Juta inteira acorreu ao encontro de Jesus, com flores selvagens de suas encostas e com as primícias de suas culturas, além dos sorrisos de suas crianças e as bênçãos de seus cidadãos. E, antes mesmo que Jesus chegasse a pôr o pé no povoado, viu-se rodeado por aquelas boas pessoas que, avisadas por Judas de Keriot e por João, que haviam sido mandados à frente, acorreram com tudo o que tinham encontrado de melhor, para prestar honras ao Salvador e sobretudo com seu amor.
Jesus não para de abençoar, com gesto e com palavra, as pessoas adultas ou jovens, que o apertam de todos os lados e querem beijar-lhe as vestes ou as mãos e lhe põem nos braços as crianças de peito para que Ele as abençoe com um beijo. A primeira a fazê-lo é Sara, que lhe põe sobre o coração o seu pimpolho, que é Jesaí.
De tão impetuoso que é, o amor lhe estorva o andar e, no entanto, ele é como uma onda, que o vai levando. Eu creio que Jesus vai indo para a frente, mais levado por esta onda, do que por seus próprios pés e, certamente, também seu coração vai sendo levado bem alto, no céu azul, pela alegria que lhe dá este amor. Ele está com o rosto refulgente como nos momentos da mais viva alegria do Homem-Deus. Não é aquele rosto cheio de poder com aquele olhar magnetizador das horas dos milagres, nem o rosto majestoso, de quando manifesta a sua união continua com o Pai e nem mesmo aquele rosto severo, de quando repreende uma culpa. Todas essas vezes seu rosto refulgia com diferentes luzes, mas esta de agora é a luz das horas de distensão de todo o seu eu, que é atacado por todos os lados, obrigado a tomar cuidado sempre e com todos os gestos ou palavras suas ou dos outros, envolvido em todas as ciladas do mundo que, como uma maléfica teia de aranha, lançam os seus fios satânicos ao redor da Divina Borboleta, que é o Homem-Deus, esperando refrear-lhe o vôo e aprisionar-lhe o espírito, a fim de que não salve o mundo; amordaçar-lhe a palavra, para que não ensine às bem grandes e culpáveis ignorâncias da terra; amarrar suas mãos, para que essas mãos de Sacerdote Eterno não santifiquem os homens, que o demônio e a carne tornaram depravados; vendar-lhe os olhos, para que, com a perfeição do seu olhar, que é como um imã, que é perdão, que é amor, que é um fascínio que vence todas as resistências, que não sejam a resistência de um perfeito satanás, não atraiam para Ele os corações. (...)
212.4 Jesus entra em Juta, e é conduzido à praça da feira, e desta à pobre casinha em que Isaac foi perdendo suas forças, durante trinta anos… Explicam-lhe:
– Aqui vimos todos para falar de Ti e para rezar como em uma sinagoga, a mais verdadeira. Porque foi aqui que começamos a conhecer-te e aqui as orações de um santo te chamaram até nós. Entra. Vê como nós dispusemos as coisas.
A casinha, composta no ano passado só de três pequenas aberturas, que eram os quartos, a primeira era aquele em que Isaac enfermo vivia de esmolas, a segunda era um esconderijo, e a terceira uma pequena cozinha, que dava para o pátio, tornaram-se um ambiente único, e nele há bancos para os que aqui se reúnem. No pátio há uma pequena barraca em que foram colocados os poucos trastes de Isaac, como relíquias, e o respeito dos habitantes de Juta tornou menos desolado o pátio, colocando eles nele plantas trepadeiras que agora, com suas flores, cobrem a rusticidade do lugar e formam um começo de trepadeira, que vai subindo por cordas estendidas sobre o pátio, até a altura do teto baixo.
Jesus os elogia, e diz:
– Aqui podemos permanecer. Eu vos peço somente a hospedagem para as mulheres e o menino.
– Oh! Mestre nosso! Isso não acontecerá nunca! Para aqui viremos contigo e Tu nos falarás, mas, Tu e os teus sede nossos hóspedes. Concede-nos esta bênção de podermos hospedar a Ti e aos servos de Deus. Só nos desagrada que eles não sejam tantos quanto as casas…