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Notas da palavra-chave

Jean-Baptiste

Tema: Santos, Veneráveis e Beatos da Igreja Católica · Página 2 de 11

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EMF 23.1-8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

23.1 Em meio às coisas repugnantes, que nos oferece o mundo de hoje, desce do céu (e não sei como posso fazer, visto que sou como uma palhinha, levada pelo vento, nestes contínuos choques contra a maldade humana, tão destoante de tudo o que vive em mim) desce do Céu esta visão de paz.

23.2 Continuo vendo sempre a casa de Isabel. Estamos em uma bela tarde de verão, ainda com a claridade do sol e, no entanto já adornada também com o arco da lua, semelhante a uma foice no céu, parecendo também com uma vírgula de prata colocada sobre um grande pano de cor azul intensa.

As roseiras estão exalando uma agradável fragrância e as abelhas dando os seus últimos vôos do dia, como gotas de ouro, que zumbem, através do ar quente e parado da tarde. Dos prados vem um forte cheiro do feno que está secando ao sol, é um cheiro de pão, do pão quente que foi tirado agora do forno. Talvez esse cheiro venha também dos muitos tecidos que estão estendidos para secarem, por toda parte, e que Sara está dobrando.

Maria está passeando, de braços dados com a prima. Devagar, devagarinho, caminham para cima e para baixo, por debaixo de uma parreira meio escura.

Maria está atenta a tudo e, mesmo quando se ocupa com Isabel, vê que Sara está muito ocupada em dobrar de novo um longo tecido que ela tirou de cima de uma sebe.

– Espera-me sentada aqui –diz ela à sua parenta.

E vai ajudar a velha criada, puxando o tecido para esticá-lo, e dobrando-o depois com cuidado.

– Ainda estão com cheiro de sol, estão quentes –diz com um sorriso.

E, para fazer feliz a mulher, acrescenta:

– Este tecido, depois do branqueamento que fizeste, ficou tão bonito como nunca. Ninguém como tu pode fazer isso tão bem.

E lá se vai Sara muito alegre com a sua carga dos tecidos fragrantes. Maria volta a Isabel e lhe diz:

– Ainda uns poucos passos. Eles vão te fazer bem.

E, como Isabel, cansada, não quer mover-se dali, Maria lhe diz:

– Vamos só ver se os teus pombos estão todos em seus ninhos e se a água de seus bebedouros está limpa. Depois, voltamos para casa.

23.3 Os pombos devem ser os prediletos de Isabel. Quando chegam à frente da torrinha rústica, onde os pombos já se recolheram, as fêmeas estão nos buracos, os machos estão diante delas e não se movem, mas, ao verem as duas mulheres, dão ainda um sinal de saudação. Isabel fica comovida. O seu estado de fraqueza a vence e lhe traz temores que a fazem chorar. Ela, então se desabafa com sua prima:

– Se eu tivesse que morrer… pobres dos meus pombinhos! Tu não vais ficar aqui. Se ficasses em minha casa, eu não me importaria de morrer. Eu já tive a maior das alegrias que uma mulher possa ter, uma alegria que eu já me tinha resignado a não ter nunca, e até da morte eu não tenho de que me queixar com o Senhor, porque Ele — seja por isso bendito — me cumulou de graças com a sua benignidade. Mas aqui está o Zacarias… e chegará o menino. Zacarias já velho, e que se encontraria como um perdido no deserto, sem sua mulher; o menino, tão pequenino, seria como uma flor destinada a morrer enregelada, sem a sua mãe. Pobre menino, sem as carícias de sua mãe!…

– Mas, por que essa tristeza? Deus te deu a glória de ser mãe, e não vai tirá-la, logo agora que ela será plena. O pequeno João terá todos os beijos da mamãe, e Zacarias, os cuidados de sua fiel esposa, até a mais prolongada velhice. Vós sois dois ramos de uma mesma planta. Um não morrerá, deixando o outro sozinho.

– Tu és boa, e me confortas. Mas eu já estou muito velha para ter um filho. E agora, que estou para tê-lo, estou com medo.

– Oh! não! Jesus está aqui. Não precisa ter medo onde há Jesus. O meu Menino abrandou o teu sofrimento, tu mesma o disseste, quando Ele era ainda como uma flor em botão recém-formado. Agora, que cada vez mais vai crescendo ele afastará de ti todo perigo, pois já vive como filho meu e sinto bater seu coraçãozinho em minha garganta, como um filhote de passarinho, pois o pequenino coração pulsa rápido. Deves ter fé.

– Eu tenho. Mas, se eu morrer… não deixes Zacarias logo. Eu sei que pensas em tua casa. Mas, fica um pouco mais de tempo. Para ajudar meu esposo nas primeiras dores.

– Eu ficarei para me felicitar pela tua alegria e a alegria dele, e só te deixarei, quando estiveres forte e bem disposta. Fica tranqüila, Isabel. Tudo irá bem. Tua casa não sofrerá nada, enquanto estiveres sofrendo. Zacarias, será servido pela mais amorosa das criadas, tuas flores serão cuidadas, teus pombos serão tratados, e encontrarás todos alegres e bonitos, para fazerem festa para a volta da patroa.

23.4 Vamos para dentro agora, pois estás ficando pálida…

– Sim, parece-me que vou começar a sofrer de novo. Talvez tenha chegado a hora. Maria, reza por mim.

– Eu te darei um apoio com a oração, até que o teu trabalho de parto chegue ao fim com alegria.

As duas mulheres, a passos lentos, tornam a entrar em casa. Isabel se retira para os seus aposentos. Maria, muito habilidosa e previdente, dá ordens e vai preparando tudo quanto pode ser necessário, além de ir confortar Zacarias, que está preocupado.

Na casa, onde ninguém dorme nesta noite, ouvem-se as vozes estranhas das mulheres, que foram chamadas para ajudar. Maria também está acordada, como um farol em noite de tempestade. A casa toda encontra nela o seu apoio. Ela, doce e sorridente, provê a tudo. Reza. Toda vez que não é chamada para alguma coisa, se recolhe em oração. Ela está na sala onde se reuniam sempre para refeições e para o trabalho.

Com ela está Zacarias, que suspira, passeando perturbado. Os dois já rezaram juntos. Depois, só Maria continua a rezar. O velho agora, cansado, foi sentar-se em sua cadeira de braços, perto de uma mesa. Está calado e sonolento. Maria está rezando, mas, quando vê que ele já está completamente adormecido, com a cabeça sobre os braços cruzados e apoiados sobre a mesa, Ela tira as sandálias para fazer menos barulho, e caminha descalça, fazendo menos ruído do que uma borboleta, quando voa num quarto. Pega o manto de Zacarias e o estende sobre ele, de um modo tão delicado, que ele nada percebe, continuando a dormir com o calor da lã, que o defende do frio da noite, que, em pequenas lufadas, vem entrando pela porta que está quase sempre aberta. Depois, volta à oração. Reza, sempre mais intensamente, de joe­lhos, com os braços levantados, quando os gemidos de Isabel se tornam mais agudos.

23.5 Sara entra, fazendo um sinal a Maria para que saia. Maria sai, de

pés descalços, até o jardim.

– A patroa vos está chamando –diz Sara.

– Estou indo –e Maria caminha ao longo da casa, subindo depois a escada… Parece um anjo branco, que anda durante a noite sossegada e cheia de estrelas. Maria entra no quarto de Isabel.

– Oh, Maria! Que dor, Maria! Não aguento mais, Maria! Quanto se tem que sofrer para ser mãe!

Maria a acaricia com amor e a beija.

– Maria! Maria! Deixa-me pôr as mãos em teu ventre!

Maria pega aquelas mãos rugosas e inchadas e as coloca sobre o abdômen arredondado, calcando-as com suas mãozinhas lisas e delicadas. Começa então a falar devagar, agora que as duas estão sozinhas:

– Jesus está aqui, e te está ouvindo e vendo. Tem confiança nele, Isabel, pois o coração santo dele está batendo mais forte, e agora está agindo para o teu bem. Eu percebo as palpitações dele, como se ele estivesse em minhas mãos. Estou compreendendo as palavras que o Menino está dizendo: “Diz à mulher que não tema. Ainda um pouco de dor. E depois, ao raiar do sol, no meio de muitas rosas, que estão esperando os primeiros raios matutinos para se abrirem sobre seus pedúnculos, a casa dela terá a rosa mais bonita, que será João, o meu Precursor.”

Isabel, então, apoia o rosto sobre o ventre de Maria, e chora baixinho.

Maria, por algum tempo, fica assim, pois parece que a dor está diminuindo, com uma pausa de alívio, e acena a todos para que fiquem quietos, enquanto ela continua em pé, branca e bela, à fraca claridade da luz de um candeeiro, como um anjo ao lado de quem está sofrendo. Ela está rezando. Estou vendo como move os lábios. Mas, mesmo que não visse seus lábios, eu saberia que está rezando, pela expressão arrebatada do seu rosto.

23.6 O tempo vai passando. A dor volta outra vez a Isabel. Maria a beija de novo, e se afasta. Desce, ágil, à luz do luar, e vai correndo ver se o velho ainda está dormindo. Sim, ele está dormindo, e está gemendo durante o sono. Maria faz um gesto de compaixão. E torna a pôr-se em oração.

O tempo passa. O velho desperta do seu sono, com o olhar de quem está querendo indagar porque é mesmo que ele está ali, naquele lugar. Mas depois se lembra. Faz, então, um gesto e solta uma exclamação gutural. Depois escreve: “Não nasceu ainda?” Maria faz um sinal de negação. Zacarias escreve: “Que dor! Coitada de minha mulher! Conseguirá dar à luz, sem morrer?”

Maria segura a mão do velho, e lhe garante:

– Ao romper da aurora, daqui a pouco, o menino já terá nascido. Tudo vai correr bem. Isabel é bem forte. E, como vai ser bonito este dia — pois daqui a pouco já é dia — no qual o teu menino verá a luz! Será o dia mais bonito da tua vida! o Senhor reserva grandes graças para ti, e o teu menino é o anunciador delas!

Zacarias sacode tristemente a cabeça, e faz um sinal, mostrando sua boca muda. Ele bem que gostaria de dizer muitas coisas, mas não pode.

Maria compreende, e responde:

– O Senhor te vai dar uma alegria completa. Crê Nele completamente, espera Nele infinitamente, ama-O totalmente. O Altíssimo te ouvirá, por mais que não te atrevas a esperar isso. Ele quer esta tua fé total, como para purificar-te da tua desconfiança passada. Diz comigo em teu coração: “Eu creio.” Diz isto a cada batida do teu coração. Os tesouros de Deus se abrem para quem crê nele e em sua poderosa bondade.

23.7

A luz começa a penetrar pela porta semi-aberta. Maria vai abri-la toda. A luz da aurora vai fazendo ficar toda branca a terra, coberta de orvalho. Levanta-se um cheiro de terra úmida e de folhas verdes e, com os primeiros chilreios, os passarinhos se chamam um ao outro, voando de um ramo para outro.

O velho e Maria vão até à porta. Estão pálidos por causa da noite sem dormir, e a luz da aurora os faz ainda mais pálidos. Maria torna a pôr suas sandálias, vai até os pés da escada e fica escutando. Nesse momento, uma mulher aparece, faz sinais, depois volta. Por enquanto, nada.

Maria vai a um quarto, e volta com leite quente, que ela dá ao velho­ para beber, depois vai ver os pombos, e torna a desaparecer naquele cômodo. Talvez seja a cozinha. Maria anda de um lado para outro e está atenta a tudo. Parece ter dormido um bom sono, de tão disposta e calma que está.

Zacarias, passeia nervosamente para baixo e para cima no jardim. Maria olha para ele com piedade. Depois, ela entra de novo no mesmo cômodo e, ajoelhada ao lado do tear, reza intensamente, porque o queixume da pobre sofredora vai-se agravando mais. Maria se inclina até o chão para suplicar ao Eterno. Zacarias volta a entrar, e, ao vê-la assim prostrada, chora. Maria se levanta, e o toma pela mão. Ela é muito mais nova do que ele, mas fica parecendo a mãe daquela pobre velhice desolada, e derrama sobre ele suas palavras de conforto.

23.8

Estão assim, um junto do outro, ao sol, que vem enchendo de tons

rosados o ar matutino e assim o anúncio jubiloso os alcança:

– Nasceu! Nasceu! É homem! Feliz do pai! É homem: um homem viçoso como uma rosa, belo como o sol, forte e bom como a mãe. Alegria para ti, ó pai abençoado pelo Senhor, que te deu um filho, a fim de que o possas oferecer em seu Templo. Glória a Deus, que concedeu posteridade a esta casa! Bênção para ti e para o filho que geraste! Possa a sua descendência perpetuar o teu nome nos séculos dos séculos, por gerações, sempre em aliança com o Senhor Eterno.

Maria, com lágrimas de alegria, está bendizendo o Senhor. Depois, os dois recebem o pequeno, levando ao pai para que o abençoe. Zacarias não vai a Isabel. Recebe o menino, que está gritando desesperadamente, mas não vai até sua mulher.

Quem vai até lá é Maria, levando com amor o pequenino, o qual de repente fica calado, logo que ela o toma em seus braços. A parteira, que a acompanha, observa este fato.

– Mulher –diz ela a Isabel–, teu menino calou-se de repente, quando ela o pegou. E olha só como ele está dormindo sossegado. E o céu é que sabe quanto ele é inquieto e forte. Agora, olha! Parece um pombinho!

Maria coloca a criança junto da mãe e a acaricia, alisando-lhe os cabelos cinzentos.

– A rosa nasceu –diz ela em voz baixa–. E tu estás viva. Zacarias está feliz.

– Ele já está falando?

– Ainda não. Mas espera no Senhor. Descansa agora. Eu estou ao teu lado.

EMF 23.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Nasceu! Nasceu! É homem! Feliz do pai! É homem: um homem viçoso como uma rosa, belo como o sol, forte e bom como a mãe. Alegria para ti, ó pai abençoado pelo Senhor, que te deu um filho, a fim de que o possas oferecer em seu Templo. Glória a Deus, que concedeu posteridade a esta casa! Bênção para ti e para o filho que geraste! Possa a sua descendência perpetuar o teu nome nos séculos dos séculos, por gerações, sempre em aliança com o Senhor Eterno.

Maria, com lágrimas de alegria, está bendizendo o Senhor. Depois, os dois recebem o pequeno, levando ao pai para que o abençoe. Zacarias não vai a Isabel. Recebe o menino, que está gritando desesperadamente, mas não vai até sua mulher.

Quem vai até lá é Maria, levando com amor o pequenino, o qual de repente fica calado, logo que ela o toma em seus braços. A parteira, que a acompanha, observa este fato.

– Mulher –diz ela a Isabel–, teu menino calou-se de repente, quando ela o pegou. E olha só como ele está dormindo sossegado. E o céu é que sabe quanto ele é inquieto e forte. Agora, olha! Parece um pombinho!

Maria coloca a criança junto da mãe e a acaricia, alisando-lhe os cabelos cinzentos.

– A rosa nasceu –diz ela em voz baixa–. E tu estás viva. Zacarias está feliz.

– Ele já está falando?

– Ainda não. Mas espera no Senhor. Descansa agora. Eu estou ao teu lado.

EMF 24

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: A circuncisão de João Batista. Maria é uma fonte de graça para aqueles que acolhem a Luz.

Data da visão: Terça-feira, 4 de abril de 1944 (Terça-feira Santa)

Data do ditado: Terça-feira, 4 de abril de 1944. Numa cópia dactilografada, Maria Valtorta anota: "A Santíssima Virgem Maria ditou estas palavras na Quarta-feira Santa.

Calendário: Sexta-feira, 12 de julho do ano -5

Localização (mapa): Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: É a circuncisão de João. Há muita gente em casa de Zacarias. Falam do nome da criança e querem dar-lhe o nome do pai, mas Isabel é inflexível: chamar-se-á João. Pediram a opinião de Zacarias e ele escreveu que o nome seria de facto João, "Deus é bondoso". Depois, a sua língua soltou-se e ele disse o seu hino. Isabel ficou radiante. A circuncisão teve lugar e o bebé acalmou-se nos braços da Virgem. Zacarias foi ter com ela e pediu-lhe perdão por não a ter reconhecido quando estava grávida do Salvador. Abençoou-a e a Imaculada respondeu-lhe que todo o louvor devia ir para Deus. A Imaculada pede-lhe também que reze por ela, porque se ser mãe do Salvador é um destino abençoado, ser mãe do Redentor deve ser um destino de sofrimento atroz.

No ditado que se segue, Maria explica que Deus perdoa aqueles que reconhecem os seus pecados e se arrependem. Convida-nos a libertar as nossas almas de tudo o que as pesa e a acolher a Luz de Deus. A Virgem explica-nos ainda que aqueles que possuem Deus, que têm a amizade de Deus, nunca estão sozinhos, porque, mesmo que isso não nos tire o sofrimento, dá-nos luz e uma carícia que alivia a nossa cruz. É preciso também saber agradecer ao Altíssimo as suas graças.

Finalmente, a Imaculada explica-nos que a fazemos sofrer muito porque rejeitamos a graça. Quando ela deu o ditado, aproximava-se a Sexta-Feira Santa, pelo que nos convidou a rezar com as palavras do seu Filho na Cruz. Por fim, recorda a Maria que, apesar de ver as suas alegrias, o seu sofrimento cresceu sempre exponencialmente, até receber nos seus braços o seu Filho morto.

Índice do capítulo: 24.1: A casa em festa. 24.2: O nome. O milagre. O Benedictus. 24.3: Só Maria pode aliviar a dor do pequeno João, que regressa da circuncisão. 24.4: Zacarias, que volta a falar, prostra-se diante de Maria. 24.5: Maria pede as suas orações pela Coredemptrix em que se tornará. 24.6: Deus perdoa os arrependidos. 24.7: Ele torna a dor doce na sua amargura. 24.8: A dor de ver um inimigo de Jesus. 24.9: O mistério da Sexta-feira Santa. 24.10: Uma dor sempre crescente.

EMF 24.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.1 Vejo a casa em festa. É o dia da circuncisão.

Maria cuida que tudo esteja bonito e em ordem. Os quartos estãos resplandescentes de luz, e os tecidos mais belos e as decorações mais lindas esplendem por toda parte. Há muita gente. Maria se move ágil entre os grupos, toda bela na sua mais bonita veste branca.

Isabel, reverenciada como uma matrona, sente-se feliz em sua festa. O menino está em seu colo, farto de leite.

EMF 24.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.2 Chega a hora da circuncisão.

– Nós o chamaremos Zacarias. Tu já estás velho. É bom que teu nome seja dado ao menino –dizem alguns homens.

– Nada disso! –exclama a mãe–. O nome dele é João. Ele vai ter que dar testemunho, e é isso o que significa o seu nome, dar testemunho do poder de Deus.

– Mas, quando foi que já houve um João entre os nossos parentes?

– Não importa. Ele deve chamar-se João.

– Que dizes, Zacarias? Queres o teu nome, não é verdade?

Zacarias faz sinal de negação. Depois, pega a tabuinha e escreve: “O nome dele é João.” E logo que terminou de escrever, acrescenta, mas agora com a sua língua já solta:

– Visto que Deus me fez tão grande graça, a mim, seu pai, à sua mãe e a este seu novo servo, que vai consumir toda a sua vida pela glória do Senhor! Ele vai ser chamado grande através dos séculos e aos olhos de Deus, porque passará sua vida convertendo corações para o Senhor Altíssimo. O anjo falou, e eu não acreditei. Mas agora eu creio e em mim se faz a Luz. Ela está entre nós, e vós não a vedes. A sorte dela será não ser vista, porque os homens têm um espírito entulhado com outras coisas e pouco interessado nela. Mas o meu filho a verá, e falará dela, e para ela fará que se voltem os corações dos justos de Israel. Oh! felizes aqueles que acreditarem nessa Luz, que acreditarem sempre na Palavra do Senhor. E tu, Bendito e Eterno Senhor, Deus de Israel, porque visitaste e remiste o teu povo, suscitando-nos um poderoso Salvador na casa de Davi seu servo. Segundo a promessa feita pela boca dos santos profetas, desde os tempos antigos, de livrar-nos dos nossos inimigos e das mãos daqueles que nos odeiam, para pôr em ação a tua misericórdia para com nossos pais, e lembraste da tua santa aliança. Este é o juramento que fizeste ao nosso Pai Abraão, de conceder-nos de sermos livres das mãos dos nossos inimigos, e sem temor Te servirmos com santidade e justiça em Tua presença, durante toda a vida, e continua até o fim. (Escrevi só até aqui porque, como se pode ver, Zacarias se dirige diretamente a Deus).

Os presentes ficam pasmados. Tanto pelo nome, como pelo milagre e pelas palavras de Zacarias.

Isabel, que, à primeira palavra de Zacarias, deu um grito de alegria, agora está chorando, abraçada a Maria que, feliz, a acaricia.

EMF 24.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

24.3 Não vejo a circuncisão. Vejo somente trazerem João de volta, que grita o mais alto que pode. Nem mesmo o leite da mãe o acalma. Escoiceia como um potrinho. Mas Maria o pega, o nina, e ele se cala, ficando bonzinho.

– Olhai! –diz Sara–. Ele não se cala, a não ser quando ela o pega!

As pessoas vão saindo aos poucos. No quarto ficam somente Maria com o pequenino nos braços e Isabel, toda feliz.

EMF 25.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

25.1 Na noite entre quarta e quinta-feira da Semana Santa, eis o que estou vendo.

De um carro cômodo ao qual está amarrado também o burrinho de Maria, vejo descer Zacarias, Isabel e Maria, que tem nos braços o pequeno João, e Samuel com um cordeiro e uma pomba numa cesta. Eles descem na frente da estalagem, da qual costumam servir-se, e que deve ser a etapa final para todos os peregrinos que vão ao Templo, pois é onde deixam os animais.

(...) [Ao Templo]

25.2 Zacarias é recebido com grandes honras pelos guardas, saudado e cumprimentado pelos outros sacerdotes. Zacarias está muito bonito hoje, em suas vestes sacerdotais e em sua alegria de pai feliz. Parece um patriarca. Penso que Abraão devia estar assim, quando se alegrou, ao oferecer Isaque ao Senhor.

Vejo a cerimônia da apresentação do novo israelita e a da purificação da mãe. Esta é ainda mais pomposa do que a de Maria, porque para o filho de um sacerdote, os sacerdotes fazem festa. Acorrem todos, e se entregam a uma grande atividade ao redor do grupo das mulheres e do recém-nascido.

Também o povo se aproximou com curiosidade, e estou podendo ouvir os comentários. Visto que Maria está com o menino nos braços, enquanto vão-se dirigindo para o lugar estabelecido, o povo está pensando ser ela a mãe.

Mas uma mulher diz:

– Não pode ser. Não estais vendo que ela está grávida? O menino tem apenas poucos dias de nascido, e ela já está grávida?!

– Contudo –diz um outro–. Ela não pode deixar de ser a mãe. Pois a outra já está velha. A outra, pode ser uma parenta. Mas, naquela idade, mãe é que ela não pode ser.

– Vamos atrás delas, e veremos quem tem razão.

E o espanto se torna geral, quando todos podem ver que quem está cumprindo o rito da purificação é Isabel, pois ela é que está oferecendo o cordeirinho berrador para o holocausto, e o pombo pelo pecado.

– A mãe é aquela? Viste?

– Não!

– Sim.

O povo está cochichando, ainda incrédulo. Mas está cochichando tão alto, que vem um “Psiu” imperioso do grupo sacerdotal, que está presente à cerimônia. As pessoas se calam por um momento, mas recomeçam a cochichar mais forte, quando Isabel, radiante de santo orgulho, pega o menino, e avança pelo Templo a dentro, para fazer a apresentação dele ao Senhor.

– É ela mesmo.

– É sempre a mãe que oferece.

– Mas, que milagre é este?

– Que menino será esse, concedido por Deus àquela mulher, numa idade tão tardia?

– Afinal, que sinal será este?

– Não sabeis? –diz alguém que chega todo ofegante–. É o filho do sacerdote Zacarias, da estirpe de Arão, aquele que ficou mudo, enquanto estava oferecendo o incenso no Santuário.

– Mistério! Mistério! Pois agora ele está falando de novo. O nascimento do filho soltou a língua dele!

– Que espírito lhe terá falado, tornado morta a sua língua, para fazê-lo acostumar-se ao silêncio sobre os segredos de Deus?

– Mistério! Qual verdade conhecerá Zacarias?

– Seria o Messias o filho dele, esperado por Israel?

– Ele nasceu na Judéia. Mas não em Belém, e não de uma virgem. O Messias ele não pode ser.

– Quem, então?

Mas a resposta a tantas perguntas continua a ficar no silêncio de Deus, enquanto o povo permanece na sua curiosidade.

O cerimonial terminou. Os sacerdotes festejam então a mãe e o menino. A única pouco observada, e até evitada com aversão, desde quando perceberam o seu estado, é Maria.

Detalhe

Lucas 1, 65-66: Abriu-se-lhe imediatamente a boca e soltou-se-lhe a língua, e ele [Zacarias] falou e bendisse a Deus.

O medo apoderou-se de todas as pessoas da vizinhança, e todos estes factos foram contados por toda a região montanhosa da Judeia. Todos os que os ouviam guardavam-nos no coração e diziam: "Que será então deste menino?" De facto, a mão do Senhor estava com ele.

EMF 25.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Entram no quarto onde Isabel está dando de mamar a João, antes de partirem. José cumprimenta os pais pela robustez do menino que, tendo sido tirado do peito para ser mostrado a José, grita e esperneia, como se lhe estivessem tirando a pele. Todos riem, diante dos seus protestos. Também os parentes de Zebedeu, riem e se unem na conversação com os outros,pois eles tinham chegado trazendo frutas frescas, leite e pão para todos e um grande tabuleiro com peixes.

Detalhe

José chegou a Jerusalém e quer ver o filho de Zacarias e Isabel.

Palavras-chave

EMF 31.1

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Ouço que José lhe pergunta sobre o pequeno João. Zacarias, lhe responde:

– Está crescendo, viçoso como um potrinho. Mas agora sofre um pouco por causa dos dentes. Por isso não quisemos trazê-lo. Está fazendo muito frio. Isabel também não veio por este motivo. Ela não podia deixar o menino sem leite. Ficou muito triste. Mas está tão forte a estação!

– Muito forte, de fato –responde José.

EMF 41.6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A voz juvenil de Jesus lê:

– “Consola-te, ó meu povo! Falai ao coração de Jerusalém, consolai-a porque a sua escravidão se acabou… Voz do que grita no deserto: preparai os caminhos do Senhor… Então aparecerá a glória do Senhor…”

Shamai:

– Estás vendo, nazareno! Aqui se fala de escravidão que se acaba. Nunca fomos escravos como o somos agora. Aqui se fala de um precursor. Onde está ele? Tu estás delirando.

Jesus:

– Eu te digo que a ti, mais do que a outros, está feito o convite do Precursor. A ti e aos teus semelhantes. De outra maneira, não verás a glória do Senhor, nem compreenderás a palavra de Deus, porque as baixezas, as soberbas, as duplicidades serão para ti um obstáculo para veres e ouvires.

Anotação

Isaías 40, 1-5: "Consolai, consolai o meu povo", diz o vosso Deus, "falai ao coração de Jerusalém. Proclamai que o seu serviço foi cumprido, que o seu crime foi expiado, que ela recebeu da mão do Senhor o dobro de todas as suas iniquidades. Uma voz proclama: "Preparai o caminho do Senhor no deserto; endireitai na terra seca uma estrada para o nosso Deus. Enchei todas as ravinas, abaixai todos os montes e colinas, transformai os penhascos em planícies e os cumes em amplos vales. Então a glória do Senhor revelar-se-á e todo o ser humano verá que a boca do Senhor falou.