Insultos e até algumas pancadas voam, não só sobre os lombos dos burros, mas também sobre cabeças humanas.

Detalhe

Perto da Porte des Poissons.

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