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Notas do tema

Jean-Baptiste

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EMF 68.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

A voz que falava no deserto já não se ouve. Mas muda não está.

Ela fala ainda a Deus por Israel e fala ainda a todo israelita reto de coração. Diz — diz depois de os haver ensinado a fazer penitência para preparar os caminhos ao Senhor que vem, a ter caridade, dando o supérfluo a quem não tem nem o necessário, a ter honestidade, não extorquindo ou vexando — ela vos diz: “Está entre vós o Cordeiro de Deus, Aquele que tira os pecados do mundo, Aquele que batizará com o fogo do Espírito Santo. Ele limpará a sua eira, e recolherá o seu trigo.”

Sabei conhecer Aquele que o Precursor vos indica. Seus sofrimentos operam diante de Deus para dar-vos luz. Vede. Abram-se os vossos olhos espirituais. Conhecei a Luz que vem. Eu recebo a voz do Profeta que anuncia o Messias e, com o poder que me vem do Pai, Eu a amplifico e vos uno ao meu poder, vos chamo para a verdade da Lei. Preparai os vossos corações à graça da Redenção que está próxima. O Redentor está entre vós. Felizes aqueles que forem dignos de ser redimidos, porque terão tido boa vontade.

A paz esteja convosco.

Alguém pergunta:

– És Tu discípulo do Batista, para falares dele com tanta veneração?

– Fui batizado por ele nas águas do Jordão, antes que ele fosse preso. Eu o venero, porque ele é santo aos olhos de Deus. Em verdade Eu vos digo que entre os filhos de Abraão não há outro maior em graça do que ele. Desde a sua vinda, até à sua morte, os olhos de Deus estarão pousados sem nenhum desdém, sobre este bendito.

– Ele te deu a certeza sobre o Messias?

– Sua palavra, que não mente, mostrou aos presentes o Messias, que já vivia entre os homens.

– Onde? Quando?

– Quando foi a hora de mostrá-lo.

Palavras-chave

EMF 75.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

75.4 E os outros? Vós éreis doze: Elias, Levi, Samuel, Jonas, Isaque, Tobias, Jônatas, Daniel, Simeão, João, José e Benjamim. Minha mãe me dizia sempre os vossos nomes. Como sendo dos meus primeiros amigos.

– Oh!

Os pastores estão cada vez mais comovidos.

– Onde estão os outros?

– O velho Samuel morreu de idade, há vinte anos. José foi morto por ter combatido à porta do recinto, para dar tempo à esposa, que havia dado à luz poucas horas antes, para fugir com este aqui, que eu recolhi por amor ao amigo, e para… para ter ainda meninos ao meu redor. Também a Levi eu tomei comigo… Ele era um dos perseguidos. Benjamim é hoje pastor nas terras do Líbano, junto com Daniel. Simeão, João e Tobias, que agora tomou o nome de Matias em memória de seu pai, também ele assassinado, são discípulos de João. Jonas está na planície de Esdrelon, a serviço de um fariseu. Isaque está com os rins quebrantados, vive em uma miséria absoluta, e mora sozinho em Juta. Nós o ajudamos, como podemos… mas vivemos perseguidos, e o que lhe podemos dar é como gotas de orvalho em um incêndio. Jônatas agora é servo de um dos grandes de Herodes.

– Como pudestes, especialmente Jônatas, Jonas, Daniel e Benjamim ir trabalhar nesses serviços?

– Eu me lembrei de Zacarias, teu parente… Tua mãe me tinha mandado a ele. E, quando nos encontramos nos desfiladeiros da Judéia, fugitivos e malditos, eu os levei a ele. Ele foi bom. Protegeu-nos, matou-nos a fome. Procurou um patrão para nós. Fez o que pôde. Eu já havia pego todo o rebanho de Ana, encampado pelo herodiano… e fiquei com ele… Tendo-se feito homem, o Batista, e começado a pregar, Simeão, João e Tobias o acompanharam.

– Mas agora o Batista está preso.

– Sim. Mas eles estão de ronda perto de Maqueronte, com um punha­do de ovelhas, para não levantar suspeitas, dadas por um homem rico, discípulo de João, teu parente.

– Eu gostaria de vê-los todos.

– Sim, Senhor. Nós iremos dizer a eles: “Vinde. Ele está vivo. Ele se lembra de nós e nos ama.”

– E vos quer entre os seus amigos.

– Sim, Senhor.

– Mas, antes, nós iremos a Isaque. E Samuel e José, onde estão sepultados?

– Samuel está em Hebron. Ficou a serviço de Zacarias. José… não tem sepultura, Senhor. Ele foi queimado com a casa.

– Não entre as chamas dos cruéis, mas entre as chamas do Senhor, e na glória, logo ele haverá de estar. Eu vo-lo digo. A ti, José, filho de José, Eu te digo. Vem cá, para que Eu te beije e para dizer um obrigado ao teu pai.

– E os meus meninos?

– São anjos, Elias. Anjos que repetirão o “Glória”, quando o Salvador for coroado.

– Coroado Rei?

– Não. Coroado Redentor. Oh! Cortejo dos justos e santos! E, na frente, as falanges, brancas e purpurinas dos pequenos mártires! E, abertas as portas do Limbo, eis que subiremos juntos ao Reino, onde não há morte. E depois, vós ireis e reencontrareis vossos pais, mães e filhos no Senhor! Crede.

– Sim, Senhor.

– Chamai-me Mestre.

Detalhe

Resumo Jesus encontrou Elias e Levi, dois pastores da Natividade. Explica onde estão os outros pastores, o que Zacarias fez por eles e quem seguiu João Batista quando este iniciou a sua missão de Precursor.

Eu já tinha levado toda a trouveau de Ana passada ao Herodiano... e fiquei com ela... uma nota na segunda edição faz o seguinte esclarecimento.

Quer dizer : *o rebanho que eu estava a guardar em nome de Ana tinha sido tomado pelo Herodiano, por isso passei para o seu serviço.

EMF 77

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

O grupo apostólico dirige-se para Hebron. Judas está nervoso e zangado por não terem ido primeiro a Queriote, pois teria sido mais curto. Mas Jesus garante-lhe que cumpre sempre as suas promessas. Ele foi antes a Hebron porque Samuel, que tinha morrido, tinha sofrido muito por ele e nunca tinha traído a memória de Jesus quando era criança. Permaneceu fiel, mesmo sem saber que estava vivo, e este homem merece, por isso, ser honrado e receber a oração de Cristo.

O Iscariotes salienta depois que os pastores eram justos e santos e, no entanto, foram maltratados. Ana de Belém até morreu por causa disso... E assim conclui, aliás, que o amor que demonstramos a Jesus lhe traz má sorte. O Mestre impede João e Simão de intervir, dizendo que prefere que Judas diga sempre o que pensa. E responde que, mesmo que os pastores tivessem recebido muito, não seria justo que tivessem recebido um privilégio especial por terem recebido tal ou tal presente, incluindo o de estarem presentes na Natividade. Além disso, Simão afirma que não devemos pôr coisas terrenas onde há coisas celestes.

Judas ironiza então diretamente, lembrando que, tendo sido curado tão cedo, o Zelota recuperou todos os seus bens, pelo que não vive apenas da sua inteligência. Mas o amigo de Lázaro responde que lhe deu ordens específicas e que está livre de tudo para seguir Jesus.

Judas acaba por resmungar, porque se enganou mais uma vez, e João tenta consolá-lo, dizendo que ele é prático, mas que em breve mudará na presença de Jesus.

Jesus muda habilmente de conversa quando Judas continua a resmungar e dá instruções a Levi e Elias: eles conduzi-lo-ão a Jonas, e José ficará com o grupo até Jericó.

Finalmente, chegam a Hebron, perto da casa de Zacarias. Mas a casa está rodeada por um muro, que não existia antes. Um homem explica-lhes que um herodiano tomou posse da casa e que tinha uma prostituta com ele. Fala durante muito tempo de João - que ele vê como o Messias, apesar do diálogo entre Jesus e João - e o Mestre não insiste quando o homem é teimoso e acredita que tem a verdade.

A caminho da sinagoga, dão a volta à casa e encontram Aglaia. Jesus entra em casa de Zacarias e inicia uma conversa muito sincera com a cortesã. Ela inicia um caminho de redenção, mas, depois de o deixar, Jesus é rejeitado pela sinagoga. Não se deve falar com as prostitutas e, quando Judas lhe faz uma observação, uma vez que ele está fora da cidade, o Senhor declara que Aglaia o ultrapassará e que em breve chegará o tempo em que os pagãos adorarão o verdadeiro Deus, em vez do povo escolhido que deve receber o Messias.

No final, não pôde honrar os restos mortais de Samuel e Zacarias, mas diz-lhes que se alegrem, pois a primeira ressurreição está próxima.

EMF 77.4-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Já se vêem as casas –diz João, que vai alguns passos na frente dos outros.

– É Hebron. Abrange dois rios com seu dorso. Estás vendo, Mestre? Aquele casarão, lá ao longe, entre todo aquele verde, um pouco mais alto que os outros? É a casa de Zacarias.

– Vamos apressar o passo.

Percorrem rapidamente os últimos metros da estrada, entram na cidade. Os pequenos cascos das ovelhas parecem castanholas sobre as pedras irregulares da rua, neste ponto calçada de maneira bem rudimentar. Chegam à casa. As pessoas olham aquele grupo de homens de diferentes aspectos, na idade e na veste, entre o branco das ove­lhas.

– Oh! Como está mudada! Aqui era a cancela –diz Elias.

Agora, ao invés da cancela, há um portão de ferro, que impede a vista, e como o muro é mais alto do que um homem, nada se vê.

– Talvez seja aberto na parte de trás. Vamos.

Dão a volta em um grande quadrilátero, ou melhor, um grande retângulo, mas o muro é igual em todos os lados.

– Este muro foi feito, há pouco tempo –diz João, observando-o–. Ele está sem avarias, e no chão ainda há pedras calcárias.

– Não vejo nem mesmo o sepulcro… Ele era perto do bosque. Agora o bosque ficou do lado de fora do muro e… e parece que é de todos. Aqui todos vêm tirar a lenha.

Elias está perplexo.

77.5 Um homem, um lenhador, já velhinho, de baixa estatura, mas robusto, que observa o grupo, pára de serrar um tronco abatido, e se aproxima do grupo:

– A quem procurais?

– Queríamos entrar na casa, para rezarmos no sepulcro de Zacarias.

– Não há mais sepulcro. Não estais sabendo disso? Quem sois?

– Eu sou amigo do pastor Samuel. Ele…

– Não é preciso, Elias –diz Jesus.

Elias se cala.

– Ah! O Samuel!… Sim! Mas, desde que João, filho de Zacarias, foi levado para a prisão, a casa não é mais sua. E é uma pena, porque ele fazia com que todo o ganho dos seus haveres fosse dado aos pobres de Hebron. Certa manhã, veio um homem da corte de Herodes, expulsou Joel, lacrou as entradas, depois voltou com uns operários e começou a levantar o muro… Naquele canto lá é que estava o sepulcro. Ele não o quis… e uma manhã o encontramos todo destruído, e meio espalhado pelo chão… os pobres ossos misturados… Nós os recolhemos como foi possível… Agora estão numa única arca… E na casa do sacerdote Zacarias, aquele sujo tem as suas amantes. Agora, ele está com uma atriz de Roma. Por isso levantou o muro. Não quer que se veja… A casa do sacerdote, um lupanar! A casa do milagre e do Precursor! Porque certamente ele o é… mesmo não sendo ele o Messias. E quantos aborrecimentos tivemos por causa do Batista! Mas ele é o nosso grande! Verdadeiramente grande! Desde o seu nascimento houve milagre. Isabel, velha como um cardo seco, tornou-se fértil como as macieiras no mês de Adar, primeiro milagre. Depois, veio uma prima dela, que era uma santa, para servi-la e para soltar a língua do sacerdote. Ela se chamava Maria. Lembro-me dela. Ainda que não a visse, a não ser raramente. Como foi, eu não sei. Conta-se que, para fazer Isabel feliz, ela teria deixado Zacarias pousar a boca muda sobre o seu ventre cheio, ou que ela teria introduzido os seus dedos na boca dele. Não sei bem. O certo é que, depois de nove meses de silêncio, Zacarias falou, louvando o Senhor e dizendo que o Messias já estava na terra. Não deu mais explicações. Mas minha mulher garante — ela estava presente naquele dia — que Zacarias disse, louvando ao Senhor­, que o seu filho iria à sua frente. Agora eu digo: não é como as pessoas crêem. João é o Messias, que vai diante do Senhor, como Abraão, de Deus. Eis. Não tenho razão?

– Tens razão, quanto ao que diz respeito ao espírito do Batista, que sempre procede adiante de Deus. Mas não tens razão quanto ao que diz respeito ao Messias.

– Então aquela, que se dizia mãe do Filho de Deus — e quem disse isto foi Samuel — não é verdade que o era? Não nasceu ainda?

– Sim, ela o era. O Messias nasceu, precedido por aquele que, no deserto, levantou sua voz, como disse o Profeta.

– És tu o primeiro que afirma isso. João, na última vez que Joel lhe levou uma pele de ovelha, como fazia cada ano ao chegar o inverno, ao ser interrogado a respeito do Messias, não disse: “Ele já está aí.” Quando o disser…

– Homem, eu fui discípulo de João, e o ouvi dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” indicando… –diz João.

– Não, não. O Cordeiro é ele. Verdadeiro Cordeiro, que cresceu por si mesmo, quase sem necessidade de pai e mãe. Assim que se tornou filho da Lei, isolou-se nas cavernas dos montes que olham para o deserto e ali cresceu, falando com Deus. Isabel e Zacarias morreram e ele não veio. Para ele, pai e mãe era Deus. Não há santo maior do que ele. Perguntai a toda a cidade de Hebron. Samuel o dizia, mas os belemitas devem ter tido razão. O santo de Deus é João.

– Se alguém te dissesse: “O Messias sou Eu”, que dirias tu? –pergunta Jesus.

– Eu o chamaria de “blasfemador”, e o afugentaria a pedradas.

– E se ele fizesse um milagre para provar que o era?

– Eu diria que ele era um “endemoninhado.” O Messias virá quando João se revelar na sua verdadeira identidade. O próprio ódio de Herodes é a prova. Ele, o astuto, sabe que João é o Messias.

– Mas João não nasceu em Belém.

– Quando ele for solto, depois de ter anunciado por si mesmo o seu próximo advento, manifestar-se-á em Belém. Também Belém o espera. Enquanto… oh! vai falar aos belemitas de algum outro Messias, se tens coragem… e verás.

– Tendes uma sinagoga?

– Sim. Basta ir direto daqui a duzentos passos por esta rua. Não há erro. Fica perto da arca dos despojos violados.

– Adeus. E que o Senhor te ilumine.

Eles se vão. Voltam à parte da frente.

EMF 77.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– (...) Quantos aborrecimentos tivemos por causa do Batista! Mas ele é o nosso grande! Verdadeiramente grande! Desde o seu nascimento houve milagre. Isabel, velha como um cardo seco, tornou-se fértil como as macieiras no mês de Adar, primeiro milagre. Depois, veio uma prima dela, que era uma santa, para servi-la e para soltar a língua do sacerdote. Ela se chamava Maria. Lembro-me dela. Ainda que não a visse, a não ser raramente. Como foi, eu não sei. Conta-se que, para fazer Isabel feliz, ela teria deixado Zacarias pousar a boca muda sobre o seu ventre cheio, ou que ela teria introduzido os seus dedos na boca dele. Não sei bem. O certo é que, depois de nove meses de silêncio, Zacarias falou, louvando o Senhor e dizendo que o Messias já estava na terra. Não deu mais explicações. Mas minha mulher garante — ela estava presente naquele dia — que Zacarias disse, louvando ao Senhor­, que o seu filho iria à sua frente. Agora eu digo: não é como as pessoas crêem. João é o Messias, que vai diante do Senhor, como Abraão, de Deus. Eis. Não tenho razão?

– Tens razão, quanto ao que diz respeito ao espírito do Batista, que sempre procede adiante de Deus. Mas não tens razão quanto ao que diz respeito ao Messias.

– Então aquela, que se dizia mãe do Filho de Deus — e quem disse isto foi Samuel — não é verdade que o era? Não nasceu ainda?

– Sim, ela o era. O Messias nasceu, precedido por aquele que, no deserto, levantou sua voz, como disse o Profeta[1].

– És tu o primeiro que afirma isso. João, na última vez que Joel lhe levou uma pele de ovelha, como fazia cada ano ao chegar o inverno, ao ser interrogado a respeito do Messias, não disse: “Ele já está aí.” Quando o disser…

– Homem, eu fui discípulo de João, e o ouvi dizer: “Eis o Cordeiro de Deus” indicando… –diz João.

– Não, não. O Cordeiro é ele. Verdadeiro Cordeiro, que cresceu por si mesmo, quase sem necessidade de pai e mãe. Assim que se tornou filho da Lei, isolou-se nas cavernas dos montes que olham para o deserto e ali cresceu, falando com Deus. Isabel e Zacarias morreram e ele não veio. Para ele, pai e mãe era Deus. Não há santo maior do que ele. Perguntai a toda a cidade de Hebron. Samuel o dizia, mas os belemitas devem ter tido razão. O santo de Deus é João.

– Se alguém te dissesse: “O Messias sou Eu”, que dirias tu? –pergunta Jesus.

– Eu o chamaria de “blasfemador”, e o afugentaria a pedradas.

– E se ele fizesse um milagre para provar que o era?

– Eu diria que ele era um “endemoninhado.” O Messias virá quando João se revelar na sua verdadeira identidade. O próprio ódio de Herodes é a prova. Ele, o astuto, sabe que João é o Messias.

– Mas João não nasceu em Belém.

– Quando ele for solto, depois de ter anunciado por si mesmo o seu próximo advento, manifestar-se-á em Belém. Também Belém o espera. Enquanto… oh! vai falar aos belemitas de algum outro Messias, se tens coragem… e verás.

– Tendes uma sinagoga?

– Sim. Basta ir direto daqui a duzentos passos por esta rua. Não há erro. Fica perto da arca dos despojos violados.

– Adeus. E que o Senhor te ilumine.

Eles se vão. Voltam à parte da frente.

Detalhe

Um lenhador de Hebron fala com Jesus, João, Judas e o pastor Elias. Diz ele:

EMF 78.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Um velho diz:

– Ouve, Senhor. Há tempo, há muito tempo, quando saiu o edito, chegou até aqui a notícia de que o Salvador havia nascido em Belém… e eu fui até lá em companhia de outros… Vi um pequeno Menino, em tudo igual aos outros… Mas eu o adorei, por fé. Depois soube que havia um homem santo, que se chamava João. Qual é o Messias verdadeiro?

– Aquele que tu adoraste. O outro é o seu Precursor. Grande santo aos olhos do Altíssimo, mas não é o Messias.

– Eras Tu?

– Era Eu.

Palavras-chave

EMF 79.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E nós?

– Vós? Vireis, Eu disse, para verdes a minha preparação. Eu também me preparei para a missão.

– Terás ido procurar algum rabi?

– Não.

– Foste a João?

– Dele Eu só recebi o batismo.

– E então?

– Belém falou com as pedras e os corações. Também ali aonde Eu te levo, Judas, as pedras e um coração, o meu, falarão e te darão resposta.

Detalhe

Jesus dá as suas instruções aos pastores Elias, Levi, José e Isaac, depois de os ter encontrado. Nesta altura, Judas intervém e pergunta o que é que o grupo apostólico vai fazer.

EMF 79.8

O Evangelho como me foi revelado

Citação

79.8 Elias, que levou leite e pão preto, diz:

– Eu os procurei enquanto esperava, e Isaque me ajudou a procurá-los e persuadir aquelas pessoas de Hebron… Mas elas não creem, não juram, não querem senão João. É o “santo” deles, e não querem ninguém mais senão ele.

– É um pecado comum a muitos lugares e a muitos crentes, presentes e futuros. Olham o operário, e não o patrão que o enviou. Fazem perguntas ao operário, sem nem mesmo dizer-lhe: “Diz isto ao teu patrão.” Eles se esquecem de que o operário existe porque o patrão existe, e que é o patrão que instrui o operário e o torna apto ao trabalho. Esquecem-se de que o operário pode interceder, mas só um pode conceder: o patrão. Isto é, Deus e o seu Verbo com Ele. Não importa. O Verbo tem dor, mas não rancor. Vamos.

A visão termina.

EMF 81

O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Jesus encontra-se pela primeira vez com os pastores Simeão, Matias e João. Acompanham-no também o pastor José, Simão, o Zelota, e João. A princípio intimidados, os pastores logo se sentem à vontade e dizem-lhe que João está na prisão. Poderiam libertá-lo se tivessem dinheiro suficiente. Mas o grupo tem as jóias de Aglaia. Judas é enviado para as vender com João. Simão, o Zelota, confessa o seu mal-estar com os Iscariotes.

EMF 81.1-3.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Revejo o vau do Jordão: a estrada verde que margeia o rio, tanto de um lado, como do outro, muito percorrido por viajantes, por causa da sua sombra. Filas de burrinhos que vão e que vêm, e homens com eles. À margem do rio, três homens apascentam algumas ovelhas. Na estrada José, à espera, olha para cima e para baixo.

Lá longe, no ponto onde uma estrada se liga à beira do rio, aponta Jesus, com os três discípulos. José chama os pastores, e estes levam as ovelhas para a estrada, fazendo-as caminhar pela beira relvosa. Vão depressa ao encontro de Jesus.

– Eu estou quase sem coragem… Que direi a Ele como saudação?

– Oh! Ele é tão bom! Tu lhe dirás: “A paz esteja Contigo.” Ele também saúda sempre assim.

– Ele, sim… mas nós….

– E eu, quem sou? Não sou nem mesmo um dos seus primeiros adoradores, e Ele me quer tão bem… muito bem!

– Quem é Ele?

– Aquele mais alto e loiro.

– E nós lhe falaremos do Batista, Matias?

– Oh! Sim!

– Não achará que nós preferimos o Batista a Ele?

– De modo nenhum, Simeão. Se Ele é o Messias, vê os corações, e verá no nosso que, procurando o Batista, era a Ele que queríamos procurar.

– Tens razão.

Os dois grupos já estão a poucos metros um do outro. Jesus já sorri, com aquele seu sorriso que não se pode descrever. José apressa o passo. As ovelhas também se põem a trotar, impelidas pelos pastores.

– A paz esteja convosco –diz Jesus, levantando os braços, como para dar um abraço. Depois se dirige a cada um:

– A Paz a ti, Simeão, João e Matias, meus fiéis, e fiéis de João, o Profeta! Paz a ti, José –e o beija na face.

Os outros três estão agora de joelhos.

– Vinde, amigos. Vinde debaixo destas árvores, à margem do rio, e vamos conversar.

Eles descem, e Jesus assenta-se sobre uma grande raiz saliente, os outros se assentam no chão. Jesus sorri, e os olha fixamente um a um:

– Deixai que Eu conheça os vossos rostos. Vossas almas, Eu já conheço, como justos que procuram o Bem, que é por eles amado, contra todas as vantagens do mundo. Eu vos trago a saudação de Isaque, de Elias e de Levi. E uma outra saudação: a de minha Mãe.

81.2

Tendes notícia do Batista?

Os homens, que até então estavam amordaçados pelo acanhamento, reanimam-se e encontram as palavras:

– Ele ainda está preso. E o nosso coração teme por ele, porque está nas mãos de um homem cruel, dominado por uma criatura infernal e cercado por uma corte corrupta. Nós o amamos… Tu sabes que o amamos e que ele merece o nosso amor. Depois que Tu deixaste Belém, nós fomos perseguidos pelos homens… Mas nós ficamos desolados e abatidos como árvores quebradas pelo vento, mais do que pelo ódio deles, por termos perdido a Ti. E, então, depois de anos de sofrimento, se tivéssemos as pálpebras costuradas, procurando o sol sem podermos ver, por estarmos fechados numa cadeia impedidos de enxergar na tepidez de nossas carnes, eis que ouvimos dizer ser o Batista o homem de Deus, predito[1] pelos Profetas para preparar os caminhos do seu Cristo. Fomos até ele então. Dissemos a nós mesmos: “Se o Batista O precede, O encontraremos no Batista.” Porque eras Tu, Senhor, aquele que nós procurávamos.

– Eu sei. E me encontrastes. Eu estou convosco.

– José nos disse que Tu vieste até o Batista. Nós não estávamos lá naquele dia. Talvez tivéssemos ido, a mando dele, a algum outro lugar. Servíamos a ele, nos serviços da alma, que ele nos pedia com tanto amor e também o escutávamos com amor, embora fôsse tão severo, por não ser Tu, o Verbo, mas nos dizia sempre palavras de Deus.

– Eu sei.

81.3

E a este, não conheceis? –indicando João.

– Nós o vimos com outros galileus, no meio das multidões mais fiéis ao Batista. E, se não estamos enganados, tu és aquele João, do qual ele revelava aos seus íntimos: “Eu sou o primeiro, ele será o último. Mas depois será: ele o primeiro e eu, o último.” Nunca pudemos entender o que é que ele queria dizer.

Jesus volta-se para a sua esquerda, onde está João, e o atrai contra o seu coração, com um sorriso ainda mais luminoso, e explica:

– Ele queria dizer ser o primeiro a revelar: “Eis o Cordeiro”, e que este será o último dos amigos do Filho do homem que falará do Cordeiro às multidões. Mas, no coração do Cordeiro, este é o primeiro, porque lhe é mais caro do que qualquer outro homem. Isto é o que ele queria dizer. Mas, quando virdes o Batista e o vereis ainda, e ainda o servireis até a hora marcada, dizei-lhe que ele não é o último no coração do Cristo. Ele é tão amado quanto este outro João, não tanto pelo sangue, mas pela santidade. Recordai-vos disto. Se por humildade o santo se proclama “último”, a Palavra de Deus o proclama companheiro do discípulo que me é querido. Dizei-lhe que amo a este, porque tem o seu mesmo nome, e porque encontro nele os sinais do Batista, o preparador de almas para o Cristo.

– Nós lhe diremos… Mas nós o veremos ainda?

– Vós o vereis.

[Jesus discute com os Pastores sobre o facto de João estar preso e de ser necessária uma determinada quantia para o libertar. Decide-se que Judas venderá as joias de Aglaé. Quando o Iscariotes se retira, o Mestre volta a dirigir-se aos Pastores:]

81.7 – Eu gostaria de contentar-vos –diz Jesus.

– Tu o farás sempre, Mestre. O Altíssimo te bendiga por nós. Aquele homem é teu amigo?

– Sim, é. Não te parece que ele o possa ser?

O pastor João inclina a cabeça, e se cala. O discípulo Simão fala:

– Só quem é bom, sabe enxergar. Eu não sou bom e não enxergo aquilo que a Bondade enxerga. Vejo o exterior. O bom desce também ao interior. Tu também, João, enxergas como eu. Mas o Mestre é bom… e enxerga…