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Notas da palavra-chave

Locais - Casa de Isabel e Zacarias em Hebron

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EMF 21.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Maria está entrando no povoado. Há mulheres nas portas — já chegou a tarde — e observam a chegada da forasteira. Depois começam a falar umas com as outras sobre o que viram. Vão acompanhando a forasteira com o olhar, e não ficam sossegadas, enquanto não a vêem parar na frente de uma das mais belas casas, situadas bem no meio do povoado, tendo à frente um jardim, e atrás um pomar muito bem tratado, estendendo-se o terreno depois por um vasto prado, que sobe e desce pelas sinuosidades do monte, acabando num bosque de árvores altas, além das quais não sei o que há. Tudo está cercado por uma sebe de amoreiras e roseiras selvagens. Eu não distingo bem, porque, como se sabe, a flor e a folhagem dessas moitas espinhosas são muito parecidas e, enquanto não aparecerem os frutos nos ga­lhos, é fácil nos enganarmos. No lado da frente da casa, que é o lado onde termina o povoado, a propriedade está cercada por um pequeno muro branco, no qual se espraiam os ramos das roseiras verdadeiras, que embora estejam ainda sem flores, estão cheias de botões. No centro há um portão de ferro, fechado. Logo se vê que esta deve ser a casa de um dos notáveis do povoado, ou de pessoas abastadas, porque tudo demostra, se não riqueza e ostentação, certamente demonstra bem-estar. Tudo está em ordem.

EMF 77.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Já se vêem as casas –diz João, que vai alguns passos na frente dos outros.

– É Hebron. Abrange dois rios com seu dorso. Estás vendo, Mestre? Aquele casarão, lá ao longe, entre todo aquele verde, um pouco mais alto que os outros? É a casa de Zacarias.

– Vamos apressar o passo.

Percorrem rapidamente os últimos metros da estrada, entram na cidade. Os pequenos cascos das ovelhas parecem castanholas sobre as pedras irregulares da rua, neste ponto calçada de maneira bem rudimentar. Chegam à casa. As pessoas olham aquele grupo de homens de diferentes aspectos, na idade e na veste, entre o branco das ove­lhas.

– Oh! Como está mudada! Aqui era a cancela –diz Elias.

Agora, ao invés da cancela, há um portão de ferro, que impede a vista, e como o muro é mais alto do que um homem, nada se vê.

– Talvez seja aberto na parte de trás. Vamos.

Dão a volta em um grande quadrilátero, ou melhor, um grande retângulo, mas o muro é igual em todos os lados.

– Este muro foi feito, há pouco tempo –diz João, observando-o–. Ele está sem avarias, e no chão ainda há pedras calcárias.

– Não vejo nem mesmo o sepulcro… Ele era perto do bosque. Agora o bosque ficou do lado de fora do muro e… e parece que é de todos. Aqui todos vêm tirar a lenha.

Elias está perplexo.

77.5 Um homem, um lenhador, já velhinho, de baixa estatura, mas robusto, que observa o grupo, pára de serrar um tronco abatido, e se aproxima do grupo:

– A quem procurais?

– Queríamos entrar na casa, para rezarmos no sepulcro de Zacarias.

– Não há mais sepulcro. Não estais sabendo disso? Quem sois?

– Eu sou amigo do pastor Samuel. Ele…

– Não é preciso, Elias –diz Jesus.

Elias se cala.

– Ah! O Samuel!… Sim! Mas, desde que João, filho de Zacarias, foi levado para a prisão, a casa não é mais sua. E é uma pena, porque ele fazia com que todo o ganho dos seus haveres fosse dado aos pobres de Hebron. Certa manhã, veio um homem da corte de Herodes, expulsou Joel, lacrou as entradas, depois voltou com uns operários e começou a levantar o muro… Naquele canto lá é que estava o sepulcro. Ele não o quis… e uma manhã o encontramos todo destruído, e meio espalhado pelo chão… os pobres ossos misturados… Nós os recolhemos como foi possível… Agora estão numa única arca… E na casa do sacerdote Zacarias, aquele sujo tem as suas amantes. Agora, ele está com uma atriz de Roma. Por isso levantou o muro. Não quer que se veja… A casa do sacerdote, um lupanar! A casa do milagre e do Precursor!

EMF 211.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Judas confidencia que o sinagogo queria vir com ele, mas que ele não se atreveu a tomar uma decisão por si mesmo:

– Tu te lembras, João, como ele nos expulsou[1] no ano passado?

– Sim, eu me lembro… Mas digamos isto ao Mestre.

E Jesus, tendo sido interrogado, diz que eles entrarão em Hebron. Se os quiserem, se os chamarem, pararão lá. Senão, passarão adiante, sem parar:

– Assim, nós veremos também a casa do Batista. De quem ela é agora?

– De quem a quiser, penso eu. Shamai foi-se embora e não voltou mais. Ele levou seus empregados e móveis. Os moradores, para se vingarem de suas injustiças, derrubaram o muro e a casa agora é de todos. Pelo menos, o jardim. Lá se reúnem para venerarem o Batista. Dizem que Shamai tenha sido assassinado. Não sei porque… parece que por causa de mulheres…

– Alguma trama podre da corte, certamente!… –murmura Natanael por entre a barba.

Anotação

Relativamente ao chefe da sinagoga, verEMV 77.8.

EMF 211.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Levantam-se e vão indo para Hebron, rumo à casa do Batista. Quando estão chegando a ela, vêm vindo alguns moradores num grupo compacto. Eles vêm vindo para a frente um pouco incertos, curiosos e meio desconfiados. Mas Jesus os saúda com um sorriso. Eles, então se animam, se dividem, e do grupo sai aquele sinagogo descortês do ano passado.

– A paz esteja contigo –saúda-o logo Jesus–. Permites que permaneçamos na tua cidade? Estou com todos os meus discípulos prediletos e com as mães de alguns deles.

– Mestre, mas Tu não guardas rancor de nós, nem de mim?

– Rancor? Não sei o que é isso, nem sei porque o haveria de ter.

– No ano passado eu Te ofendi.

– Ofendeste a um Desconhecido e achavas que tinhas o direito de fazê-lo. Depois compreendeste e te arrependeste de tê-lo feito. Mas isso é coisa passada. E, assim como o arrependimento anula a culpa, assim o presente anula o passado. Agora para ti Eu não sou mais o Desconhecido. Que sentimentos tens agora para comigo?

– De respeito, Senhor. De…desejo…

– Desejo? Que queres de Mim?

– Conhecer-te mais do que eu te conheço.

– Como? De que modo?

– Através da tua palavra e das tuas obras. Chegou até aqui a notícia de Ti, da tua doutrina, do teu poder, e foi dito que Tu não és alheio à libertação do Batista. Tu não o odiavas, nem procuravas suplantar, a nosso João!… Ele mesmo não negou que é por causa de Ti que ele voltou a ver o vale do Santo Jordão. Nós estivemos com ele, falando-lhe de Ti, e ele nos disse: “Vós não sabeis o que foi que rejeitastes. Eu devia amaldiçoar-vos, mas eu vos perdôo, porque Ele me ensinou a perdoar e a ser humilde. Mas, se não quereis ser amaldiçoados pelo Senhor e por mim, seu servo, amai ao Messias. E não tenhais dúvidas. O testemunho dele é este: espírito de paz, amor perfeito, sabedoria superior a qualquer outra, doutrina celeste, humildade absoluta, potência em cada coisa, humildade total, castidade angelical. Não podeis enganar-vos. Quando estiverdes respirando a paz ao lado de um homem que se chama Messias, quando beberdes amor, — amor que dele emana — quando passardes das vossas trevas para a luz e vir que os pecadores são perdoados, as carnes serdes curadas, então dizei: ‘Este é realmente o Cordeiro de Deus!’” Nós sabemos que as tuas obras são as de que fala nosso João. Por isso, perdoa-nos, ama-nos, dá-nos aquilo que o mundo espera de Ti.

– Estou aqui para isto. Venho de muito longe para dar também à cidade de João o que Eu dou a todos os lugares que me acolhem. Dizei-me o que desejais de Mim.

– Nós também temos doentes e somos ignorantes. Especialmente no que se refere ao amor e à bondade. João, no seu amor total a Deus, tem uma mão de ferro e uma palavra de fogo, e quer dobrar a todos, como um gigante que dobra uma haste de erva. Muitos ficam desanimados, porque o ser humano é mais pecador do que santo. É difícil sermos santos!…Tu… dizem que não dobras, mas que ajudas, que não cauterizas, mas que aplicas bálsamo, que não esmigalhas, mas acaricias. Sabe-se que és paterno com os pecadores e és poderoso sobre as doenças, sejam quais forem, também e sobretudo as do coração. Os rabis não sabem mais fazer isso.

211.4

– Trazei-me os vossos doentes, e depois reuni-vos neste jardim abandonado e profanado pelo pecado, depois de ter sido feito um templo pela Graça que nele habitou.

Os hebronitas partem dali em todas as direções, como andorinhas, e fica só o sinagogo, que entra com Jesus e os discípulos até para lá do muro do jardim, indo à sombra de uma trepadeira misturada com roseiras e videiras, que ali cresceram, como bem lhes pareceu. Os hebronitas apressam-se em voltar. E com eles já vem sendo trazido um paralítico em uma padiola, uma jovem cega, um mudinho e dois doentes que eu não sei o que têm, e que vêm acompanhados pelos que os ajudam.