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Notas da palavra-chave

Zacarias (pai de João Batista)

Tema: Elisabeth e Zacharie · Página 2 de 6

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EMF 12.1-5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

12.1 Vejo um rico salão lindamente pavimentado, com cortinas, tapetes e móveis entalhados. Deve ainda ser também essa, uma parte do Templo, porque vejo sacerdotes, entre os quais Zacarias, e muitos homens de várias idades, ou seja: de vinte a cinqüenta anos, mais ou menos.

Eles estão falando animadamente uns com os outros em voz baixa. Parecem estar ansiosos por alguma coisa, que eu ainda não sei o que seja. Todos estão com roupas novas, ou pelo menos lavadas há pouco, como se estivessem preparados para uma festa. Muitos tiraram o véu que lhes estava cobrindo a cabeça, mas outros ficaram cobertos, especialmente os anciãos. Os jovens preferem ficar com as cabeças descobertas, uns ostentando suas cabeleiras loiro-escuras; outros, as cor de amora; alguns, as bem escuras; e vejo uma de cor vermelho cobre. A maior parte dos jovens tem os cabelos cortados curtos; mas há também os de longas cabeleiras que descem até os ombros. Parece que eles não se conhecem uns aos outros, pois vejo como estão se observando mútua e curiosamente. Mas devem ser parentes entre si, porque pode-se notar que há um pensamento que está preocupando a todos.

12.2 A um canto estou vendo José. Ele está falando com um velhinho ainda robusto. José deve ter seus trinta anos. É um belo homem, de cabelos curtos e um tanto crespos, de cor castanho escuro, como sua barba e seus bigodes, que formam um sombreado, pondo em relevo o queixo, subindo pelas faces, que são moreno-avermelhadas, não oliváceas, como costumam ser os homens morenos. Ele tem os olhos escuros, bons e profundos, muito sérios e parecendo até um pouco tristes. Mas, quando ele sorri, como está fazendo agora, seus olhos se tornam alegres e joviais. José está todo vestido de um marrom claro, muito simples, mas muito bem arrumado.

12.3 Agora entra um grupo de jovens levitas, colocando-se entre a porta e uma longa e estreita mesa, que fica perto da parede. A porta, ao meio da mesa, fica aberta. Somente uma das cortinas desce até vinte centímetros do solo, cobrindo o vão da porta.

A curiosidade aumenta. E, ainda mais, quando uma mão afasta a cortina para dar passagem a um levita, que traz nos braços um feixe de ramo secos, sobre o qual foi colocado um ramo florido, com todo o cuidado. Em uma fina camada, as pétalas brancas das flores mal se recordam de sua primeira cor rosada, que ainda se pode ver no centro, tornando-se, porém, mais clara, à medida que se aproxima das extremidades das delicadas pétalas. O levita coloca o feixe de ramos sobre a mesa, com muito cuidado, para não estragar o milagre daquele ramo florido, que está em meio a tantos ramos secos.

Um murmúrio passa pelo salão. Os pescoços se espicham, os olhares se tornam mais atentos. Até Zacarias, com os sacerdotes que estão perto da porta, está querendo ver. Mas não consegue.

José, no seu canto, dá apenas uma olhadela no feixe de ramos, e quando um interlocutor lhe diz algo, faz um gesto de negação, como se estivesse dizendo: “Impossível!”, e sorri.

12.4 Ouve-se um toque de trombeta, do outro lado da cortina. Todos se calam, e se colocam em ordem, com o rosto virado para a saída, que agora está completamente aberta, com a cortina deslizada pelas argolas. Entra o Sumo Pontífice, rodeado por outros anciãos,. Todos se inclinam profundamente. O Pontífice vai até à sua mesa, falando assim:

– Homens da estirpe de Davi, que aqui vos reunistes, em obediência a uma ordem minha, escutai. O Senhor falou, louvores sejam dados a Ele! De sua Glória desceu um raio e, como um sol de primavera, deu vida a um ramo seco, que floresceu milagrosamente, enquanto nenhum outro ramo da terra hoje está florido, no último dia das Encênias, quando ainda não se derreteu a neve que caiu sobre as montanhas de Judá, sendo a única candura que existe entre Sião e Betânia. Deus falou, fazendo-se Pai e tutor da virgem de Davi, que não tem nenhum outro senão Ele para a sua tutela. Santa menina, glória do Templo e da estirpe, mereceu a palavra de Deus para ficar conhecendo o nome do esposo que agradou ao Eterno. Ele deve ser muito justo, para ser o eleito do Senhor como guarda da virgem a Ele tão querida! Por isso, a nossa dor de perdê-la se atenua, e cessa toda a nossa preocupação quanto ao seu destino de esposa. E ao que foi indicado por Deus confiamos com toda a segurança a virgem sobre a qual está a bênção de Deus e nossa. O nome do esposo é José de Jacó, de Belém, da tribo de Davi, carpinteiro em Nazaré da Galiléia. José, vem para a frente! O Sumo Pontífice te ordena.

Grande murmúrio. Cabeças que se viram, olhos e mãos que acenam, explosões de desilusão e expressões de alívio. Alguém, especialmente entre os velhos, deve ter ficado alegre por não ter tido esta sorte.

José, muito vermelho e embaraçado, vai para a frente. Está agora diante da mesa, em frente ao Pontífice, que saúda com reverência.

– Vinde todos e olhai o nome escrito sobre o ramo. Apanhe cada um o seu próprio ramo, para que se prove que não houve fraude.

Os homens obedecem. Olham para o ramo que está delicadamente seguro pelo Sumo Sacerdote, apanha cada um o seu próprio ramo, e uns o despedaçam, outros o conservam. Todos observam José, há quem olhe e se cale e outros que se felicitam. O velhinho, com quem José conversava antes, diz:

– Eu não te havia dito, José? Quem menos se sente seguro, é o que vence a partida!

Agora todos já passaram.

12.5 O Sumo Sacerdote entrega a José o ramo florido, e depois põe-lhe a mão sobre o ombro, dizendo:

– A esposa que Deus te dá não é rica, tu bem o sabes. Mas possue todas as virtudes. Procura ser sempre mais digno dela. Não há em Israel outra flor de tão rara beleza e pureza. Agora, saí, todos vós ficando apenas José. Tu, Zacarias, como seu parente, conduz a esposa até aqui.

Todos saem, menos o Sumo Sacerdote e José. A cortina torna a ser baixada sobre a saída.

José, todo humilde, está junto ao majestoso Sacerdote. Há um momento de silêncio, e depois o Sacerdote lhe diz:

– Maria precisa dizer-te um voto seu. Procuras ajudar a timidez dela. Sejas bom para com ela.

– Porei a minha virilidade a seu serviço e nenhum sacrifício, por ela, me será pesado. Fica certo disso.

Maria entra com Zacarias e Ana de Fanuel.

– Vem, Maria –diz o Pontífice–. Eis o esposo que Deus te destinou. É José de Nazaré. Voltarás, pois, para a tua cidade. Agora eu vos deixo. Deus vos dê a Sua bênção. O Senhor vos guarde e abençoe, mostrando-vos a sua face e tendo sempre piedade de vós. Que Ele volte para vós o seu rosto e vos dê a paz.

Zacarias sai, acompanhando o Pontífice. Ana se congratula com o esposo e depois também sai.

EMF 13.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

13.7 Os esposos saem para o pátio e o atravessam, indo para a saída, que fica perto do quarteirão das mulheres que trabalham no Templo. Um carro de boi bem cômodo e pesado está à espera deles. Sobre o carro está estendido um toldo de proteção onde se encontram também os pesados baús de Maria.

Despedidas, beijos, lágrimas, bênçãos, conselhos, recomendações e depois Maria sobe com Isabel colocando-se no centro do carro. Na frente, estão José e Zacarias. Já tiraram os mantos de festa, e todos se envolveram num grande manto escuro.

O carro parte, ao trote pesado de um cavalo grande e escuro. Os muros do Templo vão ficando longe, depois também os da cidade, e vão chegando os campos novos e verdejantes, cheios das flores dos primeiros dias da primavera, com as plantações já crescidas a um bom palmo do chão, mostrando suas folhinhas leves, que à brisa ligeira formam ondas, parecendo esmeraldas, soltando um cheiro mesclado das flores dos pessegueiros e das macieiras, junto com cheiro de trevos e do poejo selvagem.

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No final do noivado de Maria, Isabel e Zacarias acompanham José e Maria à saída do Templo.

EMF 14

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : O casal chega a Nazaré

Data da visão: 6 de setembro de 1944

Calendário:6 de março d.C.

Lugar (mapa) : Nazaré

Ciclo: Casamento com José

Resumo: Maria descreve Nazaré. Maria regressa à sua cidade depois de ter vivido durante anos no Templo. Está noiva de José e ele acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel. Nazaré festeja com eles. Chegam a casa e José, Zacarias e Isabel mostram-lhe a casa e o jardim de Joaquim. A Virgem conhece também Alfeu, Maria de Cléofas e os seus filhos. Depois, conheceu Sara e o seu filho, Alfeu, o namorado de Ana. José percorre a casa com a sua mulher e o irmão dela fica a saber que não vão casar logo. Este ficou surpreendido e José respondeu-lhe que só fariam a cerimónia quando Maria tivesse dezasseis anos. O futuro santo fez-lhe então prometer que o chamaria sempre que precisasse dele. A família parte, e Zacarias decide deixar Isabel para que ela ensine a prima a ser uma dona de casa perfeita. Assim, Maria poderá também decorar a sua casa a seu gosto.

Conteúdo do capítulo: 14.1: O caminho através das colinas da Galileia. 14.2: Entrada triunfal em Nazaré. 14.3: José aponta de longe a casa de Maria. É ele quem vai trabalhar lá. 14.4: Maria acolhe Alfeu e Sara. 14.5: José oferece-se a Maria como confidente. 14.6: O casamento realizar-se-á quando ela tiver dezasseis anos. 14.7: Isabel fica com a sua prima durante algum tempo.

EMF 14.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.2 Um carro de boi está indo pela estrada. É o carro que leva José e Maria com seus primos. A viagem está chegando ao fim.

Maria olha, com aqueles olhos cheios de ansiedade de quem quer conhecer, ou melhor, reconhecer, aquilo que ela já viu, mas de que não se lembra mais, e sorri, quando alguma sombra de lembrança volta à sua memória e se detém, como uma luz que mostra esta ou aquela coisa, este ou aquele ponto. Isabel, Zacarias e José, ajudam Maria a se lembrar, mostrando uma elevação do terreno, ou uma ou outra casa. (...)

[Chegam a casa de Maria.]

– Aqui está a tua casa Maria –diz José, mostrando, com o chicote que está em sua mão, uma casinha que fica precisamente ao pé de uma das ondulações da colina, tendo aos fundos um belo e vasto jardim todo florido, e que termina em um pequenino olival. Do outro lado, está a costumeira sebe com o espinheiro-alvar e as cactáceas, marcando o limite da propriedade. Os campos, que antes pertenciam a Joaquim, estão atrás da sebe.

– Como estás vendo, te restou pouca coisa –diz Zacarias–. A doença de teu pai foi longa e se gastou muito com ela. Também se gastou bastante com as despesas para reparar os prejuízos dados por Roma. Estás vendo? A estrada feita pelos romanos levou os três principais cômodos da casa, deixando-a muito diminuída. Para torná-la mais ampla, sem que fossem necessárias despesas excessivas, foi aproveitada uma parte do monte onde há uma gruta. Era lá que Joaquim guardava as suas provisões, e Ana os seus teares. Tu farás aí o que achares bom.

– Oh! Que seja pouca coisa, não tem importância! Sempre para mim bastará.

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Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Está noiva de José e este acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel.

EMF 14.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

14.7 Tornam a entrar em casa e acendem as lâmpadas.

– Maria está cansada –diz José–. Deixemo-la descansar com os primos.

Todos se despedem. José fica ali ainda alguns minutos e fala com Zacarias em voz baixa.

– Teu primo deixa contigo Isabel, por algum tempo. Estás contente? Eu sim. Porque ela vai te ajudar… para que te tornes uma perfeita dona de casa. Com ela poderás pôr em ordem, como gostas, as tuas coisas e tuas alfaias, e eu virei todas as tardes também para te ajudar. Com ela poderás ir comprar lã e o mais que for preciso. Eu responderei pela despesa. Lembra-te que prometeste me procurar para tudo. Adeus, Maria. Dorme o primeiro sono nesta tua casa, e o anjo de Deus torne o teu sono tranqüilo. O Senhor esteja sempre contigo.

– Adeus, José. Que tu também estejas sob as asas do anjo de Deus. Obrigada, José. Por tudo. Na medida que eu puder, vou te dar, com o meu amor, uma compensação ao teu amor por mim.

José saúda os primos e sai.

E com isto cessa a visão.

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Maria regressa a Nazaré depois de anos a viver no Templo. Está noiva de José e este acompanha-a, juntamente com Zacarias e Isabel. Deram uma volta à casa, mas José interveio.

EMF 21

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : Visita a Isabel

Data da visão: Sábado 1 de abril de 1944

Calendário: Domingo 24 de março D.C. -5

Local (mapa) : Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria chega a Hebron. Maria descreve o lugar, depois descreve mais especificamente a chegada da Virgem. Pára em frente a uma casa bastante luxuosa, onde não falta nada, e a Imaculada Conceição tenta dar a conhecer a sua presença. Uma velhinha curiosa apresenta-lhe um sino e bombardeia-a com perguntas. Felizmente, chega um criado - provavelmente um jardineiro - e salva a Mãe dos mexericos. Maria entra rapidamente, depois de agradecer à velhinha. O criado leva-a para dentro e conta-lhe o que se passou na casa: fala do parto de Isabel, mas também do silêncio de Zacarias, porque já não consegue falar. Tenta chamar a sua mulher, Sara, que é outra criada, mas em vez disso chega Isabel. Ela vê Maria, Maria vê Isabel e as duas correm uma para a outra. Abraçam-se calorosamente, e é então que o Espírito Santo envolve Isabel. O Precursor é santificado, e João Batista torna-se irrepreensível. Isabel e Maria dizem as palavras do Evangelho, e depois chega Zacarias, que não se apercebe do estado espiritual de Maria. Em vez disso, pergunta pela Virgem e por José, e Isabel diz-lhe simplesmente que é mãe. Mas nenhum dos dois disse mais nada.

Maria escreve então sobre como recebeu a visão e declara que viu Maria no enterro de Cristo.

Conteúdo do capítulo: 21.1: Através das montanhas da Judeia. 21.2: A rica propriedade de Zacarias em Hebron. 21.3: O estranho sino e a abertura do portão. 21.4: O velho Samuel dá notícias de Zacarias e Isabel. 21.5: O abraço de Isabel e Maria, a iluminação interior, o Magnificat. 21.6: A chegada de Zacarias. 21.7: Visões segundo as suas necessidades espirituais.

EMF 21.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Isabel está velha, e Zacarias também está velho. Além disso, agora ele, além de mudo, está também surdo. Os dois criados estão velhos­ também, sabes?

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Uma velhinha, que viu Maria aproximar-se da casa de Zacarias e Isabel, mostra a Maria como tocar a campainha para se fazer bem-vinda e fala-lhe dos donos da casa.

EMF 21.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– Ah! que grande felicidade e que grande desgraça aconteceram a esta casa! Pois o céu concedeu um filho à estéril, bendito seja o Altíssimo! Mas Zacarias, já há sete meses, voltou mudo de Jerusalém! E ele só se faz entender por acenos, ou escrevendo. Teríeis vós sabido disso? Minha patroa desejou ter-te aqui, em sua alegria e em sua dor. Ela sempre falava de vós com Sara, e dizia: “Se eu tivesse a minha pequena Maria aqui comigo! Se ela tivesse ficado ainda no Templo! Eu teria mandado Zacarias ir buscá-la. Mas agora o Senhor quis que ela se casasse com José de Nazaré. Só ela é que poderia me confortar nesta dor e ajudar-me a orar a Deus, pois ela é tão boa. No Templo todos sentem saudades dela. Na festa passada, quando fui com Zacarias a Jerusalém, para agradecer a Deus por me ter dado um filho, ouvi as mestras dela que diziam: ‘O Templo parece estar sem os querubins da glória, desde que a voz de Maria deixou de ser ouvida por estas paredes’.” Sara! Sara! Minha mulher é um pouco surda. Mas vem, vem que eu mesmo te guio.

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Um criado da casa de Isabel falou com Maria e disse-lhe

EMF 21.6-7

O Evangelho como me foi revelado

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21.6 O criado que prudentemente tinha tratado de desaparecer dali, logo que percebeu que Isabel não estava passando mal, mas que estava confidenciando o seu pensamento a Maria, volta do pomar com um imponente ancião vestido de branco, de barba e cabelos completamente brancos, e que, com grandes gestos, e emitindo sons guturais, saúda de longe Maria.

– Zacarias vem chegando –diz Isabel, tocando no ombro da virgem, que está absorta em oração–. O meu Zacarias está mudo. Deus o castigou porque ele não acreditou. Depois te contarei. Agora eu espero o perdão de Deus, porque tu vieste a nós. Tu, ó cheia de graça!

Maria se ergue e vai ao encontro de Zacarias, inclinando-se até à terra diante dele, beijando-lhe a fímbria da veste branca, que o cobre até o chão. É uma veste muito ampla, presa em seu lugar na cintura por um galão grosso e bordado.

Zacarias, por meio de gestos, dá as boas vindas a Maria e os dois, em companhia de Isabel, entram todos em um salão térreo, vasto e bem arrumado, onde fazem com que Maria se assente, e lhe oferecem uma taça de leite tirado na hora, ainda espumante, com uns pãezinhos.

Isabel dá ordens à criada, que afinal também apareceu, com as mãos enfarinhadas e com os cabelos ainda mais brancos, também por causa da farinha que está por cima deles. Talvez ela estivesse fazendo o pão. Dá ordens também ao criado, que percebi chamar-se Samuel, para que ele leve o baú de Maria para um quarto que ela lhe está mostrando. Cumprem-se todos os deveres de uma dona de casa para com a sua hóspede.

Nesse meio tempo, Maria está respondendo às perguntas que Zacarias lhe faz, escrevendo sobre uma tabuinha encerada com um estilete. Percebo, pelas respostas, que ele está perguntando por José, e como vai ela casada com ele. Nesse ponto eu chego a compreender que a Zacarias foi negada também toda luz sobrenatural a respeito do estado de Maria e de sua condição de mãe do Messias. É Isabel que, indo para perto do seu marido, e pondo-lhe com amor uma mão sobre o ombro, como para uma casta carícia, lhe diz:

– Maria também é mãe. Alegra-te com a felicidade dela!

Mas não lhe fala nada mais. Olha para Maria. Maria olha para ela, sem convidá-la a falar nada mais, e ela então se cala.

21.7 Doce, dulcíssima visão! Ela desfaz o horror que ficou em mim pela visão do suicídio de Judas.

Anotação

Lucas 1, 5-25 : No tempo de Herodes, o Grande, rei da Judeia, havia um sacerdote dos abianitas chamado Zacarias. A sua mulher era também descendente de Aarão; chamava-se Isabel. Ambos eram justos diante de Deus: seguiam todos os mandamentos e preceitos do Senhor de forma irrepreensível. Não tiveram filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram de idade avançada. Ora, enquanto Zacarias servia a Deus durante o tempo destinado aos sacerdotes do seu grupo, foi escolhido por sorteio, segundo o costume dos sacerdotes, para ir oferecer incenso no santuário do Senhor. Toda a multidão do povo estava a rezar do lado de fora no momento da oferta do incenso. O anjo do Senhor apareceu-lhe, de pé, à direita do altar do incenso. Ao vê-lo, Zacarias ficou chocado e com medo.

O anjo disse-lhe: "Não tenhas medo, Zacarias, porque a tua oração foi atendida: a tua mulher Isabel vai dar-te um filho, a quem porás o nome de João. Alegrar-te-ás e exultarás, e muitos se alegrarão com o seu nascimento, porque ele será grande diante do Senhor. Ele não beberá vinho nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo desde o ventre de sua mãe; ele fará com que muitos filhos de Israel se voltem para o Senhor seu Deus; ele irá à frente, na presença do Senhor, com o espírito e o poder do profeta Elias, para voltar os corações dos pais para os filhos, para trazer os rebeldes de volta à sabedoria dos justos e para preparar para o Senhor um povo bem disposto."

Então Zacarias disse ao anjo: "Como hei-de saber que isso vai acontecer? Porque sou velho e a minha mulher é idosa.

O anjo respondeu: "Eu sou Gabriel e estou na presença de Deus. Fui enviado para falar contigo e trazer-te esta boa nova. Mas eis que serás silenciado e não poderás falar até ao dia em que ela se tornar realidade, porque não acreditaste nas minhas palavras; elas tornar-se-ão realidade a seu tempo.

As pessoas esperaram Zacarias e ficaram surpreendidas por ele se ter demorado no santuário. Quando saiu, não podia falar-lhes, e eles compreenderam que ele tinha tido uma visão no santuário. Fez-lhes sinais e ficou em silêncio. Quando terminou o seu tempo de serviço litúrgico, foi para casa. Algum tempo depois, a sua mulher Isabel concebeu um filho. Durante cinco meses, manteve-o em segredo. Dizia para si mesma: "Foi isto que o Senhor fez por mim, nestes dias em que pôs os olhos para apagar o que era a minha vergonha diante dos homens".

EMF 22

O Evangelho como me foi revelado

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Título do capítulo : Os dias passados em Hebron. Os frutos da caridade de Maria para com Isabel.

Data da visão e do ditado: Domingo, 2 de abril de 1944

Calendário: abril do ano 5-5

Lugar (mapa) : Hebron

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: Maria vive em Hebron. Isabel chega perto dela e falam das suas maternidades respectivas. A mulher de Zacarias já não sofre agora que a Virgem está aqui, mas antes sofria muito por causa da sua idade avançada. Maria, em comparação, não sofre, mas não tem o peso da culpa.

Isabel queria fiar roupas para João Batista, mas Maria disse que faria o trabalho por ela. A Virgem argumenta que tem muito tempo e que pensará primeiro na sua prima, pois o nascimento do Precursor está iminente. Depois pensaria no seu filho, Jesus.

Foi nessa altura que a Imaculada Conceição revelou o nome do seu Filho a Isabel e lhe revelou a sua angústia. Maria conhecia os profetas e já pressentia que Jesus seria o Cordeiro, o Homem das Dores. Mas Isabel consola-a, dizendo-lhe que Deus estará com ela e que o seu filho será amado para todo o sempre.

As duas mulheres falam então de Zacarias, que é mudo. É uma grande tristeza para a sua mulher. Ela esperava que, quando a criança nascesse, ele pudesse voltar a falar. A mãe abençoada gostaria que o seu filho se chamasse João, e revela o seu sofrimento à prima. Para a distrair, Maria sugere-lhe que saiam à rua e encontram-se perto de um pequeno rebanho de cordeiros.

A visão muda; desta vez, o tempo passou. Maria vai à procura de Isabel. Falam de Jesus e da sua aparição. Depois falam de José, e Maria diz-lhe que deixou que fosse Deus a intervir. Para além de Isabel, ninguém devia saber da sua maternidade divina, e Isabel, que compreendeu, recorda que até tinha contado esse facto a Zacarias. Zacarias entra então e Maria reza as orações. Ela exorta o sacerdote a acreditar na misericórdia de Deus, porque o homem pensa que nunca mais poderá falar.

Por fim, Maria dá uma lição sobre a caridade, sobre como fazer crescer em nós os dons de Deus. Devemos ser sempre caridosos e não egoístas. Ela dá-nos também uma lição sobre a passagem do tempo: Deus é o seu mestre e ajuda aqueles que esperam nele. "O egoísmo não faz avançar nada, atrasa tudo. A caridade não atrasa nada, faz avançar as coisas". Por fim, a Mãe recorda que encontrou muita paz na casa de Isabel e que, se não tivesse sido atormentada pelo pensamento de José e do seu Filho, o Redentor do mundo, teria sido feliz. Mas Maria significa tanto luz como amargura...

Conteúdo do capítulo: 22.1: Maria cose para o filho de Isabel. 22.2: Isabel sente-se muito melhor desde a visita de Maria. 22.3: Maria comove-se quando pensa no Homem das Dores de Isaías. 22.4: Isabel fica angustiada com o silêncio de Zacarias. 22.5: Um passeio no jardim entre as pombas, os cabritos e os cordeiros. 22.6: Maria fia e tece. 22.7: Imagina como será o seu filho. 22.8: Deus revela o mistério a José. 22.9: Zacarias volta a falar. O Messias nascerá em Belém. 22.10: O amor ao próximo. 22.11: O meu amor ao próximo e o meu amor a Deus. 22.12: A caridade faz as coisas acontecerem. 22.13: Amargura misturada com doçura.