EMF 164.1-2
Notas da palavra-chave
Maria Salomé (mãe de Tiago e João de Zebedeu)
Conforto de leitura
EMF 194.2 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Eis uma nova subida muito íngreme, porque a comitiva, deixando a estrada mestra, poeirenta e cheia de gente, preferiu entrar por um atalho, que vai pelo meio do mato. E, tendo chegado ao alto, vêem brilhar, lá ao longe, mas bem visível, um mar que resplende, suspenso sobre um aglomerado branco, que talvez sejam casas alvejadas pela cal.
– Jabé –chama-o Jesus–, vem cá. Estás vendo aquele ponto de ouro? É a Casa do Senhor. Lá tu vais jurar obediência à Lei. Tu a conheces bem?
– Mamãe me falou dela e meu pai me ensinou os preceitos. Eu sei ler… e acho que sei o que “eles” me ensinaram antes de morrer.
O menino, que correra sorrindo para atender ao chamado de Jesus, agora está chorando, com a cabeça baixa e a mão tremendo na mão de Jesus.
– Não chores. Escuta. Sabes onde estamos? Aqui é Betel. Foi aqui que o santo Jacó teve o seu sonho angélico. Tu o conheces? Lembras-te dele?
– Sim, Senhor. Ele viu uma escada que ia da terra ao Céu e por ela, para baixo e para cima, iam e vinham os anjos. E a mamãe me dizia que, na hora da morte, se tivermos sido sempre bons, veremos a mesma coisa e se poderia ir, por aquele escada, até a Casa de Deus. Muitas coisas dizia-me minha mãe… Mas agora não me dirá mais nada… eu as tenho todas aqui e é tudo o que tenho dela…
As lágrimas descem daquele rostinho triste.
– Não chores assim! Escuta, Jabé. Eu também tenho uma mãe, que se chama Maria, e que é santa e boa e sabe dizer muitas coisas. É mais sábia do que um mestre, melhor e mais bela do que um anjo. Agora nós estamos indo à casa dela. Ela vai gostar muito de ti. Vai dizer-te muitas coisas. E, depois, com ela está a mãe de João, que também é boa e também se chama Maria. E a mãe do meu irmão Judas, também ela doce como um pão de mel e também chamada Maria. Elas gostarão muito de ti. Muito mesmo. Porque tu és um bom menino e por amor de Mim, porque te amo tanto. Depois, tu crescerás com elas e, quando cresceres, serás um santo de Deus, pregarás como um doutor sobre Jesus, que te deu de novo uma mãe aqui e que abrirá as portas do Céu para tua falecida mãe, para o teu pai, e que as abrirá também para ti, quando chegar a tua hora. Tu nem terás necessidade de subir pela comprida escada dos Céus, na hora da tua morte. Já terás subido por ela, durante a tua vida, procurando ser um bom discípulo, e te encontrarás lá, à porta aberta do Paraíso, e Eu também lá estarei, e te direi: “Vem, meu amigo e filho de Maria”, e estaremos juntos.
O sorriso luminoso de Jesus, que vai caminhando um pouco inclinado, para ficar mais perto do rostinho levantado do menino, que caminha ao lado com sua mãozinha na dele, e aquela história maravilhosa enxugam as lágrimas do menino, e fazem despontar um sorriso.
Anotação
Livro do Génesis 28, 10-19
Gn28, 10-19 : Jacob deixou Bersabé e foi para Harã. Chegou a um lugar e passou ali a noite, porque o sol já se tinha posto. Tomou uma das pedras que ali havia e fez dela a sua cama, e deitou-se nesse lugar. E teve um sonho: uma escada estava colocada sobre a terra e o seu topo chegava ao céu; e eis que os anjos de Deus subiam e desciam por ela, e Javé estava no topo. Ele disse: "Eu sou Javé, o Deus de Abraão, teu pai, e o Deus de Isaac. Vou dar esta terra em que te deitas a ti e à tua descendência. A tua descendência será como o pó da terra; espalhar-te-ás para o ocidente e para o oriente, para o norte e para o sul, e todas as famílias da terra serão abençoadas em ti e na tua descendência. Eis que estou convosco, e vos guardarei por onde quer que andardes, e vos farei voltar a esta terra. Pois não te deixarei até que tenha cumprido o que te disse. "
Jacob acordou do seu sono e disse: "Certamente o Senhor está neste lugar, e eu não o sabia! "Com medo, acrescentou: "Como é terrível este sítio! Esta é a casa de Deus, esta é a porta do céu. "Jacob levantou-se de manhã cedo, pegou na pedra que tinha feito para a sua cabeceira, ergueu-a como um monumento e deitou-lhe azeite em cima. Chamou a este lugar Betel, mas o nome original da cidade era Luz.
EMF 197.4 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
– (...) Oh! Mestre! Dá-me a tua bênção!
– A paz esteja contigo, José. Tenho muito prazer em ver-te, e com boa saúde
– Eu também, Mestre, e também os amigos te verão com alegria. Estás no Getsêmani?
– Estava. Depois da oração, irei para Betânia.
– À casa de Lázaro?
– Não. À casa de Simão. Estou também com minha mãe, com a mãe dos meus irmãos e a de João e Tiago. Irás lá ver-me?
– Ainda perguntas?! Grande alegria e grande honra. Eu te agradeço por isso. Eu irei com vários amigos!…
– Vai devagar, José, com, esses amigos!… –aconselha Simão Zelotes.
– Oh! Vós já os conheceis. A prudência diz: “Que as paredes não ouçam.” Mas, quando vós os virdes, compreendereis que são amigos.
– Então…
– Mestre, Simão de Jonas estava me falando sobre a cerimônia do pequeno. Tu chegaste na hora em que eu lhe estava perguntando quando pretendeis realizá-la. Eu também quero estar lá.
– Será na quarta-feira, antes da Páscoa. Quero que ele faça a sua Páscoa, já como filho da Lei.
– Muito bem. Está entendido. Eu virei apanhar-vos em Betânia. Mas, na segunda-feira eu virei com os amigos.
– Está dito.
– Mestre, eu vou deixar-te. A paz esteja contigo. Está na hora do incenso.
– Adeus, José. A paz esteja contigo.
Detalhe
Jesus encontra-se com José de Arimateia.
EMF 198.1-10 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Através da sombreada estrada, que liga o Monte das Oliveiras a Betânia, — e eu poderia dizer que o monte chega com suas ramificações verdes até às campinas de Betânia — Jesus com os seus vai caminhando solícito, para a cidade de Lázaro. Ele ainda não entrou, mas já está sendo reconhecido, e os estafetas voluntários vão correndo por todos os lados, a fim de darem notícia de sua chegada. Por causa deles, eis que, por um lado, vão-se pondo em movimento Lázaro com Maximino, Isaac com Timoneo e José do outro; em terceiro lugar vem vindo Marta com Marcela e esta levanta seu véu para curvar-se e beijar a veste de Jesus e logo depois vão chegando Maria de Alfeu com Maria Salomé, que prestam sua veneração ao Mestre e depois abraçam seus filhos e, enquanto o pobre Jabé sempre levado pela mão de Jesus, agitado por todos estes que chegam de todos os lados, observa espantado e João de Endor, sentindo-se um estranho, vai para trás do grupo e fica separado, eis que vem se aproximando pelo caminho que conduz à casa de Simão, a mãe.
Jesus abandona a mão de Jabé e, delicadamente, vai deixando para trás os amigos, apressando-se em ir ao encontro dela. As conhecidas palavras rasgam os ares, e ressoam, como um solo de amor, pelo meio do murmúrio da multidão: “Filho!”; “Mamãe!” E se beijam, mas no beijo de Maria vê-se a ânsia de quem ficou temendo por muito tempo e agora — desfazendo-se o terror que a infernizou —, sente o cansaço pelo esforço feito, mede em toda a sua extensão o perigo em que incorreu…
Jesus a acaricia, Ele que compreende e diz:
– Além do meu anjo, Eu tinha o teu, mãe, a velar sobre Mim. Assim, nada de mal me podia acontecer.
– Louvores sejam dados ao Senhor. Mas Eu sofri tanto!
– Eu queria vir mais depressa, mas tive que fazer outro caminho, para obedecer a ti. E foi bom, porque a tua ordem, minha mãe, como sempre, floresceu para produzir o bem.
– Foi a tua obediência, Filho!
– Foi a tua ordem sábia, minha mãe…
E sorriem como dois enamorados.
Mas, será possível que esta mulher seja a mãe deste Homem? Onde estão os dezesseis anos de diferença? O frescor e a graça do rosto e do corpo virginal fazem de Maria a irmã do seu Filho, que está na plenitude de sua belíssima virilidade.
– E não me perguntas por que é que tudo floresceu para produzir um bem? –pergunta-lhe Jesus, sempre sorrindo.
– Eu sei que meu Jesus não esconde nada de mim.
– Mamãe querida!
E a beija de novo…
As pessoas se conservaram longe, à distancia de alguns metros, e fazem como se não estivessem observando aquela cena. Mas eu tenho certeza que nenhum desses olhos, que parecem estar olhando para outro lado, deixe de estar olhando, de soslaio para uma cena de tão grande suavidade.
198.2
Quem está olhando, mais que todos é Jabé, que Jesus deixou, quando foi abraçar sua mãe, e que ficou sozinho porque, desde que começaram a atropelar-se com perguntas e respostas, não prestaram mais atenção no pobre menino… Ele fica olhando, olhando, depois inclina a cabeça, luta contra o choro… mas, enfim, não aguenta mais e explode em um choro, gemendo: “Mamãe! Mamãe!”
Todos, então, e, em primeiro lugar, Jesus e Maria, e todos os outros, procuram remediar o caso e saber quem é o menino. Maria de Alfeu chega e também Pedro — eles estavam juntos — e ambos dizem:
– Por que estás chorando?
Mas antes que, em seu forte pranto, Jabé possa achar fôlego para falar, Maria já correu e o tomou nos braços, dizendo:
– Sim, meu filhinho, é a mamãe! Não chores mais… desculpa, se eu não te vi antes. Aqui está, meus amigos, o meu filhinho…
Compreende-se que Jesus, naqueles poucos metros que andou até o menino, deve ter dito a Maria: “É um pobre orfãozinho que Eu tomei comigo.” E todo o resto Maria compreendeu logo.
O menino ainda está chorando, mas agora menos inconsolável e, visto que Maria o tem nos braços e o beija, acaba até por sorrir, com o seu rostinho banhado pelo pranto.
– Vem cá, que eu te enxugo todas estas lágrimas. Não deves chorar mais. Dá-me um beijo…
Jabé… não desejava senão aquilo, e, depois de receber tantas carícias até de homens barbudos, ele se aconchega agora no calor do afeto, beijando a face lisa de Maria.
198.3
Mas Jesus saiu procurando e já avistou João de Endor, e vai buscá-lo lá em seu cantinho afastado. E, enquanto todos os outros apóstolos saúdam Maria, Jesus chega até perto dela, segurando pela mão João de Endor, e diz:
– Eis, mãe, o outro discípulo. Estes dois filhos, foi a tua ordem que os conseguiu.
– A tua obediência, meu Filho –repete Maria, e depois cumprimenta o homem, dizendo–: A paz esteja contigo.
O homem, o rústico e inquieto homem de Endor, que já mudou tanto, desde aquela manhã em que um capricho de Iscariotes levou Jesus até Endor, acaba agora de despojar-se do seu passado, enquanto se inclina para Maria. Eu acho que é assim, de tal forma o rosto que se levanta, depois daquela profunda inclinação, aparece sereno, verdadeiramente “pacificado.”
198.4
Põem-se todos a caminho da casa de Simão. Maria, com Jabé nos braços, Jesus, segurando pela mão João de Endor, e depois, ao redor e atrás ,estão Lázaro e Marta, os apóstolos com Maximino, Isaac, José e Timoneu.
Entram na casa, em cuja soleira o velho servo de Simão venera a Jesus e a seu patrão.
– A paz esteja contigo José, e com esta casa –diz Jesus, levantando a mão para abençoar, depois de tê-la posto sobre a cabeça já branca do velho servo.
Lázaro e Marta, depois da primeira alegria, ficaram um pouco tristes e Jesus pergunta:
– Por que, amigos?
– Porque Tu não estás conosco e porque todos vêm a Ti, menos a alma que nós quereríamos que fosse tua.
– Animai-vos com paciência, na esperança e na oração. Além disso, Eu estou convosco. Esta casa!… Esta casa não é mais do que o ninho, ao qual o Filho do Homem voará todos os dias para os queridos amigos, que estão tão perto no espaço, mas que, considerando-se sobrenaturalmente o assunto, estão infinitamente mais perto no amor. Vós estais no meu coração, e Eu estou no vosso. Pode-se estar mais perto do que estando assim? Mas, nesta tarde, estaremos juntos. Vinde sentar-vos à minha mesa.
– Oh! pobre de mim! E eu fico aqui me balançando. Vem cá, Salomé. Temos muito que fazer!
O grito de Maria de Alfeu faz todos sorrirem, enquanto a boa parenta de Jesus se levanta prontamente para ir ao seu trabalho.
Mas Marta logo lhe diz:
– Não te preocupes, Maria, pela comida. Eu vou dar ordens. Tu, prepara somente as mesas. Eu vou te mandar cadeiras suficientes e tudo mais que for preciso. Vem Marcela. Eu volto logo, Mestre.
198.5
– Eu vi José de Arimateia, Lázaro. Segunda-feira ele vai vir aqui com uns amigos.
– Oh! Então, naquele dia serás meu!
– Sim. Ele vem para estarmos juntos, mas também para combinarmos uma cerimônia, que diz respeito a Jabé. João: leva o menino para o terraço. Ele vai se divertir.
João de Zebedeu, sempre obediente, levanta-se logo do seu lugar e, pouco depois, já se ouve a voz do menino e o barulho de seus pezinhos, no terraço que está ao redor da casa.
– O menino –explica Jesus à mãe, aos amigos, às mulheres, entre as quais está Marta, que andou voando para não perder nem um minuto da alegria de estar perto do Mestre–, é neto de um dos camponeses de Doras. Eu passei por Esdrelon…
– É verdade que os campos estão uma desolação, e que ele os quer vender?
– Que estão uma desolação, estão. Quanto à venda, não estou sabendo. Um dos camponeses de Jocanã me falou do assunto. Mas não sei se é coisa certa.
– Se ele os vendesse… eu os compraria de boa vontade, para ter neles um abrigo para Ti, também dentro daquele ninho de serpentes.
– Não sei se conseguirás. Jocanã está disposto a ficar com eles.
– Isso veremos… Mas, continua o que ias dizendo. De que camponeses se trata? Os que tinha antes, ele os esparramou todos.
– É verdade. Os de agora estão vindo de suas terras na Judeia, pelo menos o velho, que é parente do menino. O menino era mantido no bosque, como um animal selvagem, a fim de que Doras não o visse… e esteve lá desde o inverno…
– Oh! pobre menino! Mas por quê?
As mulheres estão todas comovidas.
– Porque o pai e a mãe dele ficaram sepultados pela avalancha nas vizinhanças de Emaús. Todos: o pai, a mãe e os irmãozinhos. Ele ficou vivo, porque não estava em casa. Levaram-no para a casa do avô. Mas, que podia fazer um camponês de Doras? Tu, Isaac, falaste de Mim, como de um salvador, também para este caso.
– Eu fiz mal, Senhor? –pergunta humildemente Isaac.
– Fizeste bem. Deus assim queria. O velho me deu o menino, que está até para tornar-se maior de idade por estes dias.
– Oh! pobrezinho! Tão pequeno, com doze anos?! O meu Judas tinha quase o dobro de altura, quando estava nesta idade… E Jesus? Que flor! –diz Maria de Alfeu.
E Salomé:
– Meus filhos também eram bem mais fortes!
Marta murmura:
– De fato, é bem pequenino! Eu pensava que nem tivesse ainda dez anos.
– É isso. A fome é bruta. E ele deve ter passado fome desde que nasceu. Agora, então… Que é que o velho lhe iria dar, se lá todos estão morrendo de fome? –diz Pedro.
– Sim, ele sofreu muito. Mas ele é muito bom e inteligente. Eu o tomei para consolar o velho e o menino.
198.6
– Tu o vais adotar? –pergunta Lázaro.
– Não. Não posso.
– Então, eu fico com ele.
Pedro vê desvanecer-se sua esperança, e solta um bem claro e verdadeiro gemido:
– Senhor! Tudo para ele?
Jesus sorri:
– Lázaro, tu já fizeste tanto e Eu te sou agradecido por isso. Mas este menino não o posso confiar a ti. É o “nosso menino.” De todos nós. É a alegria dos apóstolos e do Mestre. Além disso, aqui ele cresceria no meio da riqueza. E Eu lhe quero dar de presente o meu manto real: “a honesta pobreza.” Aquela que o Filho do homem quis para Si, para poder aproximar-se de todas as grandes misérias, sem humilhar ninguém. Tu tiveste, há pouco tempo, um presente meu…
– Ah! sim. O velho patriarca e sua filha. Muito ativa a mulher e o velho é muito bom.
– Onde estão eles agora? Quero dizer: em que lugar?
– Estão aqui, em Betânia. Achas que eu iria afastar de mim a bênção que me enviaste? A mulher trabalha com o linho. O trabalho com ele exige mãos ligeiras e experientes. O velho, visto que ele só quer mesmo é trabalhar, eu o mandei tomar conta das colmeias. Ontem — não é verdade, mana? — ele estava com a barba toda cor de ouro. As abelhas, tendo enxameado, tinham-se agarrado todas àquele barba e ele estava conversando com elas, como com umas filhas. Ele está feliz.
– Eu faço ideia! Que tu sejas bendito! –diz Jesus.
– Obrigado, Mestre.
198.7
Mas aquele menino vai fazer-te gastar! Tu me permitirás, pelo menos…
– Eu estou pensando em sua veste para a festa –grita Pedro.
Todos se riem da impulsividade do grito.
– Está bem. Mas haverá necessidade também de outras roupas. Simão, sê bom. Eu também não tenho filhos. Deixa que eu e Marta nos consolemos, tratando das pequenas vestes a serem feitas.
Pedro, tendo sido assim rogado, de repente se comove, e diz:
– As vestes… sim. Mas a veste para quarta-feira, dela eu trato. O Mestre já me prometeu, e até disse que eu devo ir com a mãe comprá-la amanhã.
Pedro diz tudo isso por medo de que haja alguma mudança em seu desfavor.
Jesus sorri, e diz:
– Sim, mãe. Eu te peço que vás amanhã com Simão. Senão, este homem acaba morrendo de aflição. Tu o aconselharás na escolha.
– Eu disse: veste vermelha e cinta verde. Ficará muito bem. Pelo menos melhor do que a cor que ele tem agora.
– Vermelho ficará muito bem. Também Jesus estava vestido de vermelho. Mas eu diria que ficaria melhor sobre o vermelho uma cinta vermelha, ou pelo menos, bordada em vermelho –diz Maria com doçura.
– Eu dizia assim, porque estou vendo como Judas, que é moreno, fica muito bem com aquelas fitas verdes sobre o hábito vermelho…
– Mas elas não são verdes, amigo –diz, rindo, Iscariotes.
– Não? Então, de que cor são?
– Esta cor é chamada “veio de ágata.”
– E, que queres que eu entenda disso?! A mim me pareceu verde. É a cor que eu vejo nas folhas!
Maria intervém com benignidade:
– Simão tem razão. É exatamente a cor que as folhas tomam, com as primeiras chuvas de Tisri…
– Aí está! E, assim como as folhas são verdes, eu dizia que era verde –termina, contente, Pedro.
A Virgem Suave fez haver paz e alegria até numa pequena coisa como esta.
198.8
– Quereis chamar o pequeno? –pede Maria.
E o menino chega logo, junto com João.
– Como te chamas? –pergunta Maria, acariciando-o.
– Eu sou… eu era Jabé. Mas agora estou esperando o nome…
– Tu o estás esperando?
– Sim. Jabé está querendo um nome que queira dizer que Eu o salvei. Tu procurarás esse nome, minha mãe. Um nome de amor e salvação.
Maria fica pensando… e depois diz:
– Marjiziam (Maarhgziam). Tu és a pequena gota do mar dos salvados de Jesus. Agrada-te? Assim ele faz pensar em mim e na Salvação.
– É muito bonito –diz contente o menino.
– Mas, este, não é um nome de mulher? –pergunta Bartolomeu.
– Com um L no fim, em lugar do M, quando este esboço de homem se tornar um adulto, podereis mudar o seu nome em nome de homem. Por enquanto, vai levar o nome que lhe deu a Mamãe. Está bem?
O menino diz que sim, e Maria o acaricia.
A cunhada lhe pergunta:
– Esta lã é bonita –e toca na capinha de Jabé–, mas tem uma cor! Que achas? Eu a tingirei de vermelho escuro. Ficará bem.
– Amanhã de tarde faremos isso. Porque amanhã é que ele vai receber sua veste nova. Agora não podemos tirar esta.
Marta diz:
– Virias comigo, menino? Te levo aqui perto, para ver muitas coisas e depois retornamos aqui…
Jabé não recusa. Ele nunca recusa nada… mas parece que está com um pouco de medo de ir com uma mulher quase desconhecida. Ele diz, entre tímido e delicado:
– João poderia ir comigo?
– Sem dúvida!
E lá se vão.
198.9
E, enquanto eles estão ausentes, as conversações entre os vários grupos continuam. São narrações, comentários, suspiros por causa da dureza humana.
Isaac conta tudo o que ele pôde ficar sabendo do Batista. Há quem diga que ele está em Maqueronte, e quem diga que está em Tiberíades. Os discípulos ainda não voltaram…
– Mas, eles não o haviam acompanhado?
– Sim. Mas, perto de Doco, os captores atravessaram o rio com o prisioneiro e não se sabe se depois subiram para o lago ou se desceram para Maqueronte. João, Matias e Simeão puseram-se em seu encalço, para saberem, e certamente não o abandonarão.
– E tu, Isaac, com certeza não abandonarás este novo discípulo. Por enquanto, ele está comigo. Quero que faça a Páscoa comigo.
– Eu a farei em Jerusalém, na casa da Joana. Ela me viu, e me ofereceu um quarto para mim e os meus companheiros. Todos irão este ano. E estaremos com Jônatas.
– Virão também os do Líbano?
– Também. Mas talvez não poderão vir os discípulos de João.
– Sabes que virão os de Jocanã?
– É verdade? Estarei junto à porta, junto aos sacerdotes que fazem as imolações. Eu os verei e levarei comigo.
– Podes esperá-los, lá pela última hora. Pois eles têm, um tempo contado. Mas têm o cordeiro.
– Eu também. Magnífico! Foi Lázaro quem o deu. Imolaremos este; e o outro, o deles, servir-lhes-á para a volta.
198.10
– Está entrando de novo Marta com João e o menino, vestido este com uma pequena veste de linho branco e uma sobreveste vermelha. Sobre o braço traz umo manto também vermelho.
– Estás reconhecendo isto, Lázaro? Estás vendo como tudo serve?
Os dois irmãos sorriem.
Jesus diz:
– Eu te agradeço, Marta.
– Oh! Senhor meu! Eu tenho a mania de ficar guardando tudo. Eu a herdei de minha mãe. Tenho ainda muitas vestes do meu irmão. Muito queridas, porque foram tocadas pela minha mãe. De vez em quando, eu tiro uma parte delas para algum menino. Agora, vou dá-la a Margziam. São um pouco compridas, mas podem ser encurtadas. Lázaro, quando se tornou maior de idade, não as quis mais… Um bonito capricho, próprio de crianças… e que venceu porque minha mãe adorava o seu Lázaro.
A irmã o acaricia com amor e Lázaro pega sua belíssima mão, beija-a e diz:
– E tu, não?
Sorriem um para o outro.
– Foi providencial isto –observam muitos.
– Sim, o meu capricho deu bom resultado. Talvez me será perdoado por isso.
A ceia está pronta, e cada um vai para o seu lugar…
Palavras-chave
- A Virgem Maria
- Isaac de Yutta (pastor da Natividade)
- José de Emaús
- Lázaro
- Marcelle (empregada de Betânia)
- Maria Salomé (mãe de Tiago e João de Zebedeu)
- Maria de Alfeu (Maria de Cléofas)
- Marta de Betânia
- Maximino de Betânia
- Simão-Pierre - Simão de Jonas (apóstolo)
- Timon d'Aëra (diretor da sinagoga de Belle-Eau)
- Yabeç (Jabé) - Marziam (Margziam)
EMF 199.1-3 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
A esplendida manhã convida realmente a dar um passeio, a deixar as camas e as casas e os moradores da casa do Zelotes, como abelhas ao primeiro sol, surgem muito cedo e partem para respirar o ar puro do pomar de Lázaro, que fica ao redor da pequena casa hospitaleira. Logo se ajuntam também os que estão hospedados com Lázaro, isto é, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, André e Tiago de Zebedeu. O sol entra festivo por todas as janelas e portas escancaradas, e os quartos, simples e limpos, vão-se vestindo com uma tinta de ouro, que aviva as cores das vestes, e faz brilhar também as cores dos cabelos e das pupilas.
Maria de Alfeu e Salomé estão atentas em servir a estes homens, que estão com um apetite notável. Maria, por sua vez, está observando um dos criados de Lázaro, enquanto ele vai compondo os cabelinhos de Margziam, cortando-os com mais habilidade do que tinha feito o primeiro cabeleireiro dele:
– Por enquanto, fica assim –diz ele–. Depois, quando tiveres oferecido a Deus a tua cabeleira de menino, eu a encurtarei como se deve. Quando chegar o calor, te sentirás melhor, sem cabelos no pescoço. E eles ficarão mais fortes. Agora, estão secos e frágeis, descuidados. Estás vendo, Maria? Eles precisam de cuidados. Agora vou untá-los, para conservá-los em seu lugar. Estás sentindo, menino, que cheirinho bom? É o óleo que Marta usa. Amêndoa, palma, miolo do que há de mais fino e com essência rara. Isto faz muito bem. Minha patroa disse que eu guardasse este potinho para o menino. E, então, ele está aqui. Agora, ficas parecendo o filho do rei.
E o servo, que deve ser o barbeiro da casa de Lázaro, dá uma palmadinha na face de Margziam, saúda Maria, e vai-se embora satisfeito.
– Vem cá, que eu vou te vestir –diz Maria ao menino que, por enquanto, está só com uma tunicazinha de mangas curtas, que eu creio que seja a camisa ou o que naqueles tempos fazia as vezes dela.
E, pela boa qualidade do linho, compreendo que ela fazia parte do enxoval de Lázaro, quando criança. Maria tira a toalha com que Margziam estava quase enfaixado, e o reveste com a saia feita de linho, franzida na raíz do pescoço e nos pulsos, e com a sobreveste vermelha, de lã, com um amplo decote e mangas largas. O linho, muito alvo, aparece no decote e nas mangas de tecido vermelho e opaco. A mão de Maria deve ter trabalhado a noite inteira para prover a tudo, regulando o comprimento das vestes e das mangas, e agora está tudo bem, especialmente depois que Maria o cingiu na cintura com a faixa macia, que termina em um floco de lã branca e vermelha. O menino nem parece mais aquele ser pobrezinho de poucos dias atrás.
– Agora, vai brincar, sem sujar-te, enquanto eu vou me preparar
–diz Maria, acariciando-o.
E o menino sai, pulando de contente, para ir procurar os seus grandes amigos.
199.2
O primeiro a vê-lo é Tomé:
– Mas, como estás bonito! Vestido de noivo! Tu me fazes desaparecer –diz o alegre Tomé, gorducho e tranquilo.
E o toma pela mão, dizendo:
– Vem cá, vamos ao lugar onde estão as mulheres. Elas estavam te procurando, para ensinarem o que deves dizer ou fazer.
Entram na cozinha, e Tomé passa um susto nas duas Marias, gritando com o seu vozeirão para elas que estavam inclinadas e viradas para os seus pequenos fornos:
– Aqui está um jovenzinho que quer vos ver –e rindo-se, apresenta o menino, que estava escondido atrás do seu volumoso corpo.
– Oh! querido! Vem cá, que eu te dou um beijo! Olha, Salomé, como ele está bonito –exclama Maria de Alfeu.
– É verdade. Agora, só falta ele ficar mais robusto. Mas disso cuidarei eu. Vem cá, que eu também te beijo –responde Salomé.
– Mas Jesus vai confiá-lo aos pastores –objeta Tomé.
– Isso, nem por sombra! Neste ponto o meu Jesus erra. Que é que quereis fazer, que é que, vós homens, sabeis fazer? Brigar — porque, seja dito de passagem, sois, antes de tudo, uns briguentos… como uns cabritos, que se amam, mas dão chifradas uns nos outros, — sabeis comer, falar, ter mil necessidades e querer que o Mestre preste toda atenção em vós… caso contrário ficais amuados… E os meninos precisam é das mamães. Não é verdade… como te chamas?
– Margziam.
– Ah! Mais esta! Bendita a minha Maria! Ela podia ter-te dado um nome mais fácil!
– É quase como o dela! –exclama Salomé.
– Sim. Mas o dela é mais simples. Ele não tem aquelas três letras no meio… Três são demais…
Iscariotes acabou de entrar, e diz:
– Ela pôs o nome certo, em seu significado, segundo a linguagem antiga, não adulterada.
– Está bem. Mas é difícil, e eu tiro uma delas, e digo Marziam. Assim é mais fácil e o mundo não virá abaixo por isso. Não é verdade, Simão?
E Pedro, que ia passando diante da janela, conversando com João de Endor, se aproxima, e diz:
– Que desejas?
– Estava dizendo que eu chamo o menino de Marziam. É mais fácil.
– Tens razão, mulher. Se a mãe me permite, eu também o chamarei assim. Mas, como estás bem! Mas, eu também, hein? Olhem só!
De fato, ele está todo escovado, barbeado nas faces, com cabelos e barba alinhados e untados, a veste não amarrotada, as sandálias parecendo novas, de tão limpas e tornadas brilhantes, não sei com quê. As mulheres o admiram, e ele se ri contente.
O menino acabou de comer, e sai para ir andar com o seu grande amigo, a quem ele dá sempre o nome de “Pai.”
199.3
Eis Jesus que vem da casa de Lázaro, junto com o mesmo e, ao menino que vai correndo ao seu encontro, Ele diz:
– A paz esteja entre nós, Margziam. Demo-nos o beijo da paz.
Lázaro, saudado pelo menino, dá-lhe um docinho.
Todos se reúnem ao redor de Jesus. Também, Maria, revestida com uma veste de lã cor de turquesa, sobre a qual cai um amplo manto mais escuro, vem vindo sorridente em direção de seu Filho.
– Podemos ir então –diz Jesus–. Tu, Simão, com minha mãe e o menino, se é que estás mesmo disposto a gastar, ainda mais agora que Lázaro já proveu a tudo.
– Mas, sem dúvida! E depois… poderei dizer que pude, pelo menos uma vez, caminhar ao lado de tua mãe. Uma grande honra.
– Então, vai. E tu, Simão, me acompanharás. Vamos aos teus amigos leprosos…
– De verdade, Mestre? Nesse caso, se me permites, irei na frente correndo, para reuni-los. Depois me encontrarás. Já sabes onde eles estão…
– Está bem. Vai. Os outros façam o que quiserem. Estais todos livres até quarta-feira pela manhã. Nesse dia, à hora terça, estajam todos junto à Porta Dourada.
– Eu irei contigo, Mestre –diz João.
– Eu também –diz Tiago, irmão dele.
– E nós também –dizem os dois primos.
– Eu irei também –diz Mateus e, com ele, André.
– E eu? Eu gostaria de ir também… mas tenho que ir às compras, e não posso ir convosco… –diz o Pedro, na dúvida entre duas vontades.
– Pode-se fazer tudo. Primeiro, vamos aos leprosos e, nesse ínterim, minha mãe vai com o menino a uma casa amiga em Ofel. Depois nós a encontraremos, e tu vais com ela, enquanto Eu e os outros vamos à casa de Joana. Nos reuniremos no Getsêmani para a refeição, e depois, perto do pôr do sol, estaremos aqui.
– Eu, se me permites, vou à casa de alguns amigos… –diz Judas Iscariotes.
– Mas Eu já disse. Fazei o que quiserdes.
– Então, vou ver meus pais. Talvez meu pai já tenha vindo. Se tiver, eu o trarei a Ti –diz Tomé.
– E nós dois, que achas, Filipe? Poderíamos ir à casa do Samuel.
– Disseste bem –responde ele a Bartolomeu.
– E tu, João? –pergunta Jesus ao homem de Endor–. Preferes ficar aqui, para pôr em ordem os teus livros, ou ir comigo?
– Na verdade, eu gostaria de ir contigo… Meus livros… já me agradam menos. Prefiro ler em Ti, o livro vivo.
– Então, vem. Adeus, Lázaro, a…
– Mas, eu vou também. Minhas pernas estão um pouco melhor, e eu te deixarei depois da visita aos leprosos e irei esperar-te em Getsêmani.
– Vamos. A paz esteja convosco, mulheres.
Até às vizinhanças de Jerusalém, vão indo todos juntos. Depois, eles se separam, indo Iscariotes, por sua própria conta, entrando na cidade provavelmente por aquela porta que fica perto da fortaleza Antônia, enquanto que Tomé, com Filipe e Natanael, andam ainda algumas dezenas de metros com Jesus e os companheiros e depois entram na cidade pelo subúrbio de Ofel junto com Maria e o menino.
Anotação
"Como é que te chamas?
- Marziam.
- Estou a ver! Mas a minha bem-aventurada Maria podia ter-te dado um nome mais fácil!
- É quase o dela! exclama Salomé.
- Sim, mas o dela é mais simples. Não tem aquelas três consoantes no meio... Três é demasiado...". MaRGZiam, simplificado para Marziam na nova tradução, de acordo com o que Marie d'Alphée e Pierre dizem no resto do texto.
"Ela tomou o nome exato pelo seu significado, de acordo com a língua antiga". O hebraico, sem dúvida, uma vez que o aramaico (uma língua muito próxima) se tinha tornado a língua comum no tempo de Jesus. Esta proximidade é perfeitamente captada na reflexão de Salomé. Conhecemos também esta proximidade pela oração de Jesus na cruz: Elôi, elôi, lama sabachthani, uma citação aramaica ligeiramente diferente em Mateus 27,46 e Marcos 15,34. No entanto, esta proximidade não exclui diferenças, pois o capítulo 8 do livro de Neemias relata que os exilados que regressavam a Jerusalém ouviram a leitura da Torá "na língua antiga", mas não a compreenderam: foi necessário traduzi-la.
Tu, Simão, vais acompanhar-me até aos teus amigos leprosos ... Simão, o Zelota, é um antigo leproso, curado por Jesus.
Estão todos livres até quarta-feira de manhã. À hora da Tarde, todos vão para a Porta Dourada. Esta porta dá diretamente para o Templo, vindo de Betânia e do Getsémani.
Entretanto, a minha mãe e a criança vão para uma casa amiga em Ofel. Este bairro fica a sul do Templo e, portanto, a leste da cidade.
O que achas, Filipe, de irmos os dois para casa de Samuel? Provavelmente Samuel, o noivo de Annalia.
Ele deve entrar na cidade pelo portão perto da Torre Antónia. O portão de Peixes.
EMF 200.1 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Jesus torna a entrar sozinho em casa de Zelotes. A tarde já está chegando plácida e serena, depois de um dia de muito sol. Jesus aparece à porta da cozinha, saúda, e depois sobe para o quarto superior, já preparado para a ceia, a fim de lá meditar. Não parece estar muito alegre o Senhor. Ele está suspirando repetidas vezes, e andando para lá e para cá, lançando, de vez em quando, um olhar por sobre a campina vizinha, que pode ser vista através das muitas portas desta vasta sala, que tem a forma de um cubo, colocado sobre o térreo. Ele sai, também para passear sobre o terraço, fazendo a volta ao redor da casa, e para no lado detrás dela, a fim de olhar para João de Endor que, de modo cortês, está tirando água de um poço, para oferecê-la à atarefada Salomé. Jesus olha, sacode a cabeça e suspira.
A força do seu olhar atrai João, que se volta para ver o que há, e pergunta:
– Mestre, estás precisando de mim?
– Não. Eu somente estava olhando para ti.
– João é bom. Ele me ajuda –diz Salomé.
– Também por essa ajuda, Deus lhe darà recompensa.
Jesus, depois destas palavras, entra de novo no quarto e se assenta.
EMF 201.1 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Deve esta ser a manhã de quarta-feira, porque a comitiva dos apóstolos e das mulheres, precedida por Jesus e Maria, com o pequeno entre eles, já se vai aproximando da Porta dos Peixes. Com eles está também José de Arimateia que, fiel à palavra dada, foi ao encontro deles.
Jesus procura com o olhar o soldado Alexandre, mas não o vê…
– Nem mesmo hoje ele está aí. Gostaria de saber o que aconteceu.
Mas a multidão é tão grande, que não há modo de perguntarem aos soldados, e talvez isso fosse até uma imprudência, porque os judeus estão hoje mais intransigentes do que nunca, à medida que a festa vai se aproximando e por causa do rancor pela captura do Batista, na qual eles acham que também Pilatos, com os seus satélites, tenha sido cúmplice. Vou compreendendo tudo isso, pelos epítetos e pelo bate-boca que continuamente se trocam, junto à Porta, entre os soldados e os habitantes da cidade, e os insultos… pitorescos e grosseiros, que estalam a cada momento, como os fogos de uma girândola continua. As mulheres da Galileia ficam escandalizadas com isso e se envolvem, como nunca, em seus véus e em seus mantos. Maria enrubesce, mas vai firme para a frente, ereta como uma palmeira, olhando para o seu Filho, o qual, por sua vez, nem tenta fazer que os exaltados hebreus raciocinem, nem aconselha compaixão aos soldados para com os hebreus. E, posto que alguns epítetos não muito bonitos estejam sendo dirigidos também ao grupo dos galileus, José de Arimateia passa para a frente, para perto de Jesus e a multidão, que o conhece bem, fica calada por respeito a ele.
A Porta dos Peixes finalmente é superada e este rio de gente que, como em ondas, vai desembocando na cidade, misturado com os asnos e os rebanhos, invade as ruas…
Palavras-chave
- A Virgem Maria
- André (apóstolo)
- José de Arimateia
- João de Zebedeu (apóstolo)
- Judas de Alfeu (apóstolo)
- Judas de Queriote (apóstolo)
- Maria Salomé (mãe de Tiago e João de Zebedeu)
- Maria de Alfeu (Maria de Cléofas)
- Mateus (apóstolo)
- Simão, o Zelote (apóstolo)
- Simão-Pierre - Simão de Jonas (apóstolo)
- Tiago de Alfeu (apóstolo)
- Tiago de Zebedeu (apóstolo)
- Yabeç (Jabé) - Marziam (Margziam)
EMF 202.4 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Jesus se vira, e se dirige para os camponeses, que estão em êxtase, diante da transformação que notaram em Margziam. Ele dá alguns passos, e depois para, diante da consideração de Tomé:
– Por Javé! Ele queria ver-te na violência de um rei. E saiu bem servido!…
– Eu vos peço que todos vós vos esqueçais do incidente, assim como Eu faço violência a mim mesmo para esquecer-me dele. Eu vos ordeno o silêncio com Simão de Jonas, com João de Endor e com o pequeno. Por motivos que vossa inteligência é bem capaz de compreender, é bom não entristecer nem escandalizar aqueles três. E também silêncio em Betânia, com as mulheres. Lá está minha mãe. Lembrai-vos disso.
– Fica tranquilo, Mestre.
– Faremos tudo para reparar o mal.
– E para consolar-te também –dizem todos.
– Obrigado…
Detalhe
Jesus acaba de repreender Judas e abandona-o entretanto.
EMF 203.1 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Jesus sai com os seus de uma casa perto dos muros, e creio que sempre no bairro de Bezeta, a fim de sair para fora dos muros, devendo passar primeiro diante da casa de José, que está próxima da Porta, que eu ouvi ser chamada Porta de Herodes. A cidade está semi-deserta, nesta noite plácida e enluarada. Compreendo que já foi consumada a Páscoa em uma das casas de Lázaro que, contudo, não é, de modo algum, a casa do Cenáculo. Esta é realmente como uma antípoda daquela. Uma está ao norte, a outra ao sul de Jerusalém.
Na porta da casa, Jesus se despede, com garbo gentil, de João de Endor, que Ele deixa como proteção para as mulheres, e a quem agradece por essa proteção. Beija Margziam, que também veio até à porta, e depois põe-se a caminho para fora da Porta chamada Porta de Herodes.
Anotação
Para sair das muralhas, é preciso ainda passar em frente da casa de José, que fica perto da porta que ouvi chamar Porta de Herodes. José de Arimateia, que os tinha convidado na noite anterior.
EMF 205.2 · Volume 3
O Evangelho como me foi revelado
Citação
Descem, e vão ajuntando-se os outros, à medida que se aproximam, e vão se sentando em círculos, à sombra do pomar. Também Lázaro, que estava falando com Zelotes, aproxima-se do grupo. São vinte pessoas ao todo.
Anotação
É difícil determinar exatamente quem são as vinte pessoas. Com Jesus e os apóstolos, são doze, excluindo Judas. Podemos acrescentar Maria Salomé e Maria de Alfeu, uma vez que fizeram a viagem em MVA 198 e Maria menciona a sua presença nos capítulos anteriores. A Virgem, Marziam, Lázaro e João de Endor também estão presentes. Marta e Maximino têm finalmente todos os motivos para assistir à lição de Jesus.
Em todo o caso, o grupo presente ouvirá a parábola do filho pródigo.
Palavras-chave
- A Virgem Maria
- André (apóstolo)
- Bartolomeu - Natanael (apóstolo)
- Filipe (apóstolo)
- João de Zebedeu (apóstolo)
- Judas de Alfeu (apóstolo)
- Lázaro
- Maria Salomé (mãe de Tiago e João de Zebedeu)
- Maria de Alfeu (Maria de Cléofas)
- Marta de Betânia
- Mateus (apóstolo)
- Maximino de Betânia
- Simão, o Zelote (apóstolo)
- Simão-Pierre - Simão de Jonas (apóstolo)
- Tiago de Alfeu (apóstolo)
- Tiago de Zebedeu (apóstolo)
- Tomé (apóstolo)
- Yabeç (Jabé) - Marziam (Margziam)