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Notas da palavra-chave

Isabel de Hebron (mãe de João Batista)

Tema: Santos, Veneráveis e Beatos da Igreja Católica · Página 3 de 5

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EMF 21.6-7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

21.6 O criado que prudentemente tinha tratado de desaparecer dali, logo que percebeu que Isabel não estava passando mal, mas que estava confidenciando o seu pensamento a Maria, volta do pomar com um imponente ancião vestido de branco, de barba e cabelos completamente brancos, e que, com grandes gestos, e emitindo sons guturais, saúda de longe Maria.

– Zacarias vem chegando –diz Isabel, tocando no ombro da virgem, que está absorta em oração–. O meu Zacarias está mudo. Deus o castigou porque ele não acreditou. Depois te contarei. Agora eu espero o perdão de Deus, porque tu vieste a nós. Tu, ó cheia de graça!

Maria se ergue e vai ao encontro de Zacarias, inclinando-se até à terra diante dele, beijando-lhe a fímbria da veste branca, que o cobre até o chão. É uma veste muito ampla, presa em seu lugar na cintura por um galão grosso e bordado.

Zacarias, por meio de gestos, dá as boas vindas a Maria e os dois, em companhia de Isabel, entram todos em um salão térreo, vasto e bem arrumado, onde fazem com que Maria se assente, e lhe oferecem uma taça de leite tirado na hora, ainda espumante, com uns pãezinhos.

Isabel dá ordens à criada, que afinal também apareceu, com as mãos enfarinhadas e com os cabelos ainda mais brancos, também por causa da farinha que está por cima deles. Talvez ela estivesse fazendo o pão. Dá ordens também ao criado, que percebi chamar-se Samuel, para que ele leve o baú de Maria para um quarto que ela lhe está mostrando. Cumprem-se todos os deveres de uma dona de casa para com a sua hóspede.

Nesse meio tempo, Maria está respondendo às perguntas que Zacarias lhe faz, escrevendo sobre uma tabuinha encerada com um estilete. Percebo, pelas respostas, que ele está perguntando por José, e como vai ela casada com ele. Nesse ponto eu chego a compreender que a Zacarias foi negada também toda luz sobrenatural a respeito do estado de Maria e de sua condição de mãe do Messias. É Isabel que, indo para perto do seu marido, e pondo-lhe com amor uma mão sobre o ombro, como para uma casta carícia, lhe diz:

– Maria também é mãe. Alegra-te com a felicidade dela!

Mas não lhe fala nada mais. Olha para Maria. Maria olha para ela, sem convidá-la a falar nada mais, e ela então se cala.

21.7 Doce, dulcíssima visão! Ela desfaz o horror que ficou em mim pela visão do suicídio de Judas.

Anotação

Lucas 1, 5-25 : No tempo de Herodes, o Grande, rei da Judeia, havia um sacerdote dos abianitas chamado Zacarias. A sua mulher era também descendente de Aarão; chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus: seguiam todos os mandamentos e preceitos do Senhor de forma irrepreensível. Não tiveram filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram de idade avançada. Ora, enquanto Zacarias servia a Deus durante o tempo destinado aos sacerdotes do seu grupo, foi escolhido por sorteio, segundo o costume dos sacerdotes, para ir oferecer incenso no santuário do Senhor. Toda a multidão do povo estava a rezar do lado de fora no momento da oferta do incenso. O anjo do Senhor apareceu-lhe, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou chocado e com medo.

O anjo disse-lhe: "Não tenhas medo, Zacarias, porque a tua oração foi atendida: a tua mulher Isabel vai dar-te um filho, a quem porás o nome de João. Alegrar-te-ás e exultarás, e muitos se alegrarão com o seu nascimento, porque ele será grande diante do Senhor. Ele não beberá vinho nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe; ele fará com que muitos filhos de Israel se voltem para o Senhor seu Deus; ele irá à frente, na presença do Senhor, com o espírito e o poder do profeta Elias, para voltar os corações dos pais para os filhos, para trazer os rebeldes de volta à sabedoria dos justos e para preparar para o Senhor um povo bem disposto."

Então Zacarias disse ao anjo: "Como hei-de saber que isso vai acontecer? Porque sou velho e a minha mulher é idosa.

O anjo respondeu: "Eu sou Gabriel e estou na presença de Deus. Fui enviado para falar contigo e trazer-te esta boa nova. Mas eis que serás silenciado e não poderás falar até ao dia em que ela se tornar realidade, porque não acreditaste nas minhas palavras; elas tornar-se-ão realidade a seu tempo.

As pessoas esperaram Zacarias e ficaram surpreendidas por ele se ter demorado no santuário. Quando saiu, não podia falar-lhes, e eles compreenderam que ele tinha tido uma visão no santuário. Fez-lhes sinais e ficou em silêncio. Quando terminou o seu tempo de serviço litúrgico, foi para casa. Algum tempo depois, a sua mulher Isabel concebeu um filho. Durante cinco meses, manteve-o em segredo. Dizia para si mesma: "Foi isto que o Senhor fez por mim, nestes dias em que pôs os olhos para apagar o que era a minha vergonha diante dos homens".

EMF 22

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : Os dias passados em Hebron. Os frutos da caridade de Maria para com Isabel.

Data da visão e do ditado: Domingo, 2 de abril de 1944

Calendário: abril do ano 5-5

Lugar (mapa) : Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria vive em Hebron. Isabel chega perto dela e falam das suas maternidades respectivas. A mulher de Zacarias já não sofre agora que a Virgem está aqui, mas antes sofria muito por causa da sua idade avançada. Maria, em comparação, não sofre, mas não tem o peso da culpa.

Isabel queria fiar roupas para João Batista, mas Maria disse que faria o trabalho por ela. A Virgem argumenta que tem muito tempo e que pensará primeiro na sua prima, pois o nascimento do Precursor está iminente. Depois pensaria no seu filho, Jesus.

Foi nessa altura que a Imaculada Conceição revelou o nome do seu Filho a Isabel e lhe revelou a sua angústia. Maria conhecia os profetas e já pressentia que Jesus seria o Cordeiro, o Homem das Dores. Mas Isabel consola-a, dizendo-lhe que Deus estará com ela e que o seu filho será amado para todo o sempre.

As duas mulheres falam então de Zacarias, que é mudo. É uma grande tristeza para a sua mulher. Ela esperava que, quando a criança nascesse, ele pudesse voltar a falar. A mãe abençoada gostaria que o seu filho se chamasse João, e revela o seu sofrimento à prima. Para a distrair, Maria sugere-lhe que saiam à rua e encontram-se perto de um pequeno rebanho de cordeiros.

A visão muda; desta vez, o tempo passou. Maria vai à procura de Isabel. Falam de Jesus e da sua aparição. Depois falam de José, e Maria diz-lhe que deixou que fosse Deus a intervir. Para além de Isabel, ninguém devia saber da sua maternidade divina, e Isabel, que compreendeu, recorda que até tinha contado esse facto a Zacarias. Zacarias entra então e Maria reza as orações. Ela exorta o sacerdote a acreditar na misericórdia de Deus, porque o homem pensa que nunca mais poderá falar.

Por fim, Maria dá uma lição sobre a caridade, sobre como fazer crescer em nós os dons de Deus. Devemos ser sempre caridosos e não egoístas. Ela dá-nos também uma lição sobre a passagem do tempo: Deus é o seu mestre e ajuda aqueles que esperam nele. "O egoísmo não faz avançar nada, atrasa tudo. A caridade não atrasa nada, faz avançar as coisas". Por fim, a Mãe recorda que encontrou muita paz na casa de Isabel e que, se não tivesse sido atormentada pelo pensamento de José e do seu Filho, o Redentor do mundo, teria sido feliz. Mas Maria significa tanto luz como amargura...

Conteúdo do capítulo: 22.1: Maria cose para o filho de Isabel. 22.2: Isabel sente-se muito melhor desde a visita de Maria. 22.3: Maria comove-se quando pensa no Homem das Dores de Isaías. 22.4: Isabel fica angustiada com o silêncio de Zacarias. 22.5: Um passeio no jardim entre as pombas, os cabritos e os cordeiros. 22.6: Maria fia e tece. 22.7: Imagina como será o seu filho. 22.8: Deus revela o mistério a José. 22.9: Zacarias volta a falar. O Messias nascerá em Belém. 22.10: O amor ao próximo. 22.11: O meu amor ao próximo e o meu amor a Deus. 22.12: A caridade faz as coisas acontecerem. 22.13: Amargura misturada com doçura.

EMF 22.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

22.1 Vejo Maria costurando. Parece ser de manhã e ela está sentada na sala térrea. Isabel vai e vem, ocupando-se com os trabalhos da casa. E, quando entra, não deixa nunca de ir fazer uma carícia na cabeça loira de Maria, que está parecendo ainda mais loira, agora que vejo no fundo as paredes escuras, ao mesmo tempo em que sua cabeça está sendo iluminada por um belo raio de sol, que entra pela porta aberta, do lado do jardim.

Isabel se inclina para olhar o trabalho de Maria e se diz encantada com sua beleza. É o bordado que ela tinha começado em Nazaré.

– Tenho também linho para fiar –diz Maria.

– É para o teu Menino?

– Não. Para Ele eu já tinha, quando nem pensava…

Maria não continuou a falar. Mas eu entendi: “… quando não pensava que ia ser mãe de Deus.”

– Mas agora terás que usá-lo para Ele. É um linho bonito? É fino? Os bebês, como sabes, precisam de tecidos muito macios.

– Eu sei.

– Eu tinha começado… Comecei tarde, porque quis ter certeza antes de tudo que não era mais do que um engano do maligno. Ainda que… sentisse em mim uma alegria tão grande, que, não podia vir de satanás. Depois… sofri muito. Estou velha, Maria, para ficar neste estado.

22.2 Sofri muito. Tu não sofres…

– Eu não. Nunca estive tão bem.

– Como não haveria de ser assim?! Tu… em ti não há mancha, se Deus te escolheu para seres sua mãe. É por isso que não estás sujeita aos sofrimentos de Eva. Aquele que geras é Santo.

– Parece-me ter no coração uma asa, e não um peso. Parece-me ter dentro de mim todas as flores e todos os passarinhos que cantam pela primavera, todo o mel, todo o sol… Oh! Eu estou feliz!

– Bendita és tu! Até eu, depois que te vi, comecei a não sentir mais peso, nem cansaço, nem dor. Parece-me que fiquei mais nova, jovem, livre das misérias de minha carne de mulher. O meu bebê, depois de ter saltado feliz ao som da tua voz, tratou de ficar quietinho, em sua alegria. Parece-me tê-lo dentro de mim como em um berço vivo, parece-me vê-lo dormir satisfeito e feliz, respirando como um passarinho, alegre debaixo da asa da mãe…

22.3 Agora, sim, vou começar a trabalhar. Não me será mais pesado. Estou enxergando pouco, mas…

– Deixa disso, Isabel. Eu me ocuparei em fiar e tecer para ti e para o teu bebê. Eu posso fazer depressa o trabalho, pois enxergo bem.

– Mas terás também que pensar no teu…

– Oh! Mas ainda tenho bastante tempo!… Primeiro, vou pensar em ti, que já estás perto de ter o teu pequenino, e depois pensarei no meu Jesus.

Dizer como é doce a expressão e a voz de Maria, como se lhe marejam os olhos de um suave e feliz pranto, e como sorri, ao dizer este Nome, olhando para o céu luminoso e azul, é coisa que está acima das possibilidades humanas. Parece que só ao dizer “Jesus”, o êxtase a arrebata.

Isabel diz:

– Que belo nome! O Nome do Filho de Deus, nosso Salvador!

– Oh! Isabel!

Maria se torna triste, e segura as mãos que sua parenta cruzou sobre o próprio ventre bem avolumado:

– Diz-me tu, que, quando eu cheguei, foste inspirada pelo Espírito do Senhor, que profetizaste isto que o mundo não sabe. Diz-me: que deverá fazer o meu Filho para salvar o mundo? Os Profetas… Oh! Os Profetas que falam no Salvador! Isaías… estás lembrada de Isaías? “Ele é o Homem das dores. Por suas chagas é que fomos curados. Foi transpassado e ferido por causa de nossos crimes. O Senhor quis consumi-lo com padecimentos… Depois de condenado, foi exaltado…” De que exaltação está falando o Profeta? Ele é chamado o Cordeiro e eu fico pensando… no cordeiro da Páscoa, no cordeiro de Moisés, e relaciono tudo isso com a serpente elevada por Moisés numa cruz. Isabel!… Isabel!… Que irão fazer com o meu Filho? Que terá Ele que sofrer para salvar o mundo?

Maria chora. Isabel a consola:

– Maria, não chores. Ele é teu Filho, mas é também Filho de Deus. Deus pensará em Seu Filho e em ti, que és a mãe dele. Se muitos vão ser cruéis com Ele, também muitos o haverão de amar. E tantos!… Pelos séculos dos séculos. O mundo olhará para o teu Filho, e te bendirá com Ele. Bendirá a ti, como à fonte de onde jorra a salvação. A sorte de teu Filho! Exaltado como Rei de todas as criaturas. Pensa nisso, Maria. Rei, porque terá resgatado todas as criaturas e, como tal, será delas o Rei universal. Até sobre a terra, com o tempo, Ele será amado. O meu filho irá à frente do teu, e O amará. Assim disse o anjo a Zacarias. Zacarias escreveu isso para mim…

22.4 Ah! Que dor que eu sinto por ver assim mudo o meu Zacarias! Mas espero que, quando o menino nascer, o pai ficará livre do seu castigo. Reza, tu que és a sede do poder de Deus e a causa da alegria do mundo. Para obter isso, ofereço, como posso, o meu filho: porque ele é do Senhor, e Ele o emprestou à sua serva para dar-lhe a alegria de ser chamada “mãe.” Para dar testemunho de tudo o que Deus me fez. Quero que ele se chame “João.” Pois, não é uma graça o meu menino? E, não foi Deus que me deu essa graça?

– Deus te fará essa graça, estou certa disso. Eu rezarei… contigo.

– Como eu sinto, por vê-lo mudo!… –Isabel está chorando–. Quando ele escreve, porque não pode mais falar, parece-me que montes e mares estejam entre mim e o meu Zacarias. Depois de tantos anos de doces palavras, agora só há silêncio em sua boca. Agora, de modo especial, quando seria tão belo falar daquele que está para vir. Eu me abstenho até de falar, para não vê-lo afadigar-se naquele esforço para fazer gestos, tentando responder-me. Tenho chorado tanto! Quanto eu tenho desejado a tua presença aqui! O povoado todo fica olhando, falando e criticando. O mundo é assim. Quando se tem uma dor ou uma alegria, tem-se necessidade de alguém que compreenda, e não de alguém que critique. Agora me parece que a vida está bem melhor. Sinto em mim uma alegria, desde que vieste ficar comigo. Sinto que a minha provação está para ser superada, e que logo serei totalmente feliz. Assim vai ser, não é verdade? Eu me conformo com tudo. Mas, se Deus perdoasse o meu esposo! Se eu pudesse ouvi-lo rezar de novo!

22.5 Maria a acaricia e conforta, e a convida, para distraí-la, a sair um pouco pelo jardim ensolarado.

Caminham debaixo de uma parreira bem cuidada, e chegam até uma torrinha de construção rústica, em cujos buracos os pombos fazem ninhos.

Maria joga comida para os pombos, e ri, porque eles se precipitam sobre ela, com um contínuo arrulhar, em revoadas, formando círculos iridescentes ao redor dela. Sobre sua cabeça, sobre os ombros, sobre os braços e as mãos, eles vêm pousar, espichando os pecoços para, com seus bicos rosados, catar os grãozinhos nas palmas das mãos, bicando de um modo gracioso os lábios rosados da virgem, e seus dentes que brilham ao sol. Maria vai tirando de um saquinho alguns dourados grãos de trigo, e os joga, e fica sorrindo, ao ver aquele torneio, do qual participam os mais vorazes.

– Como eles gostam de ti –diz Isabel–. Há poucos dias que estás conosco e eles gostam de ti tanto quanto gostam de mim, que sempre tratei deles.

O passeio prossegue, até chegarem a um recinto fechado, onde estão umas cabras com seus cabritinhos.

– Voltaste do pasto? –pergunta Maria a um pequeno pastor que ela acaricia.

– Sim, porque meu pai me disse: “Vai para casa, porque daqui a pouco vai chover, e temos umas ovelhas que estão para dar cria. Providencia que elas tenham erva enxuta e que a cama dos animais esteja preparada.” Ele lá vem vindo.

E acena, mostrando para o outro lado do bosque, de onde está vindo um balido continuado e trêmulo.

Maria está acariciando um cabritinho loiro como uma criança, que se roça contra ela, e, junto com Isabel, bebe leite tirado na hora e que o pastorzinho lhes oferece.

Chegam as ovelhas, guiadas por um pastor cabeludo como um urso. Mas deve ser um bom homem, pois vai levando sobre os ombros uma ovelha que se lamenta. Ele a põe no chão, devagar, e explica:

– Está para ter o cordeirinho. Já não podia mais caminhar, de tão cansada. Eu a coloquei sobre os ombros. Tive que dar uma boa car­reira para chegar a tempo.

A ovelha, mancando por causa das dores, é conduzida até o redil pelo menino.

Maria sentou-se sobre uma pedra, e está brincando com os cabritinhos e os cordeiros, oferecendo-lhes folhas de trevo, que ela coloca diante de seus focinhos rosados. Um cabritinho branco e preto põe-lhe a patinha sobre os ombros, e lhe cheira os cabelos.

– Não é pão –diz Maria rindo–. Mas amanhã te trarei uma crosta de pão. Fica bonzinho, por enquanto.

Também Isabel ri, agora mais tranqüilizada.

EMF 22.6-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Estou vendo Maria fiando, muito ligeira, debaixo da parreira, onde as uvas já estão aumentando de tamanho. Deve ter passado um bom tempo, porque as maçãs já começam a avermelhar-se nos ramos, e as abelhas já estão zumbindo ao redor dos figos maduros.

Isabel está bem volumosa, e caminha com dificuldade. Maria olha para ela com atenção e amor. Também Maria, quando se levanta para apanhar o fuso que caiu, parece mais arredondada nos quadris, e a expressão de seu rosto está diferente. Está mais madura. Antes, uma menina; agora, uma mulher.

As mulheres entram para a casa, porque a tarde vem chegando e no quarto já estão sendo acesas as lâmpadas. Enquanto espera a ceia, Maria está tecendo.

– Será mesmo que não ficas cansada? –pergunta Isabel, mostrando o tear.

– Não. Podes crer.

– A mim, este calor me deixa prostrada. Já não tenho sofrido mais, mas agora o peso é grande para os meus velhos rins.

– Coragem! Daqui a pouco estarás livre. E, então, como ficarás feliz!

22.7 Eu não vejo a hora de ser mãe. De ver o meu Menino! O meu Jesus! Como será ele?

– Será bonito como tu, Maria.

– Não. Será mais bonito! Ele é Deus, e eu sou a serva dele. Mas eu queria dizer: será loiro, ou será moreno? Terá uns olhos como o céu sereno, ou como os dos cervos das montanhas? Eu faço idéia de que Ele será mais belo que um querubim, com os cabelos encaracolados e cor de ouro, com os olhos da cor do nosso Mar da Galiléia no momento em que as estrelas começam a mostrar-se lá nos confins do céu; com uma boca pequenina e vermelha como pedaço de uma romã, que se abriu, depois de ter amadurecido ao sol; e nas faces terá um rosado como esta pálida rosa, e duas mãozinhas, que caberiam na cavidade de um lírio, de tão pequenas e bonitas. Seus dois pezinhos poderiam caber no côncavo de minha mão, delicados e lisos como uma pétala de flor. Olha: eu acrescento à idéia que eu faço Dele todas as belezas que a terra me pode sugerir. Eu já ouço a sua voz. Será sua voz, quando chora, porque, o meu Menino haverá de chorar um pouco, por fome ou por sono, isso será sempre uma grande dor para a sua mãe, que não suportará, oh! não suportará ouvi-lo chorar, sem ficar com o coração transpassado. Seu choro será como aquele balido do cordeirinho que agora estamos ouvindo, que nasceu há poucas horas, e que está procurando a teta e, depois, o calor da lã de sua mãe, para poder dormir. Ele terá um sor­riso que me encherá o coração enamorado pelo meu Filho de céu. Posso ficar enamorada por Ele, porque Ele é meu Deus, e amá-lo, não vai contra a minha virgindade consagrada. Ele será, em seu sorriso, como esse festivo arrulhar do pombinho, feliz por ter-se saciado, e contente, por estar em seu morno ninho. Fico pensando como serão os seus primeiros passos… como um passarinho saltitante sobre um prado em flor. O prado vai ser o coração de sua mamãe, que estará atenta aos seus pezinhos cor-de-rosa, para que não esbarrem em nada que os machuque. Como haverei de amá-lo, o meu Menino! Meu Filho!

22.8 E José também o amará!

– Tu deverás dizer tudo isso a José!

O rosto de Maria fica anuviado, e ela suspira:

– Deverei dizer-lhe, sem dúvida tudo isso… Eu gostaria que o céu lhe dissesse tudo por mim, porque é uma coisa difícil de dizer.

– Queres que lhe diga eu? Nós vamos convidá-lo para a circuncisão do João, e…

– Não. Eu entreguei a Deus o encargo de instruir o José sobre sua sorte feliz de ter sido escolhido para nutrir o Filho de Deus, e o Senhor­ fará isso. O Espírito me disse, naquela tarde: “Cala-te. Deixa a Mim a tarefa de justificar-te.” E Ele o fará. Deus não mente nunca. Para mim é uma grande provação. Mas, com a ajuda do Eterno, será superada. De minha boca, com exceção de ti, a quem o Espírito Santo o revelou ninguém, vai ficar sabendo a benignidade que o Senhor fez para com sua serva.

– Eu sempre deixei de falar nisso até com Zacarias, que teria ficado muito alegre, se o soubesse. Ele acha ainda que tu és mãe, mas pelas leis da natureza.

– Eu sei. E assim quis por prudência. Os segredos de Deus são santos. O anjo do Senhor não revelou a Zacarias a minha maternidade divina. Ele teria podido fazê-lo, se Deus o tivesse querido, porque Deus sabia que estava iminente o tempo da Encarnação do seu Verbo em mim. Mas Deus conservou escondida a Zacarias esta luz de alegria, que rejeitava como coisa impossível que em vossas idades pudésseis ter um filho. Eu me conformei com a vontade de Deus. E tu o estás vendo. Tu ouviste o segredo que está vivo em mim. Ele não percebeu nada. Enquanto não cair o obstáculo, que é a sua incredulidade diante do poder de Deus, ele ficará afastado das luzes sobrenaturais.

Isabel suspira e fica calada.

22.9 Zacarias está entrando. Oferece os rolos a Maria. É hora da oração antes da ceia. É Maria quem reza, em voz alta, em lugar de Zacarias. Depois, assentam-se à mesa.

– Quando não estiverdes mais aqui, como iremos sentir a falta de quem reze por nós –diz Isabel, olhando para o seu marido mudo.

– Tu, então, já estarás rezando, Zacarias –diz Maria.

Ele sacode a cabeça e escreve:

– Não poderei mais rezar pelos outros. Tornei-me indigno disso, desde o dia em que duvidei de Deus.

– Zacarias, tu rezarás. Deus perdoa.

O velho enxuga uma lágrima, e suspira.

Depois da ceia, Maria volta ao tear.

– Basta –diz Isabel–. Tu estás te cansando demais.

– O tempo está chegando, Isabel. Eu quero fazer para o teu menino um enxoval digno daquele que precede ao Rei da estirpe de Davi.

Zacarias escreve:

– De quem nascerá Ele? E onde?

Maria responde:

– Onde os Profetas disseram e de quem for esco­lhida pelo Eterno. Tudo o que o Senhor Altíssimo faz é bem feito.

Zacarias escreve:

– Então, vai ser em Belém! Na Judéia. Iremos lá venerá-lo, mulher. Irás tu também a Belém, com o teu José.

E Maria, inclinando a cabeça sobre o tear, diz:

– Irei.

Assim cessa a visão.

EMF 22.10-11

O Evangelho como me foi revelado

Citação

22.10 Maria diz:

– A primeira caridade para com o próximo há de ser exercida para com o próximo. Não penses que isso seja um jogo de palavras. Porque a caridade se exerce para com Deus e para com o próximo. Na caridade para com o próximo está compreendida também a que é dirigida a nós mesmos. Mas, se nos amarmos mais do que aos outros, já não estaremos sendo caridosos, e, sim egoístas. Mesmo nas coisas lícitas, precisamos ser tão santos, a ponto de darmos sempre a precedência às necessidades do próximo. Ficai bem atentos, meus filhos, que Deus compensa os generosos com os meios do seu poder e da sua bondade.

22.11 Esta certeza me fez ir a Hebron, ajudar minha parenta no estado em que ela se achava. E, a esta minha intenção de prestar socorro humano, Deus, acima de toda medida, como Ele costuma fazer, uniu um dom de socorro sobrenatural, que ninguém esperava. Eu vou para prestar ajuda material, e Deus santifica a minha reta intenção, fazendo que ela santificasse o fruto do ventre de Isabel, e, através dessa santificação, com a qual o Batista foi pré-santificado, Deus suavizou os sofrimentos físicos daquela filha de Eva já madura, que concebeu em idade não mais apropriada.

Isabel, mulher de fé intrépida e confiante abandono à vontade de Deus, merece compreender o mistério escondido em mim. O Espírito Santo lhe fala, através do saltar de seu ventre que ela sente. Assim, o Batista pronunciou o seu primeiro discurso de anunciador do Verbo, através dos véus e das paredes formadas pelas veias e pela carne, que o separa de Isabel e, ao mesmo tempo, o unem à sua santa mãe.

A Isabel eu não nego a minha qualidade de mãe do Senhor, pois ela é digna de sabê-lo. A Luz se revela a ela. Negar-lhe isso teria sido negar a Deus um louvor que era justo Lhe dar, o louvor que eu levava em mim e que, não podendo dizer a ninguém, eu o dizia às ervas, às flores, às estrelas, ao sol, aos pássaros canoros, às pacientes ovelhas, às águas murmurantes e à luz de ouro que me vinha beijar, descendo do céu. Mas, rezarmos juntas, é muito mais doce do que ficarmos dizendo, cada uma sozinha, a sua oração. Eu teria querido que o mundo todo soubesse da minha sorte, não por mim, mas para que o mundo se unisse a mim, em dar louvor ao meu Senhor.

Foi a prudência que me impediu de revelar a Zacarias a verdade. Teria sido isso dar passos além do plano de Deus. Se eu era Sua esposa e mãe, continuava a ser sempre sua serva, e não devia, porque Ele me tinha amado sem medida, permitir-me a ousadia de me substituir a Ele, tomando o seu lugar, por uma decisão minha.

Isabel, em sua santidade, compreende tudo isso, e se cala.

EMF 23

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: Nascimento de João Batista. Todo o sofrimento é aliviado no seio de Maria.

Data da visão e do ditado: Segunda-feira, 3 de abril de 1944 (Segunda-feira Santa)

Calendário: Quinta-feira, 4 de julho do ano 5 a.C.

Local (mapa) : Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria e Isabel estão a passear pela casa de Zacarias. Caminham lentamente e Maria está atenta a tudo. Preocupada com a sua parente, vai ajudar Sara, a criada, e depois convida Isabel a caminhar um pouco mais. Vão ver as pombas e Isabel fica comovida com o afeto que lhe dedicam. O seu estado fazia-a temer a morte e estava preocupada com o marido e o filho. Maria tranquiliza-a, dizendo-lhe que tudo vai correr bem e convidando-a a confiar em Deus. Quando o sofrimento de Isabel voltou, regressaram a casa. Começa o trabalho da mãe do Precursor. Maria conforta Zacarias e reza com o velho. Quando ele adormece (a meio da noite), ela toma conta dele e continua a sua oração.

Isabel chama a Virgem e pede-lhe que ponha a mão no seu ventre imaculado. Maria acalma-a, diz-lhe que confie em Deus e afirma-lhe que Jesus está ali. Quando a prima se acalma, sai de novo. Zacarias ainda está a dormir. A Imaculada reza intensamente, até que o velho padre acorda. Mas João ainda não tinha nascido.

Maria continua a rezar, e logo amanhece. Pouco depois, para grande alegria de ambos os pais, nasceu João. Zacarias recebeu a criança e depois Maria levou-a para junto da mãe. O bebé acalmou-se logo que se sentou ao peito de Maria. Isabel perguntou-lhe se Zacarias podia falar, mas infelizmente ele não podia. A Virgem disse-lhe então que voltasse a ter esperança no Senhor...

Depois da visão, a Plenitude da Graça dá um ditado a Maria e explica-lhe que, apesar de ter sido preservada da culpa e das dores do parto, a sua maternidade espiritual foi, no entanto, cheia de sofrimento. Maria convida-nos então a ir sempre ter com ela, porque ela é a eterna portadora de Jesus. Ela reza incessantemente por nós e pela nossa salvação.

Conteúdo do capítulo: 23.1: Uma visão de paz no meio de horas sombrias. 23.2: Maria ajuda Isabel e Sara no jardim. 23.3: Tranquiliza Isabel, que tem medo de morrer. 23.4: Cuida de tudo na casa. 23.5: Isabel, que está a sofrer, chama-a para junto do seu leito. 23.6: Ela volta para tranquilizar Zacarias. 23.7: Zacarias está nervoso, Maria reza. 23.8: O menino é levado ao pai. Maria leva-o de volta à mãe. 23.9: O desgosto do nascimento espiritual de Maria. 23.10: Vem a mim que sou a eterna portadora de Jesus.

EMF 23.2-4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

23.3 Os pombos devem ser os prediletos de Isabel. Quando chegam à frente da torrinha rústica, onde os pombos já se recolheram, as fêmeas estão nos buracos, os machos estão diante delas e não se movem, mas, ao verem as duas mulheres, dão ainda um sinal de saudação. Isabel fica comovida. O seu estado de fraqueza a vence e lhe traz temores que a fazem chorar. Ela, então se desabafa com sua prima:

– Se eu tivesse que morrer… pobres dos meus pombinhos! Tu não vais ficar aqui. Se ficasses em minha casa, eu não me importaria de morrer. Eu já tive a maior das alegrias que uma mulher possa ter, uma alegria que eu já me tinha resignado a não ter nunca, e até da morte eu não tenho de que me queixar com o Senhor, porque Ele — seja por isso bendito — me cumulou de graças com a sua benignidade. Mas aqui está o Zacarias… e chegará o menino. Zacarias já velho, e que se encontraria como um perdido no deserto, sem sua mulher; o menino, tão pequenino, seria como uma flor destinada a morrer enregelada, sem a sua mãe. Pobre menino, sem as carícias de sua mãe!…

– Mas, por que essa tristeza? Deus te deu a glória de ser mãe, e não vai tirá-la, logo agora que ela será plena. O pequeno João terá todos os beijos da mamãe, e Zacarias, os cuidados de sua fiel esposa, até a mais prolongada velhice. Vós sois dois ramos de uma mesma planta. Um não morrerá, deixando o outro sozinho.

– Tu és boa, e me confortas. Mas eu já estou muito velha para ter um filho. E agora, que estou para tê-lo, estou com medo.

– Oh! não! Jesus está aqui. Não precisa ter medo onde há Jesus. O meu Menino abrandou o teu sofrimento, tu mesma o disseste, quando Ele era ainda como uma flor em botão recém-formado. Agora, que cada vez mais vai crescendo ele afastará de ti todo perigo, pois já vive como filho meu e sinto bater seu coraçãozinho em minha garganta, como um filhote de passarinho, pois o pequenino coração pulsa rápido. Deves ter fé.

– Eu tenho. Mas, se eu morrer… não deixes Zacarias logo. Eu sei que pensas em tua casa. Mas, fica um pouco mais de tempo. Para ajudar meu esposo nas primeiras dores.

– Eu ficarei para me felicitar pela tua alegria e a alegria dele, e só te deixarei, quando estiveres forte e bem disposta. Fica tranqüila, Isabel. Tudo irá bem. Tua casa não sofrerá nada, enquanto estiveres sofrendo. Zacarias, será servido pela mais amorosa das criadas, tuas flores serão cuidadas, teus pombos serão tratados, e encontrarás todos alegres e bonitos, para fazerem festa para a volta da patroa.

23.4 Vamos para dentro agora, pois estás ficando pálida…

– Sim, parece-me que vou começar a sofrer de novo. Talvez tenha chegado a hora. Maria, reza por mim.

– Eu te darei um apoio com a oração, até que o teu trabalho de parto chegue ao fim com alegria.

As duas mulheres, a passos lentos, tornam a entrar em casa. Isabel se retira para os seus aposentos. Maria, muito habilidosa e previdente, dá ordens e vai preparando tudo quanto pode ser necessário, além de ir confortar Zacarias, que está preocupado.

EMF 23.5-6

O Evangelho como me foi revelado

Citação

23.5 Sara entra, fazendo um sinal a Maria para que saia. Maria sai, de

pés descalços, até o jardim.

– A patroa vos está chamando –diz Sara.

– Estou indo –e Maria caminha ao longo da casa, subindo depois a escada… Parece um anjo branco, que anda durante a noite sossegada e cheia de estrelas. Maria entra no quarto de Isabel.

– Oh, Maria! Que dor, Maria! Não aguento mais, Maria! Quanto se tem que sofrer para ser mãe!

Maria a acaricia com amor e a beija.

– Maria! Maria! Deixa-me pôr as mãos em teu ventre!

Maria pega aquelas mãos rugosas e inchadas e as coloca sobre o abdômen arredondado, calcando-as com suas mãozinhas lisas e delicadas. Começa então a falar devagar, agora que as duas estão sozinhas:

– Jesus está aqui, e te está ouvindo e vendo. Tem confiança nele, Isabel, pois o coração santo dele está batendo mais forte, e agora está agindo para o teu bem. Eu percebo as palpitações dele, como se ele estivesse em minhas mãos. Estou compreendendo as palavras que o Menino está dizendo: “Diz à mulher que não tema. Ainda um pouco de dor. E depois, ao raiar do sol, no meio de muitas rosas, que estão esperando os primeiros raios matutinos para se abrirem sobre seus pedúnculos, a casa dela terá a rosa mais bonita, que será João, o meu Precursor.”

Isabel, então, apoia o rosto sobre o ventre de Maria, e chora baixinho.

Maria, por algum tempo, fica assim, pois parece que a dor está diminuindo, com uma pausa de alívio, e acena a todos para que fiquem quietos, enquanto ela continua em pé, branca e bela, à fraca claridade da luz de um candeeiro, como um anjo ao lado de quem está sofrendo. Ela está rezando. Estou vendo como move os lábios. Mas, mesmo que não visse seus lábios, eu saberia que está rezando, pela expressão arrebatada do seu rosto.

23.6 O tempo vai passando. A dor volta outra vez a Isabel. Maria a beija de novo, e se afasta.

EMF 23.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Nasceu! Nasceu! É homem! Feliz do pai! É homem: um homem viçoso como uma rosa, belo como o sol, forte e bom como a mãe. Alegria para ti, ó pai abençoado pelo Senhor, que te deu um filho, a fim de que o possas oferecer em seu Templo. Glória a Deus, que concedeu posteridade a esta casa! Bênção para ti e para o filho que geraste! Possa a sua descendência perpetuar o teu nome nos séculos dos séculos, por gerações, sempre em aliança com o Senhor Eterno.

Maria, com lágrimas de alegria, está bendizendo o Senhor. Depois, os dois recebem o pequeno, levando ao pai para que o abençoe. Zacarias não vai a Isabel. Recebe o menino, que está gritando desesperadamente, mas não vai até sua mulher.

Quem vai até lá é Maria, levando com amor o pequenino, o qual de repente fica calado, logo que ela o toma em seus braços. A parteira, que a acompanha, observa este fato.

– Mulher –diz ela a Isabel–, teu menino calou-se de repente, quando ela o pegou. E olha só como ele está dormindo sossegado. E o céu é que sabe quanto ele é inquieto e forte. Agora, olha! Parece um pombinho!

Maria coloca a criança junto da mãe e a acaricia, alisando-lhe os cabelos cinzentos.

– A rosa nasceu –diz ela em voz baixa–. E tu estás viva. Zacarias está feliz.

– Ele já está falando?

– Ainda não. Mas espera no Senhor. Descansa agora. Eu estou ao teu lado.

EMF 24

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo: A circuncisão de João Batista. Maria é uma fonte de graça para aqueles que acolhem a Luz.

Data da visão: Terça-feira, 4 de abril de 1944 (Terça-feira Santa)

Data do ditado: Terça-feira, 4 de abril de 1944. Numa cópia dactilografada, Maria Valtorta anota: "A Santíssima Virgem Maria ditou estas palavras na Quarta-feira Santa.

Calendário: Sexta-feira, 12 de julho do ano -5

Localização (mapa): Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: É a circuncisão de João. Há muita gente em casa de Zacarias. Falam do nome da criança e querem dar-lhe o nome do pai, mas Isabel é inflexível: chamar-se-á João. Pediram a opinião de Zacarias e ele escreveu que o nome seria de facto João, "Deus é bondoso". Depois, a sua língua soltou-se e ele disse o seu hino. Isabel ficou radiante. A circuncisão teve lugar e o bebé acalmou-se nos braços da Virgem. Zacarias foi ter com ela e pediu-lhe perdão por não a ter reconhecido quando estava grávida do Salvador. Abençoou-a e a Imaculada respondeu-lhe que todo o louvor devia ir para Deus. A Imaculada pede-lhe também que reze por ela, porque se ser mãe do Salvador é um destino abençoado, ser mãe do Redentor deve ser um destino de sofrimento atroz.

No ditado que se segue, Maria explica que Deus perdoa aqueles que reconhecem os seus pecados e se arrependem. Convida-nos a libertar as nossas almas de tudo o que as pesa e a acolher a Luz de Deus. A Virgem explica-nos ainda que aqueles que possuem Deus, que têm a amizade de Deus, nunca estão sozinhos, porque, mesmo que isso não nos tire o sofrimento, dá-nos luz e uma carícia que alivia a nossa cruz. É preciso também saber agradecer ao Altíssimo as suas graças.

Finalmente, a Imaculada explica-nos que a fazemos sofrer muito porque rejeitamos a graça. Quando ela deu o ditado, aproximava-se a Sexta-Feira Santa, pelo que nos convidou a rezar com as palavras do seu Filho na Cruz. Por fim, recorda a Maria que, apesar de ver as suas alegrias, o seu sofrimento cresceu sempre exponencialmente, até receber nos seus braços o seu Filho morto.

Índice do capítulo: 24.1: A casa em festa. 24.2: O nome. O milagre. O Benedictus. 24.3: Só Maria pode aliviar a dor do pequeno João, que regressa da circuncisão. 24.4: Zacarias, que volta a falar, prostra-se diante de Maria. 24.5: Maria pede as suas orações pela Coredemptrix em que se tornará. 24.6: Deus perdoa os arrependidos. 24.7: Ele torna a dor doce na sua amargura. 24.8: A dor de ver um inimigo de Jesus. 24.9: O mistério da Sexta-feira Santa. 24.10: Uma dor sempre crescente.