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Notas do tema

Pessoas ricas, influentes ou poderosas

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O Evangelho como me foi revelado

Detalhe

Título do capítulo : A fuga para o Egito. Ensinamentos sobre a última visão ligada à vinda de Jesus.

Data da visão e do ditado: Sexta-feira, 9 de junho de 1944

Calendário: Fim de novembro de 4 a.C.. Período da Festa das Luzes, fim do Kisleu

Localização (mapa) :Belém

Ciclo: Nascimento e infância de Jesus

Resumo: José dorme na casa de Belém. Parece estar a ter um sonho doce, depois parece estar perturbado antes de acordar. Depois de se vestir, vai ter com a Virgem, que está a rezar ao lado do Menino. Diz-lhe que têm de partir imediatamente, pois um anjo avisou-o para fugir para o Egito. Maria obedece imediatamente e prepara os seus pertences de forma rápida mas ordenada. José volta para levar uma parte dos seus pertences e, com tristeza, diz-lhe que têm de levar o máximo que puderem, pois terão de ficar longe durante muito tempo. Maria continua a juntar as poucas coisas que restam e prepara Jesus. Quando ele adormece, depois de ter tomado o leite, José regressa e diz-lhe que Herodes quer matar o menino. Este facto toca o coração de Maria. Ela chora e declara que está a custar muito a José, mas ele responde-lhe que ela o consolará sempre e que a riqueza dos Magos os ajudará nos primeiros tempos. Ambos estavam tristes por terem de partir, por terem de abandonar tudo e não voltarem a Nazaré, mas enquanto tivessem Jesus, tinham tudo.

Os pais do Salvador deixam a casa e, depois de cumprimentarem o dono da casa, partem para o Egito.

Em seguida, Jesus faz um ditado e sublinha a simplicidade desta visão, que em nada diminui a humanidade de Maria e de Jesus, nem a divindade de Cristo. Demasiadas vezes", diz ele, "desencorajamo-nos pensando que Maria, Jesus e José eram fortes e que "eram eles". Mas o sofrimento foi sempre o seu fiel companheiro. Não experimentaram as paixões que são semelhantes aos vícios, porque fecharam o coração a Satanás. Por outro lado, tiveram muitas paixões, como o amor à pátria, os santos afectos à família, etc. Mas não se deixaram dominar pelas paixões. Mas não se deixavam dominar por essas paixões quando se tratava de seguir a vontade de Deus.

Também Jesus seguiu sempre a vontade de Deus, mesmo que isso lhe tenha valido o ódio dos judeus e a animosidade de Judas. Depois, critica os grandes homens deste mundo e, em seguida, detém-se sobre a castidade de José e a virgindade de Maria, afirmando-as preto no branco e retomando as palavras de Mateus. O evangelista, de facto, foi buscar as suas fontes diretamente a Maria, e a sua virgindade perpétua era uma verdade conhecida desde os tempos mais remotos.

O Cristo insiste longamente sobre a palavra "mulher" na Bíblia, para mostrar que este termo não é uma linguagem proscrita, infame, impura. Depois, retoma as palavras de Mateus para dizer que Maria é "a verdadeira Mãe de Jesus sem ser mulher de José. Ela permanecerá sempre: a Virgem, esposa de José".

Conteúdo do capítulo: 35.1: Um sonho faz com que José se levante a meio da noite. 35.2: Ao amanhecer, fugimos. 35.3: Maria apressa-se a recolher as suas coisas. 35.4: Desperta o menino e dá-lhe o peito. 35.5: Temos a riqueza dos Magos e Deus connosco. 35.6: Partida com três cavalos. 35.7: Os homens, acreditando que estavam a fazer a coisa certa, tornaram irreal o que teria sido tão bonito deixar real. 35.8: As nossas honrosas paixões humanas. 35.9: Eu não procurei a grandeza do mundo. 35.10: A virgindade de Maria e a castidade de José. 35.11: A dor de Maria ao ser arrancada de sua casa.

EMF 35.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

José já está de volta.

– Estás pronta? Jesus está pronto? Pegaste as suas cobertas, a sua caminha? Não podemos levar o berço, mas pelo menos que Ele tenha o seu pequeno colchão, pobre Pequenino, que procuram a sua morte!

– José!

Maria dá um grito, enquanto se agarra ao braço de José.

– Sim, Maria, a sua morte. Herodes o quer morto… porque tem medo… por causa do seu reino humano, ele tem medo deste Inocente, aquela fera imunda. Que irá ele fazer, quando ficar sabendo que o Menino fugiu, eu não sei. Mas nós já estaremos longe. Não creio que ele queira se vingar, procurando-o até na Galiléia. Já lhe seria muito difícil descobrir que nós somos galileus, e mais ainda, que nós somos de Nazaré, e quem é que somos exatamente. A não ser que Satanás o ajude, para agradecê-lo por ser-lhe um servo fiel. Mas… se isso acontecesse… Deus nos ajudará do mesmo modo.

EMF 40.4

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Dão a Jesus três rolos diferentes, dizendo:

– Lê aquele que está envolvido com uma fita de ouro.

Jesus abre o rolo e lê. É o Decálogo. Mas, depois das primeiras palavras, um dos juízes tira o rolo de suas mãos, e lhe diz:

– Continua, agora, de memória.

E Jesus continua, com tal segurança, que parece estar lendo. Cada vez que fala no Senhor, inclina-se profundamente.

– Quem te ensinou isso? Por que fazes assim?

– Porque santo é esse Nome, e deve ser pronunciado com sinal interno e externo de respeito. Ao rei, que é rei por breve tempo, seus súditos se inclinam, mesmo não sendo este mais do que pó. Ao Rei dos reis, ao Altíssimo Senhor de Israel, presente, ainda que não visível senão ao nosso espírito, não se deverá inclinar toda criatura, que Dele depende com sujeição eterna?

– Muito bem! Homem, nós te aconselhamos a fazer que teu filho seja instruído por Hilel ou Gamaliel. É nazareno… mas as suas respostas nos fazem esperar que Ele será um novo grande doutor.

– O filho já é maior de idade. Ele fará como quiser. Eu, se ele quiser uma coisa honesta, não me oporei.

Detalhe

Jesus está a ser examinado pelos doutores da Lei, para atingir a maioridade e ser responsável pelos seus actos.

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O Evangelho como me foi revelado

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Jesus está sozinho em Jerusalém. Maria viu-o a olhar numa determinada direção, mas a visão foi muito breve. A visão recomeça mais tarde e a mística descobre o interior do Templo. Estavam lá doutores da Lei, incluindo Gamaliel, Hillel e Shammai, que discutiam a profecia de David e do Messias. Os dois primeiros defendiam que o Salvador já estava na Terra, enquanto o outro afirmava que a escravatura de Israel só tinha aumentado e que "a paz que deveria ser trazida por aquele a quem os profetas chamam 'o Príncipe da Paz' está longe de reinar sobre o mundo". Jesus intervém e declara que Gamaliel tem razão. Perguntam-lhe em que é que se baseiam e, durante algum tempo, as personagens falam da Natividade e do massacre dos Inocentes. Depois, Hillel pergunta de onde vem a sabedoria do rapaz e querem examiná-lo devidamente. É-lhe dado um pergaminho e surge o tema do Precursor. Jesus diz que ele já está na terra e que em breve precederá Cristo. Além disso, o Filho de José profetiza sobre o Reino de Deus e a realeza de Cristo, que é inteiramente espiritual. Disse mesmo que o santuário de Deus não seria mais cortado e destruído, e Hillel compreendeu as suas palavras citando outra passagem do livro de Ageu.

Gamaliel fala-lhe então da Paz de que fala o profeta e Jesus responde-lhe com as palavras do Glória: "Paz aos homens de boa vontade". Mas Israel não tem essa boa vontade, pelo que não terá a Paz e rejeitará o seu Messias. Por fim, Jesus regressa de novo ao Precursor, na sequência de uma observação de Shammai, dizendo que ele precederá em breve o Cristo. Termina dizendo que, se todos fossem como Hillel, a salvação chegaria a Israel. Hillel oferece-se para ficar com ele, mas o Menino diz que deve permanecer na solidão. E assim termina a visão.

Maria explica então como soube quem eram Hillel e Gamaliel (graças à voz do seu conselheiro interior). Por fim, Jesus dá um ditado sobre a recuperação de Jesus e Maria no Templo e a dor de Maria e José. Volta à famosa pergunta: "Meu filho, porque nos fizeste isto?"

EMF 41.2-9

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Quando acordo, com a lembrança daquela visão no coração, tendo recobrado um pouco as forças e a paz, porque todos estão dormindo, me encontro em um lugar que eu nunca tinha visto antes. Nele há pátios e fontes, séries de pórticos e casas, ou melhor, pavilhões, pois têm mais características de pavilhões do que de casas. Há uma grande multidão de gente, vestida à antiga moda hebraica, num forte vozerio. Olhando ao meu redor, compreendo que estou dentro daquele aglomerado para o qual Jesus estava olhando, porque vejo a muralha com ameias que o rodeia, a torre que o vigia e a imponente construção, que se ergue no centro, e contra a qual vão-se estreitando os pórticos, muito bonitos e espaçosos, sob os quais há muita gente, tratando de uma coisa ou de outra.

Compreendo que estou no recinto do Templo de Jerusalém. Vejo fariseus com suas compridas vestes ondulantes, sacerdotes vestidos de linho e com uma placa preciosa na parte superior do peito e da fronte, e outros pontos brilhantes espalhados aqui e ali sobre diversas vestes muito amplas e brancas, ajustadas à cintura por um cinto precioso. Depois, vejo outros que estão menos ornados, mas que devem certamente pertencer à classe sacerdotal, e que estão rodeados por discípulos mais jovens. Compreendo que eles são os doutores da Lei. Entre todos estes personagens, eu me encontro desorientada, porque não sei ao certo o que estou fazendo aqui.

41.3 Aproximo-me do grupo dos doutores, onde se iniciou uma disputa teológica. Muita gente faz a mesma coisa.

Entre os “doutores” há um grupo chefiado por um homem chamado Gamaliel e por um outro, velho e quase cego, que defende Gamaliel na disputa. Este, que ouço ser chamado de Hilel, (coloco o h porque ouço uma aspiração ao princípio do nome) parece-me ser mestre ou parente de Gamaliel, porque este o trata com confiança e respeito, ao mesmo tempo. O grupo de Gamaliel tem vistas mais largas, enquanto que um outro grupo, mais numeroso, é dirigido por um homem que chamam de Shamai, dotado daquela intransigência cheia de ódio retrógrado do qual o Evangelho tão bem nos mostra.

Gamaliel, rodeado por um grupo numeroso de discípulos, fala da vinda do Messias e, apoiando-se na profecia de Daniel, sustenta que o Messias já deve ter nascido, porque já há cerca de dez anos que as setenta semanas profetizadas se completaram, desde que saiu o decreto da reconstrução do Templo. Shamai o combate, afirmando que, se é verdade que o Templo foi reedificado, também é verdade que a escravidão de Israel aumentou, e a paz, que haveria de trazer consigo Aquele que os Profetas chamavam “Príncipe da Paz”, está longe de existir no mundo, especialmente em Jerusalém, agora oprimida por um inimigo, que ousa levar a sua dominação até dentro do recinto do Templo, que está dominado pela torre Antônia, cheia de legionários romanos, prontos a reprimir com suas espadas qualquer levante de independência dos patriotas.

A disputa, cheia de cavilações, dá sinais de que irá prolongar-se. Cada um dos mestres faz ostentação de erudição, não só para vencer o rival, mas para impor-se à admiração dos ouvintes. Esta intenção é evidente.

41.4 Do numeroso grupo dos fiéis, ouve-se sair a voz jovem de um rapazinho:

– Gamaliel está certo!

Então começa um movimento no meio da multidão e do grupo dos doutores. Estão procurando quem foi que disse aquelas palavras. Mas não é preciso procurá-lo. Ele não se esconde, e vem abrindo caminho por entre a multidão, aproximando-se do grupo dos “rabinos.” Reconheço nele o meu Jesus adolescente. Ele está seguro do que diz, com aqueles seus dois olhos cintilando e cheios de inteligência.

– Quem és tu? –lhe perguntam.

– Sou um filho de Israel, que vim cumprir o que ordena a Lei.

Esta resposta, audaz e firme, agrada e provoca sorrisos de aprovação e benevolência. Interessam-se pelo pequeno israelita.

– Como te chamas?

– Jesus de Nazaré.

A benevolência diminui no grupo de Shamai. Mas Gamaliel, mais benigno, prossegue no diálogo com Hilel. Aliás, é Gamaliel que com deferência diz ao velho:

– Pergunta ao rapazinho alguma coisa.

– Em que é que se baseia a tua segurança? –pergunta Hilel.

(Vou pôr os nomes antes das respostas, para abreviar e tornar-se mais claro).

Jesus:

– Na profecia, que não pode errar quanto à época e quanto aos sinais que a acompanham, quando chega o momento da verificação. É uma verdade que César nos está dominando. Mas o mundo estava tão em paz, e a Palestina em tão grande calma, quando se cumpriram as setenta semanas, que foi possível a César ordenar que se fizesse o recenseamento em seus domínios. Ele não teria podido fazer, se houvesse guerra no Império ou levantes na Palestina. Como aquele tempo se cumpriu, assim também está se cumprindo o outro tempo de sessenta e duas semanas mais uma, desde a realização do Templo, para que o Messias seja ungido e se confirme a continuação da profecia, para o povo que não o quis. Podeis ter dúvidas? Não vos lembrais que a estrela foi vista pelos Sábios do Oriente e que foi parar justamente no céu de Belém de Judá, e que as profecias e as visões, desde Jacó e após ele, indicam aquele lugar como o destinado a acolher o nascimento do Messias, filho do filho do filho de Jacó, através de Davi, que era de Belém? Não vos lembrais de Balaão? “Uma estrela nascerá de Jacó”. Os Sábios do Oriente, cuja pureza e fé tornavam abertos os seus olhos e seus ouvidos, viram a estrela e entenderam o seu nome: “Messias”, e vieram adorar a Luz que desceu ao mundo.

41.5 Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

41.6 Hilel:

– Rapazinho, quem te ensinou estas palavras?

Jesus:

– Espírito de Deus. Eu não tenho mestre humano. Esta é a Palavra do Senhor, que vos está falando, através dos meus lábios.

Hilel:

– Vem cá entre nós, para que eu te possa ver de perto, ó mocinho, e a minha esperança se reavive ao contato da tua fé, e a minha alma se ilumine ao sol da tua.

E Jesus vai, de fato, sentar-se em um banco alto entre Gamaliel e Hilel, e lhe são levados uns rolos para que os leia e explique. É um exame em plena regra. A multidão se aglomera e escuta.

A voz juvenil de Jesus lê:

– “Consola-te, ó meu povo! Falai ao coração de Jerusalém, consolai-a porque a sua escravidão se acabou… Voz do que grita no deserto: preparai os caminhos do Senhor… Então aparecerá a glória do Senhor…”

Shamai:

– Estás vendo, nazareno! Aqui se fala de escravidão que se acaba. Nunca fomos escravos como o somos agora. Aqui se fala de um precursor. Onde está ele? Tu estás delirando.

Jesus:

– Eu te digo que a ti, mais do que a outros, está feito o convite do Precursor. A ti e aos teus semelhantes. De outra maneira, não verás a glória do Senhor, nem compreenderás a palavra de Deus, porque as baixezas, as soberbas, as duplicidades serão para ti um obstáculo para veres e ouvires.

Shamai:

– Falas assim a um mestre?

Jesus:

– Assim falo. E assim falarei até à morte. Porque, acima do que me é útil, está o interesse do Senhor e o amor à Verdade, da qual sou Filho. E te digo ainda, ó rabi, que a escravidão, de que fala o Profeta, e da qual Eu falo, não é aquela que pensas, como a realeza não será aquela que pensas. Mas, sim, é pelo mérito do Messias que o homem se tornará livre da escravidão do Mal, que o separa de Deus, e o sinal do Cristo estará sobre os espíritos, livres de todo jugo, e feitos súditos do Reino eterno. Todas as nações curvarão suas cabeças, ó estirpe de Davi, diante do Rebento nascido de ti, e que se tornou árvore que cobre toda a terra, e se levanta até o Céu. E no Céu e na terra, toda boca louvará o seu Nome, e dobrarão o joelho, diante do Ungido de Deus, do Príncipe da Paz, do Chefe, Daquele que se dará a si mesmo para delícia das almas cansadas, saciará a alma faminta, do Santo que fará uma aliança entre a terra e o Céu. Não como aquela aliança feita com os Pais de Israel, quando Deus os tirou do Egito, tratando-os ainda como escravos, mas imprimindo a paternidade celeste no espírito dos homens, por meio da Graça novamente infundida pelos méritos do Redentor, pelo qual todos os homens bons conhecerão o Senhor, e o Santuário de Deus não será mais derribado e destruído.

Shamai:

– Não fiques blasfemando, mocinho! Lembra-te de Daniel. Ele diz que, depois da morte de Cristo, o Templo e a Cidade serão destruídos por um povo e por um chefe que virá. E Tu estás dizendo que o Santuário de Deus não será mais derrubado! Respeita os Profetas!

Jesus:

– Em verdade eu te digo que aqui está Alguém que é mais do que os Profetas, e tu não o conheces, e não o conhecerás, porque te falta a vontade. E te digo que tudo o que Eu disse é verdade. Não conhecerá mais a morte o verdadeiro Santuário. Mas como o seu Santificador, ressurgirá para a vida eterna e, no fim dos dias do mundo viverá no Céu.

41.7 Hilel:

– Escuta, jovenzinho. Ageu diz: “virá o Desejado dos povos. Grande será, então, a glória desta casa, maior do que a que coube à primeira.” Estará ele se referindo ao Santuário de que Tu falas?

Jesus:

– Sim, mestre. Quer dizer isso. A tua retidão te leva para a Luz, e Eu te digo: quando o Sacrifício do Cristo se consumar, terás paz, porque és um israelita sem malícia.

Gamaliel:

– Diz-me, Jesus. A paz, de que falam os Profetas, como poderá ser esperada, se a este povo virá a destruição pela guerra? Fala, e dá luz a mim também.

Jesus:

– Não te lembras, mestre, o que foi que disseram aqueles que estiveram presentes na noite do nascimento de Cristo? Não te lembras de que os exércitos celestiais cantavam: “Paz aos homens de boa vontade”? Mas este povo não tem boa vontade, e não terá paz. Ele desconhecerá o seu Rei, o Justo, o Salvador, porque espera que Ele seja um rei de poderes humanos, enquanto que Ele é o Rei do espírito. Este povo não o amará, porque o Cristo pregará o que a este povo não agrada. O Cristo não debelará os seus inimigos com seus carros e cavalos, mas, sim, os inimigos da alma, que dominam, com possessão infernal, o coração do homem criado pelo Senhor. E esta não é a vitória que Israel está esperando Dele. Ele virá, Jerusalém, o teu Rei, cavalgando uma “jumenta e um jumentinho”, ou seja, os justos de Israel e os gentios. Mas o jumentinho, Eu vo-lo digo, será mais fiel a Ele, e o seguirá precedendo a jumenta, e crescerá no caminho da Verdade e da Vida. Israel, pela sua má vontade, perderá a paz, e sofrerá em si, através dos séculos, aquilo que fizer sofrer ao seu Rei, depois de tê-lo reduzido ao Rei das dores, de que fala Isaías.

41.8 Shamai:

– Tua boca tem, ao mesmo tempo, cheiro de leite e de blasfêmia, nazareno. Responde-me: E onde está o Precursor? Quando o teremos?

Jesus:

– Ele já está aqui. Não diz Malaquias: “Eis que eu mando o meu anjo a preparar o caminho diante de Mim; e logo virá ao seu Templo o Dominador, por vós procurado, e o Anjo do Testamento por vós desejado”? Portanto, o Precursor virá imediatamente antes de Cristo. Ele já está aqui, como o Cristo está. Se passassem anos entre aquele que prepara os caminhos do Senhor e o Cristo, todos os caminhos se tornariam cheios de entulhos e obstáculos. Deus sabe disso, e predispõe que o Precursor venha uma hora só antes do Mestre. Quando virdes o Precursor, podereis dizer: “A missão do Cristo começou.” E a ti Eu te digo: O Cristo abrirá muitos olhos e muitos ouvidos, quando ele vier por estes caminhos. Mas não os teus, nem os dos iguais a ti, que lhe dareis a morte, em troca da Vida, que Ele vos oferece. Mas quando, mais alto do que este Templo, mais alto do que o Tabernáculo, fechado no Santo dos santos, mais alto do que a Glória sustentada pelos Querubins, o Redentor estiver sobre o seu trono e sobre o seu altar, fluirão de suas mil e mil feridas maldições para os deicidas e vida para os gentios, porque Ele, ó mestre, que disso não sabes, não é, eu repito, Rei de um reino humano, mas de um Reino espiritual, e os seus súditos serão somente aqueles que por seu amor souberem regenerar-se no espírito e, como Jonas, depois de terem nascido, renascerem em outras praias: “as de Deus”, através da geração espiritual que virá por Cristo, o qual dará à humanidade a verdadeira Vida.

41.9 Shamai e seus acólitos:

– Este nazareno é Satanás!

Hilel e os seus:

– Não. Este jovem é Profeta de Deus. Fica comigo, Menino. A minha velhice transfundirá tudo o que sabe ao teu saber, e Tu serás Mestre do povo de Deus.

Jesus:

– Em verdade, te digo que, se muitos fossem como tu és, viria a salvação para Israel. Mas a minha hora ainda não chegou. A Mim falam as vozes do Céu, e, na solidão, Eu as devo acolher, enquanto não chegar a minha hora. Então, com os lábios e com o sangue, falarei a Jerusalém, e minha sorte será a dos Profetas que foram apedrejados e mortos por esta cidade. Mas, acima do meu ser, está o Senhor Deus, ao qual Eu submeto a Mim mesmo, como servo fiel, para que Ele faça de Mim o escabelo à sua glória, na esperança de que Ele faça do mundo o escabelo aos pés de Cristo. Esperai-me na minha hora. Estas pedras ouvirão de novo a minha voz, e tremerão à minha última palavra. Felizes aqueles que naquela voz tiverem ouvido a Deus, e crerem Nele, através dela. A estes o Cristo dará aquele Reino que o vosso egoísmo deseja que seja um reino humano, mas que é celeste e pelo qual Eu digo: “Eis aqui o teu servo, Senhor, que veio para fazer a tua vontade. Consuma-a, pois Eu anseio para cumpri-la.”

E aqui, com a visão de Jesus com o rosto inflamado pelo ardor espiritual erguido ao céu, os braços abertos, em pé, no meio dos doutores atônitos, termina a minha visão.

Anotação

Lucas 2:42-51

Quando Jesus tinha doze anos, foram em peregrinação, segundo o costume. No fim da festa, quando regressavam a casa, o jovem Jesus ficou em Jerusalém sem que os seus pais o soubessem. Pensando que ele se encontrava na caravana dos peregrinos, estes percorreram um dia de caminho antes de o procurarem entre os seus familiares e conhecidos. Como não o encontraram, regressaram a Jerusalém e continuaram a procurar. Ao fim de três dias, encontraram-no no Templo, sentado entre os doutores da Lei: ouvia-os e fazia-lhes perguntas, e todos os que o ouviam elogiavam a sua inteligência e as suas respostas. Quando os pais o viram, ficaram espantados, e a mãe disse-lhe: "Filho, porque nos fizeste isto? Vê como o teu pai e eu sofremos à tua procura! Ele respondeu-lhes: "Como é que me procuraram? Não sabíeis que tenho de estar com o meu Pai? Mas eles não entenderam o que ele estava a dizer. Desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso. A sua mãe guardava todos estes acontecimentos no seu coração.

EMF 41.5

O Evangelho como me foi revelado

Citação

41.5 Shamai, com um olhar rancoroso:

– Tu dizes que o Messias nasceu no tempo da estrela, em Belém-Efrata?

Jesus:

– Eu o digo.

Shamai:

– Então, ele não existe mais. Não sabes, rapaz, que Herodes fez matar todos os meninos de um dia até dois anos de idade em Belém e nos arredores? Tu, que és tão sábio na Escritura, deves saber também isto: “Um grito se ouviu no alto… É Raquel, que está chorando os seus filhos.” Os vales e as colinas de Belém, que recolheram o pranto de Raquel, que estava morrendo, ficaram cheios de pranto, e as mães choravam também sobre seus filhos que foram mortos. Entre elas estava certamente também a mãe do Messias.

Jesus:

– Estás enganado, ó velho! O pranto de Raquel se transformou em hosana, porque lá onde ela deu à luz o “filho da sua dor”, a nova Raquel deu ao mundo o Benjamim do Pai celeste, o Filho da sua destra, Aquele que está destinado a reunir o povo de Deus sob o seu cetro, e livrá-lo da mais tremenda escravidão.

Shamai:

– E como, se Ele foi morto?

Jesus:

– Não leste a respeito de Elias? Ele foi arrebatado no carro de fogo. E não poderá o Senhor Deus ter salvo o seu Emanuel para que fosse o Messias do seu povo? Ele, que abriu o mar diante de Moisés, para que Israel passasse a pé seco para a sua terra, não terá podido mandar os seus anjos para salvarem o seu Filho, o seu Cristo, da ferocidade do homem? Em verdade, eu vos digo: o Cristo vive, e está entre vós, e, quando chegar a sua hora, Ele se manifestará em seu poder.

Jesus, ao dizer estas palavras, que eu sublinho, tem na voz um som que enche o espaço. Os seus olhos cintilam mais ainda e, com um gesto de império e de promessa, Ele estende o braço e a mão direita, e os abaixa, como fazendo um juramento. É um rapazinho, mas está solene como um homem.

Anotação

Jeremias 31, 15: "Assim diz o Senhor: Há um grito em Ramá, uma lamentação e um choro amargo. É Raquel que chora os seus filhos; recusa-se a ser consolada, porque os seus filhos já não existem."

Livro do Êxodo 14, 21-22: Moisés estendeu o braço sobre o mar. O Senhor expulsou o mar durante toda a noite, com um forte vento oriental; secou o mar, e as águas separaram-se. E os filhos de Israel entraram no meio do mar em seco, formando as águas um muro à sua direita e à sua esquerda,

Segundo Livro dos Reis, 2, 11-12: Estavam a caminhar e a falar, quando um carro de fogo com cavalos de fogo os separou. Depois Elias subiu ao céu num furacão. Eliseu viu-o e gritou: "Meu pai! Meu pai! O carro de Israel e os seus cavaleiros! Então deixou de o ver. Agarrou nas suas vestes e rasgou-as em dois.

EMF 47.7

O Evangelho como me foi revelado

Citação

47.7 O mundo escarnece dos puros. Os culpados de lascívia os golpeiam. João Batista é uma vítima da luxúria de dois obscenos. Mas, se o mundo tem ainda um pouco de luz, isto se deve aos puros que ainda há no mundo. São esses os servos de Deus, que sabem compreender a Deus e repetir as palavras Dele. Eu disse: “Felizes os puros de coração, porque verão a Deus.” Mesmo desde esta terra. Eles, cujo pensamento não é perturbado pela fumaça da sensualidade, é que “vêem” a Deus e O ouvem, O seguem, e O indicam aos outros.

EMF 51.3

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Jesus… Tu sabes qual a sorte do teu primo, o Batista… Está na prisão, e, se ainda não morreu, é porque aquele sórdido Tetrarca tem medo da multidão e do raio de Deus. Tão sórdido e supersticioso, como cruel e libidinoso. Tu… que farás? A que sorte queres ir de encontro?

Detalhe

Jude, em nome da sua família, que não aprovava o comportamento de Jesus, disse

EMF 53.1-2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Vejo Jesus que vai entrando no recinto do Templo, com Pedro, André, João, Tiago, Filipe e Bartolomeu.

Há uma grande multidão, tanto dentro, como fora do Templo. Grupos de peregrinos chegam de todos os pontos da cidade. Do alto da colina, sobre a qual está construído o Templo, vêem-se as ruas da cidade, estreitas e tortas, a fervilhar de gente. Parece que por entre o branco monótono das casas tenha sido estendida uma fita movediça de mil cores. Sim. A cidade tem o aspecto de um bizarro brinquedo, feito de fitas matizadas, entre dois fios brancos, e todas convergentes até o ponto onde brilham as cúpulas da Casa do Senhor.

Mas no interior há… uma verdadeira feira. Todo recolhimento que havia no lugar santo se acabou. Uns correm, outros chamam, outros fazem negócios com seus cordeiros, gritam e imprecam por causa do preço exorbitante, enquanto outros empurram os pobres animais, que balem, para dentro dos recintos (são divisões rudimentares, feitas com cordas ou com estacas, em cuja entrada está o vendedor, ou o dono que seja, à espera dos compradores). Pauladas, balidos, blasfêmias, reclamações, insultos aos empregados não solícitos nas operações de ajuntamento e escolha dos animais e aos compradores que regateiam os preços, ou que vão-se embora. E maiores insultos àqueles que, previdentes, levaram o seu cordeiro.

Ao redor das bancas dos cambistas, outro vozerio. Compreende-se que o Templo funcionava como… Bolsa e Bolsa negra; não sei se é sempre ou só neste tempo da Páscoa. O valor das moedas não era fixo. Havia um valor legal, certamente terá havido, mas os cambistas impunham um outro, apropriando-se de um tanto, marcado arbitrariamente pelo câmbio das moedas. E eu vos asseguro que eles não brincavam nessas operações de usura! Quanto mais alguém era pobre e vinha de longe, mais era depenado. Os velhos, mais que os jovens e os provenientes de fora da Palestina, mais que os velhos.

Os pobres velhinhos olhavam e tornavam a olhar para o seu pecúlio ajuntado, Deus sabe com quanto trabalho, durante um ano inteiro; agora eles o tiravam e o recolocavam junto ao peito cem vezes, indo de um cambista a outro, e acabavam voltando ao primeiro que então se vingava da inicial desistência deles aumentando o ágio do câmbio… e então, por entre suspiros, as grandes moedas caíam das mãos de seus donos e passavam para as garras do usurário sendo trocadas por moedas menores. Depois era outra tragédia nas escolhas, nos cálculos e suspiros diante dos vendedores de cordeiros, os quais, aos velhinhos já meio cegos, impingiam os cordeiros mais míseros.

53.2 Vejo voltar dois velhinhos, ele e ela empurrando um pobre cordeirinho que deve ter sido achado defeituoso pelos sacrificadores. Pranto, súplicas, maus tratos e palavrões se cruzam, sem que o vendedor se comova.

– Pelo que estais dispostos a gastar, ó galileus, é até muito bonito o que eu vos dei. Ide embora! Ou dai-me mais cinco moedas para receberdes um mais bonito.

– Em nome de Deus! Somos pobres e velhos! Queres impedir-nos de fazer a Páscoa, que talvez seja a última para nós? Não te basta o que quiseste cobrar por um pequeno animal?

– Saí do caminho, ó sujos! Está se aproximando de mim o velho José. Ele me honra com a sua preferência. Deus esteja contigo! Vem, escolhe!

Entra no recinto aquele que é chamado o velho José, o de Arimatéia, e pega um magnífico cordeiro. Ele passa, soberbo e pomposo em suas vestes, sem olhar para os pobres que gemem à porta, aliás, na entrada do recinto. Quase choca-se com eles, especialmente quando sai com o cordeiro gordo que vai balindo.

Detalhe

José de Arimateia aparece em 53.2. A descrição do Templo também foi acrescentada para uma melhor compreensão do contexto.

Palavras-chave

EMF 66.2

O Evangelho como me foi revelado

Citação

Desilude-te Judas, se pensas que sou um triunfador sobre Roma e sobre as castas que imperam. Os Herodes, como os Césares podem dormir tranqüilos enquanto Eu falo às multidões. Eu não vim para arrancar cetros de ninguém… e o meu cetro, eterno, já está pronto. Mas ninguém, que não fosse amor, como Eu sou, iria querer empunhá-lo.