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Notas da palavra-chave

Os Doze

Tema: Quem são os apóstolos? · Página 7 de 9

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EMF 187.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

– E daqui para onde iremos? Eu não tenho prática nestes lugares –diz Tomé.

– Chegaremos ao Tabor, iremos ao lado dele por um trecho e, passando perto de Endor, iremos a Naim, e de lá iremos pela planície de Esdrelon. Não tenhais medo!… Doras, o filho de Doras e Jocanã já estão em Jerusalém.

187.4

– Oh! Como deve ser bonito! Dizem que do cume, do ponto mais alto, se pode avistar o Grande Mar, o de Roma. Isso me agrada muito! Vais levar-nos a vê-lo?

João faz a pergunta, com o seu rosto de menino bom levantado para Jesus.

– Por que é que te agrada tanto vê-lo? –pergunta Jesus, acariciando-o.

– Não sei. Porque é grande, e não se vê o seu fim… Ele me faz pensar em Deus… Quando estivemos no Líbano, eu vi o mar pela primeira vez, porque nunca tinha estado a não ser ao longo do Jordão ou então em nosso pequeno mar… e chorei de emoção. Que azul! Quanta água! E sua água não extravasa nunca!… Que coisa maravilhosa! E os astros, que fazem caminhos de luz sobre o mar… Oh! Não riais de mim! Fiquei olhando o caminho de ouro do Sol até ficar ofuscado, o caminho de prata da Lua até não ter mais nos olhos senão aquele candor fixo, e via como eles se iam dissipando e sumindo ao longe, muito longe. E aqueles dois caminhos falavam comigo. Eles me diziam: “É Deus que está naquelas lonjuras sem fim, e estes são os caminhos de fogo e de pureza que uma alma deve seguir, a fim de ir para Deus. Vem. Mergulha no infinito, remando por estes dois caminhos e encontrarás o Infinito.”

– És um poeta, João –diz admirado Tadeu.

– Não sei se isto é poesia. Só sei que acende o coração.

– Mas tu já viste o mar também em Cesareia e Ptolomaida, e bem de perto. Nós estávamos à beira dele. Não vejo necessidade de fazer uma viagem tão grande para ir ver outra água do mar. Afinal, nós nascemos na água… –observa Tiago de Zebedeu.

– E nela estamos ainda agora, infelizmente! –exclama Pedro que, tendo-se distraído por uns instantes, para ficar ouvindo João, não viu uma poça traiçoeira, e nela tomou um verdadeiro banho…

Todos se riem, a começar pelo próprio Pedro.

Mas João responde:

– É verdade. Mas, visto lá de cima, ele é mais belo. Podemos ver mais e mais longe. Ficamos pensando com mais profundidade e amplitude… Ficamos desejando, sonhando…

E, em verdade, João já está sonhando… Olha para a frente e sorri ao seu sonho. Parece uma rosa cor de carne, coberta por um orvalho miudinho, a tal ponto sua pele lisa e clara de jovem louro se torna da cor de um veludo purpurino e se cobre de um leve suor, que a torna ainda mais parecida com uma pétala de rosa.

– Que queres? Com que estás sonhando? –pergunta Jesus, em voz baixa, ao seu predileto, e parece um pai que interroga docemente um querido filhinho, que lhe está contando um doce sonho seu. Fala exatamente à alma de João, Jesus, tão doce no interrogar, para não estragar o sonho do seu amoroso discípulo.

– Eu quero andar por aquele mar infinito… ir a outras terras que estão para lá dele… Eu quero ir para falar de Ti… Estou sonhando… sonhando em ir até Roma, até a Grécia, até os lugares escuros, para levar-lhes a luz… de modo que os que vivem nas trevas, venham a ter contato contigo e vivam em comunhão contigo, ó Luz do mundo… Sonho um mundo melhor… para fazê-lo melhor por meio do conhecimento de Ti, isto é, por meio do conhecimento do Amor, que torne bons, puros, que torne heróico um mundo que se possa amar em teu Nome e — acima do pecado, da carne, do vício da mente, acima do ouro, acima de todas as coisas, — exalte o teu Nome, a tua Fé, a tua Doutrina… sonho de estar eu com estes meus irmãos, indo pelo mar de Deus, Te levando por estradas de luz… como, há tempo, Tua mãe te trouxe dos Céus para nós… Sonho… sonho que sou um menino que, não conhecendo nada mais que o amor, permanece sereno, até quando vai de encontro aos tormentos… e canta para dar coragem aos adultos, que ficam pensando demais, e vai adiante… ao encontro da morte, com um sorriso… ao encontro da glória, com a humildade de quem não sabe bem o que está fazendo e que só sabe ir até Ti, Amor.

Os apóstolos ficaram com a respiração parada, durante a extática confissão de João… Firmes no lugar em que estavam, olham para o mais jovem, que está falando com os olhos velados pelas pálpebras, como por um véu lançado sobre o ardor que sobe do coração e olham para Jesus, que se transfigura na alegria de reencontrar-se tão completo no seu discípulo…

Quando João se cala, ficando um pouco inclinado, — e faz-nos lembrar a graça da Anunciação da Humilde Virgem em Nazaré — Jesus o beija na fronte, dizendo:

– Iremos ver o mar, para fazer-te sonhar ainda com a vinda do meu Reino ao mundo.

EMF 188.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O Tabor agora já ficou para trás dos caminhantes. Já passou. Por uma planície fechada entre este monte e um outro que está defronte dele, o grupo vai caminhando, falando da subida que todos fizeram, ainda que, a princípio, os mais velhos quisessem esquivar-se dela. Mas agora todos estão contentes por terem estado lá em cima. O caminho agora é fácil, pois é uma estrada mestra bem cômoda. O tempo está fresco e acho que eles passaram a noite nas encostas do Tabor.

– Ali é Endor –diz Jesus, mostrando um pobre povoado agarrado às primeiras elevações deste outro grupo de montanhas–. Quereis mesmo ir até lá?

– Se quiserdes me fazer ficar contente… –responde Iscariotes.

– Então, vamos.

– Mas, teremos que caminhar muito? –pergunta Bartolomeu que, pela idade, não deve estar com muita vontade de fazer excursões panorâmicas.

– Oh! não! Mas, se queres ficar… –diz Jesus.

– Sim, sim. Ficai aqui. Basta que eu vá com o Mestre –apressa-se a dizer Judas Iscariotes.

– Agora, eu quereria saber que belezas vamos ver antes de decidir. Do alto do Tabor vimos o mar e, depois do discurso do rapaz, devo confessar que passei a vê-lo com bons olhos pela primeira vez, e passei a vê-lo como Tu o vês: com o coração. E agora eu gostaria de saber se vou aprender alguma coisa. E, então, eu vou, ainda que tenha de cansar-me –diz Pedro

– Estás ouvindo, Judas? Tu não dissestes ainda as tuas intenções. Mas, por gentileza para com os companheiros, dizei-as agora –sugere Jesus.

– Mas não foi a Endor que Saul quis ir[1], para consultar a pitonisa?

– Sim. E então?

– Sim, Mestre, eu gostaria de ir àquele lugar e ouvir-te falar sobre Saul.

– Oh! Nesse caso, eu também vou –diz Pedro entusiasmado.

– Então, vamos.

Terminam com passos rápidos o último trecho da estrada mestra, depois a abandonam, para tomarem uma estrada secundária, que vai diretamente até Endor.

Detalhe

A atenção centra-se em Bartolomeu, Judas, Filipe e Simão Pedro. Os outros apóstolos estão presentes.

EMF 188.7 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Saem das ruínas e começam a descer pelo caminho por onde vieram. O homem caolho ainda está ali.

– Ainda estás aqui? –pergunta Jesus, como se não estivesse vendo o rosto vermelho pelas muitas lágrimas derramadas.

– Eu estou aqui. Se me permites, eu Te acompanho. Preciso dizer-te uma coisa…

– Vem, então, comigo. Que queres dizer-me?

– Jesus… Eu acho que para ter força de falar e de fazer a magia santa de mudar a mim mesmo, de chamar à vida a minha alma morta, como a pitonisa evocou Samuel para Saul, eu devo dizer o teu Nome, tão doce como o teu olhar, santo como a tua voz. Tu me deste uma vida nova, e ela está ainda informe, ainda incapaz de nada, como a de um recém-nascido, que acaba de ser gerado. Agita-se ainda entre os apertos duma casca malvada. Ajuda-me a sair da minha morte.

– Sim, amigo.

– Eu… eu reconheci que tenho ainda um pouco de humanidade em meu coração. Não sou totalmente uma fera, e ainda posso amar e ser amado, perdoar e ser perdoado. O teu amor, o teu amor que é perdão, me ensina isso. Não é verdade que é assim?

– Sim, amigo.

– Então… leva-me contigo. Eu era Félix! Que ironia! Mas Tu me darás um novo nome. Para que o passado fique realmente morto. Eu Te acompanharei como um cão vagabundo, que finalmente achou um dono. Serei o teu escravo, se quiseres. Mas, não me deixes sozinho…

– Sim, amigo.

– Que nome pões em mim?

– Um nome de que Eu gosto muito: João. Porque tu és a graça que o Senhor faz.

– Me tomas contigo?

– Por enquanto, sim. Depois me acompanharás com os discípulos. Mas, e a tua casa?

– Eu não tenho mais casa. Deixarei para os pobres tudo o que tenho. Dá-me somente amor e pão.

– Vem.

E Jesus se vira, chamando os apóstolos:

– Meus amigos, e especialmente tu, Judas, recebei o meu “obrigado.” Por meio de ti, por meio de vós, uma alma vem para Deus. Aqui está o novo discípulo. Vem conosco até que possamos confiá-lo aos irmãos discípulos. Ficai felizes por terdes encontrado um coração, e bendizei a Deus comigo.

Muito felizes, na verdade, não parecem ter ficado os doze. Mas fazem cara boa, por obediência e cortesia.

– Se me permites, eu vou na frente. Encontrar-me-às na soleira da casa.

– Então, vai.

O homem parte, correndo. Parece ser outro.

– E agora, que estamos sós, Eu vos ordeno, isto Eu vos ordeno, que sejais bons para com ele, e não faleis do seu passado, seja lá a quem for. Quem falasse, ou quem faltasse à caridade para com o irmão redimido, seria, no mesmo instante, rejeitado por Mim. Entendestes bem? E, vede como o Senhor é bom! Tendo vindo até aqui por um fim humano, Ele ainda nos concede que voltemos daqui tendo obtido um fato sobrenatural. Oh! Eu me alegro pela alegria que há agora lá no Céu por causa do novo convertido.

Detalhe

João de En-Dor converte-se e Jesus apresenta-o aos Doze, que não ficam muito satisfeitos. Jesus agradece especialmente a Judas, porque foi por causa dele que chegaram a esta aldeia e o conheceram.

Anotação

Ordeno-vos que sejais bondosos com ele e que não faleis do seu passado a ninguém. Foi o que Judas Iscariotes fez, denunciando ao Sinédrio a presença de um escravo de galé (João de En-Dor) e de uma escrava fugitiva (Síntique). Este facto obrigou-os a exilarem-se em Antioquia da Síria. Cf. EMV 314 ss.

EMF 189.1 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Naim devia ter uma certa importância nos tempos de Jesus. Não é uma cidade muito grande, mas bem construída, fechada dentro do seu cinturão de muros. Ela se estende por uma colina risonha, de pouca altitude, e é uma ramificação do pequeno Hermon que, do alto, domina uma planície muito fértil, que se vai alargando para a direção do noroeste[1].

Para quem vem de Endor, chega-se até aqui, depois de ter passado a vau um pequeno rio, que deve ser um afluente do Jordão. Mas daqui não se vê mais o Jordão, e nem mesmo o seu vale, porque algumas colinas o escondem, fazendo um arco, que parece um ponto de interrogação virado para leste.

Jesus para lá se dirige, por uma estrada mestra, que liga as regiões do lago ao Hermon e aos seus povoados. Atrás de Jesus vão caminhando muitos dos habitantes de Endor, conversando animadamente uns com os outros.

A distância que separa o grupo dos apóstolos dos muros já é bem reduzida: no máximo uns duzentos metros. E, já que a estrada mestra vai em linha reta, rumo a uma das portas da cidade, e como essa porta está escancarada, pois já é pleno dia, pode-se ver logo o que está acontecendo do outro lado dos muros. E é assim que Jesus, que estava conversando com os apóstolos e com o novo convertido, vê que, por entre um grande barulho de carpideiras e de semelhantes conjuntos orientais, vem chegando um cortejo fúnebre.

– Vamos lá ver, Mestre? –dizem muitos. E, do meio dos habitantes de Endor, muitos já se precipitaram para ir ver.

– Vamos nós também –diz Jesus, condescendendo.

– Oh! deve ser um rapaz, porque, olha só quantas flores e fitas estão sobre o caixão –diz Judas de Keriot a João.

– Ou então será uma virgem –responde João.

– Não. É certo que se trata de um jovenzinho, por causa das cores que eles colocaram no caixão. Além disso, faltam os mirtos… –diz Bartolomeu.

O funeral vai saindo para fora dos muros. Seja o que for que estiver no caixão, que vai sustentado no alto sobre os ombros dos portadores, é o que não se pode ver. Presume-se que lá esteja um corpo estendido, com suas faixas, e coberto com um lençol, pois pelo que as saliências revelam pode-se compreender que é o corpo de alguém que já tinha chegado ao ponto mais alto de seu crescimento, porque é um corpo do comprimento do caixão.

Ao lado do caixão, uma mulher de véu, amparada por parentas ou amigas, vai caminhando e chorando. É o único choro verdadeiro, no meio dessa comédia de choronas. E, quando uma pedra faz que um dos portadores tropece, ou um ressalto do solo faz que se sacuda o caixão, a mãe geme: “Oh! Não! Ide devagar! Sofreu tanto este meu menino!”, e levanta sua mão trêmula para acariciar a beira do caixão, — fazer mais que isso ela não pode — e, não podendo fazer nada mais, ela beija os véus ondulantes e as fitas, que o vento de vez em quando agita, e que passam rolando por aquele vulto imóvel.

– Aquela é a mãe –diz Pedro, todo compungido e já com o brilho de uma lágrima em seus olhos atentos e bons.

Mas ele não é o único que está com lágrimas nos olhos por causa daquela tristeza. Também Zelotes, André e João, e até o sempre alegre Tomé, estão com os olhos brilhando. Todos, todos mesmo, estão comovidos. Judas Iscariotes murmura:

– Se fosse eu! Oh! Pobre de minha mãe…

Detalhe

Os dois Tiago, Mateus, Filipe e Judas não são mencionados nesta passagem, mas estão presentes. Vão para Naim.

Anotação

- Oh, deve ser uma criança, porque podes ver quantas flores e fitas estão na maca", diz Judas a João.

- Ou talvez seja uma virgem", responde João.

- Não, deve ser um rapazinho, por causa das cores que usaram, e não há murtas...", diz Bartolomeu.

Tudo isto indica os ritos funerários da época. Judas da Judeia e Bartolomeu da Galileia identificam-nos da mesma forma.

EMF 193.2 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Uma parada para a refeição, e de novo se toma o caminho para Jerusalém. Mas, ou deve ter chovido muito ou, então, aqui é um lugar rico em águas subterrâneas, pois as pradarias estão parecendo mais um grande brejo, visto que a água está brilhando por entre a folhagem cerrada, e sobe até alcançar a estrada um pouco mais acima e, no entanto, não deixa por isso de ser muito lamacenta. Os adultos sungam as vestes, para que elas não virem crostas de barro, enquanto Judas Tadeu põe sobre os ombros o menino, para que ele descanse e para que possam atravessar mais depressa aquela zona inundada e talvez doentia. O dia já está no fim e eles, depois de terem rodeado novas colinas e superado outro vale rochoso e enxuto, entram por uma região elevada sobre um planalto rochoso e, abrindo caminho por entre os muitos peregrinos, vão procurar alojamento em uma espécie de albergue muito rústico: é uma grande tenda, debaixo da qual foi posta palha abundante. e nada mais.

Pequenas lâmpadas acesas aqui e ali iluminam as ceias das famílias dos peregrinos, famílias pobres como a dos apóstolos, porque os ricos, em geral, já levantaram suas tendas fora do povoado, evitando os contatos com os populares do lugar e com os pobres peregrinos.

Cai a noite e o silêncio….O primeiro que começa a dormir é o menino: ele se encolhe, cansado, no colo de Pedro, que, depois, vai colocá-lo sobre a palha e o cobre com cuidado.

Jesus reúne os adultos para uma oração, depois cada um se joga sobre a palha, para descansar da longa jornada.

EMF 193.3 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

No dia seguinte, a comitiva apostólica, que saiu de manhã, à tarde já está para entrar em Siquém, tendo atravessado Samaria, de tão belo aspecto, cercada por muros, coroada por belos e majestosos edifícios, ao redor dos quais se comprimem belas casas, enfileiradas. Tenho a impressão de que a cidade, como Tiberíades, tenha sido reconstruída há pouco, e conforme os usos de Roma. Ao redor, do outro lado dos muros, há uma faixa de terras muito férteis e bem cultivadas.

EMF 195.3-4 · Volume 3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

O aparecimento da Cidade, já bem perto, visível agora em toda a sua beleza de colinas, de oliveiras, de casas, e especialmente pelo Templo, esta vista que deve ter sido sempre causa de emoção e de orgulho para os israelitas, acaba por distraí-lo completamente. O sol já bem quente de abril da Judeia, bem depressa enxugou as pedras da rua consular. Agora, as poças d’água precisam ser procuradas. Os apóstolos estão se arrumando, à beira da rua, descendo as vestes que tinham sungado, lavando em um córrego de águas claras, os pés cheios de barro, pondo em ordem os cabelos e vestindo suas capas. O mesmo faz Jesus. E vejo que todos estão fazendo assim.

195.4

A entrada em Jerusalém devia ser uma coisa importante. Apresentar-se diante dos muros, nestes dias de festa, era como apresentar-se diante de um soberano. A Cidade Santa era a “Verdadeira” rainha dos israelitas. Eu o compreendo bem neste ano em que posso notar, nesta rua consular, as turbas e o seu comportamento. Aqui os cortejos das diferentes famílias se põem em ordem, as mulheres todas juntas, os homens em outro grupo, os meninos em um dos grupos ou no outro, mas todos sérios e, ao mesmo tempo, serenos. Alguns tornam a dobrar a capa mais usada e tiram dos sacos de viagem uma outra nova, ou trocam de sandálias. Depois disso, até seu modo de andar muda e se torna mais solene e até mesmo religioso. Em cada um dos grupos há um solista, que dá o tom, e os hinos são entoados, os antigos e gloriosos hinos de Davi. As pessoas agora se olham com olhares melhores, como que abrandadas por terem visto a Casa de Deus, e olham para esta Casa Santa, este enorme cubo de mármore, encimado pelas cúpulas douradas e colocado como uma pérola no centro do recinto do Templo.

Aqui — na comitiva apostólica que assim está formada: na frente, Jesus e Pedro, tendo entre eles o menino; atrás vem Simão, Iscariotes e João; depois André, que obrigou João de Endor a ficar entre ele e Tiago de Zebedeu; na quarta fila, os dois primos do Senhor, com Mateus; por último, Tomé com Filipe e Bartolomeu — aqui é Jesus quem entoa, com sua poderosa e belíssima voz, de um ligeiro tom barítono, misto — para torná-lo mais belo — a vibração de tenor, e Judas Iscariotes responde. Ele é um tenor puro. João, com sua voz límpida de quem é ainda muito jovem. As duas vozes dos barítonos, que são os primos de Jesus, e a de quase baixo de Tomé, que é de um barítono tão grave, que quase não é mais tal. Os outros, dotados de vozes menos belas, acompanham em surdina o coral cheio, formado por aqueles que são os virtuoses do grupo. (Os salmos são aqueles conhecidos, chamados graduais[3]).

O pequeno Jabé, com uma vozinha de anjo, por entre as vozes robustas dos homens, canta muito bem, talvez porque conheça melhor do que os outros, o salmo 121:

– Alegrei-me por aquilo que me foi dito: ‘Iremos à Casa do Senhor’.

Verdadeiramente tudo está iluminado pela alegria no rostinho que, há bem poucos dias, estava muito triste.

Eis que os muros já estão perto. Aqui está a Porta dos Peixes. Aí estão as ruas apinhadas de gente.

Logo irão eles para o Templo para uma primeira oração. Depois é a paz, paz do Getsêmani, depois a ceia e o descanso.

A viagem a Jerusalém terminou.

Detalhe

Pedro distrai-se com o aparecimento da Cidade Santa.

Anotação

Os salmos são os conhecidos salmos, chamados graduais. Estes são os Salmos 120 a 134, também conhecidos como "cânticos de subida", segundo a nova numeração. O Sal 121, citado abaixo, passou a ser o Sal 122.

Nota adicional de maria-valtorta.org :

OS 15 GRADUAIS: são os Salmos 119 (hebraico 120) a 133 (hebraico 134), também conhecidos como CÂNTICOS DAS MONTANHAS. Eram cantados nas três festas de peregrinação, por peregrinos ou sacerdotes, nos quinze degraus que levavam ao Templo de Jerusalém.

O pequeno Yabeç, com a sua voz de anjo no meio das vozes robustas dos homens, canta muito bem o Salmo 121 - talvez porque o conheça melhor do que os outros: "Alegrei-me porque me disseram: 'Iremos à casa do Senhor. Salmo 121 (hebraico 122): "Como me alegrei quando me disseram: "Iremos à casa do Senhor!" ...

Esta é a Porta de Peixes. Ao norte de Jerusalém, mesmo ao lado do Templo.