EMF 76.4-5
O Evangelho como me foi revelado
Citação
76.4 – Tu me disseste que queres que Isaque fique sabendo que estás aqui, mas isso sem precisares entrar no povoado?
– Sim, assim quero.
– Então, é bom que nos separemos. Eu irei até ele. Levi e José ficarão com o rebanho e convosco. Eu vou subir por aqui. Irei mais depressa.
E Elias começa a subir pela encosta, em direção a um branquear de casas que brilham ao sol, lá no alto. Parece-me que estou seguindo-o. Ei-lo às primeiras casas. Pega uma viela entre as casas e as hortas. Anda uma dezena de metros. Depois, vira para uma rua mais larga, e desta entra em uma praça.
Eu não disse que tudo isso aconteceu nas primeiras horas da manhã. Digo agora, para explicar que na praça ainda há a feira, e as donas de casa e vendedores gritam ao redor das árvores que fazem sombra à praça.
Elias vai firme, até ao ponto onde a praça volta a ser rua, uma rua muito bonita. Talvez a mais bonita do povoado. Num canto há um casebre, ou melhor, um quarto com a porta aberta. Quase à porta, está uma pobre cama, e em cima dela um doente muito magro que, lamentosamente pede uma esmola a cada passante.
Elias entra como um foguete:
– Isaque… sou eu.
– Tu? Eu não estava te esperando. Vieste aqui na lua passada.
– Isaque… Isaque… Sabes por que eu vim?
– Não sei… Estás comovido… Que aconteceu?
– Eu vi Jesus de Nazaré, homem, já rabi. Ele veio procurar-me… e nos quer ver. Oh! Isaque! Estás mal?
De fato, Isaque deixou-se cair como se morresse. Mas depois se recobra:
– Não. Esta notícia… Onde está Ele? Como está? Oh! Se eu pudesse vê-lo!
– Ele está lá em baixo, no vale. E me manda dizer-te assim, exatamente assim: “Vem, Isaque, que Eu te quero ver e abençoar.” Agora, eu vou chamar alguém que me ajude a levar-te lá em baixo.
– Assim Ele disse?
– Assim. Mas, que é que estás fazendo?
– Eu vou.
Isaque afasta as cobertas, move as pernas inertes, lança-as fora da enxerga, e as apóia no chão, levanta-se, ainda incerto, cambaleante. Tudo em um instante, sob os olhos arregalados de Elias… que finalmente compreende e grita…
Aí aparece uma mulherzinha curiosa. Vê o enfermo de pé, que se cobre com um cobertor, não encontrando outra coisa, e sai correndo, gritando como uma galinha.
– Vamos. Saiamos daqui, para fazermos mais depressa, antes que a multidão comece a se ajuntar… Depressa, Elias.
E saem correndo pelo portãozinho de uma pequena horta, situada atrás, empurram o fecho de ramos secos, e estão fora; seguem por uma viela miserável, descem depois por uma estradinha entre as hortas, e desta passam para os prados e pequenos bosques até o córrego.
76.5 – Eis ali Jesus –diz Elias, indicando-o–. É aquele alto, bonito, loiro, vestido de branco, com o manto vermelho….
Isaque corre, abre caminho por entre o rebanho que está pastando, e com um grito de triunfo, de alegria, de adoração, prostra-se aos pés de Jesus.
– Levanta-te, Isaque. Eu vim. Para trazer-te paz e bênção. Levanta-te para Eu conhecer o teu rosto.
Mas Isaque não pode levantar-se. Emoções demais ao mesmo tempo, e está, em seu choro feliz, com o rosto no chão.
– Vieste depressa. Nem perguntaste a ti mesmo se podias…
– Tu me disseste para vir… e eu vim.
– Tampouco fechou a porta, nem recolheu as esmolas, Mestre.
– Não importa. Os anjos velarão a casa dele.