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Notas do tema

Jesus Cristo

Página 47 de 151

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EMF 75.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Glória a Deus nos Céus altíssimos, e paz na terra aos homens de boa vontade, que mereceram ver a Luz e servi-la. O Salvador está entre eles. O Pastor da estirpe real está no meio do seu rebanho. A Estrela da manhã já surgiu. Jubilai-vos, ó justos! Jubilai no Senhor. Ele, que fez a abóbada dos céus, e os semeou de estrelas, Ele que pôs, como limite para as terras, os mares, Ele que criou os ventos e o orvalho e regulou o curso das estações para dar pão e vinho aos seus filhos, eis que vos manda agora um Alimento mais alto: o Pão vivo que desce dos Céus, o Vinho da Videira eterna. Vinde, vós, primícias dos meus adoradores. Vinde conhecer o Pai em verdade, para o seguirdes na santidade e terdes Dele o prêmio eterno.

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Oração recitada por Cristo aos pastores da Natividade que ele encontrou.

EMF 75.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Eu vos chamarei a um outro lugar. Não vos abandonarei.

– Por toda a vida?

– Por toda a minha vida.

– Não. Eu morrerei antes, Mestre. Sou velho.

– Pensas tu assim? Eu não. Um dos primeiros rostos que Eu vi foi o teu, Elias. E será um dos últimos. Levarei Comigo na pupila o teu rosto transtornado de dor pela minha morte. Mas depois será o teu a levar no coração o raiar de uma manhã triunfal, e com ele esperarás a morte… A morte: o encontro eterno com Jesus que tu adoraste pequenino. Também então os anjos cantarão o Glória: “pelo homem de boa vontade.”

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Jesus fala com Elias, Levi e José e tem uma conversa com Elias sobre o seu futuro.

EMF 76

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Elias, Levi, José, Jesus, João, Simão, o Zelota, e Judas aproximam-se de Yutta. Cristo tenciona ir a Hebron para rezar sobre os ossos de Samuel e Zacarias, mas dá prioridade a Isaac, porque devemos sempre cuidar dos que sofrem. Rezar pelos nossos mortos também é importante, mas eles já estão em paz se tiverem sido justos.

Depois de falarem da diferença entre o homem e o animal, da comunhão dos santos e da ligação entre os mortos e os vivos, Jesus e os seus amigos chegam a Yutta. Elias vai à frente para falar com Isaac, dizendo-lhe que Jesus o quer ver e que deve vir. O pastor, que era aleijado e paralítico, ficou imediatamente curado e foi ver o Salvador o mais depressa possível.

O Salvador adorou-o e levou-o para uma família de Yutta que tinha tomado conta dele. É um casal com quatro filhos: chamam-se Maria, José, Emanuel e o último ainda não tem nome. A pequena família acredita no Messias e convida-o a circuncidar o filho recém-nascido. Jesus decide que se vai chamar Jesai. O sacerdote que veio realizar a cerimónia prestou pouca atenção ao Senhor e os seus convidados ficaram mortificados, mas ele tranquilizou-os e confortou-os. Convida João a mostrar as ovelhas a José e a Emanuel. A pequena Maria fica junto de Jesus e ele convida-a a ser tão boa como a sua Mãe. A criança aceita imediatamente e fala com ele com familiaridade. Levada de volta por Judas, Jesus diz-lhe que deixe estar, porque os inocentes são a sua alegria e só eles podem dizer o seu nome com tanta pureza como a sua Mãe.

EMF 76.1.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

76.1 Um fresco vale sonante de águas que vão em direção ao sul, entre saltos e espumas de um pequeno córrego de prata, que borrifa o seu risonho frescor sobre os pequenos pastos das margens, mas parece até que sua linfa suba pelas encostas, de tanto que estão verdes: um esmeralda matizado no seu verde, que do solo sobe, através das moitas e arbustos do cerrado até às copas das árvores altas, entre as quais estão muitas nogueiras, que formam o bosque propriamente dito, todo ele entrecortado por zonas abertas de terreno, que são planaltos verdes de erva densa, pasto sadio e forte para os rebanhos.

Jesus desce com os seus discípulos e com os três pastores, a caminho do córrego. Pacientemente Ele pára, quando tem que esperar uma ovelha que se atrasa, ou um dos pastores que deve correr atrás de alguma que se desvia. É realmente o Bom Pastor agora. Ele também se muniu de uma vara comprida, para afastar as ramagens das amoreiras, do espinheiro-alvar e das plantas trepadeiras, que se estendem por todas as partes e procuram se agarrar às vestes dos passantes. E isso completa a sua figura pastoral.

– Estás vendo? Juta é lá em cima. Agora atravessaremos o córrego; há um vau que no verão serve, sem recorrer à ponte. (...)

[Jesus fala dos ossos, do sufrágio dos mortos, da comunhão dos santos. Depois, diz:]

Mas eis-nos ao vau, Eu creio. Vejo uma fileira de pedras emergir da pouca água.

– Sim, é aquele, Mestre. Em tempo de cheia, é uma sonante cascata. Agora, não há mais do que sete pequenos córregos que passam, rindo, entre as seis grandes pedras do vau.

De fato, seis grandes pedras, bastante esquadrejadas, estão estendidas à distância de um bom palmo entre elas, no fundo do córrego, e a água, antes unida em um única fita brilhante, se divide em sete fitas menores, apressando-se, risonhas, a reunirem-se além do vau, em um único frescor que escorre murmurando por entre os cascalhos do fundo.

Os pastores vigiam a passagem das ovelhas, que parte delas atravessa sobre as pedras, e parte prefere entrar na água, à altura de não mais do que um palmo, e beber desta diamantina onda que espuma e ri.

Jesus passa sobre as pedras, e atrás Dele os discípulos. Retomam o caminho na outra margem.

76.4

– Tu me disseste que queres que Isaque fique sabendo que estás aqui, mas isso sem precisares entrar no povoado?

– Sim, assim quero.

– Então, é bom que nos separemos. Eu irei até ele. Levi e José ficarão com o rebanho e convosco. Eu vou subir por aqui. Irei mais depressa.

E Elias começa a subir pela encosta, em direção a um branquear de casas que brilham ao sol, lá no alto. Parece-me que estou seguindo-o. Ei-lo às primeiras casas. Pega uma viela entre as casas e as hortas. Anda uma dezena de metros. Depois, vira para uma rua mais larga, e desta entra em uma praça.

Eu não disse que tudo isso aconteceu nas primeiras horas da manhã. Digo agora, para explicar que na praça ainda há a feira, e as donas de casa e vendedores gritam ao redor das árvores que fazem sombra à praça.

Elias vai firme, até ao ponto onde a praça volta a ser rua, uma rua muito bonita. Talvez a mais bonita do povoado. Num canto há um casebre, ou melhor, um quarto com a porta aberta. Quase à porta, está uma pobre cama, e em cima dela um doente muito magro que, lamentosamente pede uma esmola a cada passante.

Elias entra como um foguete:

– Isaque… sou eu.

– Tu? Eu não estava te esperando. Vieste aqui na lua passada.

– Isaque… Isaque… Sabes por que eu vim?

– Não sei… Estás comovido… Que aconteceu?

– Eu vi Jesus de Nazaré, homem, já rabi. Ele veio procurar-me… e nos quer ver. Oh! Isaque! Estás mal?

De fato, Isaque deixou-se cair como se morresse. Mas depois se recobra:

– Não. Esta notícia… Onde está Ele? Como está? Oh! Se eu pudesse vê-lo!

– Ele está lá em baixo, no vale. E me manda dizer-te assim, exatamente assim: “Vem, Isaque, que Eu te quero ver e abençoar.” Agora, eu vou chamar alguém que me ajude a levar-te lá em baixo.

– Assim Ele disse?

– Assim. Mas, que é que estás fazendo?

– Eu vou.

Isaque afasta as cobertas, move as pernas inertes, lança-as fora da enxerga, e as apóia no chão, levanta-se, ainda incerto, cambaleante. Tudo em um instante, sob os olhos arregalados de Elias… que finalmente compreende e grita…

Aí aparece uma mulherzinha curiosa. Vê o enfermo de pé, que se cobre com um cobertor, não encontrando outra coisa, e sai correndo, gritando como uma galinha.

– Vamos. Saiamos daqui, para fazermos mais depressa, antes que a multidão comece a se ajuntar… Depressa, Elias.

E saem correndo pelo portãozinho de uma pequena horta, situada atrás, empurram o fecho de ramos secos, e estão fora; seguem por uma viela miserável, descem depois por uma estradinha entre as hortas, e desta passam para os prados e pequenos bosques até o córrego.

76.5

– Eis ali Jesus –diz Elias, indicando-o–. É aquele alto, bonito, loiro, vestido de branco, com o manto vermelho….

Isaque corre, abre caminho por entre o rebanho que está pastando, e com um grito de triunfo, de alegria, de adoração, prostra-se aos pés de Jesus.

EMF 76.4-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

76.4 – Tu me disseste que queres que Isaque fique sabendo que estás aqui, mas isso sem precisares entrar no povoado?

– Sim, assim quero.

– Então, é bom que nos separemos. Eu irei até ele. Levi e José ficarão com o rebanho e convosco. Eu vou subir por aqui. Irei mais depressa.

E Elias começa a subir pela encosta, em direção a um branquear de casas que brilham ao sol, lá no alto. Parece-me que estou seguindo-o. Ei-lo às primeiras casas. Pega uma viela entre as casas e as hortas. Anda uma dezena de metros. Depois, vira para uma rua mais larga, e desta entra em uma praça.

Eu não disse que tudo isso aconteceu nas primeiras horas da manhã. Digo agora, para explicar que na praça ainda há a feira, e as donas de casa e vendedores gritam ao redor das árvores que fazem sombra à praça.

Elias vai firme, até ao ponto onde a praça volta a ser rua, uma rua muito bonita. Talvez a mais bonita do povoado. Num canto há um casebre, ou melhor, um quarto com a porta aberta. Quase à porta, está uma pobre cama, e em cima dela um doente muito magro que, lamentosamente pede uma esmola a cada passante.

Elias entra como um foguete:

– Isaque… sou eu.

– Tu? Eu não estava te esperando. Vieste aqui na lua passada.

– Isaque… Isaque… Sabes por que eu vim?

– Não sei… Estás comovido… Que aconteceu?

– Eu vi Jesus de Nazaré, homem, já rabi. Ele veio procurar-me… e nos quer ver. Oh! Isaque! Estás mal?

De fato, Isaque deixou-se cair como se morresse. Mas depois se recobra:

– Não. Esta notícia… Onde está Ele? Como está? Oh! Se eu pudesse vê-lo!

– Ele está lá em baixo, no vale. E me manda dizer-te assim, exatamente assim: “Vem, Isaque, que Eu te quero ver e abençoar.” Agora, eu vou chamar alguém que me ajude a levar-te lá em baixo.

– Assim Ele disse?

– Assim. Mas, que é que estás fazendo?

– Eu vou.

Isaque afasta as cobertas, move as pernas inertes, lança-as fora da enxerga, e as apóia no chão, levanta-se, ainda incerto, cambaleante. Tudo em um instante, sob os olhos arregalados de Elias… que finalmente compreende e grita…

Aí aparece uma mulherzinha curiosa. Vê o enfermo de pé, que se cobre com um cobertor, não encontrando outra coisa, e sai correndo, gritando como uma galinha.

– Vamos. Saiamos daqui, para fazermos mais depressa, antes que a multidão comece a se ajuntar… Depressa, Elias.

E saem correndo pelo portãozinho de uma pequena horta, situada atrás, empurram o fecho de ramos secos, e estão fora; seguem por uma viela miserável, descem depois por uma estradinha entre as hortas, e desta passam para os prados e pequenos bosques até o córrego.

76.5 – Eis ali Jesus –diz Elias, indicando-o–. É aquele alto, bonito, loiro, vestido de branco, com o manto vermelho….

Isaque corre, abre caminho por entre o rebanho que está pastando, e com um grito de triunfo, de alegria, de adoração, prostra-se aos pés de Jesus.

– Levanta-te, Isaque. Eu vim. Para trazer-te paz e bênção. Levanta-te para Eu conhecer o teu rosto.

Mas Isaque não pode levantar-se. Emoções demais ao mesmo tempo, e está, em seu choro feliz, com o rosto no chão.

– Vieste depressa. Nem perguntaste a ti mesmo se podias…

– Tu me disseste para vir… e eu vim.

– Tampouco fechou a porta, nem recolheu as esmolas, Mestre.

– Não importa. Os anjos velarão a casa dele. Estás contente, Isaque?

– Oh! Senhor!

– Chama-me Mestre.

– Sim, Senhor, meu Mestre. Ainda que não tivesse ficado curado, teria já ficado feliz, só por Te ver. Como pude encontrar tanta graça junto a Ti?

– Pela tua fé e paciência, Isaque. Eu sei quanto sofreste…

– Nada, nada! Mais nada! Eu Te encontrei! Estás vivo! Estás aqui! Estás mesmo aqui… O resto, todo o resto é passado. Mas, Senhor e Mestre, agora não vais mais embora, não é?

– Isaque, tenho que evangelizar todo Israel. Eu vou… Mas, se Eu não posso ficar, tu sempre podes servir e seguir-me.

76.6 Queres ser meu discípulo, Isaque?

– Oh! Mas eu não serei um bom discípulo!

– Saberás tu declarar quem Eu sou? E confessá-lo, apesar dos escárnios e ameaças? E dizer que Eu te chamei, e tu vieste?

– Mesmo que Tu não o quisesses, eu diria tudo isso. Nisto eu Te desobedeceria, Mestre. Perdoa-me, se eu digo isto.

Jesus sorri.

– E então, estás vendo que estás bom para seres meu discípulo?

– Oh! Se for só para fazer isso! Eu pensava que fosse mais difícil. Que precisava ir para a escola dos rabinos, para servir a Ti, o Rabi dos rabis… e ir para a escola depois de velho…

De fato, o homem tem pelo menos, cinqüenta anos.

– A escola tu já fizeste, Isaque.

– Eu? Não.

– Tu, sim. Não tens continuado a crer e a amar, a respeitar e bendizer a Deus e ao próximo, a não ter invejas, a não desejar o que é dos outros, e também o que era teu e não o tinhas mais, a não falar senão a verdade, ainda que isso te prejudicasse, a não fornicar com Satanás, fazendo pecados? Não tens feito tudo isso, nestes trinta anos de desventura?

– Sim, Mestre.

– Então estás vendo. A escola tu já fizeste. Continua assim, e acrescenta a isso a revelação de minha presença no mundo. Não há outra coisa a fazer.

– Eu já tenho falado de Ti, Senhor Jesus. Aos meninos que vinham a mim, quando eu, quase inválido, cheguei a este povoado, pedindo um pão e fazendo ainda algum trabalho de tosquia ou preparação de laticínios, e depois, quando vinham ao redor de minha cama, quando a doença se agravou e fez que ficasse paralítico da cintura para baixo. Eu falava de Ti aos meninos de então, e aos meninos de agora, filhos­ daqueles… Os meninos são bons, e crêem sempre.. Eu lhes falava de quando tinhas nascido… dos anjos… da Estrela e dos Magos… e de tua mãe… Oh! Diz-me: Ela ainda está viva?

– Está viva, e te saúda. Ela sempre me falava de vós.

– Oh! Se eu pudesse vê-la!

– Tu a verás. Um dia irás à minha casa. Maria te saudará: amigo.

– Maria… sim. Dizer esse nome é como ter mel na boca.

EMF 76.10-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus forma um grupo com os pequeninos todos ao seu redor, e depois com os pastores e os discípulos. Fora há um balir de ovelhas que Elias colocou em um cercado. Na casa há um barulho de festa. Levam a Jesus e aos seus, doces e bebidas. Mas Jesus os distribui aos pequeninos.

– Não bebes, Mestre? Não aceitas? É dado de coração.

– Eu sei Joaquim, e de coração o aceito. Mas deixa que primeiro Eu faça contentes os pequeninos. Eles são a minha alegria… (...) João, leva os dois meninos para que vejam as ovelhinhas.

76.11 E tu, Maria, vem mais perto, e diz-me: Quem sou Eu?

– Tu és Jesus, Filho de Maria de Nazaré, nascido em Belém. Isaque te viu e me pôs o nome de tua mamãe, para que eu seja boa.

– Boa como o anjo de Deus, pura mais do que um lírio desabrochado no cume da montanha, piedosa como o levita mais santo deve ser, para imitá-la. Serás assim?

– Sim, Jesus.

– Fala “Mestre” ou “Senhor”, menina.

– Deixa que me chame com o meu Nome, Judas. Só passando por lábios inocentes é que não perde o som que tem sobre os lábios de minha mãe. Todos, nos séculos, dirão esse nome, mas uns por um interesse, outros por outro, e muitos para blasfemá-lo. Só os inocentes, sem malícia e sem ódio, o dirão com um amor igual ao desta menina e ao de minha mãe. Os pecadores também me chamarão, quando pedirem misericórdia. Mas minha mãe e os pequeninos! Por que me chamas Jesus? –pergunta, acariciando a pequenina.

– Porque eu te quero bem… como ao papai, à mamãe e aos meus irmãozinhos –diz ela, abraçando os joelhos de Jesus, e rindo com o rostinho erguido.

Jesus se inclina e a beija… e assim tudo termina.

EMF 77

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

O grupo apostólico dirige-se para Hebron. Judas está nervoso e zangado por não terem ido primeiro a Queriote, pois teria sido mais curto. Mas Jesus garante-lhe que cumpre sempre as suas promessas. Ele foi antes a Hebron porque Samuel, que tinha morrido, tinha sofrido muito por ele e nunca tinha traído a memória de Jesus quando era criança. Permaneceu fiel, mesmo sem saber que estava vivo, e este homem merece, por isso, ser honrado e receber a oração de Cristo.

O Iscariotes salienta depois que os pastores eram justos e santos e, no entanto, foram maltratados. Ana de Belém até morreu por causa disso... E assim conclui, aliás, que o amor que demonstramos a Jesus lhe traz má sorte. O Mestre impede João e Simão de intervir, dizendo que prefere que Judas diga sempre o que pensa. E responde que, mesmo que os pastores tivessem recebido muito, não seria justo que tivessem recebido um privilégio especial por terem recebido tal ou tal presente, incluindo o de estarem presentes na Natividade. Além disso, Simão afirma que não devemos pôr coisas terrenas onde há coisas celestes.

Judas ironiza então diretamente, lembrando que, tendo sido curado tão cedo, o Zelota recuperou todos os seus bens, pelo que não vive apenas da sua inteligência. Mas o amigo de Lázaro responde que lhe deu ordens específicas e que está livre de tudo para seguir Jesus.

Judas acaba por resmungar, porque se enganou mais uma vez, e João tenta consolá-lo, dizendo que ele é prático, mas que em breve mudará na presença de Jesus.

Jesus muda habilmente de conversa quando Judas continua a resmungar e dá instruções a Levi e Elias: eles conduzi-lo-ão a Jonas, e José ficará com o grupo até Jericó.

Finalmente, chegam a Hebron, perto da casa de Zacarias. Mas a casa está rodeada por um muro, que não existia antes. Um homem explica-lhes que um herodiano tomou posse da casa e que tinha uma prostituta com ele. Fala durante muito tempo de João - que ele vê como o Messias, apesar do diálogo entre Jesus e João - e o Mestre não insiste quando o homem é teimoso e acredita que tem a verdade.

A caminho da sinagoga, dão a volta à casa e encontram Aglaia. Jesus entra em casa de Zacarias e inicia uma conversa muito sincera com a cortesã. Ela inicia um caminho de redenção, mas, depois de o deixar, Jesus é rejeitado pela sinagoga. Não se deve falar com as prostitutas e, quando Judas lhe faz uma observação, uma vez que ele está fora da cidade, o Senhor declara que Aglaia o ultrapassará e que em breve chegará o tempo em que os pagãos adorarão o verdadeiro Deus, em vez do povo escolhido que deve receber o Messias.

No final, não pôde honrar os restos mortais de Samuel e Zacarias, mas diz-lhes que se alegrem, pois a primeira ressurreição está próxima.

EMF 77.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom.

EMF 77.2-3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

[Judas fala dos pastores do Presépio.]

77.2 – A propósito. Há alguns dias que eu estou com uma pergunta me queimando os lábios. Esses são amigos teus e de Deus, não é verdade? Os anjos os abençoaram com a paz do Céu, não foi? Eles permaneceram justos, contra todas as tentações, não é mesmo? Explica-me então, por que é que foram infelizes? E Ana? Foi morta por ter querido bem a Ti….

– Tu deduzes, por isso, que o meu amor e que amar a Mim traz infortúnio.

– Não… mas….

– Mas é assim. (...) Vem cá, Judas. Escuta. Tu partes de um juízo comum a muitos viventes e a muitos que viverão. Eu disse: juízo. Deveria dizer: erro. Mas, posto que o fazes sem malícia, por ignorância do que é a verdade, não é um erro, mas somente um juízo imperfeito, como o pode ser, aquele de um menino. E vós sois meninos, pobres homens! E Eu estou aqui, Mestre, para fazer de vós adultos, capazes de discernir o verdadeiro do falso, o bom do mau, o melhor do que é bom. Portanto, escutai. O que é a vida? É um tempo de espera, Eu diria é o limbo do Limbo, que Deus Pai vos dá para provar se vossa natureza é de filhos bons ou de bastardos, e para destinar-vos, conforme as vossas obras, a um futuro que não terá mais esperas nem provas. Agora, dizei-me, vós: Seria justo que alguém que teve o bem extraordinário de poder servir a Deus de uma maneira especial, possua também por toda esta vida um bem contínuo? Não vos parece que já recebeu muito, e que por isso pode dizer-se feliz, mesmo se nas coisas humanas não é feliz? Não seria injusto que aquele que já tem a luz da divina manifestação no coração e o sor­riso da consciência que o aprova, tenha também honras e bens ter­renos? E não seria até imprudente?

77.3 – Mestre, eu digo que seria até profanador. Por que colocar alegrias humanas onde Tu estás? Quando alguém tem a Ti — e estes te têm tido, eles, os únicos ricos em Israel, por terem tido a Ti há trinta anos — não deve ter nenhuma outra coisa. Não se coloca coisas humanas no Propiciatório… e o vaso consagrado só serve para os usos sagrados. Estes são consagrados, desde o dia em que viram o teu sorriso… e nada, não, nada que não sejas Tu, deve entrar nos corações que têm a Ti. Fosse eu como eles! –diz Simão.

Detalhe

Judas recorda os pastores na Natividade e a morte de Ana de Belém. Por isso, diz que o amor a Jesus traz a desgraça, e Cristo responde-lhe.