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Notas do tema

Livros do Antigo Testamento

Página 3 de 16

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EMF 9.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

“Quem ama a sabedoria, ama a vida, e terá a Vida como herança”, diz o Eclesiástico. Isto está ligado à minha Palavra: “Aquele que perder a vida por amor de Mim, salvá-la-á.” Porque não se trata da pobre vida desta terra e, sim, da vida eterna; não se trata das alegrias de um momento, mas das alegrias imortais.

Anotação

Livro de Ben Sira, o Sábio 4, 12-13

Si 4, 12-13 : Amá-la é amar a vida; aqueles que a procuram desde a aurora serão felizes; aquele que a possui herdará a glória; onde ele entra, o Senhor dá a sua bênção.

Evangelho de Mateus 16, 25

Mt 16,25: Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á, mas quem perder a sua vida por minha causa, achá-la-á.

Evangelho de Marcos 8,35 e Evangelho de Lucas 9,24

Mc 8,35 / Lc 9,24: Quem quiser salvar a sua vida, perdê-la-á; mas quem perder a sua vida por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á.

Ver EMV 346.9.

EMF 10.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

10.5 A Lei… Ora, Ana, não me digas que sou uma blasfemadora. Eu acho que a Lei está para ser mudada. Por quem, dirás tu, se a Lei é divina? Pelo único que a pode mudar. Por Deus. O tempo está mais perto do que pensais, eu vos digo. Porque, lendo Daniel, uma grande luz se fez em mim, partindo do fundo do meu coração, e minha mente compreendeu o sentido das palavras misteriosas. As setenta semanas serão abreviadas pelas orações dos justos. Foi mudado o número dos anos? Não. A profecia não mente. A medida do tempo profético não é o curso do sol e sim o da lua. Portanto, eu te digo: “A hora está perto, quando se ouvirá o vagido daquele que nasceu de uma Virgem.” Oh! Se esta Luz que me ama quisesse me dizer, já que me diz tantas coisas, onde está a feliz donzela que dará à luz o Filho de Deus, que dará o Messias ao seu povo! Caminhando descalça, percorreria a terra, e nem o frio, nem o gelo, nem a poeira, nem a canícula, nem as feras, nem a fome seriam para mim obstáculos para eu chegar perto dela e dizer-lhe: “Concede à tua serva e à serva dos servos de Cristo de viver sob o teu teto. Eu trabalharei o moinho e a prensa. Coloca-me como escrava ao lado do moinho, ou como pastora do teu rebanho, como a que limpa as fraldas do teu Filho, coloca-me em tuas cozinhas, junto aos teus fornos… coloca-me onde quiseres, mas me aceita! Que eu o possa ver! Que eu ouça a sua voz! Que dele eu receba um olhar.” Se ela não me quisesse, como mendiga à sua porta, eu haveria de viver de esmolas e de zombarias, ao ar livre, sujeita aos rigores do tempo, contanto que pudesse ouvir a voz do Messias menino, o eco dos seus risos, depois vê-lo caminhar… Talvez algum dia eu recebesse Dele a esmola de um pão… Oh! ainda que a fome me estivesse dilacerando as entranha­s, eu estivesse desfalecendo, depois de tanto tempo sem comer, eu não comeria aquele pão. Eu o conservaria como um saquinho de pérolas sobre o meu coração, e o beijaria para sentir o perfume da mão do Cristo. E já não sentiria mais fome nem frio, porque aquele contato me daria êxtase e calor, êxtase e alimento…

Detalhe

Maria falou com Ana de Fanuel e disse-lhe:

Anotação

Ao ler Daniel, surgiu em mim uma grande luz, que veio do fundo do meu coração, e o meu entendimento captou o significado destas palavras secretas. As setenta semanas serão encurtadas graças às orações dos justos. O número de anos será então alterado? Não, a profecia não mente. Mas a medida do tempo profético não se baseia no curso do sol, mas no da lua. É por isso que eu digo: "Está próxima a hora em que se ouvirá dizer que o filho de uma virgem anda errante. "Ver Daniel 9, 23-27.

Ah, se essa Luz que me ama me dissesse - já que ela me diz tantas coisas - onde está a virgem feliz que dará à luz um filho para Deus e o Messias para o seu povo! Estes sentimentos são atestados nas revelações feitas a Santa Isabel da Hungria (1207-1231). Dom Prosper Guéranger (1805-1875), abade de Solesmes, menciona-o no seu Année liturgique, a 9 de dezembro: "Com apenas três anos, ela (a Virgem Maria) já estava iniciada nos segredos do amor divino. Levantava-me sempre a meio da noite - diz ela mesma numa revelação a Santa Isabel da Hungria - e dirigia-me ao altar do Templo, onde pedia a Deus que observasse todos os preceitos da sua Lei e suplicava-lhe que me concedesse as graças necessárias para lhe ser agradável. Acima de tudo, pedi-lhe que me mostrasse o tempo em que viveria esta Virgem Santíssima, que ia dar à luz o Filho de Deus. Supliquei-lhe que conservasse os meus olhos para a ver, a minha língua para a louvar, as minhas mãos para a servir, os meus pés para caminhar à sua ordem, os meus joelhos para adorar o Filho de Deus nos seus braços".

Santa Teresa do Menino Jesus alude a isto nas suas cartas: "Outrora, na tua humildade, desejavas ser um dia a pequena serva da Virgem feliz, que teria a honra de ser a Mãe de Deus" (Carta de 19 de outubro de 1892 a Céline, no dia da sua festa(LT 137).

Livro de Daniel 9, 23-27

Dn9, 23-27 : Desde o início da tua oração, foi-te dirigida uma palavra, que eu vim dar-te a conhecer, porque és um homem favorecido por Deus. Por isso, presta atenção à palavra e compreende a visão. Setenta semanas foram determinadas para o teu povo e para a tua cidade santa, para selar a prevaricação, selar os pecados e fazer expiação da iniquidade, e trazer a justiça eterna, selar a visão e o profeta e ungir o Santo dos Santos. Sabei, pois, e entendei: desde a saída da palavra para edificar Jerusalém até ao ungido, ao príncipe, haverá sete semanas e sessenta e duas semanas; e ela será edificada, em pé e grávida, na aflição dos tempos. E depois de sessenta e duas semanas, o ungido será cortado, e não haverá quem o substitua. E o povo de um príncipe que há-de vir destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será o dilúvio, e até ao fim haverá guerra, o que está decretado para a devastação. Ele fará uma aliança firme com um grande número por uma semana, e no meio da semana interromperá o sacrifício e a oblação, e um destruidor virá sobre a asa das abominações, até que a destruição e o que foi decretado sejam derramados sobre os devastados.

EMF 13.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José diz (ele fala aproximando-se um pouco de Maria):

– Eu estava pensando, agora mesmo, no teu voto. Eu já te disse que quero parti­lha­r dele contigo. Mas quanto mais nisso penso, tanto mais vou compreendendo que não basta o nazireato temporário, ainda que seja renovado muitas vezes. Eu te compreendi, Maria. Eu ainda não mereço a palavra da Luz. Mas dela um murmúrio já está chegando aos meus ouvidos. É isto que me está levando a entender o teu segredo, pelo menos em suas linhas mais expressivas. Eu sou um pobre ignorante, Maria. Sou um pobre operário. Não entendo de letras, nem possuo tesouros. Mas aos teus pés quero pôr o meu tesouro. Para sempre. A minha castidade absoluta, para poder ser digno de estar ao teu lado, ó virgem de Deus, “irmã esposa minha, jardim fechado, fonte selada”, como diz o nosso Avô que talvez tenha até escrito o Cântico, tendo-te à frente de seus olhos… Eu serei o guardião deste jardim de aromas no qual se encontram as mais finas frutas e do qual jorra uma nascente de água viva, com ímpeto suave: a tua doçura, ó minha esposa, que com sua candura me conquistaste o espírito, ó toda bela. Bela, mais do que uma aurora, sol que resplandece, porque teu coração resplandece, ó toda cheia de amor pelo teu Deus, e pelo mundo ao qual queres dar o Salvador com o teu sacrifício de mulher. Vem, amada minha­.

Detalhe

Durante o noivado no Templo, José juntou-se a Maria e chamou-a à parte por um momento.

Anotação

Cântico dos Cânticos 4, 12

Ct 4, 12 : Jardim fechado, minha irmã desposada, fonte fechada, manancial selado.

EMF 13.8-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.8 Jesus diz:

– Que é que diz o livro da Sabedoria, cantando os louvores dela? “Na sabedoria está, de fato, o espírito da inteligência, santo, único, multíplice, sutil.” E continua enumerando os dotes dela, para terminar o período com estas palavras: “… que tudo pode, tudo prevê, que compreende todos os espíritos, inteligente, puro, sutil. A sabedoria penetra com sua pureza, é um vapor da virtude de Deus… por isso nada há de impuro… imagem da bondade de Deus. Mesmo sendo única, tudo pode, imutável, renova todas as coisas, comunica-se às almas santas e forma os amigos de Deus e os profetas.”

13.9 Tu viste como José, não por uma cultura humana, mas por uma instrução sobrenatural, sabe ler no livro selado da virgem imaculada, e como ele se aproxima das verdades proféticas com a sua “visão” de um mistério sobre-humano, no qual os outros viam apenas uma virtude. Impregnado dessa sabedoria, que é vapor da virtude de Deus, e uma certa emanação do Onipotente, ele se dirige com espírito seguro no mar desse mistério de graça que é Maria, aprofunda-se com ela em conversações espirituais, nas quais, mais do que com os lábios, são seus dois espíritos que falam um ao outro, no sagrado silêncio das almas, onde só Deus ouve as vozes, e só as percebem aqueles que são agradáveis a Deus, porque são seus servos fiéis, e Dele estão plenos.

A sabedoria do justo, que aumenta pela união e proximidade daquela que é a toda graça, prepara-o para penetrar nos segredos mais altos de Deus, e para poder cuidar e defendê-los das insídias do homem e do demônio. Por enquanto a sabedoria lhe dá um novo vigor. Do justo faz um santo, do santo faz um guardião da esposa e do Filho de Deus.

Sem faltar com a reverência para com o selo de Deus, ele, o casto, que agora leva a sua castidade até um heroísmo angelical, pode ler a palavra de fogo escrita sobre o diamante virginal, pelo dedo de Deus. Nele lê aquilo que a sua prudência não diz, mas que é muito maior do que o que Moisés leu nas tábuas de pedra. E, para que nenhum olho profano, nem de leve, se atreva a tocar no Mistério, ele se põe como selo sobre o selo, como o arcanjo de fogo sobre a entrada do Paraíso, dentro do qual o Eterno acha as suas delícias, “passeando à brisa da tarde”, e falando com aquela que é o seu amor, bosque de lírios em flor, aura impregnada de aromas, aragem fresca da manhã, estrela de rara beleza, delícia de Deus. A nova Eva está lá, diante dele, não osso de seus ossos, nem carne de sua carne, mas companheira de sua vida, Arca viva de Deus, a qual é recebida por ele de Deus para que a guarde, e a entregue a Deus, tão pura como quando a recebeu.

Detalhe

Livro da Sabedoria 7, 22-27
*Sabedoria 7, 22-27: Na Sabedoria há um espírito inteligente e santo, único e múltiplo, subtil e veloz; penetrante, claro, imaculado; amigo do bem, vivo, irresistível, benéfico, amigo dos homens; firme, seguro e pacífico, omnipotente e observador, penetrando todos os espíritos, mesmo os mais inteligentes, os mais puros, os mais subtis.

A sabedoria, de facto, move-se com um movimento que ultrapassa todos os outros; atravessa e penetra tudo devido à sua pureza. Porque ela é o sopro do poder de Deus, a emanação pura da glória do Soberano do universo.

É a irradiação da luz eterna, o espelho imaculado da ação de Deus, a imagem da sua bondade. Porque é único, pode fazer tudo; e sem sair de si mesmo, renova o universo. De idade em idade, é transmitida às almas santas, para fazer delas profetas e amigos de Deus.

EMF 13.10

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.10 O que se lê no Levítico? “Diz a Arão, teu irmão, que ele não en tre, em momento algum, no santuário, além do Véu, diante do propiciatório, que está sobre a Arca, porque Eu apareço sobre o propiciatório em uma nuvem, e ele poderá morrer, se antes não tiver feito estas coisas: oferecer um novilho pelo pecado e um carneiro em holocausto. Vestir a túnica de linho e com calças de linho cobrir sua nudez.”

Com efeito, José entra quando Deus quer e quanto Deus quer no santuário de Deus, além do véu que encobre a Arca, e sobre a qual paira o Espírito de Deus, e se oferece a si mesmo, oferecendo o Cordeiro, holocausto pelo pecado do mundo e expiação por esse pecado. E assim faz, estando vestido de linho, e com os seus membros viris mortificados, para abolir a sensualidade que, uma vez, no princípio dos tempos, triunfou, lesando o direito de Deus sobre o homem, mas que agora vai ser calcada no Filho, na mãe e no pai adotivo, para reconduzir os homens à graça e reintegrar a Deus o seu direito sobre o homem. E faz isso com a sua perpétua castidade.

Detalhe

Depois de dar a visão do noivado de José e Maria, Jesus fala do seu suposto pai e diz

Anotação

Livro do Levítico

Lv 16, 2-4 : O Senhor disse a Moisés: "Fala a Aarão, teu irmão: não o deixes entrar no santuário em momento algum, para além da cortina, diante do propiciatório sobre a arca. Assim ele não morrerá quando eu aparecer na nuvem por cima do propiciatório. É assim que Aarão deve entrar no santuário: com um touro para a oferta pela culpa e um carneiro para o holocausto. Vestirá uma túnica de linho consagrada e um colete de linho à volta da cintura; cingir-se-á com uma faixa de linho e usará um turbante de linho. Vestirá estas vestes sagradas depois de ter banhado o corpo em água.

EMF 17.1-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Não se lê no Gênesis que Deus fez o homem para dominar tudo o que havia sobre a terra, ou seja, tudo, com exceção de Deus e dos seus ministros angélicos? Não se lê que fez a mulher para ser compa­nheira do homem na alegria e na dominação de todos os seres vivos? Não se lê que eles podiam comer de tudo, menos da árvore da ciência do Bem e do Mal? Por quê? O que está sub-entendido nas palavras “para que domines”? O que está sub-entendido na árvore da ciência do Bem e do Mal? Nunca vos fizestes tais perguntas, vós que viveis perguntando tantas coisas inúteis, mas não indagam vossa alma a respeito das verdades celestes?

A vossa alma, se estivesse viva, vos responderia. Quando ela está na graça de Deus, está bem segura, como uma flor entre as mãos do vosso anjo. Quando está na graça de Deus, é como uma flor beijada pelos raios do sol, borrifada por um orvalho do Espírito Santo, que a aquece e ilumina, que a irriga e adorna com suas luzes celestes. Quantas verdades vos diria a vossa alma, se soubésseis conversar com ela, se a amásseis, como se ama alguém que voz faz semelhantes a Deus, que também é Espírito. Que grande amiga teríeis, se amásseis a vossa alma, em vez de odiá-la, ao ponto de matá-la? Que grande e sublime amiga com a qual poderíeis falar das coisas do céu, vós que gostais tanto de falar, e vos arruinais reciprocamente, com amizades que, se não são indignas, pelo menos são quase sempre inúteis, transformando-se num vazio vão e nocivo de palavras, totalmente terrenas.

Não disse[3] Eu: “Quem me ama guardará a minha palavra e meu Pai o amará, e viremos a ele e faremos nele morada”? A alma no estado de graça possui o amor, possuindo então Deus, ou seja, o Pai que mantém esta alma, o Filho que a ensina, o Espírito que a ilumina. Possui, portanto, o Conhecimento, a Ciência, a Sabedoria. Possui a Luz. Pensai, então, nas conversações sublimes que vossa alma poderia entabular convosco. São os diálogos que encheram os silêncios dos calabouços, das celas, dos ermos, dos aposentos dos enfermos santos. Souberam confortar os que estavam encarcerados, à espera do martírio, os enclausurados por amor à busca da Verdade, os ermitãos ansiosos pelo conhecimento antecipado de Deus, os enfermos pela suportação. Em suma, souberam ensinar o amor à cruz.

17.2

Se soubésseis fazer perguntas à vossa alma, ela vos diria que o significado verdadeiro, exato, vasto como a criação, da palavra “domina” é este: “O homem deve dominar tudo, em todos os estados: o estado inferior, que é o animal; o estado mediano, que é o moral e o estado superior, que é o espiritual. O homem usa os três estados[4] para atingir um único fim, que é possuir a Deus.” Merecer isto através deste férreo domínio, que subjuga as forças do eu, tornando-as escravas deste único objetivo: merecer a possessão de Deus. Vossa alma vos diria que Deus proibira o conhecimento do Bem e do Mal, porque o Bem tinha sido dado por Ele às suas criaturas gratuitamente, mas Ele desejava que o Mal vós não conhecêsseis, porque é um fruto doce ao paladar, mas que, descendo para o sangue, desperta uma febre que mata, produzindo uma tal ardência, que quanto mais se bebe daquele suco mentiroso, mais se tem sede dele.

17.3

Vós me objetareis: “Então, por que o Mal foi colocado diante de nós?” Porque é uma força que nasceu por si mesma, como nascem certos males monstruosos até nos corpos mais sadios.

Lúcifer era um anjo, o mais belo dos anjos. Espírito perfeito, inferior somente a Deus. No entanto em seu ser luminoso nasceu uma sombra de soberba, que ele não tratou de dispersar, mas, ao contrário, procurou condensar, incubando-a. Dessa incubação, nasceu o Mal. Este existia, antes que o homem fosse criado. Deus havia precipitado o maldito incubador do Mal para fora do Paraíso, que tinha se maculado com este Mal. Não podendo mais sujar o Paraíso, o eterno incubador do Mal sujou a Terra.

17.4

A planta metafórica quer demonstrar esta verdade. Deus tinha dito ao homem e à mulher: “Vós conheceis todas as leis e os mistérios da criação. Mas não queirais usurpar-me o direito de ser o Criador do homem. Para propagar a raça humana, bastará o meu amor, que circulará entre vós, sem libido de sensualidade, mas pelo impulso da caridade, que suscitará novos Adãos. Tudo eu vos dou. Só me reservo este mistério da formação do homem.”

17.5

Satanás quis tirar esta virgindade intelectual do homem e, com sua língua serpentina, aplacou, acariciando membros e olhos da Eva, fazendo surgir neles reflexos e sagacidades, que antes não tinham, quando a malícia não os tinha intoxicado ainda.

Ela “viu.” E quis experimentar. A carne foi despertada. Oh! se tivesse chamado por Deus! Se tivesse corrido para ir dizer-lhe: “Pai, eu estou doente. A Serpente me acariciou, e estou perturbada.” O Pai a teria purificado, e curado com o seu hálito, que podia infundir-lhe novamente a inocência, como lhe havia infundido a vida, fazendo-a esquecer-se do tóxico da Serpente, colocando nela a repugnância por ela, como acontece com aqueles que foram assaltados por algum mal, guardando uma instintiva repugnância dele. Mas Eva não foi ao Pai. Ela voltou à Serpente. Aquela sensação foi doce para ela: “Vendo que o fruto da árvore era bom para se comer, bonito de se ver e agradável ao aspecto, foi apanhá-lo, e comeu.”

E “compreendeu.” A malícia já tinha começado a morder-lhe as entranhas. Ela passou a ver com outros olhos, e a ouvir com outros ouvidos, os usos e as vozes dos irracionais. Passou a desejá-los com uma louca cobiça.

17.6

Ela iniciou sozinha o pecado. E o terminou com o seu companheiro. Por isso é que sobre a mulher pesa uma pena maior. Foi por meio dela que o homem se tornou rebelde a Deus e que ele conheceu a luxúria e a morte. Foi por ela que ele não soube mais dominar os três reinos: do espírito, porque permitiu que o espírito desobedecesse a Deus; da moral, porque permitiu que as paixões o dominassem; e da carne, porque o aviltou, submetendo-o às leis instintivas que regem os brutos. “A Serpente me seduziu”, diz Eva. “A mulhe­r me ofereceu o fruto, e eu o comi”, diz Adão. A tríplice concupiscência rouba os seus três reinos do homem.

17.7

Somente a Graça pode desacorrentar o homem preso àquele monstro impiedoso. Mas, se a Graça é viva, mantida sempre assim pela vontade do filho fiel, ela chega a destroçar o monstro, e não é preciso temer mais nada: nem os tiranos internos, isto é, a carne e as paixões; nem os tiranos externos, ou seja, o mundo e os poderosos dele. Nem as perseguições. Nem a morte. É como diz o Apóstolo Paulo[5]: “Nenhuma destas coisas eu temo, nem amo a minha vida mais do que a mim mesmo, contanto que eu leve a bom termo a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus, que é o de dar testemunho do Evangelho da Graça de Deus.”

EMF 31.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Diz o Profeta: “E tu, Belém Efrata, serás a maior porque de ti sairá o Salvador.”

Anotação

Livro de Miqueias

Mi 5, 1-4: E tu, Belém Efrata, o mais pequeno dos clãs de Judá, de ti virá para mim aquele que deverá governar Israel. As suas origens remontam aos tempos antigos, aos dias de outrora. Mas Deus entregará o seu povo até ao dia em que a que há-de dar à luz dará à luz, e os que restarem dos seus irmãos juntar-se-ão aos filhos de Israel.

Ele levantar-se-á e será o seu pastor, pelo poder do Senhor, pela majestade do nome do Senhor, seu Deus. Eles habitarão em segurança, porque de agora em diante ele será grande até nos confins da terra, e ele próprio será a paz!

EMF 38.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Debaixo das árvores, Jesus está brincando com dois meninos, mais ou menos da sua idade. São de cabelos encaracolados, mas não loiros. Um, aliás, é até moreno: uma cabecinha de cordeirinho preto, que faz aparecer ainda mais branca a pele do rostinho redondo, no qual estão abertos dois grandes olhos, de um azul tendente ao violáceo, muito bonitos. O outro tem os cabelos menos encaracolados, e de uma cor castanho-escuro, olhos castanhos e de um colorido mais moreno, mas com uma tonalidade rosada nas faces. Jesus com a sua cabecinha loira, entre os outros dois, parece estar nimbado por um fulgor. Eles brincam em boa harmonia com uns carrinhos sobre os quais estão diversas mercadorias: folhas, pedrinhas, maravalhas, pauzi­nhos­. Fazem-se de mercadores certamente, e Jesus é que compra para a mamãe, à qual vai levar, ora um objeto, ora outro. Maria, aceita com um sorriso, as compras.

Mas depois a brincadeira muda. Um dos dois meninos propõe:

– Vamos representar o Êxodo, atravessando o Egito. Jesus será Moisés, eu Arão, e tu… Maria.

– Mas eu sou homem!

– Não faz mal. Faz assim mesmo. Tu és Maria, e dançarás diante do bezerro de ouro, que vai ser aquela colméia lá.

– Eu não danço. Eu sou homem, e não quero ser mulher. Depois, eu sou um fiel, e não quero dançar diante do ídolo.

Jesus, então, intervém:

– Vamos deixar este ponto. Vamos representar outro: quando Josué foi escolhido para ser o sucessor de Moisés. Assim não entra aquele feio pecado de idolatria, e Judas fica contente por ser um homem, e meu sucessor. Assim ficas contente não é verdade?

– Sim, Jesus. Mas, então, Tu tens que morrer, porque Moisés mor­re, depois. E eu não quero que Tu morras, logo Tu que me queres tão bem!

– Todos morrem… Mas Eu, antes de morrer, abençoarei a Israel, e, como aqui estais somente vós, em vós Eu abençoarei todo Israel.

Foi aceita a proposta. Surge, porém, depois, uma dúvida. Se o povo de Israel, depois de tanto andar, ainda teria, ou não, os carros que tinha, quando saiu do Egito. As idéias são contraditórias.

Vão, então, recorrer a Maria.

– Mamãe, Eu digo que os israelitas tinham ainda os carros. Tiago diz que não. E Judas não sabe a quem dar razão. Tu sabes?

– Sim, meu Filho. O povo nômade tinha ainda os seus carros. Nas paradas os consertava. Subiam nos carros os mais fracos, onde também eram transportadas as provisões, e coisas necessárias para o povo. Menos a Arca, que era levada nas mãos. Tudo o mais ia nos car­ros.

A dúvida foi desfeita.

38.4 Os meninos vão para o fundo do pomar e, de lá, cantando salmos, vêm vindo em direção da casa. Jesus vem na frente e, com sua vozi­nha clara e afinada, canta alguns salmos. Atrás Dele vêm Judas e Tiago, segurando por baixo uma carriolinha que está elevada ao grau de Tabernáculo. Mas, como eles têm que fazer também a parte do povo, além da de Arão e Josué, tiraram as suas cintas e com elas amar­raram a seus pés os outros carros em miniatura, e assim vão para frente, como se fossem verdadeiros atores.

Percorrem toda a parreira, passam diante da porta do quarto onde está Maria, e Jesus diz:

– Mamãe, saúda a Arca que está passando.

Maria se levanta com um sorriso, e se inclina diante do Filho, que passa radiante, em um nimbo de sol.

Depois, Jesus vai subindo pelo lado do monte que cerca a casa, ou melhor, o jardim. Em cima da pequena gruta, tendo-se posto em pé, Ele fala a… Israel. Fala das ordens e promessas de Deus, indica Josué como guia e o chama para perto de Si. Judas, por sua vez, salta sobre a gruta. Jesus o encoraja e abençoa. Depois, manda que lhe tragam uma tabuleta… (é uma folha grande de uma figueira), nela escreve o cântico, e o lê. Não o lê todo, mas uma boa parte, e parece que está lendo mesmo sobre a folha. Depois, despede-se de Josué, que o abraça chorando, e sobe mais, até chegar à beira da saliência onde estão. De lá, abençoa todo Israel, isto é, aos dois que estão prostrados por terra, em seguida se estende sobre a erva curta, fecha os olhos e… morre.

38.5 Maria, que tinha ficado à porta sorrindo, quando viu que ele ficou estendido e rígido, gritou:

– Jesus! Jesus! Levanta-te! Não fiques assim! A mamãe não te quer ver morto!

Jesus se levanta com um sorriso, e corre para ela e a beija. Vêm também Tiago e Judas. Eles também recebem carícias de Maria.

– Como pode Jesus lembrar-se daquele cântico tão comprido e difícil e de todas aquelas bênçãos? –pergunta Tiago.

Maria sorri, e responde simplesmente:

– Ele tem uma memória muito boa, e está sempre muito atento quando eu leio.

– Eu fico atento na escola. Mas, depois, me dá um sono, com toda aquela lamentação… Será que não vou aprender nunca?

– Aprenderás, sim. Tenha paciência.

Detalhe

Judas, Tiago e Jesus estão a brincar no jardim de Nazaré quando eram crianças. Maria está presente.

Anotação

Livro dos Números, 27, 12-23: O Senhor disse a Moisés: "Sobe ao monte Abarim e vê a terra que dei aos filhos de Israel. Então voltarás a reunir-te com o teu povo, tal como aconteceu com o teu irmão Aarão. Na verdade, tu te rebelaste contra a minha palavra no deserto de Cine, quando a comunidade procurou brigar comigo, embora as águas jorrantes devessem mostrar-lhes a minha santidade. Isso aconteceu nas águas de Meribá de Cades, as águas do conflito de Cades, no deserto de Cine. Então Moisés falou com o Senhor. Disse: "Que o Senhor, Deus dos espíritos que animam todos os seres de carne, designe um homem para dirigir a comunidade, que saia e volte para os dirigir, que os faça sair e os faça entrar. Deste modo, a comunidade do Senhor não será como ovelhas sem pastor. O Senhor disse a Moisés: "Toma Josué, filho de Nun, homem de espírito. Põe a tua mão sobre ele e coloca-o diante de Eleazar, o sacerdote, e de toda a comunidade, e dá-lhe as tuas ordens diante dos seus olhos. Colocarás nele uma parte do teu brilho, para que toda a comunidade dos filhos de Israel o ouça. Ele apresentar-se-á diante do sacerdote Eleazar, que o submeterá ao julgamento do Urim perante o Senhor. À sua palavra, todos os filhos de Israel sairão; à sua palavra, voltarão, ele e todos os filhos de Israel com ele, toda a comunidade.

Livro do Deuteronómio 34: Moisés subiu das estepes de Moab ao monte Nebo, ao cume do Pisgah, que fica em frente de Jericó. O Senhor mostrou-lhe toda a terra: Gileade até Dane, todo o Neftali, a terra de Efraim e Manassés, toda a terra de Judá até ao Mediterrâneo, o Negev, a região do Jordão, o vale de Jericó, a cidade das palmeiras, até Soar. O Senhor disse-lhe: "Esta terra que vês, jurei a Abraão, a Isaac e a Jacob que a daria aos seus descendentes. Estou a mostrá-la a ti, mas não entrarás nela. Moisés, o servo do Senhor, morreu ali, na terra de Moab, segundo a palavra do Senhor. Foi sepultado no vale em frente a Bete-Peor, na terra de Moab. Mas, ainda hoje, ninguém sabe onde está o seu túmulo. Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu; a sua vista não tinha falhado, a sua vitalidade não tinha diminuído. Os filhos de Israel choraram Moisés nas estepes de Moab durante trinta dias. Depois, os dias de luto de Moisés chegaram ao fim. Josué, filho de Num, ficou cheio do espírito de sabedoria, porque Moisés tinha posto as mãos sobre ele. Os filhos de Israel obedeceram-lhe e fizeram como o Senhor tinha ordenado a Moisés. Não se levantou em Israel nenhum profeta como Moisés, a quem o Senhor encontrou face a face. Que sinais e prodígios o Senhor o tinha enviado para realizar no Egito, diante do Faraó, de todos os seus servos e de toda a sua terra! Com que mão poderosa, com que força formidável, Moisés tinha actuado aos olhos de todo o Israel!

EMF 40.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Lê agora, e nos explica que é que te parece que é um símbolo.

– Na Palavra santa raramente faltam os símbolos. Nós é que não os sabemos ver e aplicar. Eu leio: 4° livro dos Reis, cap. 22,vers. 10: “Safã, escriba, continuando a referir-se ao rei, disse: ‘O sumo sacerdote Helcias me deu um livro.’ E, tendo Safã lido o mesmo na presença do rei, este, depois de ouvir as palavras da Lei do Senhor, rasgou as vestes e, em seguida, deu…”

– Continua depois dos nomes.

– “… esta ordem: ‘Ide consultar o Senhor por mim, pelo povo, por toda Judá, a respeito das palavras deste livro, que foi achado, porque a grande ira de Deus se acendeu contra nós, pois os nossos pais não ouviram as palavras deste livro, para cumprirem as suas prescrições’…”

– Basta. O fato aconteceu muitos séculos antes de nós. E, então, que símbolo encontras em um fato de uma crônica tão antiga?

– Encontro o fato de que vós não tendes tempo para o que é eterno. Eterno é Deus, e a nossa alma, e as relações entre Deus e a alma. Por isso, o que havia provocado o castigo naquele tempo é o mesmo que provoca os castigos agora, e também os efeitos da culpa são iguais.

– Que queres dizer?

– Israel não sabe mais a Sabedoria, que vem de Deus. É a Ele, e não aos pobres homens, que precisamos pedir a luz. E não se tem luz, se não se tem a justiça e a fidelidade a Deus. Por isso é que se peca, e Deus, em sua ira, pune.

– Então, nós não sabemos mais? Que é que estás dizendo, rapaz? E os seiscentos e treze preceitos?

– Os preceitos existem, mas são palavras. Nós os sabemos, mas não os colocamos em prática. Por isso não sabemos. O símbolo é este: todo homem, em qualquer tempo, tem necessidade de consultar o Senhor­ para conhecer a sua vontade e de nela confiar para não atrair sua ira.

Anotação

2 Cr 34, 18-21 : O secretário Safã disse ao rei: "O sacerdote Helcias deu-me um livro. E Safã leu o livro para o rei. Depois de ouvir as palavras da Lei, o rei rasgou as suas vestes.

Depois ordenou a Helcias, a Aiqam, filho de Safã, a Abdone, filho de Miquéias, ao secretário Safã e a Asaías, servo do rei: "Vão consultar o Senhor por mim e pelo resto de Israel e de Judá sobre as palavras do livro que acaba de ser encontrado. A cólera do Senhor é grande: foi derramada sobre nós, porque os nossos pais não observaram a palavra do Senhor e não fizeram tudo o que está escrito neste livro".

EMF 41.3-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Gamaliel, rodeado por um grupo numeroso de discípulos, fala da vinda do Messias e, apoiando-se na profecia de Daniel, sustenta que o Messias já deve ter nascido, porque já há cerca de dez anos que as setenta semanas profetizadas se completaram, desde que saiu o decreto da reconstrução do Templo. Shamai o combate, afirmando que, se é verdade que o Templo foi reedificado, também é verdade que a escravidão de Israel aumentou, e a paz, que haveria de trazer consigo Aquele que os Profetas chamavam “Príncipe da Paz”, está longe de existir no mundo, especialmente em Jerusalém, agora oprimida por um inimigo, que ousa levar a sua dominação até dentro do recinto do Templo, que está dominado pela torre Antônia, cheia de legionários romanos, prontos a reprimir com suas espadas qualquer levante de independência dos patriotas.

A disputa, cheia de cavilações, dá sinais de que irá prolongar-se. Cada um dos mestres faz ostentação de erudição, não só para vencer o rival, mas para impor-se à admiração dos ouvintes. Esta intenção é evidente.

41.4 Do numeroso grupo dos fiéis, ouve-se sair a voz jovem de um rapazinho:

– Gamaliel está certo!

Então começa um movimento no meio da multidão e do grupo dos doutores. Estão procurando quem foi que disse aquelas palavras. Mas não é preciso procurá-lo. Ele não se esconde, e vem abrindo caminho por entre a multidão, aproximando-se do grupo dos “rabinos.” Reconheço nele o meu Jesus adolescente. Ele está seguro do que diz, com aqueles seus dois olhos cintilando e cheios de inteligência. (...)

– Em que é que se baseia a tua segurança? –pergunta Hilel.

(Vou pôr os nomes antes das respostas, para abreviar e tornar-se mais claro).

Jesus:

– Na profecia, que não pode errar quanto à época e quanto aos sinais que a acompanham, quando chega o momento da verificação. É uma verdade que César nos está dominando. Mas o mundo estava tão em paz, e a Palestina em tão grande calma, quando se cumpriram as setenta semanas, que foi possível a César ordenar que se fizesse o recenseamento em seus domínios. Ele não teria podido fazer, se houvesse guerra no Império ou levantes na Palestina. Como aquele tempo se cumpriu, assim também está se cumprindo o outro tempo de sessenta e duas semanas mais uma, desde a realização do Templo, para que o Messias seja ungido e se confirme a continuação da profecia, para o povo que não o quis. Podeis ter dúvidas? Não vos lembrais que a estrela foi vista pelos Sábios do Oriente e que foi parar justamente no céu de Belém de Judá, e que as profecias e as visões, desde Jacó e após ele, indicam aquele lugar como o destinado a acolher o nascimento do Messias, filho do filho do filho de Jacó, através de Davi, que era de Belém? Não vos lembrais de Balaão? “Uma estrela nascerá de Jacó”. Os Sábios do Oriente, cuja pureza e fé tornavam abertos os seus olhos e seus ouvidos, viram a estrela e entenderam o seu nome: “Messias”, e vieram adorar a Luz que desceu ao mundo.

41.5

Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

Anotação

Daniel 9, 21-27: Estava eu ainda a falar em oração, quando Gabriel - o ser que eu tinha visto no início da visão - veio rapidamente ter comigo à hora da oferta da noite. Ele instruiu-me, dizendo: "Daniel, saí agora para te abrir o entendimento. Desde o início da tua súplica, surgiu uma palavra e eu vim anunciá-la a ti, pois és amado por Deus. Compreendei a palavra e procurai compreender a aparição.

Setenta semanas foram reservadas para o teu povo e para a tua cidade santa, para acabar com a perversidade e pôr fim ao pecado, para expiar a iniquidade e realizar a justiça eterna, para cumprir a visão e a profecia e para consagrar o Santo dos Santos. Conhecer e compreender! Desde o momento em que foi dada a ordem para reconstruir Jerusalém até à vinda de um messias, um líder, haverá sete semanas. Durante sessenta e duas semanas, reconstruirão as praças e os muros, mas será na angústia dos tempos. E após as sessenta e duas semanas, um messias será removido. O povo de um futuro chefe destruirá a cidade e o Lugar Santo. Depois, num dilúvio, chegará o seu fim. Até ao fim da guerra, as devastações decididas terão lugar.

Durante uma semana, esse chefe reforçará a aliança com uma multidão; durante metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta, e numa das alas do Templo estará a Abominação da Desolação, até que o extermínio decidido se derreta sobre o autor dessa desolação."