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Notas do tema

Maria Valtorta e a sua obra

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EMF 36.7-10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

36.7 Jesus diz:

– A lição para ti e para os outros é dada pelas coisas que estás vendo. É lição de humildade, de resignação e de boa harmonia. Posta como exemplo a todas as famílias cristãs, e especialmente às famílias cristãs deste especial e doloroso momento.

36.8 Tu viste uma casa pobre. O que é mais doloroso, uma casa pobre em país estrangeiro.

Muitos, só porque são dos fiéis “passáveis”, que rezam e Me recebem na Eucaristia, rezam e comungam pelas “suas” necessidades, não pelas necessidades das almas e pela glória de Deus, porque é raro alguém rezar sem ser egoísta, muitos pretenderiam ter uma vida material fácil, bem protegida de qualquer menor sofrimento, próspera e feliz.

José e Maria tinham a Mim, Deus verdadeiro, como seu Filho e, no entanto, não tiveram nem o pobre bem de serem pobres na própria pátria, no lugar onde eram conhecidos, onde ao menos tinham a “própria” casinha, e um alojamento não era uma preocupação constante entre tantas outras, naquele lugar onde, por serem conhecidos, era mais fácil encontrar trabalho e prover-se do necessário para a vida. Eles são dois fugitivos, e justamente porque Me têm consigo. O clima é diferente, o lugar é diferente, tão triste em comparação com os doces campos da Galiléia, língua e costumes diferentes, em meio a uma população que não os conhece, e que tem a habitual desconfiança para com desconhecidos.

Privados daqueles móveis cômodos e estimados da “sua” casinha, de tantas coisas humildes mas necessárias que lá havia, e que não pareciam tão necessárias, enquanto que aqui, neste nada que os rodeia, parecem tão belas, como aquelas coisas supérfluas, que tornam as casas dos ricos deliciosas. Com saudade da cidade e da casa, com o pensamento naquelas pobres coisas lá deixadas, do pomar, do qual talvez ninguém esteja cuidando, da videira e da figueira e de outras muitas árvores úteis. Com a necessidade de prover ao alimento de cada dia, às roupas, ao fogo, dia após dia, às Minhas necessidades de criança, à qual não se pode dar o alimento dos grandes. Com tanto desgosto no coração. Pelas saudades, pelo amanhã, que ainda é desconhecido, pela desconfiança de um povo que se esquiva, principalmente nos primeiros tempos, a aceitar as ofertas de trabalho de dois desconhecidos.

Contudo, tu viste a casa. Naquela morada paira a serenidade, o sorriso, a concórdia, e se procura torná-la mais bela de comum acordo; também a pobre hortinha, para que fique parecida com a que foi deixada, e mais confortável. Nesta casa só há um pensamento: que esta terra se torne menos hostil, menos miserável para Mim, Santo, que venho de Deus. O amor destas pessoas de fé, que são os meus pais, amor que se manifesta em mil cuidados, desde a cabrita que compraram a preço de muitas horas extras de trabalho, até aos brinquedos entalhados em sobras de madeira, às frutas apanhadas só para Mim, sem que delas eles nem provassem.

Meu querido pai da terra, como foste amado por Deus, por Deus Pai no alto dos Céus, por Deus Filho, que se fez Salvador sobre a terra­!

Naquela casa não houve nervosismos, mau humor, caras fechadas, nem reprovações recíprocas, nem, muito menos, se falou contra Deus, que não os cumulou com o bem-estar material. José não censura Maria por ser causa de suas dificuldades, nem Maria censura José por ele não saber-lhe dar um maior bem-estar. Eles se amam santamente, eis a explicação. Portanto, a preocupação não é com o próprio bem-estar, mas cada um se preocupa com o outro. O verdadeiro amor não conhece egoísmo. O verdadeiro amor é sempre casto, mesmo sem castidade perfeita dos dois esposos virgens. A castidade unida à caridade leva consigo todo um acompanhamento de outras virtudes, fazendo de dois que se amam castamente, duas perfeições de cônjuges.

O amor de minha mãe e de José era perfeito. Por isso ele era um incentivo para todas as outras virtudes e especialmente para a da caridade para com Deus, bendito em todo tempo, não obstante sua santa vontade fosse penosa para a carne e o coração, bendito porque, acima da carne e do coração, o espírito estava mais vivo e senhor nos dois santos. Este espírito, com reconhecimento, exaltava o Senhor, por tê-los escolhido para serem guardas do seu eterno Filho.

36.9 Naquela casa se rezava. Agora reza-se pouco nas casas. Nasce o dia e chega a noite, começam-se os trabalhos, e sentai-vos à mesa sem um pensamento dirigido ao Senhor, que vos permitiu ver um novo dia, podendo chegar a uma nova noite, que abençoou as vossas fadigas, concedendo que essa fadigas se tornassem o meio de conquistar aquele alimento que o fogo cozinhou, as vestes que vestis, aquele teto, todo o necessário à vossa natureza humana. Sempre é “bom” o que vem do bom Deus. Ainda quando pobre e escasso, o amor lhes dá sabor e substância, esse amor que vos faz ver o Pai que vos ama no eterno Criador.

Naquela casa há frugalidade. Haveria, mesmo que o dinheiro não faltasse. Eles se nutrem para viver, e não para agradar à gula, com a voracidade dos insaciáveis, com os caprichos dos gulosos, que se vão enchendo até não poderem mais, e esbanjam seus haveres em alimentos caros, sem um pensamento aquem tem pouco ou é privado de alimento, sem refletirem que, se tivessem moderação, muitos poderiam ser aliviados do tormento da fome.

Naquela casa se ama o trabalho. Ele seria amado, mesmo se o dinheiro fosse abundante, porque no trabalho o homem obedece ao mandamento de Deus e se livra do vício que, como hera firme, aperta e sufoca os ociosos, como blocos imóveis de pedra. Bom é o alimento, sereno é o repouso, contente está o coração, quando se traba­lhou bem e se goza o tempo de pausa entre um trabalho e outro. Aquele vício que tem múltiplas faces, não se arraiga na casa e na mente de quem ama o trabalho. Não se arraigando, então aí prospera o afeto, a estima, o respeito recíproco, e os pequenos pimpolhos crescem numa atmosfera pura, e dão origem a futuras famílias santas.

Naquela casa reina a humildade. Esta é uma lição de humildade para vós, soberbos! Maria teria tido, humanamente, mil e uma razões para se ensoberbecer fazendo-se adorar por seu cônjuge. Tantas mulheres assim fazem, somente por serem um pouco mais cultas, ou de nascimento mais nobre, ou mais ricas que o marido. Maria é Esposa e mãe de Deus, e, no entanto, serve o seu cônjuge, não se fazendo servir por ele, é toda amor para com ele. José é o chefe de casa, julgado por Deus tão digno de ser um chefe de família, a ponto de receber de Deus a guarda do Verbo feito carne e da Esposa do eterno Espírito. Contudo, é sempre solícito em poupar Maria de fadigas e trabalhos, fazendo até os mais humildes trabalhos de casa, para que Maria não se canse. Mas não só, pois procura proporcionar a Ela alguma recreação o quanto pode, esforçando-se para tornar-lhe a casa cômoda, e a pequena horta com flores viçosas.

Naquela casa a ordem é respeitada. Sobrenatural, moral e material. Deus é o Chefe supremo e a Ele é prestado culto e amor: ordem sobrenatural. José é o chefe da família e a ele é dado afeto, respeito e obediência: ordem moral. A casa é um dom de Deus, como as vestes e os móveis. Em todas as coisas é a Providência de Deus que se mostra, daquele Deus que provê a lã às ovelhas, as penas aos pássaros, as ervas aos prados, o feno aos animais, as sementes e as árvores frondosas às aves, tecendo a veste para o lírio do vale. A casa, as vestes, os móveis são recebidos com gratidão, bendizendo a mão divina, tratando-os com respeito como dons do Senhor, sem olhar com descontentamento porque são pobres, sem estragar os dons, abusando da Providência: ordem material.

36.10 Não entendeste as palavras trocadas no dialeto de Nazaré, nem as palavras de oração. Mas as coisas vistas deram uma grande lição. Meditai-as, ó vós todos, que agora tanto estais sofrendo por terdes falhado para com Deus, também aquelas coisas em que não falharam nunca os santos Esposos, que foram mãe e pai para Mim.

E tu, deleita-te com a recordação do pequeno Jesus, sorri, pensando em seus passinhos de criança. Dentro em pouco, o verás, cami­nhan­do debaixo de uma cruz. E será uma visão de pranto.

Detalhe

Maria acaba de ter uma visão da Sagrada Família no Egito.

EMF 37.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

37.1 Vejo aparecer, como um doce raio de sol em um dia de chuva, o meu Jesus, pequeno menino beirando os seus cinco anos, todo loiro e bonito, na sua simples vestezinha azul-clara que lhe desce até o meio da barriga da perna.

Ele está brincando com terra na horta. Está fazendo montinhos e, em cima deles, vai fincando raminhos, como se estivesse formando bosques em miniatura. Com pedrinhas faz pequenas estradas, e depois queria fazer um pequeno lago, aos pés de suas minúsculas colinas, e, para isso, pega o fundo de uma vasilha velha e o enterra até a beira, depois o enche d’água com um jarro que ele mergulha em um tanque, certamente usado como lavatório ou para regar a pequena horta. Mas não consegue nada mais do que molhar toda a roupa, especialmente as mangas. A água escapa da vasilha, que está toda esburacada… e o lago continua seco.

José aparece à porta e, em silêncio, fica a olhar, por algum tempo, a trabalheira do Menino, e sorri. De fato, é um espetáculo que faz sor­rir de alegria. Depois, para que Jesus não continue a se molhar, ele o chama. Jesus se vira sorrindo e, vendo José, corre para ele com os bracinhos estendidos. José, com a ponta de sua veste de trabalho enxuga as pequenas mãos molhadas e cheias de terra, e as beija. E um doce diálogo se inicia entre os dois.

Jesus explica o seu trabalho e o seu brinquedo, e as dificuldades que encontrou para executá-los. Ele queria fazer um lago, como aquele de Genezaré (Deste eu suponho que lhe haviam falado, ou que o tinham já levado até lá). Ele queria fazer aquele lago em miniatura para seu divertimento. Aqui, neste ponto era Tiberíades, ali Magdala, lá adiante Cafarnaum. Esta era a estrada que, passando por Caná, ia para Nazaré. Ele queria lançar pequenos barcos no lago — estas folhas­ são os barcos — e passar para a outra margem. Mas a água está escapando…

Detalhe

Objeção levantada: Quando Jesus fez a sua peça, Tiberíades ainda não existia.

Resposta: Fernando La Greca analisa este aparente anacronismo. Em Le monde gréco-romain à l'époque du Christ (O mundo greco-romano na época de Cristo), o autor assinala que se trata de um discurso indireto, contado pela própria Maria. Ela não escreve diretamente as palavras de Jesus. Por isso, neste ponto, supõe-se que ela escreveu a palavra "Tiberíades" com base no que sabia das suas visões (ver pp. 135-136).

Palavras-chave

EMF 37.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José observa, e se interessa, como se fosse uma coisa séria. Depois ele se propõe a fazer, no dia seguinte, um pequeno lago, não com aquela vasi­lha furada, mas com um pequeno tanque de madeira, bem calafetado com breu, sobre o qual Jesus poderia lançar verdadeiros barquinhos de madeira que José o ensinaria a fazer.

37.2 Agora mesmo ele já estava trazendo pequenas ferramentas de trabalho, apropriadas para Jesus, a fim de que Ele pudesse aprender a usá-las, sem se cansar muito.

– Assim eu te ajudarei! –diz Jesus, com um sorriso.

– Sim, vais me ajudar, e depois te tornarás um bom carpinteiro. Vem vê-las!

E entram na oficina. José lhe mostra um pequeno martelo, uma serrinha, pequenas chaves de fenda, uma plaina de boneca, tudo colocado sobre um banco de carpinteiro na relva: um banco adaptado à altura do pequeno Jesus.

– Olha: para serrar, coloca-se esta madeira apoiada assim. Pega-se depois a serra assim, e prestando atenção para não ir com ela sobre os dedos, se serra. Experimenta…

E a lição começa. Jesus tornando-se vermelho, pelo esforço feito, e apertando os lábios, vai serrando com atenção e, depois, alisa a pequena tábua com a plaina e, ainda que tenha ficado um pouco torta, parece-lhe bonita, e José o elogia, e o ensina a trabalhar com paciência e amor.

Detalhe

Contexto: Jesus, que tem cerca de cinco anos, está a brincar no jardim, mas não consegue criar um pequeno lago no chão.

Objeção levantada: A chave de fendas não existe.

Nota do editor sobre a chave de fendas: Na realidade, o parafuso e a chave de fendas não existiam nessa altura. Deviam ser pequenos cinzéis de madeira de fabrico muito antigo, ou seja, uma barra de ferro com uma extremidade achatada e afiada, à qual se adaptava um cabo de madeira para uma boa manobrabilidade. Em 42.2, Maria esclarece a sua incerteza, acrescentando: "me semble-t-il".

EMF 37.4-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

37.4 Jesus diz:

– Eu te consolei, alma querida, com uma visão da minha infância, feliz em sua pobreza, porque ela estava cercada do afeto dos dois maiores santos do mundo.

37.5 Dizem que José foi o meu sustento. Oh! Se ele não pôde, por ser homem, dar-me o leite, que Maria me nutriu, se desdobrou em pedaços no trabalho, para me dar pão e conforto, tendo para comigo a gentileza de afetos de uma verdadeira mãe. Eu aprendi dele — e nenhum aluno jamais teve um mestre melhor­ — tudo o que faz de um menino, um homem. E um homem que tem que ganhar o seu pão.

Mesmo se a minha inteligência de Filho de Deus fosse perfeita, é preciso refletir que eu não quis sair insolitamente dos limites da minha idade. Por isso, rebaixando a minha perfeição intelectual de Deus ao nível de uma perfeição intelectual humana, sujeitei-me a ter um homem por mestre, com a necessidade de alguém para me ensinar. Mesmo se tenha aprendido com rapidez e boa vontade, isso não me tira o merecimento de ter-me sujeitado a um homem, ao homem justo, que ensinou à minha pequena mente, as noções necessárias para a vida.

As horas saudosas, passadas ao lado de José, para o qual foi um brinquedo ensinar-me a ser capaz de trabalhar, Eu não me esqueço, nem agora que estou no Céu. E, quando olho para o meu pai putativo, revejo o pequeno pomar e a oficina fumacenta, e me parece estar vendo a mamãe chegar com aquele seu sorriso, que transformava em ouro aquele lugar, e nos tornava felizes.

37.6 Quanto teriam que aprender as famílias com a perfeição destes esposos que se amaram como nenhum outro casal!

José era o chefe. A sua autoridade familiar era evidente e não discutida, diante da qual se inclinava respeitosamente a da esposa e mãe de Deus e se sujeitava o Filho de Deus. Tudo estaria bem, se José resolvia fazê-lo, sem discussões, sem teimosia, sem resistências. A sua palavra era a nossa pequena lei. E, não obstante isso, quanta humildade nele! Nunca um abuso de poder, nunca uma vontade contra a razão, só por ser ele o chefe. A esposa era a sua suave conselheira. E se, em sua humildade também profunda, ela se julgava a serva de seu consorte, o consorte ia buscar na sabedoria dela, que era a cheia de Graça, a luz que o guiava em todos os acontecimentos.

Eu crescia como uma flor protegida por duas árvores vigorosas, entre estes dois amores, que se entrelaçavam sobre Mim para me proteger e me amar.

Enquanto a idade me fez ignorar o mundo, Eu não tive saudades do Paraíso. Deus Pai e o Divino Espírito não estavam ausentes, porque Maria estava repleta Deles. E os anjos ali moravam, porque nada os afastava daquela casa. Um deles, pode-se dizer assim, havia assumido a carne. Era José, alma angélica, libertada do peso da carne, somente ocupada em servir a Deus e à sua causa, amando-O, como amam os serafins. O olhar de José! Plácido e puro como uma estrela que não conhece as concupiscências terrenas. Ele era o nosso repouso e a nossa força.

37.7 Muitos acham que Eu não tenha humanamente sofrido, quando a morte veio apagar aquele olhar santo, que vigiava a nossa casa. Se Eu era Deus e, como tal, conhecedor da feliz sorte que esperava José, não entristecido, portanto, pela sua partida que, depois de uma breve parada no Limbo, lhe teria aberto o Céu, contudo, como Homem chorei naquela casa, que ficou para nós vazia da sua amorosa presença. Chorei sobre o amigo falecido. Não teria devido chorar por este meu santo, sobre cujo peito Eu tinha dormido, quando era pequenino, e durante tantos anos, tinha recebido amor?

37.8 Enfim, faço observar aos pais como, sem o auxílio de uma erudição pedagógica, José soube fazer de Mim um hábil operário. Logo que cheguei à idade em que já podia manejar as ferramentas, sem deixar que Eu me entregasse à ociosidade, ele me encaminhou para o trabalho, valendo-se do meu amor por Maria para me estimular a trabalhar. Fazer objetos úteis à mamãe. Era assim que ele me inculcava o devido respeito para com a mamãe, que todo filho deveria ter, e sobre esta respeitosa e poderosa alavanca, ele se apoiava ao ensinar o futuro carpinteiro.

Onde estão hoje as famílias nas quais se ensina os pequenos a amar o trabalho, como meio de fazer algo agradável aos pais? Os filhos, agora, são os tiranos da casa. Crescem duros, indiferentes, grosseiros para com os seus pais. Acham que seus pais são seus servos, seus escravos. Não os amam e são pouco amados. Porque, ao mesmo tempo que fazeis de vossos filhos uns prepotentes caprichosos, também ficais longe deles, com um desinteresse vergonhoso.

Os filhos são de todos, menos de vós, ó pais do século vinte. Eles são da babá, da governanta, do colégio, se sois ricos. E são dos colegas de rua, das escolas, se sois pobres. Mas, já não são vossos. Vós, ó mamães, os gerais, e isso basta. Vós, ó pais, fazeis o mesmo. Mas o filho­ não é só carne. Ele é mente, coração, espírito. Crede, pois, que ninguém, mais do que um pai ou uma mãe, tem o dever e o direito de formar esta mente, este coração, este espírito.

37.9 A família existe, e deve existir. Não existe nenhuma teoria ou progresso que seja capaz de destruir esta verdade, sem provocar ruína. De um instituto familiar desfeito, só podem vir futuros homens e futuras mulheres cada vez mais depravados, e que serão causa de ruínas cada vez maiores. Eu vos digo, em verdade, que seria melhor que não houvessem mais casamentos e mais filhos sobre a terra, do que famílias menos unidas do que as tribos dos macacos, famílias que não são escolas de virtude, de trabalho, de amor e de religião, mas são caos, cada um vivendo como engrenagens desmanteladas, que acabam se despedaçando.

Quebrai. Despedaçai. Os frutos desse vosso ato de despedaçar a forma mais santa de vida social, vós os estais vendo e suportando. Continuai, então, se quiserdes. Mas não vos lamenteis, se esta terra vai-se tornando cada vez mais um inferno, morada de monstros, que devoram famílias e nações. Vós o estais querendo. Que, então, isto vos aconteça!”

EMF 38

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Maria vê a casa em Nazaré. Jesus, Tiago e Judas estão a brincar juntos no jardim: ainda são crianças. Maria não está longe. Decidem representar uma passagem da Bíblia. Sugeriram que representassem a cena do bezerro de ouro no Êxodo, mas um dos primos não queria fazer de Miriam, que se tinha curvado perante o ídolo. Então Jesus sugeriu que representassem a parte em que Josué é eleito sucessor de Moisés. Esta ideia agradou a todos. Depois de perguntarem a Maria sobre um ponto do Êxodo, foram brincar e Jesus interpretou Moisés na perfeição. Os seus primos ficaram admirados por ele recitar tão bem os textos.

Maria de Alfeu chega com Alfeu. Regressam de Caná e trazem consigo três cordeiros. Um é para Jesus e é todo branco; os outros são bastante pretos. Foi ideia de José oferecer estes cordeiros ao seu Filho, e Alfeu quis fazer o mesmo com os seus filhos.

Alfeu sugere que, em breve, Jesus terá de ir para a escola, mas Maria recusa categoricamente: é ela que vai ensinar o seu filho. José apoiou a sua decisão e Alfeu achou que o irmão tinha sido demasiado rápido a ceder à decisão da mulher. José responde-lhe com sensatez e Maria de Alfeu pede então que a Virgem ensine também os seus filhos. Ela disse que não se importava e convenceu Alphée a deixá-los ir para sua casa durante algumas horas. As crianças prometeram amá-la e prestar atenção às suas lições.

EMF 38.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Vem pequeno João, e vê. Volta atrás, segura pela minha mão que te conduz, aos anos da minha infância. O que vires deverá ser inserido no Evangelho da minha infância, onde quero que seja colocada também a visão da estadia da Família no Egito. Colocarás assim: a Família no Egito, depois a primeira lição de trabalho do menino Jesus, depois o que agora vais descrever, a cena da maioridade (prometida hoje 25-11), por último a visão de Jesus entre os doutores no Templo, na sua 12ª. Páscoa. Não é sem motivo também o que agora irás ver. Mas, antes, esclarece alguns pontos e ligações dos meus primeiros anos, e entre os parentes. É um presente para ti, nesta festa da minha Realeza, para ti que sentes entrar-te a paz da Casa de Nazaré, quando a vês. Escreve.

Detalhe

Exemplo em que Jesus dá a ordem dos ditados.

Palavras-chave

EMF 38.9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus diz:

– E Maria foi Minha mestra, de Tiago e de Judas. Eis porque nos amamos como irmãos, não só pelo parentesco, mas pela ciência e por termos crescido juntos, como três sarmentos de videira sustentados na mesma vara. A minha mamãe! Doutora, como nenhum outro em Israel, esta minha doce mãe. Sede da Sabedoria, e da verdadeira Sabedoria, nos instruiu para o mundo e para o Céu. Digo: “nos instruiu”, porque Eu fui seu aluno, não diversamente dos primos. E o “sigilo” foi mantido sobre o segredo de Deus, contra a indagação de Satanás, mantido sob a aparência de uma vida comum.

Ficaste alegre com esta cena suave? Agora, fica em paz. Jesus está contigo.

EMF 39

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

A Virgem prepara as vestes de Jesus com Maria de Alfeu. Ela tinge-lhe as roupas. Parece que obteve a cor graças ao seu bordado e que este presente veio de Roma. Em todo o caso, a Mãe de Cristo agradece à sua parente pela sua ajuda e declara que Jesus é como o seu filho.

A visão pára e recomeça mais tarde. Maria descreve Jesus aos doze anos de idade. Está com os seus pais e familiares, rodeado e amado. Maria pede a José que o abençoe, para que o seu filho se fortaleça com ele e para que ela aprenda a separar-se um pouco mais dele. José garante-lhe que a relação entre eles não vai mudar e que não vai competir com ela por esse Filho que lhes é tão querido. Maria beija a mão de José, num gesto cheio de afeto, e o patriarca da Sagrada Família abençoa-os a ambos. Depois, puseram-se a caminho...

EMF 39.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

39.1 Tive Dele uma promessa. Eu lhe dizia:

– Jesus, como eu eu gostaria de ver a cerimônia da tua maioridade!

Ele me disse:

– Será a primeira coisa que Eu te darei, logo que pudermos estar “nós”, sem que se perturbe o mistério. Colocarás aquela cena depois da cena de minha mãe, minha mestra e mestra de Judas e Tiago, que te fiz ver recentemente (29-10). E a colocarás entre esta e a Disputa no Templo.

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